Um dos maiores desafios enfrentados, atualmente, pela logística brasileira está relacionado à sustentabilidade e à eficiência energética, especialmente no setor de transporte rodoviário. Os veículos da frota nacional são, em sua maioria, de idade avançada, o que compromete não apenas a segurança e a produtividade, mas também agrava os impactos ambientais. Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), cerca de 55% dos caminhões em circulação possuem mais de 14 anos de uso, e mais de 150 mil veículos foram fabricados antes de 1989 (FETCEMG, 2025, online). Essa realidade contribui diretamente para o aumento das emissões de CO₂ e material particulado, além de elevar os custos operacionais com combustível e manutenção.
A renovação da frota com foco em veículos de baixa emissão, como os elétricos, híbridos e movidos a gás natural veicular (GNV), representa uma oportunidade estratégica para o Brasil. Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), as vendas de veículos eletrificados cresceram 89% em 2024, refletindo uma tendência de transição energética no setor logístico (FETCEMG, 2025). Grandes operadoras, como DHL e JSL, já projetam migrar até 70% de suas frotas para modelos elétricos até 2030, o que pode reduzir em até 86% as emissões do setor (Folha de S.Paulo, 2024).
O Governo Federal lançou, em 2023, o programa Renovar, com o objetivo de acelerar essa transição. A iniciativa oferece incentivos fiscais, subsídios e linhas de crédito específicas, priorizando motoristas autônomos e pequenas transportadoras. No entanto, até abril de 2025, apenas 18% das metas haviam sido atingidas, evidenciando a necessidade de maior adesão e divulgação (FETCEMG, 2025). Além disso, o Novo PAC destinou R$ 13 bilhões à aquisição de 8.211 ônibus novos, incluindo modelos elétricos e com tecnologia Euro 6, que retêm até 85% dos poluentes antes de sua liberação na atmosfera (Ministério das Cidades, 2025).
Outro ponto importante a destacar é a relação entre a aquisição de veículos novos e o processo de sucateamento da frota. Considerando a última década analisada (2011–2020), foram incorporados, em média, 2,3 milhões de veículos de passeio — automóveis, caminhonetes, camionetas e utilitários — por ano à frota brasileira (RENAVAM, 2023). Ao mesmo tempo, ocorre o sucateamento anual de veículos em decorrência de sinistros com perda total ou da retirada de circulação de veículos muito antigos. Complementarmente a esse processo, podem ser implementados programas abrangentes com o objetivo exclusivo ou não de acelerar a renovação da frota. Nesse sentido, este documento buscou reunir os principais aspectos dos atuais programas “Renovar” e “Rota 2030 – Mobilidade e Logística”.
Além dos benefícios ambientais, a renovação da frota proporciona ganhos operacionais relevantes. Veículos modernos consomem até 20% menos combustível e apresentam maior confiabilidade, impactando diretamente a competitividade das empresas. Um estudo da McKinsey & Company aponta que empresas que investiram na eletrificação de suas frotas reduziram seus custos logísticos em até 25% em três anos (FETCEMG, 2025). Assim, a transição para veículos de baixa emissão não representa apenas uma demanda ambiental, mas também uma estratégia de desenvolvimento sustentável e econômico para o Brasil.
Por fim, apesar dos avanços, a transição ainda enfrenta desafios. A adesão ao Programa Renovar tem sido limitada, revelando a necessidade de ampliar os incentivos financeiros, facilitar o acesso ao crédito e promover campanhas de conscientização entre transportadoras e motoristas autônomos.
Portanto, a renovação da frota e a adoção de veículos de baixa emissão são medidas urgentes para tornar o transporte brasileiro mais sustentável, seguro e competitivo. Com políticas públicas bem estruturadas e apoio do setor privado, o país pode acelerar essa transição e contribuir significativamente para a redução das emissões de CO₂.
O transporte rodoviário de cargas é o principal meio de escoamento da produção no Brasil, sendo responsável pela integração territorial e pelo abastecimento de centros urbanos e industriais. Entretanto, a predominância desse modal expõe gargalos estruturais, como a precariedade das rodovias, a dependência de combustíveis fósseis e a alta fragmentação do setor, composto em grande parte por transportadores autônomos e pequenas empresas.
Nesse cenário, o associativismo apresenta-se como mecanismo de fortalecimento coletivo, capaz de reduzir custos, ampliar a competitividade e melhorar a inserção dos pequenos agentes no mercado. Por meio de cooperativas, associações e sindicatos, os transportadores podem acessar melhores condições de financiamento, negociar insumos a preços mais vantajosos e compartilhar recursos tecnológicos.
2 Desenvolvimento
O associativismo no setor de transporte rodoviário de cargas ganhou força especialmente a partir da década de 1990, com a intensificação da globalização e das exigências do mercado logístico. As cooperativas de transporte e associações de caminhoneiros tornaram-se importantes ferramentas de inclusão produtiva, permitindo que pequenos operadores competissem com grandes transportadoras.
Entre os principais benefícios do associativismo destacam-se:
a) Redução de custos – compras coletivas de combustíveis, pneus e peças; b) Maior acesso a crédito – financiamentos coletivos com taxas reduzidas; c) Tecnologia e inovação – adoção compartilhada de sistemas de rastreamento e gestão de frota; d) Representatividade – fortalecimento da categoria junto a órgãos governamentais e reguladores.
