Encontro reforçou o diálogo institucional e a aproximação entre as entidades em pautas estratégicas para o Transporte Rodoviário de Cargas
A Coordenação Nacional da COMJOVEM – Comissão de Jovens Empresários e Executivos da NTC&Logística participou, no último dia 25 de fevereiro de 2026, de uma reunião institucional na sede da Câmara Internacional da Indústria de Transportes (CIT), em Brasília (DF). O encontro foi realizado a convite da executiva da Câmara e teve como foco a apresentação institucional das entidades, estreitando a inter-relação e o alinhamento de pautas de interesse comum ao setor.
Representando a COMJOVEM, estiveram presentes o coordenador nacional, Hudson Rabelo, e os vice-coordenadores nacionais, Jéssica Caballero Lopes e Italo Grativol. A comitiva foi recebida pelo CEO da CIT, Marcelo Augusto de Felipes; pela diretora executiva, Larissa Del Carmen Revete, e pela diretora institucional, Ana Paula Motta Cardoso.
Durante o encontro, os representantes apresentaram a atuação de suas respectivas instituições, destacando projetos, iniciativas e a importância da articulação institucional para o fortalecimento do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil e no cenário internacional. O momento também foi marcado pela troca de experiências e pela manifestação de interesse em manter o diálogo contínuo entre as entidades.
Para Hudson Rabelo, a reunião representou um passo importante no relacionamento institucional. “Foi um momento muito importante para explicarmos o trabalho desenvolvido pela NTC&Logística por meio da COMJOVEM, apresentando nossas ações, nossa representatividade e o compromisso da nova geração de lideranças com o futuro do setor. A COMJOVEM já representou a NTC&Logística em diversas reuniões da CIT e, com certeza, continuaremos acompanhando esse trabalho, contribuindo para levar a mensagem do Transporte Rodoviário de Cargas a diferentes espaços, em linha com os objetivos da nossa Associação”, destacou.
A agenda na CIT consolida mais um movimento da COMJOVEM no sentido de ampliar sua presença institucional e fortalecer pontes com organismos que dialogam com o Transporte em âmbito nacional e internacional. A aproximação reafirma o papel da Comissão como elo entre a nova geração de lideranças e os espaços onde se constroem debates relevantes para o futuro do setor, mantendo a NTC&Logística presente e atuante nas discussões que impactam o Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil e no mundo.
Com grandes empresas exigindo critérios ambientais de seus fornecedores, o Transporte Rodoviário de Cargas passa a ocupar posição estratégica na agenda ESG – e conta com o apoio da NTC&Logística e da Domani Global para se adequar
O avanço da agenda ESG no Brasil não está restrito às grandes corporações. Cada vez mais, as exigências ambientais, sociais e de governança estão sendo estendidas a toda a cadeia produtiva – e isso inclui diretamente o Transporte Rodoviário de Cargas, responsável por conectar todos os setores da economia.
Hoje, empresas de diversos segmentos já incorporam critérios ESG na seleção e manutenção de fornecedores. De acordo com a Pesquisa Firjan ESG 2025, um número crescente de organizações passou a exigir comprovações de práticas sustentáveis de seus parceiros comerciais. Isso significa que transportadoras que desejam manter contratos estratégicos precisam estar preparadas para apresentar dados, relatórios e planos estruturados de gestão ambiental.
Além disso, a transparência tornou-se um padrão no mercado corporativo. Estudos recentes da KPMG (2025) indicam que 93% das grandes empresas brasileiras publicam relatórios de sustentabilidade, enquanto 89% divulgam metas de redução de emissões de carbono. Esse cenário reforça que a sustentabilidade já integra a estratégia empresarial – e que fornecedores passam a ser avaliados sob os mesmos critérios.
Paralelamente, a criação do Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE), instituído pela Lei nº 15.042/2024, estabeleceu novas obrigações relacionadas à mensuração e ao reporte de emissões de gases de efeito estufa. Empresas que emitam acima de 10 mil toneladas de CO₂ equivalente (CO₂e) por ano devem reportar seus inventários, enquanto aquelas que ultrapassam 25 mil toneladas anuais precisam apresentar planos de mitigação e compensação.
Diante desse novo ambiente regulatório e de mercado, a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) firmou parceria com a Domani Global, especializada em soluções ESG e gestão de emissões, para apoiar as transportadoras na estruturação de seus processos ambientais de forma prática, acessível e alinhada à realidade do setor.
A iniciativa busca oferecer às empresas de transporte ferramentas para organizar dados, atender exigências legais e fortalecer sua posição competitiva em um cenário no qual a sustentabilidade já é critério de decisão comercial.
Soluções disponíveis para empresas associadas à NTC&Logística
Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) Mensuração das emissões nos escopos 1, 2 e 3, conforme padrões técnicos e exigências regulatórias.
Plataforma Domani SaaS – Sustainability as a Service Sistema digital para gestão ESG, monitoramento contínuo e geração automatizada de relatórios.
Diagnóstico ESG e Plano de Descarbonização Identificação de riscos e definição de estratégias para redução e compensação de emissões.
Treinamentos e capacitações corporativas Formação técnica para equipes operacionais, administrativas e comerciais, com certificação.
Certificação e Selo Carbono Neutro Para empresas que realizarem compensação de emissões por meio de projetos certificados.
Atendimento especializado para o Transporte Rodoviário de Cargas Suporte técnico alinhado às particularidades operacionais e regulatórias do setor.
Os pacotes foram estruturados para atender micro, pequenas, médias e grandes transportadoras, com condições diferenciadas para associadas da NTC&Logística, permitindo que as empresas avancem na agenda ESG de forma planejada, segura e estratégica.
Serviço
Domani Global – Sustentabilidade para o Transporte de Cargas
E-mail: contato@domani.global
Telefone/WhatsApp: +55 11 99559-8402
Site:www.domani.global
Redes sociais: LinkedIn, Instagram e demais plataformas oficiaisCódigo de desconto exclusivo para associadas da NTC&Logística: NTC15
Inventário CNT de Emissões consolida dados inéditos e orienta a agenda de descarbonização do transporte no Brasil
A CNT realizou, nessa quinta-feira (26), o Webinar Rota CNT do Conhecimento, iniciativa voltada a empresas do setor transportador, representantes de federações, sindicatos e associações, além de lideranças do Sistema Transporte. A iniciativa marcou a construção coletiva do Inventário CNT de Emissões de Gases do Efeito Estufa do Transporte, estudo pioneiro apresentado na COP30 e realizado em parceria com a Ambipar.
O Inventário analisou todos os modos de transporte — rodoviário, ferroviário, aéreo e aquaviário —, incluindo as infraestruturas portuária e aeroportuária, dimensionando as emissões e identificando ações em curso voltadas à descarbonização. O estudo também evidenciou o protagonismo do setor em iniciativas já implementadas pelas diferentes modalidades para mitigação e neutralização de emissões.
Além de reunir números inéditos, o levantamento se destaca pelo processo de construção coletiva, conduzido sob a coordenação técnica da CNT, com o apoio da Ambipar e a colaboração de entidades e empresas do setor. A participação ampla assegura legitimidade ao diagnóstico e estabelece base sólida para a formulação de políticas públicas e estratégias empresariais voltadas à descarbonização.
A Confederação informou que novas edições do estudo serão desenvolvidas, com a ampliação do uso de dados primários e o fortalecimento do engajamento das entidades representativas.
Durante o Webinar, a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, destacou que o estudo apresenta dados detalhados por estado e por tipo de veículo, o que amplia a precisão na formulação de políticas públicas e estratégias regionais. Segundo ela, o Inventário representa um marco para a estruturação de programas de incentivo à descarbonização e reforça o alinhamento das entidades do transporte em torno de uma agenda comum de sustentabilidade.
O consultor técnico da CNT Bruno Batista, que contribuiu para a coordenação do estudo, ressaltou que o setor já desenvolve diversas ações favoráveis à conservação ambiental. “Com esse diagnóstico, damos visibilidade às iniciativas em curso e ao potencial do transporte para avançar na redução das emissões”, afirmou.
Representando a Ambipar, o presidente de Sustentabilidade da companhia, Rafael Tello, contextualizou o trabalho como parte de uma jornada contínua de descarbonização. Ele observou que o Brasil já é referência em biocombustíveis e tem uma matriz elétrica limpa, fatores que inserem o país em posição estratégica para avançar na transição energética.
Tello também destacou os diferenciais técnicos do Inventário, que consolidou, pela primeira vez, dados desagregados por tipo de veículo e por estado, garantindo maior precisão às análises. A partir dessas informações, cada entidade regional poderá formular estratégias próprias, alinhadas às suas realidades locais. Como próximos passos, apontou a ampliação do uso de dados primários e o engajamento de mais entidades com vistas à padronização das informações e ao aprimoramento das futuras edições do Inventário.
O Webinar contou ainda com a participação da equipe técnica ambiental da CNT: a gerente executiva Erica Marcos, os analistas em transporte Gustavo Willy e Raflem dos Santos, e as técnicas Andreia Lima e Wlliane Magna. Pela Ambipar, também participou o líder em ESG, Henrique Dutra.
De autoria do Senado e aprovada na Câmara dos Deputados, em Brasília, PL 6139/23 agora segue para sanção do presidente da República
A Câmara dos Deputados aprovou projeto que cria um portal único para centralizar a solicitação de seguro de exportação, eliminando a necessidade de múltiplos cadastros e agilizando o acesso ao crédito. A medida reduz a burocracia e acelera a liberação de cargas, impactando positivamente os prazos logísticos e a competitividade dos produtos brasileiros no exterior.
O ambiente digital permitirá que diferentes operadores analisem a mesma solicitação de forma paralela, compartilhando documentos e informações. Essa integração diminui o tempo de espera por garantias, desobstruindo gargalos administrativos e facilitando o planejamento de embarques e a contratação de fretes internacionais.
A exigência de transparência nas condições financeiras e nos prazos de tramitação dá previsibilidade aos exportadores, que podem ajustar suas cadeias de suprimentos com maior segurança. A inclusão de mecanismos como mediação e arbitragem oferece soluções rápidas para conflitos, evitando paradas inesperadas nas operações.
Ao permitir que seguradoras e financiadores privados atuem na modalidade indireta, o projeto amplia as fontes de recursos para o comércio exterior. Mais opções de crédito significam maior capacidade de investimento em infraestrutura logística, como armazéns e terminais, essenciais para escoar a produção.
