Encontro reuniu empresários, executivos e lideranças do Transporte Rodoviário de Cargas para discutir segurança viária, inovação, tecnologia, gestão de dados e eficiência operacional
A NTC&Logística realizou, nesta quarta-feira (2), em Curitiba (PR), a segunda edição do Roadshow – Conexão Segura, iniciativa desenvolvida em parceria com a Geotab para aproximar empresários, gestores e lideranças do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) das novas tecnologias e de soluções voltadas à segurança e à eficiência das operações.
Realizado no QOYA Hotel, na capital paranaense, o encontro deu continuidade ao projeto-piloto iniciado em São Paulo e contou com a presença de representantes de empresas e entidades de Curitiba e de outras localidades da região. A proposta do Roadshow é aproximar tecnologia, dados e gestão da realidade das transportadoras, apresentando experiências e soluções capazes de gerar resultados concretos para as empresas.
Na abertura institucional, o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, discorreu sobre o trabalho desenvolvido pela entidade na representação do Transporte Rodoviário de Cargas e contextualizou a atuação da NTC&Logística em consonância com o Sistema Transporte, detalhando a estrutura institucional do setor, as entidades que o compõem e seus respectivos papéis.
Enfatizando ser fundamental levar discussões sobre inovação, segurança e eficiência para diferentes regiões do país, Rebuzzi valorizou a participação dos empresários, executivos e lideranças de Curitiba e de toda a região que compareceram ao evento.
“Curitiba e toda esta região têm forte representatividade no Transporte Rodoviário de Cargas brasileiro. É uma satisfação reunir empresários, executivos e lideranças para discutir assuntos que estão diretamente relacionados ao presente e ao futuro das nossas empresas. O papel da NTC&Logística é promover essa aproximação, levando conhecimento, estimulando o debate e criando oportunidades para que inovação e tecnologia se transformem em segurança, eficiência e competitividade. Parabenizo todos que participaram desta edição e destaco também o importante papel da Geotab na construção deste projeto em conjunto com a NTC&Logística”, afirmou Eduardo Rebuzzi.
O vice-presidente extraordinário de Inovação e Novos Negócios da NTC&Logística, André de Simone, explanou os objetivos da iniciativa e trouxe dados sobre o impacto da inovação no Transporte Rodoviário de Cargas. Em sua apresentação, destacou como a incorporação de novas tecnologias e o uso inteligente de informações podem contribuir para fortalecer os negócios, aprimorar processos, apoiar a tomada de decisões e aumentar a eficiência e a competitividade das empresas do setor.
A programação técnica teve como eixo o painel “Inovação aplicada à Segurança e Eficiência Operacional no Transporte Rodoviário de Cargas”, agrupando diferentes perspectivas sobre segurança viária, tecnologia aplicada à gestão das frotas e utilização estratégica dos dados.
Renato Inda Macedo, diretor-executivo da FETRANCESC – Federação das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina, expôs um panorama da segurança viária nas rodovias federais, incluindo dados sobre os acidentes e seus impactos nas diferentes regiões do país. Apresentou, ainda, o trabalho desenvolvido pela Federação por meio de seu Observatório, compartilhando informações relevantes sobre a dimensão dos acidentes no Brasil e reforçando a importância dos dados para a compreensão do problema e para o desenvolvimento de ações voltadas à prevenção e à segurança viária.
Na sequência, Marcio Fugisava, Senior Business Development Manager da Geotab, mostrou como as tecnologias desenvolvidas pela empresa podem contribuir para as operações do Transporte Rodoviário de Cargas e da logística, particularmente na gestão de frotas, segurança, acompanhamento dos motoristas e utilização de dados para a tomada de decisões.
Entre as soluções apresentadas, esteve a GO Focus Plus, câmera veicular com inteligência artificial recentemente lançada no Brasil pela Geotab. A tecnologia monitora simultaneamente a estrada e o motorista, e identifica situações de risco, como uso de celular, fadiga, distração e distância inadequada, podendo emitir alertas de voz dentro da cabine para permitir uma correção imediata da condução. A solução integra vídeo e dados de telemetria à plataforma MyGeotab, permitindo que gestores concentrem sua atenção nos eventos considerados mais críticos.
