Participe da terceira edição de 2026 do Seminário Itinerante da NTC&Logística, em São Paulo, na Fenatran 2026

Participe da terceira edição de 2026 do Seminário Itinerante da NTC&Logística, em São Paulo, na Fenatran 2026

A terceira edição de 2026 do Seminário Itinerante da NTC&Logística ocorrerá em São Paulo, no dia 11 de novembro, às 14 horas, no Auditório do Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Cargas – FENATRAN, a maior Feira de Transporte Rodoviário de Cargas e Logística da América Latina.

Criado em 2004, o Seminário Itinerante tem o propósito de levar a NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística a diversas regiões do país, promovendo capacitação técnica e oportunidades de negócios para empresários e executivos do setor de transporte de cargas e logística.

A programação conterá temas relevantes para o setor e que afetam diretamente as atividades das empresas. A organização do evento conta com o apoio da COMJOVEM (Comissão de Jovens Empresários e Executivos do Transporte Rodoviário de Cargas) da NTC&Logística.

Ratificando a missão da NTC&Logística de estar ao lado do transportador rodoviário de cargas, de Norte a Sul do Brasil, o Seminário Itinerante já percorreu diversos estados ao longo de mais de duas décadas.

Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, “encerrar as edições de 2026 do Seminário Itinerante durante a FENATRAN tem significado especial para a nossa entidade. Iniciamos os ciclos deste ano em Recife, Pernambuco, seguimos para Rio Grande, no Rio Grande do Sul, e agora concluímos os encontros em São Paulo, durante a principal Feira do nosso setor. Ao longo dessas edições, estivemos próximos de empresários, executivos e lideranças de diferentes regiões, promovendo conhecimento, diálogo, relacionamento e debates sobre temas que impactam diretamente o Transporte Rodoviário de Cargas. Agradeço às entidades anfitriãs, à Coordenação Nacional e aos Núcleos Regionais da COMJOVEM, aos nossos parceiros e, principalmente, a todos os transportadores que participaram conosco. Fechamos este ciclo com a certeza de que o Seminário Itinerante continua cumprindo seu propósito de aproximar a NTC&Logística das empresas e contribuir para o fortalecimento do TRC em todo o Brasil”.

O evento será realizado presencialmente, no espaço do São Paulo Expo – Rodovia dos Imigrantes – Km 1,5 – Vila Água Funda – São Paulo (SP). A participação é aberta a todos os empresários presentes e já inscritos na Feira.

Programação Preliminar

Local: São Paulo Expo – Auditório FENATRAN | Rodovia dos Imigrantes – Km 1,5 – Vila Água Funda – São Paulo (SP)

14h00 | 14h30 | Abertura Oficial

14h30 | 14h50 | Apresentação NTC&Logística|COMJOVEM

Palestrante:

Hudson Rabelo, Coordenador Nacional da COMJOVEM

14h50 | 17h | Painel sobre Seguros

Palestrantes:

José Alberto Panzan, Diretor da NTC&Logística e Coordenador do Comitê de Seguros da entidade

Lauro Valdivia, Assessor Técnico da NTC&Logística

17h | ENCERRAMENTO

Faça já sua inscrição, clicando aqui.

Realização: NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística

Apoio Institucional:

CNT – Confederação Nacional do Transporte; SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte; ITL – Instituto de Transporte e Logística

FuMTran – Fundação Memória do Transporte

Apoio Logístico: Braspress

ANTT aprova acordo com a Cnseg para validar contratação obrigatória de seguros no RNTRC

ANTT aprova acordo com a Cnseg para validar contratação obrigatória de seguros no RNTRC

Deliberação prevê cooperação entre a Agência e a Confederação Nacional das Seguradoras para verificar os seguros exigidos dos transportadores rodoviários de cargas

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou a celebração de um Acordo de Cooperação e do respectivo Plano de Trabalho com a Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (Cnseg).

A medida foi formalizada por meio da Deliberação ANTT nº 293, de 8 de outubro de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 9 de outubro.

O objetivo do acordo é permitir a execução conjunta de atividades para que a ANTT possa validar a contratação obrigatória, pelos transportadores rodoviários de cargas, dos seguros exigidos para fins de inscrição e manutenção no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC). A deliberação cita especificamente três modalidades de seguro:

  • Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga (RCTR-C);
  • Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário por Desaparecimento de Carga (RC-DC);
  • Seguro de Responsabilidade Civil de Veículo (RC-V).

