Pandemia não para negócios com caminhão

Com a interrupção temporária da produção de caminhões em razão da pandemia do Covid -19, ninguém tem dúvidas de que o número de emplacamentos em 2020 ficará bem abaixo das cerca de 110 mil unidades como indicavam projeções dentro e fora da indústria.

No entanto, mesmo com a linhas de montagem das fábricas praticamente paralisadas, concessionárias de todas as marcas continuam em atividade, especialmente oficina e balcão de peças.

Objetivo é evitar que por falta de algum componente ou de reparo haja caminhão parado e venha a prejudicar o abastecimento de diferentes estabelecimentos comerciais.

Embora seja grande o número de veículos de carga em circulação, o volume de mercadorias em circulação tem caído desde o início da quarentena. A redução tem sido apontada por levantamentos realizados pelo Decope ( Departamento de Custos Operacionais) da &Logística, entidade que reúne 4.000 transportadoras de todo o Brasil.

Relatório publicado nesta terça-feira aponta que o número em percentagem total chegou a 43,9% de queda no volume de cargas. As cargas fracionadas (aquelas que contém pequenos volumes para pessoas físicas, distribuidores, lojas de rua e de shoppings, além de supermercados e outros estabelecimentos) a redução chegou a 46,28%.

Nas cargas de lotação, aquelas que ocupam a capacidade total do veículo, a pesquisa apontou  redução de 41,84%. As maiores quedas, na variação total, foram registradas nos Estados da Bahia, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. 

Dentro das concessionárias, o contingente é reduzido, mas o 0800 continua operando normalmente e os profissionais de vendas fazendo seus contatos. “Meu pessoal de vendas e serviços continua trabalhando remotamente”, disse, Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas e marketing caminhões e ônibus Mercedes-Benz.

Neste período de pandemia, a rede está com 100 concessionárias funcionando em diversas partes do Brasil

O executivo disse que os negócios também continuam acontecendo. De acordo com ele, no Banco Mercedes-Benz, por exemplo, as solicitações de crédito de crédito prosseguem acontecendo.

E sobre como deverá ficar o mercado de caminhões em 2020, na sua avaliação nesse momento é difícil até de “chutar”, qual segmento será mais afetado pela crise, porque cada categoria deverá ser atingida de forma diferente. De todo modo, frisa que o mercado estimado no início desse ano não acontecerá.

No entanto, Leoncini adverte que será preciso saber o que vai acontecer com a capacidade de crédito de cada segmento para pagar financiamento, porque todo mundo vai consumir o caixa durante esse período de isolamento. “Isso vai acontecer mesmo diante das iniciativas do governo para colocar liquidez no mercado, é difícil de medir,”, acrescentou.

O executivo observou que embora tenha sido estendido o prazo para emplacamento de veículos, devido a paralisação dos órgãos de trânsito, há ainda a questão de não se conseguir fazer o seguro sem o veículo estar emplacado. “Ninguém quer correr o risco de rodar descoberto. Só se arrisca mesmo quem precisa muito do equipamento”, opinou.

UMA CRISE DIFERENTE

Leoncini destacou que em outras crises no Brasil a capacidade de crédito perdida era retomada e havia recuperação, mas agora o problema pegou o País num momento de aceleração, todo mundo estava subindo. “É preciso saber quanto da capacidade foi tomado, quanto cada um vai conseguir negociar etc. Estamos analisando diariamente através do Banco Mercedes-Benz”, disse.

Nas fábricas (São Bernardo do Campo e Juiz de Fora), a produção encontra-se parada, com previsão de ser retomada em 04 de maio. Mas tem gente trabalhando nas unidades para manter tudo funcionando. “O 0800 da Mercedes-Benz está em operação e o pessoal de vendas e serviços trabalhando remotamente”, disse.

De acordo com Leoncini, a unidade de Campinas/SP, onde funciona a central de peças Mercedes-Benz, é a que tem mais gente trabalhando. É lá também que se concentram as atividades de pós-venda da marca, (áreas de assistência técnica, a central de distribuição e logística de peças e ações de treinamento para clientes, concessionários e equipes da própria empresa), além da produção de peças remanufaturadas da linha Renov.

ATENDIMENTO NA REDE

Leoncini lembrou que 100 concessionárias Mercedes-Benz em todo o Brasil estão abertas, funcionando e dando suporte mecânico e atendimento no balcão de peças. Quanto ao movimento de clientes, afirmou que algumas tem registrado bastante frequência, especialmente na região do cinturão da soja, no Centro-Oeste.

Disse também que para algumas o resultado pode ser bastante positivo neste período, porque existem segmentos que continuam em andamento. Além disso, o impacto da crise não deverá igual em todos os setores.

Ele lembra também que como decisão temporária e em caráter emergencial, a Mercedes-Benz ampliou por mais 60 dias o período de cobertura de garantia de caminhões, ônibus e modelos da linha Sprinter. A medida é válida para grantias encerradas em 1 de março deste ano.

“Dessa forma, veículos com 12 meses de cobertura passam a ter 14 meses, e os veículos com 12 meses de cobertura e de 24 meses para o trem de força, passam a ter 14 e 26 meses, respectivamente”, explicou. A ampliação é válida também para o Programa Service 24 horas.

Fonte:


Desenvolvido por Controle Online - Desenvolvimento de aplicativos

Hospedado por Go Infinite