Além disso, o associativismo contribui para a melhoria da segurança viária e para a formalização da atividade, uma vez que promove capacitação e incentiva a adesão a normas legais e trabalhistas. Assim, o desenvolvimento do transporte rodoviário de cargas no Brasil encontra no associativismo uma ferramenta estratégica para enfrentar os desafios logísticos e de competitividade.
3 Considerações finais
O transporte rodoviário de cargas é essencial para a economia brasileira, mas enfrenta limitações que comprometem sua eficiência e sustentabilidade. Nesse contexto, o associativismo se mostra um caminho promissor para fortalecer pequenos e médios transportadores, reduzir custos, ampliar a profissionalização e estimular a inovação.
Conclui-se que políticas públicas de incentivo ao associativismo, aliadas a investimentos em infraestrutura rodoviária, podem potencializar o desenvolvimento do setor, tornando-o mais competitivo e alinhado às demandas da economia nacional e internacional.
Referências
BALLOU, R. H. Logística empresarial: transporte, administração de materiais e distribuição física. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2006.
CNT – Confederação Nacional do Transporte. Pesquisa CNT de Rodovias 2022. Brasília: CNT, 2022.
OLIVEIRA, G. A. de; SOUZA, J. P. Associativismo e cooperativismo no transporte rodoviário de cargas. Revista de Logística, v. 12, n. 2, p. 45-60, 2019.
O tradicional encontro do Transporte Rodoviário de Cargas reunirá empresários, executivos e lideranças de todo o Brasil
A NTC&Logística abriu as inscrições para o Congresso NTC 2026 – XIX Encontro Nacional da COMJOVEM (Comissão de Jovens Empresários e Executivos da NTC&Logística), um especial encontro de aprendizado e expansão de conhecimento do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) brasileiro. A edição deste ano será realizada entre os dias 26 e 29 de novembro de 2026, no Mavsa Resort Convention SPA, em Cesário Lange (SP).
Promovido anualmente pela NTC&Logística, por meio da COMJOVEM, o Congresso consolidou-se como um importante ambiente de integração, desenvolvimento profissional, networking e fortalecimento do associativismo. Durante os quatro dias de evento, empresários, executivos, sucessores, lideranças de entidades e representantes do setor de todo o País terão a oportunidade de compartilhar experiências, ampliar relacionamentos e debater os desafios e as oportunidades que impactam o Transporte Rodoviário de Cargas.
A programação será voltada ao desenvolvimento de lideranças e à troca de conhecimentos, reunindo conteúdos relevantes para a gestão das empresas, inovação, sucessão empresarial e temas estratégicos para o setor.
Entre os destaques já confirmados da programação está Flavio Canto, medalhista olímpico e fundador do Instituto Reação. No sábado, 28 de novembro, ele apresentará a palestra “Faixa Preta com espírito de faixa branca – excelência, aprendizado contínuo e evolução coletiva”.
Flavio Canto atua na conexão entre o esporte de alto rendimento e o universo corporativo, apoiando líderes e equipes na busca por resultados de alta performance. Em sua participação no Congresso NTC 2026, levará ao público reflexões sobre disciplina, excelência, aprendizado contínuo e desenvolvimento coletivo, aproximando experiências do esporte de alto rendimento dos desafios enfrentados por lideranças e organizações.
Além das atividades técnicas, os participantes poderão desfrutar da estrutura do Mavsa Resort Convention SPA, reconhecido pela excelência em hospedagem, lazer e infraestrutura para eventos.
As reservas de hospedagem poderão ser realizadas até o dia 25 de outubro de 2026, com possibilidade de parcelamento em até quatro vezes no cartão de crédito. Após essa data, as novas reservas estarão sujeitas à disponibilidade e deverão ser pagas integralmente no ato da confirmação.
Para realizar a reserva, basta informar o nome do evento e entrar em contato diretamente com o Mavsa Resort Convention SPA pelos seguintes canais:
WhatsApp: (15) 99103-0899
E-mail: comercial@mavsaresort.com.br
A NTC&Logística convida empresários, executivos e lideranças do Transporte Rodoviário de Cargas de todo o Brasil a participarem de mais uma edição do evento.
As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas pelo portal da entidade, clicando aqui.
Programação Preliminar
26 DE NOVEMBRO | QUINTA-FEIRA
12h
ALMOÇO
17h
CHECK-IN E ACOMODAÇÃO NOS QUARTOS
18h30|0h
SOLENIDADE DE ABERTURA | JANTAR FESTIVO DE ABERTURA
CENTRO DE CONVENÇÕES
Welcome Drink – Recepção | Área dos estandes
Solenidade de Abertura
Jantar Festivo de Abertura
27 DE NOVEMBRO | SEXTA-FEIRA
7h
CAFÉ DA MANHÃ
9h | 13h
INÍCIO DA PROGRAMAÇÃO
PAINEL 1 | A FORÇA DO ASSOCIATIVISMO E DA REPRESENTAÇÃO EMPRESARIAL
Palestrante: Irani Bertolini, Presidente do Grupo Bertolini e da FETRAMAZ
Tema – A Trajetória do Grupo Bertolini e a Força do Associativismo no Desenvolvimento do Transporte
COFFEE BREAK | CONEXÃO COM EXPOSITORES
Networking, relacionamento e visitação aos estandes dos expositores.
