O Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) é um dos pilares da economia brasileira. Segundo pesquisas da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o setor é responsável por cerca de 65% do deslocamento de mercadorias no país, demonstrando quantitativamente sua relevância estratégica.
Trata-se de uma atividade essencial: sem o TRC, o Brasil literalmente para. A greve dos caminhoneiros em 2018 é um exemplo marcante, quando o país presenciou o colapso no abastecimento do agronegócio, comércio, varejo e indústria, setores que dependem diretamente do transporte rodoviário para movimentar suas cadeias produtivas.
Diante de tamanha importância, é indispensável que o setor tenha representatividade qualificada, ativa e comprometida com as demandas dos transportadores. É nesse contexto que entram as entidades de classe, associações, sindicatos, federações e confederações que atuam como aliadas estratégicas, dialogando com o poder público, órgãos reguladores e instituições do terceiro setor, como sindicatos laborais e entidades empresariais.
Por isso, te convido a participar do próximo evento CONET&Intersindical NTC&Logística , onde será possível acompanhar e integrar debates sobre os principais desafios do TRC com especialistas em economia, gestão e inovação, além das principais lideranças sindicais do país. Esses encontros são oportunidades ímpares de aprendizado, networking fundamental para a construção de soluções para o setor.
Devemos lembrar dos tempos difíceis causados por interpretações equivocadas da legislação trabalhista, que resultaram em ações judiciais milionárias contra transportadoras. Foi graças ao trabalho colaborativo e técnico da CNT, NTC, federações e sindicatos que o setor conseguiu se posicionar, apresentar dados e defender suas especificidades junto às esferas políticas, evitando maiores distorções e prejuízos.
Em recente evento realizado em Belo Horizonte, intitulado “Jornada 6×1 e os Impactos nas Relações de Trabalho”, foi apresentado um estudo que aponta que a redução da jornada sem o devido ganho de produtividade pode comprometer até 16% do PIB nacional, resultando em uma perda de até R$ 2,9 trilhões no faturamento dos setores produtivos . O evento reuniu lideranças da indústria, comércio, agricultura, transporte, e cooperativismo de Minas Gerais deixando evidente a importância de termos representantes atentos às particularidades de cada segmento para defender o TRC. O TRC foi muito bem representado pela diretora da FETCEMG, Juliana Martins, que em sua participação na mesa de debates declarou: “Precisamos ser ouvidos. Se for para mudar, que seja da melhor forma para toda a sociedade. O que não pode acontecer é uma decisão tomada por alguém que não conhece a realidade das empresas, sem considerar os impactos que essa lei trará. Esperamos ser ouvidos e participar desse processo.”
Essa fala sintetiza a essência do associativismo que é garantir que o setor tenha voz, presença e protagonismo nos debates que definem seu futuro.
Por isso, participe das entidades de classe. Compartilhe suas experiências e desafios com o sindicato da sua região. Esteja presente nas assembleias, treinamentos e eventos promovidos por sua base sindical. Seja membro da COMJOVEM em sua base sindical e perceba o esforço dos dirigentes que, muitas vezes, colocam seus negócios em segundo plano para representar o setor com ética, conhecimento e coragem.
O associativismo não é apenas necessário, é vital para o desenvolvimento sustentável do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil. Ele dá voz, força e legitimidade ao setor que move o Brasil.
