Arsenal tecnológico entra na batalha contra roubos

Produtos eletrônicos, alimentos e medicamentos são os maiores alvos da onda de roubo de cargas que atinge várias regiões do país, notadamente os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Em apenas um mês, no final do ano passado, em seis assaltos realizados em São Paulo, os criminosos levaram carga de microprocessadores, eletrônicos e celulares no valor de R$ 9 milhões. Nada fortuito. "Trata-se de mercadorias de alto valor, de fácil manuseio, rápida comercialização pelos receptadores e altamente lucrativa", comenta o coronel Paulo de Souza, assessor de segurança da NTC&Logística.

 

Segundo ele, no caso de produtos eletrônicos, as quadrilhas atuam sobretudo no traslado dos produtos entre o aeroporto de Viracopos, em Campinas, e as fábricas de algumas empresas, como Samsung, Dell e LG Electronics, instaladas ao longo das rodovias Anhanguera, Bandeirantes, Santos Dumont e Dom Pedro. No ano passado, a região teve média de dois roubos de cargas por dia. A tendência se mantém este ano, de acordo com o assessor da NTC. Entre março de 2014 e março deste ano foram registrados 1.493 roubos no interior paulista. Neste mês, 11 homens armados com fuzis renderam a escolta de um caminhão de uma transportadora e levaram uma carga de iPhones no valor de R$ 2,5 milhões.

 

A Samsung e a LG não comentam os recursos que utilizam para proteger suas mercadorias, alegando que o sigilo é vital nesses casos. Mas várias tecnologias de última geração, além de outras sistemáticas de proteção, são empregadas, informam os fabricantes de equipamentos de segurança veicular. Caminhões transportadores de cargas não identificados, escoltas com monitoramento remoto através de helicópteros, rotas alternativas, dispositivos de transmissão de dados, sinalizadores de rádio, bloqueadores wireless, rastreadores GPS, equipamentos que incorporam informações de telemetria são soluções cada vez mais utilizadas pelas empresas, até mesmo por exigência das companhias seguradoras, de acordo com as respectivas apólices de seguro propostas para os clientes que contratam os serviços junto aos fornecedores.

 

Mas nem sempre os roubos são evitados. Em muitos casos, os criminosos agem em grandes grupos, fortemente armados e organizados, com uma dinâmica rápida, capaz de retirar toda a carga de um caminhão ou de um depósito em menos de dez minutos. "A tecnologia tem eficácia num primeiro momento, mas outro componente de tecnologia pode anular o mecanismo de segurança", avalia o coronel Paulo de Souza, da NTC. "O sistema de rastreamento, a comunicação entre o veículo em movimento e base que a monitora, através de ondas magnéticas, por exemplo, pode ser anulado por um dispositivo conhecido como jammer, que bloqueia o sinal do GPS", afirma.

 

Muitas empresas investem em tecnologias que possam assegurar a recuperação de cargas. Levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Gerenciamento de Risco e de Tecnologia de Rastreamento e Monitoramento (Gristec) apresenta um índice de recuperação de 85% do total roubado em 2014. "Muitos roubos são frustrados graças à ação de equipamentos antifurto ou das centrais de monitoramento", diz Cyro Buonavoglia, presidente da entidade. Já existem dispositivos pequenos (iscas) colocados dentro das cargas que emitem sinais e permitem a sua localização em caso de roubos.

 

Para Roberto Matsubayashi, diretor de inovação e alianças estratégicas da Associação Brasileira de Automação-GSI Brasil, o sistema de rastreabilidade pode ser fundamental para garantir o transporte de cargas, especialmente alimentos, medicamentos e eletrônicos, as mais visadas. "Bem orientado, esse sistema permite que todos os elos envolvidos em uma cadeia de abastecimento tenham conhecimento sobre onde se encontra um determinado produto desde sua origem até o seu consumo final."

 

Segundo Matsubayashi, a entidade tem um portfólio de tecnologias para identificação e rastreabilidade que abrange códigos lineares, bidimensionais e de identificação por radiofrequência (RFID) capaz de proporcionar segurança para as empresas e seus consumidores, além de aumentar a eficiência, combater roubos e fraudes no sistema de distribuição.

 

 

Nova Lei ajudará a reduzir acidentes e roubos, acredita NTC

Caminhoneiros terão mais segurança contra acidentes e também roubos de carga – mas roubos de carga ainda requerem ajuda do governo central, segundo a entidade.

