Na última quinta-feira (5/3), Campo Grande (MS) sediou o seminário internacional “O Sistema TIR como catalisador para integração e competitividade no Corredor Bioceânico”, iniciativa da União Internacional dos Transportes Rodoviários (IRU) com apoio institucional da NTC&Logística. Realizado no Bioparque Pantanal, o encontro reuniu autoridades, especialistas internacionais e representantes do setor de Transporte Rodoviário de Cargas para discutir como a implementação do Sistema TIR pode fortalecer a integração logística entre os países da América do Sul e ampliar a competitividade do Corredor Bioceânico.
A programação teve início com a formação da mesa de abertura, que contou com o vice-governador, do Mato Grosso do Sul, José Carlos Barbosa; o vice-presidente extraordinário de Relações Internacionais da NTC&Logística, Danilo Guedes; a conselheira jurídica sênior do Departamento TIR e Trânsito da IRU, Ana Luiza Taliberti; o chefe da Divisão de Integração de Infraestrutura do Itamaraty e coordenador nacional do Corredor Rodoviário Bioceânico, João Carlos Parkinson de Castro; a subsecretária de Articulação Institucional do Ministério do Planejamento e Orçamento, Sandra Maria de Carvalho Amaral; o auditor fiscal da Receita Federal, Antonio Marcio de Oliveira, e a coordenadora de Projetos Especiais da INFRA S.A., Elaine Radel.
Em sua fala de abertura, o vice-governador do Mato Grosso do Sul destacou o trabalho realizado pela IRU e pela NTC&Logística, e a importância da rota bioceânica para a América do Sul. “Gostaria de destacar que o avanço da Rota Bioceânica representa um passo histórico para a integração da América do Sul e para o fortalecimento da competitividade logística do Brasil no comércio internacional. Ao combinarmos esse grande projeto de infraestrutura com instrumentos modernos de facilitação do comércio, como o Sistema TIR, criamos condições para um transporte mais eficiente, seguro e previsível. Mato Grosso do Sul está no centro dessa transformação e tem potencial para se consolidar como um importante polo logístico de conexão entre o Atlântico, o Pacífico e os mercados globais. Por isso, também registro nosso reconhecimento à IRU e à NTC&Logística pelo trabalho que vêm desenvolvendo na promoção do transporte internacional e na realização deste seminário, que contribui para ampliar o diálogo, o conhecimento técnico e as oportunidades de integração entre os países”.

O vice-presidente extraordinário de Relações Internacionais da NTC&Logística refletiu o impacto do evento para o desenvolvimento do Sistema TIR e da rota bioceânica no Brasil. “O seminário realizado aqui, em Campo Grande, representa um passo importante para ampliar o entendimento sobre o Sistema TIR e para fortalecer o diálogo entre o setor público e o setor privado em torno da Rota Bioceânica. Estamos diante de uma oportunidade concreta de tornar o transporte internacional mais eficiente, previsível e competitivo. A NTC&Logística acompanha esse tema há muitos anos e acredita que a implementação do TIR, combinada com o avanço da rota, pode contribuir de forma significativa para integrar o Brasil às principais cadeias logísticas globais e ampliar as oportunidades para as empresas de transporte do país.”

Ana Taliberti trouxe uma visão técnica sobre o funcionamento e os benefícios do Sistema TIR para o comércio internacional, destacando o papel do regime como instrumento de facilitação logística e integração entre países. “É uma grande satisfação estarmos reunidos para discutir a implementação do Sistema TIR em um momento tão importante para a integração logística da América do Sul. O TIR é o único regime global de trânsito aduaneiro e tem como objetivo tornar o transporte internacional mais seguro, eficiente e previsível, reduzindo burocracias e facilitando a passagem de mercadorias pelas fronteiras”, afirmou. A especialista também ressaltou que, no contexto do Corredor Bioceânico, a adoção do sistema pode representar um avanço significativo para conectar a região a rotas comerciais já consolidadas na Europa e na Ásia, ampliando oportunidades para o comércio e para o desenvolvimento logístico dos países envolvidos.

