por imprensa | jul 20, 2026 | Notícias, Rodoviário
As novas regras para o transporte de cargas aprovadas pelo Congresso Nacional a partir da MP (Medida Provisória) 1.343, a chamada MP do Frete, devem implicar aumento no preço dos combustíveis na bomba, disseram fontes desse mercado à Agência iNFRA. O texto final, que aguarda sanção presidencial para conversão em lei, institui mecanismos que ampliam punições ao descumprimento dos pisos, ponto que sofreu maior resistência do setor, além de confirmar a atualização da tabela de fretes mínimos em caso de oscilação de 5% no preço do diesel usado pelos caminhões.
Criado por ocasião da greve dos caminhoneiros, o instrumento do frete mínimo já existe desde 2018, mas era desrespeitado em vários setores da economia. No setor de combustíveis, grandes empresas como Vibra e Raízen, que utilizam o transporte rodoviário para distribuírem os produtos, apareciam no topo da lista de empresas mais autuadas por essa prática, divulgada pelo governo em março.
Agora aprovadas em definitivo, as medidas de ‘enforcement’ da nova legislação, mais do que a atualização do piso, devem forçar todo o setor a observar as regras, acarretando aumento nos custos logísticos, o que será repassado ao consumidor final.
Interior pesa
“Tudo isso vai ao preço final. A operação para postos em regiões metropolitanas já cobre o frete mínimo na maioria das vezes, e aí o impacto no preço será menor. Mas as operações para o interior, onde a ‘ginástica logística’ é maior e pesa mais, com volumes menores ou fracionados, podem sentir mais”, reconhece um interlocutor próximo a distribuidoras de combustíveis de médio e pequeno porte.
Na média nacional, diz uma fonte do setor, o custo logístico no preço final dos combustíveis, que inclui principalmente transporte – mas também outros serviços como tancagem, por exemplo – representa entre 80% e 85% da margem bruta da distribuição de combustíveis, podendo chegar a 90% ou mais no interior do Brasil, em estados como Mato Grosso, que ficam longe dos polos de refino. No Sudeste, que concentra refinarias e facilidades logísticas, é comum que esse custo fique abaixo da média do país.
Com margens líquidas apertadas, a depender da envergadura, essas empresas repassarão integralmente os custos com o frete mínimo e multas ligadas ao descumprimento ou, no caso de empresas menores, simplesmente deixarão de atender os pontos mais distantes e menos rentáveis da sua mancha de atuação.
Um aumento nas bombas, ainda que marginal, se somaria à inflação por efeito da guerra no Oriente Médio, por enquanto aplacada pelo pacote de subvenção a importadores.
Penalidades
O texto aprovado prevê a aplicação de multa de até R$ 1 milhão para reincidência de contratação de frete abaixo do piso. O valor foi decidido após forte atuação do setor de combustíveis, diz um executivo, uma vez que o conteúdo inicial da MP enviada pelo governo previa multas de até R$ 10 milhões.
Os agentes também atuaram por normas mais brandas na possibilidade de suspensão e cancelamento do RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas) – documento obrigatório. O cancelamento, sanção mais definitiva, foi alvo de pressões contrárias da indústria.
O texto original vinculava o cancelamento do registro do transportador à simples reincidência de suspensão. Já o texto finalmente aprovado, mais brando, traz o conceito de “contumácia”, que exige dois ou mais processos de suspensão com decisão definitiva e mais uma nova suspensão, tudo dentro de um período de dois anos.
Frete de retorno e fracionado
As reclamações do setor produtivo e da cadeia de combustíveis sobre frete mínimo não são novas, se acumulando desde 2018, inclusive com uma série de ações do STF (Supremo Tribunal Federal). Mas com a ameaça mais clara das penalidades agora, devem ganhar maior tração.
As novas regras, dizem executivos de distribuidoras, reduzem muito o espaço para alguns modelos de frete ainda comuns no setor de combustíveis, com pagamento abaixo do mínimo em função de cargas fracionadas ou da lógica do “frete de retorno”. Nesse último caso, o preço mais baixo de uma viagem de ida ainda seria vantajoso para alguns transportadores porque é possível fazer o caminho de volta com outra carga. É comum nesse mercado a interiorização de volumes com origem fóssil e retorno de etanol e biodiesel.
