Transporte de bebidas e de produtos de e-commerce são os segmentos que apresentam bons resultados
As intensas chuvas que vêm atingindo parte de Minas Gerais causam uma série de problemas para quem trafega profissionalmente pelas vias, dentre eles o aumento considerável no tempo das viagens, o que diminui a produtividade dos transportadores e, consequentemente, aumentam os custos.
“A gente tem um aumento de custo nesta época de chuva em torno de 17% a 25%. Muito em função da perda de produtividade, com o trânsito lento, paralisações, impedimento e tempo de viagem. O custo de manutenção não deve passar de 5% a 7%”, afirmou o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antonio Luís da Silva Junior, mais conhecido por Toninho.
Além da necessidade de andar em uma velocidade mais baixa por causa da baixa visibilidade, os buracos abertos pelo grande volume de água contribuem para aumento na quantidade de acidentes, o que também atrasa o transporte.
O presidente da entidade observa que, com viagens mais lentas, é necessária uma contratação maior de caminhões para evitar o desabastecimento. “O motorista produz bem menos, mas o custo fixo é igual. Essa queda de produtividade impacta diretamente no custo”, explicou.
O presidente da entidade ressalta que é necessário o investimento preventivo pelo poder público para resolver problemas, como bueiros entupidos, quedas de barreiras e afins.
Transportes em baixa, apesar de bebidas e e-commerce estarem em alta
Durante o Carnaval, é comum que haja um alto consumo de bebidas alcoólicas, águas, sucos e refrigerantes pelos foliões. Por isso, o segmento de transporte de bebidas costuma ter um início de ano aquecido, já que abastece o varejo para a festividade.
O setor de transportes de produtos fracionados também segue em alta, mesmo após o Natal. Os hábitos de compras por e-commerce ajudaram a manter esse tipo de transporte aquecido.
“A demanda este ano começou fraca, exceto para alguns setores de transporte, como bebidas e cargas fracionadas, mas, no geral, estamos com uma queda de movimento na ordem de 15% a 20% em relação ao ano passado”, afirmou o presidente do Setcemg.
O setor de mineração e de cargas secas teve uma retração nos pedidos neste início de ano. As chuvas, além de piorarem as estradas por onde o minério é levado, também acabam atrapalhando a produção.
Já o grande volume de cargas secas, principalmente para a construção civil, montagem de indústrias ou para obras de infraestrutura acaba sendo deixado para depois do Carnaval. “O transporte pesado de estoque, siderúrgico, cimento e obras, que atende grandes projetos, tendem a acontecer depois do Carnaval. É um planejamento das empresas”, observou o dirigente.
Setor em 2026
O presidente do Setcemg prevê 2026 com alguns problemas, influenciados pela alta na taxa básica de juros, que impacta no investimento de longo prazo em maquinário ou em novas plantas. “Você quase não vê grandes projetos de obras, como estradas, grandes indústrias novas vindo para Minas e é isso que movimenta a nossa atividade”, observou.
Contudo, Silva Junior aponta que o setor é resiliente e que, mesmo em condições adversas, tem a capacidade de se adaptar e se recuperar com facilidade.


