Transporte rodoviário de carga dá sinais de recuperação

O setor de transporte de cargas começa a se recuperar e empresas que haviam suspendido investimentos voltaram a contratar e a renovar a frota

A demanda por transporte rodoviário de cargas no Brasil está aumentando. Dados da &Logística revelam que na semana de 20 a 26 de julho o volume de operações superou os níveis de março. Embora o resultado ainda seja 22,9% negativo, houve melhora de três pontos percentuais em relação ao período de 16 a 23 de março. Na primeira semana após a decretação da pandemia do novo coronavírus, a retração do setor foi de 26%.

Vale ressaltar que o primeiro levantamento da NTC&Logística refere-se justamente ao período entre 16 e 23 de março. Naquela semana, as cerca de 600 empresas de transporte que participam da enquete apontaram queda na atividade. Nos meses, seguintes, a retração foi ainda mais intensa.

Os empresários do setor estão animados com os sinais de recuperação. Alguns já pensam em retomar projetos que foram suspensos por causa da crise gerada pelo avanço do novo coronavírus. É o caso de novos investimentos na renovação e ampliação da frota. Outra boa notícia é que isso implica contratações.

Presidente da Flash Courier, Guilherme Juliani (foto abaixo) diz que a empresa vinha focando seus investimentos na automação. Foram aplicados R$ 20 milhões na compra de 220 AGVs (veículos guiados automatizados). A companhia também comprou três esteiras, sendo que uma delas têm capacidade três vezes maior que a antiga.

No galpão da empresa, em São Bernardo do Campo (SP), trabalham 35 pessoas. Antes da chegada dos equipamentos, a capacidade de roteirização era de, em média, 6 mil pacotes por hora. Com os novos robôs e esteiras, esse número quase triplicou. Atualmente, a Flash Courier pode processar 17 mil pacotes por hora.

“O negócio foi fechado um pouco antes de a pandemia chegar ao Brasil. E, como o mercado de todo o mundo recuou, poderíamos ter adiado a compra. Mas mantivemos (o investimento), porque acreditávamos que, quando o surto passasse, a atividade voltaria ao normal”, afirma Juliani. De acordo com ele, essa crise não é igual a de 2015. “Não é econômica, por isso haverá recuperação.”

Segundo ele, a empresa, que atua no segmento de entregas rápidas, não sentiu queda brusca das operações durante o período de quarentena. Os setores financeiro, de entrega de cartões e farmacêutico, que são algumas das áreas de atuação da Flash Courier, continuaram na ativa. Ele diz que o setor farmacêutico segurou a operação no auge da crise.

Crescimento na crise

Outras companhias têm diversificado as áreas de atuação. É o caso da Braspress, uma das maiores empresas de transporte de encomendas do Brasil. Mesmo em meio à pandemia, a transportadora vem investindo no e-commerce. Com isso, deverá crescer entre 12% e 13% em 2020.

Por causa da demanda crescente gerada pelo e-commerce, a Braspress comprou 235 novos caminhões Mercedes-Benz. A previsão é que os veículos sejam entregues entre outubro e dezembro. A companhia aposta que a demanda por transporte ficará ainda mais intensa nesse período.

“Estamos investindo R$ 105 milhões nessa negociação, diz o diretor-presidente da Braspress, Urubatan Helou (foto acima). Esse valor envolve a compra dos novos caminhões, personalização da frota e a aquisição de tecnologias de rastreamento e telemetria, de acordo com o executivo.

Crescimento do transporte rodoviário

A compra feita pela Braspress foi um dos maiores negócios do setor de caminhões desde o início da pandemia. A informação é do vice-presidente de vendas e marketing de caminhões e ônibus da Mercedes-Benz, Roberto Leoncini. E comprova que o setor acredita na retomada dos negócios e na recuperação da .

“Em 2021, mesmo que aos poucos, o Brasil deverá voltar ao caminho do desenvolvimento, como vinha acontecendo antes da pandemia. E nós, operadores logísticos, não podemos virar as costas para a retomada. O desenvolvimento do País depende muito do transporte rodoviário”, diz Helou.

A Roda Brasil Transportes e Logística também comprou novos caminhões neste ano. A empresa havia iniciado um processo de ampliação da frota e, para isso, adquiriu modelos da Volkswagen. Agora, com os sinais de retomada, a empresa dará continuidade à expansão, de acordo com a diretora de gestão e inovação, Rafaela Cozar (foto abaixo).

Queda do transporte foi expressiva

A executiva conta que, durante a pandemia, mesmo com a retração dos negócios, a Roda Brasil buscou ampliar operações nos segmentos em que atua. A Roda Brasil opera no transporte rodoviário de lotação, itens para o setor automotivo, linha branca e bens de consumo.

Em abril, com a decretação da quarentena em boa parte do País, as operações da empresa caíram 90%. A retração foi puxada pelo setor automotivo, cujas fábricas foram paralisadas por causa da necessidade de distanciamento social. Com o retorno de parte das atividades em maio, o volume de negócios começou a melhorar. Mas ainda registra queda de 40%.

Em julho, a transportadora com sede em Vinhedo, no interior do Estado de São Paulo, conseguiu recuperar pouco mais de 70% das perdas ocorridas entre abril e maio. “O planejamento era expandir os negócios. Por isso, fizemos investimentos na renovação da frota. Com a pandemia, enxergamos novas frentes em que poderemos atuar daqui para frente. Por isso, mantemos a intenção de fazer novas compras”, afirma Rafaela.

A executiva conta que fez a empresa vêm fazendo contratações nas áreas administrativas e de comunicação. De acordo com ela, o objetivo é melhorar a comunicação com os clientes e também os processos de transporte.

Jamef contrata motoristas e amplia a frota

A Jamef Encomendas Urgentes comprou 100 caminhões para renovar e ampliar sua frota de transferência. E, por causa da ampliação, também está com vagas abertas. A empresa pretende contratar mais 30 motoristas.

Os investimentos são, sobretudo para atender o crescimento da demanda. De acordo com informações da empresa, os setores que apresentam tendência de alta são o eletrônico e de produtos médico-hospitalares. A Jamef não quis revelar o montante dos novos investimentos.

“Mais do que nunca entendemos que é hora de acreditar e investir, levando soluções sob medida para fazer frente à nova realidade. Há uma mudança significativa nos hábitos dos consumidores e, consequentemente, em toda a cadeia logística”, diz o presidente da Jamef, Ricardo Botelho.

Recuperação do transporte rodoviário

Presidente da NTC&Logística, Francisco Pelucio (foto abaixo), diz que o resultado positivo aferido na semana de 20 a 26 de julho é reflexo da flexibilização da quarentena em Estados e municípios. Ele avalia também que o consumidor está mais confiante e acredita na retomada gradual da economia.

De acordo com Pelucio, um dos destaques positivos são as operações relacionados ao e-commerce. Ele lembra que as atividades do setor se intensificaram durante o auge da pandemia. E, mesmo com a retomada de algumas atividades, as operações B2C (da empresa para o consumidor) permanecem em alta.

A demanda do transporte rodoviário de cargas fracionadas, que inclui o e-commerce, ainda registra de 17,92%. De qualquer modo, houve alta de 11,89% na comparação com o março. No terceiro mês do ano, a retração era de 29,81%. “Ainda estamos longe de voltar à normalidade. Mas percebemos que existe um movimento de melhora, ainda que de forma gradativa”, diz Pelucio.

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