Bolsonaro: ‘O homem que decide a economia no Brasil é um só: chama-se Paulo Guedes’

Foto: Jorge William / Agência O Globo

Presidente manifesta apoio ao ministro, após especulações sobre sua saída do governo. Guedes diz que teto de gastos defende país ‘contra tempestade’

Depois de dias em que o mercado voltou suas atenções para o futuro do ministro da , Paulo Guedes, no governo, o presidente Jair Bolsonaro resolveu manifestar apoio público a seu “posto Ipiranga”. Na porta do Palácio da Alvorada, Bolsonaro afirmou que Guedes é a única pessoa no Brasil que decide sobre econômica. A declaração foi dada após o lançamento, sem a presença de integrantes da equipe do ministro, do programa Pró-Brasil, um plano de aceleração do crescimento que previa ampliação de gastos públicos — na contramão da cartilha de reformas fiscais defendidas pela pasta.

— Acabei mais uma reunião tratando de economia. O homem que decide economia no Brasil é um só, chama-se Paulo Guedes. Ele nos dá o norte, nos dá recomendações e o que nós realmente devemos seguir — disse Bolsonaro, ao sair do Alvorada.

A decisão de fazer o ato de desagravo partiu do presidente. Segundo interlocutores de Guedes, Bolsonaro se preocupou com a repercussão de reportagens dos últimos dias sobre o futuro do ministro . O plano foi “cortar pela raiz” qualquer dúvida. As declarações após o encontro — que durou uma hora e reuniu os ministros Tarcísio Freitas (Infraestrutura), Tereza Cristina (Agricultura), Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União) e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto — foram dadas por volta das 9h, antes do início das operações na Bolsa.

De acordo com fontes, Bolsonaro teria dito a “PG” — como sempre se refere ao ministro — que é ele quem “está com o caixa”. Ou seja, assegurou que as medidas pensadas respeitarão o Orçamento.

A crise ganhou força semana passada, quando ministros apresentaram no Palácio do Planalto o programa Pró-Brasil. Na equipe econômica, o esboço do Pró-Brasil foi comparado ao receituário adotado pela ex-presidente Dilma Rousseff, por prever o incentivo ao crescimento por meio de investimentos públicos. A estratégia é apontada como uma das raízes para o desequilíbrio fiscal no país nos últimos anos.

Defesa das reformas

Nos bastidores, Guedes atribui a autoria do plano a Rogério Marinho, ministro do Desenvolvimento Regional e ex-integrante de seu time — foi secretário especial de Previdência e Trabalho. Segundo interlocutores do ministro, Marinho teria interesse em apoiar obras públicas de olho nas eleições para governador. A disposição para ampliar despesas públicas também é associada à ala militar do governo.

Para que o Pró-Brasil deslanchasse nos moldes apresentados, seria necessária uma proposta de emenda constitucional (PEC) para romper o teto de gastos, a regra fiscal que limita o aumento das despesas à inflação do ano anterior.

No dia após a apresentação do plano, que representaria flexibilização da política fiscal, investidores estrangeiros retiraram da Bolsa R$ 1,1 bilhão. Em abril, o saldo está negativo em R$ 2,3 bilhões. Após as declarações de ontem, Bolsonaro comentou que a Bolsa havia subido e perguntou a jornalistas como estava o dólar.

O apoio de Bolsonaro, no entanto, empoderou Guedes para defender a própria política. Ao lado do presidente, o ministro reforçou que o país precisa retomar as reformas e negou medidas que levem ao desequilíbrio fiscal, como flexibilização do teto de gastos. Ele acrescentou que as exceções para gastos emergenciais para combater a pandemia não exigem a flexibilização da regra.

— Se faltasse dinheiro para saúde, para romper o teto, nós até poderíamos romper, mas não é o caso (…) Então, nós estamos no caminho certo. Para que falar em derrubar o teto, se é o teto que nos protege contra a tempestade? — afirmou.

Guedes: vamos surpreender

Para o ministro, a retomada do crescimento precisará passar pela atração de investimentos privados:

— Queremos reafirmar a todos que acreditam na política econômica que ela segue, é a mesma política econômica. Vamos prosseguir com as reformas estruturantes. Vamos trazer bilhões em investimentos em saneamento, infraestrutura, reforço para a safra.

O discurso sobre responsabilidade fiscal foi reforçado por Bolsonaro. No momento em que se aproxima dos partidos do chamado centrão, o presidente disse que o Congresso tem preocupação com o nível dos gastos públicos:

— Temos um Parlamento bastante sensível e simpático às causas voltadas para a economia. Há uma preocupação muito grande nossa com total responsabilidade com os gastos públicos.

Segundo Guedes, a economia do Brasil deve voltar a crescer no próximo ano, com a previsão de uma curva em V, o que significa uma queda acentuada, até o ponto mais baixo, e rápida retomada da atividade:

— No ano que vem já vamos estar certamente crescendo com investimentos em saneamento, petróleo e gás, infraestrutura, logística. Seguimos firmes com nosso compromisso. A economia vai pegar em V. Vamos surpreender o mundo de novo.

O presidente negou participação de militares na formulação de políticas econômicas:

— Desconheço entre os militares que estão comigo um profundo conhecedor de economia, assim como o Paulo Guedes não conhece da vida militar.

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