A prioridade para projetos de economia verde e a extensão do prazo de cobertura para 750 dias beneficiam micro, pequenas e médias empresas, que ganham fôlego financeiro para estruturar operações complexas. “Às vezes, o debate público é contaminado pela falsa ideia de que esses recursos financiariam outros países ou governos, mas o correto é considerar que o crédito e as garantias dirigem-se ao financiamento de produtos e serviços brasileiros, para serem exportados”, diz o deputado Arlindo Chinaglia, relator do Projeto de Lei 6139/23, que agora segue para sanção presidencial.
A reformulação do Fundo Garantidor e a disciplina nos financiamentos do BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social trazem estabilidade para contratos de longo prazo e para projetos binacionais. Com regras claras e proteção contra inadimplência, a logística de exportação ganha fluxo contínuo, reduzindo riscos e fortalecendo a presença brasileira no mercado global.
Projetos em Itaguaí, Santos e Paranaguá superam gargalos logísticos e geram milhares de empregos no setor portuário
Nos últimos três anos, o Brasil realizou 26 leilões no setor portuário, totalizando mais de R$ 15 bilhões em investimentos contratados. Desses, quatro megaleilões se destacam por ultrapassarem R$ 1 bilhão cada, concentrando R$ 12 bilhões em projetos localizados nas regiões Sul e Sudeste.
Essas iniciativas, promovidas pelo Governo Federal por meio do Ministério de Portos e Aeroportos, visam superar gargalos históricos, integrar modais de transporte e promover a relação porto-cidade. O ministro Silvio Costa Filho enfatizou que os leilões portuários colocam a infraestrutura no centro da agenda de desenvolvimento do país, com projetos sólidos que atraem investimentos, geram emprego e fortalecem a logística nacional.
O secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, destacou que esses leilões representam uma mudança estrutural no planejamento da infraestrutura portuária, com foco em eficiência operacional, previsibilidade regulatória e integração logística.
O primeiro megaleilão, o ITG02 no Porto de Itaguaí (RJ), prevê R$ 3,5 bilhões em investimentos ao longo de 35 anos. Arrendado pela Cedro Participações, o terminal de 348,9 mil m² terá capacidade para 20 milhões de toneladas anuais, consolidando o porto como polo para exportação de minério de ferro. A implantação deve gerar 2.800 empregos indiretos, além de 2.000 postos diretos e indiretos na operação.
Em São Paulo, o Túnel Santos-Guarujá, no Porto de Santos, é a maior obra de infraestrutura do Novo PAC, com R$ 6,8 bilhões em investimentos em parceria entre o Governo Federal e o Estado. Executado pela Mota-Engil, o primeiro túnel imerso da América Latina reduzirá o tempo de travessia de 50 para cinco minutos, com seis faixas, ciclovia e espaço para VLT. A obra impactará 720 mil pessoas e gerará cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos, fortalecendo a eficiência logística do maior porto da América Latina.
No Paraná, o canal de acesso ao Porto de Paranaguá inaugurou um novo modelo de concessão, com R$ 1,23 bilhão em investimentos por 25 anos. Realizado em outubro de 2025, o projeto inclui dragagem para aumentar o calado de 13,5 m para 15,5 m, permitindo navios maiores e ampliando a capacidade operacional. O contrato abrange dragagens periódicas, manutenção, sinalização e gestão do tráfego, garantindo segurança e eficiência.
Também em Paranaguá, três terminais (PAR14, PAR15 e PAR25) foram leiloados conjuntamente, com lances totais de R$ 855 milhões em outorga e investimentos de R$ 2,18 bilhões. O PAR14, arrematado pela BTG Pactual Commodities Sertrading, prevê R$ 1,01 bilhão, incluindo modernização e construção de píer, gerando mais de 1,6 mil empregos diretos e 3,4 mil indiretos.
O PAR15, vencido pela Cargill Brasil, receberá R$ 604,17 milhões para movimentar 4 milhões de toneladas anuais, com 180 empregos diretos em operação. Já o PAR25, do Consórcio ALDC (Louis Dreyfus Company e Amaggi), terá R$ 565,09 milhões, contribuindo para a expansão logística e escoamento da safra agrícola. As informações foram retiradas do Governo Federal.
Encontro discutiu questões centrais para o Transporte Rodoviário de Cargas, com foco em segurança jurídica, legislação trabalhista e alinhamento institucional do setor
Durante a programação do CONET&Intersindical, realizado em Brasília (DF), no Hotel Golden Tulip Alvorada, a Câmara Técnica de Assuntos Trabalhistas e Sindicais (CATSIND), da NTC&Logística, promoveu reunião para debater pautas jurídicas e trabalhistas prioritárias para o Transporte Rodoviário de Cargas.
O encontro deu continuidade às discussões iniciadas na reunião do dia 26 de fevereiro, reforçando o alinhamento institucional entre as entidades participantes diante de temas legislativos e judiciais que impactam diretamente as empresas do setor.
Participaram da reunião representantes das seguintes entidades: FENATAC; FETCEMG; FETCESP; FETRANSCARGA; FETRANSUL; FETRANSLOG;
Entre os principais pontos debatidos, esteve a confirmação do V Seminário Trabalhista do TRC, previsto para o dia 6 de maio de 2026, no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, em Brasília, com apoio da NTC&Logística. Foram sugeridos, como eixos do evento, os seguintes temas: PEC 22, contribuição assistencial e os impactos da Inteligência Artificial nos julgamentos e nas provas digitais.
Também foi discutido o novo julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade da pejotização, com preocupação quanto aos possíveis reflexos em decisões anteriores que admitiram a terceirização da atividade-fim, inclusive no transporte rodoviário de cargas. A Câmara deliberou pelo acompanhamento próximo do tema junto à assessoria jurídica da CNT que atua na Suprema Corte.
Outro tema relevante foi a análise do § 7º do art. 67-C do Código de Trânsito Brasileiro, que trata da responsabilidade solidária do embarcador e do transportador quanto ao cumprimento do intervalo de 11 horas de descanso do motorista profissional. Foram debatidas alternativas legislativas e regulamentares para tornar mais efetiva essa responsabilização, incluindo a possibilidade de proposta de Resolução ao CONTRAN e sugestões de ajustes na Lei 11.442/07.
A reunião também abordou as Ações Civis Públicas no Rio Grande do Sul relacionadas à jornada do motorista, além da cobrança judicial e extrajudicial da contribuição assistencial patronal, tema que vem sendo enfrentado por diferentes entidades na defesa da legalidade da cobrança.
A reunião foi coordenada pelo assessor jurídico da NTC&Logística e coordenador da Câmara Técnica, Dr. Narciso Figueirôa Júnior, que destacou a importância do encontro: “Considero a reunião realizada durante o CONET&Intersindical muito produtiva. Discutimos temas atuais e relevantes para as empresas e entidades sindicais patronais do Transporte Rodoviário de Cargas e Logística. Contamos com
a participação de membros da CATSIND de várias regiões do Brasil e colhemos sugestões importantes de temas para o V Seminário Trabalhista do TRC, que será promovido pela Comissão de Trabalho (CT) da Câmara dos Deputados, com apoio da NTC&Logística. Também debatemos medidas que possam aperfeiçoar a legislação trabalhista, proporcionando mais segurança jurídica ao setor”.
O encontro reforçou o papel da CATSIND como espaço técnico de articulação nacional, voltado à construção de propostas e posicionamentos que fortaleçam o Transporte Rodoviário de Cargas em todo o país.
A primeira edição de 2026 do Seminário Itinerante da NTC&Logística ocorrerá no estado de Pernambuco, recepcionada pela Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Nordeste – FETRACAN, pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas, Entregas, Armazenagem e Logística do Estado de Pernambuco – SETCEPE e pelo Núcleo da COMJOVEM Recife, no dia 19 de março, às 8h30, no Complexo Industrial Portuário de Pernambuco
(SUAPE), localizado no litoral sul, abrangendo os municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho.
Criado em 2004, o Seminário Itinerante tem o propósito de levar a NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística a diversas regiões do país, promovendo capacitação técnica e oportunidades de negócios para empresários e executivos do setor de transporte de cargas e logística.
A programação contará com temas relevantes para o setor e que impactam diretamente as atividades das empresas. A organização do evento também conta com o apoio da COMJOVEM – Comissão de Jovens Empresários e Executivos do Transporte Rodoviário de Cargas da NTC&Logística.
Ratificando a missão da NTC&Logística de estar ao lado do transportador rodoviário de cargas, de Norte a Sul do Brasil, o Seminário Itinerante já percorreu diversos estados ao longo de mais de duas décadas.
Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, “a primeira edição do Seminário Itinerante de 2026, que ocorrerá no estado de Pernambuco, marca o início de um novo ciclo de encontros, reafirmando o compromisso da entidade de estar próxima do transportador rodoviário de cargas em todas as regiões do país. Abrir o calendário em um Estado estratégico para a logística do Nordeste reforça a importância do diálogo regional e da troca de experiências. Ao longo deste ano, o Seminário Itinerante passará por três cidades, promovendo encontros qualificados, debates relevantes e aprendizados práticos para empresários, executivos e lideranças do setor. Estamos confiantes de que o Seminário Itinerante em Pernambuco dará o tom de mais uma temporada de sucesso, contribuindo de forma efetiva para o fortalecimento do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil”.
O evento será realizado presencialmente, no Complexo Industrial Portuário de Pernambuco (SUAPE) – Rodovia Indonésia, S/N – Bairro: Distrito Industrial de Ipojuca – Suape Ipojuca – Pernambuco (PE). A participação é aberta a todos os empresários da região que contribuem para um Transporte Rodoviário de Cargas cada vez mais forte.