Na prática, o acordo cria uma base de cooperação entre a ANTT e a Cnseg para a verificação dessas contratações no processo relacionado ao RNTRC, ampliando a integração de informações entre a regulação do transporte rodoviário de cargas e o setor de seguros.

A Deliberação entrou em vigor na data de sua publicação.

Confira a Deliberação ANTT nº 293/2026 na íntegra, clicando aqui.

O que o FMI prevê para a economia brasileira em 2027 – e os desafios para retomar o crescimento

O que o FMI prevê para a economia brasileira em 2027 – e os desafios para retomar o crescimento

Assim como analistas de mercado no Brasil, Fundo Monetário Internacional prevê que crescimento da economia brasileira vai perder fôlego no próximo ano

O Fundo Monetário Internacional prevê que o crescimento da economia brasileira vai perder fôlego no próximo ano – registrando um aumento menor do que o previsto para 2026.

A avaliação faz parte do relatório Perspectiva Econômica Mundial, em que a entidade sediada em Washington faz previsões sobre toda a economia global.

A previsão do FMI para a economia brasileira é de um crescimento de 2,2% para 2026 e 1,9% em 2027 – uma revisão para baixo de 0,2% e 0,3% respectivamente, em relação às projeções divulgadas pelo Fundo em julho.

Segundo o FMI, essa desaceleração do crescimento econômico brasileiro reflete “condições monetárias ainda restritivas – voltadas para o retorno da inflação à meta –; a retirada de estímulos da política fiscal e a incerteza global”.

Desde o começo do ano, o Banco Central vem cortando a taxa básica de juros da economia – que já caiu de 15% para 13,75%.

Na mais recente ata do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central destacou que os juros altos no Brasil têm provocado uma desaceleração da economia, mas que a taxa continuará caindo aos poucos para impedir a volta da inflação.

Os últimos dados do PIB brasileiro confirmam essa desaceleração. A economia nacional havia crescido 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025.

Mas os dados mais recentes do IBGE mostram que o PIB perdeu força no segundo trimestre de 2026, com uma alta de 0,5% em relação ao trimestre anterior, abaixo do avanço de 1,1% registrado no primeiro trimestre.

As previsões do FMI para 2026 e 2027 são mais otimistas do que a do mercado brasileiro. O mais recente Boletim Focus, do Banco Central – de 2 de outubro –, mostra que os agentes do mercado brasileiro acreditam que o crescimento econômico brasileiro será de 1,85% este ano e 1,4% em 2027.

Pela quarta semana consecutiva, as previsões de crescimento da economia brasileira caíram nas medianas do Focus.

O crescimento projetado para a economia brasileira pelo FMI está levemente abaixo do previsto para a América Latina, que é de 2,3% em 2026 e 2,5% em 2027.

No Brasil, a expectativa do FMI é de queda da inflação, mas aumento do desemprego.

O FMI prevê que a inflação brasileira vai cair de 5% no ano passado para 4,4% este ano e 4,1% em 2027. Já a taxa de desemprego subiria de 6% em 2025 para 6,2% este ano e 6,8% em 2027.

De novo, as previsões do FMI parecem mais positivas do que as do mercado brasileiro. Segundo o Focus, o Brasil fecharia 2026 e 2027 com inflação de 5,01% e 4,3% respectivamente.

Economia global ‘resiliente mas sob pressão’

Já o resto do mundo cresceria em um ritmo mais acelerado do que o brasileiro, segundo a projeção do Fundo: de 3,4% este ano e 3,6% em 2027.

Segundo o FMI, a economia global está “resiliente sob pressão” – que é o nome do relatório.

O mundo enfrenta hoje diversos desafios econômicos: uma inflação alta – que deve atingir 4,7% na média global este ano para depois cair para 4,1% em 2027 –; uma escalada de conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia; uma reavaliação sobre as expectativas ligadas à inteligência artificial; tensões comerciais entre os países e problemas fiscais em diversos governos.

“Por outro lado, um impulso mais forte nos investimentos em IA e ganhos de produtividade decorrentes da IA, ou um alívio sustentado das tensões geopolíticas e comerciais, poderiam fortalecer o crescimento”, afirma o FMI.

Segundo o FMI, a atividade econômica global tem se mantido resiliente apesar da guerra no Oriente Médio, sustentada pela adaptação do setor privado e por investimentos robustos em inteligência artificial.

“No entanto, a inflação está em alta, a disparidade entre as economias que se beneficiam do ciclo de expansão tecnológica ou de termos de troca favoráveis e aquelas que enfrentam custos de importação mais elevados e demanda mais fraca está aumentando”, diz o FMI.