PAINEL 2 | PROGRAMAÇÃO EM DESENVOLVIMENTO
Encerramento das atividades da manhã.
13h
ALMOÇO – RESTAURANTE DO HOTEL
16h | 21h
TARDE JOVEM – Evento de Confraternização
Espaço Praia – Patrocínio Exclusivo Mercedes-Benz
19h | 22h
JANTAR LIVRE – RESTAURANTE DO HOTEL
28 DE NOVEMBRO | SÁBADO
7h
CAFÉ DA MANHÃ
8h30 | 12h30
INÍCIO DA PROGRAMAÇÃO
PAINEL 3 | COM ELAS, CONVIDA: MULHERES QUE MOVEM O TRANSPORTE
Presença e protagonismo das mulheres no TRC
Conduzido por Jéssica Caballero, Vice-Coordenadora da COMJOVEM NACIONAL
Palestrante: Thais Cassano, CEO da Bequal Mentora de Mulheres
Participantes Convidadas:
Fernanda Schwantes, Gerente Executiva de Economia da CNT
Pesquisas e dados sobre a participação feminina no TRC
Ana Jarrouge,Presidente Executiva do SETCESP, Idealizadora do Movimento Vez&Voz e Membro do Conselho de Ex-Coordenadores da COMJOVEM NACIONAL
Movimento Vez&Voz: experiências, desafios e protagonismo feminino no TRC
COFFEE BREAK | CONEXÃO COM EXPOSITORES
Networking, relacionamento e visitação aos estandes dos expositores.
PALESTRA – FAIXA PRETA COM ESPÍRITO DE FAIXA BRANCA:
Excelência, Aprendizado contínuo e Evolução coletiva
Palestrante: Flávio Canto, Graduado em Direito e Medalhista Olímpico em 2004
12h | 13h30
REUNIÃO NACIONAL DA COMJOVEM
Encerramento das atividades da manhã.
12h | 15h
ALMOÇO – RESTAURANTE DO HOTEL
TARDE LIVRE
20h30|0h
EVENTO DE ENCERRAMENTO DO ENCONTRO NACIONAL DA COMJOVEM | CENTRO DE CONVENÇÕES
Tema – FESTA DAS CORES
29 DE NOVEMBRO | DOMINGO
7h
CAFÉ DA MANHÃ
MANHÃ LIVRE
12h
CHECK-OUT – ALMOÇO NÃO INCLUSO
Patrocínio
I FENATRAN
I GEOTAB
I MERCEDES-BENZ
I TGID
I TRANSPOCRED
I TRUCKPAG
Entidade Anfitriã
l FETCESP – Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo
Apoios Institucionais
l Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte / SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte / ITL – Instituto de Transporte e Logística)
Nomeação marca a primeira participação de um representante do Transporte Rodoviário de Cargas fluminense no órgão responsável pelo julgamento de recursos tributários no Estado
A Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro (FETRANSCARGA) e o Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas e Logística do Rio de Janeiro (SINDICARGA) participaram da posse do tributarista Claudio Carneiro como conselheiro do Conselho de Contribuintes do Estado do Rio de Janeiro (CCERJ), representando o Transporte Rodoviário de Cargas e Logística.
O presidente da FETRANSCARGA, Eduardo Rebuzzi, também presidente da NTC&Logística, participou da solenidade ao lado do presidente do SINDICARGA, Filipe da Costa Coelho, diretores e membros das duas entidades. A cerimônia contou com a presença do governador em exercício do Estado do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, do secretário de Estado de Fazenda, Guilherme Mercês, além de outras autoridades convidadas.
A cerimônia marcou um momento importante para o setor, que passa, pela primeira vez, a contar com um representante no órgão responsável por julgar, em segunda instância, os recursos dos processos administrativos tributários do Estado, com participação paritária entre representantes do Fisco e dos contribuintes.
A indicação é resultado da atuação institucional da FETRANSCARGA e do SINDICARGA junto ao Governo do Estado, com o objetivo de ampliar a presença do Transporte Rodoviário de Cargas em espaços estratégicos de discussão e decisão.
Mestre, doutor e pós-doutor em Direito Tributário, Claudio Carneiro possui ampla atuação acadêmica e profissional na área e é autor do “Curso de Direito Tributário e Financeiro”, publicado pela Editora Saraiva.
Para o setor, a participação de Claudio Carneiro no Conselho de Contribuintes representa a possibilidade de levar às análises e decisões uma visão técnica conectada às especificidades das operações de transporte, que envolvem questões como frete, documentação fiscal, operações interestaduais e particularidades tributárias próprias da atividade.
A presença de um profissional com conhecimento sobre a realidade do Transporte Rodoviário de Cargas também contribui para ampliar a compreensão sobre os impactos práticos da aplicação da legislação tributária nas empresas, favorecendo decisões cada vez mais técnicas e um ambiente de maior previsibilidade e segurança jurídica.
A FETRANSCARGA e o SINDICARGA parabenizam o tributarista Claudio Carneiro como novo membro do Conselho de Contribuintes do Estado do Rio de Janeiro (CCERJ), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-RJ), certos de uma excelente atuação ao lado dos demais conselheiros empossados.