A solução também utiliza inteligência artificial para priorizar comportamentos e ocorrências de maior risco, reduzindo o volume de imagens que precisam ser analisadas manualmente e auxiliando os gestores no acompanhamento e no treinamento dos motoristas. Segundo a Geotab, a tecnologia conta ainda com recursos voltados à privacidade, como controles da câmera interna e possibilidade de desfoque de rostos e placas.
A programação também levou ao público a experiência prática de uma transportadora. A Ghelere Transportes, empresa associada à NTC&Logística, relatou seu case sobre a utilização da telemetria como ferramenta de gestão. Elias Pereira, coordenador de TI da empresa, mostrou como os dados gerados pela operação são utilizados no dia a dia para apoiar a tomada de decisões, acompanhar indicadores e resultados, e contribuir para uma operação mais eficiente.
A exposição reforçou um dos principais objetivos do Roadshow: demonstrar, a partir de experiências reais, como a tecnologia e os dados podem sair do campo conceitual e se transformar em ferramentas efetivas de gestão das transportadoras.
Ao final das apresentações, os participantes acompanharam um debate que conectou as diferentes perspectivas demonstradas durante a tarde, reunindo as visões institucional, tecnológica e empresarial sobre inovação, segurança, tecnologia, dados e eficiência operacional no TRC.
A edição de Curitiba contou com o apoio da FETRANSPAR – Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná; do SETCEPAR – Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná e do Núcleo da COMJOVEM (Comissão de Jovens Empresários e Executivos da NTC&Logística) Curitiba.
Com base no êxito das primeiras edições, a expectativa é ampliar o Roadshow em 2027 para outras regiões do Brasil, levando essa agenda a um número cada vez maior de empresas e profissionais do Transporte Rodoviário de Cargas.
A NTC&Logística reforça o convite para participação na Pesquisa Mulheres nas Entidades do TRC 2026, iniciativa do Movimento Vez & Voz que busca expandir o conhecimento sobre a atuação e presença das mulheres nas entidades representativas do Transporte Rodoviário de Cargas em todo o Brasil.
Signatária do Movimento Vez & Voz, a NTC&Logística apoia a iniciativa e destaca a importância da produção de informações que permitam compreender o atual cenário da participação feminina no ambiente institucional do setor. Os dados levantados poderão contribuir para o desenvolvimento de ações e iniciativas voltadas à equidade de gênero e à ampliação da participação das mulheres no TRC.
A pesquisa leva apenas alguns minutos para ser respondida e estará disponível para participação até o dia 11 de setembro de 2026. A contribuição das participantes é fundamental para ampliar a representatividade dos dados e construir um panorama mais abrangente da realidade das mulheres nas entidades do setor.
Sustentabilidade começa com dados e pode avançar para eficiência e novas oportunidades
Combustível, pneus, manutenção, pedágios, quilômetros percorridos, produtividade e custo por viagem. Administrar uma transportadora exige acompanhar diariamente uma série de indicadores que ajudam a entender o desempenho da operação. Agora, uma nova informação começa a ganhar espaço nesse conjunto: quanto a empresa emite de gases de efeito estufa e o que pode fazer a partir desse dado.
Conhecer as emissões da operação é um dos primeiros passos para que uma empresa consiga estruturar sua estratégia ambiental. A partir da mensuração, é possível identificar onde estão concentradas as emissões, estabelecer indicadores, acompanhar a evolução dos resultados e desenvolver ações de redução e compensação.
Para o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), essa discussão ganha importância adicional. O setor está presente nas cadeias produtivas de praticamente todos os segmentos da economia e, por isso, as informações relacionadas ao transporte também fazem parte dos dados ambientais considerados por clientes e embarcadores.
Grandes empresas já vêm ampliando esse olhar sobre suas cadeias de fornecedores. Em seu Relatório de Sustentabilidade 2025, por exemplo, a Klabin informou que seu Programa de Responsabilidade Socioambiental da Cadeia de Fornecimento alcançava 91% dos fornecedores classificados como críticos, com meta de atingir 100% até 2030.
A Vale também informou ter avançado, em 2025, na integração de critérios ESG à gestão de compras e fornecedores. Dos 5.268 fornecedores com contratos ativos no Brasil, 1.389 estavam classificados em categorias de alto ou muito alto risco ESG e integravam a estrutura de acompanhamento da companhia.