O Fundo também afirma que o preço dos alimentos e energia vêm subindo nos últimos cinco anos, corroendo o poder de compra das famílias e aumentando a desigualdade e a pobreza.

O FMI defende que as políticas públicas que mais funcionaram para lidar com esses desequilíbrios foram de apoio à renda para famílias vulneráveis economicamente.

2027 mais lento no Brasil

A previsão do FMI de um crescimento mais lento do Brasil em 2027 está em linha com o que muitos analistas brasileiros já apontavam.

Economistas ouvidos pela BBC News Brasil no mês passado já antecipavam um crescimento mais lento para a segunda metade deste ano e para 2027, com a perda de força dos estímulos fiscais feitos por governo federal e governos estaduais no primeiro semestre, em meio à corrida eleitoral.

Ao mesmo tempo, os investimentos devem seguir reduzidos, diante do cenário de juros altos, que também têm se refletido nos diversos pedidos de recuperação judicial no setor de varejo.

Esse cenário de restrições à atividade econômica deve continuar no próximo ano, contribuindo para o menor crescimento do PIB, preveem os analistas.

Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg, projetava um crescimento de 1,5% do PIB em 2027, mas acredita que esse número possa, na verdade, ser mais próximo de 1%.

O economista cita como fatores para esse pessimismo a redução da taxa básica de juros mais lenta do que era esperado no início do ano, o aumento do endividamento e a redução do impulso fiscal pelo governo, passado o ciclo eleitoral.

Pesam também condições financeiras mais desfavoráveis, com juros mais altos no mundo e petróleo em alta, pressionando a inflação local.

“Ano que vem provavelmente também tem PIB negativo do agro, por causa do efeito do El Niño”, diz Serrano.

Alex Agostini, economista-chefe da agência de avaliação de risco Austin Rating, disse à BBC News Brasil, em setembro, que o cenário fiscal conturbado deve ser a maior pedra no sapato do novo governo.

Ele acredita que, seja Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL) vitorioso, algum ajuste fiscal será inevitável, o que teria efeito contracionista sobre a atividade econômica.

Governo planeja flexibilizar contratos para acelerar investimentos nos portos

Governo planeja flexibilizar contratos para acelerar investimentos nos portos

Proposta permite antecipar obras, simplifica mudanças operacionais e reabre discussão sobre limites de prorrogação dos arrendamentos

O governo federal pretende flexibilizar as regras dos contratos de arrendamento portuário para reduzir o tempo entre a decisão de investir e a execução das obras nos terminais. A proposta, colocada em consulta pública pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), prevê a antecipação de investimentos antes da conclusão de processos de reequilíbrio econômico-financeiro, a simplificação de alterações operacionais e a revisão do limite de 25% para extensão contratual como forma de compensação financeira.

As mudanças fazem parte da revisão da Portaria 530/2019, que disciplina alterações nos contratos de arrendamento em portos organizados. A norma estabelece os procedimentos para novos investimentos, prorrogações de prazo, mudanças de área e perfil de carga e recomposição do equilíbrio econômico-financeiro. A consulta pública foi aberta em 6 de outubro e recebe contribuições até o dia 25.

O objetivo é permitir que os terminais adaptem suas instalações às mudanças da demanda e incorporem novas tecnologias sem depender, em todas as situações, da conclusão de processos administrativos que podem retardar a execução dos investimentos. A flexibilização, porém, também exige definir como serão distribuídos os riscos entre as empresas e o poder público e em quais condições os investimentos poderão resultar em compensações contratuais.

Limite de prorrogação em discussão

Um dos pontos mais relevantes é a reavaliação do dispositivo que limita a extensão dos contratos a 25% do prazo original para recomposição do equilíbrio econômico-financeiro. O mecanismo permite compensar desequilíbrios reconhecidos durante a execução contratual por meio da ampliação do período de exploração do terminal.

A discussão ocorre em um setor caracterizado por investimentos elevados e prazos longos de recuperação do capital. Para as arrendatárias, a possibilidade de estender a vigência contratual pode representar uma alternativa à compensação financeira direta, especialmente em projetos de ampliação de capacidade ou modernização de instalações.

O secretário nacional de Portos, Alex Ávila, afirmou que o governo considera oportuno reavaliar a restrição para aperfeiçoar os mecanismos de recomposição contratual. O tema já havia sido antecipado pelo secretário durante o Fórum Nacional de Infraestrutura de Transportes, Energia e Mineração, realizado em Brasília, em 6 de outubro.