As entidades também manifestam agradecimento ao secretário de Estado de Fazenda, Guilherme Mercês, pela sensibilidade em reconhecer a relevância do Transporte Rodoviário de Cargas para o Rio de Janeiro e a importância do setor nesse espaço de decisão.
Empresários e executivos do setor discutem liderança, estratégia e referências de inovação finlandesas para o transporte
A transformação digital vai além da adoção de novas tecnologias. Ela exige que as lideranças conciliem a eficiência das operações atuais com a capacidade de identificar oportunidades e desenvolver novos modelos de negócio. Essa foi uma das principais reflexões do professor do IESE Business School Ricardo Engelbert durante o warm-up da Missão Internacional do Transporte – Finlândia 2026, realizado nesta quinta-feira (15), no campus da escola em São Paulo (SP).
Ao abordar a relação entre liderança, estratégia e inovação, Engelbert apresentou a trajetória da Nokia como exemplo dos desafios enfrentados pelas empresas diante de mudanças tecnológicas e de mercado. A companhia, que atuou em diferentes segmentos antes de se tornar referência mundial em telefonia móvel, ilustra como organizações consolidadas podem perder espaço quando não acompanham as transformações do setor.
O professor também destacou a importância de estruturar a gestão para manter a eficiência das operações existentes e, ao mesmo tempo, explorar novas possibilidades de crescimento. “Você tem que separar as estruturas para governar o atual e o novo”, afirmou, ao apresentar abordagens de pesquisadores sobre como administrar simultaneamente o negócio atual e as iniciativas de inovação.
A discussão também abordou os diferentes estágios de desenvolvimento dos setores. Em mercados emergentes, a liderança precisa identificar necessidades, testar soluções e desenvolver modelos de negócio. Já em segmentos mais consolidados, o desafio está na eficiência operacional, na melhoria dos processos e na busca por diferenciais competitivos. Em ambos os casos, é fundamental reconhecer quando as práticas que garantiram o sucesso deixam de ser suficientes.
Engelbert ainda destacou as mudanças nas cadeias de valor impulsionadas pela tecnologia e pelas plataformas digitais. Para as empresas de transporte, compreender essas transformações é essencial para identificar oportunidades de diferenciação, ampliar a oferta de serviços e encontrar novas formas de gerar valor para os clientes.
Aprendizado estratégico e referências internacionais
A Finlândia foi escolhida como destino desta edição da Missão Internacional pela integração entre inovação digital, mobilidade inteligente, segurança operacional e sustentabilidade. A programação busca ampliar o repertório dos participantes sobre práticas e soluções que possam contribuir para o desenvolvimento do transporte brasileiro.
Na abertura do encontro, o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, ressaltou a importância das missões internacionais para preparar as lideranças para os desafios do setor. “Em cada Missão, buscamos ampliar nossa capacidade de antecipar tendências e auxiliar vocês a prepararem as suas empresas para os desafios que estão pela frente”, afirmou.
A cônsul da Finlândia em São Paulo, Anna Yletyinen, também participou do evento. Ela apresentou aspectos gerais do país, destacou avanços em inovação e sustentabilidade e abordou as relações bilaterais com o Brasil.
Já a diretora-executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart, apresentou o Sistema Transporte e ressaltou o papel da instituição na busca por soluções que favoreçam o crescimento das empresas do setor. Segundo ela, a iniciativa estimula reflexões e promove o contato com novas ideias e abordagens de liderança. “Nosso compromisso é formar pessoas capazes de gerar mais valor e entregar melhores resultados para suas empresas”, afirmou.
Também participaram do encontro o diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, e a diretora-adjunta do ITL, Eliana Costa.
Imersão em liderança digital
A etapa brasileira marca o início da preparação para a viagem a Helsinki, prevista para o período de 13 a 23 de novembro. Durante a missão, a delegação participará de atividades com a Aalto University Executive Education and Professional Development, além de visitas técnicas e encontros voltados à realidade do transporte finlandês.
A programação inclui temas como estratégia em ambientes complexos, cibersegurança, cultura de mudança, inovação, empreendedorismo corporativo, sustentabilidade e colaboração entre diferentes atores do ecossistema de transporte. A agenda também prevê visitas a organizações do setor e participação no Slush, evento internacional de inovação e startups realizado em Helsinki.
Com o slogan “Liderança digital: estratégia e inovação que transformam o transporte”, a missão busca aproximar os participantes de experiências internacionais e estimular a reflexão sobre como aplicar novos conhecimentos à gestão das empresas e ao futuro do transporte no Brasil.
José Alberto Panzan defende revisão das operações com embarcadores, redução das esperas e negociação para adaptar equipes à nova jornada
A adoção da escala 5×2 exigirá das transportadoras uma revisão das operações com seus clientes para reduzir o tempo perdido em cargas, descargas e entregas. A avaliação é de José Alberto Panzan, diretor da Anacirema Transportes, para quem a dificuldade de contratar motoristas limita a possibilidade de ampliar as equipes para atender à nova organização do trabalho.
Em entrevista ao videocast da Agência Transporte Moderno, o empresário afirmou que o setor já enfrenta escassez de profissionais e dificuldades para atrair novos trabalhadores. Nesse cenário, a contratação de mais motoristas pode elevar os custos sem necessariamente resolver a necessidade de pessoal.