Esses movimentos ajudam a dimensionar uma transformação que vai além da imagem corporativa. Para uma transportadora, ter informações organizadas sobre emissões e sustentabilidade pode contribuir para responder às demandas dos clientes, participar de processos de contratação, fortalecer relacionamentos comerciais e identificar oportunidades de eficiência dentro da própria operação.
O carbono também entra na agenda regulatória
Paralelamente às mudanças empresariais, o Brasil avança na regulamentação de seu mercado de carbono.
A Lei nº 15.042/2024 instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE) e estabeleceu uma estrutura para o mercado regulado de carbono no país.
A legislação prevê diferentes obrigações conforme o volume anual de emissões e as atividades que vierem a ser abrangidas pela regulamentação. Para instalações ou fontes que emitam acima de 10 mil toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e) por ano, estão previstos, entre outros instrumentos, plano de monitoramento e relato de emissões e remoções. Para aquelas com emissões acima de 25 mil tCO₂e anuais, também está prevista a conciliação periódica de obrigações.
A implementação do sistema ocorre de forma gradual e depende da regulamentação, da definição das atividades abrangidas e das metodologias de mensuração, relato e verificação previstas no SBCE.
O próprio setor de transportes começa a avançar nessa direção. Em 2026, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) retomou o processo de participação social relacionado ao Selo ESG Cargas, iniciativa destinada ao reconhecimento de transportadores que adotam práticas ambientais, sociais e de governança.
Nesse contexto, conhecer os próprios indicadores deixa a transportadora mais preparada para compreender sua realidade e tomar decisões com base em dados.
NTC&Logística e Domani Global apoiam empresas nessa jornada
Para aproximar essa nova dimensão da gestão da realidade das empresas do setor, a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) mantém parceria com a Domani Global, especializada em soluções ESG, sustentabilidade e gestão de emissões.
A iniciativa permite que empresas associadas tenham acesso a ferramentas e suporte especializado para iniciar ou avançar em sua jornada ESG, considerando o porte, a estrutura e o nível de maturidade de cada organização.
Entre as soluções disponibilizadas pela parceria estão:
Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), com mensuração nos escopos 1, 2 e 3;
Domani SaaS – Sustainability as a Service, plataforma para gestão ESG, acompanhamento de emissões e geração de relatórios;
Diagnóstico ESG e Matriz de Materialidade, para identificação de prioridades e oportunidades;
Plano de Descarbonização, com estratégias direcionadas à redução e compensação de emissões;
Treinamentos e capacitações corporativas, voltados às diferentes áreas das empresas;
Selo Carbono Neutro, destinado às empresas que realizarem a compensação de suas emissões;
Suporte técnico especializado, considerando as particularidades do Transporte Rodoviário de Cargas.
Os serviços foram estruturados para atender micro, pequenas, médias e grandes empresas, permitindo que cada transportadora avance de acordo com sua realidade e capacidade de investimento.
Associados da NTC&Logística contam ainda com condições diferenciadas na contratação dos produtos e serviços da Domani Global.
Assim como conhecer custos, produtividade e desempenho da frota é fundamental para administrar uma transportadora, conhecer as emissões da operação começa a fazer parte de uma gestão empresarial cada vez mais orientada por dados. E transformar essa informação em estratégia pode representar eficiência, preparação e novas possibilidades para o negócio.
Serviço
Domani Global – Sustentabilidade para o Transporte de Cargas
E-mail: contato@domani.global
Telefone/WhatsApp: (11) 99559-8402
Site: www.domani.global
Redes sociais: LinkedIn, Instagram e demais plataformas oficiais
Código de desconto exclusivo para associados da NTC&Logística:NTC15
Nova metodologia avalia frota, segurança e adaptação climática para orientar bancos e investidores
Emissões da frota, consumo de combustível, segurança dos trabalhadores e capacidade de manter as operações durante eventos climáticos extremos poderão integrar a avaliação de empresas e projetos de transporte feita por bancos e investidores. Uma metodologia que será lançada em 17 de setembro pretende organizar esses indicadores e oferecer uma visão mais detalhada dos riscos ambientais e sociais do setor.
