Tara, lotação e Peso Bruto Total (PBT) estão entre os principais parâmetros que devem ser observados pelas transportadoras para garantir segurança, eficiência e conformidade no transporte de cargas
O controle de peso dos veículos de carga vai muito além do cumprimento de uma exigência legal. A medida é fundamental para reduzir riscos de acidentes, preservar a infraestrutura rodoviária, evitar desgastes prematuros dos veículos e contribuir para uma operação mais eficiente e ambientalmente responsável. No Brasil, conceitos como tara, lotação e Peso Bruto Total (PBT) são definidos pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e regulamentados por resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN).
A tara corresponde ao peso do veículo em ordem de marcha, sem carga, considerando estrutura, carroceria ou implementos, combustível, fluidos e equipamentos obrigatórios. Já a lotação indica a capacidade máxima de carga autorizada. O PBT, por sua vez, corresponde à soma da tara com o peso da carga transportada. Respeitar esses limites é obrigatório, e o excesso de peso pode resultar em multa e retenção do veículo até a regularização.
Na prática, o controle começa ainda antes de o caminhão pegar a estrada. Na Transportes Maçaneiro, empresa parceira do Programa DESPOLUIR FETRANSPAR, a verificação faz parte da rotina operacional. São avaliados fatores como peso e distribuição da carga, capacidade dos eixos, tipo de implemento e dimensões do conjunto. Quando necessário, o veículo é pesado antes de seguir viagem.
“Antes e durante a operação, são observados pontos como o peso da carga, sua correta distribuição, capacidade dos eixos, tipo de implemento e dimensões do conjunto. Quando necessário, também realizamos a pesagem do veículo antes de seguir viagem, evitando excesso de peso e garantindo maior segurança e conformidade com a legislação”, explica o coordenador de frota da Transportes Maçaneiro, Denner Vieira Lemos.
Segundo ele, a atenção ao peso também representa uma estratégia de gestão. “O excesso de peso não representa apenas risco de multa ou retenção do veículo; ele também impacta diretamente na segurança, no desgaste de pneus, suspensão, freios e demais componentes, além de aumentar os custos de manutenção. Por isso, esse controle deve fazer parte da gestão da operação, garantindo que o veículo viaje dentro dos limites permitidos, com a carga bem distribuída e de forma segura”, avalia.
Mais peso, mais consumo e emissões
O impacto do excesso de carga também chega ao meio ambiente. De acordo com o coordenador do DESPOLUIR FETRANSPAR, Adriano Jacomel, o sobrepeso exige maior esforço do conjunto e pode aumentar o consumo de combustível.
“Com maior carga, o motor trabalha sob esforço elevado, os pneus sofrem maior resistência ao rolamento e o veículo perde desempenho, especialmente em aclives. Como consequência, aumenta o consumo de diesel e, consequentemente, as emissões de CO₂ e outros poluentes”, explica.
Nas rodovias, os efeitos também são significativos. O excesso de peso contribui para a deterioração mais acelerada do pavimento, aumentando a necessidade de manutenção e intervenções na infraestrutura.
“Respeitar os limites de tara, lotação e PBT, portanto, é mais do que cumprir a legislação: é contribuir para um transporte mais seguro, econômico, eficiente e ambientalmente responsável”, destaca Jacomel.
Para o setor de transporte rodoviário de cargas, o controle de peso representa, assim, uma medida que beneficia toda a cadeia: protege motoristas e demais usuários das rodovias, reduz custos operacionais, preserva os veículos e a infraestrutura, e ainda contribui para a redução do consumo de combustível e das emissões.