A eventual revisão do limite de 25%, entretanto, não significa autorização para prorrogações automáticas. As extensões continuarão condicionadas à análise da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), à decisão fundamentada do poder concedente e aos limites estabelecidos na legislação.

Pelo Decreto 8.033/2013, os contratos de arrendamento portuário podem ter prazo de até 35 anos, com possibilidade de prorrogação até o limite total de 70 anos, consideradas a vigência original e todas as extensões. O regulamento também exige fundamentação da vantagem da prorrogação em relação à realização de uma nova licitação.

Obras poderão começar antes do reequilíbrio

Outra mudança relevante envolve o Termo de Risco de Investimentos (TRI), instrumento que permite antecipar determinadas intervenções antes da conclusão da análise sobre eventual recomposição econômico-financeira.

A proposta busca aperfeiçoar sua utilização para que as empresas possam iniciar obras e implantar melhorias nas situações previstas pela regulamentação, assumindo os riscos associados à antecipação.

Na prática, o mecanismo permite separar a execução física de um investimento da definição de sua eventual compensação contratual. A antecipação da obra não assegura, por si só, o reconhecimento posterior de valores a serem ressarcidos ou compensados.

O instrumento já está previsto na regulamentação portuária. A revisão pretende aperfeiçoar seus procedimentos e ampliar a capacidade de resposta dos contratos às necessidades operacionais.

A proposta também reduz de seis para dois meses a antecedência mínima para apresentação de projetos executivos, admitindo prazos diferentes conforme a complexidade das intervenções. A medida procura diminuir o intervalo entre a elaboração dos projetos e sua implantação.

Terminais poderão mudar perfil de carga com menos burocracia

A revisão também prevê procedimentos mais simples para alterar ou incluir tipos de carga movimentados pelos terminais, inclusive temporariamente. As mudanças deverão observar o planejamento portuário e seus possíveis impactos sobre a concorrência.

A possibilidade de adaptar o perfil operacional é relevante para arrendatárias que precisam responder a mudanças nos fluxos comerciais, na demanda dos embarcadores ou nas características das cargas atendidas.

O texto propõe aproveitar estudos já realizados no âmbito dos Planos de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ), evitando a repetição de análises quando as informações disponíveis forem suficientes para fundamentar as alterações.

Outra frente envolve investimentos em infraestrutura comum dos portos, como acessos, redes elétricas, drenagem, pátios reguladores e sistemas de gestão de tráfego. A regulamentação atual já permite que arrendatárias realizem determinadas intervenções fora de suas áreas, mediante condições específicas e eventual reequilíbrio contratual.

Para situações sem alteração material do contrato ou repercussão econômico-financeira, a proposta também prevê a regularização de cronogramas por meio de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) diretamente com a Antaq.

Eletrificação e descarbonização terão prioridade

A atualização da portaria inclui mecanismos para facilitar investimentos em descarbonização, eletrificação, eficiência energética e adaptação climática, que poderão receber prioridade na tramitação administrativa.

Entre as soluções contempladas, estão equipamentos elétricos, sistemas de fornecimento de energia para navios atracados, fontes renováveis e tecnologias para reduzir o consumo de energia e recursos naturais nas operações portuárias.

A proposta também abre espaço para projetos-piloto e testes de tecnologias desenvolvidas em parceria com universidades, centros de pesquisa, startups e fornecedores. As iniciativas deverão contar com escopo, prazo e critérios de acompanhamento definidos.

Consulta pública definirá alcance das mudanças

A revisão da Portaria 530/2019 não altera a Lei dos Portos nem os decretos que regulamentam o setor. O alcance das novas regras dependerá da redação final aprovada pelo Ministério de Portos e Aeroportos após a análise das contribuições recebidas.

A discussão sobre prazos contratuais e antecipação de investimentos deverá ser um dos pontos centrais do processo, por envolver tanto a capacidade de modernização dos terminais existentes quanto as condições de competição por áreas portuárias.

A consulta pode ser acompanhada pelo portal Brasil Participativo, que disponibiliza a proposta de alteração da norma e os documentos técnicos que fundamentam a revisão.

Free flow: reação política à retomada de multas preocupa operadores

Free flow: reação política à retomada de multas preocupa operadores

O mercado de concessões rodoviárias já colocou no radar a preocupação de que o cenário político-eleitoral do país gere um novo tumulto para a consolidação do free flow, o pedágio sem cancelas. O receio maior hoje se concentra na reação política quando o governo voltar a faturar a multa de R$ 195,23 mais cinco pontos na carteira de quem não pagar o pedágio dentro do prazo legal de 30 dias.