Já no “frete fracionado”, um caminhão que comportaria até 30 mil litros de combustível, por exemplo, pode carregar apenas um compartimento com 10 mil litros ou congregar operações com fretes abaixo do mínimo. “O CIOT [Código Identificador da Operação de Transporte] de 10 mil litros não atende o [frete] mínimo, porque é só um pedaço do total do caminhão”, diz. “Tem várias situações que não são cobertas pelo sistema. Isso vai bloquear o CIOT, e serão multas atrás de multas”, diz uma fonte.
Outra queixa do setor é a questão do CIOT em frete de retorno “vazio ou inexistente”, que ainda deverá ser endereçada pela ANTT, segundo um observador. Em alguns casos, como no transporte de QAV (querosene de aviação), por exemplo, o caminhão não pode transportar outros líquidos no retorno e, mesmo assim, transportadores emitiriam Ciot simbólico, invariavelmente abaixo do frete mínimo, o que gera multas.
“Para cargas especializadas, o retorno vazio, mesmo que negociado no preço, não deveria permitir geração de CIOT, porque não configura transporte”, reclama um executivo. Segundo ele, a ANTT já teria sinalizado que vai endereçar a questão, mas a leitura é que nada deve acontecer antes da eleição para não estressar a relação com os caminhoneiros. O outro lado da moeda, admite a fonte, é que agentes se aproveitem de um eventual mecanismo de excepcionalidade para embarcar produto ilegalmente nesses retornos vazios, driblando o frete.
Tais modelos enfrentariam dificuldade na emissão do CIOT conforme as regras aprovadas no Congresso, pelas quais a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) poderá impedir a emissão do registro eletrônico que regulariza a operação de transporte de carga caso perceba que o frete está abaixo do piso. Sem o registro, a empresa que contratou o serviço estará sujeita a multas.
Lista do governo
Em março deste ano, o ministro dos Transportes, Renan Filho, divulgou uma lista com o nome das empresas que “mais descumpriram” o frete mínimo nos quatro meses anteriores. Na relação constavam Vibra e Raízen, duas das três distribuidoras de combustíveis que dominam esse mercado.
À época, ambas as empresas afirmaram, por meio de nota, que não utilizam transporte autônomo, mas sim contratos com transportadoras de grande porte, e que a remuneração do frete segue modelos próprios compostos por parcelas fixas e variáveis. Sustentaram ainda que eventuais análises que consideram apenas parte dessa composição não refletem o valor real pago nas operações, podendo levar a interpretações distorcidas sobre os preços praticados.
por imprensa | jul 17, 2026 | Eventos, Notícias, Outros
Especialista em Política Internacional e Geopolítica participará da programação do evento, com reflexões sobre as transformações políticas globais e seus impactos no ambiente econômico e empresarial
A segunda edição do CONET&Intersindical 2026, promovida pela NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, contará com uma palestra dedicada à análise das transformações políticas internacionais e de seus possíveis reflexos sobre a economia, o ambiente de negócios e as cadeias produtivas.
O evento será realizado entre os dias 27 e 29 de agosto de 2026, no Hotel Vila Galé Ouro Preto (MG), tendo como entidade anfitriã a FETCEMG – Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais, com o apoio dos sindicatos filiados à federação.
A palestra “O Novo Cenário Geopolítico Mundial” integrará a programação da Intersindical e proporcionará aos participantes uma análise sobre os movimentos políticos e estratégicos que vêm redesenhando as relações entre os países e influenciando o comércio, os investimentos, as cadeias de suprimentos e o planejamento das empresas.
Em um contexto internacional marcado por disputas comerciais, conflitos regionais, mudanças nas alianças entre países e novas dinâmicas de poder, acompanhar os desdobramentos da geopolítica tornou-se fundamental para compreender os riscos e as oportunidades que podem afetar diferentes setores da economia.
