Caminhão a gás é boa opção no Brasil, diz Ricardo Barion, da Iveco

Referência no desenvolvimento da tecnologia de veículos a gás na Europa, tudo indica que a marca lançará um caminhão do tipo no Brasil

A Iveco foi pioneira nos testes com caminhão a gás no Brasil. Em 2012, empresas do setor de transporte avaliaram versões do Daily e do Tector com essa tecnologia. Mas a novidade, que não vingou no País, se consolidou cada vez mais no mercado europeu. Na edição de 2018 do IAA, na Alemanha, o maior salão de veículos comerciais da Europa, todos os caminhões e ônibus expostos pela fabricante italiana eram movidos a gás. Isso chamou tanto a atenção do público que o espaço ficou conhecido como o estande “diesel free” (livre de diesel, em tradução livre).

Referência no desenvolvimento dessa tecnologia, a Iveco quer expandir a presença de seus produtos a gás em outros mercados, como o Brasil. Em julho, a empresa obteve licença para produzir caminhões movidos a gás na Argentina. A autorização permite e fabricação do Tector 160E21 movido a gás. Esse modelo deverá ser vendido também aqui.

Em entrevista exclusiva ao Estradão, o diretor comercial da Iveco, Ricardo Barion, fala sobre os planos da empresa em relação aos veículos a gás. E explica a importância do agronegócio para a indústria de caminhões. Cerca de 40% da produção da Iveco é voltada ao setor. Ele  conta também que, mesmo com a pandemia, a marca mantém os planos de expandir a rede de concessionárias no Brasil.

Caminhão a gás

Recentemente, o Estradão apurou que há brasileiros negociando a compra de caminhões a gás da Iveco. Quando a empresa oferecerá essa tecnologia no País?

A Iveco acredita muito que o GNV poderá vir a ser uma alternativa para ajudar a reduzir as emissões de poluentes e os custos operacionais do setor de transporte. Um ponto importante para que esse processo seja eficaz é a retomada do crescimento econômico do País. A partir daí os clientes terão confiança para investir em produtos movidos a e trações alternativas.

Quais são os passos para viabilizar o sucesso dos veículos a gás?

Esse é um aspecto muito importante. Para viabilizar o GNV é preciso haver estreitamento de parcerias estratégicas. Isso  vale não apenas para o GNV, mas para qualquer nova tecnologia. Destaco o biometano, que tem tudo para ser viável economicamente no País por causa do ciclo completo, do poço à roda. O biometano praticamente zera a emissão de carbono do veículo e é uma excelente oportunidade para os setores de agronegócio e coleta de resíduos, por exemplo.

Em quais segmentos há maior potencial para produtos com essa tecnologia?

A marca enxerga um potencial muito elevado em aplicações urbanas, principalmente nas grandes capitais. Coleta de resíduos sólidos e entrega de mercadoria porta a porta também representam aplicações típicas para veículos com tecnologia GNV.

Como e quando ocorrerá a chegada de um caminhão a gás da Iveco ao Brasil? Ele virá da Argentina?

Posso dizer que na América Latina a Iveco tem projetos-piloto com clientes e parceiros estratégicos. Isso faz parte de um plano de implementação local da tecnologia. Mas os prazos ainda serão definidos.

Mercado

Historicamente, o segundo semestre é melhor para a venda de caminhões. Quais são suas expectativas em relação à segunda metade de 2020?

Isso mesmo, historicamente o segundo semestre é sempre melhor do que o primeiro. E neste ano não será diferente. Há  impacto do novo coronavírus na . Mas as cidades já implementaram processos de flexibilização e retomada das atividades. Como fabricantes, retomamos a produção observando todas as medidas de segurança. Há melhoria e a agricultura está puxando a recuperação. E há a expectativa de o agro ser ainda melhor no próximo ano. O câmbio se mantém favorável para o agronegócio. Por tudo isso, o segmento está sendo o grande impulsionador das vendas de caminhão neste semestre. Se não fosse o agronegócio, a queda seria ainda maior.

Quais segmentos da indústria de caminhões estão mantendo a produção, mesmo que reduzida?

Todos aqueles que estão ligados ao agronegócio. Pelo menos 40% do que a Iveco produz está ligado ao agronegócio. São caminhões pesados e semipesados, de 24 toneladas e de 29 toneladas com tração 8×2. Os semipesados são utilizados para levar a carga das fazendas às cidades, para supermercados e entrepostos como os Ceasa. São caminhões para curtas distâncias, que rodam em torno de 300 km. As vendas desse segmento também vêm se destacando neste ano.