 

A publicação da Nova Lei do Caminhoneiro ?vai contribuir para a redução de acidentes de trânsito envolvendo caminhões?, acredita o Diretor Técnico e Executivo da NTC & Logística (Associação Nacional dos Transportadores de Carga & Logística), Neuto Gonçalves dos Reis. Ele observa, contudo, que ?há uma previsão de três anos para implementação plena da nova lei, então a redução de acidentes deverá evoluir gradualmente?

 

Um dos pontos fortes da nova lei é a definição de horários de descanso e períodos máximos de jornadas de trabalho ao volante. ?O motorista em boas condições de repouso dirige com mais segurança, permanecendo alerta quanto aos riscos de acidentes e também de roubo de carga?

 

O diretor da NTC endossa a informação publicada recentemente, segundo a qual o custo médio de um acidente de trânsito com caminhões pode ser até 12 vezes maior do que o prejuízo com roubo de cargas. ?A NTC não tem dados estatísticos sobre esses valores, mas acreditamos que este número corresponde à realidade?

 

De acordo com Neuto, o aumento dos custos com acidentes, nos últimos anos levou as empresas aadotar soluções em pacotes completos. ?O monitoramento da frota começou visando a segurança contra roubo de cargas, mas nos últimos anos houve uma mudança de foco, com uma visão voltada para a logística como um todo, contemplando não apenas a segurança contra roubo de cargas, mas contra acidentes de trânsito e gestão para aumento da eficiência do transporte em todos os sentidos?

 

Apesar de o prejuízo com roubos de cargas ser menor do que com acidentes ? que podem ser de até R$ 58.000,00 por sinistro, segundo Cyro Buonavoglia, presidente da Buonny, gerenciadora de riscos independente do Brasil ? as perdas geradas por eles são expressivas.

 

De acordo com a assessoria de segurança da NTC& Logística, coordenada pelo Coronel Paulo Roberto de Souza, o número de ocorrências de roubo de cargas em 2013 aumentou 5,5% em relação ao ano anterior, registrando 15,2 mil casos e um prejuízo de R$ 1 bilhão para o setor. A região Sudeste teve o maior registro, com 81,29% dos casos, sendo que os Estados de São Paulo (52,5%) e Rio de Janeiro (23,3%) tiveram mais incidências. ?Ainda estamos contabilizando os números de 2014, mas certamente teremos mais de 16 mil casos?, adianta Souza.

 

O maior problema do setor é a legislação branda para os criminosos envolvidos no roubo de cargas?, afirma o Coronel Paulo Roberto de Souza, para quem ?a principal causa do aumento crescente dos roubos é a inação do governo central, pois roubos de cargas são crimes de abrangência nacional que o governo federal comodamente prefere deixar apenas sob a responsabilidade das secretarias estaduais de segurança pública?

 

Transportadores rodoviários discutem em Salvador roubo de cargas, tarifas e terceirização de mão de obra

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) promove na capital baiana, nesta quarta feira (26.02), a 1ª reunião  de 2015 do Conselho Nacional de Estudos em Transportes, Custo, Tarifas e Mercado num momento em que o Brasil está ameaçado de desabastecimento com a eclosão de movimentos dos caminhoneiros em todo o país.

 O 1º Conet desenvolverá também uma agenda técnica para analisar o momento atual do transporte rodoviário, retomando a discussão tarifária, à luz do lema Atitude e Gestão e das regras desse novo mercado que vem surpreendendo cada vez mais os transportadores.

Durante todo o dia, no Hotel Fiesta Bahia (Pituba), será apresentado um estudo sobre a variação dos custos do frete e a defasagem tarifaria dos últimos 12 meses seguido de debate entre empresários, especialistas e lideranças do setor para a melhoria da questão tarifária do transporte rodoviário de cargas.

 Em seguida entram na pauta temas como a Lei 12.619, roubo de cargas, terceirização de mão de obra, contribuição confederativa, Euro V | Arla 32, Semirreboque e Seguro RCTRC, com a presença dos presidente da NTC&Logística, José Hélio Fernandes e do Vice-presidente Regional e do SETCEB-Bahia, Antonio Pereira de Siqueira.

Combate ao Roubo de Cargas, um Assunto que Requer Prioridade!

Configura-se um cenário de crescimento do roubo de cargas no Brasil ao longo de duas décadas – que atingiu o recorde histórico em 2008, com 12400 ocorrências registradas e R$ 805 milhões em prejuízos – roubos sempre fortemente concentrados nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, maiores centros econômicos do País, onde ocorre a maior circulação de mercadorias e onde o crime organizado é mais atuante.