Essa sanção está suspensa desde abril. Ela voltará a valer a partir do dia 17 de novembro. Nessa data acaba o período de 200 dias para os quais o Executivo suspendeu as penalidades relativas ao não pagamento do free flow, no que classificou como um período de transição para ajustar a comunicação da tecnologia com a sociedade.

A mesma sanção será aplicada a quem, no período dos 200 dias, não regularizou os pagamentos pela passagem nos pórticos de pedágio. Até a suspensão em abril, eram mais de 3,7 milhões de multas aplicadas pelo não pagamento do pedágio no prazo previsto.

Segundo apurou a Agência iNFRA, a centralização dos dados sobre passagem nos pórticos no aplicativo da CNH do Brasil está rodando bem – a funcionalidade está disponível desde 24 de agosto. No entanto, até o momento, a inadimplência continua em patamar semelhante ao anterior à medida. Os números variam de concessão para concessão. Enquanto algumas têm número considerado baixo, de 3%, outras chegam a 8% ou passam de dois dígitos.

A aposta é que o cenário melhore com o passar das semanas e um maior conhecimento da população sobre as formas de pagamento. Há também uma expectativa entre operadores do setor de que, nos dias mais próximos ao fim do prazo, o número de pagamentos aumente. Isso porque há desconfiança de que empresas que operam transportes estejam “fazendo caixa” com o dinheiro do pedágio. Ou seja, segurando os recursos devidos até o último momento possível como forma de melhorar o fluxo financeiro dessas companhias.

Mas, ainda assim, se a partir de 17 de novembro os inadimplentes não pagarem, o estoque de motoristas irregulares poderá ser expressivo. Em um mês (entre 21 de agosto e 20 de setembro), foram registradas 20,7 milhões de passagens em pórticos de free flow. A preocupação é que, quando a sanção financeira voltar a ser contabilizada no próximo mês, o patamar de 3,7 milhões de multas registradas no passado tenha crescido devido ao maior número de pórticos em operação. No momento, são mais de 50 equipamentos funcionando, e até o final do ano mais algumas dezenas vão entrar em atividade.

Componente político

Operadores de rodovias ouvidos reservadamente pela reportagem temem que, em razão do período eleitoral, a comunicação do governo federal reforçando a necessidade de o usuário pagar esses valores seja tímida ou não exista, pelo menos até o segundo turno – que acontece dia 25 de outubro e vai decidir se Flávio Bolsonaro (PL) vence o pleito ou Lula (PT) consegue a reeleição. Com o atual mandatário atrás em votos no primeiro turno, pautas que rendam qualquer polêmica para o governo serão evitadas ao máximo.

Mas o componente político também preocupa no pós-16 de novembro. O mercado ainda não sabe o que esperar de Flávio e sua equipe, caso ele vença a eleição, ou se a futura composição do Congresso pode tentar alguma nova medida de suspensão de multas. A postura de novos governadores também causa apreensão.

A resolução que travou as penalidades por 200 dias foi publicada pelo governo após muita cobrança política para que o patamar de multas então registrado no free flow fosse resolvido pelo poder público. A avaliação da classe política era que o sistema tinha entrado em operação no Brasil sem que os usuários tivessem conhecimento sobre os pórticos e sobre como fazer os pagamentos, gerando a inadimplência e o número de multas observados.

Agora, o cenário é outro. A centralização dos dados de passagem nos pórticos na CNH do Brasil conseguiu responder a uma demanda social e política sobre a tecnologia, enquanto as concessionárias também investiram mais na comunicação com os motoristas.

Mesmo assim, a reação política dos novos governantes que assumem em janeiro de 2027 preocupa. Em Minas Gerais, por exemplo, o governador eleito, senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), é um crítico antigo das concessões rodoviárias. Além das operações estaduais, Minas tem importantes concessões federais, entre elas uma das primeiras a rodar integralmente com free flow – o caso da BR-381.

CNH do Brasil

A decisão do governo de suspender as penalidades por não pagamento do pedágio por 200 dias tinha dois propósitos. Uma, dar tempo para que as concessionárias e o governo preparassem, junto ao Serpro (Empresa Nacional de Inteligência em Governo Digital e Tecnologia da Informação), a centralização dos dados de passagem nos pórticos dentro do aplicativo da CNH do Brasil. Na outra frente, aliviar a pressão política que crescia diante do número de multas e ajustar a comunicação com a população sobre o pedágio.

