Karl Deppen, CEO da Mercedes-Benz, diz que Brasil precisa de reformas urgentes

Novo presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO para a América Latina, Karl Deppen diz que, para vencer os desafios que virão em 2021, o Brasil precisa fazer reformas e garantir a estabilidade

Karl Deppen é o novo presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO da empresa para a América Latina. O alemão assumiu o posto em julho de 2020 em um dos momentos mais difíceis para a indústria automotiva. Ou seja, o executivo teve de se adaptar aos novos cargos e país em meio à crise sanitária. De quebra, a empresa fechou sua fábrica de carros no Brasil em dezembro.

Nesse sentido, o novo CEO da Mercedes-Benz destaca a plataforma Showroom Virtual Star Online. Inaugurada em maio de 2020, a plataforma digital viabilizou a venda de 200 veículos comerciais no ano passado. Ou seja, a nova estrutura posicionou a Mercedes-Benz na vanguarda das soluções digitais no setor de caminhões no Brasil.

Karl Deppen à frente da marca que mais vende

Além disso, a Mercedes-Benz também comemora as boas vendas do novo Actros. O caminhão traz de série várias soluções de segurança. Destaque para as câmeras no lugar dos espelhos retrovisores externos. Segundo Deppen, a empresa está satisfeita com as vendas do modelo em 2020.

Aliás, a Mercedes-Benz foi a marca que mais emplacou caminhões e ônibus no Brasil em 2020. Ou seja, foram vendidos 30.081 caminhões. Assim, a marca garantiu a liderança do segmento pelo quinto ano consecutivo. Em suma, detém 33,72% de participação de mercado. Da mesma forma, no setor de ônibus foram vendidas 10.342 unidades. Em outras palavras, são 56,76% do mercado.

, política e outras demandas

Ao mesmo tempo, houve grandes desafios. De acordo com Deppen, com a crise causada pela covid-19, problemas que o Brasil já enfrentava, como a pressão de alta de custos, ficaram mais graves. Assim, o executivo diz que é preciso fazer reformas urgentemente. Segundo ele, só assim a indústria, assim como outras áreas fundamentais para a economia do País, passarão a ser mais competitivas.

“Estabilidade político-econômica é vital para os negócios de veículos comerciais, que dependem da confiança dos empresários e dos consumidores. E, consequentemente, contribuem de forma muito importante para o crescimento do Brasil”, diz o presidente da filial da Mercedes-Benz.

Em entrevista exclusiva ao Estradão, Deppen fala sobre os primeiros meses à frente da Mercedes-Benz no Brasil. Ele também conta como está lidando com a pandemia. E destaca os desafios para 2021. Segundo ele, isso inclui a instabilidade política do País e a possível entrada em vigor do Proconve P8, previsto para 2021. Bem como temas ligados a alternativos e renovação de frota. Confira!

O que o distanciamento social trouxe de aprendizado para o senhor?

O distanciamento social nos levou a buscar novas formas de relacionamento. Contudo, infelizmente, ainda não tive oportunidade de conhecer pessoalmente a maioria de nosso time. Ou mesmo clientes e parceiros de negócios. Tudo ocorre de forma virtual. Mas o nosso time rompeu barreiras, aproveitou oportunidades e permanece inovando. Um exemplo é o showroom virtual Star Online. O primeiro do setor a oferecer venda de veículos, peças e serviços. E que já tornou-se referência. Ou seja, um case de sucesso que, sem dúvida, vai inspirar novos projetos de inovação e digitalização.

Pandemia e Investimentos

Quais desafios o senhor teve de enfrentar durante 2020 diante da crise pandêmica?

Tivemos, e ainda estamos tendo em 2021, uma soma de grandes desafios. Como líder dessa empresa, sem dúvida, a minha maior preocupação é com a saúde dos colaboradores. E, consequentemente, a continuidade de nossos negócios para atender aos anseios dos clientes. Adotamos muitas medidas  preventivas, que são revisadas, reforçadas e constantemente comunicadas à toda a empresa. Bem como à rede de concessionários. Ou seja, assim continuaremos atendendo o mercado de caminhões e ônibus em que haja interrupção.

