Grandes embarcadores terceirizam 85% do transporte de cargas

por | set 21, 2026 | Notícias, Outros

Fonte: Agência Transporte Moderno – (18/09/2026)
Divulgação
Chapéu: TRANSPORTE

Frota própria responde por apenas 8% do volume movimentado, diz pesquisa; modelo transfere operação a terceiros, mas mantém pressão sobre embarcadores por custo, capacidade e nível de serviço

A terceirização domina a movimentação de cargas das grandes empresas brasileiras. Transportadoras contratadas respondem por 85% do volume movimentado pelos principais embarcadores do País, enquanto apenas 8% são transportados por frota própria e 7%, por caminhoneiros autônomos contratados diretamente.

Os dados fazem parte de pesquisa realizada pelo Ilos em 2026 com mais de 100 grandes empresas dos setores de indústria, varejo e agronegócio.

O levantamento revela uma mudança importante no papel das áreas de transporte das grandes companhias. Com apenas uma pequena parcela da movimentação sob operação própria, a gestão passa a estar concentrada na contratação de transportadores, acompanhamento de desempenho, garantia de capacidade e manutenção de uma rede capaz de responder às oscilações da demanda.

Na prática, o embarcador transfere a execução do transporte, mas não a responsabilidade pelo serviço prestado ao cliente. Prazos, disponibilidade de veículos, custos e qualidade da entrega continuam afetando diretamente sua operação.

Capacidade ganha peso

Essa dependência de terceiros ganha relevância diante das dificuldades de disponibilidade de motoristas e da idade elevada de parte da frota brasileira. Dados divulgados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), com base em informações da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), já apontavam idade média próxima de 15 anos para a frota nacional de veículos de carga, chegando a mais de 21 anos entre transportadores autônomos. A entidade também vem apontando a carência de motoristas profissionais como um dos desafios do setor.

Nesse ambiente, a disputa por capacidade pode se tornar particularmente crítica nos períodos de maior demanda. Para o Ilos, a disponibilidade de caminhões tende a depender não apenas do preço do frete, mas também da qualidade da relação construída pelo embarcador com sua base de transportadores.

O cenário amplia a importância de fatores como previsibilidade de volumes, prazo de pagamento, tempo de carga e descarga, produtividade dos veículos e estabilidade dos contratos. Para o embarcador, portanto, a terceirização reduz a necessidade de manter ativos próprios, mas aumenta a importância da gestão da rede de fornecedores de transporte.

Frete também pressiona

O custo é outra variável desse modelo. Em outro recorte da mesma pesquisa de 2026, o Ilos identificou que 55% das grandes empresas embarcadoras aumentaram seus gastos com frete rodoviário em razão especificamente da regulação do Piso Mínimo. Outros 9% elevaram os valores por decisões não relacionadas à norma, enquanto 35% disseram não ter registrado aumento.

A combinação entre elevada terceirização, pressão sobre custos e necessidade de assegurar capacidade muda também a lógica de contratação. A concorrência pelo menor preço deixa de ser o único componente da negociação, principalmente em operações nas quais indisponibilidade de veículos ou atrasos podem comprometer produção, estoques ou entregas ao consumidor.

A estrutura encontrada pelo Ilos também mostra que a relação direta entre grandes embarcadores e caminhoneiros autônomos representa uma parcela pequena do volume total: apenas 7%. Isso não significa, porém, participação igualmente reduzida dos autônomos na movimentação dessas cargas. Parte deles pode atuar como terceiro das próprias transportadoras contratadas pelos embarcadores — uma relação que não aparece como contratação direta no levantamento.

O retrato mostra, assim, uma cadeia na qual as grandes empresas mantêm cada vez menos caminhões sob controle direto, mas precisam ampliar a capacidade de gerir quem efetivamente coloca a carga na estrada.