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Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística
Levantamento

Receitas de Viracopos com terminal de cargas caem 8,9% no 1º semestre

Mon, 18 de July de 2016
Fonte: G1

As operações representam média de 65% do faturamento total do aeroporto.

Concessionária ressalta investimentos e diz que queda reflete crise nacional.

 

As receitas obtidas pelo Aeroporto Internacional de Viracopos com movimentações no terminal de cargas diminuíram 8,9% neste primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado. Sem revelar o valor faturado de janeiro a junho, a concessionária responsável pela gestão da estrutura afirma que o resultado reflete diretamente a crise econômica nacional.

Os recursos recebidos pelo aeroporto em Campinas (SP), por meio de tarifas e serviços ligados às operações, representam média de 65% do total. Nos primeiros seis meses deste ano, o volume de importações caiu 23,6%, e as exportações tiveram baixa de 1,9% [Veja estatísticas abaixo]. Ao todo, foram 15,4 mil toneladas a menos de mercadorias que passaram pelo terminal.

 

"O país e a região estão enfrentando uma época desafiadora. A queda de peso na importação é considerável e pode ser diretamente ligada à subida do USD [dólar americano] e à baixa confiança no mercado durante este ano e o ano passado. No lado de exportação, mesmo com um valor USD elevado, isso não imediatamente reflete e ajuda as exportações [...] demanda mais tempo para o desenvolvimento de negócios", informa trecho de nota da concessionária.

 

Movimentações no terminal de cargas do Aeroporto Internacional de Viracopos

 

 

Período

Volume de exportações

Volume de importações

Total

1º semestre de 2015

26,6 mil

63,2 mil toneladas

89,8 mil toneladas

1º semestre de 2016

26,1 mil

48,2 mil toneladas

74,4 mil toneladas

Diferença entre períodos

526 toneladas (-1,9%)

14,9 mil toneladas (-23,6%)

15,4 mil toneladas (-17,2%)

 

 

 

Enquanto as exportações são cobradas com base no peso da carga, o uso do terminal para a logística de produtos comprados fora do país implica em taxas diferenciadas. A primeira é feita considerando-se a soma do valor agregado do item e tempo em que ele fica no terminal (cargas importadas e nacionalizadas em Viracopos); enquanto a segunda, para cargas classificadas como DTA (declaração de trânsito aduaneiro), é feita com base no peso movimentado.

 

O economista Mário Guerreiro acredita que as movimentações no terminal de cargas voltem a crescer quando houver "estabilização política no país". Para ele, trata-se de ponto fundamental para retomada de investimentos e estabilidade da taxa cambial. "A variação da importação ficou ligada à crise política. Acredito que no segundo semestre o dólar deve fechar entre R$ 3,20 e R$ 3,30. Já as exportações também dependem de outros itens, como incentivos fiscais", explicou.

 

Busca por melhorias

A concessionária destacou que tem investido em melhorias desde que assumiu a gestão em Viracopos para "agregar valor" aos negócios de importadores e exportadores. Entre elas estão a ampliação da câmara frigorífica e área física para liberação de cargas, aquisição de um novo sistema para gerenciamento e controle do sistema de intralogística, e aplicação de recursos na construção do primeiro terminal de alta segurança com padrão internacional na América Latina.

 

"Nas épocas de baixa movimentação, ou até de crise, todas as empresas têm cada vez mais foco no custo benefício de qualquer atividade. Quem vai importar ou exportar vai fazer prestando muita atenção no planejamento de lead time e custos. O papel do aeroporto é estar apto para movimentar a carga e ser ágil no processamento da mesma", complementa nota da empresa.

 

Redução de passageiros

O fluxo de passageiros no aeroporto diminuiu 12,2% no primeiro semestre, no comparativo com o mesmo período do ano passado. Ao todo, 4,5 milhões de clientes embarcaram ou desembarcaram pela estrutura, enquanto no intervalo anterior foram atendidos 5,1 milhões.

A concessionária gestora de Viracopos alegou, em nota, que a redução ocorre nos principais aeroportos do país e os dados da curva sobre crescimento estão em revisão.

 

O economista Roberto Brito de Carvalho, da PUC-Campinas, avaliou que a redução do fluxo de viajantes ocorreu por causa da alta do dólar e perda do poder aquisitivo da população. "Isso inibiu principalmente as viagens de turismo. Ainda não há perspectivas de melhorias a curto prazo."

Segundo ele, há uma expectativa de que o movimento aumente no fim deste mês, e em agosto, somente por causa dos Jogos Olímpicos do Rio. "Viracopos é uma alternativa importante, sobretudo em função das conexões que podem ser feitas. Outro componente que pode ser considerado é que turistas e equipes podem se hospedar no estado de São Paulo", explicou.