PROGRAMAÇÃO PRELIMINAR PERÍODO DA MANHÃ – VISITA TÉCNICA
8h30 | 9h | Recepção com Café de Boas-Vindas e Credenciamento
9h | 11h30 | Visita Técnica – Porto de Suape
Apresentação institucional
Visita guiada às operações
Ênfase em eficiência logística, integração multimodal e relação porto–TRC
11h30 | 12h15 | Palestra: BR do Mar e os Impactos para a Cabotagem e a Competitividade Logística
Palestrante Convidado: a ser definido
12h30 | 14h | Almoço de Relacionamento
Local: a ser definido
PERÍODO DA TARDE – CONTEÚDO TÉCNICO E MERCADO
Local: Prédio administrativo do Porto de Suape – Rodovia Indonésia, S/N – Bairro: Distrito Industrial de Ipojuca – Suape Ipojuca – Pernambuco (PE)
14h15 | 14h30 | Abertura Oficial
Boas-vindas institucionais
Contextualização do encontro
Importância do associativismo e das conexões logísticas regionais
14h30 | 15h45 | Palestra: Mercado e Tarifa
Palestrante: Engo Lauro Valdivia, Assessor Técnico da NTC&Logística
Conteúdo:
Atualização do INCT (Índice Nacional de Custos do Transporte)
Apresentação da Pesquisa de Mercado DECOPE 2026
Demonstração de Aplicações práticas da Plataforma de Cálculo de Frete
15h45 | 16h15 | Intervalo
16h15 | 17h30 | NTC TALKS – Soluções para o TRC
Participantes: Transpocred – Crédito e soluções financeiras para o TRC
NDD – Tecnologia, gestão fiscal e documentos eletrônicos The – Soluções corporativas e apoio à gestão empresarial Apvida – Saúde e bem-estar para empresas e colaboradores
Pamcard – Meios de pagamento e gestão de benefícios para o transporte
NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística
FETRACAN – Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Nordeste
SETCEPE – Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas, Entregas, Armazenagem e Logística do Estado de Pernambuco
Patrocínio
FENATRAN
Transpocred
Apoio Institucional
Sistema Transporte – CNT / Confederação Nacional do Transporte / SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte / ITL – Instituto de Transporte e Logística
No dia 5 de março de 2026, o Bioparque Pantanal, em Campo Grande (MS), será palco do seminário internacional “O Sistema TIR como catalisador para integração e competitividade no Corredor Bioceânico”, iniciativa da União Internacional dos Transportes Rodoviários (IRU) com apoio institucional da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística).
O evento reunirá autoridades, representantes do setor privado, especialistas internacionais e lideranças do Transporte Rodoviário de Cargas para discutir os impactos logísticos, comerciais e institucionais da implementação do Sistema TIR, em conjunto com o avanço do Corredor Bioceânico – rota estratégica que conecta o Centro-Oeste brasileiro aos portos do norte do Chile, ampliando o acesso aos mercados da Ásia e da Europa. A realização do encontro em Campo Grande evidencia o papel estratégico de Mato Grosso do Sul na integração regional e no fortalecimento das conexões internacionais do Brasil.
Para a IRU, o seminário representa um momento decisivo de alinhamento entre governos e setor produtivo. “O principal objetivo da IRU é apresentar, de forma técnica e estratégica, como a combinação do desenvolvimento do Corredor Bioceânico e a implementação do Sistema TIR podem aumentar a competitividade logística da região”, afirma Tatiana Rey-Bellet, diretora do Departamento TIR e Trânsito da IRU.
Segundo ela, o evento cria um fórum qualificado de diálogo entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, favorecendo a redução de barreiras comerciais, a simplificação de procedimentos aduaneiros e o aumento da previsibilidade nas operações internacionais.
Administrado pela IRU sob mandato das Nações Unidas, o Sistema TIR é considerado o único sistema global de trânsito aduaneiro. Na prática, permite que cargas lacradas atravessem fronteiras com menos burocracia e menor necessidade de inspeções repetidas, reduzindo filas, custos e riscos logísticos. “O Sistema TIR oferece garantias internacionais, documentação padronizada e procedimentos simplificados, que reduzem significativamente o tempo e os custos do transporte internacional. Isso significa mais fluidez nas fronteiras, maior segurança aduaneira e previsibilidade para as empresas”, destaca Tatiana. No contexto do Corredor Bioceânico, essas vantagens são determinantes para tornar a rota mais competitiva e ampliar o fluxo de mercadorias na região.
Para Mato Grosso do Sul, os impactos são diretos. A consolidação do corredor pode impulsionar exportações do agronegócio e da indústria, atrair novas cadeias produtivas, estimular investimentos em infraestrutura e gerar empregos, posicionando o Estado como um dos principais polos logísticos da América do Sul. O Brasil formalizou sua adesão à Convenção TIR em 30 de janeiro de 2026, passo essencial para viabilizar a operação coordenada entre os países do corredor, que agora avançam em capacitação técnica, integração tecnológica e harmonização de procedimentos nas fronteiras.
Eduardo Rebuzzi, presidente da NTC&Logística, ressalta que a entidade acompanha e discute o Sistema TIR há muitos anos, promovendo trocas de informações, diálogo técnico com autoridades e aproximação com a IRU para contribuir com a construção de um ambiente regulatório adequado no Brasil. “O papel da NTC&Logística sempre foi o de fomentar conhecimento e preparar o setor para essa nova realidade do transporte internacional”, afirma.
A NTC&Logística é membro da IRU desde 1970 e representante única da instituição no Brasil, o que comprova um relacionamento institucional sólido e contínuo. Esse vínculo permitiu que o Brasil acompanhasse a evolução do sistema ao longo de décadas e hoje esteja preparado para implementar o TIR de forma estruturada e alinhada aos padrões internacionais.
Rebuzzi enfatiza que a realização do seminário em Campo Grande simboliza um momento importante dessa trajetória, conferindo ao vice-presidente extraordinário de Transporte Internacional da NTC&Logística, Danilo Guedes, a missão de representar a entidade. “Mato Grosso do Sul ocupa posição central no Corredor Bioceânico e tem potencial para se consolidar como um polo logístico estratégico na América do Sul. A implementação do Sistema TIR, aliada ao desenvolvimento do corredor, cria um
ambiente mais competitivo, seguro e previsível para as empresas de transporte e para o comércio exterior brasileiro”, ratifica Danilo Guedes.
A Braspress Air Cargo (BAC), companhia aérea do Grupo Braspress, recebeu o terceiro Boeing 737-400 no último domingo (22) a fim de integrar sua frota, o que resulta em um passo importante na expansão da operação da Organização e no fortalecimento de sua malha logística no território nacional.
Segundo Urubatan Helou, Diretor-Presidente, a BAC, que em nove meses de operação executou 374 voos e transportou 4.547.097 (quatro milhões, quinhentos e
quarenta e sete mil e noventa e sete) quilos de carga, já se destacou no cumprimento de suas atividades diante da grande gama de clientes que possui, o que levou à aquisição do novo avião.
“A chegada dessa 3ª unidade marca mais um passo importante na consolidação da BAC como um player estratégico na aviação de cargas em nosso país. Esse reforço de frota amplia nossa capacidade operacional, permitindo oferecer mais agilidade, confiabilidade e cobertura aos nossos clientes, que já são características genuínas da companhia desde o início”, afirmou.
A aeronave, registrada como PS-BPC, chegou ao Brasil já configurada para transporte de cargas e deverá ser integrada à malha de voos em breve, contribuindo para o aumento da capacidade de movimentação de mercadorias entre os principais pólos logísticos.
Os dois primeiros Boeing 737-400 destinados à companhia já haviam sido incorporados à frota, realizando a rota Campinas-Manaus-Campinas e são parte de uma estratégia para aumentar a eficiência e autonomia da Braspress no transporte de cargas, integrando sua operação terrestre com o modal aéreo, que, com a nova aquisição, pretende alastrar também a rota aérea, passando a operar no Nordeste.
“Temos uma grande movimentação de cargas partindo do nosso Hub em Guarulhos (SP) para o Brasil todo e algumas demandas específicas que dependem do serviço aéreo para as localidades mais distantes, como é o caso da região Norte e Nordeste, que é para onde pretendemos expandir a nossa operação”, finalizou Urubatan Helou.
Com o agravamento do conflito no Oriente Médio, após ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã e a resposta de Teerã, o preço do petróleo no mercado internacional subiu 13%, ultrapassando US$ 82.
Essa alta acelerou a diferença dos preços de venda da gasolina e do diesel nas refinarias da Petrobras em comparação com os valores globais, o que deve aumentar a pressão sobre os preços no Brasil.
Sergio Araújo, presidente da Abicom, que reúne importadoras de combustíveis do país, afirma que, na última sexta-feira, o preço do litro do diesel nas refinarias da Petrobras estava 12% abaixo do valor internacional, e a gasolina, 3% abaixo. Agora, essa diferença cresceu para -23% no diesel e -17% na gasolina. Segundo ele, produtos importados e de refinarias privadas no Brasil terão aumento nos preços.
A Petrobras está cautelosa diante da instabilidade atual e pretende observar o comportamento do preço do barril nas próximas duas semanas, antes de considerar reajustes nos preços dos combustíveis em suas refinarias. Até o momento, não há indicações de mudanças imediatas devido à incerteza do cenário.
Pedro Rodrigues, sócio da consultoria CBIE, comenta que a política de preços da Petrobras mudou, pois agora a empresa não ajusta os aumentos imediatamente apesar de reduzir preços rapidamente. Ele destaca a necessidade de avaliar se a alta será duradoura ou temporária, e que, caso o Estreito de Ormuz seja fechado permanentemente, os preços terão que ser revisados.
Após declarações do presidente americano Donald Trump sobre possíveis negociações com o Irã, o preço do petróleo recuou um pouco, mantendo-se em US$ 79,11 por barril, com alta de 8,55%.
O aumento do preço do petróleo está muito ligado à quase interdição do Estreito de Ormuz, rota fundamental para o transporte de cerca de um quinto da produção mundial de petróleo.
O último ajuste da Petrobras para a gasolina ocorreu em 27 de janeiro deste ano, resultando numa redução média de 5,2%, sem alteração no preço do diesel.
A pressão maior atualmente recai sobre o diesel, que desde o começo de fevereiro tem registrado defasagem de preço na comparação com o mercado internacional, exercendo maior pressão sobre os preços brasileiros.
Sergio Araújo ressalta que, apesar do aumento expressivo no preço do petróleo, o reajuste do diesel não acontece desde maio de 2025 devido a um momento político delicado e os efeitos diretos na inflação. Ele ainda destaca que o cenário fiscal e o ano eleitoral tornam o aumento sensível.
Segundo Sergio Araújo, é improvável que haja solução imediata para o conflito no Oriente Médio. Ele acredita que o preço do barril deve oscilar em torno de US$ 80 ou um pouco acima, o que é positivo para o Brasil como exportador de petróleo, contribuindo para a balança comercial e aumentando a margem das petroleiras nacionais. Contudo, produtos importados e refinados por empresas privadas também sofrerão aumento nos preços.
Atualmente, o Brasil importa cerca de 30% da demanda de diesel e 10% da gasolina, além de outros derivados. As regiões Norte e Nordeste, que contam com apenas uma refinaria da Petrobras em Pernambuco, sentirão mais intensamente o impacto dos aumentos.
A Petrobras não respondeu até o momento às solicitações para comentar o assunto.
Alta de 5,4% em 2025 consolida maior volume da série histórica recente e reforça competitividade do sistema portuário
Portos públicos e terminais privados da Região Sul somaram 198,9 milhões de toneladas em 2025, com crescimento consistente em todos os perfis de carga.
A movimentação totalizou 129 milhões de toneladas em portos públicos e 69,9 milhões em terminais de uso privado, segundo dados da Antaq.
