Presidente que representa as empresas de transporte de carga em Minas Gerais defende que discussão sobre infraestrutura seja encarada como estratégia de desenvolvimento econômico
Minas Gerais reúne características únicas para se consolidar como o principal corredor logístico do Brasil. Com a maior malha rodoviária do País, estimada em cerca de 272 mil quilômetros, e localização estratégica entre as principais regiões produtoras e consumidoras, o Estado tem potencial para liderar a movimentação de cargas em território nacional. No entanto, gargalos históricos na infraestrutura viária continuam elevando custos, reduzindo a competitividade das empresas e dificultando o aproveitamento pleno dessa vocação logística.
O tema ganha ainda mais relevância em um momento em que o agronegócio mineiro assumiu a liderança das exportações estaduais, superando a mineração e movimentando US$ 19,8 bilhões em 2025. A dependência do modal rodoviário para o transporte da produção faz com que a qualidade das estradas tenha impacto direto nos custos das empresas, no preço dos produtos e na eficiência das cadeias de abastecimento.
Dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025 mostram que 65,4% das rodovias avaliadas em Minas Gerais foram classificadas como regulares, ruins ou péssimas. O levantamento também aponta que as condições das vias podem elevar em até 34,8% os custos operacionais do transporte no Estado, devido ao aumento do consumo de combustível, desgaste dos veículos e maior tempo de deslocamento.
Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antonio Luis da Silva Junior, a discussão sobre infraestrutura deve deixar de ser vista apenas como uma demanda do setor de transportes e passar a ser tratada como uma estratégia de desenvolvimento econômico.
“Minas ocupa uma posição privilegiada no mapa brasileiro. Estamos próximos dos principais mercados consumidores e produtores do País. Se tivermos uma infraestrutura mais eficiente, podemos reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade das empresas mineiras e transformar o Estado em um grande corredor de distribuição nacional”, afirma.
Segundo ele, o desafio não está necessariamente na abertura de novas rodovias, mas na melhoria das condições das estradas já existentes, especialmente nas ligações regionais e nos acessos a áreas produtoras. “Temos muitos trechos secundários e estradas não pavimentadas que dificultam o transporte e aumentam significativamente as distâncias percorridas. Em alguns casos, uma ligação que poderia ser feita de forma direta exige desvios muito maiores, gerando mais custos para toda a cadeia produtiva”, observa.
Além da recuperação e modernização da malha rodoviária, o presidente da entidade defende investimentos em estruturas capazes de integrar diferentes modais de transporte. “Infraestrutura não é apenas estrada, precisamos ampliar os terminais intermodais, fortalecer os centros de distribuição e criar condições para que as cargas percorram trajetos mais eficientes. O caminhão continuará sendo fundamental, mas ele deve atuar integrado a outros modais sempre que possível”, destaca.
Na avaliação do presidente do Setcemg, Minas Gerais reúne todas as condições para se tornar um dos principais hubs logísticos do País, desde que a infraestrutura acompanhe o crescimento econômico do Estado. “Minas já tem a localização, a produção e a vocação logística. O que precisamos é transformar esse potencial em vantagem competitiva. Investir em infraestrutura significa reduzir custos, atrair investimentos, gerar empregos e impulsionar o desenvolvimento regional”, acrescenta.
Diante do crescimento da produção agropecuária, da expansão das atividades industriais e da posição estratégica de Minas Gerais no mapa nacional, especialistas e representantes do setor apontam que a modernização da infraestrutura logística será decisiva para o futuro da economia estadual. A melhoria das rodovias, associada à ampliação de terminais intermodais e centros de distribuição, pode fortalecer a competitividade mineira, reduzir custos operacionais e consolidar o Estado como um dos principais corredores logísticos e de distribuição de cargas do Brasil.
Em entrevista à Bloomberg Línea, ministro da Desregulamentação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger, afirmou que a Rota Nacional 14 poderá receber veículos autônomos quando as obras estiverem concluídas
O ministro da Desregulamentação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger, da Argentina, afirmou que a Rota Nacional 14 será a primeira via do país habilitada para a circulação de veículos com condução autônoma, uma vez concluídas as obras previstas no corredor.
Em entrevista ao podcast La Estrategia del Día Argentina, da Bloomberg Línea, o ministro assegurou que o governo já adequou a regulamentação para permitir esse tipo de tecnologia e sustentou que sua adoção pode contribuir para reduzir os acidentes de trânsito.
“A 14, uma vez que esteja concluída e em condições, será a primeira rota que vamos habilitar para a condução autônoma”, afirmou.
O plano do governo para a condução autônoma
Sturzenegger explicou que o Executivo decidiu modificar o marco regulatório para que o país possa incorporar esse tipo de veículo quando a tecnologia estiver disponível em maior escala.
“Entendo que alguém que me escuta pode pensar que é ficção científica, mas o que acontece é que, se o país não cria o mecanismo para permitir isso, então nunca vai ocorrer”, disse.
Nesse sentido, sustentou que a adequação das normas busca evitar que a legislação se torne um obstáculo à adoção de novas tecnologias.
O argumento da segurança viária
Para o ministro, a condução autônoma tem potencial de reduzir de forma significativa os acidentes de trânsito, especialmente nas rodovias nacionais.
Segundo ele, uma das principais causas de mortes em sinistros viários na Argentina são as colisões frontais – um tipo de acidente que, em sua avaliação, poderia diminuir com essa tecnologia.
“Uma rota vai e volta, esses carros não batem, nunca podem bater de frente”, afirmou.
Sturzenegger acrescentou que a segurança viária também depende de outros fatores, como a infraestrutura e o estado dos veículos.
Nesse contexto, disse que o preço elevado dos pneus na Argentina levou durante anos muitos motoristas a adiar a troca, o que, segundo ele, também influenciou nos índices de acidentes.
A eventual chegada da Tesla à Argentina
Questionado sobre por que a Tesla ainda não desembarcou oficialmente na Argentina – ao contrário do Chile e da Colômbia –, o ministro respondeu que o governo buscará avançar para facilitar esse processo. “Temos que nos colocar a trabalhar nisso”, disse.
Sturzenegger lembrou ainda que o acordo comercial com os Estados Unidos prevê uma cota de importação de veículos sem tarifas e afirmou considerar “absolutamente central” a entrada de automóveis com condução autônoma no país.
Em artigo à CNN, Pedro Fornari, CEO da Kartado, fala como a tecnologia pode auxiliar na qualidade de rodovias que ainda não foram concedidas, diminuindo, por exemplo, o número de buracos na via
O uso de IA (Inteligência Artificial) é uma tendência na administração da malha rodoviária brasileira. Em Minas Gerais, os benefícios do uso da tecnologia já podem ser vistos: houve redução de 80% no número de buracos em estradas sob responsabilidade do Estado de acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG), reflexo da possibilidade de acompanhamento contínuo e da agilidade nas ações de manutenção a partir da digitalização de dados.
E não é só no estado mineiro. A Kartado, startup brasileira especializada na digitalização de informações para o setor de infraestrutura, atende mais de 50% das concessionárias de rodovias no país, e dados obtidos entre os clientes apontam que o uso dessas tecnologias resultaram em até 98% na economia de tempo em processos operacionais: a redução na geração de relatórios caiu de 8 horas manuais para 10 minutos automáticos. Com a administração de dados obtidos em campo, quando os trabalhadores passaram do uso de papel ou aplicativo de mensagens para uma tecnologia dedicada, a economia de tempo chegou a 75%.
A IA – com a capacidade de integração de fontes de dados, automação de tarefas, bem como de tomada de decisão e velocidade de ação – irá mudar o jogo para o setor e resolver dores históricas do setor de infraestrutura. Será praticamente como se os gestores conseguissem conversar com seus ativos para otimizar os recursos e prestar um serviço melhor para a população.
Hoje, segundo a consultoria McKinsey & Company, empresas que ainda não têm uma boa governança de dados gastam cerca de 30% do tempo total dos serviços prestados em tarefas relacionadas à coleta, preparação e correção de dados, devido à baixa qualidade ou falta de disponibilidade deles, o que limita a capacidade de uso dessas informações para análises e decisões estratégicas.
Já de acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o segmento está entre os menos digitalizados do país, muito dependente de papel, comunicação informal, pouca automação e monitoramento em tempo real, além de baixa integração de dados. Muitas vezes, dados inseridos manualmente em planilhas precisam ser revisados e padronizados, um processo que toma tempo, reduz produtividade e aumenta o risco de inconsistências.
Em contrapartida, quando a gestão de dados é feita de forma estruturada, integrada e orientada a processos, o impacto vai além da organização de informações. Exemplo disso é a BR-040, com 881 quilômetros de extensão e que faz a ligação entre a divisa com Goiás até o Rio de Janeiro. É um dos corredores mais movimentados e estratégicos do país, cortando Belo Horizonte e o coração de áreas de mineração, siderurgia e agronegócio. A nova tecnologia permitiu o registro de 176.073 anotações ou relatórios técnicos de problemas, buracos, rachaduras ou defeitos no pavimento e na sinalização ao longo de 8 anos — o que possibilitou a solução desses problemas com rapidez.
A tendência é que a tecnologia aliada à inovação ajude as concessionárias a manterem a posição e a melhorarem os serviços. A tecnologia permite conectar eficiência operacional com transparência regulatória e modernização. Pelo menos 80% das 20 melhores concessões rodoviárias já digitalizam informações, o que as ajuda a garantir um melhor atendimento do contrato: ao saber mais rapidamente onde estão os problemas, conseguem avaliar a criticidade para definir quais deles precisam ser resolvidos primeiro, sejam buracos, placas danificadas ou vegetação alta, por exemplo. Além de garantir a segurança da população, protege a concessão do risco contratual de uma eventual multa, que pode chegar a milhões de reais.
