Na agenda do Brasil, os Brics relegam a Argentina e a região

Na agenda do Brasil, os Brics relegam a Argentina e a região

 

Dilma Rousseff dá mais importância ao seu vínculo com a China, a Índia, a Rússia e a África do Sul.

 

 

Os resultados de ontem em Fortaleza, onde o quinteto dos Brics fundou um banco de desenvolvimento e criou um Fundo de Contingência para situações internacionais voláteis, explicam por si só por que a Argentina não conseguiu ser parte do grupo. Pelo menos não nesta oportunidade.

 

 

No fim de maio, em Buenos Aires, o chanceler russo Sergei Lavrov tinha feito o convite ao lado de seu colega Héctor Timerman. Mas na sexta-feira passada, em seu encontro com a presidente Cristina Kirchner, Vladimir Putin baixou o tom.

 

 

Já não seria neste sexto encontro do grupo de emergentes que a Argentina poderia se unir ao bloco. “No futuro, provavelmente surgirá a questão de uma ampliação gradual do Brics”, disse o presidente da Rússia.

 

 

O que haverá hoje, finalmente, é um encontro do quinteto presidencial emergente com os presidentes da América do Sul. Como a presidente Dilma Rousseff definiu na sexta-feira passada em um encontro com correspondentes estrangeiros, “nunca se falou na possibilidade de uma entrada da Argentina. Isso requereria muito trabalho prévio e caso isso seja cogitado, será no futuro e com o consenso dos cinco integrantes atuais”. As incertezas financeiras que dominam a economia da Argentina, por causa da ação dos fundos abutres, seriam um obstáculo para pensar em sua incorporação.

 

 

O governo de Dilma Rousseff decidiu, inclusive, dar toda a prioridade à consolidação do Brics, mesmo que isso significasse adiar mais uma vez a reunião semestral dos presidentes do Mercosul. Finalmente, o encontro do Mercosul foi anunciado – a princípio – para o dia 29 em Caracas, segundo anunciou o chanceler paraguaio, Eladio Loizaga. O último encontro, previsto para o fim do ano passado, não foi realizado porque Cristina estava doente.

 

 

Nos próximos meses, a agenda dos encontros regionais voltará a se complicar: a partir de agosto, Dilma deve enfrentar uma exaustiva campanha por sua reeleição, que termina em outubro. Até o fim do mês, a presidência do Mercosul continuará nas mãos da Venezuela, escolhida como sede temporária há um ano. No dia 29, com sete meses de atraso, esse cargo passará para a Argentina.

 

 

De qualquer maneira, não é uma surpresa que o nome do Mercosul nem sequer apareça na agenda destes dias. Como disse um especialista da Universidade de São Paulo, “nas associações internacionais não há maldade nem exclusivismos. O que prima são os interesses comuns e as relações de força”.

 

 

Hoje haverá uma rodada de conversas do Brics com os países da América do Sul, uma figura para evitar mencionar a Unasul. Segundo diplomatas brasileiros, essa fórmula para o convite dos presidentes da região responde a uma questão de burocracia: “Se fosse a Unasul, o Secretariado da organização teria que tê-la convocado especificamente” disseram a esta correspondente. De qualquer forma, o bloco sul-americano teve um espaço na Declaração de Fortaleza: “Reconhecemos (os Brics) a importância da União de Nações Sul-Americanas na promoção da paz e da democracia na região, e no esforço colocado no desenvolvimento sustentável e na erradicação da pobreza” diz um dos parágrafos.

 

 

Com todas as limitações, a reunião dos Brics servirá para que a presidente Cristina Kirchner volte a falar e a encontrar eco na luta com os holdouts. “É um cenário para que Cristina fale ao mundo”, disse Daisy Ventura, do Instituto de Relações Internacionais da USP.

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