Entre os complexos com maior volume destacam-se Paranaguá (66,4 milhões de toneladas), Rio Grande (31,6 milhões), São Francisco do Sul (17,5 milhões), Itapoá (16,1 milhões) e o Terminal Aquaviário de Osório (10,7 milhões).
“O crescimento consistente da movimentação no Sul mostra que o Brasil está ampliando sua competitividade e garantindo melhores condições para exportar e desenvolver as regiões.” — Silvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos
Perfil das cargas
Os granéis sólidos lideraram com 90,9 milhões de toneladas, seguidos pelos granéis líquidos, com 33,7 milhões. O maior avanço proporcional foi o das cargas conteinerizadas, que cresceram 12,5% e alcançaram 58,9 milhões de toneladas.
A carga geral somou 16,2 milhões de toneladas, alta de 4,5%.
Perfil de transporte
O longo curso concentrou 152,3 milhões de toneladas (+5,8%), com China, Singapura e Irã como principais destinos. A cabotagem atingiu 26,8 milhões de toneladas (+2,96%), enquanto as vias interiores somaram 6,7 milhões (+4,41%).
Investimentos e modernização
O segundo bloco de leilões portuários prevê mais de R$ 226 milhões em investimentos privados, incluindo o Terminal POA26, no Porto de Porto Alegre, com R$ 21,13 milhões e contrato de 10 anos.
Além disso, estão previstos R$ 26,8 bilhões em investimentos estratégicos na Região Sul, sendo R$ 24 bilhões para nova unidade industrial de celulose em Barra do Ribeiro (RS) e R$ 2,8 bilhões para construção de embarcações no âmbito do Programa Mar Aberto.
Na sexta-feira (27), a NTC&Logística realizou, em parceria com a Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas & Logística (FENATAC), em Brasília (DF), o segundo dia de atividades da primeira edição de 2026 do CONET&Intersindical, com a realização da reunião Intersindical. O encontro reuniu presidentes de federações, sindicatos e lideranças empresariais de todo o país para discutir temas estruturais que impactam diretamente o Transporte Rodoviário de Cargas.
A Intersindical, tradicionalmente realizada durante o segundo dia de atividades do CONET&Intersindical, amplia o debate técnico sobre custos e mercado, trazendo para o centro da pauta questões institucionais, legislativas e regulatórias. O objetivo é alinhar posicionamentos, fortalecer a atuação das entidades e construir estratégias conjuntas para os desafios nacionais do setor.
Na abertura dos trabalhos, o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi; o presidente da FENATAC, Paulo Afonso Lustosa; o vice-presidente da NTC&Logística, Antonio Luiz Leite, e o diretor financeiro da entidade, José Maria Gomes, foram
chamados para compor a mesa e iniciar oficialmente o segundo dia de eventos do CONET&Intersindical.
Em sua fala, Rebuzzi fez um breve balanço do primeiro dia de evento e destacou a importância da continuidade das discussões no âmbito institucional. “Se no CONET analisamos a formação de custos, a defasagem do frete, os índices econômicos e as condições de mercado que impactam diretamente a rentabilidade das empresas, na Intersindical aprofundamos os temas estruturais que moldam o ambiente em que operamos. Aqui, tratamos de legislação, regulação, segurança jurídica, reforma tributária, relações trabalhistas e infraestrutura. É neste fórum que transformamos análise técnica em posicionamento institucional, alinhamos estratégias nacionais e fortalecemos a presença do setor nos espaços de decisão. A competitividade das nossas empresas depende dessa atuação coordenada e permanente.”
Na ocasião, o presidente apresentou um vídeo institucional, narrado pela assessora de Relações Institucionais da NTC&Logística, Edmara Claudino, que destacou as principais conquistas e frentes de atuação da entidade em Brasília. O material evidenciou o trabalho permanente da Associação junto ao Congresso Nacional, aos ministérios, às agências reguladoras e ao Sistema Transporte, com participação ativa em audiências públicas, grupos técnicos e articulações legislativas voltadas à defesa dos interesses do Transporte Rodoviário de Cargas.
Eduardo Rebuzzi ainda reforçou, na apresentação “Relato NTC&Logística” que os avanços regulatórios, as vitórias institucionais e a presença estratégica da entidade nos espaços de decisão são resultados diretos do associativismo fortalecido e da atuação coordenada entre federações, sindicatos e empresas associadas.
“Nosso trabalho, em Brasília, é permanente, técnico e estratégico. Acompanhamos cada projeto de lei que impacta o Transporte Rodoviário de Cargas, dialogamos com ministérios, ANTT, CNT, e atuamos inclusive no STF quando estão em jogo temas sensíveis como a Lei do Motorista, jornada de trabalho e segurança jurídica das concessões. Estamos presentes nas discussões sobre Reforma Tributária, RNTRC, seguros obrigatórios, PGR, reoneração da folha, tabela de frete, política de preços do diesel e infraestrutura. Nada disso acontece de forma isolada. É o associativismo estruturado, a união entre federações, sindicatos e empresas, que nos dá legitimidade e força para defender o setor com base técnica e responsabilidade institucional nos espaços de decisão”, destacou Rebuzzi. Na ocasião, o presidente também apresentou todos os assessores da entidade presentes e agradeceu pelo trabalho desenvolvido.
O vice-presidente da NTC&Logística, Antonio Luiz Leite, em sua fala de abertura, também refletiu sobre a amplitude da atuação nacional da entidade e a necessidade de maior engajamento político por parte do empresariado do setor. “Somos uma associação nacional que discute temas de alcance nacional, mas que muitas vezes têm impactos muito diferentes nas realidades regionais. A diversidade de demandas é enorme, por isso, é fundamental que cada empresário participe, que traga seus deputados e senadores para o debate, que acompanhe a política regional e saiba onde buscar apoio quando surgirem problemas locais. Vivemos um momento crítico no cenário nacional, com eleições à frente e decisões que impactam diretamente o ambiente de negócios. O empresário precisa, sim, se envolver em política, porque nossos colaboradores, nossas empresas e o próprio setor dependem dessa atuação.”
Em seguida, o diretor financeiro da entidade, José Maria Gomes, ressaltou a importância do associativismo como pilar de sustentação do setor e destacou a responsabilidade coletiva dos empresários na manutenção de entidades fortes e representativas. “O associativismo é uma das grandes bandeiras do nosso setor e precisa ser cada vez mais valorizado. Não se trata apenas de contribuição financeira, mas também de participação ativa dos empresários. Sem engajamento, não há fortalecimento sistêmico. Vivemos um momento de certa descrença nas instituições, mas é preciso refletir: como estaria o nosso ambiente de negócios se as entidades de classe não existissem? Certamente seria muito pior. As entidades não fazem milagres, mas defendem de forma responsável os interesses do setor, mesmo diante de variáveis que não controlamos e de outros grupos que também atuam em defesa de seus próprios interesses. Se não tivermos uma representação forte, organizada e participativa, simplesmente não seremos ouvidos.”
Por fim, o presidente da FENATAC, Paulo Afonso Lustosa, destacou a importância da integração entre os diferentes segmentos representados no evento e reforçou o papel do diálogo institucional diante dos desafios regulatórios e estruturais enfrentados pelo setor. “A NTC&Logística nos proporciona algo essencial: a convivência e a troca de experiências entre empresários de diversos segmentos. Essa diversidade mostra a força do nosso sistema. Precisamos aproveitar este dia para discutir temas que impactam diretamente nossas atividades, como infraestrutura e regulação. É fundamental estarmos unidos, fortalecidos institucionalmente e preparados para dialogar com responsabilidade e firmeza em defesa do setor.”
Painel de Infraestrutura
A programação de conteúdo da Intersindical teve início com o Painel de Infraestrutura e contou com os palestrantes convidados, Fernanda Rezende, diretora executiva da Confederação Nacional do Transporte (CNT); George Lavor Teixeira, coordenador da SUPET/COELT da INFRA S.A., e Hugo Leonardo Cunha Rodrigues, superintendente de Fiscalização de Serviços de Transporte Rodoviário de Cargas e Passageiros (SUFIS) da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Em sua explanação, a diretora executiva da Confederação Nacional do Transporte, Fernanda Rezende, detalhou os principais indicadores levantados no estudo, apontando a evolução e também os gargalos persistentes na malha pavimentada, além dos impactos diretos das condições das rodovias sobre custos operacionais, segurança viária, competitividade do Transporte Rodoviário de Cargas e ESG.
“A Pesquisa CNT é uma ferramenta técnica que nos permite avaliar, com metodologia padronizada e dados concretos, a real condição da infraestrutura rodoviária do país. Quando analisamos qualidade do pavimento, sinalização e geometria, estamos falando diretamente de segurança, eficiência operacional e custo para o transportador. Estradas inadequadas elevam o consumo de combustível, aumentam o desgaste dos veículos e ampliam o risco de acidentes. Por isso, os dados da pesquisa são fundamentais para orientar políticas públicas e priorizar investimentos com base em evidências”, refletiu Fernanda.
No Painel de Infraestrutura, George Lavor Teixeira, da INFRA S.A., expôs uma visão abrangente do Plano Nacional de Logística (PNL) e os projetos estratégicos vinculados ao planejamento logístico nacional. Ao mesmo tempo, abordou a carteira de projetos estruturantes e a necessidade de priorização de investimentos com base em critérios de retorno socioeconômico, eficiência operacional e integração multimodal.
“O Plano Nacional de Logística nos permite projetar a demanda futura, identificar gargalos e organizar os investimentos de forma estratégica. O desafio não é apenas
investir mais, mas investir melhor, priorizando projetos que realmente aumentem a eficiência dos corredores logísticos e promovam integração entre os modais. É esse planejamento técnico que assegura maior competitividade e sustentabilidade para a infraestrutura brasileira”, destacou George.
Hugo Leonardo Cunha Rodrigues, superintendente da SUFIS / ANTT, tratou da fiscalização no Transporte Rodoviário de Cargas, com foco no piso mínimo de frete e nos seguros obrigatórios. Segundo ele, a fiscalização passou por uma reestruturação significativa nos últimos anos, partindo inicialmente dos cruzamentos eletrônicos de dados, por meio da integração entre o Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) e o CIOT, evoluindo posteriormente para mecanismos mais robustos com a obrigatoriedade de inclusão de informações de pagamento no manifesto. Hugo ressaltou que a fiscalização não pode se limitar ao transportador, pois o descumprimento do piso frequentemente tem origem no embarcador.
