Missão: adequar operação, refazer cálculos e flexibilizar relações

Fonte: Transcares
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Existe um velho ditado popular que defende o seguinte: “a necessidade faz o sapo pular”. Mas o que isso tem a ver com o transporte rodoviário de cargas? A partir do momento que a crise gerada pelo novo coronavírus se instalou e exigiu que as empresas adequassem operação, refizessem cálculos, repensassem despesas e buscassem outras fontes de receitas, tudo! Literalmente de um dia para o outro, os setores de produção pararam, atendendo às recomendações de estados e municípios para conter a propagação do vírus. Mas o transporte de cargas, declarado atividade essencial em meio à pandemia, não! Ele continuou rondando, apesar das dificuldades – muitas cargas, por exemplo, já estavam em trânsito durante o anúncio do fechamento de comércio e acabaram represadas em terminais.

Todo esse rearranjo para garantir a operação a partir da segunda semana de março deixou muitas incertezas e pelo menos uma certeza. A de que o ano de 2020 precisa ser reinventado. Com a missão de inovar em meio à tormenta, os transportadores estão contando, basicamente, com a experiência e conhecimento do negócio – e em alguns casos aprendendo a colocar em prática a expressão do momento: flexibilização das relações.

Cenários diferentes

As incertezas e dificuldades chegaram para todos. Não há um transportador sequer que não tenha sofrido com as medidas adotadas na contenção da Covid-19. No entanto, os cenários são diferentes de acordo com a atividade de cada empresa. Quem chama a atenção para esse detalhe é o Diretor Regional Norte II – Linhares do Transcares, Fernando De Marchi.

“Quanto maior o endividamento e maior custo fixo, maior o impacto gerado para a empresa. Da mesma forma, quanto mais ligada a atividades que foram mais afetadas, como vestuário, acessórios, calçados, eletrônicos, maior o impacto. De forma genérica, as empresas estão precisando de prazo e recurso financeiro para honrar seus compromissos, e à medida que o trabalho voltar esses recursos serão importantes para manter o fluxo de dinheiro e reanimar a economia”, argumenta ele, diretor da De Marchi Transportes, de Aracruz, que depois de um março tranquilo sentiu uma redução de cerca de 60% das cargas em abril.

“Adiantamos férias de alguns colaboradores, mas não demitimos. Levamos em consideração nossos clientes e nossa forma de trabalho. Mas o que pode ser bom para nós pode não ser para outro. Só o tempo dirá o quanto acertamos”, completou.

Luiz Alberto Teixeira, da LTB Transportes, de Colatina, também viu sua movimentação despencar. Diretor-financeiro do sindicato, ele calcula uma queda de 50% na movimentação de carga. “O transportador está precisando repensar toda sua estrutura operacional”, destacou ele, que assim como De Marchi antecipou férias de 20% do quadro. Outras medidas internas foram corte de horas extras, redução de contratos de terceirizados e prioridade à folha de pagamento, luz, água e energia.

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