por Claudio Pelucio | fev 18, 2020 | Logística

Governos e federações das indústrias dos dois estados acreditam que investimentos podem alavancar economia e geração de riquezas
Uma parceria entre dois vizinhos que pode se transformar em negócios lucrativos e investimentos que beiram os R$ 46 bilhões. Assim foi anunciado o Plano Estratégico Minas Espírito Santo nesta segunda-feira (17) em Belo Horizonte, capital mineira. O Estado foi representado pelo governador Renato Casagrande, por uma ampla comitiva de secretários r por deputados estaduais, federais e empresários.
Se o plano for concretizado na íntegra, pode gerar, de acordo com projeção das duas federações de indústrias (de Minas e do Espírito Santo) e dos governos dos estados, 11,5 mil empregos no Estado e 47,1 mil no vizinho mineiro.
No anúncio do plano, foco na infraestrutura e logística. O esforço dos dois governos e das federações das indústrias de Minas e do Espírito Santo é para tirar do papel a duplicação da BR-262, a renovação da concessão da Estrada de Ferro Vitória a Minas, obra ferroviária do contorno da Serra do Tigre, desenvolvimento do Vale do Rio Doce, expansão do mercado de gás natural e um esforço para melhorar a segurança jurídica com objetivo de garantir investimentos para os estados.
“Todas as iniciativas serão feitas com dinheiro da iniciativa privada. Só precisamos de um esforço dos governos, e do governo federal, para que possamos tocar toda a agenda que definimos”, disse o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santos (Findes), Leonardo de Castro.
O governador Renato Casagrande (PSB) destacou a parceria com o governador mineiro, Romeu Zema (Novo), em busca de pautas comuns que vão ajudar a impulsionar a economia dos dois Estados. “Somos parceiros e temos pautas em comum. Nosso papel é esse, de reunir o empresariado e chamar para investir. São todas pautas antigas, reivindicações de muito tempo que a gente agora pode tirar do papel”, disse Casagrande.
Quem participou do anúncio da parceria dos dois estados foi o presidente da Assembleia, deputado Erick Musso (Republicanos). Ele afirmou que, se depender dos deputados, os empresários terão segurança para investir e levar desenvolvimento ao dois estados.
“Já temos pautas que serão apreciadas e votadas nesta semana. Se depender da Assembleia do Espírito Santo, essa parceria vai render bons frutos”, disse Erick.
Os projetos
Concessão e duplicação das BRs 381 e 262
Pela proposta, o governo federal assumiria o compromisso de construção de pontes e viadutos para retificar e elevar a velocidade diretriz para 80 km/h no Espírito Santo. Previsão, ainda, finalização de intervenções já contratadas de duplicação e ampliação da capacidade em Minas e em 7 km interrompidos no Espírito Santo.
Ao final a realização do leilão dos trechos, ainda em 2020. O investimento será de R$ 9,1 bilhões.
Renovação da concessão da Estrada de Ferro Vitória a Minas e implantação da Estrada de Ferro 118
Seriam utilizados créditos das outorgas de renovação em investimentos em Minas e n o Espírito Santo, como execução, pela Vale, do trecho de ferrovia entre Ubu e Viana.A partir do quinto ano de renovação de contrato, seria ampliado o transporte de cargas para terceiros não ligados à mineração em 10% do total.
A ferrovia seria inserida no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) para concessão e execução do trecho de Ubu ao Rio de Janeiro, a EF 118. Além disso, seria aprovado, com o apoio das bancadas, o PLS 261, que facilita a implantação de novos trechos e de estações de consolidação e transbordo de carga. O investimento seria de R$ 8,8 bilhões.
Construção do contorno ferroviário da Serra do Tigre
Com créditos da outorga de renovação da Estrada de Ferro Vitória a Minas, seria implantada uma variante de Ibiá a Sete Lagoas. E a inserção do contorno seria incluída nos compromissos de renovação da concessão da FCA.
A Serra do Tigre é conhecida como um ponto negativo no transporte ferroviário, já que o trem perde força e não consegue subir muito carregado a serra. Isso torna o transporte ineficiente e mais caro. O investimento é de R$ 3,1 bilhões.
Negócios de Óleo e Gás
Com ajuda e atuação das bancadas federais dos dois estados, a ideia é trabalhar em conjunto para determinar o uso do gás produzido no Espírito Santo. Um novo gasoduto seria lançado para escoamento e produtores seriam incentivados a implantar uma nova Unidade de Processamento de Gás Natural no Espírito Santo para processar o gás do campo Pão de Açúcar.