Para conduzir esse debate, o CONET&Intersindical receberá Marcelo Suano, fundador e diretor de Projetos do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais, consultor especializado em Política Internacional e Geopolítica, além de comentarista em veículos como Revista Oeste e RecordNews. Com ampla experiência na análise de cenários nacionais e internacionais, o palestrante levará ao evento uma abordagem voltada à compreensão das transformações políticas globais e de suas consequências para o ambiente econômico e empresarial.
Marcelo Suano é Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), com especialização em Pensamento Político e Militar Brasileiro, e também é filósofo pela mesma universidade. Entre suas obras e artigos publicados, destacam-se os livros “Para inserir o Brasil no Reino da História – o Pensamento Político e Militar do Gen. Góes Monteiro” e “Como destruir um País – uma aventura socialista na Venezuela”.
A palestra proporcionará aos participantes uma visão ampliada sobre os fatores geopolíticos que influenciam a economia global e, consequentemente, o ambiente de negócios em que atuam as empresas do Transporte Rodoviário de Cargas. Compreender essas transformações tornou-se imperativo para o planejamento
estratégico e para a tomada de decisões em um mercado cada vez mais conectado aos movimentos internacionais.
O CONET&Intersindical 2026 reunirá empresários, executivos, representantes de entidades, autoridades e especialistas de todo o país para promover conhecimento, relacionamento e debates sobre os principais desafios e oportunidades do setor, consolidando-se como um dos mais relevantes encontros do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil.
As inscrições para o evento estão abertas, clique aqui e faça parte do evento.
A Programação Preliminar está disponível abaixo e poderá sofrer ajustes até a realização do evento.
26 de agosto de 2026 | CONET&INTERSINDICAL
19h – Coquetel de Boas-Vindas | ESPAÇO EXPOSIÇÃO Oferecido pela FETCEMG
27 de agosto de 2026 | CONET&INTERSINDICAL 10h – Credenciamento
10h30 | 12h – Abertura Oficial 12h | 13h – Almoço
27 de agosto de 2026 | CONET
13h30 | 14h – PAINEL: MERCADO E TARIFAS
- Integrantes da Mesa:
- Eduardo Ferreira Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
- Antonio Luiz Leite – Vice-Presidente da NTC&Logística
- Gladstone Lobato – Presidente da FETCEMG
Palestrante: Engo Lauro Valdivia, Assessor Técnico da NTC&Logística
- Atualização do INCT (Índice Nacional de Custos do Transporte)
- Apresentação da Pesquisa de Mercado DECOPE – 1º semestre de 2026
14h | 15h – ENCONTRO COM EMPRESÁRIOS DO TRC
- Eduardo Ferreira Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
- Antonio Luiz Leite – Vice-Presidente da NTC&Logística
- Gladstone Lobato – Presidente da FETCEMG
- Engº Lauro Valdivia Neto – Assessor Técnico da NTC&Logística
- José Maria Gomes – Diretor Financeiro da NTC&Logística
Empresários confirmados:
- Oswaldo Vieira Caixeta Junior, Sócio-Diretor da Transac Transporte e Presidente da ABTLP
- Julio Eduardo Simões, Sócio-Diretor da Locar Guindastes e Transportes Intermodais e Presidente do SINDIPESA
- Márcio Afonso de Moraes, CEO da Lenarge Transportes e Serviços Ltda
15h | 15h45 – Palestra: REFORMA TRIBUTÁRIA
Palestrante: Reinaldo Lage Rodrigues de Araújo, Assessor Jurídico Tributário da FETCEMG
15h45 | 16h30 – Palestra: ÍNDICE CNT DE CONFIANÇA
Palestrante: Fernanda Schwantes, Gerente-Executiva de Economia da CNT – Confederação Nacional do Transporte
16h30 | 17h – INVESTIMENTOS REALIZADOS E PROJETOS PARA O TRC
Palestrante convidado: INFRA S.A. 17h | 17h30 – Intervalo
17h30 | 18h15 – TALKS FORNECEDORES DA CADEIA PRODUTIVA DO TRC
- Eduardo Ferreira Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
- Antonio Luiz Leite – Vice-Presidente da NTC&Logística
- Gladstone Lobato – Presidente da FETCEMG
- Engº Lauro Valdivia Neto – Assessor Técnico da NTC&Logística
- GEOTAB
- MERCEDES-BENZ
- ROADCARD
- TRANSPOCRED
- VOLKSWAGEN CAMINHÕES E ÔNIBUS
18h15 | 19h45 – Palestra: CENÁRIO ECONÔMICO E PERSPECTIVAS PARA O TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS
- Eduardo Ferreira Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
- Antonio Luiz Leite – Vice-Presidente da NTC&Logística
- Gladstone Lobato – Presidente da FETCEMG
Palestrante: Rita Mundim
Economista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Especialista em Mercado de Capitais pela UFMG e em Ciências Contábeis pela Fundação Getúlio Vargas (FGV); Mestre em Administração pela FEAD-MG; Professora convidada da Fundação Dom Cabral desde 1990; Professora de Mercado de Capitais no IBMEC; Diretora da Aporte Educacional; Administradora de Carteiras autorizada pela CVM; Certificações ANBIMA: CFG e CGA; Comentarista econômica da Rádio Itatiaia; participações como comentarista na CNN Brasil; experiência em cenários econômicos, juros, inflação, mercado financeiro, cooperativismo e governança.