_____________________________________ Eider Castro Coordenador do Núcleo COMJOVEM Centro-Oeste Mineiro
Quando um grupo de pessoas, uma determinada região ou local passam por momentos de calamidade pública, a comoção e a vontade de ajudar geram ondas de doação em todos os cantos do país. Milhares de peças de roupas, quilos de alimentos, água, itens de higiene pessoal e a própria mão de obra são doados, arrecadados e reunidos com a intenção mais nobre: ajudar quem precisa. É nesse momento em que o setor de transporte rodoviário de carga entra com o papel fundamental de se tornar a ponte entre quem mais precisa, e quem pode ajudar. A logística se torna uma linha de frente importante e essencial na distribuição com urgência e precisão de todos os insumos. Com 1,7 milhão de quilômetros de estrada em todo o território nacional, o transporte rodoviário consegue alcançar locais em que nenhum outro modal conseguiria. Com a sua flexibilidade e agilidade, a logística terrestre consegue transformar as doações em ajuda efetiva, entregando esperança, alívio e muitas vezes, sendo a diferença entre o desespero e a recuperação. Além disso, o setor contribui para manter a economia funcionando em meio ao caos. Garantindo o abastecimento de centros urbanos e rurais, mesmo em situações adversas, conseguindo ajudar a preservar empregos, evitar o colapso de serviços essenciais e manter a circulação dos itens fundamentais. O papel do transporte rodoviário em emergências vai muito além da logística tradicional. Ele exige sensibilidade, agilidade e compromisso com o bem-estar coletivo. Em tempos difíceis, é esse setor que carrega, literalmente, a força da solidariedade pelas estradas do país.
O setor de transporte rodoviário no Brasil enfrenta desafios significativos relacionados à sustentabilidade, eficiência e segurança. A renovação de frotas e a transição para veículos de baixa emissão são temas estratégicos que podem transformar esse cenário, impactando positivamente a economia, o meio ambiente e a saúde pública. Este artigo explora o cenário histórico, o atual e as perspectivas futuras, destacando os impactos positivos e negativos, custos, sustentabilidade dos negócios e viabilidade.
Cenário Histórico Historicamente, o transporte rodoviário brasileiro foi marcado por frotas envelhecidas, com idade média de 25 anos. Veículos menos eficientes e altamente poluentes dominaram o setor, aumentando custos operacionais e emissões. Além de comprometendo a segurança nas estradas são também, um dano notável à saúde de modo geral. Sem programas nacionais de renovação, esses problemas persistiram, limitando o crescimento sustentável, a competitividade logística, deixando uma frota sucateada, problemas ambientais, sociais, de saúde e de lucratividade para as empresas.
Cenário Atual Atualmente, iniciativas como o programa Renovar começam a abordar esses desafios. Por meio de incentivos, esse programa promove a substituição de veículos antigos por modelos modernos, como caminhões equipados com motores Euro 6, que emitem até 87% menos poluentes. Além disso, estudos revelam que caminhões fabricados após 2022 podem reduzir 95,4% das emissões de gases poluentes. A adoção dessa tecnologia melhora a segurança viária e a qualidade do ar, enquanto os impactos positivos na saúde pública ajudam a reduzir gastos com doenças respiratórias e cardiovasculares. Entretanto, a modernização da frota ainda enfrenta barreiras significativas: apenas 4,9% dos veículos em operação se enquadram nessa categoria avançada, devido ao elevado custo dos modelos modernos.
Apesar das dificuldades, a urgência de ampliar essa adesão e intensificar os investimentos permanece evidente, reforçando o compromisso com a sustentabilidade e o progresso. Nesse contexto, destaca-se também a atuação de empresas relevantes no setor. Um exemplo é a Lenarge, associada ao SETCEMG, que recentemente adquiriu a Carbon Zero, iniciativa voltada à descarbonização do transporte. Essa compra simboliza o avanço do setor privado em alinhar práticas empresariais à agenda de sustentabilidade, demonstrando como transportadoras podem liderar pelo exemplo ao investir em soluções de baixo impacto ambiental. A aquisição gerou diversas discussões entre os integrantes da COMJOVEM Belo Horizonte e Região, que passaram a trocar informações, experiências e reflexões sobre os impactos e oportunidades dessa iniciativa para o futuro do transporte sustentável.
Perspectivas Futuras O futuro aponta para uma transição energética mais diversificada, com veículos elétricos, híbridos e a hidrogênio ganhando espaço. Embora desafios como custos elevados e infraestrutura de recarga restrita ainda limitem a expansão dessas tecnologias, alternativas intermediárias, como diesel verde, GNV, GNL e biocombustíveis, oferecem soluções viáveis. A Medida Provisória 1175/23, que prevê fundos para financiar a renovação de frotas, é um passo essencial para acelerar essa mudança.