A iniciativa, que tem sido positiva para as concessões rodoviárias, também pode ser vantajosa para outras empresas do setor de infraestrutura. Seja para quem atua na prestação de serviços como energia, saneamento, até portos e aeroportos, o acesso facilitado a informações por meio da digitalização agiliza análises, permite melhor tomada de decisões pelo gestor e um melhor serviço em geral para a população.
Evento promovido pela ANTT, em conjunto com entidades representativas do setor, reunirá autoridades, especialistas e transportadores para debater os desafios e oportunidades do transporte internacional
A NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística participará do 1º Encontro do Transporte Rodoviário Internacional de Cargas (TRIC 2026), que será realizado no dia 23 de junho, em Brasília (DF). A iniciativa é promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT, em conjunto com o Sistema Transporte (CNT, SEST SENAT e ITL), a NTC&Logística, a ABTI – Associação Brasileira de Transportadores Internacionais e demais entidades representativas do setor.
O encontro reunirá autoridades públicas, lideranças empresariais, representantes de entidades e especialistas para discutir temas estratégicos relacionados ao Transporte Rodoviário Internacional de Cargas, incluindo integração regional, facilitação do comércio exterior, modernização regulatória, corredores logísticos e perspectivas para o desenvolvimento da atividade nos próximos anos.
A programação foi estruturada para promover o intercâmbio de experiências e o fortalecimento do diálogo entre os diversos atores envolvidos nas operações internacionais, contribuindo para a construção de soluções que tornem o transporte mais eficiente, seguro e competitivo.
Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, o evento representa uma importante oportunidade para ampliar o debate sobre questões que impactam diretamente a competitividade do Transporte Rodoviário de Cargas.
“O Transporte Rodoviário Internacional de Cargas possui papel fundamental na integração econômica entre os países e no fortalecimento das cadeias produtivas. O TRIC representa uma oportunidade valiosa para reunir diferentes visões, compartilhar experiências e construir soluções que contribuam para o desenvolvimento sustentável e competitivo do setor.”
O vice-presidente extraordinário de Relações Internacionais da NTC&Logística, Danilo Guedes, destaca que a realização do encontro reforça a importância do diálogo permanente entre os setores público e privado.
“O transporte internacional exige cooperação, alinhamento regulatório e troca constante de experiências entre os países e as instituições envolvidas. O TRIC surge como um ambiente estratégico para debater desafios comuns, identificar oportunidades e fortalecer a integração logística regional, beneficiando toda a cadeia do Transporte Rodoviário de Cargas.”
Associada à International Road Transport Union (IRU) desde 1970, a NTC&Logística acompanha permanentemente os temas relacionados ao transporte internacional e às relações institucionais globais, atuando em defesa de pautas que contribuam para o fortalecimento e a competitividade das empresas brasileiras.
As inscrições para o evento estão abertas e podem ser realizadas por meio do portal da ANTT.
Serviço
1º Encontro do Transporte Rodoviário Internacional de Cargas (TRIC 2026)
Evento promovido pela NTC&Logística acontecerá em agosto, reunindo lideranças e empresários do Transporte Rodoviário de Cargas de todo o Brasil
A NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística) realizará, nos dias 27 e 28 de agosto de 2026, a segunda edição do CONET&Intersindical 2026, no Hotel Vila Galé, em Ouro Preto (MG). O evento terá como entidade anfitriã a FETCEMG – Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais, com o apoio dos sindicatos filiados à federação.
Consolidado como um dos mais importantes encontros do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil, o CONET&Intersindical reúne empresários, lideranças, representantes de entidades e especialistas para debater os principais desafios, tendências e oportunidades do setor.
A programação do evento é dividida em duas etapas. O CONET contempla a apresentação de pesquisas de mercado, estudos técnicos e levantamentos econômicos desenvolvidos pelo DECOPE (Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas) da NTC&Logística, além de debates relacionados aos custos operacionais e tarifas do setor. Já a Intersindical é voltada às discussões institucionais e estratégicas sobre o desenvolvimento do Transporte Rodoviário de Cargas.
O presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, destacou a relevância da realização do encontro em Minas Gerais e a importância da participação do setor no evento.
“Realizar o CONET&Intersindical em Ouro Preto, em Minas Gerais, tem um significado muito especial para o nosso setor. Trata-se de um estado pujante, com forte representatividade econômica e relevância para o Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil. Estar em uma cidade histórica como Ouro Preto, patrimônio vivo da humanidade e do país, reforça ainda mais o propósito deste encontro. Será uma excelente oportunidade para ampliarmos o diálogo com lideranças, discutirmos os desafios do TRC e avançarmos na construção de soluções que contribuam para o crescimento sustentável do transporte de cargas. Convidamos todos os empresários e representantes de entidades a estarem conosco nesse importante momento”, afirmou.
As inscrições para o evento estão abertas, clique aqui e faça parte do evento.
As reservas de hospedagem também estão disponíveis. Garanta sua participação realizando a reserva no hotel do evento, clicando aqui.
Realização l NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística)
Entidade Anfitriã l FETCEMG – Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais Apoio l Sindicatos filiados à FETCEMG
Patrocínio l FENATRAN l GEOTAB l MERCEDES-BENZ l ROADCARD l TRANSPOCRED
Apoios Institucionais l Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte / SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte / ITL – Instituto de Transporte e Logística) l FuMTran (Fundação Memória do Transporte)
Para o sindicato, consolidação do norte do Paraná como polo logístico precisa ser acompanhada de melhorias em rodovias, acessos urbanos e áreas de carga e descarga
O avanço dos centros de distribuição que vem consolidando Londrina, no Norte do Paraná, como polo logístico nacional precisa ser acompanhado por investimentos compatíveis em infraestrutura. O alerta é do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR Londrina), que vê na ampliação das estruturas logísticas uma oportunidade para a região, desde que o crescimento seja planejado para evitar gargalos.
Para o diretor da regional de Londrina do sindicato, Marcelo Aguiar, o desenvolvimento logístico da região deve caminhar de forma coordenada com investimentos em mobilidade e ampliação da capacidade operacional.
“O crescimento da movimentação de cargas exige melhorias contínuas em rodovias, acessos urbanos, áreas de carga e descarga e demais estruturas de apoio”, disse. “Hoje, a região possui uma base logística importante, mas é fundamental planejar os próximos anos para evitar gargalos que possam comprometer a produtividade.”
INVESTIMENTOS RECENTES NA REGIÃO
A opinião é baseada no ciclo recente de expansão na região: investimentos anunciados por empresas como a Shopee e a RD Saúde, que vêm ampliando presença em Londrina, acompanham o crescimento do comércio eletrônico e da distribuição farmacêutica, e reforçam a cidade como eixo de conexão entre o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste do país.
Além de impulsionar a geração de empregos e atrair novos investimentos, a entidade pontuou que a ampliação das estruturas logísticas tende a melhorar a competitividade regional, em um momento de crescimento acelerado do comércio eletrônico e de descentralização das operações de distribuição.
Na avaliação de Aguiar, o avanço dos centros de distribuição confirma o fortalecimento do norte do Paraná como uma das principais regiões logísticas do país. “Quando as empresas investem em centros de distribuição, elas buscam eficiência operacional, proximidade dos mercados consumidores e melhor conectividade com as principais rotas de transporte. Londrina reúne justamente essas características”, observou.
LOCALIZAÇÃO ESTRATÉGICA
A localização geográfica é apontada como um dos principais diferenciais competitivos da região. Com acesso aos grandes centros consumidores do Sul e do Sudeste, Londrina também desempenha papel relevante nas operações ligadas ao Centro-Oeste, especialmente as relacionadas ao agronegócio. Segundo o sindicato, essa conectividade proporciona redução do tempo de deslocamento, maior flexibilidade operacional e melhor capacidade de atendimento.
Para o SETCEPAR Londrina, o crescimento da cidade como polo logístico resulta tanto de características estruturais quanto dos desafios enfrentados pelos grandes centros urbanos.
“Londrina possui localização estratégica, força econômica regional, forte presença do agronegócio e uma tradição consolidada no transporte rodoviário de cargas. Ao mesmo tempo, cidades como São Paulo e Curitiba enfrentam limitações relacionadas a congestionamentos, custos elevados e dificuldades de expansão. Isso faz com que muitas empresas busquem regiões com maior capacidade de crescimento e melhor relação entre custo e eficiência”, explicou Aguiar.
Obra incluída no Novo PAC vai reorganizar o fluxo de veículos na capital goiana e fortalecer a logística do estado
O ministro dos Transportes, George Santoro, anunciou, nesta quarta-feira (17), o edital para contratação das obras do Contorno Rodoviário de Goiânia, na BR-153/GO. O empreendimento possui extensão de 44 quilômetros e está incluído no Novo PAC, com investimento previsto de R$1,126 bilhão. O projeto integra o conjunto de intervenções voltadas à ampliação da capacidade logística e à reorganização do fluxo de veículos de carga que passam pela cidade, eliminando conflitos de trânsito entre carros de passeio e caminhões no perímetro urbano do município.
“Esta é uma obra que revitaliza a mobilidade urbana de Goiânia e das cidades do entorno. É um projeto muito importante para a Região Metropolitana. A BR-153/GO possui um alto fluxo de caminhões e, com esse serviço, retiramos o tráfego de carga pesada do município. É uma iniciativa muito importante, que beneficiará todo o estado de Goiás, além do Brasil como um todo, que utiliza esse corredor logístico”, destacou George Santoro.
A previsão é que o edital seja publicado na terceira semana de junho de 2026, no Diário Oficial da União (DOU). A BR-153, popularmente chamada de Transbrasiliana, é a principal ligação rodoviária entre o Centro-Oeste e o Norte e, em Goiânia, desempenha papel fundamental no escoamento da produção agrícola e de mercadorias, além de conectar Goiás ao restante do país.
O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, comemorou a iniciativa, que prevê o desvio do tráfego de longa distância que passa pela capital e a redução dos congestionamentos viários para os moradores.
