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Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística
Racionalização

Setor do transporte investe mais para racionalizar consumo da água

Tue, 22 de March de 2016
Fonte: CNT

No transporte rodoviário de cargas, por exemplo, 44,5% das empresas adotam algum tipo de medida de reaproveitamento de recursos naturais

 

A escassez de água é um problema que preocupa o mundo. Relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), publicado em 2015, alerta que, até 2050, duas em cada três pessoas serão afetadas pela insuficiência de recursos hídricos no planeta. No setor de transporte, o cuidado com o tema tem levado empresas a ampliarem investimentos e adotarem medidas para racionalizar o uso da água, entre outros recursos naturais, e, assim, reduzir os impactos ambientais da atividade.

 

A Sondagem CNT de Eficiência Energética no Transporte Rodoviário de Cargas, elaborada pela Confederação Nacional do Transporte, aponta que 44,5% das empresas do segmento implementa algum tipo de ação para reaproveitar os recursos. Dessas, 83,1% têm medidas para reuso de água.

 

Reuso gera economia

 

Exemplo disso é a Auto Viação Urubupungá, que opera com o transporte coletivo urbano e interurbano de passageiros na Grande São Paulo. A empresa tem a primeira garagem de ônibus do Brasil (e o 100º empreendimento do país) a receber a certificação LEED, (Liderança em Energia e Design Ambiental, na sigla em inglês), um reconhecimento internacional pela sustentabilidade da edificação. A garagem foi projetada para otimizar recursos hídricos e energéticos.

 

“O investimento ficou 4,2% acima do valor de uma obra normal, mas isso se compensa ao longo dos anos”, explica o gerente geral da unidade, Miguel Batista de Albuquerque. A estrutura conta com um sistema de coleta e armazenamento de água da chuva, com 700 mil litros de capacidade. Também há um sistema de tratamento, com capacidade para recuperar até 14 mil litros por hora. É daí que vem a água utilizada na lavagem diária dos 260 ônibus da empresa (20% dos quais trafegam em vias sem pavimentação).

 

Com isso, 80 mil litros de água deixam de ser captados da rede de abastecimento todos os dias (são 2,4 milhões de litros por mês). “Nós utilizamos a água da chuva para a manutenção da frota. Depois, ela passa por novos tratamentos. Quando chega num ponto de estagnação, após 20 ou 25 dias, tratamos pela última vez e descartamos”, explica Miguel. Segundo ele, o custo de manutenção mensal desse sistema equivale a um terço do valor que a empresa desembolsaria se utilizasse a rede de abastecimento que hoje alimenta somente bebedouros, cozinha e vestiários. Isso significou uma redução de quase 50% no consumo de água potável.

 

Pesquisa de autoria do engenheiro Eduardo Bronzatti Morelli para a Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo) indica que, na lavagem de veículos, é possível reutilizar a água até seis vezes. Isso permite uma redução de 70 a 80% nesse custo. 

 

Na HP Transportes Coletivos, em Goiânia (GO), o sistema de reuso da água permite uma economia de aproximadamente 5,2 milhões de litros por mês. A empresa tem uma frota de 430 ônibus. “Toda água do lavador escoa para um sistema que a leva para o reciclador. Então ela é armazenada e reaproveitada, reduzindo o consumo”, explica Grace Cury, coordenadora de Segurança e Meio Ambiente. Ela afirma, ainda, que há um compromisso, também, com a redução na geração de resíduos e na destinação correta do que não se pode diminuir. “Gera-se muito resíduo contaminado, pela essência do processo, como óleos. Então, buscamos diminuir essa geração e destinar o máximo possível para reciclagem”, reforça.

 

Consciência da escassez

 

Para o professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da UnB (Universidade de Brasília) Oscar Cordeiro Netto, no Brasil, com exceção de quem vive no semiárido nordestino, a noção de escassez da água é algo recente. Ele critica a forma individualizada com que os diferentes segmentos sociais tratam do tema: “essa tomada de consciência ainda não aconteceu. As visões não podem ser distintas, elas têm de ser complementares”. Afinal, a mesma água que chega na torneira de casa é utilizada na agropecuária, na indústria, no transporte, na geração de energia elétrica, entre outros. “O que temos que aprender é a conviver com esse recurso ambiental sabendo que ele é limitado, que será cada vez mais valorizável e que temos que gerir de uma forma integrada”, defende. (Clique aqui para ler a entrevista completa)​

 

Miguel Batista, da Urubupungá Transportes, lembra que, para além da economia financeira, está o impacto social das medidas que racionalizaram o uso desse recurso. “Imagina, com essa crise de água o estado de São Paulo, retirar 80 mil litros, diariamente, da comunidade que está no entorno. Iria criar um problema social muito grande”, diz. “É importante ter essa consciência, porque chega uma hora que o recurso esgota. E alguém vai pagar essa conta. Então, todos começarem a olhar um pouco para o seu negócio e ver o que podem otimizar para trazer algum retorno para a sociedade, para a comunidade e para o planeta, é algo fundamental”, complementa.