Lotes das Rodovias Integradas concentram expectativas para 2026, apesar de desafios técnicos
Diante das incertezas que cercam os leilões de rodovias federais em Santa Catarina em 2026, os projetos de novas concessões passaram a ocupar o centro das atenções. Os lotes 1 e 3 das chamadas Rodovias Integradas de Santa Catarina despontam como as principais apostas do governo federal para viabilizar investimentos robustos em infraestrutura viária no Estado.
O Lote 1, considerado o mais abrangente, contempla cerca de 515 quilômetros de rodovias, com destaque para a BR-470 – um dos principais corredores logísticos de Santa Catarina –, além de trechos das BRs 153 e 282. A previsão é de investimentos na ordem de R$ 6,45 bilhões. O cronograma indica publicação do edital até julho e realização do leilão em novembro deste ano.
Já o Lote 3, com extensão de 166 quilômetros, abrange rodovias estratégicas do Oeste catarinense, incluindo trechos das BRs 282, 153 e 480. Para este lote, o volume estimado de investimentos é de R$ 2,82 bilhões, com o mesmo calendário previsto: edital até julho e leilão até novembro.
Os dois projetos envolvem a concessão inédita dessas rodovias à iniciativa privada, o que exige uma série de etapas técnicas, jurídicas e regulatórias. O processo passa pela análise do Ministério dos Transportes, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e, posteriormente, pelo crivo do Tribunal de Contas da União (TCU), responsável por validar os estudos e garantir a viabilidade dos contratos.
Mesmo com os cronogramas mantidos até o momento, especialistas alertam que o prazo é desafiador. A complexidade dos projetos de concessão, somada ao tempo necessário para avaliação dos órgãos de controle, pode impactar a realização dos leilões ainda em 2026.
O protagonismo dos lotes 1 e 3 também se deve ao enfraquecimento de outros projetos importantes. A repactuação da BR-101 Norte, considerada o principal leilão do ano, foi descartada por falta de consenso no TCU. Já a proposta de otimização da BR-116, no Planalto Sul, segue atrasada e ainda não foi encaminhada para análise.
Com isso, as novas concessões ganham ainda mais relevância no planejamento da infraestrutura rodoviária catarinense. Caso sejam concretizadas, as obras previstas devem melhorar a logística, ampliar a segurança viária e impulsionar o desenvolvimento econômico em diferentes regiões do Estado – especialmente no Vale do Itajaí e no Oeste, diretamente beneficiados pelos trechos incluídos nos dois lotes.