Desenvolvido pela associação Soluções Inclusivas Sustentáveis (SIS), o questionário abrange o transporte rodoviário de cargas, o transporte coletivo de passageiros e os sistemas ferroviários de cargas e passageiros. Caminhões, ônibus, metrôs, trens metropolitanos, ferrovias e veículos leves sobre trilhos (VLTs) estão entre os segmentos contemplados.
Na prática, a ferramenta poderá ajudar instituições financeiras a identificar quais empresas estão mais preparadas para a transição energética e para enfrentar interrupções provocadas por eventos climáticos. Para as transportadoras, a avaliação aumenta a importância de reunir dados sobre eficiência da frota, emissões, segurança, fornecedores e medidas de adaptação.
A SIS, no entanto, ainda não informou quais instituições financeiras adotarão a metodologia nem se os resultados poderão interferir nas condições ou na aprovação de financiamentos.
Transporte emitiu 221 milhões de toneladas de CO₂e
O setor concentra parcela relevante das emissões brasileiras. Em 2024, as atividades de transporte emitiram cerca de 221 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e), segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).
O transporte de cargas respondeu por 118,7 milhões de toneladas, enquanto o deslocamento de passageiros, individual e coletivo, somou 102,7 milhões.
A dependência do modal rodoviário aumenta o desafio da descarbonização. Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que as rodovias concentraram 71% da atividade do transporte de cargas em 2024, ante 16,9% das ferrovias. No transporte de passageiros, o modal rodoviário individual respondeu por 64% da atividade e o coletivo, por 28%.
A exposição das empresas à transição energética não depende apenas das emissões atuais. Também envolve idade e eficiência da frota, disponibilidade de combustíveis alternativos, infraestrutura de abastecimento ou recarga e capacidade financeira para investir em tecnologias menos poluentes.
Eventos extremos entram na avaliação
O questionário inclui indicadores de eficiência energética, adoção de combustíveis e tecnologias de baixa ou zero emissão, controle da poluição atmosférica e riscos existentes na cadeia de fornecedores. Também será considerada a capacidade de adaptação das operações às mudanças climáticas. Chuvas intensas, enchentes, deslizamentos e ondas de calor podem interromper rodovias e ferrovias, danificar veículos e instalações, aumentar custos e comprometer prazos de entrega.
A análise não ficará restrita aos aspectos ambientais. A ferramenta considera saúde e segurança dos trabalhadores, acessibilidade para pessoas com deficiência, proteção e conforto dos passageiros, atendimento a regiões de baixa renda e qualidade do transporte coletivo.
Esses fatores podem afetar custos, reputação, continuidade operacional e capacidade de investimento. A proposta é permitir que financiadores e empresas identifiquem vulnerabilidades antes da concessão do crédito ou da realização de novos projetos.
Referências internacionais
A SIS utilizou padrões nacionais e internacionais de sustentabilidade e divulgação de informações climáticas, como TNFD, GRI, SBTi, IFRS S1 e S2 e IFC. A metodologia também considera critérios presentes nas taxonomias sustentáveis aplicáveis ao setor.
O questionário será apresentado durante o 19º Bate-papo Inclusivo e Sustentável, evento on-line e gratuito. O debate sobre transportes terrestres terá a participação de Sofia Zanella Carra, diretora de Transição Climática do Climate Finance Hub. A apresentação da ferramenta será conduzida por Luciane Moessa, diretora-executiva e técnica da SIS.
Em artigo à CNN, Haroldo Bertoni afirmou que a nova forma de tributação impõe novos desafios às concessões rodoviárias e pode exigir reequilíbrio dos contratos diante dos impactos sobre receita, fluxo de caixa e custos de operação
A regulamentação do IVA Dual não chega em terreno neutro para as rodovias concedidas. Ela encontra contratos em estágios distintos de maturidade, muitos já além do pico de investimento, e hoje sustentados essencialmente pela conservação e pela prestação de serviços, e obriga as concessionárias a administrar, ao mesmo tempo, as regras de transição da Lei Complementar nº 214/2025 e seus efeitos sobre projetos desenhados para um regime tributário que está sendo substituído.
O ciclo de investimento pesado já foi cumprido em boa parte desses contratos, mas a receita segue amadurecendo sob as novas regras da CBS e do IBS. A pergunta que se impõe é direta: como a nova matriz tributária afeta concessões que não têm mais grandes obras pela frente para absorver o choque de uma tributação recalibrada sobre a receita corrente?