O governo informou no final de agosto que, durante os 100 primeiros dias da medida, o pagamento de cobranças de pedágio por usuários que estavam inadimplentes já havia gerado o cancelamento de 1,3 milhão de multas. Novos balanços não foram divulgados pela pasta até o momento.

Pelo aplicativo da CNH do Brasil, o usuário recebe comunicação em dois momentos. Quando a concessionária confirma os dados da passagem, ela é registrada como pendente de pagamento e sobe para o sistema federal. Nesse momento, o motorista recebe um primeiro alerta (push no aplicativo do celular) para informar que a cobrança está disponível para pagamento.

Caso o usuário não pague, um segundo alerta é enviado faltando cinco dias para o vencimento do prazo de 30 dias. Atualmente, esse push não fala sobre geração de multa em caso de não quitação, mas isso passará a ser feito a partir de 17 de novembro.

Futuro

A implementação do free flow no Brasil é vista como um processo inexorável dentro do governo e do mercado devido às vantagens geradas pelo sistema. A tecnologia representou uma evolução do modelo das praças de pedágio, dando mais agilidade para a via e fazendo com que o usuário pague pelo que efetivamente percorreu. As praças de pedágio já são consideradas defasadas e menos justas na cobrança da tarifa.

As concessões que já adotam free flow o fizeram numa migração das praças físicas que estavam previstas na modelagem ou que já estavam em operação. Agora, os próximos contratos vão passar por uma evolução, porque já incorporam desde o estudo econômico-financeiro inicial o conceito do pagamento mais pulverizado ao longo da via –, o que exige a presença de mais pórticos na comparação com as praças físicas e também um novo sistema de precificação do pedágio, que vai funcionar com quatro modelos.

Os próximos leilões rodoviários do governo neste modelo serão da Rota 2 de Julho e da Rota Agro Central, que acontecem nos dias 18 e 17 de dezembro, respectivamente.

Diretor de Relações Institucionais da ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), Guilherme Bianco classificou a implementação do free flow no Brasil e a integração dos dados na CNH como um sucesso. “Já são 16 concessionárias operando, com mais de 20 milhões de passagens por mês. Tem dado certo, e nós acreditamos que esse é o caminho da evolução do free flow”, afirmou à reportagem.

Procurado, o Ministério dos Transportes não retornou até o fechamento desta reportagem.

Setor de transporte de cargas se prepara para o novo ES

Setor de transporte de cargas se prepara para o novo ES

Transformação logística impulsiona competitividade e infraestrutura estadual

O Espírito Santo vive a expectativa de um salto econômico sem precedentes, com R$ 104,3 bilhões em investimentos previstos até 2031, segundo a Bússola de Investimentos Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).

Focado no comércio exterior, o território capixaba busca se consolidar como um hub logístico multimodal. São projetados portos com calados para receber supernavios, ampliação de ferrovias, duplicação de rodovias, novos aeroportos, além de outros investimentos em diferentes áreas.

Essa transformação ocorre em paralelo à transição da Reforma Tributária, que prevê o fim gradual dos incentivos fiscais e a mudança da cobrança do imposto para o local onde a mercadoria é consumida (destino). Com isso, o Espírito Santo deixa de competir pela atração tributária e passa a ser cobrado por eficiência logística. Nesse contexto, o transporte rodoviário de cargas é o elo para conectar as fábricas, o campo, os portos e os grandes centros de consumo do Brasil.

A Nova Lógica Fiscal e a Produtividade do Estado

Na nova perspectiva fiscal, a escolha das empresas sobre onde instalar seus centros de distribuição passa a depender da qualidade da infraestrutura, da agilidade nas entregas e da capacidade de reduzir custos logísticos reais.

O Secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume, destaca que a atratividade do Espírito Santo precisa migrar para a eficiência concreta: “Com a Reforma Tributária, a competição entre os Estados tende a migrar cada vez mais da vantagem fiscal para a vantagem de infraestrutura e eficiência. O Espírito Santo está se preparando para esse novo cenário. Temos localização estratégica, investimentos importantes em portos, rodovias e ferrovias, e um ambiente de negócios favorável. Nosso desafio é integrar esses ativos para reduzir custos, aumentar a eficiência e consolidar o Estado como um dos principais hubs logísticos do Brasil”, ressaltou.

Sob a ótica econômica, a logística deixa de ser um mero serviço de passagem de caminhões e passa a atuar como motor de diversificação do Produto Interno Bruto (PIB) capixaba. Felipe Storch, economista-chefe do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (Ibef-ES), explica como a infraestrutura logística tem impacto direto sobre a produtividade das empresas, porque determina quanto tempo, capital e trabalho são necessários para transportar determinada quantidade de mercadorias.