Algum plano foi paralisado por causa da covid-19. Se sim, será retomado em 2021?

Mesmo com todos os desafios, a Mercedes-Benz manterá os investimentos de R$ 2,4 bilhões no Brasil até 2022. Assim, em 2021 pretendemos dar continuidade ao processo de modernização da empresa. Nesse sentido, também vamos modernizar nossos produtos e serviços. Além disso, vamos introduzir novas tecnologias e avançar rumo à Indústria 4.0 nas demais áreas de nossas plantas. Após as linhas de produção de caminhões, cabines e chassis de ônibus, a próxima meta é implantar o conceito na produção de agregados, como motores, câmbios e eixos. Esse é um grande desafio para 2021. Mas também teremos novas tecnologias para produtos e serviços. Dessa forma, vamos  permanecer na dianteira em relação às inovações para o setor de transporte de cargas e também de passageiros.

Desafios a superar no Brasil

Como será o mercado de caminhões em 2021? O Brasil voltará aos patamares de 2019?

Vemos com otimismo os sinais da retomada da economia e do mercado de caminhões em 2021. O plano nacional de vacinação vai permitir a volta gradual da circulação de pessoas e mais mercadorias. Esperamos que o mercado volte aos níveis de 2019 para caminhões. Mas, para ônibus a recuperação deverá ser mais lenta. Ainda é preciso ter os pés no chão. Há muitos desafios a serem superados.

Quais são os principais desafios a vencer?

Um grande desafio, desde 2020, é a reorganização da cadeia logística. Assim como a volta à normalidade do abastecimento de matérias-primas após as interrupções causadas pela pandemia. Isso limita a disponibilidade de produtos. Da mesma forma, aumenta os custos, afetando toda a cadeia. Entretanto, em alinhamento com a Anfavea, estamos atentos a outros desafios. Como a pressão de alta de custos e necessidades urgentes das reformas. Esses temas afetam muitas áreas da economia. Assim, governo, empresas, fornecedores, concessionários, transportadores e a sociedade em geral deixam de contar com produtos competitivos.

Isso se agravou com a crise sanitária?

O Brasil precisa solucionar a crise de saúde, evitar conflitos políticos e retomar o caminho do crescimento sustentável. Além disso, é preciso ter previsibilidade. O desenvolvimento de todo o potencial do País trará benefícios a todos. E tornará o mercado muito mais competitivo.

Instabilidade política

Como o sr avalia a instabilidade política do País e como isso impacta o setor de veículos comerciais?

Com a definição dos novos presidentes da Câmara e do Senado, esperamos que o Brasil retome rapidamente o caminho de normalidade na esfera política. O País precisa que reformas sejam avaliadas e votadas urgentemente. Precisamos de condições adequadas e regras claras que incentivem a apoiem o desenvolvimento do País e de sua economia. Ou seja, que nos deem um horizonte claro e confiável no longo prazo. Estabilidade político-econômica é vital para os negócios de veículos comerciais. Enfim, o setor depende da confiança de empresários e consumidores. Ao mesmo tempo, contribui de forma muito importante para o crescimento do Brasil.

Apostas para 2021

Quais são os segmentos de caminhões com maiores altas em vendas em 2021?

O agronegócio certamente continuará sendo o motor da economia brasileira em 2021. Logo, demandará caminhões principalmente para o transporte de grãos e de cana-de-açúcar. Assim, modelos pesados, como os das linhas Actros e Axor, devem ser protagonistas em vendas. Mas também haverá alta em segmentos como a mineração. Bem como no transporte de celulose, combustíveis, químicos e gás, além de alimentos, bebidas, construção civil, produtos farmacêuticos, logística, locações. Da mesma forma, o e-commerce, que cresceu de forma importante durante a pandemia, deve se manter em alta.

Confira a íntegra da entrevista aqui

Fonte: Estradão

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