Dando início à programação de conteúdo técnico do seminário, o responsável sênior de TIR e Trânsito da IRU, Lucas Lagier, apresentou uma análise sobre como o Sistema TIR pode contribuir para aumentar a competitividade logística, na palestra “Benefícios do TIR para a competitividade do Corredor Bioceânico”. Em sua exposição, destacou que a adoção do regime internacional de trânsito aduaneiro pode ajudar a superar gargalos históricos do corredor, como a duplicidade de controles nas fronteiras, a burocracia baseada em documentos físicos e a falta de interoperabilidade entre as aduanas dos países envolvidos. Segundo ele, o TIR oferece uma estrutura internacional consolidada, que garante maior segurança, previsibilidade e eficiência ao transporte internacional de cargas, contribuindo para tornar o corredor mais atrativo para o comércio regional e global.

“O Sistema TIR se baseia em três pilares fundamentais: segurança da carga, garantia internacional única e reconhecimento mútuo entre as autoridades aduaneiras. Esses elementos permitem reduzir significativamente as inspeções repetitivas nas fronteiras e podem diminuir em até 80% o tempo de espera nos postos fronteiriços, tornando o trânsito internacional mais ágil, confiável e competitivo”, destacou Lagier.
A conselheira jurídica sênior de TIR e Trânsito da IRU, Ana Luiza Taliberti, voltou ao palco para a palestra “Etapas para implementação do TIR nos países do Corredor Bioceânico” e detalhou os principais passos institucionais e operacionais necessários para a implementação do sistema na região. Em sua apresentação, explicou que a Convenção TIR é um tratado internacional e, por isso, sua adoção exige a articulação entre governos, autoridades aduaneiras, associações nacionais de transporte e operadores logísticos, além da definição de procedimentos técnicos e jurídicos que garantam a segurança e a padronização das operações. A especialista também ressaltou que a coordenação entre setor público e privado é fundamental para que o sistema seja implementado de forma eficiente e alinhada aos padrões internacionais.

“O Sistema TIR permite que mercadorias atravessem múltiplas fronteiras sob um regime único de trânsito aduaneiro, com garantia internacional e procedimentos padronizados. Isso reduz burocracia, diminui inspeções repetitivas nas fronteiras e torna as operações logísticas mais rápidas, seguras e previsíveis”, afirmou. Segundo ela, quando integrado a ferramentas digitais como o TIR-EPD, o sistema ainda permite o envio antecipado de informações às autoridades aduaneiras, facilitando a análise de risco e contribuindo para maior fluidez no transporte internacional de cargas”, adicionou Ana.
Em seguida, o senador da República Nelsinho Trad apresentou a palestra “O impacto do Corredor Bioceânico no desenvolvimento do Mato Grosso do Sul”, salientando que o corredor rodoviário conecta os oceanos Atlântico e Pacífico, partindo de Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e avançando pelo Paraguai e pelo norte da Argentina até alcançar os portos chilenos de Antofagasta e Iquique. Essa nova rota logística pode aproximar o Brasil dos mercados da Ásia, da Oceania e da costa oeste das Américas, ampliando as oportunidades comerciais e fortalecendo a competitividade das exportações brasileiras.

Trad também ressaltou que Mato Grosso do Sul ocupa uma posição estratégica nesse processo, com potencial para se consolidar como uma importante plataforma logística de integração regional, capaz de redistribuir produtos para outras regiões do país e atrair novas cadeias produtivas e investimentos. “O Corredor Bioceânico representa uma nova visão estratégica para o Brasil. Ao conectar o Atlântico ao Pacífico, ampliamos nossas opções logísticas e criamos condições para reduzir custos, encurtar distâncias e fortalecer a presença do país no comércio internacional”, afirmou. O senador destacou ainda que a consolidação da rota pode gerar ganhos expressivos de eficiência, com redução no tempo de viagem e nos custos logísticos, além de estimular o desenvolvimento econômico e a integração entre os países da região.
Finalizando a programação técnica do seminário, a coordenadora de projetos especiais da INFRA S.A., Elaine Radel, apresentou a palestra “A adoção da Convenção TIR no Corredor Bioceânico de Capricórnio: uma avaliação estratégica da INFRA S.A. para a facilitação do comércio regional”. Durante a exposição, a especialista destacou que o sistema possui forte aderência às características logísticas do corredor, um eixo multinacional que conecta regiões produtoras do interior da América do Sul aos portos do Pacífico e que depende fortemente do transporte rodoviário para garantir fluidez às cadeias de comércio internacional. Segundo ela, o modelo pode contribuir para enfrentar entraves estruturais ainda presentes na rota, como a fragmentação institucional, a sobreposição de controles nas fronteiras e a elevada variabilidade nos tempos de transporte.