“Para as transportadoras, a melhoria da infraestrutura pode representar mais viagens realizadas com a mesma frota, menor consumo de combustível por unidade transportada, redução de despesas com manutenção e melhor aproveitamento dos veículos. Esses ganhos contribuem para elevar a produtividade e podem melhorar a rentabilidade das operações”, ressalta.

Em sua análise, a principal transformação será a redução gradual do peso das vantagens tributárias e o aumento da importância da produtividade logística como fator de competitividade. “Para o Espírito Santo, isso reforça a necessidade de acelerar a modernização da infraestrutura e melhorar a integração entre portos, rodovias, ferrovias e centros de distribuição”, pontuou.

Frota em Expansão, Custos e a Falta de Mão de Obra

A maior movimentação de produtos reflete no volume de veículos em circulação no Estado. Dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES) apontam que o Espírito Santo atingiu a marca de mais de 2,6 milhões de veículos registrados ao final de 2025. Desse total, cerca de 350 mil são caminhões.

Para dar conta da demanda criada pelos novos terminais, as empresas de transporte de cargas estão investindo na expansão e renovação de frotas, assim como em tecnologia, gestão e qualificação profissional, de acordo com Luiz Alberto Teixeira, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística no Estado do Espírito Santo (Transcares).

Contudo, a compra de novos veículos não resolve o problema por si só se não houver fluidez nas estradas e condições operacionais nas pontas, segundo Teixeira, que explica que a capacidade do setor depende de estrutura e do controle dos custos que pesam sobre as frotas: “Mas é importante lembrar que capacidade de transporte não se constrói apenas com caminhões. A isso se somam custos operacionais elevados, que pressionam diretamente a atividade, como combustível, manutenção, pneus, mão de obra e seguros. Quando o caminhão perde tempo em congestionamentos, acessos inadequados ou operações pouco eficientes, esse custo se multiplica e acaba impactando toda a cadeia”.

Sobre o desafio de formar e reter talentos nas empresas, o presidente do Transcares complementa: “Não é de agora que a falta de profissionais qualificados é uma preocupação para o setor. E importante destacar aqui que não estamos falando apenas de motoristas: a transformação da logística também aumenta a demanda por profissionais preparados para atuar com tecnologia, gestão, manutenção, operação e planejamento”.

Teixeira complementa: “Só que não nos basta formar, precisamos criar condições para reter esses profissionais. Isso passa por valorização, desenvolvimento de carreira, melhoria das condições de trabalho e, no caso dos motoristas, por uma estrutura de apoio adequada nas rodovias”.

Condições das Rodovias e Gargalos de Acesso

A eficiência do transporte esbarra na qualidade da malha rodoviária. De acordo com os dados do Painel da Pesquisa Confederação Nacional dos Transportes (CNT) de Rodovias, 68,5% da extensão rodoviária avaliada no Espírito Santo apresenta classificação de regular a péssima no seu estado geral.

O presidente do Transcares destaca a integração modal: “O setor precisa de planejamento integrado. Não adianta ampliar a capacidade portuária se os acessos terrestres não acompanharem esse crescimento. O Espírito Santo tem uma oportunidade muito grande de se consolidar como um importante corredor logístico, mas isso exige que rodovias, portos, áreas de apoio e segurança avancem de forma coordenada”.

Em resposta, o Governo do Estado lista as intervenções em andamento para liberar os acessos aos polos portuários e industriais: “O Estado vem realizando investimentos na implantação, recuperação e modernização da malha rodoviária estadual, principalmente nas conexões entre terminais portuários e eixos rodoviários. O acesso aos portos de Aracruz é um bom exemplo. Um anel de contorno de Aracruz e a duplicação da ES-257, somada à nova rodovia ES-115, uma terceira via de acesso entre Aracruz e a região industrial de Serra, serão fundamentais para a eficiência daquele complexo”, afirma Salume.

Salume também cita o início de contratação do novo trecho de 120 quilômetros da BR-262, duplicado e parcialmente financiado pelo Governo do Estado. Além disso, a duplicação da BR-101 já soma cerca de 20 quilômetros de pistas entregues desde o início do atual contrato de concessão com a Ecovias Capixaba, assinado em agosto de 2025. Os trechos estão distribuídos entre Serra, Guarapari, Anchieta e Iconha. 