“A fiscalização tradicional em pista é cara, demorada e não resolve o problema estrutural. Por isso, avançamos para o cruzamento eletrônico de dados, que nos permite identificar inconsistências de forma mais eficiente. O piso mínimo precisa ser fiscalizado na origem da contratação. Se o embarcador paga abaixo do piso, é impossível que o transportador consiga cumprir a regra. A inclusão obrigatória das informações de pagamento no manifesto foi um passo decisivo para tornar a fiscalização mais efetiva e equilibrada”, acrescentou o superintendente.
Após as apresentações, o público teve um espaço para fazer perguntas e comentários em cima dos temas apresentados. Nesse momento, foram discutidos gargalos logísticos, necessidade de previsibilidade regulatória e a importância de integrar rodovias, ferrovias e hidrovias para garantir maior eficiência à matriz de transportes. Também foi ressaltado que a infraestrutura precisa caminhar lado a lado com segurança jurídica e estabilidade contratual.
Painel Trabalhista
Na sequência, o Painel Trabalhista aprofundou as discussões sobre o cenário jurídico atual e os principais riscos que impactam diretamente o Transporte Rodoviário de Cargas. O assessor jurídico da NTC&Logística, Dr. Narciso Figueirôa Junior, apresentou um panorama detalhado sobre o sistema de precedentes do TST, destacando a força persuasiva das Súmulas e Orientações Jurisprudenciais (OJs), os julgamentos de recursos repetitivos e os Incidentes de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR), mecanismos que vêm consolidando teses vinculantes com reflexos diretos nas decisões trabalhistas envolvendo o setor.
Entre os precedentes analisados, foram destacados temas sensíveis ao transporte, como a validade da exigência de certidão de antecedentes criminais para motoristas rodoviários de carga; a natureza comercial do contrato de transporte, que afasta a configuração de terceirização nos termos da Súmula 331 do TST; a reversão da justa causa e seus efeitos indenizatórios; a aplicação de multas previstas nos artigos 467 e 477 da CLT; o adicional de periculosidade em situações específicas; a contribuição previdenciária em acordos homologados sem reconhecimento de vínculo, e a contribuição assistencial após decisão do STF no Tema 1045. O Painel também abordou as propostas de redução da jornada de trabalho (modelo 6×1), atualmente discutidas por meio de PECs em tramitação no Congresso Nacional, que podem alterar significativamente a dinâmica operacional das empresas.
O assessor jurídico chamou atenção para o crescimento do passivo trabalhista e para a necessidade de alinhamento entre legislação, jurisprudência consolidada e realidade operacional do setor. Segundo ele, a consolidação de precedentes vinculantes exige acompanhamento permanente por parte das empresas, especialmente diante da evolução do entendimento dos tribunais superiores.
Durante a explanação, foi reforçada a importância de um debate técnico, estruturado e fundamentado nas especificidades do Transporte Rodoviário de Cargas. “Qualquer alteração nas regras trabalhistas precisa considerar a dinâmica real das estradas, os prazos logísticos e a natureza da atividade. O Transporte Rodoviário de Cargas possui características próprias que não podem ser ignoradas. Precisamos de segurança jurídica e equilíbrio normativo para preservar empregos, garantir competitividade e assegurar a sustentabilidade das empresas”, destacou Dr. Narciso Figueirôa Junior.
Painel Tributário e Reforma
Seguindo com a programação técnica da Intersindical, o Painel “Reforma Tributária e Planejamento Tributário” foi conduzido pelo Dr. Marcos Aurélio Ribeiro, diretor jurídico da NTC&Logística, e contou com as contribuições técnicas da Dra. Talita Pimenta Félix – advogada, mestre e doutora em Direito pela PUC-SP e coordenadora do IBET Goiânia – e do Dr. Fabrício Campos, advogado e contador, mestre em Ciências Contábeis e Financeiras pela PUC-SP, doutorando em Direito Tributário pela University of Leeds e professor da UNIFESP.
O Painel analisou os impactos práticos da regulamentação da Reforma Tributária para o Transporte Rodoviário de Cargas, com foco na nova sistemática de IBS (Imposto Sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços); na transição entre regimes; nos reflexos sobre contratos de longo prazo e nos riscos de aumento da carga efetiva para empresas do Lucro Real, Lucro Presumido e Simples Nacional. Também foram discutidas medidas de planejamento tributário, revisão contratual e readequação de margens diante do novo desenho constitucional.
“O que está em curso é uma mudança estrutural do sistema tributário. A forma como o IBS e a CBS serão regulamentados impactará diretamente a formação de preço, o creditamento e os contratos de longa duração das transportadoras. O setor tem
especificidades que precisam ser consideradas para evitar aumento de carga e perda de competitividade. Por isso, a atuação técnica da NTC será decisiva na construção de uma regulamentação equilibrada e juridicamente segura”, destacou o Dr. Marcos Aurélio.
Durante o Painel, foi enfatizado pela Dra. Talita Pimenta Félix e pelo Dr. Fabrício Campos que a Reforma Tributária já está produzindo efeitos concretos na dinâmica econômica e logística do país, exigindo acompanhamento técnico permanente da regulamentação infraconstitucional. Na ocasião, a Dra. Talita destacou que a mudança vai além da substituição de tributos, representando uma transformação na própria lógica de organização dos negócios e na geografia econômica nacional, com impactos diretos sobre cadeias produtivas e fluxos logísticos.
“Não estamos diante de uma simples troca de tributos, mas de uma mudança estrutural na forma de fazer negócios no Brasil. A reforma do consumo já começou a alterar decisões empresariais, localização de plantas industriais e estratégias logísticas. As regras que vigoraram por décadas estão em transição, e isso exige adaptação estratégica das empresas”, afirmou Talita.
Na mesma linha, o Dr. Fabrício Campos ressaltou que, embora o novo modelo prometa simplificação com a substituição de ICMS, ISS, PIS e COFINS por IBS e CBS, o setor de transporte enfrentará desafios específicos na transição, especialmente em razão das heranças do sistema anterior, como regimes diferenciados, créditos presumidos e particularidades estaduais.
“A simplificação é um avanço importante, mas o transporte carrega uma herança complexa do ICMS e de regimes específicos que moldaram a estrutura de custos das empresas ao longo dos anos. A transição para um modelo de não cumulatividade plena exige planejamento, revisão de estratégias e acompanhamento atento da regulamentação, para que o setor não seja surpreendido por aumento de carga ou perda de competitividade”, destacou Fabrício.
Anúncio da 2ª edição 2026 do CONET&Intersindical
Com a finalização do Painel “Reforma Tributária e Planejamento Tributário”, foi convidado ao palco o presidente da Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais (FETCEMG), Gladstone Lobato, para anunciar, oficialmente, que a segunda edição de 2026 do CONET&Intersindical acontecerá em Ouro Preto (MG), no mês de agosto, com a FETCEMG como entidade anfitriã.
Gladstone Lobato convidou as lideranças presentes a participarem do próximo encontro, destacando o caráter estratégico do evento para o fortalecimento do setor. “Nos dias 27 e 28 de agosto de 2026, estaremos na histórica cidade de Ouro Preto, realizando mais uma edição do CONET&Intersindical. Será um encontro pensado no transportador e no nosso setor, com foco na integração, na troca de experiências e no desenvolvimento das lideranças empresariais. Teremos a oportunidade de debater os desafios atuais, compartilhar boas práticas, conhecer inovações e, acima de tudo, construir juntos caminhos para um transporte cada vez mais forte, moderno e competitivo. Conto com o engajamento e a participação de todos para fazermos, em Minas Gerais, uma edição marcante para o Transporte Rodoviário de Cargas brasileiro”.
Painel Segurança Pública
A finalização da programação de conteúdo do CONET&Intersindical ficou por conta do Painel “Segurança Pública”, que reuniu o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi; o diretor financeiro da entidade, José Maria Gomes; o presidente da FENATAC, Paulo Afonso Lustosa; o presidente do Sindicato dos Transportadores de Cargas e Logística do Piauí (SINDICAPI), Humberto Lopes; o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Nordeste (FETRANSLOG-NE), Arlan Rodrigues; o delegado de polícia e especialista em segurança, Dr. Waldomiro Milanesi, e o novo secretário de Segurança Pública, Francisco Lucas Costa Veloso. O debate trouxe uma abordagem estruturada sobre o enfrentamento ao roubo de cargas e a necessidade de integração entre União, estados e setor produtivo.
Na abertura do Painel, Eduardo Rebuzzi destacou que o roubo de cargas não pode ser tratado apenas como um problema policial, mas como um fator estrutural de impacto econômico. “O roubo de cargas é um custo que não deveria existir. Ele corrói margens, eleva o preço do frete, gera insegurança aos trabalhadores e compromete a competitividade do país. Precisamos de atuação coordenada, inteligência e políticas públicas eficazes para enfrentar esse problema de forma sistêmica.”
Em sua fala, Francisco Lucas Costa Veloso declarou empenho na defesa das pautas do setor, reconhecendo as dificuldades enfrentadas pelo TRC, e afirmou que o combate ao roubo de cargas é dever do Estado. Ressaltou que a lógica do crime é essencialmente econômica e que o enfrentamento deve atacar a cadeia de comercialização ilegal. O secretário apresentou iniciativas de inteligência implementadas no Piauí, como o monitoramento de celulares roubados por meio do rastreamento de códigos identificadores, destacando que a estratégia é tornar o crime economicamente inviável. Também defendeu a padronização nacional de dados e a integração das forças de segurança por meio da PEC da Segurança Pública, com compartilhamento obrigatório de informações entre os estados.
“Não é razoável que um equipamento rastreável não seja recuperado. Isso revela falhas no sistema. O crime organizado opera com lógica de mercado, e precisamos tornar o custo do crime mais alto que o benefício. No caso do roubo de cargas, é
fundamental unificar dados, integrar inteligência e atacar a cadeia econômica do delito. Segurança pública exige coordenação nacional, padronização de informações e atuação firme do Estado”, afirmou Francisco Lucas Costa Veloso.
Durante sua fala, o secretário sugeriu à NTC a realização de uma coleta de dados sobre roubo de cargas. A sugestão foi aceita pelo presidente Rebuzzi, e a área de Segurança da entidade ficará responsável por realizar esse levantamento e encaminhá-lo posteriormente à Secretaria de Segurança Pública.
Encerramento
Em sua fala final, o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, ratificou a satisfação de realizar o evento em Brasília, agradeceu à FENATAC, pela calorosa receptividade, e a todos os patrocinadores, que tornaram possível mais uma edição do CONET&Intersindical. Refletiu, por fim, sobre a relevância dos temas abordados durante os dois dias do encontro.
“Encerramos estes dois dias, três incluindo o III Encontro de Coordenadores da COMJOVEM, com a convicção de que o fortalecimento do setor passa pela união das entidades e pela participação ativa nas pautas nacionais. O Transporte Rodoviário de Cargas é estratégico para o Brasil e precisa ser tratado como tal”, concluiu.