“O TIR responde diretamente a gargalos logísticos hoje presentes no corredor, como a fragmentação de procedimentos aduaneiros, a multiplicidade de garantias e as inspeções sucessivas nas fronteiras. Ao substituir essas exigências por uma garantia internacional única e pelo reconhecimento mútuo entre autoridades aduaneiras, o sistema reduz custos administrativos, aumenta a previsibilidade das operações e contribui para tornar o corredor mais eficiente e atrativo para novos fluxos de carga”, explicou. A especialista também ressaltou que a adoção coordenada do regime entre os países envolvidos pode gerar ganhos logísticos expressivos, ampliando a competitividade da rota e fortalecendo sua integração com os fluxos do comércio internacional.
A programação também incluiu uma mesa-redonda dedicada à discussão de caminhos para ampliar a eficiência do trânsito internacional ao longo do Corredor Bioceânico. O debate contou com a participação de Hernán Gabriel Muñoz Pérez, diplomata do Ministério das Relações Exteriores do Paraguai; Sandra Amaral, subsecretária de Articulação Institucional do Ministério do Planejamento e Orçamento do Brasil; Danniele Paiva, coordenadora de Integração do Corredor Bioceânico de Capricórnio na Semadesc; Danilo Guedes, vice-presidente extraordinário de Relações Internacionais da NTC&Logística, e Lucas Lagier, gerente sênior do Departamento TIR e Trânsito da IRU, com mediação de João Carlos Parkinson de Castro, coordenador nacional do Corredor Rodoviário Bioceânico. Durante o debate, os participantes discutiram temas estratégicos para a consolidação da rota, como a harmonização de procedimentos entre os países envolvidos, a digitalização dos processos logísticos, o fortalecimento da cooperação institucional nas fronteiras e o papel do setor público e privado na construção de um corredor logístico mais eficiente, integrado e competitivo para o comércio internacional.

Ao final da mesa-redonda, foi aberto um espaço para perguntas do público, promovendo um diálogo direto entre os participantes do painel e os presentes no evento. O momento teve como objetivo aprofundar os temas abordados ao longo das palestras, esclarecer dúvidas e ampliar o debate sobre os desafios e oportunidades relacionados à implementação do Sistema TIR e ao desenvolvimento do Corredor Bioceânico. A interação também permitiu que representantes do setor e demais participantes compartilhassem percepções e contribuições sobre o futuro da integração logística na região.
Na finalização do Seminário, o responsável sênior de TIR e Trânsito da IRU, Lucas Lagier, deu um panorama geral sobre o encontro. “Apesar dos desafios geopolíticos que marcam o cenário internacional, este encontro demonstra que há disposição e cooperação entre os países da região para avançar em soluções concretas para o transporte e a logística na América do Sul. Estarmos aqui, com representantes de cinco países, debatendo caminhos para o desenvolvimento do Corredor Bioceânico e para a implementação do Sistema TIR, mostra que existe um grande potencial de integração e muitas oportunidades a serem construídas. Ainda há muito trabalho pela frente, mas momentos como este são fundamentais para fortalecer o diálogo, alinhar estratégias e impulsionar iniciativas que contribuam para tornar o Corredor mais eficiente, competitivo e integrado ao comércio internacional. Agradeço a todos pela presença e pela contribuição neste importante debate.”