Jornalista e estrategista em comunicação corporativa, com atuação em cenários econômicos e empresariais. Atualmente, é uma das palestrantes mais requisitadas em eventos empresariais e do setor produtivo.
19h45 – Considerações Finais e Encerramento das atividades do dia 19h45 – Coquetel de Boas-Vindas | ESPAÇO EXPOSIÇÃO
Oferecido pela FETCEMG
28 de Agosto de 2026 | INTERSINDICAL 9h – Abertura da INTERSINDICAL
PALESTRA INAUGURAL: O NOVO CENÁRIO GEOPOLÍTICO MUNDIAL
Palestrante: Marcelo Suano
Cientista político, analista de risco político, professor universitário e comentarista brasileiro. Mestrado e Doutorado em Ciência Política pela USP (Universidade de São Paulo), com pesquisas ligadas ao pensamento político e militar brasileiro.
10h30 | 12h30 – AGENDA INSTITUCIONAL DA NTC&LOGÍSTICA
Tema : Principais pautas técnicas e institucionais em andamento no TRC.
- Integrantes da Mesa:
- Eduardo Ferreira Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
- Antonio Luiz Leite – Vice-Presidente da NTC&Logística
- Gladstone Lobato – Presidente da FETCEMG
- José Maria Gomes – Diretor Financeiro da NTC&Logística
- Marcos Aurélio Ribeiro – Diretor Jurídico da NTC&Logística
- Narciso Figueirôa Junior – Assessor Jurídico da NTC&Logística
- Gil Menezes – Assessora Jurídica da NTC&Logística
- Edmara Claudino – Assessora de Relações Institucionais da NTC&Logística
- Waldomiro Milanesi – Delegado e especialista em segurança
- Engº Lauro Valdivia Neto – Assessor Técnico da NTC&Logística
- Conteúdo:
- Impactos da redução da jornada semanal no TRC
- Avaliação das negociações coletivas no TRC
- Demandas regulatórias junto à ANTT: CIOT; Piso minimo de frete
12h30 | 14h – Almoço
14h | 15h – PALESTRA: REGULAMENTAÇÃO DO SETOR
Palestrante convidado: Guilherme Theo Sampaio – Diretor-Geral da ANTT
15h | 16h30 – PALESTRA: PESQUISAS ELEITORAIS E PROJEÇÕES PARA AS ELEIÇÕES DE 2026
Palestrante: Marcelo Costa Souza
Graduação em Estatística pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1999, e Mestrado em Estatística e Experimentação Agropecuária pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), em 2002. Foi professor das disciplinas de Bioestatística, Epidemiologia e Estatística Experimental para alunos de graduação e pós-graduação da Universidade José do Rosário Vellano (UNIFENAS), de 2002 a 2005. Desde 2006,
atua como diretor da MDA PESQUISA. Tem vasta experiência na área de análise e interpretação de dados, modelagem e gerenciamento de bancos de dados complexos.