Além disso seria construído um novo duto de transporte de gás natural do Porto Central, no Espírito Santo, até Belo Horizonte. O duto terá 480 km de extensão.
Desenvolvimento do Vale do Rio Doce
Um plano de desenvolvimento da Bacia do Rio Doce será lançado, detalhando as vocações de cada município, com projetos e recursos necessários ao desenvolvimento. Uma hidrovia seria incluída, com base no Programa de Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio Doce, elaborado pela Federação das Indústrias de Minas (Fiemg).
Ações para recuperar nascentes, concessão de serviços de tratamento de esgoto meta para recuperar 120 mil hectares no Espírito Santo e 425 mil hectares em Minas também estão incluídas.
Segurança jurídica
Deste ponto, faz parte a simplificação tributária entre os dois estados, com o estabelecimento de convênios entre os Fiscos. Além disso, haverá o nivelamento dos incentivos às operações logísticas e à indústria.
por Claudio Pelucio | fev 17, 2020 | Logística

A pavimentação de trecho da BR-163, no Pará, inaugurada pelo presidente Jair Bolsonaro, nesta sexta-feira (14), permitirá que o transporte de grãos (soja e milho) pelo Norte do país duplique no prazo de 5 anos, de acordo com a associação Abiove, que reúne as exportadoras do setor.
A entidade afirmou que a obra irá garantir uma exportação mais competitiva ao Brasil, com custos rodoviários até 20% mais baixos. E os volumes passariam dos atuais 10 milhões de toneladas para 20 milhões de toneladas até 2025, aumentando gradativamente ano a ano.
Isso porque a Abiove avalia que os custos de transporte na BR-163 devem ficar entre 15% e 20% menores, com a pavimentação do trecho de 51 quilômetros entre os municípios de Moraes Almeida (PA) e de Novo Progresso (PA), que agilizará o transporte numa região na qual os caminhoneiros antes perdiam dias em atoleiros na época das chuvas, que coincide com o período de escoamento da safra.
Com a pavimentação, os grãos produzidos em Mato Grosso, principal produtor de soja e milho do Brasil, chegarão sem tantos percalços até Itaituba (PA), onde está situado o porto fluvial de Miritituba, que despacha as barcaças com produtos até os portos exportadores no Rio Amazonas.
“A finalização do trecho irá estimular os embarques por meio dos terminais construídos pelas nossas associadas no Norte do país, aumentando a produtividade, estimulando o desenvolvimento da região e a geração de divisas de exportação”, disse economista-chefe da Abiove, Daniel Furlan Amaral, em nota.
“Esperamos agora pela concessão do trecho à iniciativa privada com a inclusão dos acessos aos terminais de Miritituba e Santarenzinho, passo fundamental para garantir a adequada manutenção e oferta de serviços necessários em trechos com fluxo intenso de cargas como é o caso da BR-163”, acrescentou Amaral.
A conclusão da BR-163/MT/PA, cuja construção começou na década de 1970 e foi por vezes interrompida. O trecho inaugurado nesta sexta-feira foi concluído pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e o Exército Brasileiro, com investimentos de cerca de R$ 158 milhões, em 2019, segundo o Ministério de Infraestrutura.
Queda no frete
Segundo o Movimento Pró-Logística, que representa os produtores que pagam pela carga transportada por caminhoneiros, o valor do frete por tonelada na BR-163, no trecho entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), caiu de R$ 230 em média, no ano passado, para cerca de R$ 170 neste ano.
O principal motivo foi a conclusão da pavimentação da rodovia.
Em 2019, a viagem do caminhão de sete eixos, que transporta 38 toneladas, custava, em média, R$8,7 mil. Esse ano, a mesma viagem, vale, em média R$ 6,5 mil – economia da ordem de 26% para os produtores que pagam pela carga.
O valor do frete praticado leva em conta fatores como a distância percorrida, assim como facilidades e dificuldades enfrentadas na rodovia, como a pavimentação da via, por exemplo. A viagem fica mais barata porque o caminhoneiro faz mais viagens e gasta menos tempo no deslocamento e no tempo de parada.