Durante o jantar de encerramento, a NTC&Logística cumpriu a tradicional homenagem à entidade anfitriã do CONET, entregando uma placa comemorativa à FENATAC.
Também foi feita a entrega de uma placa de reconhecimento para a maior comitiva representante de base territorial no evento, que, nesta edição, foi a da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP).
As homenagens da noite foram finalizadas com a entrega da placa destinada à assessora de Relações Institucionais da NTC&Logística, Edmara Claudino, em reconhecimento pelos 30 anos de colaboração nas pautas do setor junto ao Congresso Nacional – completados em 1o de março de 2026 –, relevante atuação institucional, dedicação e comprometimento em prol do setor de Transporte Rodoviário de Cargas.
A primeira edição do CONET&Intersindical de 2026 foi uma realização da NTC&Logística, tendo a FENATAC como entidade anfitriã, com o apoio dos Sindicatos filiados.
Apoio institucional: Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte; SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte; ITL – Instituto de Transporte e Logística) e FuMTran (Fundação Memória do Transporte)
Com foco em infraestrutura, tecnologia e redução de custos, Agência amplia concessões, fortalece a fiscalização e reafirma seu papel na proteção de quem transporta as riquezas do país e de toda a sociedade que depende delas
Infraestrutura melhor, menos burocracia e mais tecnologia para quem transporta as riquezas do país. Foi com esse foco, nas pessoas que vivem do transporte e na sociedade que depende dele todos os dias, que o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo Sampaio, participou, na manhã desta quinta-feira (26/2), da mesa de abertura do CONET&Intersindical 2026, realizado em Brasília.
O encontro, promovido pela NTC&Logística com a anfitriã FENATAC, reuniu lideranças empresariais, representantes institucionais e especialistas para discutir os rumos do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) em um momento decisivo para o país. Ao longo de dois dias, temas como custos, tarifas, inovação, infraestrutura, legislação trabalhista e reforma tributária entram no centro do debate.
Em uma fala marcada pela experiência de quem conhece o setor por dentro, Guilherme Theo Sampaio destacou sua trajetória no Transporte Rodoviário de Cargas e a importância do diálogo permanente entre regulador e regulados. “É motivo de muita alegria voltar e reencontrar os senhores e senhoras em um ambiente de discussões tão relevantes. A ANTT vem aqui para prestar contas e enfrentar, de forma transparente, os temas que impactam diretamente o setor”, afirmou.
Ele lembrou que, há alguns anos, num passado recente, o setor convivia com gargalos históricos: rodovias em condições inadequadas, excesso de burocracia, alto custo logístico e pouca incorporação de tecnologia. “Nos últimos cinco anos, avançamos de forma consistente. Saímos de 12 mil quilômetros de rodovias concedidas para 16 mil, vamos fechar este ano com 19 mil e, no próximo, chegaremos a 25 mil quilômetros. Quem percorre o Brasil vê obras acontecendo de norte a sul”, destacou.
O que muda na prática para quem transporta e para quem depende do transporte
A ampliação das concessões significa mais duplicações, manutenção constante, atendimento 24 horas e maior previsibilidade para quem está na estrada. Para o caminhoneiro, isso representa menos tempo parado, mais segurança e redução de custos indiretos. Para o consumidor, significa abastecimento mais eficiente e menor impacto no preço final dos produtos.
Outro avanço concreto é a estruturação de pontos de parada e descanso. Oito já foram entregues e outros 20 estão previstos. São espaços com condições adequadas de repouso, serviços básicos e suporte operacional, um passo essencial para segurança viária e qualidade de vida dos profissionais.
No campo da modernização, a ANTT vem reduzindo entraves burocráticos e ampliando o uso de soluções tecnológicas, como pedágio eletrônico e sistemas de pesagem em movimento. A medida aumenta a fluidez nas rodovias, melhora a fiscalização e contribui para a sustentabilidade e a competitividade do setor.
Fiscalização com equilíbrio e foco na proteção
Durante a programação da Intersindical, a ANTT também participou do painel sobre infraestrutura e fiscalização, abordando temas como piso mínimo de frete e seguros no transporte rodoviário de cargas. A atuação regulatória busca garantir equilíbrio nas relações contratuais, previsibilidade econômica e proteção aos transportadores, especialmente os autônomos.
Regular, fiscalizar e dialogar são pilares que caminham juntos. Ao reforçar sua presença institucional em um dos principais fóruns do setor, a Agência reafirma seu
papel de autoridade técnica, aberta ao diálogo, mas firme na defesa do interesse público.
Brasília como centro das decisões
Realizado no Royal Tulip Brasília Alvorada, o CONET&Intersindical consolida a capital federal como espaço estratégico para o debate sobre políticas públicas e desenvolvimento logístico. Ao reunir setor produtivo, especialistas e poder público, o evento fortalece a construção conjunta de soluções para 2026 e além.
Para a ANTT, estar presente é mais do que cumprir agenda. É ouvir, prestar contas e construir caminhos. O transporte rodoviário de cargas move alimentos, medicamentos, combustíveis e insumos industriais. Move empregos. Move vidas. E, ao fortalecer a infraestrutura, modernizar regras e ampliar a segurança, a Agência reforça o compromisso de garantir que o Brasil continue em movimento, com eficiência, responsabilidade e foco nas pessoas.
A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), entidade representativa do Transporte Rodoviário de Cargas em âmbito nacional, setor estratégico para a economia brasileira, apoia os pleitos manifestados e ratifica as reivindicações em torno da discussão da jornada de trabalho no contexto da PEC 6×1, defendendo que o debate considere as especificidades do setor produtivo, a preservação dos empregos formais e a valorização da negociação coletiva.
A seguir, confira a íntegra da reportagem publicada pela Folha de São Paulo, no dia 28 de fevereiro de 2026, que destaca a atuação da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e das demais entidades representativas dos setores produtivos.
Empresas querem mudar PEC 6×1 para permitir escalas e limites de trabalho por setor e região
Pelo menos 60 entidades empresariais de indústria, comércio, transporte, agropecuária e serviços vão defender que a discussão da jornada de trabalho tenha como foco medidas para preservar os empregos formais, aumentar a produtividade e privilegiar a negociação coletiva.
O grupo também propõe a adoção de regras para permitir ajustar escalas, turnos e limites de trabalho de forma adaptada ao contexto de cada setor e região do país.
“Colocar esses pontos no centro do diálogo é assegurar que ele caminhe na direção correta”, diz o manifesto, assinado pelas Confederações Nacionais da Agropecuária (CNA), da Indústria (CNI), do Transporte (CNT) e do Comércio e Serviços (CNC), além de federações regionais como Fiesp e Fecomércio-SP e associações de segmentos específicos da economia.
O grupo também pede que a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da redução da jornada 6×1 ocorra apenas depois das eleições. “Considera-se recomendável que o aprofundamento desta pauta ocorra fora do ambiente de
disputas eleitorais, em momento mais propício à construção de consensos duradouros”, afirma o texto.
O documento, obtido pela Folha, será entregue aos presidentes de frentes parlamentares como a da agropecuária, do empreendedorismo e do livre mercado, em reunião na terça-feira (3) em Brasília. Em seguida, eles irão se encontrar com o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para levar esse manifesto e demonstrar a preocupação com o tema.
Os representantes das entidades empresariais ainda tentam agenda com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que deu tração ao debate ao enviar para a Comissão de Constituição e Justiça a PEC de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que reduz a jornada de 44 horas para 36 horas semanais, com quatro dias de trabalho e três de descanso (a jornada 4×3).
O movimento foi preparado em reuniões ao longo das últimas semanas, após Motta indicar que a PEC seria uma prioridade do ano – ele tem defendido que a votação ocorra já em maio. O corpo técnico dessas entidades vai discutir agora medidas legislativas para serem sugeridas ao Congresso como forma de garantir que os pontos defendidos pelo setor produtivo sejam incorporados, caso a votação avance.
O debate deve focar, na visão dos empresários, em quatro pontos: preservação dos empregos formais e mitigação dos incentivos à informalidade (que atinge cerca de 40% da população economicamente ativa no Brasil); medidas concretas para aumentar a produtividade, como qualificação e difusão tecnológica; discussão técnica sobre os impactos e alternativas, em busca do consenso entre trabalhadores, empregadores e poder público, e diferenciação por setor, com uso de negociação coletiva.
Segundo os empresários, as diferenças no mercado de trabalho exigem que sejam possíveis ajustes na jornada por setor ou atividade, permitindo adaptar escalas, turnos e limites de trabalho ao contexto de cada setor e região.
O manifesto não cita diretamente a PEC ou a redução de jornada defendida pelo governo, com a proibição da escala 6×1 (de seis dias de trabalho para um de folga). O documento afirma que a “modernização da jornada de trabalho” é um debate “legítimo e relevante para o bem-estar dos trabalhadores e para a dinâmica econômica do país”, com o objetivo social de melhorar a saúde e qualidade de vida.
Mas ressalta que, para atingir esses objetivos, “é necessário colocar também como aspecto central os impactos em competitividade, produtividade e a precarização dos empregos”, e destaca três problemas da economia brasileira como entraves: o alto grau de informalidade, a falta de qualificação profissional adequada e a atual dificuldade para preencher vagas e reter trabalhadores.
“Modernizar a jornada não significa escolher entre qualidade de vida e atividade econômica. Significa construir um caminho em que o trabalhador possa viver melhor sem que o emprego formal se torne mais escasso ou mais instável. Para isso, é necessário reconhecer que a forma como a mudança é implementada importa tanto quanto o objetivo que se busca alcançar”, afirma o manifesto.
Os empresários defendem que, se for mal feita ou abrupta, a mudança na jornada de trabalho pode provocar aumento da informalidade no mercado de trabalho e aumento dos preços de produtos e serviços como alimentação, medicamentos e transporte devido à alta dos custos para as empresas.
Apesar de o relator da PEC na Comissão de Constituição e Justiça, deputado Paulo Azi (União Brasil-BA), cobrar do governo uma forma de compensação às empresas pelo aumento dos custos com contratação de funcionários, o documento não faz nenhum pedido desse tipo. Como mostrou a Folha, as empresas preferem tratar a desoneração da folha de salários de forma separada, sem misturar os debates.
Defensor da PEC, o governo Lula (PT) tem rejeitado as pressões para compensar as empresas e defendido que a economia se adapte. Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o aumento da expectativa de vida, os avanços na automação, na robótica, na inteligência artificial e nos medicamentos, devem levar a “um novo equilíbrio entre o tempo dedicado ao trabalho e o tempo livre”.