Impactos Positivos e Negativos Positivos:
Redução drástica de emissões, contribuindo para o combate às mudanças climáticas.
Economia operacional a médio e longo prazo, com maior eficiência energética.
Benefícios diretos à saúde pública, diminuindo custos com tratamentos médicos.
Incentivos fiscais e programas governamentais.
Avanços tecnológicos que tornam os veículos mais seguros e eficientes.
Fortalecimento da indústria automotiva, com aumento da produção.
Mudança de perfil e qualificação da mão de obra.
Melhora da reputação das empresas aderentes. Negativos:
Elevados custos iniciais para aquisição de veículos modernos.
Resistência dos pequenos transportadores às mudanças devido ao impacto financeiro.
Falta de infraestrutura adequada para tecnologias emergentes, como veículos elétricos e a hidrogênio.
Políticas inconsistentes, que prejudicam a continuidade dos programas de renovação.
Dependência de combustíveis fósseis em regiões com infraestrutura limitada.
A não absorção dos custos pelo mercado.
Sustentabilidade e Viabilidade A renovação de frotas é uma estratégia indispensável para garantir a sustentabilidade dos negócios no setor de transporte, promovendo eficiência operacional, redução de custos e maior competitividade. Investir em veículos modernos e tecnologias de baixa emissão não só reduz os impactos ambientais, como também melhora a saúde pública, além de reforçar a reputação das empresas junto ao mercado e à sociedade. Apesar dos custos iniciais elevados, os benefícios econômicos, ambientais e sociais justificam plenamente essa transição. A viabilidade dessa mudança depende de políticas públicas consistentes, linhas de financiamento acessíveis e da colaboração entre governo, setor privado e entidades representativas. Por fim, além de ser uma resposta aos desafios ambientais e logísticos, a renovação de frotas é uma oportunidade estratégica de transformação e crescimento. Ela posiciona o setor de transporte brasileiro como um agente fundamental na construção de um futuro mais sustentável, eficiente e inovador.
Referências: ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS FABRICANTES DE VEÍCULOS AUTOMOTORES (ANFAVEA). Balanço da Indústria Automotiva 2024. São Paulo: ANFAVEA, 2024. Disponível em: https://anfavea.com.br. Acesso em: 26 ago. 2025. CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO TRANSPORTE (CNT). Relatório CNT 2024: Emissões e Tecnologia Veicular. Brasília: CNT, 2024. Disponível em: https://cnt.org.br/. Acesso em: 26 ago. 2025 EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA (EPE). Plano Decenal de Expansão de Energia 2032. Rio de Janeiro: EPE, 2023. Disponível em: https://www.epe.gov.br. Acesso em: 26 ago. 2025. INSTITUTO DE ENERGIA E MEIO AMBIENTE (IEMA). Avaliação da Política de Qualidade do Ar e Mobilidade Sustentável. São Paulo: IEMA, 2022. Disponível em: https://iema.org.br. Acesso em: 26 ago. 2025. INTERNATIONAL ENERGY AGENCY (IEA). Global EV Outlook 2024. Paris: IEA, 2024. Disponível em: https://www.iea.org. Acesso em: 26 ago. 2025. SANTOS, Eduardo; PEREIRA, Luana. Logística Sustentável e Transporte de Baixa Emissão no Brasil. Revista de Transportes e Logística, v. 10, n. 2, p. 45-62,
VASCONCELOS, Flávia. Inovação e Sustentabilidade no Setor de Transportes. Rio de Janeiro: Elsevier, 2022.
1 Introdução O setor de transporte rodoviário de cargas é essencial para a economia brasileira, porém é responsável por aproximadamente 40% das emissões de GEE, apesar de representar apenas 2,6% da frota veicular nacional (SEEG, 2020; CNT, 2022). Neste contexto, ações voltadas à renovação da frota e adoção de tecnologias de baixa emissão são fundamentais. A Trans Gobbi, empresa de Araquari-SC, vem adotando práticas sustentáveis alinhadas ao Programa de Logística Verde Brasil (PLVB).