16h30 – CONSIDERAÇÕES FINAIS – ENCERRAMENTO
19h | 0h – JANTAR FESTIVO DE ENCERRAMENTO | ESPAÇO EXPOSIÇÃO OFERECIDO PELO SETCEMG
29 de Agosto de 2026 | VISITA TÉCNICA
9h | 12h Visita Técnica à Mineradora de Ferro – Região de ACURI
Saída do ônibus do hotel Villa Galé às 8h e retorno às 12 horas
As inscrições para o evento estão abertas. Clique aqui e faça parte do evento.
As reservas de hospedagem também estão disponíveis. Garanta sua participação realizando a reserva no hotel do evento, clicando aqui.
Realização
l NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística)
Entidade Anfitriã
l FETCEMG – Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais
Apoio
l Sindicatos filiados à FETCEMG
Patrocínio
l FENATRAN l GEOTAB
l MERCEDES-BENZ l ROADCARD
l TRANSPOCRED
Apoios Institucionais
l Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte / SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte / ITL – Instituto de Transporte e Logística)
l FuMTran (Fundação Memória do Transporte)
Apoio Logístico
l Braspress
por imprensa | jul 17, 2026 | Notícias, Outros
Termo firmado entre Autoridade Portuária de Santos e governo paulista cria modelo de governança exigido pelo TCU para liberação dos recursos da União
O projeto do túnel imerso entre Santos e Guarujá deu mais um passo para sair do papel. A Autoridade Portuária de Santos (APS) e o governo do Estado de São Paulo assinaram, nesta terça-feira (15), um Termo de Compromisso que estabelece as regras para a gestão do aporte de R$ 2,6 bilhões da União destinado à obra.
O acordo atende a uma exigência do Tribunal de Contas da União (TCU), que condicionou a liberação dos recursos federais à criação de um modelo de governança capaz de garantir transparência, controle e segurança jurídica sobre a aplicação do dinheiro público.
O documento foi assinado pelo presidente em exercício da APS, Júlio Cézar Alves de Oliveira, e pelo secretário de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo, Rafael Benini.
Os recursos sob responsabilidade da APS correspondem à metade do aporte público previsto no contrato de concessão do empreendimento. Pelo modelo definido, o dinheiro federal permanecerá depositado em uma conta vinculada (escrow account), sob titularidade da União, até que sejam cumpridas as condições para cada desembolso.
A transferência dos valores para o governo paulista ocorrerá apenas após a emissão de um relatório técnico e de uma manifestação formal aprovada pela própria Autoridade Portuária de Santos, mecanismo que busca assegurar que os pagamentos acompanhem o avanço físico da obra.
Além de regulamentar a liberação dos recursos, o termo cria o Comitê Técnico de Governança do Custeio Federal, órgão permanente responsável por acompanhar a execução do projeto.
O colegiado será composto por representantes da APS, da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) e da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). Também poderão participar representantes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e do Ministério de Portos e Aeroportos.
Segundo o acordo, o comitê terá como função coordenar a troca de informações entre os órgãos envolvidos, monitorar a execução físico-financeira da obra e acompanhar a gestão de riscos durante a implantação do túnel.
Considerado um dos principais projetos de infraestrutura logística do país, o Túnel Santos-Guarujá deverá substituir parte da travessia atualmente realizada por balsas, reduzindo o tempo de deslocamento entre as duas cidades e melhorando o acesso ao Porto de Santos, o maior da América Latina. O empreendimento será executado por meio de concessão com participação financeira dos governos federal e estadual.
por imprensa | jul 17, 2026 | Notícias, Outros
Proposta pretende assegurar infraestrutura mínima para o cumprimento das normas de segurança viária e trabalhista; texto está em tramitação na Câmara dos Deputados
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 22/2025, em tramitação na Câmara dos Deputados, prevê a criação de uma Política Nacional de Apoio à Atividade de Transporte Rodoviário Profissional. O texto prevê que motoristas profissionais não sejam penalizados quando a falta de locais adequados de descanso impedir o cumprimento dos intervalos obrigatórios, além de flexibilizar o período de repouso em viagens de longa distância.
A PEC acrescenta os artigos 139 e 140 ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da Constituição Federal e estabelece que a política deverá ser criada pela União, em articulação com estados, o Distrito Federal, os municípios e o setor privado.
