O FRETE VIROU COMMODITIE

A gestão e precificação dos valores de rotas não parte mais do transportador, mas sim, do embarcador. Este é o novo cenário vivenciado pelas empresas de transporte no Brasil, as quais passaram a ter que trabalhar internamente para viabilizar o “aceite” a uma determinada rota que está sendo ofertada pelo Embarcador a um preço pré-fixado pelo mesmo.

Imaginar o cenário acima, obviamente hipotético (será ?), assusta a maioria dos transportadores. Vamos partir do principio que este valor de frete proposto pelo Embarcador seja viável financeiramente e economicamente, porém diante disso, caberá as transportadoras desenvolverem processos internos, equipe, infra-estrutura, modelos de gestão administrativa e operacional eficientes e eficazes para almejar uma margem desejada para a rota ofertada pelo embarcador.

Trabalhar com margens cada vez mais exprimidas ou até negativas, BID´s intermináveis e complexos, passivos trabalhistas, custos que não param de crescer, etc, infelizmente vem sendo a realidade hoje do setor de transporte de cargas. Mergulhamos hoje numa das maiores crises da história do Brasil, muito mais do que uma crise econômica existe uma grande crise afetando-nos de sobremaneira e fazendo-nos observar cenários cada vez mais desoladores de perspectivas de uma melhoria de curto prazo.

Claro que fatores externos influenciam, e muito, nosso negócio, de maneira nenhuma estou aqui para contestar ou contrariar tal fator, que em sua maioria não temos previsão e muito menos gestão. Porém cada vez mais empresários e tomadores de decisão que estão a frente de grandes, médias ou pequenas empresas, devem privar-se por algumas horas em seu dia desse turbilhão de assuntos externos e voltar seu olhar para dentro da própria organização.

O título deste artigo e a provocação que ele nos traz, é justamente no sentido em que a resolução de uma parte de nossos problemas esteja bem “debaixo de nossos olhos”, porém acabamos ficando relativamente cegos para tais situações e culpando apenas concorrentes que fazem preços baixos, o governo pela baixa condição de infra-estrutura oferecida, alta carga de , Leis trabalhistas obsoletas, etc, mas no que depende de nós como empresários para ações dentro de nossas empresas, acabamos também deixando muito a desejar.

Mais do que um interesse para reduzir custos e melhorar o desempenho, a gestão interna de custeamento da operação como um todo deve ser o foco diário dos proprietários e tomadores de decisão, cabendo a eles envolver toda a equipe neste objetivo em comum de cuidar dos custos da empresa como se eles fossem pessoais.

O fato que é que a crise passará, mas queremos que nossas empresas sejam perenes, portanto nossa capacidade nos cargos de gestão e de sermos resilientes quanto as diversas dificuldades encontradas e transformar tudo isso em motivação, mudança e capacitação da equipe como um todo, certamente é o que nos tornará capazes de deixarmos nossa marca e nossas empresas sólidas e duradouras.

O preço do frete nesse novo cenário de igualdade a todos seria mesmo a principal preocupação ou somente um balizador e direcionador para nossas ações no dia-a-dia ?

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