Segundo o Comando Militar do Norte (CMN), em torno de 650 caminhões bitrens transitam diariamente em cada sentido da rodovia, com carga de soja e milho, principalmente.
por Claudio Pelucio | fev 13, 2020 | Logística

(foto: Alberto Ruy/Ministerio Infra-ins)
Previsão do ministro Tarcísio de Freitas é concluir 52 obras este ano e licitar 44 ativos. Na sexta inaugura a BR-163 no Pará e, na semana que vem, leiloa a BR-101 em Santa Catarina
Entregar uma obra por semana em 2020. Essa é promessa que o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, fez nesta quarta-feira (12/2) ao participar do Seminário de Abertura do Legislativo de 2020. Na sexta-feira, entrega trecho da BR-163, em Sinop, no Pará, junto com o presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, a pavimentação da rodovia, importante eixo de escoamento do agronegócio, teve reflexo imediato no frete. “Houve queda entre 5% e 15%, porque as empresas conseguem fazer cinco viagens a mais”, explicou.
No sábado, a pasta entrega a alça de acesso da Ponte Rio-Niterói com a Linha Vermelha, no Rio de Janeiro. E, na próxima semana, realiza o leilão da BR-101 em Santa Catarina. “No ano passado, nos comprometemos a fazer 27 leilões e fizemos. Este ano, serão mais 44. Além disso, vamos entregar 52 obras, praticamente uma por semana”, afirmou.
Em março, o ministro promete assinar a prorrogação da concessão da Malha Paulista, ferrovia operada pela concessionária Rumo, que vai gerar R$ 6 bilhões de investimentos em cinco anos e duplicar a capacidade das atuais 35 milhões de toneladas para 75 milhões de toneladas. O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a renovação antecipada no fim do ano passado, mas o aditivo ainda não foi assinado.
O caso da Malha Paulista é o primeiro a ser beneficiado pelas novas regras de renovação antecipada de concessões ferroviárias. Mas corre no Supremo Tribunal Federal (STF) uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra as propostas e a Corte deve julgar antes da assinatura. “Não deve ter impacto na assinatura do contrato da Malha Paulista”, garantiu.
Segundo Freitas, um dos pontos que estão sendo atacados é o investimento cruzado. “Estou otimista com relação à decisão do STF, porque acredito no modelo. O investimento cruzado é uma forma de usar a outorga em investimento, em vez de pagar para o Tesouro”, disse. No caso da Malha Paulista, é na própria linha, mas, na Estrada de Ferro Vitória Minas (EFVM), é um novo trecho. “É uma maneira de criar novos segmentos muito inteligente. A gente pega a outorga da EFVM, cria dois novos segmentos com essa outorga, Cariacica-Anchieta e a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico). Quando estiver pronta, licita operação e gera nova outorga”, explicou.
O fato de a possibilidade de prorrogação estar contemplada nos contratos originais das concessões é um facilitador de aprovação, de acordo com o ministro. “Seria muito difícil se não tivesse. O próprio TCU teria se manifestado contrariamente na análise que fez, mas todos os contratos contêm essa possibilidade de prorrogação. Tem amparo”, assegurou.
Sobre a Ferrogrão, cujo leilão está previsto para este ano, o ministro explicou que houve manifestação de parceria entre setor privado e Estado. “Quando o projeto é grande, parece ser esse o caminho. Estou bastante otimista com relação ao desenho, a composição do quadro de investidores e à viabilidade da ferrovia. Vamos conversar com alguns fundos, daqui um mês e meio, e, enquanto isso, terminamos a estruturação, ouvindo o mercado para eliminar risco”, disse. O próximo passo é enviar o edital para o TCU. “Estamos falando de uma concessão com investimentos de R$ 13 bilhões em sete anos”, destacou.
Durante o evento, no qual também estava presente o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira, Freitas o comprimentou citando o projeto de lei que permite a privatização da companhia. “Tenho fé que a gente vai manter viva convicção de privatização da Eletrobras. Nós precisamos disso. Tenho certeza de que a gente vai ser bem-sucedido nesse projeto, fundamental para que a empresa retome sua capacidade investimento”, disse.
por Claudio Pelucio | fev 5, 2020 | Logística

Analistas demonstram otimismo com setor no país (Imagem: Unsplash/@chuttersnap)
Para o BTG Pactual, o setor logístico no Brasil deverá mostrar expansão exponencial no decorrer dos próximos anos.
“O mercado nacional de logística está pronto para crescer muito nos próximos anos”, apontam os analistas Elvis Credendio e Gustavo Cambauva.