“Essa obra é importantíssima para Goiânia, vai levar um crescimento grande para uma região que já é pujante. É um marco sensacional, que vai modernizar a rodovia, que além da cidade atende a vários municípios do estado. Hoje é um dia muito feliz para todos os goianos do país”, disse Sandro Mabel.
Corredor estratégico
O novo traçado abrangerá o trecho entre o Km 482 e o Km 519, e beneficiará também os municípios de Senador Canedo, Aparecida de Goiânia e Hidrolândia. Entre os serviços previstos, estão a construção de pontes e viadutos, que vão ampliar a segurança viária e a eficiência logística na região.
“Essa é mais uma vitória para os goianos, que já têm a malha rodoviária no melhor nível da história, com 90% das rodovias do estado consideradas ótimas ou boas”, finalizou o ministro dos Transportes.
A Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira (17), a Medida Provisória (MP) 1.343/2026 que reforça a fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário e amplia os instrumentos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para controlar a contratação de transporte de cargas no país. O texto ainda precisa ser analisado pelo Senado.
A proposta enviada pelo governo tinha como foco principal o fortalecimento do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), mecanismo usado para registrar operações de frete e permitir o acompanhamento da política de piso mínimo. No entanto, o texto aprovado pelos deputados foi ampliado durante a tramitação e passou a incorporar mudanças mais amplas para o setor.
Na prática, a principal alteração é que todas as operações de transporte rodoviário de cargas passam a ter registro obrigatório no CIOT. O sistema reúne informações como contratante, transportador, origem, destino e valor do frete, e passa a ser o principal instrumento de fiscalização do cumprimento da tabela mínima.
A ANTT também ganha poder para impedir a emissão do CIOT quando a operação for contratada abaixo do piso mínimo do frete. Isso significa que, na prática, fretes abaixo da tabela tendem a ser barrados ainda na etapa de contratação formal.
Metodologia, punição e reincidência
Outro ponto relevante é que a metodologia de cálculo do piso mínimo passa a ser definida em lei. O texto lista os critérios que deverão ser obrigatoriamente considerados pela ANTT, como distância percorrida, tipo de veículo, quantidade de eixos, natureza da carga, custos operacionais, preço do combustível e demais insumos do transporte.
A mudança é considerada sensível porque reduz a flexibilidade da agência reguladora para alterar a metodologia por meio de atos infralegais. Ou seja, o Congresso passa a “engessar” parte das regras que hoje são definidas na esfera técnica da ANTT.
O texto também endurece as punições para quem descumprir o piso mínimo. Contratantes que pagarem abaixo da tabela poderão ser obrigados a indenizar o transportador em valor equivalente ao dobro do frete devido, além de sofrer sanções administrativas.
Em caso de reincidência, a proposta prevê a suspensão temporária do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), o que impede a operação regular no transporte remunerado de cargas.
Além das mudanças no frete, os deputados incluíram dispositivos voltados aos caminhoneiros. O principal deles é a criação de um piso salarial nacional de R$ 5 mil para motoristas contratados sob regime CLT.
O relatório também amplia o escopo do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas), que passa a incluir ações de renovação de frota, qualificação profissional, segurança viária e infraestrutura de apoio aos motoristas.
Um dos pontos mais controversos da tramitação foi a inclusão da anistia às multas aplicadas a caminhoneiros que participaram de bloqueios e manifestações em 2022. O dispositivo não constava na versão original enviada pelo governo e gerou reação de parlamentares da base governista.
Agora, a MP segue para o Senado. Se aprovada sem alterações, o setor de transporte rodoviário passará a operar sob regras mais rígidas de fiscalização e com maior intervenção na formação e controle do preço do frete.
Entidade acompanha a primeira edição do evento, que acontece nos dias 17 e 18 de junho, em São Paulo, reunindo lideranças, especialistas e empresas do transporte e da logística
A NTC&Logística participou, nesta quarta-feira (17), da abertura do Transporte do Futuro 2026, evento que segue até esta quinta-feira (18), no Expo Center Norte, em São Paulo. A iniciativa reúne empresários, executivos, especialistas e fornecedores do Transporte Rodoviário de Cargas para debater temas relacionados à inovação, tecnologia, gestão, eficiência operacional e às tendências que irão impactar o futuro do setor.
A entidade apoia institucionalmente a realização do evento e esteve representada pela assessora executiva da Presidência, Elisete Balarini; pelo assessor técnico, engenheiro Lauro Valdivia; pelo assessor de Comunicação e Imprensa, Rodrigo Bernardino; pela assessora comercial, Erica Rodrigues, e pela assessora da COMJOVEM, Isabela Costa.
Ao longo da programação, os participantes têm acesso a palestras, painéis, conteúdos estratégicos e oportunidades de networking, promovendo a troca de experiências e a discussão de soluções voltadas ao desenvolvimento do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) e da logística brasileira.
Para a assessora executiva da Presidência da NTC&Logística, Elisete Balarini, a realização da primeira edição do evento representa uma importante oportunidade para fomentar o conhecimento e a inovação no setor. “O Transporte do Futuro nasce com uma proposta muito relevante para o setor ao reunir conteúdos estratégicos, inovação, tecnologia e discussões sobre os desafios que impactam diretamente o Transporte Rodoviário de Cargas. Acreditamos que esta iniciativa tem todos os elementos para se consolidar como uma importante referência para o mercado nos próximos anos. Para a NTC&Logística, apoiar institucionalmente eventos como este é contribuir para o desenvolvimento do setor, estimular a troca de conhecimento e fortalecer o ambiente de negócios que impulsiona o transporte e a logística no Brasil. Além disso, a participação da COMJOVEM reforça a importância de envolver as novas gerações de empresários e executivos nas discussões que irão moldar o futuro do transporte brasileiro”, destacou.
A NTC&Logística entende que iniciativas voltadas à disseminação de conhecimento, ao desenvolvimento de novas soluções e ao fortalecimento do relacionamento entre os diversos agentes da cadeia logística são fundamentais para ampliar a competitividade e a sustentabilidade do transporte brasileiro.
Em sua primeira edição, o Transporte do Futuro busca se consolidar como um espaço de debate, atualização profissional e geração de oportunidades para empresas, lideranças e profissionais que atuam no transporte e na logística, contribuindo para a construção de um setor cada vez mais moderno, eficiente e conectado às transformações do mercado.
Encontro realizado na subsede da entidade apresentou a atuação da NTC&Logística, o trabalho desenvolvido pela COMJOVEM e a importância da participação das novas lideranças no Transporte Rodoviário de Cargas
A NTC&Logística recebeu, na última terça-feira (16), em sua subsede, em São Paulo, integrantes do núcleo da COMJOVEM do Sindicato Nacional das Empresas de Transporte e Movimentação de Cargas Pesadas e Excepcionais (SINDIPESA). O encontro teve como objetivo promover a troca de experiências, apresentar a estrutura de atuação da entidade e fortalecer o relacionamento com as novas lideranças do setor.
Representando a Diretoria Executiva da NTC&Logística, participaram da reunião o vice-presidente, Antonio Luiz Leite, e o diretor financeiro, José Maria Gomes. O encontro contou ainda com a presença da diretora executiva do SINDIPESA, Cinthia Ambra; da coordenadora da COMJOVEM SINDIPESA, Alana Gonzalez; da assessora executiva da Presidência da NTC&Logística, Elisete Balarini; da assessora comercial, Erica Rodrigues, e da assessora da COMJOVEM, Isabela Costa.
Durante a visita, os participantes informaram-se sobre a história da NTC&Logística, sua representatividade nacional e a atuação desenvolvida em defesa do Transporte Rodoviário de Cargas em todo o Brasil. Também foram apresentados detalhes do funcionamento do Sistema Transporte, as principais pautas institucionais conduzidas pela entidade e as diversas frentes de atuação que contribuem para o fortalecimento e desenvolvimento do setor.
O encontro também proporcionou um momento de diálogo sobre os desafios e oportunidades do transporte, além da importância da participação dos jovens empresários e executivos na construção do futuro da atividade.
Para o vice-presidente da NTC&Logística, Antonio Luiz Leite, iniciativas como essa fortalecem a integração entre as entidades e contribuem para a formação de novas lideranças. “Receber os integrantes da COMJOVEM SINDIPESA é uma grande satisfação para a NTC&Logística. Esses encontros permitem compartilhar experiências, aproximar as lideranças e apresentar o trabalho que desenvolvemos em prol do Transporte Rodoviário de Cargas em todo o país. Investir na formação e no engajamento das novas gerações é fundamental para garantir a continuidade do fortalecimento institucional do nosso setor”, destacou.
Seminário realizado no Paraguai reúne autoridades e especialistas de quatro países, e prepara o setor para a aplicação das novas regras do bloco
A segurança de quem viaja pelas rodovias, trabalha no transporte de cargas e vive nas cidades cortadas por corredores logísticos passa, muitas vezes, por normas que atuam nos bastidores. É justamente para fortalecer essa proteção que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) participa, nesta semana, da reunião do Subgrupo de Trabalho nº 5 (SGT-5) do Mercosul, realizada em Assunção, no Paraguai. O SGT-5 é o fórum do Mercosul responsável pela discussão dos temas relacionados ao transporte internacional de cargas e passageiros.
No Brasil, os trabalhos são coordenados pela ANTT, que atua em conjunto com órgãos governamentais e representantes do setor para construir soluções que tornem o transporte cada vez mais seguro, eficiente e integrado em toda a região. Como coordenadora brasileira do fórum de Transportes do Mercosul, a Agência integrou a delegação nacional e levou ao encontro a experiência brasileira na regulamentação e fiscalização do transporte terrestre de produtos perigosos, sendo responsável pela condução do 3º Seminário sobre Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos no Mercosul.
O evento foi promovido pela delegação paraguaia, que convidou o Brasil para compartilhar o conhecimento técnico acumulado ao longo dos anos. A iniciativa reuniu cerca de 100 participantes, entre representantes dos governos, autoridades de transporte, órgãos de metrologia, portos, setor privado e especialistas do Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai.
