Como o avanço do coronavírus pode afetar a economia brasileira

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Brasil, um país que tem na China – epicentro da doença – o maior cliente de suas , deve sentir muito diretamente os impactos

O crescimento dos casos de coronavírus em todo o mundo – incluindo a descoberta de um caso no Brasil – elevou a preocupação sobre os efeitos da doença sobre a global.

Já se sabe que haverá uma redução do crescimento esperado em todo o globo, mas ainda é difícil imaginar qual o tamanho dessa redução. Na Itália, por exemplo, onde já foram registradas 11 mortes por conta do vírus, analistas falam em queda de 0,5% a 1% do PIB este ano, mas tudo ainda é muito preliminar.

O que se sabe é que, muito provavelmente, nenhum país passará ileso por essa crise. E o Brasil, um país que tem na China – epicentro da doença – o maior cliente de suas exportações, deve sentir muito diretamente os impactos disso. Veja a seguir como o coronavírus pode afetar a economia brasileira:

A China, país onde o novo coronavírus foi detectado inicialmente e que concentra o maior número de casos, é o maior cliente das exportações brasileiras. No ano passado, cerca de 30% de tudo o que o país vendeu para o exterior teve como destino o país asiático, que é o maior comprador da nossa soja, do nosso minério de ferro e do nosso petróleo.

Mas o alto número de casos do novo vírus praticamente paralisou a economia chinesa neste início de ano. Fábricas foram fechadas, empregados ficaram em casa, sem produzir.

Ninguém sabe o tamanho do rombo que isso vai causar na economia chinesa, mas já há quem fale até em PIB negativo no primeiro trimestre e de queda de mais de um ponto porcentual no crescimento esperado para o ano (que era algo em torno de 6%). Uma China crescendo menos vai comprar menos produtos brasileiros, e isso deve ter impacto nas grandes exportadores, como Vale, Petrobrás e empresas de alimentos.

Além disso, essas empresas já sentem os efeitos do coronavírus nos preços dos produtos que vendem. Desde que a doença começou a provocar impacto nos mercados financeiros internacionais, em meados de janeiro, os preços do minério de ferro, do petróleo e da soja, produtos que responderam por 78% das vendas externas brasileiras no ano passado, recuaram significativamente.

Numa economia globalizada como a atual, as linhas de produção são muito dependentes de matérias-primas e insumos vindos de vários países. No caso brasileiro, especificamente da China. Montadoras de automóveis, fabricantes de eletroeletrônicos e de medicamentos, por exemplo, importam boa parte do que vai em seus produtos. E, com a paralisação das fábricas chinesas em janeiro e fevereiro, esses produtos já começam a faltar.

Alexandre Ostrowiecki, presidente da Multilaser, fabricante brasileira de equipamentos como celulares, tablets e teclados, por exemplo, projetou, em entrevista ao Estado, uma queda de 17% no abastecimento de peças e componentes importados. Mas diz que o quadro pode se agravar se as fábricas chinesas não retomarem seu ritmo normal rapidamente. “A Multilaser está totalmente inserida no olho do furacão do coronavírus”, disse.

O que os especialistas dizem é que o risco de falta de insumos é maior para os fabricantes de celulares e itens de informática, que trabalham com estoques mais curtos de componentes. Mas também é uma ameaça para a indústria automobilística, que usa muita eletrônica embarcada.

Um quadro de menos vendas externas e produção nas fábricas prejudicada por falta de insumo terá, obviamente, impacto no crescimento econômico, num momento em que o País tenta ganhar tração e deixar para trás, definitivamente, os efeitos da recessão vivida entre 2014 e 2016.

O Brasil iniciou o ano com projeções que apontavam um crescimento econômico em torno de 2,5%, o que seria um grande salto comparado às altas de cerca de 1% dos últimos três anos. Mas resultados ruins dos indicadores no final de 2019 já fizeram essas previsões recuarem para algo ao redor de 2% (o banco BNP Paribas já projeta crescimento de 1,5%). Se o coronavírus realmente derrubar as economias ao redor do mundo, é provável que as estimativas para o PIB brasileiro caiam ainda mais.

O Banco Central reduziu, no início deste mês, a taxa de juros brasileira para 4,25% ao ano, o menor patamar da história. Em março, haverá outra reunião para definir os rumos da taxa, e o consenso entre analistas, por enquanto, é que o BC deixará o juro aonde está.

Mas, na ata que detalhou a decisão tomada este mês, o coronavírus apareceu. O que os integrantes do Comitê de Monetária (Copom) escreveram é que o prolongamento do surto de coronavírus teria impactos sobre commodities e importantes ativos financeiros, e que a consequência do surto para a monetária depende também de reação dos ativos financeiros e da magnitude da desaceleração global.

Ou seja, não se pode descartar mais cortes de juros em breve. Isso já vem acontecendo em alguns países, como a própria China, em uma tentativa de estimular a economia. Crescem as apostas no mercado de que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) e o Banco Central Europeu (BCE) podem seguir o mesmo caminho.

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