Os motivos para o otimismo são os seguintes: baixa relação ABL (Área Bruta Locável) per capita, recuperação da economia como um todo e aceleração do crescimento do e-commerce.
Déficit logístico
Neste contexto, a retomada econômica fomenta as operações das empresas que necessitam de espaços logísticos.
Por sua vez, o crescimento do e-commerce no Brasil resulta na necessidade pelas varejistas de espaços logísticos de alta qualidade.
Como resultado, o setor logístico no país teve absorção bruta de 795,3 mil metros quadrados, com absorção líquida de 452,3 mil metros quadrados, sendo cerca de 67% em propriedades nível A+.
Por fim, vale destacar que a taxa de vacância caiu 180 pontos-base, para 14,6%.

por Claudio Pelucio | fev 4, 2020 | Logística

(Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil)
Importações superaram exportações em US$ 1,745 bilhão
A queda na cotação de diversos produtos internacionais e a redução do embarque de alguns itens fizeram a balança comercial (diferença entre exportações e importações) fechar janeiro com o primeiro déficit em cinco anos. No mês passado, o país importou US$ 1,745 bilhão a mais do que exportou. Este é o resultado mais baixo para o mês desde 2015 (-US$ 3,875 bilhões).
No mês passado, as exportações caíram 20,2% pela média diária, atingindo US$ 14,43 bilhões. As importações encerraram janeiro em US$ 16,175 bilhões, com recuo de 1,3% pela média diária.
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia, o principal fator responsável pela retração das vendas externas foi a não exportação de uma plataforma de petróleo no valor de US$ 1,3 bilhão ocorrida em janeiro do ano passado que não se repetiu neste ano. Em seguida, o saldo foi influenciado pela queda nas cotações internacionais e no volume das exportações de petróleo bruto, cujas vendas caíram US$ 592 milhões em janeiro na comparação com o mesmo mês do ano passado.
As vendas de celulose caíram US$ 445 milhões na mesma comparação, influenciada pela desaceleração da economia chinesa. Também contribuiu para a queda nas exportações a redução de US$ 270 milhões nas vendas de milho e a diminuição de US$ 255 milhões nos embarques de soja, também provocado pela baixa demanda chinesa, que se refletiu nos preços internacionais.
O crescimento nas exportações de minério de ferro e seus concentrados (+US$ 314 milhões), algodão (+US$ 282 milhões) e derivados de petróleo (+US$ 207 milhões), não compensou a queda nos embarques de outros produtos. As exportações do principal produto responsável pelo repique da inflação no fim do ano passado, a carne bovina congelada, cresceram US$ 182 milhões na comparação entre janeiro deste ano e janeiro de 2019.
Todas as categorias de produtos registraram queda nas exportações. As vendas de bens manufaturados caíram 27,7% em janeiro em relação ao mesmo mês do ano passado, ainda influenciadas pela crise na Argentina e pela não exportação da plataforma de petróleo. As vendas de produtos semimanufaturados caíram 25,2%. Para os produtos básicos, a queda nas exportações atingiu 11,9%.
Nas importações, as compras de bens de capital – máquinas e equipamentos usados na produção – subiram 6,6% em janeiro em relação ao mesmo mês do ano passado. As aquisições de bens intermediários caíram 3,4%. No entanto, por causa da recuperação da economia, as compras de bens de consumo subiram 6,9%. As importações de combustíveis e lubrificantes tiveram forte queda, com recuo de 15,3%.
Depois de o saldo da balança comercial ter encerrado 2019 em US$ 46,657 bilhões, o segundo maior resultado positivo da história, o mercado estima menor superávit em 2020, motivado principalmente pela recuperação da economia brasileira, que reativa o consumo e as importações, pelas tensões comerciais entre países desenvolvidos, que reduz o comércio global, e pelo surto de coronavírus na China, o principal destino das nossas exportações.
Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, os analistas de mercado preveem superávit comercial de US$ 37,31 bilhões para este ano. O Ministério da Economia ainda não divulgou as estimativas para o saldo comercial em 2020.
por Claudio Pelucio | jan 30, 2020 | Logística

Governo Bolsonaro quer realizar o leilão de duas ferrovias em 2020.| Foto: Cadu Gomes/Fotos Públicas
O governo Bolsonaro esperar atrair neste ano R$ 52,8 bilhões em compromissos de investimentos em ferrovias. A cifra deverá ser alcançada com dois leilões – o da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), na Bahia, e da Ferrogrão, em Mato Grosso – e com a renovação antecipada de outras quatro concessões de estradas de ferro. Será, se confirmado os certames e os valores, o modal de transporte que mais vai atrair investimentos em 2020. Os valores serão aplicados ao long do período de concessão.