No agronegócio, quais segmentos estão se destacando?

O de grãos em geral, como soja e milho, além de algodão. Não há exceção dentro desse segmento. Outro setor que está chamando muito a atenção é o de exportação de suínos e frangos. Constatamos que houve aquecimento na demanda por esse tipo de transporte no mês passado. Com isso há aumento na compra de caminhões pesados. Mas ainda assim o cenário continua sendo de incerteza.

Pandemia

Quais mudanças foram feitas na fábrica para permitir o retorno das atividades de forma segura?

As coisas mudaram bastante. Destaco o novo comportamento das pessoas. Na Iveco, funcionário sem máscara não entra. Distribuímos máscaras para todos e quem esquecer, volta para casa. Instalamos uma câmera termodinâmica na entrada. Quem estiver com temperatura acima de 37 graus é encaminhado ao ambulatório. E na linha de montagem prevalece o distanciamento. Naturalmente perdemos produtividade, mas não houve necessidade de ampliar o turno de produção.

Que tipo de mudança ocorreu no comportamento dos clientes?

Temos clientes de perfis diferentes. Os da linha Daily não pararam. Continuam comprando e trabalhando. Esse cliente é geralmente o dono do negócio e a empresa precisa dele para funcionar. Ele cuida da operação diretamente e faz as coisas acontecerem. O grande empresário, comprador dos caminhões Hi-Way, também tomou medidas para garantir cuidados com a companhia e os funcionários. No começo da quarentena, esse cliente aproveitou para cuidar da frota. Com o retorno das operações, já há empresas voltando a comprar.

A Iveco reajustou os preços dos caminhões em julho. Pode haver novo aumento neste ano?

Tivemos de reajustar e foi algo em torno de, em média, 5%. Dependendo do modelo, o aumento foi de dois dígitos. É difícil sustentar os custos em meio à essa grande variação cambial que, no caso do dólar, girou em torno dos 60%. Não havia como não ajustar os preços. Devemos fazer um novo reajuste até o fim do ano. Mas há variáveis que podem ajudar a minimizar o aumento. Entre elas estão a expectativa de  crescimento no volume de volumes e a consolidação da tendência de queda do preço do dólar. Mesmo assim, creio que o reajuste será inevitável.

Concessionárias Iveco

O que a Iveco está fazendo para se aproximar do cliente?

Muito contato, seja por telefone ou por meios online. Estamos nos colocando à disposição dos clientes, sobretudo com relação ao pós-vendas. Intensificamos a oferta de serviços e venda de peças, por meio da ampliação da oferta. E também ampliamos o prazo de garantia dos veículos. Nossa ferramenta de comunicação é falar diretamente com o cliente. Avisá-lo sobre as ações. Com isso, conseguimos nos reaproximar de empresários com os quais não falávamos há muito tempo.

A Iveco havia divulgado um plano que previa abrir uma concessionária por mês. Isso foi mantido?

Sim, estamos mantendo o cronograma mesmo com a pandemia. Nossa estratégia é abrir pelo menos uma concessionária por mês até o fim de 2020. Atualmente a Iveco tem  73 concessionárias no Brasil. De março até o fim de agosto, teremos aberto nove novos pontos de atendimento no País.

Caminhões Usados

A Iveco tem planos de criar um programa de vendas de usados. Em momentos de crise, os clientes têm mais poder de compra quando oferecem veículos seminovos como parte de pagamento?

A Iveco não tem um programa de compra de usados, mas de apoio à rede. O objetivo é incentivar a concessionária a aceitar o caminhão do cliente na negociação. Creio ser importante ter um programa do tipo, sobretudo para momentos de crise, como agora. Temos planos de desenvolver nesse sentido, mas isso será feito a médio e longo prazos.

Comercial Leve

A novo Daily chegou junto com a decretação da pandemia, o que prejudicou seu lançamento. Como estão as vendas da linha?

A nova linha Daily tem tido muita procura. Não esperávamos que haveria a pandemia, tampouco que o lançamento do novo Daily ocorreria em meio a esse cenário. Mas não temos do que reclamar. Monitoramos a intenção de compra dos veículos e, no caso da Daily, houve aumento de mais de 50% na comparação com a geração anterior. Apesar do momento ruim, a nova linha tem chamado muita atenção. O chassi-cabine 35-150 é o nosso carro-chefe de vendas. Além de ser muito versátil, essa versão pode ser dirigida por quem tem carteira de habilitação da categoria B. E isso ocorre também porque o segmento de distribuição urbana não parou. Avaliamos que, mesmo com a pandemia, ela chegou no momento certo.

Fonte: Estadão

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