O objetivo é assegurar infraestrutura mínima para o cumprimento das normas de segurança viária e trabalhista para motoristas profissionais, tanto do transporte de cargas quanto de passageiros.
O QUE DIZ A PEC 22/2025?
A proposta define como infraestrutura mínima a existência de locais de repouso e descanso, dotados de condições adequadas de segurança, higiene e repouso para motoristas profissionais, empregados ou autônomos.
O texto também prevê que o Poder Executivo estabeleça critérios técnicos para classificar os trechos rodoviários, urbanos e rurais, de acordo com a suficiência dessa infraestrutura.
De acordo com a PEC, deverá ser publicado anualmente, pela União, um relatório oficial com o mapeamento da cobertura de locais de repouso e descanso destinados aos motoristas profissionais e a atualização da classificação dos trechos rodoviários. A proposta também estabelece que os pontos de repouso e descanso deverão ser reconhecidos pelos órgãos competentes.
MOTORISTA NÃO PODERÁ SER PENALIZADO
Pela proposta, o motorista em atividade de transporte rodoviário profissional não poderá ser penalizado quando a ausência de locais adequados de parada impedir o cumprimento dos intervalos obrigatórios. Para que isso aconteça, a falta de infraestrutura do ponto de descanso deve ser reconhecida pelo poder público.
Além disso, as penalidades decorrentes do descumprimento do tempo de descanso dos motoristas profissionais devem observar o grau de descumprimento.
DESCANSO FLEXIBILIZADO
Outro ponto relevante tratado pela proposta é a possibilidade de os motoristas profissionais que realizam viagens longas flexibilizarem o tempo de descanso. Atualmente, a Lei do Caminhoneiro prevê 11 horas de descanso por dia, das quais pelo menos oito devem ser cumpridas de forma ininterrupta entre duas jornadas de trabalho.
A PEC 22/2025 mantém essa exigência, mas estabelece que, em viagens de longa distância – aquelas com duração superior a 24 horas –, o período de descanso poderá ser fracionado enquanto as rodovias não tiverem pontos de parada suficientes. No entanto, esse fracionamento será condicionado à celebração de acordo ou convenção coletiva de trabalho.
Por fim, a proposta ainda estipula acúmulo de períodos de descanso semanal remunerado, limitado a quatro períodos consecutivos, desde que também exista previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho.
PRÓXIMAS ETAPAS DE TRAMITAÇÃO NA CÂMARA
A admissibilidade da proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados em junho de 2026. Segundo a Agência Câmara de Notícias, o relator da PEC 22/2025 na CCJ, deputado Zé Trovão (PL-SC), recomendou a aprovação da proposta.
Para ele, a legislação vigente estabelece parâmetros objetivos quanto à jornada de trabalho e aos períodos de descanso dos motoristas profissionais, com vistas à preservação da segurança viária e da saúde do trabalhador. “Todavia, a realidade das rodovias brasileiras evidencia a insuficiência de infraestrutura adequada para o cumprimento dessas exigências”, alertou.
Com a aprovação da admissibilidade, a PEC 22/2025 segue agora para análise de mérito por uma comissão especial, responsável por avaliar o conteúdo da proposta e propor alterações no texto original. De acordo com a Câmara dos Deputados, o colegiado tem o prazo de 40 sessões do Plenário para votar a proposta.
Após essa etapa, a PEC passará para o Plenário, onde precisará receber o apoio de pelo menos 308 deputados em dois turnos de votação.
por imprensa | jul 17, 2026 | Notícias, Outros
Alteração aprovada pelo Congresso permite que os registros do equipamento passem a ser utilizados como elemento para comprovação de excesso de velocidade. Medida ainda depende de sanção presidencial
Uma das mudanças mais relevantes incluídas no Projeto de Lei de Conversão (PLV) nº 6/2026, que teve origem da Medida Provisória nº 1.343/2026, pode alterar a forma como se realiza a fiscalização dos veículos de carga no Brasil.
O texto aprovado pelo Congresso Nacional modifica o artigo 218 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para atribuir maior relevância aos registros produzidos pelo tacógrafo, permitindo que eles sejam utilizados como elemento para a caracterização da infração por excesso de velocidade.
