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Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística
Logística

Terminal logístico ainda opera abaixo da capacidade

Wed, 11 de July de 2018
Fonte: Diário do Nordeste
Parada obrigatória para empresas que pretendem enviar produtos ao exterior via aérea, o Terminal de Logística de Cargas (Teca) do Fortaleza Airport ainda não movimentou, de janeiro a maio, o volume que teria capacidade de processar em apenas um mês, de 5 mil toneladas (t). De acordo com a concessionária do Aeroporto, Fraport Brasil, foram exportadas 2,1 t através do terminal cearense nos cinco primeiros meses do ano.
 
Embora o terminal tenha capacidade para receber até nove aviões cargueiros simultaneamente, as vagas permanecem ociosas na maior parte do tempo porque quase toda a carga é transportada no porão das aeronaves mistas (passageiros e carga), uma realidade do mercado em todo o País. Dessa forma, as mercadorias seguem via terrestre do galpão do Teca até o terminal de passageiros para o embarque, onde as aeronaves são estacionadas.
 
De acordo com dados da Fraport Brasil, o terminal recebe regularmente apenas um cargueiro operado pela ABSA (Latam Airlines) às segundas-feiras, que representa 1,88% da operação cargueira do Teca, que é exclusivo para a importação e exportação. Os outros 98,12% das movimentações cargueiras para comércio exterior acontecem em voos mistos, dos quais boa parte ainda pegam uma conexão em Guarulhos (SP), que possui mais ligações internacionais.
 
Pela localização próxima ao Teca, algumas posições de estacionamento para aeronaves cargueiras também são, frequentemente, utilizadas pela empresa Sideral, que presta o serviço de transporte de cargas para os Correios. O órgão possui um galpão próprio na área e o controle da mercadoria, incluindo o e-commerce, mas não passa pelas autoridades alfandegárias em Fortaleza – se for proveniente do exterior, a carga já tem sido nacionalizada em outro aeroporto.
 
Com o volume de novos voos internacionais programados para operar no Aeroporto neste ano, em especial o início das operações do hub da Air France-KLM/Gol em Fortaleza, a expectativa é que mais cargas possam seguir diretamente ao exterior, sem a necessidade de passar pelos aeroportos do Sudeste para seguir ao destino final.
 
Estrutura
 
Com 11.826 metros quadrados (m²) de área construída, o terminal possui dois armazéns: um para importação, com 2.348 m², e outro para a exportação, com 2.233 m², além de um para cargas restritas com 89,43 m². Tanto o armazém da importação como o da exportação possuem três câmaras frias (somando 479,89 m² em cada área) com três temperaturas distintas para preservar cargas que precisam de refrigeração, como frutas, pescados e flores.
 
Inaugurado em 2009 pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), o Teca foi planejado para atender ao crescimento da demanda por exportação e importação dos próximos anos e, conforme o Diário do Nordeste apurou, a atual concessionária Fraport Brasil não incluiu mudanças na infraestrutura desse espaço no planejamento de expansão do Aeroporto. O entendimento é que a área já é suficiente para atender a demanda futura.
 
Ainda compõem a infraestrutura do terminal de cargas equipamentos de raios-x, com diferentes capacidades, e uma estrutura com nove docas para o carregamento e descarregamento de caminhões na área alfandegada. Há inclusive dispositivos que permitem a adequação do piso à diferentes alturas dos caminhões para facilitar o processo logístico.
 
Falta de pessoal
 
Mas uma reclamação constante por parte dos exportadores e seus despachantes aduaneiros é a falta de pessoal, principalmente de órgãos fiscalizadores. Até estar pronta para embarcar, as mercadorias passam por uma série de processos de fiscalização de órgãos como Receita Federal e Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
 
A situação é mais dramática para o Vigiagro, responsável pela supervisão especificamente as cargas de origem animal ou vegetal, atestando sua qualidade e origem. Segundo o Mapa, há 15 auditores fiscais agropecuários no Estado (4 no Aeroporto, 6 no Porto do Pecém e 6 no Porto do Mucuripe), dos quais quatro (27%) possuem condição de requerer aposentadoria e devem sair da ativa ainda neste ano.
 
Para repor o quadro funcional, atualmente existe pedido formalizado do Mapa ao Ministério do Planejamento solicitando 250 vagas para auditores fiscais agropecuários. “Entretanto, até o momento, não há qualquer indício de que o Ministério do Planejamento irá autorizar novo concurso”, informou o ministério, em nota.
 
Qualquer não conformidade dos documentos com as legislações brasileira e do país de destino ou a falta de inspeção por fiscais atribuídos são razões para que a carga seja barrada. Como os procedimentos são realizados a cada novo envio de carga, a falta de fiscais para supervisioná-las pode afetar seriamente o fluxo de exportação já existente no Fortaleza Airport.