Instrução normativa esclarece regras tributárias e reforça previsibilidade para entidades sem fins lucrativos
A publicação da Instrução Normativa RFB nº 2.307/2026 trouxe mais segurança e previsibilidade para as entidades sem fins lucrativos, entre elas as que integram o Sistema Transporte. A norma da Receita Federal esclarece o tratamento tributário após a edição da Lei Complementar nº 224/2025 e dá estabilidade ao planejamento para 2026.
Ao detalhar a aplicação da nova legislação, a Receita confirmou que seguem preservadas as isenções de Imposto de Renda, CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) e Cofins previstas na legislação específica. O esclarecimento afasta dúvidas que surgiram com a aprovação da lei e evita impactos sobre o planejamento institucional.
Na prática, isso significa que recursos continuam a ser destinados à qualificação profissional, aos atendimentos de saúde, à inovação e ao desenvolvimento de lideranças promovidos pela CNT, pelo SEST SENAT e pelo ITL.
Para a diretora executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart, a medida fortalece o ambiente institucional. “A previsibilidade é fundamental para planejarmos investimentos em tecnologia, inovação e formação profissional, contribuindo diretamente para a competitividade do transporte brasileiro”, afirmou.
A Lei Complementar nº 224/2025 estabeleceu redução linear de benefícios tributários federais como parte das medidas de ajuste fiscal da União. Com a Instrução Normativa, a Receita detalhou o alcance da regra e consolidou o entendimento que garante estabilidade ao setor.
Decisão do STJ consolida entendimento sobre a base de cálculo das contribuições e orienta empresas quanto à aplicação imediata
Com a conclusão do julgamento do Tema nº 1.390, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) pacificou a questão da base de cálculo para contribuições destinadas ao
SEST SENAT e a outras entidades do Sistema S. Decidiu-se que o cálculo deve ter como parâmetro o valor total da folha de pagamento das empresas, afastando a limitação de 20 salários mínimos pretendida pelos contribuintes.
A controvérsia já havia sido discutida no Tema nº 1.079, referente às contribuições destinadas ao SESI, SENAI, SESC e SENAC. Agora, no julgamento do Tema nº 1.390, o STJ entendeu que, como as contribuições do SEST SENAT foram previstas na Lei nº 8.706/1993, ou seja, após a Constituição Federal de 1988, não deve haver qualquer limitação temporal quanto à aplicação da referida decisão.
O julgamento foi unânime e tem aplicação ampla. Conforme definido pelos ministros, o entendimento deve ser adotado em todos os processos judiciais e administrativos em curso, inclusive naqueles em que houve decisões liminares ou de mérito favoráveis às empresas.
Diante da confirmação pelo STJ, recomenda-se que as empresas orientem suas decisões com base no entendimento firmado pela Corte, observando a correta aplicação da legislação vigente. Nesses casos, os valores que eventualmente deixaram de ser recolhidos são devidos e serão cobrados pela Receita Federal do Brasil e, posteriormente, serão destinados ao SEST SENAT.
Empresas que deixaram de efetuar o recolhimento das contribuições, ainda que tenham sido amparadas por decisões judiciais ou administrativas, devem avaliar sua situação junto à Receita Federal, com a máxima urgência, a fim de evitarem sanções. O órgão disponibiliza procedimentos de autorregularização que permitem a regularização dos débitos com redução das multas aplicáveis, medida que pode mitigar impactos financeiros decorrentes do não pagamento.
O que muda na prática, após o entendimento do STJ?
As contribuições ao SEST SENAT devem ser calculadas sobre o total da remuneração paga aos empregados. Não há qualquer interpretação jurídica ou decisão judicial que referende o limite de 20 salários mínimos.
O entendimento vale para todos os processos judiciais e administrativos em curso.
Valores não recolhidos poderão ser cobrados pela Receita Federal.
As empresas devem avaliar sua situação para eventual regularização.
A maior parte dos recursos foi destinada a frotistas na aquisição de caminhões novos: R$ 3,6 bilhões em 3.126 operações
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 3,7 bilhões em financiamentos para renovação de frota de caminhões em 1.028 municípios brasileiros. O valor corresponde a 36,8% do orçamento total de R$ 10 bilhões do programa BNDES Renovação de Frota, inserido no Move Brasil.
Do total aprovado até esta quarta-feira (26), R$ 3 bilhões já foram contratados e R$ 1,9 bilhão desembolsado. Foram autorizadas 3.318 operações, para a compra de mais de 5,8 mil equipamentos, com ticket médio de R$ 1,1 milhão.
A maior parte dos recursos foi destinada a frotistas na aquisição de caminhões novos: R$ 3,6 bilhões em 3.126 operações. Transportadores autônomos responderam por 192 contratos, somando R$ 90 milhões.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o programa é estratégico para a política industrial e ambiental do governo federal, ao estimular a modernização do transporte rodoviário, reduzir emissões e apoiar a indústria nacional.
Crédito mais barato, efeito concentrado
Lançado em dezembro de 2025, o Move Brasil passou a concentrar parte relevante das negociações no início de 2026. Para Alcides Cavalcanti, diretor-executivo da Volvo Caminhões, a iniciativa melhora as condições de financiamento em um ambiente de juros elevados, mas seu impacto tende a ser mais forte no curto prazo.
“O programa impulsiona, mas antecipa”, afirmou o executivo em entrevista ao videocast Transporte Moderno. Com taxas de 1,05% ao mês – abaixo das linhas tradicionais, que variam entre 1,25% e 1,30% –, o programa reduz o custo total do financiamento em contratos de longo prazo. Segundo ele, a Volvo já negociou cerca de 300 caminhões por meio da linha, principalmente para médios e grandes frotistas.
Na avaliação de Cavalcanti, o principal mérito da iniciativa é destravar decisões que estavam represadas. O modelo adotado – um Finame com recursos do Tesouro e do BNDES – é considerado mais simples do que versões anteriores de programas de renovação.
Ainda assim, ele ressalta que o orçamento de R$ 10 bilhões pode se esgotar rapidamente, possivelmente já em abril. “Quando os recursos terminarem, o mercado volta às condições normais”, disse. Para o executivo, o programa antecipa compras, mas não cria demanda estrutural adicional.
Burocracia e sucateamento limitado
Montadoras relatam que, apesar da forte procura, há entraves operacionais. A Volkswagen Caminhões e Ônibus afirma que cerca de 85% dos clientes interessados em financiamento demonstram intenção de usar o Move Brasil, mas menos da metade das operações efetivadas ocorre via programa, devido a exigências de documentação adicional e critérios como regularidade fiscal estadual.
No caso da Scania, aproximadamente 70% das operações envolvem clientes de pequeno e médio porte, indicando capilaridade além dos grandes grupos.
Embora parte do programa esteja associada à retirada de veículos antigos de circulação, a Volvo avalia que a adesão ao sucateamento tem sido limitada entre seus clientes, que operam, em geral, com frotas mais novas. Caminhões com mais de 20 anos – potenciais candidatos à substituição – são menos comuns entre grandes frotistas.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo avalia tornar o Move Brasil uma política permanente, com foco na substituição de veículos Euro 0, Euro 2 e Euro 3.
Mercado ainda pressionado
Apesar do impulso inicial, o cenário para 2026 segue desafiador. A Volvo projeta retração entre 5% e 10% nas vendas de caminhões pesados e semipesados em relação a 2025, quando o setor comercializou cerca de 87 mil unidades, queda de 11% frente ao ano anterior.
O recuo recente foi puxado pelos pesados, com retração próxima de 20%, enquanto os semipesados cresceram cerca de 5%, impulsionados pela distribuição urbana e pelo comércio eletrônico.
Juros elevados e crescimento econômico moderado têm levado transportadores a adiar a renovação de frota, especialmente no agronegócio. “Quando o frete está pressionado, o transportador avalia com mais cuidado o momento de renovar”, disse Cavalcanti.
Em 2025, muitos grandes frotistas compraram abaixo do padrão histórico de renovação, que varia entre 10% e 20% da frota ao ano. Parte dessa demanda reprimida pode se materializar em 2026.
No ano passado, a Volvo emplacou 20.053 caminhões e alcançou 23,2% de participação no segmento acima de 16 toneladas, mantendo a liderança. O modelo FH 540 foi o pesado mais vendido no país pelo sétimo ano consecutivo.
Mesmo em cenário mais cauteloso, o grupo anunciou investimento de R$ 2,5 bilhões no Brasil entre 2026 e 2028, voltado à modernização industrial, novos produtos e tecnologias de redução de emissões.
Para analistas do setor, o Move Brasil pode funcionar como ponto de inflexão ao reduzir o custo do capital em um ambiente de crédito restritivo. Mas o fôlego do mercado no segundo semestre dependerá da continuidade das condições favorecidas e da trajetória dos juros.
A NTC&Logística realizou, nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, no Royal Tulip Brasília Alvorada, localizado na capital federal, o primeiro dia de atividades da primeira edição de 2026 do Conselho Nacional de Estudos em Transporte, Custos, Tarifas e Mercado – CONET. O evento, promovido pela entidade e tendo a Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas & Logística (FENATAC) como anfitriã, reuniu cerca de 350 empresários e lideranças do Transporte Rodoviário de Cargas para dois dias de debates sobre mercado, custos, inovação e cenário econômico.
A cerimônia de abertura teve início com a execução do Hino Nacional brasileiro, interpretado pelo violeiro Claudivan Santiago e pelo violinista Cairo Vitor. A composição da mesa contou com a presença do presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi; do presidente da FENATAC, Paulo Afonso Lustosa; do presidente do Sistema Transporte (CNT/SEST SENAT/ITL), Vander Costa; do vice-presidente da NTC&Logística, Antonio Luiz Leite; dos senadores da República Jaime Bagattoli (PL-SC) e Wellington Fagundes (PL-MT); do deputado federal Julio Lopes (Progressistas-RJ); do diretor-geral da ANTT, Guilherme Tho Sampaio; de Anderson Lessa Lucas, representando o Ministério dos Transportes, e do coordenador nacional da COMJOVEM, Hudson Rabelo.
Em seu pronunciamento de abertura, o presidente Eduardo Rebuzzi deu as boas-vindas ao público, cumprimentou as autoridades presentes e fez questão de solicitar um minuto de silêncio, em respeito às recentes tragédias naturais que assolam o povo mineiro, em especial, a cidade de Juiz de Fora e Ubá.
Na ocasião, o presidente da NTC&Logística salientou o papel do CONET como o principal fórum técnico do setor para a discussão de custos, tarifas e ambiente regulatório. “O CONET&Intersindical faz parte da história da NTC&Logística e é reconhecido como o mais importante evento de integração nacional do Transporte Rodoviário de Cargas. É aqui que tratamos, com responsabilidade técnica, dos custos, das tarifas e das condições necessárias para que nossas empresas atuem com eficiência e rentabilidade compatível com os serviços que prestam”, afirmou.
