Um dos maiores desafios enfrentados, atualmente, pela logística brasileira, está relacionado à sustentabilidade e à eficiência energética, especialmente no setor de transporte rodoviário. Os veículos de frota nacional são, em sua maioria, de idade
avançada, e comprometem não apenas a segurança e a produtividade, mas também agrava os impactos ambientais. Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), cerca de 55% dos caminhões em circulação possuem mais de 14 anos de uso, e mais de 150 mil veículos foram fabricados antes de 1989 (FETCEMG, 2025, online). Essa realidade afeta diretamente no aumento das emissões de CO₂ e material particulado, além de elevar os custos operacionais com combustível e manutenção.
A renovação da frota com foco em veículos de baixa emissão — como, por exemplo, os elétricos, híbridos, movidos a gás natural veicular (GNV), representam uma oportunidade estratégica para o Brasil. Segundo os dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), as vendas de veículos eletrificados cresceram 89% em 2024, refletindo uma tendência de transição energética no setor logístico (FETCEMG, 2025). Grandes operadoras, como DHL e JSL, já projetam migrar até 70% de suas frotas para modelos elétricos até 2030, o que pode reduzir em até 86% as emissões do setor (Folha de S.Paulo, 2024).
O Governo Federal lançou, em 2023, o programa Renovar, com o objetivo de acelerar essa transição. A iniciativa oferece incentivos fiscais, subsídios e linhas de crédito específicas, priorizando motoristas autônomos e pequenas transportadoras. No entanto, até abril de 2025, apenas 18% das metas haviam sido atingidas, evidenciando a necessidade de maior adesão e divulgação (FETCEMG,
2025). Por conseguinte, o Novo PAC destinou R$ 13 bilhões à aquisição de 8.211 ônibus novos, incluindo modelos elétricos e com tecnologia Euro 6, que retêm até 85% dos poluentes antes da liberação na atmosfera (Ministério das Cidades, 2025).
Um outro ponto importante a se destacar é com relação à aquisição de veículos novos associado ao processo de sucateamento da frota. Considerando a última década (2011-2020), a cada ano foram incorporados, em média, 2,3 milhões de veículos de passeio (automóveis, caminhonetes, camionetas e utiliários) anualmente na frota brasileira (RENAVAM, 2023). Ao mesmo tempo, no entanto, há uma taxa de sucateamento anual devido a sinistros com perda total ou mesmo devidoà saída de circulação de veículos muito velhos. Complementarmente a este processo, programas abrangentes podem ser implementados com o objetivo exclusivo ou não de acelerar a renovação da frota. Neste sentido, este documento buscou reunir os principais aspectos trazidos pelos atuais programas “Renovar” e “Rota 2030 – Mobilidade e Logística”.
Além dos benefícios ambientais, a renovação da frota traz ganhos operacionais relevantes. Veículos modernos consomem até 20% menos combustível e apresentam maior confiabilidade, impactando diretamente a competitividade das empresas. Um estudo da McKinsey & Company aponta que empresas que investiram na eletrificação de suas frotas reduziram seus custos logísticos em até 25% em três anos (FETCEMG, 2025). Assim, a transição para veículos de baixa emissão não é apenas uma demanda ambiental, mas uma estratégia de desenvolvimento sustentável e econômico para o Brasil.
Por fim, apesar dos avanços, a transição ainda enfrenta desafios. A adesão ao Programa Renovar tem sido limitada, revelando a necessidade de ampliar os incentivos financeiros, facilitar o acesso ao crédito e promover campanhas de conscientização entre transportadoras e motoristas autônomos.
Portanto, a renovação da frota e a adoção de veículos de baixa emissão são medidas urgentes para tornar o transporte brasileiro mais sustentável, seguro e competitivo. Com políticas públicas bem estruturadas e apoio do setor privado, o país pode acelerar essa transição e contribuir de forma significativa para a redução das emissões de CO₂.
RENOVAÇÃO DE FROTAS E A TRANSIÇÃO PARA VEÍCULOS DE BAIXA EMISSÃO NO BRASIl
Fonte: Londrina
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Chapéu: Artigo Técnico