2 Desenvolvimento e Resultados A empresa conquistou o selo ouro do PLVB em 2024, e vêm adotando práticas como a modernização da frota e uso de tecnologias eficientes. Segundo o PLVB (2023), a modernização da frota pode reduzir em até 30% as emissões de GEE.
Tabela 1 – Comparativo entre veículos Euro 5 e Euro 6, veículos engatados com rodotrem carga 48 ton.
Observa-se que os veículos Euro 6 apresentam uma redução de 9% nas emissões por quilômetro rodado. Essa prática tem se mostrado eficaz na redução de emissões em operações com Rodotrens 6×4 que transportam até 48 toneladas.
Tabela 2 – Comparativo anual estimado para 100 veículos Euro 5 e Euro 6- rodotrem carga 48 ton
A eletrificação da frota é uma tendência global. A Trans Gobbi foi a primeira transportadora do Brasil a testar um caminhão elétrico XCMG 6×4, com autonomia de até 300 km. A autonomia, no entanto, é significativamente variável de acordo com o peso transportado e a altimetria das rotas. Em nossos testes em campo em serra com 48 toneladas, a autonomia ficou em 100km, em rotas planas com 36 toneladas autonomia de 250 km . Apesar das limitações de infraestrutura e custos, a empresa também está testando o primeiro Retrofit elétrico 6×4 do Brasil, com baterias de alta densidade e tomadas de recarga de 150kW. Durante os testes com o caminhão elétrico XCMG tração 6×4, a Trans Gobbi avaliou seu desempenho operacional em diferentes rotas e cargas. Com autonomia teórica de 300 km, o modelo demonstrou variações conforme o perfil da rota e peso transportado, exigindo um planejamento detalhado para maximizar sua eficiência. Esses testes proporcionaram dados reais valiosos para o desenvolvimento de futuras estratégias de eletrificação. Paralelamente, a Trans Gobbi avança como pioneira no Brasil ao liderar o primeiro projeto de retrofit elétrico para caminhões extra-pesados tração 6×4. O modelo em teste possui baterias com capacidade de 382 kWh, eixo elétrico e duas entradas de recarga rápida de 150 kW.
3 Conclusão A experiência da Trans Gobbi comprova que a modernização e eletrificação parcial da frota é uma estratégia viável para mitigar emissões de GEE no transporte de cargas. Parcerias e investimentos em infraestrutura são essenciais para acelerar a transição para uma logística mais limpa e eficiente.
Referências CNT – Confederação Nacional do Transporte. Anuário CNT do Transporte 2022. Disponível em: https://anuariodotransporte.cnt.org.br/2022/Inicial. GHG Protocol. Fatores de emissão. 2015. PLVB – Programa de Logística Verde Brasil. Manual Net Zero em Logística. 2023. SEEG – Sistema de Estimativas de Emissões de GEE. Documento Analítico. 2020. Disponível em: http://seeg.eco.br/documentos-analiticos
A Fórmula 1 ao longo dos anos mostrou como a inovação pode mudar o esporte e transformar coadjuvantes em campeões. Tecnologias revolucionárias como controle de tração, suspensão ativa, carros com 6 rodas, difusores traseiros duplos, asas móveis e até mesmo o KERS, sistema de recuperação de energia pelo calor dos freios, ajudaram a moldar equipes campeãs como a Tyrrel, Williams, McLaren, Brawn GP e a Red Bull Racing, que até então ocupavam papéis secundários no grid. Essas inovações não apenas alteraram a dinâmica das corridas, como também impulsionaram o desenvolvimento de soluções que hoje fazem parte da indústria automotiva. A eletrificação parcial dos motores, a eficiência energética e sistemas avançados de monitoramento são exemplos claros de como o que antes estava restrito às pistas passou a impactar diretamente o transporte no dia a dia. Atualmente, essas tecnologias não se limitam apenas aos carros de passeio, mas começam a ganhar espaço também no setor de veículos pesados, abrindo caminho para uma transformação necessária no transporte rodoviário de cargas. Assim como em uma corrida de Fórmula 1, em que cada décimo de segundo faz a diferença entre a vitória e a derrota, o transporte