Porto de Santos bate recorde histórico e sinaliza necessidade de investimentos

por | jan 20, 2025 | Notícias, Outros

Fonte: A Tribuna (17/01/2025)
Celulose ajudou a puxar alta em Santos, assim como contêiner e açúcar (Alexsander Ferraz/AT)
Chapéu: PORTO

Foram 179,8 milhões de toneladas em 2024

O Porto de Santos movimentou 179,8 milhões de toneladas em 2024, superando em 3,8% o recorde histórico, registrado no ano anterior. Houve aumento nas operações de todas as cargas, com destaque para contêineres, açúcar e celulose. Especialistas em logística e comércio exterior ouvidos por A Tribuna pontuam que os resultados poderiam ser ainda melhores se houvesse o investimento adequado em infraestrutura no maior porto do Hemisfério Sul.

Os dados foram divulgados ontem pela Autoridade Portuária de Santos (APS). Segundo a estatal gestora do porto santista, os embarques totalizaram 131,3 milhões de toneladas, 1% acima do registrado no ano anterior, enquanto os desembarques de mercadorias alcançaram 48,5 milhões de toneladas, um salto de 12,1%. Um dos destaques foi a movimentação de contêineres, alcançando 5,4 milhões de TEU (unidade equivalente a um contêiner padrão de 20 pés), com crescimento de 14,7% sobre o volume operado em 2023.

Importante também foi a movimentação de granéis sólidos, que somou 90,7 milhões de toneladas, em especial o açúcar, com 27 milhões de toneladas movimentadas, representando um aumento de 17,8%. Já as exportações de soja em grãos chegaram a 27,8 milhões de toneladas, enquanto o milho registrou 15,9 milhões de toneladas. Outros produtos, como farelo de soja (+2,5%), café em grãos (+41,2%) e carnes (+31,5%), também tiveram desempenhos positivos.

Os granéis líquidos somaram 19,6 milhões de toneladas, 1,2% acima de 2023, registrando a maior marca histórica para o segmento. Destaque para o aumento na movimentação de gasolina (+48,2%) e óleo diesel e gasóleo (+25,8%). Já o segmento de carga geral solta totalizou 9,6 milhões de toneladas, alta de 9,3%, com a celulose liderando as movimentações, alcançando 8,1 milhões de toneladas (+11,3%). O fluxo de navios também apresentou crescimento, com 5.557 embarcações passando pelo Porto de Santos, um aumento de 1,9%.

“Alcançamos resultados extraordinários graças à eficiência das operações, aos investimentos em infraestrutura e ao empenho de todos os envolvidos. O crescimento expressivo em diferentes segmentos, como contêineres, agronegócio e combustíveis, demonstra nossa capacidade de adaptação às demandas do mercado global. Este é um marco que nos motiva a buscar ainda mais avanços em 2025”, declarou o presidente da APS, Anderson Pomini.

Melhor infraestrutura poderia garantir números maiores

A movimentação recorde foi bem avaliada por especialistas em comércio exterior. No entanto, eles ponderaram que o resultado poderia ser ainda melhor se o porto oferecesse melhor infraestrutura de acesso terrestre, calado operacional e mais terminais, principalmente de contêineres.

A advogada especialista em Direito Marítimo, Portuário e Aduaneiro Cristina Wadner, afirmou que o resultado “demonstra que, apesar dos problemas de gargalo, acesso e calado, Santos segue como um dos principais complexos portuários para escoamento da produção nacional”.

A especialista destacou ainda que, do ponto de vista logístico, Santos se manteve como principal ponto de escoamento de mercadorias que abastecem os estados de São Paulo e Minas Gerais, o que diminui o custo com a logística, impactando menos o bolso do consumidor.

“Sem dúvida o aumento das operações portuárias gera mais empregos diretos e indiretos, além de reforçar a posição do Brasil na economia mundial, já que é um grande player no mercado de commodities”, observou Cristina, que também é colunista de A Tribuna.

Política de Estado

A advogada salientou ainda a necessidade de uma política de Estado no lugar da política de gestão, “que muda a cada ciclo eleitoral, e tudo aquilo que se planejou em determinado mandato volta à estaca zero. Além disso, acredito que a União precisa aumentar o poder de gestão regional da autoridade portuária (descentralizar) para que, de fato, os projetos possam ter um trâmite mais célere, mas para tanto precisamos de políticas públicas”.

Mais investimentos

O diretor de Comércio Exterior da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços do Brasil (Cisbra), Arno Gleisner, acredita que investimentos e operações em curso elevarão ainda mais os resultados para o Porto de Santos. Ele disse que é necessário investir na modernização de equipamentos e na dragagem. “Santos está no limite na movimentação de contêineres, impactando em tempo e custos”. Contudo, há boas perspectivas em relação ao leilão do terminal STS10.

“Os leilões dos portos brasileiros são os maiores já efetuados e são previstos aportes de R$ 3 bilhões nos terminais públicos do Porto de Santos, que é o principal ponto de escoamento de cargas como soja, milho e cana-de-açúcar, mesmo com a concorrência crescente de outros portos, como o de Pecém (CE)”, comentou.

Desafios internos e externos

Gleisner pontuou desafios a serem superados. “O acesso ao Porto também é crítico, exigindo melhoras na Via Anchieta, na Rodovia dos Imigrantes e no Rodoanel Sul. Melhor ainda seria adicionar alternativas a estes acessos”. Por fim, lembrou que, assim como outros portos, Santos lida com fatores externos que sempre podem impactar o crescimento, como “rotas ameaçadas por guerras, terrorismo e nível das águas, que desequilibraram o tempo e destinos dos navios, bem como a disponibilidade de contêineres”.