Mais do que um encontro técnico, o objetivo do seminário foi preparar empresas, transportadores e órgãos fiscalizadores para a plena implementação das novas regras do Mercosul para o transporte de produtos perigosos.
A norma, que entrou em vigor em fevereiro de 2025 após ser internalizada por todos os países do bloco, estabelece critérios harmonizados para classificação; identificação; documentação; embalagens; sinalização; equipamentos de segurança e fiscalização de cargas que podem representar riscos à saúde, à segurança das pessoas e ao meio ambiente.
Entre os temas discutidos, estiveram a definição do que caracteriza uma mercadoria perigosa, os procedimentos de classificação dos produtos, as exigências documentais, as regras de embalagem, as quantidades limitadas, as proibições aplicáveis, a sinalização dos veículos, os conjuntos de equipamentos obrigatórios e as responsabilidades dos diversos agentes envolvidos na cadeia logística.
Segundo as diretrizes do Mercosul, são consideradas mercadorias perigosas todas aquelas que apresentam potencial de causar danos às pessoas, ao patrimônio ou ao meio ambiente durante o transporte terrestre, conforme os critérios técnicos estabelecidos pela Decisão CMC nº 15/2019.
É importante destacar que o foco principal da regulamentação e das ações de fiscalização não é a aplicação de penalidades, mas a promoção da segurança nas operações de transporte. O objetivo é garantir que todos os agentes envolvidos atuem de forma preventiva e responsável, contribuindo para a proteção da sociedade, dos trabalhadores do setor e do meio ambiente.
Embora a regulamentação já esteja em vigor no bloco, os países decidiram postergar o início da fiscalização punitiva até 1º de setembro de 2026. A medida busca garantir um período adicional de adaptação e capacitação para órgãos públicos e operadores do setor, promovendo uma implementação mais segura, uniforme e eficiente das novas exigências.
Nesta edição do encontro, a delegação da ANTT foi composta por Allan Duarte Milagres Lopes, assessor especial de Relações Institucionais, Internacionais e de Comunicação (AESRIC); Gabriel Pimenta Gadea, assessor e chefe de gabinete do diretor Alex Azevedo; Cálicles Mânica, coordenador-geral de Relações Internacionais; André Dolci Gonçalves Maia, coordenador de Representação de Protocolo; Maycon Casal, coordenador de Transporte Rodoviário Internacional de Cargas, e Leize Athayde Braga, coordenadora de Autorização e Operações do Transporte Internacional de Passageiros – Substituta.
Para a Agência, harmonizar procedimentos entre os países do Mercosul significa mais do que simplificar operações logísticas. Significa reduzir riscos, aumentar a segurança nas estradas, proteger trabalhadores, comunidades e o meio ambiente, além de fortalecer a integração regional por meio de regras claras, modernas e alinhadas entre os países do bloco.
Primeira contratação federal a reunir, em um único contrato de desempenho de 20 anos, operação e manutenção rodoviária, monitoramento territorial permanente e suporte aos órgãos públicos em corredor amazônico
A Infra S.A. apresentou nesta terça-feira (16), em Brasília, a modelagem preliminar da primeira Parceria Público-Privada federal a integrar, em um único contrato de desempenho, operação e manutenção rodoviária, monitoramento ambiental e territorial permanente, e suporte logístico e tecnológico aos órgãos públicos atuantes na área de influência da BR-319, entre Manaus (AM) e Porto Velho (RO). A proposta prevê investimentos estimados em R$ 9,1 bilhões ao longo de 20 anos e atua sobre uma área de abrangência de aproximadamente 8,3 milhões de hectares, distribuída em 16 municípios dos estados do Amazonas e de Rondônia.
O evento foi realizado na sede da Infra S.A. e contou com a participação de representantes da estatal, da Casa Civil da Presidência da República, do Ministério dos Transportes e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A modelagem parte da premissa institucional de que a pavimentação do Trecho do Meio permanece sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), inclusive quanto ao licenciamento ambiental e às obrigações da fase de implantação. À futura concessionária caberão a manutenção e operação rodoviária à medida que os trechos sejam entregues e, desde o início do contrato, a estruturação das capacidades permanentes de governança socioambiental e territorial sobre o corredor.
Um modelo desenhado para preencher um vácuo institucional
Durante a abertura do evento, o diretor-presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, afirmou que a proposta marca uma mudança no modo como o Estado se organiza para atuar na Amazônia. “A BR-319 é, antes de tudo, um desafio institucional. Estamos criando um modelo que organiza, em um único contrato, a operação rodoviária e a presença permanente do Estado no território – monitoramento, apoio à fiscalização e suporte às políticas públicas. É a primeira vez que o País enfrenta um corredor amazônico com esse grau de coordenação”, afirmou.
Presença do Estado em território de alta sensibilidade
Para o subsecretário de Sustentabilidade do Ministério dos Transportes, Clóvis Eduardo Benevides, o diferencial da proposta está em traduzir a presença do Estado em infraestrutura operacional permanente. “A combinação de monitoramento contínuo, apoio à fiscalização e fortalecimento da governança territorial preenche um vazio histórico de presença pública no corredor – protege, ao mesmo tempo, a floresta, as comunidades e o próprio ativo logístico federal”, afirmou.
A modelagem prevê a implantação de três portais integrados de fiscalização ao longo da BR-319, além de uma sede multiagência em Humaitá para atuação conjunta de órgãos federais. A operação será apoiada por um Centro de Comando e Controle, que integrará sensores, torres de observação, estações meteorológicas e uma plataforma de dados georreferenciados. A área de abrangência da PPP recobre extensos territórios protegidos: considerados, na integralidade, os limites das Unidades de Conservação interceptadas pelo recorte, essas áreas representam parcela majoritária do corredor – concentrando o esforço de governança onde a sensibilidade socioambiental é mais alta.
Sociobioeconomia e desenvolvimento territorial
A secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Anna Flávia de Senna Franco, destacou o caráter estruturante da iniciativa. “O desafio é assegurar que o avanço da infraestrutura no corredor seja acompanhado por proteção efetiva e por uma capacidade contínua de monitoramento. São as ações voltadas ao ordenamento territorial e à conservação ambiental que sustentam um desenvolvimento de longo prazo em uma das regiões mais estratégicas da Amazônia”, afirmou.
O eixo socioambiental inclui apoio à Avaliação Ambiental Estratégica do interflúvio Purus-Madeira, conduzida por instituições científicas da Amazônia, e ações coordenadas com o Serviço Florestal Brasileiro, o INCRA e os órgãos ambientais federais e estaduais.
Manutenção e operação rodoviária
Para o secretário especial do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Roberto Nami Garibe Filho, a proposta reflete um esforço inédito de articulação. “A BR-319 exige atuação coordenada do Estado. A modelagem reúne, em um mesmo arranjo, conectividade, proteção da floresta e capacidade institucional permanente – três frentes que, isoladas, não dão conta da escala do desafio amazônico”, pontuou.
No eixo rodoviário, a futura concessionária assumirá progressivamente, à medida que os ativos forem entregues, a operação, manutenção e recuperação do corredor. O avanço da pavimentação definitiva do Trecho do Meio segue sob responsabilidade do DNIT, observadas todas as etapas de licenciamento ambiental e diálogo com as comunidades.
O diretor de Empreendimentos da Infra S.A., André Ludolfo, destacou que a abertura antecipada do debate é parte da estratégia de construção do projeto. “A proposta resulta de um amplo processo técnico, com diálogo permanente entre órgãos federais e instituições científicas da Amazônia. Estamos abrindo o debate público antes mesmo da conclusão dos estudos de viabilidade porque acreditamos que esse é o caminho para uma modelagem mais robusta, transparente e socialmente legítima”, afirmou.
A modelagem segue em desenvolvimento pela Infra S.A. e prevê realização de consulta pública ainda este ano. A expectativa é que o processo de contratação seja concluído em 2027, com início da execução contratual em 2028.
Carteira já soma R$ 268,7 bilhões e deve chegar a R$ 396 bilhões até o fim de 2026
O ministro dos Transportes, George Santoro, participou nesta quarta-feira (17) da abertura da Bienal das Rodovias, evento que reúne autoridades, especialistas, investidores e representantes do setor para discutir os desafios e as perspectivas das concessões rodoviárias no Brasil.
Santoro destacou os avanços promovidos pelo Ministério dos Transportes para ampliar a segurança jurídica dos projetos, modernizar os modelos de concessão e fortalecer o ambiente de investimentos em infraestrutura.
“O Brasil tem se notabilizado por ter uma regulação moderna e eficaz. Evoluímos muito nos últimos anos com a Política Nacional de Outorgas Rodoviárias, construindo uma agenda exitosa, que dá mais segurança jurídica e previsibilidade aos projetos”, afirmou.
O presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Marco Aurélio Barcelos, ressaltou a relevância do diálogo entre o setor público e a iniciativa privada para o desenvolvimento da infraestrutura nacional.
“Precisamos de agências reguladoras fortes. O mercado reage às políticas de Estado, e os números do investimento privado têm acompanhado uma crescente constante. Em 2025, tivemos recordes de mobilização de recursos nas rodovias concedidas, chegando a R$ 29 bilhões, e 2026 será o ano em que atravessaremos a marca de R$ 30 bilhões em investimentos”, disse.
Modernização do setor
Nos últimos anos, o Ministério dos Transportes promoveu mudanças para tornar os projetos de concessão mais modernos, transparentes e atrativos para investidores. Um dos principais marcos desse processo foi o lançamento da Política Nacional de Outorgas Rodoviárias, instituída em 2023 pela Portaria nº 995/2023, que estabeleceu diretrizes para padronizar os contratos, ampliar a previsibilidade regulatória, fortalecer a segurança jurídica dos projetos e incorporar mecanismos voltados à sustentabilidade contratual, ambiental e social.
