Brasil segue com potencial para tornar-se o maior produtor de alimentos do mundo, diz presidente da ABRALOG

Logística tem um papel fundamental para continuar contribuindo com o crescimento do setor e com a redução de desperdícios

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Brasil já é o terceiro maior produtor de alimentos do mundo, ficando atrás apenas da China e dos Estados Unidos, e o segundo maior exportador global, depois dos norte-americanos. Mas, é possível ir ainda mais longe. É o que acredita o presidente da Associação Brasileira de Logística (ABRALOG), Pedro Moreira, que participou de um webinar especial sobre o setor agropecuário brasileiro na última quinta-feira (20), realizado em parceria com a Intermodal – plataforma de negócios voltada aos segmentos logístico, de transporte de cargas e exterior – com o tema “A Logística do Agro: Diferencial Competitivo”.

“Atualmente, o setor agropecuário brasileiro representa aproximadamente 27% do PIB nacional, o que nos coloca no patamar de um dos maiores produtores de alimentos do mundo e com grande potencial para se tornar o primeiro. Mas, para que isso aconteça, a logística tem um papel fundamental para continuar contribuindo com o crescimento do setor, com a redução de desperdícios, dos tempos em trânsito e dos custos logísticos, além de colaborar para a melhora dos níveis de serviços executados no segmento. Tudo isso, sempre com o olhar atento para o desenvolvimento da área de infraestrutura como um todo, de seus modais, da tecnologia, da sustentabilidade e das pessoas em si”, afirmou.

Quem também participou do debate foi o coordenador técnico do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ-LOG), Thiago Péra, que, por outro lado, ressaltou os diversos desafios de fazer uma logística totalmente eficaz no setor. “O interessante é que, quando falamos em agronegócio, a logística acaba sendo uma vilã do setor. Isso porque somos bastante produtivos dentro dos campos (aumentando produção e tendo uma boa gestão de custos), mas perdemos parte dessa competitividade por conta da nossa logística atual, pelo fato de o Brasil ser um país de dimensões continentais e que ainda utiliza muito o transporte , o que acaba encarecendo ainda mais o processo”, disse.

Ele exemplificou: “Para se ter uma ideia, a participação dos fretes nas commodities, como a soja, chega a ser de 30% a 40% dos custos do grão em algumas épocas do ano. Quando se fala em milho, isso chega a dobrar. Em alguns outros insumos, o frete é mais caro que o próprio produto. Sem contar quando a pandemia chegou, que nos trouxe mais uma série de adversidades no início, como questões relacionadas aos motoristas (muitas regiões não conseguiam fazer o escoamento adequado da produção local, porque os motoristas estavam preocupados com a situação, não tinham interesse em captar carga), ao desabastecimento nas centrais de distribuição, entre outros fatores”.

Para minimizar esses impactos, o economista chefe da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), Daniel Furlan, reforçou o que foi feito pela entidade com os filiados. “Nós tivemos um cuidado muito grande em mostrar a importância do setor de alimentos para o país, mesmo durante uma pandemia, e de realçar como que deveria ser preservada a movimentação correta desses produtos, tanto do ponto de vista do abastecimento interno quanto das . Claro que estamos falando de um momento difícil, mas alimento não pode faltar, é essencial. Na verdade, é o mínimo para se ter a paz na sociedade: uma oferta de alimentos garantida”.

Já o diretor de supply chain para a América Latina da Cargill, João Paes de Almeida, pontuou que o melhor caminho para ele, diante da pandemia, foi o de garantir a segurança dos profissionais da empresa antes de qualquer outra coisa. “O que posso adicionar neste ponto é que um dos fatores fundamentais, para nós, foi a manutenção de dois dos nossos princípios na Cargill: priorizar as pessoas e a segurança delas em primeiro lugar, além de colaborar com nossos clientes e fornecedores da melhor forma possível. Ao fazermos isso diariamente, conseguimos mitigar muito os problemas que poderiam ter ocorrido com toda a situação e seguirmos firmes em nossa missão de nutrir o mundo de forma segura”.

Plano Nacional de Logística 2035 (PNL 2035) – Outro ponto de destaque foi o Plano Nacional de Logística 2035 – apresentado pelo Ministério da Infraestrutura recentemente, que prevê, entre outros objetivos, atrair mais investimentos para a logística do país, na ordem de R$ 400 bilhões em até 15 anos – e os eventuais impactos no setor agropecuário nacional.

Sobre isso, Furlan, da ABIOVE, comentou que é um plano que merece elogios, já que é um que procura dar orientação para a área de infraestrutura brasileira nos próximos anos, tendo uma visão de Estado, que transpassa governos. “A ABIOVE participou da consulta pública do PNL e contribuiu com a inclusão de alguns pontos relevantes na discussão. Um deles, do ponto de vista da associação, é a expansão da malha ferroviária que estamos vendo e que deve continuar. Listamos alguns projetos importantes para que as conexões ferroviárias, especialmente da região Centro-Oeste com os terminais do Norte, sejam completadas. Isso, para nós, é importante, porque é uma região que tem muito a crescer, especialmente no agro”, salientou.

Para Péra, da ESALQ-LOG, o PNL também está muito bom, pois conta com uma série de contribuições ao setor e é uma grande evolução em relação aos planos anteriores. No entanto, ainda há o que melhorar. “Acredito que falta contarmos, por exemplo, com um mapeamento mais elaborado sobre os gargalos de infraestrutura no país. Isso não está claro no documento, aliás, me parece que este tema não foi bem tratado”.

Tecnologia – Destaque do webinar também foi a questão da evolução tecnológica no setor agropecuário nacional e a inserção de inovações no segmento, como o conceito de Agro 4.0 e a adoção de ferramentas dotadas de inteligência artificial. “Esse ambiente de digitalização vem em um ritmo cada vez mais forte e acelerado no setor. Claro que ainda tem muito o que desenvolver, mas com o avanço do acesso à conectividade no ambiente rural, cada vez mais tecnologias, que já estão super estabelecidas em ambientes mais urbanizados, se tornarão realidade no campo também. A velocidade com que o agronegócio se moderniza é impressionante”, afirmou Almeida.

Para ele, já é possível vislumbrarmos desde tecnologias que já estão dominadas pelos produtores, como sistemas de rastreio de cargas no campo, até inovações que realmente permitem entregar uma nova experiência. “Atualmente, já levamos e disponibilizamos aos produtores soluções que possibilitam a conectividade até com mercados internacionais, permitindo a eles que consigam atendê-los e abastecê-los sem percalços. E isso é só o começo, o Brasil se tornará um celeiro de muita inovação tecnológica dentro do agro em breve”, finalizou o executivo da Cargill.

Papo em Movimento 2021 – O encontro virtual foi o quarto episódio da série Papo em Movimento 2021 – um dos canais de comunicação da plataforma Intermodal, que oferece entrevistas em vídeo e webinars estratégicos com players do setor logístico para debater ideias, ações e compartilhar boas práticas do mercado. O debate foi uma prévia do Agro Digital Series, evento online da Intermodal e da Agrishow dedicado exclusivamente à relação da logística e do agronegócio, agendado para o dia 29/06, a partir das 10 horas.

Fonte: Agrolink

Agronegócio

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