Tabela de Fretes da ANTT

Há muito tempo o mercado de transporte no Brasil sofre com a defasagem nos fretes que são esmagados pelos embarcadores nos transportadores que por sua vez apertam o cinto junto aos caminhoneiros autônomos baixando a régua geral de fretes a patamares nunca vistos.

Com a recente greve iniciada por uma categoria de caminhoneiros autônomos com trágica consequência a e mercado financeiro e toda a cadeia logística nacional, um dos pleitos dos caminhoneiros foi a tabela mínima de frete.

Para o leigo que vê com preocupação as manifestações recentes tudo é caminhoneiro, e ao bem da verdade não é, o que podemos dizer, é que dentro de uma categoria de trabalhadores há vários tipos de serviços de transporte onde eles se encaixam por se tratar de um Motor que precisa de um Motorista.

O motorista é um trabalhador como qualquer outro, mas com responsabilidades enormes e condições mínimas de não reconhecidas pelo estado nas que em sua grande maioria exceto ao redor das grandes capitais escondem as mazelas, dentre elas segurança e saúde.

Vamos ao ponto…

O governo acuado com as visíveis consequências na mais absoluta rapidez fez uma tabela de preços mínimos de fretes colocando no mesmo balaio reconhecido pelas siglas na ANTT como ETC o transportador empresário, CTC o transportador cooperado e o TAC transportador autônomo, e isso pode ter sido um erro irreparável se considerarmos que o empresário transportador vai comprar mais veículos em detrimento a terceirização com os autônomos pela inviabilidade de aplicação nas rotas onde não há grande oferta de carga, sendo assim o famoso frete retorno acabará.

A tabela de um modo geral atende um anseio da categoria dos autônomos colocando eles ao mesmo nível de preço do frete do transportador em algumas regiões de um pais continental que em certos pontos tem grande oferta de cargas onde deverá ser fácil a implantação da tabela e há localidades onde a tabela será absorvida pela indústria com penalidades altíssimas ao preço final do produto.

Quando analisamos a tabela percebemos que há divisões por serviços, mas colocando mais dúvidas do que regulando o que deveria ser o propósito da mesma, as dúvidas surgem por conta dos mais diversos tipos de veículos de transporte rodoviário de cargas na mesma
classificação de CNAE, ou seja, um mesmo veículo com o mesmo motorista pode ser utilizado para mais de um tipo de serviço com custos totalmente diferentes, e não foram considerados em detalhe pela tabela publicada. 

O ponto chave dos negócios de transporte em minha opinião é a produtividade do veículo que por uma ineficiência logística do carregamento até a descarga pode influenciar a última linha da planilha de custos de forma muito expressiva, a tabela da maneira que está é o modelo simples de custo por KM sem contar com esta parte importantíssima na composição dos custos do veículo, cito isso porque o custo fixo de um veículo de transporte rodoviário de cargas é altíssimo e este custo é coberto pela conta em paralelo com a coluna do KM Rodado, onde a diferença entre o consumo dos insumos variáveis deve ser maior do que a soma dos custos fixos para que o superávit seja considerado o valor dos outros componentes inerentes ao negócio como seguros de cargas, e imprevistos, mais LUCRO.

Podemos considerar a princípio que a tabela tem o lado bom pela visão do empresário que utilizar ela como mark-up no principio de suas negociações, ali poderemos ter um inicio de um negócio saudável coisa que a tempos não se vê no mercado de transporte rodoviário de cargas.

Aos autônomos cabe exigir o cumprimento da lei, aos empresários cabe à aplicação das devidas correções que houver nas tabelas vigentes.

Responsável: Marcelo Rodrigues

Fonte: NTC&Logística

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