“O grande diferencial deste ciclo foi a atuação do Ministério dos Transportes como articulador das políticas públicas para o setor rodoviário. A pasta passou a coordenar de forma mais integrada os diversos atores e instrumentos envolvidos nas concessões, promovendo maior alinhamento entre planejamento, regulação e execução dos projetos e ampliando a confiança dos investidores”, ressalta a secretária nacional de Transporte Rodoviário, Viviane Esse, que também participou do evento.
Entre as inovações previstas, estão critérios padronizados para a modelagem dos contratos e mecanismos de compartilhamento de riscos. As medidas também incentivam a infraestrutura resiliente e a transição energética. O pacote amplia ainda o uso de tecnologias, como sistemas de pedágio eletrônico de livre passagem, ferramentas digitais de monitoramento e soluções inteligentes para a operação rodoviária.
Ciclo histórico de concessões
A modernização do ambiente regulatório ajudou a impulsionar um dos maiores ciclos de concessões rodoviárias da história do país. Entre 2022 e 2025, o Ministério dos Transportes realizou 22 leilões de rodovias federais. Em 2026, outros dois projetos já foram concedidos.
Os 24 contratos firmados até o momento abrangem 11.815 quilômetros de rodovias e somam mais de R$ 268,7 bilhões em investimentos privados. Os recursos serão destinados à ampliação da capacidade logística, à melhoria da segurança viária e ao aumento da qualidade da infraestrutura de transportes.
“A carteira de projetos é muito robusta. Em 24 leilões, tivemos 18 novos players que ganharam concessões, o que demonstra que geramos competição, novas possibilidades e a entrada do setor financeiro de forma bastante impactante”, finalizou Santoro.
A expectativa é que, até o fim de 2026, a atual gestão alcance a marca de 35 concessões rodoviárias. Os projetos previstos representam cerca de R$ 396 bilhões em investimentos, reforçando o papel das parcerias com a iniciativa privada no fortalecimento da malha federal e na ampliação da competitividade da economia brasileira.
Equipamentos contam com tecnologia que realiza a leitura de placas de veículos de forma automatizada 24 horas por dia
A partir da segunda metade de junho, 133 radares distribuídos em 78 pontos de monitoramento começarão a fiscalizar a RJ-106.
A via conecta o município de São Gonçalo ao litoral norte fluminense e passa por Saquarema, Iguaba Grande, Maricá, Araruama, São Pedro da Aldeia, Macaé, Casimiro de Abreu e Cabo Frio.
Atualmente em fase de testes, os radares foram colocados em pontos escolhidos pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Rio de Janeiro (DER-RJ) a partir de critérios técnicos de instalação que incluem desde volume de tráfego e histórico de acidentes até a circulação de pedestres e a proximidade com escolas e unidades de saúde.
Todos os equipamentos contam com tecnologia de Reconhecimento Óptico de Caracteres (OCR), que realiza a leitura de placas de veículos de forma automatizada 24 horas por dia.
O sistema permite informar às forças de segurança sobre a passagem de veículos sob monitoramento em tempo real.
Representantes da entidade prestigiaram o encontro realizado em São Paulo, que reuniu lideranças do setor
A NTC&Logística esteve presente no SINDIPESA Conecta, realizado nesta terça-feira (16), na sede do Sindicato Nacional das Empresas de Transporte e Movimentação de Cargas Pesadas e Excepcionais (SINDIPESA), em São Paulo. Representaram a entidade o vice-presidente da NTC&Logística, Antonio Luiz Leite, e a assessora executiva da Presidência, Elisete Balarini.
Da esquerda para a direita: Julio Eduardo Simões; Cinthia Ambra; Elisete Balarini e Antonio Luiz Leite
O encontro reuniu associados, mantenedores e lideranças do setor de transporte e movimentação de cargas pesadas e excepcionais para uma programação voltada ao fortalecimento institucional da entidade, ao debate de temas estratégicos para as empresas e à ampliação do relacionamento entre os participantes.
Um dos principais momentos da programação foi a realização da eleição da diretoria do SINDIPESA para o triênio 2027-2029. Os associados presentes reconduziram a atual gestão para mais um mandato, reafirmando a confiança no trabalho desenvolvido pela entidade e na continuidade das ações em defesa do setor.
A diretoria reeleita continuará sendo liderada pelo presidente Julio Eduardo Simões, da Locar Transportes e Guindastes, tendo como vice-presidente Fabio Gaeta, da Transdata. A composição reúne representantes de empresas e lideranças de diferentes regiões do país, fortalecendo a representatividade nacional do Sindicato.
Para o vice-presidente da NTC&Logística, Antonio Luiz Leite, a reeleição da diretoria demonstra o reconhecimento do trabalho realizado pelo SINDIPESA em defesa das empresas que atuam no transporte e na movimentação de cargas pesadas e excepcionais.
“Gostaria de parabenizar o presidente Julio Eduardo Simões, toda a diretoria reeleita e o SINDIPESA pela realização de mais uma edição do SINDIPESA Conecta. O evento proporcionou debates extremamente relevantes para o setor, especialmente em um momento de importantes transformações regulatórias e econômicas. A recondução da atual gestão reflete a confiança dos associados no trabalho que vem sendo desenvolvido pela entidade. Desejamos sucesso neste novo ciclo e reforçamos a disposição da NTC&Logística em continuar atuando de forma integrada em pautas que contribuam para o fortalecimento do Transporte Rodoviário de Cargas em todo o país”, destacou.
Além da eleição, a programação contou com uma reunião voltada aos assuntos internos da entidade, oportunidade em que foram discutidas pautas relacionadas às atividades do Sindicato, ações em andamento e temas prioritários para o transporte e a movimentação de cargas pesadas e excepcionais.
Na sequência, associados e mantenedores acompanharam uma palestra sobre os impactos da Reforma Tributária para o setor. A apresentação trouxe uma análise das mudanças previstas na nova legislação tributária e dos reflexos que poderão impactar as empresas nos próximos anos.
Durante o encontro, foram abordados aspectos relacionados ao período de transição do novo sistema tributário, os desafios de adaptação das empresas, os impactos operacionais e financeiros esperados e a importância do planejamento para garantir maior segurança jurídica e previsibilidade diante das mudanças. O tema despertou amplo interesse dos participantes e proporcionou um importante momento de atualização, troca de informações e esclarecimento de dúvidas.
Evento promovido pela NTC&Logística acontecerá em agosto, reunindo lideranças e empresários do Transporte Rodoviário de Cargas de todo o Brasil
A NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística) realizará, nos dias 27 e 28 de agosto de 2026, a segunda edição do CONET&Intersindical 2026, no Hotel Vila Galé, em Ouro Preto (MG). O evento terá como entidade anfitriã a FETCEMG – Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais, com o apoio dos sindicatos filiados à federação.
Consolidado como um dos mais importantes encontros do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil, o CONET&Intersindical reúne empresários, lideranças, representantes de entidades e especialistas para debater os principais desafios, tendências e oportunidades do setor.
A programação do evento é dividida em duas etapas. O CONET contempla a apresentação de pesquisas de mercado, estudos técnicos e levantamentos econômicos desenvolvidos pelo DECOPE (Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas) da NTC&Logística, além de debates relacionados aos custos operacionais e tarifas do setor. Já a Intersindical é voltada às discussões institucionais e estratégicas sobre o desenvolvimento do Transporte Rodoviário de Cargas.
O presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, destacou a relevância da realização do encontro em Minas Gerais e a importância da participação do setor no evento.
“Realizar o CONET&Intersindical em Ouro Preto, em Minas Gerais, tem um significado muito especial para o nosso setor. Trata-se de um estado pujante, com forte representatividade econômica e relevância para o Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil. Estar em uma cidade histórica como Ouro Preto, patrimônio vivo da humanidade e do país, reforça ainda mais o propósito deste encontro. Será uma excelente oportunidade para ampliarmos o diálogo com lideranças, discutirmos os desafios do TRC e avançarmos na construção de soluções que contribuam para o crescimento sustentável do transporte de cargas. Convidamos todos os empresários e representantes de entidades a estarem conosco nesse importante momento”, afirmou.
As inscrições para o evento estão abertas, clique aqui e faça parte do evento.
As reservas de hospedagem também estão disponíveis. Garanta sua participação realizando a reserva no hotel do evento, clicando aqui.
Realização
l NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística)
Entidade Anfitriã
l FETCEMG – Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais
Apoio
l Sindicatos filiados à FETCEMG
Patrocínio
l FENATRAN
l GEOTAB
l MERCEDES-BENZ
l ROADCARD
l TRANSPOCRED
Apoios Institucionais
l Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte / SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte / ITL – Instituto de Transporte e Logística)
Mudanças regulatórias, pressão sobre custos e debates trabalhistas devem continuar exigindo planejamento estratégico das transportadoras nos próximos meses
A chegada do mês de junho tende a consolidar uma máxima vista em todo o primeiro semestre de 2026, um ambiente de maior complexidade para o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). Responsável por aproximadamente 65% da movimentação de cargas no país, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), o modal precisou se adaptar simultaneamente a mudanças regulatórias, pressão sobre custos, exigências crescentes de conformidade documental e escassez de mão de obra, ampliando os desafios para manutenção da eficiência e da competitividade.
Entre os principais movimentos observados no período estão as novas exigências relacionadas ao Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), as alterações no Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) e o avanço dos mecanismos de fiscalização eletrônica. Na avaliação da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), essas mudanças exigiram investimentos em tecnologia, revisão de processos internos e fortalecimento dos controles operacionais.
“O primeiro semestre mostrou que o desafio das transportadoras deixou de ser apenas operacional. Hoje, as empresas precisam acompanhar um ambiente regulatório cada vez mais dinâmico, investir em tecnologia, reforçar controles internos e manter capacidade de adaptação rápida para preservar eficiência e competitividade”, afirma Carlos Panzan, presidente da FETCESP.