O Triângulo dos Galpões e a Expansão do E-commerce

Para Alexandre Malta, presidente da Associação de Venda Não Presencial do Brasil (AvenpesBR), a expansão do comércio eletrônico está consolidando a Grande Vitória como um dos principais entrepostos de armazenamento e despacho de mercadorias do Estado para o Brasil.

A posição geográfica atrai grandes varejistas digitais. Segundo Malta, o Estado vem construindo essa posição com infraestrutura, equilíbrio fiscal, ambiente de negócios competitivo e atração de empresas de referência. “A Amazon, por exemplo, inaugurou uma operação de fulfillment – conjunto de etapas da logística que vai desde o pedido até a entrega do produto – no Estado, em parceria com a DHL, enquanto a Shopee anunciou um novo centro de distribuição; o Mercado Livre já mantém operações de distribuição no território capixaba.”

Para o presidente da AvenpesBR, a agilidade para atender os grandes centros está sendo construída pela integração de soluções com a infraestrutura do Estado e com uma maior utilização dos modais aéreo e marítimo, conforme o perfil da carga.

“A AvenpesBR também desenvolve estudos com o setor para identificar oportunidades de consolidação de cargas de mesmo perfil e destino. Ao reunir volumes de diferentes empresas, buscamos melhorar a ocupação dos veículos, reduzir custos e ampliar a eficiência logística, respeitando as necessidades de cada operação.”

O Cooperativismo de Cargas e a Conexão com o Interior

Para a transformação do Espírito Santo em hub logístico, o cooperativismo de transporte surge como a ferramenta capaz de dar escala ao caminhoneiro autônomo, permitindo que ele participe das grandes cadeias de escoamento e mantenha a renda gerada nas comunidades locais. 

O Anuário do Cooperativismo Capixaba aponta que o ramo de transporte é o segundo maior em número de cooperativas nesse modelo de negócio no Estado, são 26. Juntas, somam mais de 10,2 mil cooperados e 681 colaboradores. Em 2025, o segmento movimentou R$ 831,9 milhões – um avanço de 29,3% sobre o ano anterior –, transportando 456,8 mil toneladas de cargas sólidas e 35,7 milhões de litros de cargas líquidas.

Andréa Silvério, analista contábil tributária do Sistema da Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado (OCB/ES), explica como o modelo coletivo protege a competitividade do pequeno transportador, já que permite atuação de forma coordenada, compartilhamento de estrutura e mais oportunidades de negócios.

Para Andréa, ao reunir transportadores autônomos em uma estrutura coletiva, são criadas condições para negociação, organização da oferta, acesso a mercados e investimentos que seriam mais difíceis individualmente. “Nesse ambiente, a cooperativa funciona como instrumento para que o transportador autônomo não fique à margem desse processo e possa acessar mercados de maior escala, preservando a natureza empreendedora de sua atividade e garantindo que os benefícios desse crescimento também alcancem os pequenos e médios empreendedores do setor”, afirmou.

Futuro do transporte

Essa integração ganha forma prática no setor cafeeiro com o case da marca Vexgo – que nasceu da junção entre duas cooperativas de Santa Maria de Jetibá: a Nater Coop, com a originação, a armazenagem e a comercialização do café, e a Coopetranserrana, com os motoristas cooperados e a operação de transporte.

Em vez de contratar fretes externos, o modelo garante caminhão disponível para escoar a produção até as indústrias e portos, mantendo o retorno econômico do transporte dentro do próprio sistema cooperativo capixaba. Vale lembrar que o Espírito Santo é o segundo maior produtor de café do Brasil, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e o produto é o principal item da pauta exportadora do agro capixaba.

Marcelino Bellardt, CEO da Nater Coop, destaca como a parceria resolve a logística do produtor rural no campo: “A Vexgo mostra que a intercooperação pode ser um modelo de negócio, e não apenas um princípio. Duas cooperativas somaram o que cada uma faz de melhor para resolver a logística do nosso cooperado”.

A transição fiscal e a chegada dos novos aportes reforçam que o futuro do transporte capixaba dependerá da produtividade real nas estradas, da tecnologia e da integração entre o campo, a indústria e os portos. Felipe Storch, economista-chefe do IBEF-ES, destaca o objetivo final desse ciclo de investimentos para o Estado:

“Em síntese, o Espírito Santo tem condições de se consolidar como um dos principais polos logísticos e industriais do país. Mas precisamos compreender que o objetivo não deve ser apenas aumentar o volume de mercadorias que passam pelo estado. O verdadeiro desenvolvimento acontece quando conseguimos transformar essa movimentação em investimentos produtivos, geração de renda, empregos e ganhos de produtividade para toda a economia capixaba”.