“Vamos ter que buscar uma alternativa. E a única alternativa é aumentarmos a nossa produtividade”, afirmou. “Não dá para o caminhão andar mais depressa na estrada, na rua. Vamos ter que conversar com os nossos clientes.”
Panzan, que também é vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Campinas e Região (Sindicamp) e diretor da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (Fetcesp), defende que essa discussão seja conduzida operação por operação. O objetivo é identificar onde a demora compromete o aproveitamento dos veículos e da jornada dos profissionais.
A PEC 221/2019, aprovada pelo Senado em dois turnos em 14 de outubro, assegura dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial. O texto prevê jornada máxima de 42 horas semanais após dois meses da promulgação e de 40 horas ao fim de mais um ano.
Contratação não resolve todas as operações
Para Panzan, os efeitos da mudança variam conforme o serviço prestado. Entregas urbanas, viagens rodoviárias e abastecimento de plantas industriais apresentam exigências distintas, que precisam orientar o dimensionamento das equipes.
Ele cita operações industriais que funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana. Nesses contratos, a cobertura das jornadas exige profissionais integrados à rotina da empresa, com preparação para as particularidades do serviço.
O empresário afirma que plataformas digitais de contratação de motoristas ajudam a atenuar pontualmente a falta de mão de obra. Ressalta, porém, que o recurso não significa redução de custos e que a rotatividade traz dificuldades para manter padrões de atendimento e capacitação.
“Como vamos conseguir manter a cultura da empresa?”, questionou. Segundo ele, mesmo dentro de uma transportadora, diferentes operações exigem profissionais com habilidades específicas.
Panzan não apresentou estimativas de aumento de custos ou do número de contratações necessárias. Defendeu, entretanto, que a reorganização seja acompanhada de análise do equilíbrio econômico-financeiro de cada operação.
Mudança se soma à revisão da Lei do Motorista
A adaptação à escala 5×2 ocorre depois das mudanças decorrentes do julgamento da Lei do Motorista pelo Supremo Tribunal Federal. Em 2023, o STF invalidou dispositivos que excluíam da jornada o tempo de espera por carga, descarga e fiscalização da mercadoria, além de regras sobre fracionamento dos descansos. A decisão relacionou a proteção ao repouso à saúde dos profissionais e à segurança rodoviária.
Segundo Panzan, o julgamento exigiu alterações importantes na organização das viagens. Ele avalia que boa parte das transportadoras já se adequou, mas ressalta que a mudança afetou o perfil das operações.
Na visão do empresário, a implementação de novas regras precisa considerar situações como a do motorista que chega ao limite da jornada quando está próximo de casa e precisa interromper a viagem para cumprir o descanso obrigatório. Ele também aponta a insuficiência de locais adequados para essas paradas.
Panzan defende maior espaço para negociar a organização da jornada. Segundo ele, há trabalhadores interessados em trabalhar mais e outros que preferem trabalhar menos, e essas diferenças deveriam ser consideradas. O empresário não detalhou quais ajustes propõe nem como seriam compatibilizados com os limites de jornada e os períodos obrigatórios de descanso.
O texto aprovado pela Câmara prevê regimes diferenciados para atividades como o transporte, com possibilidade de compensação por acordo ou convenção coletiva para assegurar, na média, dois dias de repouso semanal remunerado dentro do mês. Essa previsão não representa dispensa geral das novas regras para o setor.
Panzan cobra participação do setor
O empresário também critica a condução do debate. Em sua avaliação, faltaram tempo e participação dos envolvidos para discutir os efeitos da mudança sobre as operações.
Panzan afirma que a preocupação das transportadoras com a adaptação não significa oposição ao bem-estar dos funcionários ou à ampliação do convívio familiar. Seu questionamento se concentra nas condições para implementar as novas exigências. “Nós, empresários de transporte, em momento algum, somos contra o bem-estar do nosso funcionário”, afirmou.
Para ele, a formulação das regras deve ser acompanhada de uma avaliação mais próxima da realidade operacional, incluindo a disponibilidade de profissionais e a infraestrutura necessária para cumprir os períodos de descanso.
Atrair profissionais exige melhores condições
A dificuldade de ampliar as equipes também passa pela atratividade da profissão. Panzan defende investimento em capacitação, remuneração digna e melhores condições de trabalho ao longo de toda a viagem.
Segundo ele, o esforço das transportadoras encontra limites quando o motorista chega a estradas ou instalações de clientes sem estrutura adequada. O empresário cita pontos de entrega sem espaço para refeições, locais de espera ou pátios para os caminhões. “Em alguns pontos de entrega e de descarga, o cliente não tem pátio. O caminhão fica para a rua”, relatou.
Panzan avalia que a tecnologia dos veículos e as exigências de atendimento também mudaram o perfil da profissão. Além de conduzir, o motorista representa a transportadora no contato com o cliente, o que reforça a necessidade de formação e retenção. “O motorista é o cartão de visita da nossa empresa”, afirmou.
Contrato prevê estudos para cinco trechos no Norte e Nordeste; conclusão dos projetos está prevista até o fim de 2030
O BNDES e o Ministério dos Transportes assinaram contrato para estruturar projetos de concessão de 3.137 quilômetros de rodovias federais nas regiões Norte e Nordeste. O acordo abrange cinco trechos e prevê a conclusão dos projetos até o fim de 2030. A assinatura ocorreu em 14 de outubro, no Rio de Janeiro.