Além das adequações regulatórias, o setor continua enfrentando desafios estruturais. O diesel, que chegou a acumular alta de 19% em março, permanece como um dos principais componentes do custo operacional das empresas, representando entre 35% e 50% do valor do frete, podendo superar 70% em algumas operações. Ao mesmo tempo, levantamento da NTC&Logística apontou uma defasagem média de 10,1% no frete rodoviário no início de 2026, ampliando a pressão sobre as margens das transportadoras.
Na visão da FETCESP, os primeiros seis meses do ano evidenciaram que a adaptação regulatória deixou de ser uma questão pontual e passou a fazer parte da rotina estratégica das empresas. A avaliação da entidade, para o segundo semestre, é que os principais desafios tendem a se concentrar em questões estruturais ligadas ao ambiente econômico, político e trabalhista.
Entre os temas que mais preocupam o setor está a discussão sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho. Estudo encomendado pela CNT estima que a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais poderá elevar em 8,66% os custos com mão de obra no setor de transporte, gerando impacto anual de aproximadamente R$ 11,9 bilhões.
O levantamento aponta ainda que, para manter os atuais níveis de operação e atendimento, seria necessária a contratação de cerca de 240 mil novos trabalhadores em todo o setor. O cenário preocupa especialmente o Transporte Rodoviário de Cargas, que já enfrenta dificuldades para preencher vagas de motoristas profissionais, com um déficit estimado de mais de 100 mil motoristas, além de outros cargos operacionais.
“Estamos diante de uma discussão que exige equilíbrio. O transporte de cargas é uma atividade essencial para o abastecimento da economia e qualquer mudança estrutural
precisa considerar seus impactos sobre custos, produtividade e capacidade de atendimento”, avalia Panzan.
Além das discussões trabalhistas, as transportadoras acompanham com atenção o ambiente político e econômico do país, especialmente diante do calendário eleitoral e dos preparativos para a implementação gradual da Reforma Tributária.
“A tendência é que o segundo semestre continue exigindo elevado nível de planejamento e capacidade de adaptação das empresas. O setor precisa de previsibilidade para investir, organizar operações e manter competitividade. Quanto maior a estabilidade regulatória e o diálogo entre poder público e setor produtivo, maiores serão as condições para que as transportadoras continuem operando com eficiência e segurança”, destaca Panzan.
Diante desse cenário, a FETCESP reforça a importância do Índice CNT de Confiança do Transportador Rodoviário de Cargas como ferramenta para acompanhar as expectativas dos empresários em relação ao ambiente econômico, regulatório e às perspectivas do setor para os próximos meses.
“Estamos diante de um cenário marcado por mudanças regulatórias, pressão sobre custos e desafios relacionados à mão de obra e à competitividade. Quanto mais empresas participarem da pesquisa, mais qualificado será o diagnóstico sobre a realidade do transporte de cargas. Esse conhecimento é fundamental para subsidiar debates, orientar ações institucionais e fortalecer a representação do setor diante dos desafios que se apresentam para os próximos meses”, finaliza o presidente da FETCESP.
As discussões em torno da possível formação de um novo e intenso El Niño voltaram a acender um alerta importante para o setor de infraestrutura. Em abril de 2026, uma nota técnica divulgada pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) – órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil – apontou mais de 80% de probabilidade de ocorrência do fenômeno entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027, indicando potencial para aumento de chuvas extremas, enchentes e deslizamentos, especialmente na Região Sul do Brasil.
O tema reforça uma percepção que já vem se consolidando nos últimos anos, de que eventos climáticos extremos deixaram de representar ocorrências excepcionais e passaram a integrar permanentemente o cenário de riscos das concessões rodoviárias. Em um ambiente marcado por maior imprevisibilidade climática, a resiliência operacional passa a ocupar um papel cada vez mais estratégico na sustentabilidade da infraestrutura.
Os alertas em torno do avanço desses eventos acompanham um cenário climático global cada vez mais pressionado. Segundo o relatório State of the Global Climate 2024, publicado pela WMO (Organização Meteorológica Mundial), 2024 foi o ano mais quente já registrado, marcado pela intensificação de eventos extremos, recordes de temperatura dos oceanos e impactos econômicos e sociais associados a enchentes, secas e ondas de calor.
No Brasil, os efeitos desse contexto já vêm sendo observados de forma significativa. As enchentes registradas no Rio Grande do Sul em 2024 evidenciaram como eventos climáticos severos podem comprometer simultaneamente mobilidade, logística, infraestrutura e continuidade operacional. Estudos recentes relacionam a intensificação das precipitações registradas no período à combinação entre variabilidade climática natural, influência do El Niño e efeitos associados ao aquecimento global.
Eventos extremos deixam de ser exceção e passam a moldar a operação
Para o setor de concessões rodoviárias, os impactos vão além dos danos físicos aos ativos. Alagamentos, erosões, deslizamentos e interrupções operacionais afetam diretamente a disponibilidade das rodovias, elevam custos de manutenção, pressionam cronogramas de obras e ampliam a exposição financeira e securitária das concessionárias.
A crescente volatilidade climática também vem alterando a própria dinâmica de avaliação de riscos no setor de infraestrutura. Cenários antes tratados como excepcionais passam a demandar revisões contínuas de exposição, monitoramento mais sofisticado e maior integração entre áreas operacionais, engenharia, continuidade de negócios e gestão de seguros.
Da resposta à antecipação: o papel da gestão integrada de riscos
Nesse contexto, a gestão integrada de riscos assume uma função ainda mais estratégica. A capacidade de antecipar vulnerabilidades, estruturar respostas rápidas e fortalecer a resiliência operacional torna-se essencial diante de eventos com potencial crescente de severidade e recorrência.
Na prática, isso inclui o fortalecimento de análises preditivas, monitoramento hidrometeorológico, modelagem de cenários climáticos, avaliação de vulnerabilidades críticas e revisão permanente de planos de contingência e continuidade operacional. Em um ambiente de maior exposição, a velocidade de resposta e a capacidade de adaptação passam a influenciar diretamente a redução de impactos operacionais e financeiros.
Ao mesmo tempo, o mercado de seguros acompanha essa transformação. O aumento da frequência e da intensidade de eventos extremos exige atualização constante das análises de exposição, maior sofisticação na modelagem de perdas e programas de seguros cada vez mais aderentes às características operacionais e climáticas das concessões.
A transferência de riscos segue desempenhando papel fundamental para o setor, mas passa a coexistir com uma demanda crescente por estratégias mais integradas de
prevenção, adaptação e resiliência. Mais do que responder a eventos extremos, o desafio das concessões rodoviárias passa a ser incorporar a adaptação climática como parte estrutural da gestão do negócio.
Em um cenário de maior volatilidade e imprevisibilidade, antecipação, integração e inteligência de riscos tendem a se consolidar como pilares centrais para a sustentabilidade operacional e financeira da infraestrutura brasileira.
Evento promovido pela ANTT, em conjunto com entidades representativas do setor, reunirá autoridades, especialistas e transportadores para debater os desafios e oportunidades do transporte internacional
A NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística participará do 1º Encontro do Transporte Rodoviário Internacional de Cargas (TRIC 2026), que será realizado no dia 23 de junho, em Brasília (DF). A iniciativa é promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT, em conjunto com o Sistema Transporte (CNT, SEST SENAT e ITL), a NTC&Logística, a ABTI – Associação Brasileira de Transportadores Internacionais e demais entidades representativas do setor.
O encontro reunirá autoridades públicas, lideranças empresariais, representantes de entidades e especialistas para discutir temas estratégicos relacionados ao Transporte Rodoviário Internacional de Cargas, incluindo integração regional, facilitação do comércio exterior, modernização regulatória, corredores logísticos e perspectivas para o desenvolvimento da atividade nos próximos anos.
A programação foi estruturada para promover o intercâmbio de experiências e o fortalecimento do diálogo entre os diversos atores envolvidos nas operações internacionais, contribuindo para a construção de soluções que tornem o transporte mais eficiente, seguro e competitivo.
Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, o evento representa uma importante oportunidade para ampliar o debate sobre questões que impactam diretamente a competitividade do Transporte Rodoviário de Cargas.
“O Transporte Rodoviário Internacional de Cargas possui papel fundamental na integração econômica entre os países e no fortalecimento das cadeias produtivas. O TRIC representa uma oportunidade valiosa para reunir diferentes visões, compartilhar experiências e construir soluções que contribuam para o desenvolvimento sustentável e competitivo do setor.”
O vice-presidente extraordinário de Relações Internacionais da NTC&Logística, Danilo Guedes, destaca que a realização do encontro reforça a importância do diálogo permanente entre os setores público e privado.
“O transporte internacional exige cooperação, alinhamento regulatório e troca constante de experiências entre os países e as instituições envolvidas. O TRIC surge como um ambiente estratégico para debater desafios comuns, identificar oportunidades e fortalecer a integração logística regional, beneficiando toda a cadeia do Transporte Rodoviário de Cargas.”
Associada à International Road Transport Union (IRU) desde 1970, a NTC&Logística acompanha permanentemente os temas relacionados ao transporte internacional e às relações institucionais globais, atuando em defesa de pautas que contribuam para o fortalecimento e a competitividade das empresas brasileiras.
As inscrições para o evento estão abertas e podem ser realizadas por meio do portal da ANTT.
Serviço
1º Encontro do Transporte Rodoviário Internacional de Cargas (TRIC 2026)
Iniciativa fortalece a preservação da história da comissão, amplia a integração entre gerações de lideranças e reforça o compromisso com o associativismo no Transporte Rodoviário de Cargas
A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística, por meio da Comissão de Jovens Empresários e Executivos (COMJOVEM), realizou de forma remota, na tarde de hoje (15), a primeira reunião do recém-criado Conselho de Ex-Coordenadores e Ex-Vice-Coordenadores Nacionais da COMJOVEM. A iniciativa representa um importante passo para a preservação da memória institucional da comissão e para o fortalecimento do associativismo no transporte rodoviário de cargas.
