Projeto cria eixo de abastecimento de biometano entre o interior paulista e a região do Porto de Santos, e amplia alternativas para a descarbonização do Transporte Rodoviário de Cargas
A NTC&Logística participou, nesta quarta-feira (7), em Sumaré (SP), do lançamento do Corredor Verde, projeto desenvolvido pela TransJordano, empresa associada à entidade, para ampliar a utilização do biometano no Transporte Rodoviário de Cargas e estruturar um novo eixo de abastecimento entre o interior paulista e a região do Porto de Santos.
Representando o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, e a entidade, esteve no evento o assessor de Comunicação e Imprensa, Rodrigo Bernardino, que acompanhou a apresentação da iniciativa, os pronunciamentos das empresas e instituições envolvidas e o primeiro abastecimento a biometano da nova frota.
O evento reuniu autoridades, empresários, fornecedores, representantes do setor financeiro e entidades do transporte. Participaram o prefeito de Sumaré, Henrique do Paraíso; Maria Caroline Rangel, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), financiador do projeto por meio do Fundo Clima, além de representantes da Ultragaz; Scania; Quinta Roda; Librelato; MAT; Peixe Gás, da Confederação Nacional do Transporte (CNT); da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP) e de outras organizações ligadas à cadeia de transporte e logística.
Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, iniciativas como o Corredor Verde mostram como a inovação, a infraestrutura e a participação das empresas podem contribuir para a evolução da agenda de sustentabilidade no transporte.
“A transição energética no Transporte Rodoviário de Cargas é um processo que exige planejamento, infraestrutura, investimento, tecnologia e, principalmente, soluções que sejam aplicáveis à realidade das operações. O Corredor Verde representa um passo importante porque reúne esses elementos e cria condições concretas para ampliar a utilização do biometano no setor. Para a NTC&Logística, é motivo de satisfação acompanhar uma iniciativa desenvolvida por uma empresa associada como a TransJordano, que demonstra, na prática, como o setor pode avançar na busca por mais eficiência e redução de emissões”, destaca Rebuzzi.
Com aproximadamente 450 quilômetros, o Corredor Verde conectará Ribeirão Preto, Sumaré e Cubatão, criando pontos de abastecimento capazes de ampliar a utilização do biometano em importantes corredores logísticos paulistas.
A cerimônia marcou o chamado Marco Zero do Corredor Verde e o início da implantação operacional do projeto. A previsão é que a iniciativa conte com 100 caminhões movidos a biometano até dezembro de 2026. O primeiro ponto de abastecimento entra em operação em Sumaré neste mês, seguido por Ribeirão Preto, em novembro, e Cubatão, em dezembro.
Os veículos terão autonomia de até 700 quilômetros, ampliando o raio das operações realizadas a partir dos três polos e permitindo atender diferentes regiões do Estado de São Paulo e áreas próximas.
Durante o lançamento, o fundador e presidente da TransJordano, João Bessa, destacou que a decisão de investir no biometano acompanha uma transformação que já ocorre entre os próprios contratantes do transporte, especialmente diante das metas de redução de emissões estabelecidas pelas empresas.
“Os clientes mudaram e, hoje, têm metas de redução de emissões, e o transporte entra diretamente nessa conta. Decidimos olhar para o futuro e criar uma solução que pudesse funcionar de verdade na operação. Até dezembro, teremos 100 caminhões movidos a biometano, mas entendemos que não bastava ter os veículos: era preciso garantir onde abastecer. É por isso que o Corredor Verde nasce aberto aos nossos clientes, parceiros e também a outras transportadoras. Ninguém descarboniza a logística sozinho”, afirma João.

Infraestrutura aberta ao setor
Um dos principais diferenciais da iniciativa é que os pontos de abastecimento do Corredor Verde estarão disponíveis também para outras empresas transportadoras, ampliando o alcance da infraestrutura criada inicialmente a partir das necessidades operacionais da TransJordano.
