Rio Grande do Sul: Transporte rodoviário de cargas termina o semestre em recuperação

Foto: Rene/Rauschenberger/Pixabay/Divulgação

Durante o período envolvido na pesquisa (da metade de março ao final de julho), a média de empresas do ramo afetadas negativamente pela pandemia foi de 85%

O transporte de cargas (TRC) fechou o semestre com 22% de retração após registrar uma queda de 45,2% no mês de abril. Os dados foram divulgados no final de agosto pela &Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística), que vem monitorando e divulgando, semanalmente, os impactos da crise no setor desde março. Dentre os segmentos do setor menos afetados na pandemia estão os da indústria farmacêutica (-17%), química e agroquímica (-19,1), do de lojas e supermercados (-22,9) e o do agronegócio (-23,8). O mais prejudicado foi o dos shoppings centers (-58,2%).

De acordo com o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Rio Grande do Sul (Fetransul), Afrânio Kieling, a diminuição da queda no setor se deve à retomada das atividades econômicas em São Paulo, considerado a locomotiva do Brasil. “O Estado é o que mais consome e mais produz. Quando começou a abrir, logo (a situação) começou a melhorar”, afirma. “Conforme outros estados forem permitindo a abertura gradual de setores como comércio, indústria e serviços, a tendência é seguir melhorando”. Desde o pico, em abril, o setor está há quinze semanas em recuperação e, de março a julho, teve uma queda média no volume de cargas transportadas de 38,5% no Brasil e de 31,5% no Rio Grande do Sul.

Para Kieling, um fator importante para a sobrevivência do setor durante a pandemia foi, também, o agronegócio. O segmento foi um dos menos impactados durante a crise, fazendo a diferença para as transportadoras. Segundo ele, embora o Estado tenha registrado uma diminuição da safra, o bom desempenho de outros estados garantiu a movimentação dos transportes.

Presidente da TW Transportes, Alexandre Schmitz também ressalta a relevância do agronegócio em meio ao contexto atual. Trabalhando junto a empresas vinculadas ao cenário agrícola, ele percebe que o segmento não sofreu tanto com a pandemia quanto os grandes centros urbanos, garantindo uma estabilidade nas atividades da companhia.

Em março, quando a pandemia chegou ao País, a empresa teve um decréscimo de 30% no faturamento. Em razão disso, passou a implementar um maior controle de custo, uma redução de pessoal e revisão do planejamento para os meses seguinte. No entanto, o que se percebeu a seguir foi que a companhia manteve uma estabilidade. Após a queda inicial, a retração ficou em torno de 10% e 5%. Schmitz explica que a TW já vinha fazendo um de longa data. “Nós estamos desde 2017 organizando a empresa e tornando ela mais sólida na questão do fluxo de caixa e controle de custo”.

Durante o período envolvido na pesquisa (da metade de março ao final de julho), a média de empresas do ramo afetadas negativamente pela pandemia foi de 85%, com um pico de 94% na penúltima semana de maio. O semestre, no entanto, terminou com um percentual de 78% das companhias prejudicadas.

As grandes empresas que abastecem os shoppings centers e os comércios de rua foram as que mais sentiram. De acordo com o presidente da Fetransul, enquanto os estabelecimentos não estavam recebendo os produtos, as transportadoras ficaram com os seus depósitos lotados. Somente com a reabertura de algumas locações é que o transporte das mercadorias foi possível. “Isso também foi uma dificuldade muito grande que as empresas encontraram”.

Para além das razões vistas como favoráveis à recuperação do setor, Kieling acredita que o transporte de cargas rodoviárias do País tem apresentado maturidade para lidar com os cenários adversos e se adaptar aos novos meios. O e-commerce, por exemplo, foi uma das alternativas encontradas para ajudar o setor a se reinventar. “As empresas estão muito bem estruturadas. Frente a grandes desafios, têm conseguido se manter, sobretudo com o uso de novas plataformas de tecnologia”, diz.

Fonte: Jornal do Comércio

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