O contrato inicia a preparação dos projetos para futura transferência da operação à iniciativa privada. Não representa a concessão das rodovias nem o início das obras. Segundo o Ministério dos Transportes, a parceria contempla estudos de viabilidade para os corredores selecionados.
Conforme a relação divulgada pelo banco, serão estudados 775 quilômetros da BR-153, 678 quilômetros da BR-010; 717 quilômetros da BR-226; 473 quilômetros da BR-116 e 494 quilômetros da BR-104.
Escoamento da produção
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a seleção resulta de uma avaliação da malha federal realizada com o ministério desde 2025. Foram priorizadas ligações relevantes para a integração rodoviária, especialmente em regiões de expansão da produção agrícola.
“O objetivo é levar investimentos a regiões que, apesar do crescimento econômico, apresentam déficit de investimentos em infraestrutura”, afirmou Mercadante.
A orientação coloca o escoamento de cargas entre os critérios para a preparação das concessões. O anúncio, porém, não apresenta estimativas de investimentos, intervenções por trecho ou datas de leilão.
Pedágio e conectividade
O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que a estruturação deverá considerar soluções para reduzir o custo do pedágio e implementar internet 5G ao longo das rodovias. O comunicado não detalha os mecanismos tarifários nem o cronograma de implantação da conectividade.
Santoro também citou a política de sustentabilidade da pasta, criada em 2024, que prevê recursos para transição energética e resiliência. As obrigações específicas das futuras concessionárias dependerão do desenvolvimento dos projetos.
O governo federal lançou, nesta quinta-feira (15), a política nacional de conectividade para rodovias. O evento de lançamento ocorreu na sede da B3, em São Paulo. Nele, o ministro dos Transportes, George Santoro, também anunciou R$ 262,6 bilhões em projetos previstos para rodovias e ferrovias em 2027.
A ideia do Executivo é que haja cobertura de telefonia e internet nas rodovias federais e estaduais até 2030. Hoje, a conectividade já está implementada em oito das 39 concessões rodoviárias federais. Segundo o ministro das Comunicações, Frederico Filho, a política busca levar a cobertura a mais de 29 mil quilômetros, totalizando 57 mil quilômetros conectados.
Com a novidade, as concessionárias ficariam obrigadas a garantir e financiar a infraestrutura de internet e telefonia nas rodovias. As operadoras, por outro lado, deverão garantir a cobertura e compartilhar o sinal com as concorrentes, quando estas estiverem indisponíveis.
Mesmo assim, Santoro garante que não haverá aumento nos pedágios e vai além, falando em uma redução de 15% nos custos. Para isso, ele conta com a implementação do sistema Free Flow, que dispensa as cancelas.
O Ministério dos Transportes afirma que o objetivo é fortalecer a segurança nas vias, facilitar o acionamento de socorro em emergências ou o aviso sobre condições climáticas adversas.
Todo o desenho, porém, ainda depende da regulamentação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Os mais novos, porém, já preveem a obrigação de conectividade.
Depois da edição do regulamento da ANTT, as concessionárias terão 180 dias para apresentarem planos de conectividade com metas de cobertura por trecho, cronograma e mapeamento das áreas sem conectividade. Depois disso, a agência irá adequar os contratos à nova realidade.
Já a Anatel deverá levar em conta, ao elaborar as regras, o uso de diferentes tecnologias para a ampliação da cobertura, incluindo repetidores de sinal e, para a alimentação, painéis solares.
Encontro será realizado em 11 de novembro pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, pela União Internacional dos Transportes Rodoviários e pelo Ministério dos Transportes do Brasil, com apoio institucional do Sistema Transporte
O Transporte Rodoviário de Cargas estará no centro de uma discussão sobre segurança, eficiência e integração durante a 25ª FENATRAN. No dia 11 de novembro de 2026, das 8h30 às 11h30, na Sala 206 C, ocorrerá o Seminário Internacional do Transporte Rodoviário de Cargas, com o tema “Brasil em movimento: construindo uma logística mais segura, eficiente e integrada”.
Realizado pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), pela União Internacional dos Transportes Rodoviários (IRU) e pelo Ministério dos Transportes do Brasil, o encontro terá três painéis dedicados a questões estratégicas para o desenvolvimento do setor: o enfrentamento ao roubo de cargas, as perspectivas do sistema TIR para a logística regional e internacional e os desafios relacionados aos motoristas profissionais.
Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, o Seminário representa uma oportunidade de aproximar o debate internacional das necessidades das empresas brasileiras e fortalecer a construção de soluções conjuntas.
“Construir uma logística mais segura, eficiente e integrada exige atuação conjunta. Precisamos enfrentar o roubo de cargas, ampliar as possibilidades de integração internacional e reconhecer o motorista como um profissional estratégico para o desenvolvimento do setor. Este Seminário é uma oportunidade de aproximar o poder público, as entidades e as empresas para discutir caminhos que contribuam para a competitividade do transporte e para o desenvolvimento do Brasil”, destaca Rebuzzi.
O primeiro painel, “Roubo de cargas: como vencer uma ameaça que desafia a logística brasileira”, abordará os desafios da segurança nas operações e a importância da cooperação para enfrentar um problema que afeta transportadoras e cadeias de abastecimento.