O trecho da Fiol que será leiloado vai de Ilhéus a Caetité, ambos municípios na Bahia. Serão 537 quilômetros concedidos à iniciativa privada. Segundo o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), 76,2% do trecho já foi construído pela Valec (a estatal de ferrovias) até dezembro de 2018. O PPI estima que será necessário investir R$ 1,14 bilhão para a conclusão das obras.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou em novembro o plano de outorga, estudos técnicos e documentos jurídicos relativos à concessão. Também foi definido que o valor de outorga mínimo (quanto o vencedor deverá pagar à União para levar a concessão) será de R$ 143 milhões.
O leilão será realizado pelo critério de maior outorga, ou seja, vence quem oferecer o maior valor em cima do lance mínimo. A previsão é que o edital será publicado no segundo trimestre. O leilão está previsto para o 3º trimestre de 2020 e o tempo de contrato será de 35 anos.
O trecho será um importante corredor de escoamento de minério do sul da Bahia e de grãos do oeste baiano. O escoamento das cargas será feito através dos terminais portuários Porto Sul e Bahia Mineração (Bamin), que ficarão localizados na região de Aritágua, no município de Ilhéus. O Porto do Sul será construído pelo governo da Bahia e o Bamin, pela Eurasian Group.
Leilão de ferrovia tem prazo de contrato de 65 anos
Outro leilão de ferrovia que deverá acontecer ainda este ano será da Ferrogrão. Serão concedidos à iniciativa privada 1.142 quilômetros de Lucas do Rio Verde a Sinop, no Mato Grosso. O leilão também está previsto para o terceiro trimestre e o critério será o maior valor de outorga. O prazo de contrato será de 65 anos. O edital será publicado no segundo trimestre.
Trata-se, diferente da Fiol, de um projeto greenfield, ou seja, o vencedor do leilão terá que tirar o trecho ferroviário do papel. A ideia é que a Ferrogrão seja um novo corredor ferroviário de exportação pelo Arco Norte. O objetivo com a estrada de ferro é dar à região Centro-Oeste, em especial ao Mato Grosso, uma nova saída para a produção agrícola por meio da conexão com o porto de Miritituba, no estado do Pará.
Segundo o PPI, a ferrovia só deverá entrar operação a partir de 2030. Já em seu primeiro ano de funcionamento, a demanda total de carga na ferrovia deve alcançar 13 milhões de toneladas, número que poderá chegar a 42 milhões de toneladas até 2050.
Em 2019, o governo Bolsonaro fez o leilão de um trecho de 1.537 quilômetros da ferrovia Norte-Sul. A Rumo foi a vencedora da disputa, realizada em março. A companhia terá de investir R$ 2,72 bilhões em melhorias ao longo de 30 anos, tempo que durará a concessão. O período não poderá ser renovado. Foi o primeiro leilão de ferrovia realizado desde 2007.
Renovações antecipadas de concessões de ferrovias
Além dos dois leilões, o governo Bolsonaro espera fechar quatro renovações antecipadas de concessões de ferrovias. Essas renovações são fechadas com a contrapartida de investimentos. Todas elas têm de passar pelo crivo do Tribunal de Contas da União (TCU).
As renovações que devem sair em 2020, segundo o ministério da Infraestrutura, são:
- Rumo Malha Paulista – 1.989 quilômetros – assinatura no novo contrato no primeiro trimestre;
- Estrada de Ferro Carajás – 892 quilômetros – 2º trimestre;
- Estrada de Ferro Vitória-Minas – 895 quilômetros – 2º trimestre;
- MRS Logística – 1.686 quilômetros – 4º trimestre.
Em 2019, foi fechado acordo para a renovação antecipada da concessão ferroviária da Malha Paulista, ferrovia da Rumo que vai de Santa Fé do Sul (SP), quase na divisa com o estado do Mato Grosso do Sul, até o Porto de Santos, em São Paulo. Esse acordo foi fechado em novembro, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), e, segundo o ministério da Infraestrutura, abre as portas para que outras renovações sejam fechadas também.