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Qualificação e menos burocracia estão na pauta do Setcergs

Gabardo diz que a grande utilização do e-commerce em função da pandemia transformou os modelos logísticos

Qualificação, sustentabilidade, inovação e funcionários habilitados. Em síntese, esses são os ingredientes básicos para enfrentar o cenário de incertezas com a pandemia da Covid-19, conforme análise do novo presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística do Rio Grande do Sul RS (Setcergs), Sérgio Mário Gabardo, eleito para presidir a entidade no biênio 2021/2022.

Ele é CEO da Gabardo Transporte de Veículos, empresa que atua no segmento de transporte de cargas há mais de 40 anos. Gabardo assume o Setcergs com a tarefa de enfrentar grandes desafios daquele que é segundo maior sindicato da categoria no Brasil, com 302 empresas associadas, ficando atrás apenas do seu coirmão de São Paulo (Setcesp). O setor de transporte de cargas e logística foi um dos poucos que não pararam as suas atividades durante a pandemia.

Gabardo alerta que o quadro atual realmente impõe disciplina e postura de dedicação das transportadoras. Segundo ele, não existe mais espaço para aventureiros, hoje o grau de exigências dos contratantes é grande. “Apenas as empresas adaptadas, organizadas, terão êxito neste mercado competitivo”, salienta.

De acordo com o dirigente, os empregadores estão mais exigentes e isto se justifica através de um pensamento básico: em grande parte, a sobrevivência corporativa está alicerçada nos serviços prestados por essas empresas de transporte de carga. Também, forçados pela pandemia, os hábitos de consumo mudaram de modo radical e um dos segmentos que mais se sobressaiu é o de e-commerce, trazendo transformações para o modelo de logística, de distribuição de mercadorias, tendo como fator o menor prazo de entrega.

Antever as inúmeras variáveis tornou-se uma tarefa quase sem solução. Segundo Gabardo, os empresários estão fazendo e refazendo os seus planejamentos e conforme a empresa, isso ocorre a cada dois meses apenas. “Tudo o que havíamos previsto, nada aconteceu. E além dessas projeções, existem outras como, por exemplo: o setor não consegue, nem fazer (a projeção de) pedidos (para compras) de pneus, e nem, tão pouco, para pedidos de compra de caminhões novos. São muitas dúvidas. Será que nós vamos ter cargas? Então, como nós vamos prever algo? Como nós vamos conseguir construir projetos?”, desabafa o dirigente.

E as preocupações se somam. Gabardo diz que o Setcergs questiona situações complicadas como, por exemplo, no caso de multas. Ele salienta que algumas multas atingiram valores de até R$ 5 mil, aplicadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e que ainda não conseguiram ser contestadas. Gabardo também reclama do Departamento Autônomo de de Rodagem (DAER), que de acordo com o dirigente, muitas vezes, está inacessível e sem funcionários para emissão, por exemplo, de licenças como a Autorização Especial de Transito (AET), fundamentais para exercício legal da atividade.

JC Logística – Quais suas metas de gestão no Setcergs?

Sérgio Mário Gabardo – O mundo mudou com a pandemia. As previsões também mudaram e estão mudando. Tudo o que havíamos previsto, nada aconteceu. Por exemplo, nós não conseguimos nem fazer pedidos (compras) de pneus, nem também pouco pedidos de caminhões (novos). Será que nós vamos ter cargas? Então, digamos assim: como nós vamos prever algo, como nós vamos balizar ou (ter ideias) em construir projetos? Dentro do Setcergs hoje, eu digo, primeiro vamos ter os pés no chão, qualificar as nossas empresas. Elas devem estar preparadas para o cenário que vier. E não sabemos qual, porém só aquelas que estiverem preparadas – vão ser transportadoras (operantes).

JC Logística – Que outros itens merecem atenção?

Gabardo – Nós temos outras metas. Se eu for retirar um caminhão zero Km na fábrica, eu não posso rodar com ele por que sou obrigado a aferir o tacógrafo. É uma exigência desnecessária. Outra situação: todos os carros de locadoras são emplacados no pátio de uma montadora. Porque é que nós, como transportadores, não podemos fazer o mesmo? Eu sou obrigado a trazer um caminhão de São Paulo para Porto Alegre para providenciar o emplacamento na matriz e depois retornar com esse veículo para São Paulo para trabalhar.

JC Logística – O Setcergs colocou na pauta a questão das multas emitidas pela ANTT?

Gabardo – Uma das questões que o sindicato hoje tenta resolver é a de multas por evasão de balança em que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), irregularmente, fez a autuação por evasão de fiscalização. A primeira multa tem valor de R$ 195,23. A segunda tinha, até 2019, valor de R$ 5 mil. Era tão flagrante a irregularidade que a ANTT reduziu para R$ 550,00 naquele ano. O que buscamos é a aplicação retroativa dessa resolução nas autuações feitas antes dessa data, e para isso já fizemos o pedido de reenquadramento dessas multas para a direção da ANTT.

JC Logística – O Setcergs vai realizar a TranspoSul em 2021?

Gabardo – Sim, estamos nos preparativos para a realização dessa que é a segunda maior feira do setor de transportes e logística da América Latina. Ela está programada para ocorrer em junho, na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). Nós já tivemos uma reunião na prefeitura (de Porto Alegre). Agora, vamos falar com as montadoras para saber se elas concordam com a realização do evento – se ele será só para convidados ou será uma feira aberta ao público. Estamos vivendo em uma era das indagações.

JC Logística – O que o Setcergs pensa sobre a tabela de frete ?

Gabardo – A tabela de frete rodoviário teria de ser extremamente extensa para atender as especificidades de cada tipo de transporte. Quem mais sabe sobre o assunto do frete é o próprio transportador e o seu cliente. Porém é uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). É uma decisão do governo.

JC Logística – Pode ocorrer greve do setor em fevereiro?

Gabardo – Eu não acho que a greve traga solução. Existem outras coisas que o governo federal deve repensar como, por exemplo, uma pauta para o diesel. Que os governos estaduais também devem pensar no assunto. Pensar de qual forma melhorar a qualidade do transporte e também em meios para a sua sustentabilidade. O nosso transportador hoje, tanto autônomo quanto as empresas, estão com os seus valores achatados.

JC Logística – Como está a frota de caminhões no RS?

Gabardo – Depende de cada uma das empresas. Em primeiro lugar, hoje não tem caminhão para compra a não ser aqueles com pedido prévio. Muitas empresas são pessimistas. Hoje, quem for às compras não encontrará caminhões e, se encontrar, irá pagar o dobro do preço praticado no ano passado. Então fica complicado fazer renovação de frota. O governo deveria repensar alguma situação (para ajudar o segmento nessa renovação). Hoje, nós temos caminhos velhos trafegando pelas estadas do Brasil.

JC Logística – E como o senhor avalia a questão das estradas?

Gabardo – Há estradas muito precárias em que se paga pedágio em pista simples, como a Porto Alegre-Pelotas, que já fez inúmeras vítimas em acidentes. São estradas em que os motoristas de caminhão sequer têm onde pernoitar. E trechos internacionais, como São Borja-Uruguaiana, que são extremamente precárias e com problemas antigos de conservação. É urgente melhorar essas condições.

Fonte: Diário do Comércio

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