Na sequência, o painel “Brasil no mapa do TIR: como este novo benefício pode transformar a logística regional e internacional” colocará em discussão as perspectivas desse sistema para o transporte internacional e suas possíveis contribuições para a integração e a eficiência logística.
O terceiro painel, “Motorista é ativo estratégico: como enfrentar a crise e acelerar mudanças”, será dedicado aos profissionais que movimentam o transporte rodoviário. O debate terá como foco os desafios para atrair, formar, valorizar e reter motoristas, considerando sua importância para a continuidade e a qualidade das operações.
Ao reunir essas três frentes, o Seminário propõe uma visão integrada dos desafios do TRC, conectando segurança, relações internacionais e desenvolvimento profissional à agenda de competitividade do setor.
O evento conta com o apoio institucional do Sistema Transporte, formado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), pelo Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SEST SENAT) e pelo Instituto de Transporte e Logística (ITL).
*A inscrição no evento deverá ser feita após o credenciamento na Fenatran ( https://www.fenatran.com.br/pt-br/credenciamento.html ).
Serviço
Seminário Internacional do Transporte Rodoviário de Cargas
Tema: Brasil em movimento: construindo uma logística mais segura, eficiente e integrada
Data: 11 de novembro de 2026
Horário: das 8h30 às 11h30
Local: 25ª FENATRAN – Sala 206 C
Link para inscrição: https://www.portalntc.org.br/eventos/seminario-internacional-do-transporte-rodoviario-de-cargas/
Relator reconheceu possíveis prejuízos a setores da economia; CNT alerta para impactos na continuidade dos serviços de transporte
O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (14), a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 221/2019, que reduz de 44 para 40 horas o limite da jornada semanal de trabalho e estabelece dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial. Conhecida como a PEC do fim da escala 6×1, a proposta prevê a implementação gradual das novas regras e altera o artigo 7º da Constituição Federal.
A PEC foi aprovada pelo Senado Federal em dois turnos, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada votação. A proposta, que já havia recebido o aval da Câmara dos Deputados em maio de 2026, teve seu texto integralmente mantido pelos senadores, sem alterações em relação à versão aprovada pelos deputados federais. Confira aqui como votou cada senador.
Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), sua promulgação compete ao Congresso Nacional, não sendo necessária a sanção presidencial. Caberá ao presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, convocar a sessão solene destinada à promulgação da Emenda Constitucional.
Minutos antes da votação, o relator apelou ao entendimento entre os parlamentares e reconheceu que a aprovação da proposta nos termos atuais poderá gerar impactos para diferentes setores da economia, exigindo medidas posteriores para tratar dessas consequências.
Durante a tramitação da matéria no Plenário, apenas a Emenda nº 37, de autoria do senador Oriovisto Guimarães (PSDB/PR), obteve o apoiamento necessário. A proposta previa um ajuste redacional para assegurar a manutenção de jornadas especiais de trabalho já estabelecidas em lei ou norma regulamentadora. Apesar disso, o relator manifestou-se pela rejeição da emenda. Posteriormente, o partido retirou o destaque apresentado para sua votação em separado, inviabilizando a apreciação individualizada da proposta pelos senadores.
A CNT acompanhou a tramitação da PEC desde os primeiros debates na Câmara dos Deputados. Ao longo do processo, o Sistema Transporte atuou na defesa de que qualquer mudança considere as particularidades operacionais do setor, a disponibilidade de mão de obra qualificada, a necessidade de ganhos de produtividade e a manutenção da prestação de serviços contínuos e de longas distâncias.
A entidade também defendeu a negociação coletiva e uma transição gradual como caminhos para adequar as novas regras às diferentes realidades dos modais, preservando a continuidade dos serviços de transporte de passageiros e cargas. No entanto, não houve o acatamento das sugestões de aprimoramentos apresentados.
Entenda as mudanças
As mudanças trazidas com a PEC 221/2019 decorrem de uma alteração direta no artigo 7º da Constituição Federal. Pelo texto aprovado no Congresso, o limite da jornada semanal de trabalho cai de 44 para 40 horas, sem correspondente redução salarial. Também fica estabelecida a obrigatoriedade de dois dias de repouso semanal remunerado.
Na prática, a combinação entre a redução da jornada e a garantia de dois dias de descanso favorece a adoção da escala 5×2 – cinco dias de trabalho e dois de folga – em substituição à escala 6×1, na qual o trabalhador atua por seis dias consecutivos e descansa um.
Conforme cronograma previsto, a implementação das novas regras irá ocorrer em duas etapas.
60 dias após a promulgação da emenda: o limite da jornada semanal cai de 44 para 42 horas.
Após mais 12 meses: a jornada máxima chega a 40 horas semanais.
Desafios para o setor transportador
Estudo encomendado pela CNT estima que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com manutenção dos salários, pode elevar inicialmente em aproximadamente 8,66% os custos com pessoal no setor transportador. O impacto inicial projetado é de R$ 11,9 bilhões por ano.
Para recompor as horas de trabalho, a simulação estima a necessidade potencial de cerca de 240,6 mil trabalhadores adicionais. Em um cenário posterior de ajustes econômicos, o estudo projeta retração de R$ 4,8 bilhões por ano no Produto Interno Bruto (PIB) do transporte e perda líquida de 42 mil postos de trabalho. Segundo a análise, o resultado considera tanto a necessidade inicial de recomposição das equipes quanto possíveis ajustes posteriores das empresas diante do aumento de custos.
