Asfaltamento melhora condições da BR-163 e favorece logística do agro

Foto: Fernando Martinho

Governo prepara concessão de mais um trecho da rodovia, até Miritituba (PA), enquanto na parte concedida em MT, expectativa é retomar duplicação em 2021

Iniciada há mais de 40 anos, a rodovia BR-163 acumula uma longa folha corrida de problemas provocados pela sua falta de infraestrutura. Lentidão no trajeto e quilômetros de congestionamentos por causa de pontos intransitáveis foram dificuldades enfrentadas durante vários anos. Mas a realidade está mudando.

Neste ano, por exemplo, depois de muito tempo, foi entregue a conclusão do asfaltamento no trecho de Sinop, em Mato Grosso, a Miritituba, distrito do município de Itaituba, no Pará, onde estão instalados terminais de transbordo de grãos mantidos por tradings do setor e onde a administração da rodovia ainda é de responsabilidade do governo federal.

“É outra estrada hoje. Totalmente diferente”, reconhece Edeon Vaz Ferreira, diretor-executivo do movimento Pró-Logística, ligado ao setor produtivo de Mato Grosso e que, recentemente, percorreu a rodovia.

A importância da BR-163, especialmente para Mato Grosso, não é novidade. Há tempos, produtores rurais, associações e especialistas lembram do quanto o caminho é fundamental para evitar rotas mais longas e mais caras, rumo aos de Santos (SP) e Paranaguá (PR). De acordo com o Movimento Pró-logística, a cada ano, três milhões de toneladas a mais de soja e milho do estado são levados pela rodovia.

“Nós éramos a ponta do rabo do cavalo. Todo nosso volume ia para os portos do Sul. Hoje o grande volume vai para o Arco Norte. E a tendência é melhorar”, acredita Tiago Stefanello, produtor rural em Sorriso e ex-presidente do Sindicato Rural do município.

Se a rodovia atende à demanda do agronegócio, também fatura com ele. De acordo com a concessionária Rota do Oeste, no trecho sob sua administração – da divisa com o Mato Grosso do Sul até Sinop, no médio-norte mato-grossense – pelo menos 70% do tráfego e 90% do faturamento estão relacionados ao movimento de veículos comerciais, principalmente ligados à agropecuária.

“O agro segurou a onda, não só na pandemia, mas também nas crises passadas. É o que sustenta aqui”, reconhece Roberto Madureira, gerente de Relações Institucionais da concessionária, dizendo que o movimento relacionado ao setor impediu uma queda maior do volume de tráfego em momentos desfavoráveis.

Pé na estrada

De Cuiabá (MT) a Santarém (PA), a BR-163 foi o cenário da terceira etapa da edição 2020 do Caminhos da Safra, projeto realizado pela revista Globo Rural que mapeia as principais rotas da produção agropecuária do Brasil. A reportagem fez o percurso pela primeira vez desde a conclusão do asfaltamento entre Sinop e Miritituba.

No caminho até Miritituba, a equipe percorreu uma rodovia em boas condições, permitindo aos motoristas um bom ritmo de viagem. Com exceção de dois pontos com buracos praticamente intransitáveis, já no Pará, em que era preciso desviar para o sentido contrário ou para o acostamento para evitar os locais de asfalto danificado.

Para Edeon Vaz, a melhora nas condições da rodovia teve impacto na diminuição do preço dos valores de frete. No entanto, diante das condições do mercado de grãos, com preços elevados, principalmente em função da demanda chinesa, não é possível mensurar com mais precisão os efeitos dessa redução para o produtor rural.

“Quem faz a logística é a trading e, muitas vezes, essa transferência para o produtor é mais lenta. E o preço bem mais alto da soja fez com que se mascarasse esse resultado. É difícil dizer qual foi o real impacto da logística para o produtor”, analisa.

De qualquer forma, considerando um frete de Sorriso (MT) a Miritituba (PA), ele dá uma ideia dos efeitos das melhorias sobre a operação logística. Explica que, antes da pavimentação, os caminhoneiros faziam de duas a três viagens em um mês. Depois, eles conseguem fazer seis a sete viagens e com menor risco de problemas nos veículos.

“Parou de cortar pneu, que os motoristas tinham prejuízo, reduziu tempo de viagem e economizou com combustível e, principalmente, com a manutenção do veículo”, afirma o especialista.

Na entrada para Miritituba, Jefferson de Oliveira Silva estava com o caminhão estacionado em um posto de . Na conversa com a reportagem, ele conta que já percorreu a BR-163 várias vezes e não dá para comparar a situação atual com a de anos anteriores.

“Cada viagem era uma viagem. Poderia ser rápida como poderia pegar enrosco na estrada, devido à chuva, e gastar um dia ou dois na estrada, dependendo do lugar. Antes, se a gente gastava em torno de dois dias de viagem, hoje faz em um dia e meio. São sete a dez horas a menos”, diz ele.

Saindo de Miritituba, rumo a Santarém (PA), em parte do percurso, a BR-163 se integra com a BR-230, a rodovia Transamazônica. O trecho, que vai até Rurópolis (PA), está em obras. De Rurópolis em diante, rodovia asfaltada até o destino, onde está um dos principais terminais portuários de escoamento de grãos do arco norte do Brasil.

Investimentos

Em nota enviada à Globo Rural, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que as obras entre Miritituba e o trevo de Rurópolis compreendem um trecho de 112 quilômetros, dos quais 66 já foram executados. A expectativa é de terminar a pavimentação de mais 10 quilômetros até o fim do ano. Foram investidos R$ 34 milhões de um total previsto de R$ 54,5 milhões.

Ainda de acordo com o DNIT, em 2020, a manutenção da BR-163 apenas em Mato Grosso recebeu investimentos totais de R$ 7,5 milhões. No Pará, superam os R$ 140 milhões, com diversos aportes financeiros. Em relação aos pontos com buracos na via, o órgão informa que os reparos estão sendo providenciados.

“Na próxima safra, não teremos dificuldades de escoamento pela 163 porque os problemas que foram verificados já estão sendo resolvidos”, avalia Edeon Vaz, do Movimento Pró-logística.

Fonte: Globo Rural

Infraestrutura


Desenvolvido por Controle Online - Desenvolvimento de aplicativos

Hospedado por Go Infinite