rodoviário brasileiro também depende de eficiência e atualização constante para manter sua competitividade. Entretanto, enquanto as equipes de corrida renovam seus carros a cada temporada, a frota de caminhões do Brasil apresenta uma idade média superior a 15 anos. Essa defasagem traz impactos diretos para toda a cadeia logística: consumo elevado de combustível, emissões excessivas de poluentes, custos de manutenção cada vez mais altos e uma redução significativa da confiabilidade operacional. Em um cenário econômico competitivo, operar com veículos antigos significa estar sempre em desvantagem. Por isso, a renovação da frota e a adoção de veículos pesados de baixa emissão não são apenas uma tendência, mas uma necessidade urgente para o país. O transporte rodoviário responde por mais de 60% da movimentação de cargas no Brasil, o que o torna estratégico para a economia nacional. Substituir caminhões obsoletos por modelos modernos, equipados com tecnologias Euro 6, motores híbridos, movidos a gás natural ou até mesmo elétricos, pode gerar impactos diretos e mensuráveis. Estudos indicam que a economia de combustível pode chegar a 25% quando comparada aos modelos antigos. Além disso, veículos mais modernos contam com sistemas avançados de telemetria e diagnóstico, que permitem a manutenção preditiva e reduzem as paradas não programadas, aumentando a disponibilidade operacional. Essa combinação entre eficiência energética e previsibilidade de manutenção pode representar uma vantagem competitiva significativa para as transportadoras. A renovação da frota também tem um papel fundamental na redução dos custos logísticos. Veículos mais eficientes não apenas consomem menos combustível, como também reduzem o desgaste de componentes e diminuem a frequência de reparos complexos. Isso gera economia direta para as empresas, melhora os prazos de entrega e aumenta a confiabilidade junto aos clientes. Em um mercado no qual margens de lucro muitas vezes são estreitas e escalar o negócio é quase um imperativo, qualquer ganho de eficiência pode representar a diferença entre crescer ou apenas sobreviver. Além dos aspectos econômicos, a dimensão ambiental torna a renovação da frota ainda mais urgente. Caminhões antigos são grandes emissores de dióxido de carbono (CO₂), óxidos de nitrogênio (NOx) e material particulado, substâncias que impactam diretamente a saúde pública e contribuem para o aquecimento global. No entanto, assim como na Formula 1, que a partir de 2026 contará com o combustível sintético E-Fuel, o transporte já conta com alternativas seguras como o Diesel Verde, apresentado no painel do Encontro Nacional da COMJOVEM em 2024. A transição para veículos de baixa emissão tem potencial para reduzir em até 90% as emissões de poluentes atmosféricos locais, tornando o transporte rodoviário mais alinhado com os compromissos ambientais globais. Essa mudança não é apenas uma questão de responsabilidade social: grandes embarcadores e empresas globais já exigem cadeias de suprimentos mais limpas e estão priorizando fornecedores que adotam práticas sustentáveis. Entretanto, mesmo diante de tantos benefícios, a modernização da frota brasileira enfrenta desafios significativos. O primeiro deles é o custo de aquisição dos veículos. Caminhões movidos a gás natural, híbridos ou elétricos ainda têm um preço elevado quando comparados aos modelos tradicionais a diesel. Além disso, a infraestrutura de abastecimento e recarga no país ainda é limitada, o que dificulta a adoção de tecnologias como a eletrificação em larga escala. Para superar essas barreiras, é indispensável a participação do poder público com políticas de incentivo claras e eficazes. Programas de financiamento acessíveis, linhas de crédito específicas para renovação de frota e projetos de sucateamento com incentivos para retirada de caminhões antigos podem acelerar essa transição. Benefícios fiscais