O encontro foi conduzido por Hudson Rabelo, coordenador nacional da COMJOVEM, e contou com a participação de André de Simone; André Ferreira; Alexandre Aires Ribeiro; Antonio Carlos Ruyz; Antonio Neto; Geovani Serafim; Joyce Bessa; Priscila Zanette; Roberta Fiorot Pinhati; Roberto Mira Jr. e Tayguara Helou, integrantes do Conselho de Ex-Coordenadores e Ex-Vice-Coordenadores Nacionais da COMJOVEM. Também estiveram presentes os vice-coordenadores nacionais Jéssica Caballero Lopes e Italo Grativol; Elisete Balarini, assessora executiva da Presidência da NTC&Logística; Rodrigo Bernardino, assessor de Comunicação e Imprensa, e Isabela Costa, assessora da COMJOVEM.
Durante a reunião, foram apresentadas as diretrizes de funcionamento do Conselho, que atuará em caráter consultivo e estratégico, contribuindo com sugestões, compartilhamento de experiências e apoio à Coordenação Nacional da COMJOVEM. Constaram, ainda, assuntos relacionados à preservação da história da Comissão, ao fortalecimento da cultura associativa, à formação de novas lideranças e à ampliação da participação dos jovens empresários nas entidades representativas do setor.
Na abertura dos trabalhos, Hudson Rabelo destacou que a criação do Conselho representa a continuidade de uma construção coletiva iniciada em gestões anteriores da COMJOVEM. Segundo ele, a proposta foi apresentada ao presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, durante a Coordenação Nacional liderada por André de Simone, sendo acolhida e implementada pela atual gestão.
“Gostaria de registrar o apoio e o incentivo do presidente Eduardo Rebuzzi para a concretização deste projeto. Embora não tenha podido participar da reunião em razão de compromissos de agenda, esta é uma iniciativa que nasce a partir de uma sugestão construída pela gestão anterior da COMJOVEM e que agora temos a satisfação de colocar em prática. O Conselho será um espaço permanente de diálogo, troca de experiências e fortalecimento institucional, permitindo que o conhecimento acumulado ao longo dos anos continue contribuindo para o desenvolvimento da nossa Comissão e do Transporte Rodoviário de Cargas”, destacou Hudson.
Os participantes compartilharam experiências sobre suas trajetórias na COMJOVEM e discutiram formas de contribuir para os desafios atuais da Comissão. Entre os temas abordados, estiveram a preservação da memória institucional, o resgate histórico da entidade, especialmente diante da proximidade das comemorações dos 20 anos da COMJOVEM; a valorização do legado construído pelas diferentes gestões; a aproximação entre ex-lideranças e os atuais coordenadores dos Núcleos Regionais e o fortalecimento das ações voltadas ao desenvolvimento de novos líderes para o setor.
A COMJOVEM está presente em 26 Núcleos distribuídos por 19 estados brasileiros, reunindo mais de 600 integrantes e mais de 420 empresas do Transporte Rodoviário de Cargas. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como uma das principais iniciativas de formação de lideranças empresariais e associativas do setor, contribuindo para que dezenas de ex-integrantes assumissem posições de destaque em empresas, sindicatos, federações e entidades representativas.
Como encaminhamento, ficou definido que o Conselho passará a atuar oficialmente a partir desta reunião, mantendo um canal permanente de comunicação com a Coordenação Nacional da COMJOVEM. Também serão promovidos novos encontros voltados à discussão de temas estratégicos, ao levantamento de material histórico e à elaboração de contribuições para o fortalecimento da Comissão e do associativismo no Transporte Rodoviário de Cargas.
Ao encerrar os trabalhos, Hudson Rabelo agradeceu a participação de todos e destacou que a criação do Conselho representa mais um capítulo na história da COMJOVEM, conectando diferentes gerações de lideranças em torno de um objetivo comum: contribuir para o desenvolvimento contínuo da Comissão e do transporte brasileiro.
Evento reúne as principais lideranças da logística e supply chain do país nos dias 19 e 20 de agosto, em São Paulo, com conteúdo estratégico, networking e debates sobre o futuro do setor
A NTC&Logística informa que as empresas associadas à entidade contam com 20% de desconto exclusivo para participar do Fórum Internacional Supply Chain & Expo.Logística – Fórum ILOS 2026, um dos mais relevantes encontros de logística, transporte e cadeia de suprimentos da América Latina.
A 32ª edição do evento será realizada nos dias 19 e 20 de agosto de 2026, no Golden Hall do Sheraton WTC, em São Paulo (SP), reunindo executivos, especialistas, acadêmicos e tomadores de decisão das principais empresas do Brasil e do exterior para discutir tendências, desafios e soluções que impactam diretamente a competitividade das operações logísticas.
Com mais de três décadas de história, o Fórum ILOS consolidou-se como um ambiente estratégico para a troca de conhecimento, geração de negócios e construção de conexões entre os profissionais que lideram a transformação da logística e do supply chain. A programação contará com palestras, painéis, estudos de caso, apresentações de soluções inovadoras e discussões sobre temas que estão moldando o futuro do setor.
Entre os assuntos que estarão em destaque nesta edição, estão os custos logísticos, tecnologia e automação, logística internacional, multimodalidade, descarbonização da cadeia de suprimentos, impactos da reforma tributária, segurança logística e os desafios do Transporte Rodoviário de Cargas. Além disso, o evento contará com mais de 100 palestrantes nacionais e internacionais, e mais de 50 horas de conteúdo especializado.
Paralelamente ao fórum, acontecerá a Expo.Logística, espaço dedicado à apresentação de tecnologias, serviços e soluções que vêm impulsionando ganhos de eficiência, produtividade e inovação nas operações logísticas.
A parceria entre a NTC&Logística e o ILOS reforça o compromisso da entidade em ampliar o acesso dos associados a iniciativas de capacitação, atualização profissional e relacionamento estratégico, contribuindo para o fortalecimento e a competitividade do Transporte Rodoviário de Cargas.
Benefício exclusivo para associados
As empresas associadas à NTC&Logística têm direito a 20% de desconto na inscrição para o Fórum ILOS 2026.
Serviço
📅 Data: 19 e 20 de agosto de 2026
📍 Local: Golden Hall – Sheraton WTC | São Paulo (SP)
🎟 Benefício: 20% de desconto para associados da NTC&Logística. Para ter acesso ao cupom, entre em contato pelo e-mail: atendimento@ntc.org.br ou pelo WhatsApp: 11 2632-1500
Tecnologias de monitoramento em tempo real, rastreamento inteligente e análise preditiva ajudam a prevenir acidentes, combater roubos e proteger motoristas nas rodovias brasileiras
A inteligência artificial passou a ocupar uma posição estratégica no transporte rodoviário de cargas, à medida que o setor busca reduzir riscos, aumentar a previsibilidade das operações e enfrentar os impactos econômicos da criminalidade nas estradas. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 62% das indústrias brasileiras registraram aumento dos custos relacionados à segurança no transporte, o que tem acelerado a adoção de tecnologias capazes de prevenir ocorrências e tornar as operações mais eficientes.
Nesse contexto, empresas de logística e transportadoras vêm investindo em sistemas inteligentes que analisam grandes volumes de dados em tempo real para identificar padrões de risco, monitorar o comportamento dos motoristas e apoiar decisões operacionais. As soluções já conseguem detectar sinais de fadiga e distração ao volante, cruzar informações sobre condições climáticas, tráfego e histórico de ocorrências, além de indicar rotas mais seguras. Com isso, as centrais de monitoramento passam a atuar de forma mais preventiva, reduzindo a exposição a acidentes, roubos de carga e interrupções nas viagens.
Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antonio Luis da Silva Junior, a inteligência artificial representa uma transformação importante para o setor, especialmente na preservação da vida dos profissionais que estão diariamente nas estradas. “A tecnologia vem contribuindo para que as empresas tenham uma visão muito mais estratégica da operação. Hoje, é possível identificar comportamentos de risco antes que eles resultem em acidentes, além de criar rotas mais seguras e eficientes. Isso traz ganhos para as empresas, mas principalmente mais proteção para os motoristas”, afirma.
Entre as soluções que mais vêm ganhando espaço, estão as câmeras embarcadas com análise por IA, capazes de detectar sinais de sonolência, uso do celular ao volante e mudanças bruscas de comportamento do motorista. Em alguns casos, os alertas são enviados instantaneamente tanto para o condutor quanto para a central operacional.
Outra frente importante é o rastreamento inteligente de cargas. Sistemas conectados analisam dados de tráfego, histórico de roubos e movimentações suspeitas para recomendar rotas mais seguras e reduzir riscos durante o transporte. A tecnologia também auxilia no acionamento rápido de protocolos de segurança em casos de desvios inesperados ou paradas fora do padrão da operação.
Além da prevenção de acidentes e roubos, o sindicato aponta que a inteligência artificial também vem contribuindo para melhorar a gestão das jornadas, reduzindo desgaste físico e mental dos motoristas. A análise preditiva permite identificar padrões de fadiga e reorganizar escalas de trabalho de maneira mais segura.
Para o presidente do Setcemg, o uso dessas ferramentas deve crescer de forma acelerada nos próximos anos, impulsionado pela digitalização do setor logístico e pela necessidade de operações cada vez mais seguras e eficientes. “O transporte rodoviário de cargas é essencial para a economia brasileira. Investir em tecnologia e inteligência artificial significa investir em segurança, competitividade e sustentabilidade para todo o setor”, destaca.
Como empresas de transporte já usam tecnologia de ponta
A transformação digital já faz parte da rotina de grandes empresas do setor. Como no caso da Patrus Transportes, referência nacional em transporte de cargas fracionadas, que vem consolidando uma estratégia baseada em inteligência artificial para ampliar eficiência, segurança e produtividade em diferentes áreas da companhia.
