Economia ruma para ter pior trimestre da história

Foto: Artur Moês (Coordcom/UFRJ)

Projeções apontam queda de 11,1% no período de abril a junho, refletindo, na totalidade, impacto da quarentena

O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre deste ano deve mostrar queda em magnitude sem precedentes, refletindo, em sua totalidade, o impacto das políticas de quarentena nos setores da . Segundo a estimativa mediana de 39 analistas, a brasileira vai afundar 11,1% em relação ao primeiro trimestre, na comparação dessazonalizada.

Ainda preliminares, as projeções de retração nos três meses encerrados em junho vão de 16,7% a 7,5% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Os cenários econômicos estão sujeitos a muita incerteza, ponderam os economistas, mas o risco é de desempenho mais fraco da atividade, enquanto os dados já conhecidos mostram um quadro dramático.

Essa é a avaliação do Ibre/FGV, que destaca a contração de quase 99% da produção de veículos em abril, em relação a igual mês do ano passado. Já as vendas de automóveis no mercado interno diminuíram 74,2% no mesmo intervalo, e o fluxo pedagiado de veículos pesados nas caiu mais de 20%.

“Tudo indica que abril foi um mês de recordes de queda nos principais setores da economia”, afirmam as economistas Silvia Matos e Luana Miranda, que estimam recuo de 9,6% do PIB entre o primeiro e o segundo trimestres.

Segundo Gustavo Arruda, economista-chefe para Brasil do BNP Paribas, o impacto da pandemia sobre o nível de atividade econômica tem sido mais significativo do que o esperado. Com base nos dados já divulgados, Arruda espera que a produção industrial recue cerca de 40% em abril. Já o PIB deve encolher 14,9% no segundo trimestre.

“Esse imenso choque negativo vai alargar dramaticamente o já aberto hiato do produto [uma medida de capacidade ociosa na economia]”, afirmou. Nos cálculos do banco francês, o patamar de ociosidade no fim de 2020 será cerca de três vezes maior do que o registrado no fim de 2019, e o PIB só vai retornar ao nível pré-crise em 2022.

Luis Fernando Azevedo, economista-chefe da MZK Investimentos, observa que a confiança de empresas e consumidores atingiu mínimas históricas no mês passado, outro indício de forte retração da atividade no período. Em maio, os índices de percepção medidos pela FGV pararam de piorar, influenciados pelas expectativas, mas ainda estão em níveis muito baixos, diz Azevedo. Para a MZK, o PIB vai cair 9,5% de abril a junho.

Com a mesma estimativa, Roberto Secemski, economista-chefe para Brasil do Barclays, ressalta que a incerteza segue elevada, seja em relação à extensão do choque negativo, seja sobre sua magnitude nos diferentes setores. Além disso, se a aderência às diretrizes de isolamento diminuir ao longo do tempo, poderá haver uma segunda onda de aumento de casos de covid-19 no país, acrescentou. Devido a todos esses fatores, diz Secemski, o PIB brasileiro pode cair mais no ano do que os 5,7% previstos por ora.

O J.P. Morgan reduziu recentemente sua projeção para o desempenho do PIB em 2020 a recuo de 7%. Para a equipe econômica chefiada por Cassiana Fernandez, a crise atual pode ter consequências mais duradouras na economia, como tensões sociais e políticas e aumento do endividamento, o que pode comprometer a retomada em 2021.

Para o segundo trimestre, o banco trabalha com recuo anualizado de 51% do PIB. Essa retração, se confirmada, será mais de duas vezes maior do que a observada no pior momento da última crise financeira, destaca o banco: no quarto trimestre de 2008, a economia brasileira caiu cerca de 15% na comparação anualizada e dessazonalizada.

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