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Recuperação da economia depende de imunização rápida

Sem a perspectiva concreta de retorno à normalidade, será muito difícil não haver nova prorrogação do auxílio emergencial

A recuperação cíclica da , com seus efeitos positivos sobre o nível de emprego, renda e desigualdade, depende necessariamente do delivery do Plano Nacional de Vacinação. Sem ele, não apenas a ponte oferecida pelo benefício emergencial (BEm) —que preservou quase 10 milhões de empregos formais ao custo de R$ 33,5 bilhões — será perdida mas também pode haver importante desorganização da economia.

Sem a perspectiva concreta de retorno à normalidade, será muito difícil não haver nova prorrogação do auxílio emergencial, pressão sobre a atual e única âncora fiscal, atraso ou abandono da agenda de reformas e forte deterioração da percepção de risco de crédito do país.

Esse não é o caminho. A decisão mais racional, social e economicamente, é garantir os insumos para o início, meio e fim do processo de vacinação.

Previsibilidade e timing são fundamentais. Levando em conta que o BEm garantiu o emprego pelo período equivalente ao acordado para sua redução ou suspensão, há uma (curta) janela de oportunidade disponível para evitar nova rodada de piora nos indicadores do mercado de . Para tanto, é crucial que a vacinação se inicie o mais rápido possível e tenha previsibilidade, ainda que a imunidade coletiva seja atingida apenas no terceiro ou quarto trimestre.

O efeito sobre a confiança do retorno gradual e coerente com a abertura econômica, associado ao interregno benigno do BEm e acúmulo de poupança adicional na caderneta de pouco mais de R$ 200 bilhões entre fevereiro e dezembro —influenciado pelo auxílio emergencial—, se explorados a contento, podem dar fôlego a recuperação cíclica da economia.

Esse é o desafio mais imediato e cuja superação depende umbilicalmente do sucesso do fator vacina.

O segundo e iminente desafio é conciliar a responsabilidade fiscal com a social, o que é possível de ser feito de forma harmoniosa com base no atual conjunto de regras fiscais e orçamentárias.

Através dessa agenda mínima, é razoavelmente possível superar as limitações atuais e escapar de uma nova e indesejável desorganização socioeconômica.

Superadas essas dificuldades mais imediatas, pós-Covid-19, ainda legaremos um país com desafios macroeconômicos relevantes, como:déficit e dívida pública elevados e superior aos países emergentes e de renda média, elevada informalidade do trabalho, sistema tributário e ambiente de negócios dos mais complexos do mundo, infraestrutura deficiente.

Não há mais tempo a perder.

Fonte: Folha

Economia


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