Infraestrutura lidera lista de investimentos no Rio Grande do Sul em 2020

Um dos aportes foi na duplicação da rodovia ERS-118, que deve ser concluída neste ano
ITAMAR AGUIAR/PALÁCIO PIRATINI/JC

Com a castigada pela pandemia da Covid-19 e pelo agravante da estiagem mais severa dos últimos oito anos, o Rio Grande do Sul registrou redução no ritmo de investimentos ao longo de 2020. Não havia como escapar, principalmente porque o impacto provocado pelo novo coronavírus derrubou os níveis de atividade econômica em âmbito global. Ainda assim, o Estado encerra o ano com uma carteira importante de projetos em distintas etapas de desenvolvimento monitorados pelo Anuário de Investimentos do Jornal do .

Essa carteira, que considera investimentos a partir de R$ 10 milhões, equivale atualmente a R$ 55,6 bilhões, ou 14,5% a menos do que os R$ 65,6 bilhões registrados na edição de 2019.

Quando se leva em conta somente os empreendimentos anunciados, desembolsados ou concluídos em 2020, incluindo aí o aporte de R$ 2 bilhões que a Yara Brasil está prestes a completar na fábrica de fertilizantes em Rio Grande, a redução frente aos R$ 31,2 bilhões do ano passado é de 36,2%, para R$ 19,9 bilhões. O setor de infraestrutura, sobretudo nas áreas de energia e transportes, responde por 71,9% do valor total. Indústrias e agroindústrias são responsáveis por 9,2% e o restante divide-se entre empreendimentos imobiliários, varejo e serviços e educação e tecnologia. Alguns desses investimentos foram apoiados pelo Fundo Operação Empresa (Fundopem), programa de incentivo fiscal do governo do Estado que neste ano aprovou benefícios para oito projetos acima de R$ 10 milhões, que somam R$ 154,3 milhões.

Os empreendimentos em infraestrutura pesada também podem ser decisivos para uma retomada mais forte da economia estadual nos próximos anos. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por exemplo, deve realizar um leilão de transmissão ainda em dezembro que pode render quase R$ 3 bilhões em obras no Rio Grande do Sul e as empresas Neoenergia e Elektro Renováveis preparam para licenciamento um projeto de geração de energia no mar (offshore) de Capão da Canoa com potencial para alcançar a cifra de R$ 30 bilhões em aportes.

Mas o estrago provocado pela combinação entre Covid e estiagem aparece nos indicadores da atividade econômica gaúcha. A produção da indústria de transformação chegou a cair 36,1% em abril – momento de maior impacto da pandemia – em relação ao mesmo mês de 2019, enquanto no País a queda foi de 31,6%. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A situação melhorou gradativamente e chegou a setembro com alta de 5% ante o mesmo mês de 2019, mas a queda acumulada nos nove primeiros meses do ano é de 10,4% na mesma base de comparação, ante a retração de 7,8% em âmbito nacional. Além disso, a nova onda da doença neste fim de ano, antes que se saiba quando haverá vacina disponível em larga escala, pode exigir a imposição de restrições às operações das empresas e lança uma sombra de incerteza sobre 2021.

No comércio varejista ampliado, que inclui materiais de construção, veículos, motos e peças, não foi diferente. Segundo o IBGE, o pior desempenho do setor no Estado também foi em abril, com 27,8% de queda no volume de vendas frente ao mesmo mês de 2019, em linha com a retração de 27,4% no País. Apesar da recuperação nos meses seguintes, o acumulado até setembro ainda estava em 6,3% negativos na comparação com idêntico intervalo do ano passado, contra uma queda de 3,6% para todo o Brasil.

Para completar, a safra de grãos 2019-2020 caiu 26,3% em comparação com a anterior, para 26,5 milhões de toneladas, conforme a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab). A soja, principal cultura do Estado, despencou 41,4%, para 11,4 milhões de toneladas, e o milho recuou 31,8%, para 3,9 milhões de toneladas.

Máquinas agrícolas, setor de alimentos e construção podem começar retomada

O mercado de sentiu o impacto da queda generalizada na atividade econômica e 48,1 mil empregos formais foram perdidos no Rio Grande do Sul de janeiro a outubro, conforme o Ministério da Economia. O número de ocupados no mercado formal e informal no Estado recuou para o nível mais baixo desde o início da pesquisa em 2012. Além disso, o Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho despencou 10,7% no primeiro semestre ante igual intervalo de 2019.

Para o economista Martinho Lazzari, do Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão do governo estadual, essa combinação de indicadores negativos gera um “círculo vicioso”, pois a alta da desocupação, a perda de renda e o aumento do endividamento das famílias travam a recuperação das vendas e dos investimentos. E isso, por sua vez, dificulta a retomada do próprio mercado de trabalho.

O resultado, segundo ele, é um ambiente de incerteza para 2021. Além disso, o auxílio emergencial do governo federal, que em outubro socorria 2,751 milhões de moradores do Estado, deve terminar em dezembro, ao mesmo tempo em que uma nova estiagem já ameaça a safra gaúcha de 2020-2021 e causa prejuízos também para a pecuária.

Apesar disso, lembra o economista, o índice de confiança dos empresários da indústria e do comércio está, pelo menos por ora, em recuperação, enquanto os agricultores se beneficiaram com a alta dos preços dos produtos agrícolas e podem adquirir insumos e equipamentos para enfrentar a próxima estiagem. Por isso, na opinião dele, alguns setores podem contribuir mais rapidamente para a volta dos investimentos, como máquinas e equipamentos ligados à agropecuária, alimentos e construção civil, nesse caso devido à queda das taxas de juros.

Fonte: Jornal do Comércio

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