Embora a proposta ainda aguarde sanção presidencial, a mudança já desperta atenção entre caminhoneiros, empresas transportadoras e especialistas em trânsito.
O que é o tacógrafo?
Conhecido popularmente como “caixa-preta” dos caminhões, o tacógrafo é um equipamento destinado ao registro contínuo de informações como velocidade desenvolvida pelo veículo, distância percorrida e tempo de direção.
Seu uso é obrigatório em diversas categorias de veículos, especialmente aqueles destinados ao transporte de cargas e passageiros.
Além de auxiliar no controle da jornada dos motoristas e nas investigações de sinistros, o equipamento passa por verificações metrológicas periódicas para garantir a confiabilidade dos dados registrados.
O que muda?
Até hoje, a fiscalização do excesso de velocidade ocorre principalmente por meio de radares, equipamentos medidores regulamentados e outras formas previstas na legislação.
Com a alteração aprovada pelo Congresso, os registros produzidos pelo tacógrafo passam a ganhar relevância como elemento para caracterização dessa infração.
De acordo com o especialista em trânsito Celso Alves Mariano, trata-se de uma mudança significativa para o transporte rodoviário de cargas.
“O tacógrafo deixa de ser apenas um equipamento destinado ao registro operacional e passa a assumir um papel mais relevante também na fiscalização de velocidade, o que poderá ampliar sua importância nas ações dos órgãos de trânsito.”
O que muda para caminhoneiros?
Na prática, cresce a importância de manter o equipamento funcionando corretamente, com a verificação metrológica em dia e sem qualquer irregularidade que comprometa a confiabilidade dos registros.
Especialistas também recomendam que empresas transportadoras reforcem os procedimentos internos de controle do equipamento, já que seus registros poderão ter consequências diretas na fiscalização.
Ainda haverá regulamentação?
Embora o texto tenha sido aprovado pelo Congresso, sua aplicação dependerá, em primeiro lugar, da sanção presidencial.
Além disso, especialistas avaliam que poderão ser necessários atos complementares para disciplinar a utilização prática dos registros do tacógrafo nas autuações. Ou seja, estabelecendo critérios técnicos, procedimentos de fiscalização e garantias quanto à confiabilidade das informações.
Até que essas definições ocorram, permanece a expectativa sobre como será a implementação da nova regra pelos órgãos responsáveis pela fiscalização do trânsito.
Independentemente da regulamentação futura, a alteração evidencia uma tendência de ampliar o uso das informações produzidas pelos equipamentos embarcados nos veículos de carga como ferramenta de fiscalização e de promoção da segurança viária.
por imprensa | jul 17, 2026 | Notícias, Outros
* Delmo Pinho
Apesar de o Brasil ter mais de 60% de suas cargas transportadas por rodovias, há décadas o setor enfrenta severas dificuldades, a exemplo de reduzidas margens de rentabilidade, volatilidade nos preços dos combustíveis, e reduzida e precária malha rodoviária pavimentada.
Frente à crônica insuficiência orçamentária governamental, em 1995 surgiu o Programa Federal de Concessão de Rodovias, com as cinco primeiras transferidas à iniciativa privada, e quatro destas rodovias atravessando o território fluminense. Passados 30 anos, surge, em 2026, a 6ª Etapa de Concessões Rodoviárias Federais, que inclui a BR 393 RJ – Rodovia Lúcio Meira, importante elo de conexão entre as rodovias BR-116 Presidente Dutra Rio/SP, BR-040 Rio/BH e BR-116 Rio/Bahia, com 204 km de extensão atravessando sete municípios no estado do Rio. A grande novidade da 6ª Etapa é o aumento de 50% na tarifa por eixo para caminhões e ônibus, uma mudança que acende um alerta vermelho para empresas de logística e o setor produtivo em geral.