A manutenção do REIDI, agora adaptado ao novo sistema pelo art. 106 da LC 214/2025, ajuda a adiar o desembolso imediato de IBS e CBS nas aquisições vinculadas a obras de infraestrutura. Mas o regime opera por suspensão de pagamento, não por geração de crédito aproveitável.
Isso significa que a concessão vai enfrentar a nova alíquota de referência sobre a receita sem um estoque de créditos acumulados capaz de suavizar esse aumento nos anos em que a fase de investimento já ficou para trás.
Há ainda o split payment nas transações eletrônicas de pedágio automático. O mecanismo, já previsto na LC 214/2025 e detalhado por atos conjuntos da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS ao longo de 2026, deve estrear em 2027, inicialmente em caráter opcional e restrito a operações entre empresas.
Ainda assim, o desenho já é claro: reter o imposto no momento da liquidação financeira compromete a liquidez diária das concessionárias, elimina o float, que é o ganho financeiro de curtíssimo prazo obtido entre o recebimento e o recolhimento do tributo, e eleva o custo de capital da operação. Para negócios de margem apertada e fluxo de caixa previsível como o de pedágio, essa mudança de mecânica financeira não é um detalhe técnico, mas se trata de uma alteração relevante na estrutura de capital de giro do contrato.
Diante desse cenário, o direito ao reequilíbrio econômico-financeiro do contrato se impõe. As matrizes de risco das concessões rodoviárias, de modo geral, atribuem ao Poder Concedente o ônus de mudanças na legislação tributária, e é essa alocação que sustenta o pleito. Mas o direito não se exerce sozinho. Não basta acionar os gatilhos contratuais junto às agências reguladoras: será preciso comprovar matematicamente o efeito líquido da transição, separando o que é impacto da reforma daquilo que resulta da eficiência, ou da ineficiência, da gestão privada. Essa comprovação exige atuação conjunta entre as áreas tributária e jurídico-administrativa, combinação que ainda é exceção, e não regra, na rotina das concessionárias.
Para editais e projetos em estruturação, a alternativa mais segura tem sido manter o sistema tributário atual como linha de base contratual, deixando aos mecanismos de ajuste futuro a tarefa de capturar as variações reais trazidas pela reforma, à medida que o novo sistema entra em vigor pleno até 2033. Já nos contratos em curso, garantir segurança jurídica e continuidade dos investimentos vai exigir reequilíbrios cautelares, estruturados tecnicamente enquanto a apuração definitiva dos efeitos da reforma não é concluída.
Não existe solução de prateleira para esse problema, pois cada contrato tem características próprias, moldadas pelo momento em que foi assinado, pela matriz de risco negociada e pela fase em que se encontra o cronograma de investimentos. Uma atuação integrada entre direito tributário e direito público e administrativo será capaz de enfrentar os efeitos da transição sem comprometer os ativos de infraestrutura que o país levou décadas para construir.
Iniciativa cria um novo espaço de participação para troca de experiências e desenvolvimento de boas práticas voltadas ao mercado do Transporte Rodoviário de Cargas
A NTC&Logística está convidando suas empresas e entidades associadas a participarem do Comitê de Mercado e Tarifas, iniciativa criada para ampliar as discussões sobre questões mercadológicas que fazem parte da realidade do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC).
O Comitê será um espaço dedicado à troca de experiências, ao desenvolvimento de boas práticas e ao fortalecimento da gestão de custos, preços, tarifas e comercialização dos serviços de transporte, com atenção especial às operações de cargas do tipo lotação ou fechada.
A proposta é aproximar empresas e profissionais que atuam diretamente nessas áreas, possibilitando o compartilhamento de experiências e a discussão de temas que contribuam para aprimorar práticas comerciais e de gestão no setor.
Neste primeiro momento, a NTC&Logística está realizando um levantamento para identificar as empresas e entidades associadas interessadas em integrar o Comitê de Mercado e Tarifas.
As associadas interessadas devem preencher o formulário indicando os dados do representante que participará das atividades e discussões do Comitê.
Participe do Comitê de Mercado e Tarifas da NTC&Logística.
A participação das empresas será fundamental para a construção das atividades do Comitê e para o desenvolvimento de uma agenda alinhada às demandas e aos desafios enfrentados pelo Transporte Rodoviário de Cargas.