A empresa lançou o programa Inova Patrus, iniciativa voltada à disseminação da cultura de inovação e ao desenvolvimento de projetos com IA em áreas como operações; RH; jurídico; qualidade; comercial e tecnologia. A estratégia envolve capacitação de equipes, uso de ferramentas de automação e adoção de soluções integradas ao ecossistema operacional da companhia.
Entre os recursos já utilizados pela empresa, estão sistemas de roteirização inteligente para otimização de entregas; leitura automatizada de volumes por inteligência artificial; reconhecimento biométrico de motoristas e análise de imagens de carregamento para aumentar a eficiência da ocupação das carretas. A companhia também implantou agentes de IA em áreas administrativas e uma assistente virtual baseada em linguagem natural para atendimento ao cliente.
Segundo o diretor de Tecnologia e Inovação da Patrus Transportes, Jefferson Andrade, o objetivo é utilizar a inteligência artificial como apoio à tomada de decisão e complemento à atuação humana. “Nossa estratégia é usar a inteligência artificial para potencializar resultados, aumentar produtividade, melhorar a qualidade das operações e apoiar as pessoas em atividades cada vez mais estratégicas”, afirma.
A empresa também estruturou uma governança específica para o uso da tecnologia, com ambiente seguro para adoção de IA e integração de dados em uma base única voltada ao desenvolvimento de análises preditivas.
Para Rubia Spindola, diretora de Pessoas e ESG da Patrus, o avanço da inteligência artificial exige também investimento em qualificação profissional e adaptação cultural dentro das organizações. “Novas competências precisam ser desenvolvidas para que inteligência humana e inteligência artificial atuem juntas como vetores de crescimento e geração de valor para o negócio”, ressalta.
Em entrevista à CNN, diretor-presidente da ABCR (Associação Brasileira das Concessionárias Rodoviárias, Marco Aurélio de Barcelos, reconheceu esforço do Executivo com a carteira de projetos, mas alertou para que a agenda sobreviva ao período eleitoral e continue em 2027 e nos anos seguintes
Com grandes projetos na carteira e um cronograma apertado diante das eleições, o setor de rodovias levanta uma preocupação quanto à agenda de concessões prevista para os próximos anos e cobra uma previsibilidade e continuidade nas entregas, mesmo em caso de mudanças no comando da gestão federal.
Como mostrou a CNN, o governo federal terá de realizar cerca de dois leilões rodoviários por mês para cumprir a meta de 13 certames em 2026.
Das concessões previstas inicialmente para este ano, duas foram a mercado até o momento: Rotas Gerais (MG) e Rota dos Sertões (PE/BA).
Com isso, aproximadamente 85% dos certames previstos para 2026 estão concentrados no segundo semestre.
Na última segunda-feira (8), após vencer o certame da Rota das Gerais em março, a EcoRodovias iniciou, nesta segunda-feira (8), a implantação da Ecovias das Gerais, nova concessionária responsável pela concessão de trechos das BR-116 e BR-251.
Já na Rota dos Sertões, o Consórcio 116 Sertões, composto pela portuguesa Mota-Engil, além da Odebrecht e a Neo Invest, venceu o leilão no final de maio e assumirá a administração por 30 anos.
Em entrevista à CNN, o diretor-presidente da ABCR (Associação Brasileira das Concessionárias Rodoviárias), Marco Aurélio de Barcelos, afirmou que, apesar do esforço por parte do Ministério dos Transportes em manter o pipeline de projetos avançando, a preocupação maior do setor não é “apenas cumprir uma meta numérica de leilões”, mas sim “garantir que essa agenda sobreviva ao período eleitoral e continue em 2027 e nos anos seguintes”, independentemente de quem esteja no governo.
Para os próximos dez anos, a projeção da Associação é de R$ 400 bilhões em investimentos.
“O setor precisa de previsibilidade e compromisso com a continuidade dos investimentos”, afirmou.
Sem certames previstos para o mês de junho, a agenda será retomada em julho com a concessão da Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR).
A discussão do setor ocorre em meio a um momento de aperto orçamentário para as agências reguladoras e para os órgãos responsáveis pela estruturação e regulação das concessões.
No ínicio do mês, o Ministério dos Transportes anunciou a destinação de R$ 50 milhões para recompor parte do orçamento da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), após o bloqueio de recursos promovido pelo governo federal.
À época, tanto a Agência quanto o Ministério dos Transportes demonstraram preocupação com os efeitos do bloqueio orçamentário. A avaliação dos órgãos era de que a restrição de recursos poderia comprometer a preparação dos leilões previstos para o segundo semestre.
Segundo o diretor-presidente da ABCR, “é preciso reconhecer o trabalho da ANTT”, apesar dos recorrentes cortes.
Entretanto, Barcelos alertou para uma possível queda na entrega da ANTT, diante do aumento no volume de projetos e a complexidade das atividades.
“Sempre que há novos cortes, surge a mesma pergunta: até quando a Agência conseguirá manter esse nível de entrega?”, ponderou.
Ainda segundo o executivo, existe uma contradição em relação ao governo, pois de um lado há uma aceleração na agenda de concessões e, de outro, a redução na capacidade operacional do regulador responsável por acompanhar esses contratos, diante dos cortes no orçamento.
Iniciativa da Receita Estadual oferece maior agilidade e eficiência ao transporte de mercadorias
Empresas do setor de transporte de cargas interessadas em participar do Projeto Trânsito Livre têm até o dia 30 de junho para solicitar adesão à iniciativa coordenada pela Secretaria da Fazenda, por meio da Receita Estadual. O programa permite a passagem de mercadorias sem interrupção nos postos fiscais de Barracão (BR-470); Estreito (BR-153); Goio-Ên (RST-480); Iraí (BR-386); Passo do Socorro (BR-116) e Torres (BR-101), todos localizados na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina.
Na prática, a iniciativa dispensa a parada obrigatória de veículos de transportadoras previamente credenciadas. O objetivo é agilizar, modernizar e simplificar os processos de fiscalização e as obrigações para contribuintes em conformidade, reduzindo custos operacionais e proporcionando maior eficiência logística no Estado.
A iniciativa já vem dando resultados positivos para a mobilidade. Desde sua criação, no segundo semestre de 2024, mais de 27 mil cargas transportadas por onze empresas participantes, de alta representatividade no setor, circularam pelos postos fiscais sem necessidade de parada. Considerando uma média de dois minutos por abordagem, o projeto evitou o equivalente a 38 dias de caminhões estacionados.
Como participar
De acordo com as regras do projeto, os participantes devem ser indicados por entidade representativa do setor de transporte de mercadorias. Além disso, devem estar em dia com as obrigações tributárias estaduais e possuir sistema informatizado para comunicação com o fisco. O pedido de adesão pode ser realizado via protocolo eletrônico, por meio do Portal e-CAC da Receita Estadual.
Após a aprovação, as empresas precisam identificar os veículos com um adesivo disponibilizado pela Receita, que contém um QR Code. O material deve ser afixado no para-brisa e nas laterais da cabine para facilitar a identificação pelos fiscais. O download do adesivo para impressão fica disponível no Portal e-CAC após a confirmação da adesão ao projeto.
Além da dispensa da parada obrigatória nos postos fiscais, o projeto adota uma sistemática baseada em análise de risco e cruzamento de dados. Quando necessário, os veículos selecionados para fiscalização são comunicados eletronicamente logo após o carregamento e a emissão do manifesto de carga, permitindo uma atuação mais eficiente e direcionada do fisco. O recurso já é utilizado para a fiscalização dos contribuintes em geral – inclusive para os que não participam do projeto, cuja parada segue sendo obrigatória em todas as situações.
As informações completas e o passo a passo para adesão estão disponíveis no Portal de Atendimento da Receita Estadual. Saiba mais também na Central de Conteúdo, na seção “Trânsito Livre”. Para maiores informações, os interessados também podem entrar em contato pelo e-mail do Grupo Especializado Setorial de Transportes: ges.tran@sefaz.rs.gov.br.
Com a adesão ao projeto, fica dispensada a parada obrigatória de veículos de transportadoras previamente credenciadas, mantendo-se apenas os procedimentos aplicáveis às mercadorias sujeitas a controles específicos de trânsito previstos na legislação, como soja, gasolina e resina de pinus, e às operações que venham a ser selecionadas pelos sistemas de monitoramento e análise de risco da Receita Estadual para fins de fiscalização.
Com obras da concessionária Nova 381, unidade no interior de Minas Gerais poderá receber caminhões bitrens, caminhões frigoríficos e caminhões-tanque com produtos perigosos
A Nova 381 iniciou a implantação do Ponto de Parada e Descanso (PPD) para caminhoneiros na BR-381, em Bom Jesus do Amparo (MG), em um trecho estratégico entre Belo Horizonte e Governador Valadares. A estrutura ocupará 28 mil m² e terá capacidade para receber mais de 120 veículos por dia, com previsão de entrega em dezembro deste ano. O projeto integra o plano de melhorias da concessionária, que administra 303,4 quilômetros da rodovia, passando por 21 cidades mineiras.
Nesta etapa inicial, as equipes executam a terraplanagem com movimentação estimada de 200 mil metros cúbicos de terra, volume equivalente a 17 mil caçambas de caminhão. Cerca de 70 profissionais atuam na obra, número que deve chegar a 150 no pico das atividades. Na sequência, serão realizados os serviços de drenagem, edificações e pavimentação da área. O empreendimento está localizado no Km 387+500, sentido Governador Valadares, com acesso facilitado pelos dispositivos nos Km 378 e 392, ambos em trecho duplicado.
Em termos de infraestrutura para o motorista, o PPD contemplará vestiários, sanitários, área de lazer, refeitório e sinal de internet gratuito. A segurança será garantida por portaria 24 horas e monitoramento por câmeras. O estacionamento prevê vagas para bitrens, caminhões frigoríficos com pontos de energia para refrigeração e caminhões-tanque de produtos perigosos, que terão caixa de drenagem para contenção de vazamentos. O ambiente foi planejado para atender diferentes configurações de transporte de carga.