O peso do eixo na nova concessão da BR-393 no RJ
Tradicionalmente, os contratos de concessão vinculados à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) utilizam uma tabela multiplicadora linear, na qual o valor pago por eixos comerciais pesados acompanha proporcionalmente a TBP (Tarifa Básica de Pedágio) estipulada para os veículos de passeio (multiplicador 1.0 por eixo). Na contramão dessa lógica histórica e econômica, que trouxe o sucesso das concessões rodoviárias ao país, surge um novo desenho regulatório para as rodovias desta etapa, onde se aplica um peso desproporcional sobre o transporte pesado – justamente aquele que responde pelo menor movimento, mas pela maior parte da arrecadação das concessões de rodovias, que deverá gerar um impacto negativo em cascata na economia regional.
A matemática do impacto: por que 50% a mais?
Como exemplo, no modelo padrão de concessões até a 5ª Etapa, um caminhão de seis eixos paga exatamente o equivalente a seis vezes a tarifa básica de um carro de passeio. No novo formato adotado para a 6ª Etapa, a curva multiplicadora foi descolada desse teto tradicional, e um caminhão de seis eixos passa a pagar o equivalente a nove eixos da tarifa básica de um carro de passeio.
Ao elevar em 50% o valor cobrado por eixo comercial em relação ao cálculo tradicional, o impacto é enorme e imediato no valor do frete e das passagens de ônibus, e no fluxo de caixa das empresas de transporte, e por consequência nos custos do comércio, serviços e indústria, ou seja, na vida das empresas e do cidadão comum, com pano de fundo de “justiça social” ora aplicada aos automóveis.
Impacto nos setores de passageiros e cargas
Diferente do transporte de cargas, que em alguns cenários consegue fracionar custos ou renegociar fretes, o transporte de passageiros (ônibus interestaduais e intermunicipais que cruzam as praças de pedágio) sofre um impacto direto. Como as tarifas de passagens são reguladas e o poder de compra do passageiro é limitado, e algumas vezes o valor é subsidiado, o aumento real de 50% na tarifa por eixo vai pressionar o bolso do passageiro e dos governos, além da saúde financeira das empresas de ônibus.
Para o setor de cargas, ou se repassa integralmente esse custo abusivo para o frete – encarecendo o produto final para as empresas e o consumidor, ou se absorve a perda, reduzindo ainda mais as apertadas margens de lucro.
Outro impacto previsível está relacionado aos caminhões que utilizam a rodovia na conexão norte/sul do país, que, tendo seus custos aumentados, podem mudar o trajeto para caminhos alternativos (transferência ou fuga de rotas), sobrecarregando outras vias federais mais econômicas, ou mesmo vias estaduais ou municipais sem estrutura para suportar o tráfego pesado, o que produziria impacto econômico sobre a cadeia produtiva de apoio aos caminhoneiros, com a consequente redução do movimento de postos de combustível, restaurantes, lojas de serviços, autopeças, borracheiros etc.
Uma solução plausível
A nova concessão da BR-393 deixa claro que os novos contratos federais tendem a ser mais agressivos na arrecadação junto ao setor de pesados e, paralelamente, vão encarecer custos logísticos, criando nova pressão inflacionária para as contas nacionais.
A seus usuários que, na concessão anterior desta via federal (K-Infra), pagaram pedágio por 16 anos e tiveram uma pequena parcela do programa de obras e melhorias executado, fica a surpresa de uma nova concessão por 30 anos (2027-2057), que apresenta um conjunto de obras e melhorias muito menor que o previsto na concessão anterior, contratada em 2008 e que terminaria em 2033, a exemplo da meta anterior de 27,4 km de pistas duplicadas, frente aos previstos 15 km de duplicações na nova concessão. Como surpresa adicional, o trecho mais movimentado da via, com 20.000 veículos/dia, localizado no Distrito da Califórnia, entre Barra do Piraí/Volta Redonda, não será duplicado, mas a nova concessão terá seis praças de pedágio, frente à antiga, que tinha três praças.
A solução para tal imbróglio poderia começar pelo imediato agendamento de audiências públicas na região, para se apresentar e discutir a nova concessão da BR-393/RJ, bem como a União, proprietária e fiscal da via, arcar com parte dos investimentos em melhorias, que não podem ser inferiores àquelas previstas em 2008 pelo próprio governo federal.
* Delmo Manoel Pinho é diretor de Logística e Infraestrutura da Associação Logística Brasil. Ex-secretário de Estado de Transportes do Rio de Janeiro.