O estudo mostra ainda como a redução da jornada pode diminuir a oferta de ônibus e agravar a superlotação e o tempo de espera no transporte coletivo. Na logística, os efeitos incluem atrasos nas entregas, perda de eficiência e queda na produtividade, especialmente no transporte de perecíveis e cargas vivas.
“Continuaremos trabalhando para que a implementação das novas regras ocorra de forma responsável, preservando a sustentabilidade do transporte brasileiro, os empregos formais e a continuidade dos serviços essenciais à população”, disse o diretor de relações institucionais do Sistema Transporte, Valter Souza.
Escassez de motoristas, qualificação contínua e baixa participação feminina estão entre os pontos de atenção do setor, segundo estudo encomendado pela ABTLP
A exemplo do que já ocorre em outros segmentos do transporte rodoviário de cargas brasileiro, a crescente falta de motoristas e a necessidade de formação de novos profissionais também desafia o transporte de produtos perigosos. A informação é confirmada pelo Perfil Empresarial – Brasil, estudo solicitado pela Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP) e desenvolvido pelo Instituto Paulista do Transporte de Carga (IPTC).
Com base nos dados de 98.841 trabalhadores formais, dos quais 50.163 são motoristas, o estudo revela características importantes sobre escolaridade, diversidade e qualificação dos profissionais do segmento.
De acordo com o levantamento, entre os trabalhadores identificados, 65.527, ou 66,3%, possuem ensino médio completo, enquanto 17,3% concluíram o ensino fundamental, 9,3% têm ensino fundamental incompleto e 6,8% possuem ensino superior. Como o levantamento reúne diferentes funções e apresenta forte presença de profissionais operacionais, os números também mostram que o grau acadêmico, isoladamente, não traduz toda a especialização exigida pela atividade.
Para o presidente da ABTLP, Oswaldo Caixeta, a qualificação necessária para atuar no transporte de produtos perigosos é construída de forma contínua e envolve conhecimentos que vão além do nível de escolaridade. “Quando falamos em especialização, não nos referimos apenas à formação acadêmica, mas principalmente ao conhecimento específico exigido pela atividade. Isso envolve cursos de formação e capacitação, treinamentos técnicos, certificação e atualização constante sobre normas, procedimentos e segurança”.
Essa característica ganha ainda mais relevância em uma atividade submetida a exigências regulatórias e operacionais específicas, nas quais atualização técnica e domínio dos procedimentos de segurança fazem parte da rotina. Para a ABTLP, a preparação é uma característica forte nos profissionais do setor.
“Esses profissionais estão sempre buscando aperfeiçoamento, acompanhando as mudanças nas normas e também as novas práticas do mercado. Estamos falando de uma atividade em que segurança, responsabilidade e qualificação precisam caminhar juntas”, avalia Caixeta.
O recorte por gênero também evidencia um desafio para o segmento. Dos 98.841 trabalhadores formais mapeados, 13.067 são mulheres, o equivalente a 13,2% do total. Entre os motoristas, porém, a participação cai para 1,1%, com 553 mulheres entre 50.163 profissionais.
Para a ABTLP, ampliar essa presença depende de uma série de elementos que ainda não estão plenamente estabelecidos. “A presença feminina em nosso setor depende de diversos fatores, desde a ampliação das oportunidades de ingresso e qualificação até a criação de ambientes de trabalho mais inclusivos e preparados para receber essas profissionais. Ainda existem muitos desafios, mas percebemos um avanço gradual da participação das mulheres, inclusive em funções técnicas, operacionais e de liderança. Um avanço de forma natural, à medida que as oportunidades se ampliam”, reflete Oswaldo.
A renovação dos motoristas é outro ponto de atenção. Embora o estudo identifique mais de 50 mil profissionais na função, o setor enfrenta dificuldades para atrair novos condutores, desafio ainda mais sensível no transporte de produtos perigosos por exigir qualificações específicas.
“A escassez de motoristas profissionais é uma realidade enfrentada pelo transporte de cargas e tem se tornado mais crítica a cada ano. O maior desafio é atrair novos profissionais para a atividade e, ao mesmo tempo, valorizar e manter aqueles que já atuam no setor, oferecendo qualificação, segurança e melhores perspectivas de carreira. No nosso segmento, o problema é ainda mais complexo, pois a atividade exige profissionais experientes, altamente capacitados e preparados para cumprir normas rigorosas de segurança e assumir responsabilidades que vão muito além da condução do veículo”, destaca o presidente da ABTLP.
Para ampliar o acesso à capacitação, a ABTLP desenvolveu, em parceria com o SEST SENAT, um curso gratuito e a distância para Condutores de Veículos de Carga (CVC), que já alcançou milhares de motoristas no país. A entidade também prepara para este ano uma nova formação EAD, voltada à sinalização dos veículos utilizados no transporte de produtos perigosos e à aplicação correta das exigências técnicas e regulatórias.
“A ABTLP sempre teve a educação e a qualificação profissional entre os principais pilares de sua atuação. Entendemos que um transporte mais seguro começa necessariamente pela preparação das pessoas que fazem parte dessa atividade”, conclui Caixeta.