Clima extremo amplia desafios para infraestrutura e operações de transporte

por | set 18, 2026 | Notícias, Outros

Fonte: Agência CNT Transporte Atual – (17/09/2026)
Divulgação
Chapéu: MEIO AMBIENTE

Impactos dos eventos extremos geram discussão sobre adaptação e resiliência no caminho para a COP31

Enchentes que interrompem rodovias, secas que comprometem a navegação, calor extremo que afeta trilhos e tempestades que alteram operações aéreas. Os efeitos do clima já atingem diferentes modos de transporte e aumentam a pressão sobre infraestruturas e operações diante de eventos cada vez mais frequentes e intensos.

À medida que a COP31 se aproxima, adaptação e resiliência permanecem entre os temas da agenda climática internacional. A conferência será realizada em novembro, em Antália, na Turquia. Antecipar riscos, manter operações e aumentar a capacidade de resposta a condições climáticas mais severas são questões que atravessam esse debate no setor de transporte.

A dimensão desse desafio ficou evidente em agosto, com o desastre que atingiu o Nepal. O derretimento de uma geleira causou uma inundação repentina na fronteira com o Tibete, vitimando milhares de pessoas e deixando um rastro de destruição.

No Brasil, eventos extremos também vêm afetando diretamente a sociedade, o meio ambiente e as redes de transporte. Em 2024, enchentes provocaram 170 bloqueios em 79 rodovias da região Sul, enquanto a seca levou os rios Negro e Solimões, importantes para a navegação, a níveis mínimos.

A exposição do transporte a eventos extremos também é retratada nos dados produzidos pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Um ano após o lançamento da Sondagem CNT de Resiliência Climática do Setor de Transporte, alguns resultados permanecem especialmente relevantes. Mais da metade dos participantes da pesquisa classificou os impactos sobre suas atividades como altos ou extremamente altos, e 77,2% informaram que suas organizações são afetadas uma ou mais vezes ao ano. Há registros de paralisações que variaram de algumas horas a períodos superiores a um mês.

O transporte é impactado tanto em seus ativos – veículos, equipamentos, instalações – quanto na infraestrutura que viabiliza a atividade (rodovias, portos, terminais etc.). Em decorrência de impactos operacionais, as empresas sofrem com atrasos, sob risco de descontinuidade do serviço. Tais desafios comprometem a sustentabilidade financeira e operacional das empresas.

A publicação também identificou medidas adotadas pelas organizações, como capacitação de empregados, planos de contingência, monitoramento climático, sistemas de alerta e investimentos em infraestrutura preventiva ou resiliente. Entre os desafios que as mudanças climáticas evidenciaram no país, destacam-se uma infraestrutura física deficiente e vulnerável, falta de gestão de risco e monitoramento de desastres naturais.  

“A Sondagem foi estruturada para compreender como os eventos climáticos têm afetado especificamente ao setor de transporte no Brasil e como as organizações têm atuado para prevenir e responder a esses impactos. Quando relacionamos informações sobre frequência, paralisações, prejuízos e medidas já adotadas, conseguimos constatar vulnerabilidades e aspectos importantes que precisam ser considerados no planejamento da adaptação setorial”, afirma Erica Marcos, gerente-executiva ambiental da CNT.

Recursos para adaptação

A capacidade de financiar medidas de prevenção e recuperação aparece como outra questão relevante. Entre as organizações que recorreram a medidas financeiras para compensar impactos das mudanças climáticas, 76,9% utilizaram recursos próprios, enquanto 15,4% recorreram a financiamento bancário e 7,7% receberam auxílio governamental.

A baixa participação de auxílio governamental indica a necessidade de ampliar e fortalecer políticas de apoio emergencial e de adaptação climática orientadas ao setor transportador. A adaptação do transporte aos efeitos do clima envolve desafios distintos conforme o território, a infraestrutura e as características de cada modo. As respostas a esses desafios também variam entre países e regiões.

O transporte em Antália

Com a aproximação da COP31, o Sistema Transporte prepara sua participação em Antália. A instituição trabalha no planejamento do Pavilhão Internacional do Transporte, que funcionará na Blue Zone e terá programação própria durante a conferência.

Para Gabriela Rizza, gerente-executiva de Sustentabilidade do Sistema Transporte, a presença em Antália aproxima o transporte brasileiro das discussões internacionais. “Na COP31, queremos colocar as particularidades do transporte brasileiro em diálogo com experiências de outros países e entender como os desafios relacionados às mudanças do clima vêm sendo enfrentados em diferentes realidades. Esse intercâmbio pode ampliar nossas referências e contribuir para as discussões sobre adaptação no setor”, avalia.

Rumo à COP31

Esta reportagem integra a série Rumo à COP31, que apresenta estudos, análises e iniciativas do Sistema Transporte na preparação para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que será realizada de 9 a 20 de novembro, em Antália, na Turquia.

Os conteúdos podem ser conferidos no hotsite O Transporte e a COP31, que reúne informações, estudos e vídeos sobre a participação do Sistema Transporte na conferência.

Em Antália, essa participação inclui o Pavilhão Internacional do Transporte, na Blue Zone da COP31, desenvolvido em parceria com a SLOCAT Partnership.