PNL 2050 vê oportunidade de corrigir desequilíbrios históricos na matriz de transportes

por | set 23, 2026 | Notícias, Outros

Fonte: Mobilidade Sampa – (22/09/2026)
Divulgação
Chapéu: LOGÍSTICA

O PNL 2050 recoloca a integração entre os modais no centro do debate sobre infraestrutura no Brasil, segundo avaliação da Fundação Memória do Transporte (FuMTran). Lançado em agosto, o Plano prevê R$ 1,225 trilhão em investimentos até 2050, com R$ 734,4 bilhões da iniciativa privada e R$ 490,5 bilhões do setor público, além de 31 eixos prioritários de transporte.

A entidade afirma que o desafio não está apenas em ampliar recursos, mas em transformar planejamento de longo prazo em política de Estado. Para a FuMTran, o histórico brasileiro mostra dificuldades para dar continuidade às estratégias já definidas e para converter diagnósticos em mudanças estruturais na matriz de transportes.

PNL 2050 e a necessidade de integração modal

O novo Plano surge após o PNL 2035, aprovado em 2021, também prever maior equilíbrio e integração entre os modais. No entanto, auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) apontaram fragilidades na governança, na definição de metas, nas análises preliminares de custo-benefício e no alinhamento entre planejamento e decisões de investimento.

“Em diferentes momentos da história, o Brasil reconheceu a necessidade de integrar melhor seus modais. O desafio tem sido transformar esse planejamento em uma política de Estado contínua e duradoura. Grandes projetos de infraestrutura atravessam governos e ciclos econômicos, por isso precisam de coordenação institucional, prioridades claras e capacidade de execução ao longo do tempo”, afirma Antonio Luiz Leite, presidente da FuMTran.

Segundo dados da Infra S.A. divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos, mais de 54% da movimentação de cargas ainda está concentrada no transporte rodoviário, enquanto ferrovias respondem por 27% e o modal aquaviário, por 19%. A Fundação avalia que essa configuração reflete um desenvolvimento pouco articulado entre os modais, agravado por mudanças de prioridades, restrições orçamentárias e dificuldades de coordenação.

Investimento, governança e papel de cada modal

Na avaliação da FuMTran, a dimensão dos recursos previstos pelo plano precisará vir acompanhada de mecanismos de acompanhamento ao longo das próximas décadas. “Mais do que elaborar um bom plano, será necessário estabelecer metas mensuráveis, critérios técnicos de priorização, governança permanente e acompanhamento dos resultados. A experiência mostra que planejamento e investimento precisam caminhar juntos. Caso contrário, corre-se o risco de termos boas diretrizes que não se convertam, na velocidade necessária, em infraestrutura e conexões logísticas”, destaca Leite.

A entidade ressalta que uma matriz mais equilibrada não elimina o papel do transporte rodoviário. Pelo contrário, a integração permite que cada modal atue onde apresenta maior eficiência. Ferrovias e hidrovias, por exemplo, têm maior capacidade para movimentar grandes volumes em longas distâncias, enquanto o caminhão segue decisivo na distribuição regional e na conexão entre áreas produtivas, terminais, portos, ferrovias e centros consumidores.

“A integração não reduz a relevância do transporte rodoviário de cargas. Pelo contrário, permite que ele atue de forma mais estratégica dentro da cadeia logística. O caminhão continuará indispensável, principalmente pela flexibilidade e pela capacidade de chegar a praticamente a todos os pontos do território”, explica o presidente.

Para a FuMTran, o PNL 2050 representa uma oportunidade de enfrentar um problema recorrente da infraestrutura brasileira. “Daqui até 2050, o principal legado não deverá ser apenas quantos quilômetros de rodovias ou ferrovias foram construídos, mas o quanto o Brasil conseguiu conectar seus diferentes sistemas de transporte. Esse é o passo necessário para transformar planejamento de longo prazo em uma logística mais eficiente e competitiva”, conclui Antonio Luiz Leite.