para aquisição de veículos de baixa emissão e investimentos em infraestrutura, como a expansão de pontos de abastecimento de gás natural e eletropostos, são igualmente necessários. Além disso, campanhas de conscientização voltadas para transportadores podem evidenciar que a renovação da frota não é apenas uma questão regulatória, mas também uma oportunidade real de aumentar a lucratividade e reduzir riscos operacionais. Nesse contexto, é possível traçar um paralelo direto com a Fórmula 1. Assim como as equipes de ponta entenderam que investir em inovação era a única forma de permanecer competitivas, o transporte rodoviário brasileiro precisa encarar a eletrificação e a modernização da frota como uma corrida pela sobrevivência no mercado. A diferença é que, neste caso, não se trata apenas de ganhar títulos ou bater recordes de pista, mas de garantir a competitividade econômica, reduzir impactos ambientais e preparar o país para um futuro logístico mais eficiente e sustentável. Portanto, a renovação da frota de caminhões no Brasil não deve ser vista como um custo, mas como um investimento estratégico, capaz de transformar todo o setor de transporte de cargas. Assim como a Fórmula 1 usou a eletrificação para redefinir os limites de desempenho e eficiência, o Brasil precisa acelerar rumo à modernização. Quem apostar na inovação agora largará na pole position e terá vantagem nessa corrida que não acontece nas pistas, mas nas estradas que conectam e sustentam a economia nacional.
A COMJOVEM Núcleo Santos realizou sua sexta reunião mensal de 2026 em formato externo nesta sexta-feira (19), na sede da Terra Master Terminais. O encontro reuniu participantes do núcleo para conhecer de perto a estrutura da empresa e, na sequência, seguiu com uma visita técnica ao terminal.
A reunião foi um convite de Gabriel Veneziani, Coordenador Financeiro da Terra Master e membro da COMJOVEM Santos. “É uma honra receber a COMJOVEM aqui, agradecer sempre pela nossa parceria. Vamos conhecer um pouco da empresa, da história, dos nossos aposentos aqui. Espero que seja um dia de muito enriquecimento para todo mundo”, disse Veneziani. Gabriel Alves, Coordenador do Núcleo Santos, destacou o porte da empresa visitada e agradeceu a recepção. “Conhecer toda a estrutura da empresa, uma empresa enorme, renomada aqui na Baixada Santista. Só agradecer pela recepção”, afirmou.
Os participantes também tiveram a oportunidade de ouvir um pouco da trajetória de Fernanda Veneziani, CEO da Terra Master, fundada em 2005 e conduzida como um negócio de família. “A gente trabalhou num processo aqui de governança corporativa para estruturar bem o modelo de sucessão. Nós temos um acordo de sócios muito bem definido, muito bem estruturado”, explicou.
Outro ponto abordado por Fernanda, que é advogada de formação, foi a importância da conformidade regulatória no setor. “As leis existem para serem cumpridas, independente de eu aceitar, de eu concordar. Os CIOTs, os fretes mínimos. A gente vai se adaptar rapidamente para cumprir”, afirmou, citando as recentes mudanças do CIOT.
Também participaram do encontro representantes da Transpocred, cooperativa de crédito especializada no segmento de transportes, logística e correios, que apresentaram aos membros da COMJOVEM Santos soluções de financiamento e crédito voltadas ao setor, como linhas para aquisição e renovação de frota, capital de giro e produtos de gestão financeira desenvolvidos especificamente para atender às necessidades do segmento de transportes e logística.
Após a reunião, o grupo seguiu para uma visita técnica ao terminal da Terra Master, conhecendo de perto a operação e a estrutura logística da empresa. Encontros como esse reforçam o propósito da COMJOVEM de aproximar jovens executivos do setor de transporte rodoviário de cargas e ampliar o conhecimento sobre diferentes modelos de negócio e operação na região da Baixada Santista.