Estradas ruins elevam risco no transporte de carros novos

por | set 18, 2026 | Notícias, Outros, Rodoviário

Fonte: Agência Transporte Moderno – (16/09/2026)
Divulgação
Chapéu: INFRAESTRUTURA

Com 1,37 milhão de veículos produzidos no primeiro semestre, cegonheiros alertam para efeito do pavimento e da conservação das vias sobre custos, segurança e avarias

Fazer um carro zero-quilômetro chegar da fábrica à concessionária sem avarias acrescenta uma variável à operação das carretas-cegonha: as condições das rodovias. Buracos, desníveis, pavimento deteriorado e até vegetação que avança sobre as pistas aumentam a exposição dos veículos transportados a danos e também afetam equipamentos, motoristas e prazos de viagem.

A questão ganha dimensão diante do volume movimentado pela indústria automotiva. O Brasil produziu 1,372 milhão de autoveículos no primeiro semestre de 2026, alta de 8,8% sobre igual período do ano passado, segundo a Anfavea. Para o ano, a entidade projeta produção próxima de 2,8 milhões de unidades, crescimento de 5,8%.

Parte significativa desses veículos depende do transporte rodoviário para deixar fábricas e portos, e chegar aos centros de distribuição e concessionárias. Diferentemente de outras cargas, porém, os automóveis seguem expostos durante boa parte do percurso nas estruturas abertas das carretas-cegonha.

“Estamos levando uma carga de alto valor, que precisa chegar ao destino nas mesmas condições em que saiu da fábrica. Quanto melhor a estrada, melhores são as condições para realizar esse trabalho com segurança, previsibilidade e eficiência”, afirma José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg).

Pavimento também pesa nos custos

Os efeitos das condições das estradas não se restringem ao transporte de veículos. A Pesquisa CNT de Rodovias estima em R$ 99,7 bilhões os investimentos necessários para reconstrução, restauração e manutenção dos pavimentos avaliados pelo levantamento.

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) calcula ainda que as condições dos trechos classificados como regular, ruim ou péssimo provocaram o consumo adicional de 1,184 bilhão de litros de diesel por caminhões e ônibus.

No caso das cegonhas, além do consumo e do desgaste dos equipamentos, há o risco de danos à própria carga. Árvores, galhos e outras vegetações que avançam sobre a rodovia são uma preocupação adicional devido à altura e às características desses veículos.

“Uma pista ruim aumenta o desgaste do equipamento, exige mais do motorista e eleva o risco para a carga. No transporte de veículos zero-quilômetro, uma avaria pode comprometer a operação e afetar economicamente o frete”, afirma Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg.

O sindicato, no entanto, não apresentou dados sobre a quantidade de automóveis novos avariados durante o transporte, em razão das condições das rodovias, nem estimativas do custo desses danos para transportadores, montadoras ou seguradoras.

Concessões ampliam investimentos

A discussão ocorre durante a ampliação do programa federal de concessões rodoviárias. A carteira apresentada pelo Ministério dos Transportes reúne projetos em corredores como BR-116/SP/PR, BR-116/376/PR e BR-101/SC, BR-153/SP, BR-116/392/RS e BR-101/RJ, além de trechos nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Parte desses corredores conecta grandes mercados consumidores, áreas industriais e acessos portuários, tornando a qualidade da infraestrutura relevante também para a distribuição de veículos.

Para os cegonheiros, a expectativa é que os investimentos previstos nos contratos se traduzam em melhores condições de pavimento, conservação e segurança. O resultado dependerá, porém, da execução das obras e dos serviços previstos em cada concessão.

O Ministério dos Transportes mantém uma carteira de 35 novos projetos de concessões rodoviárias, dentro de um conjunto de oportunidades estimado em R$ 396 bilhões em quatro anos. O programa inclui tanto novos contratos como processos de otimização de concessões existentes.