A estrutura será operada pela GarageLog, empresa do Grupo TransJordano que já atua com garagem compartilhada, abastecimento e estruturas de apoio aos motoristas. Na unidade de Cubatão, por exemplo, são recebidos mais de 300 veículos diariamente e movimentados mais de 360 mil litros de combustível por mês.
A proposta é contribuir para enfrentar um dos principais desafios para a expansão do biometano no transporte de cargas: a disponibilidade de infraestrutura de abastecimento ao longo das rotas.
Com os três polos, o projeto amplia as possibilidades de atendimento a regiões como Campinas, Grande São Paulo, Baixada Santista, norte paulista, Sul de Minas e região de Uberlândia.
Para Jordano Bessa, diretor de Novos Negócios da TransJordano, a iniciativa nasceu justamente da identificação dessa necessidade.
“Quando começamos a estudar o biometano, percebemos que um dos maiores obstáculos era não ter onde abastecer nas rotas. Como já tínhamos a experiência da GarageLog e operações importantes em Cubatão, Sumaré e Ribeirão Preto, desenhamos os três pontos e estruturamos o Corredor Verde. O que nasceu para atender nossa operação hoje pode ser utilizado também por outros transportadores e contribuir para a descarbonização da logística brasileira”, explica.
O desenvolvimento da iniciativa começou em junho de 2025 e envolveu estudos com fornecedores, análise de tecnologias, estruturação financeira e adequações destinadas a aumentar a autonomia dos caminhões. Os veículos receberam cilindros adicionais e poderão alcançar aproximadamente 700 quilômetros de autonomia.
Redução de emissões e novas tecnologias
Com a frota completa, o projeto deverá evitar aproximadamente 6.486 toneladas de CO₂ equivalente por ano, segundo verificação independente do Bureau Veritas.
A iniciativa também está relacionada às metas de redução das emissões de Escopo 3 dos grandes embarcadores, uma vez que a substituição do diesel pelo biometano reduz as emissões associadas às operações de transporte inseridas na cadeia de valor dos clientes.
Segundo Joyce Bessa, diretora de ESG e Relações Institucionais da TransJordano, a inauguração demonstra a necessidade de associar os compromissos ambientais a planejamento, mensuração e capacidade de execução.
“Chegar à inauguração do Corredor Verde significa transformar uma estratégia de descarbonização em uma estrutura concreta, que pode ser acompanhada e mensurada. Existe um trabalho muito grande por trás disso, envolvendo financiamento, tecnologia, operação, indicadores e muitas pessoas. Para nós, sustentabilidade precisa chegar à prática e produzir resultados que possam ser comprovados ao longo do tempo”, destaca Joyce.
Durante a programação, a Ultragaz, responsável pelo fornecimento do biometano utilizado no projeto, apresentou informações sobre o combustível e os aspectos de segurança relacionados ao abastecimento.
A Scania abordou a evolução dos veículos a gás no Brasil, a necessidade de ampliar a infraestrutura disponível no País e a incorporação de 100 caminhões Scania G 460 6×4 à frota da TransJordano.
A WLM Quinta Roda também apresentou o suporte previsto para a operação e anunciou a instalação de um ponto de manutenção dentro da GarageLog, além do atendimento aos veículos ao longo das rotas por meio da rede de concessionárias Scania preparada para essa tecnologia.
Finalizando os pronunciamentos, o prefeito de Sumaré, Henrique do Paraíso, destacou o potencial do projeto para reforçar a posição estratégica do município na logística paulista e atrair novos investimentos associados à sustentabilidade.
O Corredor Verde reúne, em uma mesma iniciativa, transportadoras; fornecedores de veículos e combustíveis; operadores de infraestrutura; embarcadores; instituições financeiras e entidades representativas, demonstrando a importância da articulação entre diferentes elos da cadeia para que novas alternativas energéticas possam ganhar escala no Transporte Rodoviário de Cargas.