Acrescentando que a entidade segue fortalecendo ferramentas práticas, como a Plataforma de Cálculo de Frete e o Portal SIT, Rebuzzi ressaltou a alteração feita na atividade do DECOPE, que incorporou o antigo Instituto Mercadológico ligado à COMJOVEM, evoluindo para “DECOPE – Mercado e Tarifas”, inclusive com a criação do “Comitê de Mercado e Tarifas”, ampliando a participação das empresas na construção de referências técnicas para o setor. O novo Comitê será coordenado pelo empresário Antonio Luis da Silva Júnior, presidente do SETCEMG, com a participação de Geovani Serafim e Valéria Melnik, que tiveram destacada atução no Instituto.
O presidente também enfatizou a importância da união institucional e da atuação integrada. “A NTC&Logística é grande porque tem, ao seu lado, federações, sindicatos e associações de todo o país. Seguimos firmes no compromisso de defender o TRC com dedicação e presença ativa nos debates nacionais e internacionais. Contamos com a participação de todos, com sugestões, apoio e engajamento, para que possamos continuar avançando e fortalecendo o Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil”, concluiu.
Na sequência, deu-se o pronunciamento do deputado federal Julio Lopes, que cumprimentou as lideranças presentes e pontuou temas legislativos que afetam o setor. “Este é um espaço fundamental para discutirmos questões que impactam diretamente o transporte, como os modelos de jornada de trabalho, que exigem uma regulamentação firme, eficiente e adequada à realidade operacional das empresas. Também precisamos avançar em debates estruturantes, como a discussão de longo prazo sobre o transporte público universalmente gratuito no país, que envolve responsabilidade fiscal e equilíbrio setorial. No geral, parabenizo a NTC&Logística por promover um encontro tão prestigiado e relevante para o Brasil, desejando a todos um ano de 2026 de crescimento e conquistas para o nosso país.”
O presidente da FENATAC, Paulo Afonso Lustosa, também se manifestou na abertura, assinalando a relevância do Congresso diante dos desafios enfrentados pelo setor e convidando os participantes a aproveitarem o momento de integração e reflexão em Brasília. “Este evento se reveste de enorme importância diante dos desafios que todos nós temos enfrentado no setor. Espero que vocês aproveitem esses dias para discutir, aprender e fortalecer ainda mais o Transporte Rodoviário de Cargas. E que também possam conhecer Brasília com um olhar mais atento e menos influenciado pelas tensões do ambiente político. Quando deixamos de lado essa percepção mais crítica do cenário institucional, descobrimos uma cidade extraordinária, que simboliza decisões importantes para o nosso país”.
Em continuidade, o coordenador nacional da COMJOVEM, Hudson Rabelo, cumprimentou os presentes e destacou a participação expressiva dos jovens líderes no CONET&Intersindical. Lembrou, ainda, a realização do III Encontro Nacional de Coordenadores da COMJOVEM, ocorrido na véspera, na sede da CNT, como parte do processo de fortalecimento da nova geração do setor, agradecendo o apoio dado pelo presidente Eduardo Rebuzzi e pela diretoria executiva da NTC&Logística – agradecimento extensivo aos presidentes das entidades que dão suporte aos Núcleos da COMJOVEM distribuídos pelo Brasil.
“O nosso Encontro foi fundamental para darmos mais um passo na preparação dos jovens para o futuro do Transporte Rodoviário de Cargas. O setor vive um momento de transformação, e crescer não é suficiente: é preciso garantir continuidade. E a continuidade não se herda, se prepara. Formando líderes hoje, asseguramos a força do transporte de amanhã, e este evento é parte essencial desse processo, porque conecta os jovens empresários aos debates técnicos, às decisões estratégicas e à realidade institucional do setor, preparando-os para assumir, com responsabilidade, o protagonismo do TRC nos próximos anos”, acentuou Hudson.
Representando o Ministério dos Transportes, Anderson Lessa Lucas, destacou a importância do diálogo permanente com o setor e o alinhamento entre investimentos em infraestrutura e qualidade dos serviços prestados. “A programação deste evento demonstra a relevância e a maturidade do debate promovido pelo setor. O Ministério dos Transportes não apenas está aberto ao diálogo, mas é receptivo às contribuições de empresários e lideranças, porque é por meio dessa escuta que conseguimos calibrar nossas políticas e diretrizes públicas. Temos avançado fortemente na agenda de infraestrutura, com diversos leilões de concessões realizados nos últimos três anos e ainda mais previstos para este ano. Mas é fundamental que a bandeira da infraestrutura esteja atrelada à bandeira do serviço. Precisamos equilibrar investimento público e privado para garantir não apenas expansão da malha concedida, mas qualidade, eficiência e ganhos concretos para o sistema de transporte.”
O vice-presidente da NTC&Logística, Antonio Luiz Leite, destacou em sua fala a relevância institucional do encontro e a força econômica do Transporte Rodoviário de Cargas para o país. “Este é um momento importante de reflexão. Somos um setor responsável por cerca de 65% de toda a logística do país e que conecta 100% das cadeias produtivas quando consideramos a última milha. Estamos aqui para debater os desafios e as mazelas enfrentadas pelos empresários que sustentam essa atividade estratégica para o Brasil. Peço que o eco das discussões de hoje e de amanhã não se perca, mas se transformem em construção de soluções. O crescimento do Brasil passa necessariamente pela compreensão e pelo fortalecimento do Transporte Rodoviário de Cargas.”
Em seguida, foi a vez de o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, manifestar a satisfação de participar do CONET&Intersindical e ratificar o compromisso da Agência com o fortalecimento da infraestrutura e da regulação do setor. “É uma grande alegria reencontrar o setor em um ambiente de debate qualificado. Atuo no transporte desde os 19 anos e acompanhei de perto as dificuldades do passado, como infraestrutura precária, excesso de burocracia e alto custo logístico. Nos últimos anos, avançamos de forma consistente, especialmente na agenda de concessões: saímos de cerca de 12 mil quilômetros de rodovias concedidas para 19 mil, e devemos alcançar 25 mil quilômetros no próximo ano. Diante do déficit fiscal e da limitação do investimento público, que ainda está abaixo do ideal de 4% do PIB em infraestrutura, o investimento privado é essencial. Mas a infraestrutura precisa estar acompanhada de serviço de qualidade, tecnologia, redução de burocracia e melhores condições para o transportador, como a ampliação dos pontos de parada e descanso. Este é o compromisso da ANTT: garantir regulação eficiente, modernização e condições adequadas para que o Transporte Rodoviário de Cargas continue avançando no Brasil”, pontuou Sampaio.
Na sequência, o presidente do Sistema Transporte (CNT/SEST SENAT/ITL), Vander Costa, deu ênfase à importância da responsabilidade fiscal aliada ao avanço dos investimentos em infraestrutura, além de defender a necessidade de um debate qualificado sobre as pautas legislativas que impactam o Transporte Rodoviário de Cargas.
“Precisamos trabalhar com responsabilidade fiscal, garantindo investimentos possíveis e sustentáveis. Quando falamos em investimento público e privado em infraestrutura, vemos que nunca tivemos um volume tão significativo de investimentos como agora, e isso é fruto de competência técnica e articulação política. Mas, ao mesmo tempo, temos desafios importantes no Congresso Nacional. O possível fim da escala 6×1, por exemplo, precisa ser debatido com responsabilidade, sem comprometer a geração de empregos e o desenvolvimento econômico. A reforma tributária também exige atenção especial quanto aos seus impactos sobre o TRC. Temos ainda propostas legislativas em tramitação, regulamentações trabalhistas e temas ligados à segurança jurídica e à tributação que demandam acompanhamento constante. A presença organizada do setor nesses debates é fundamental para garantir competitividade e sustentabilidade às empresas transportadoras”, destacou, Vander.
O senador Jaime Bagattoli também se pronunciou durante a abertura, apontando os desafios enfrentados pelo setor e a recente aprovação da PEC 22/2025. “Quero cumprimentar todos que representam esse setor tão essencial e, ao mesmo tempo, tão desafiador para o nosso país. Recentemente, aprovamos, de forma unânime no Senado, a PEC 22/2025, a chamada PEC dos Caminhoneiros, construída em diálogo com diferentes partidos e com o próprio governo. Não somos contra a legislação existente, mas precisamos corrigir distorções. Criamos regras importantes, como a exigência de pontos de parada, que muitas vezes não existem na prática, e os motoristas acabaram sendo penalizados com multas mesmo sem a estrutura adequada. Também é fundamental avançarmos no diálogo sobre a tabela de frete, especialmente em relação ao transporte de cargas de baixo valor agregado, como soja, milho e minério, para evitar distorções que prejudiquem transportadores e empresas. O caminho é o diálogo entre o Congresso, a ANTT e as entidades do setor, para construirmos soluções equilibradas e definitivas”.
Por fim, o senador Wellington Fagundes frisou a necessidade de maior protagonismo do setor produtivo nas decisões tomadas em Brasília e defendeu a logística como política permanente de Estado. Representando Mato Grosso, estado líder na produção agropecuária, ele destacou os impactos diretos da infraestrutura sobre a competitividade nacional.
“O setor produtivo precisa estar no centro das decisões em Brasília. O Brasil não pode conviver com a insegurança institucional enquanto o mundo avança. Rodovia duplicada reduz custo, corredor estruturado amplia mercado, e gargalo eliminado vira margem. No fim, o frete define o resultado da safra. Segurança jurídica significa estabilidade para quem investe e respeito aos contratos. O investidor precisa ter confiança de que o Brasil protege quem produz, quem transporta e quem gera emprego. Quando há decisão e prioridade, como vimos na modernização da BR-163, os resultados aparecem rapidamente”, acrescentou Fagundes. O senador também destacou o trabalho realizado e os avanços da Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura – FRENLOGI, formada por senadores e deputados, em prol da logística nacional e modernização da infraestrutura do Brasil.
No período da tarde, o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, o vice-presidente da NTC&Logística, Antonio Luiz Leite, e o presidente da FENATAC, Paulo Afonso Lustosa deram continuidade às atividades do dia, dessa vez, ao lado do vice-presidente da FENATAC, Hélio Camilo Marra, do governador do estado de Goiás, Ronaldo Caiado, e do secretário de Governo do Distrito Federal, José Humberto Pires de Araújo.
O secretário José Humberto Pires de Araújo saudou os participantes, salientando a importância do diálogo como instrumento de construção de soluções para os desafios comuns ao setor produtivo. “Desejo a todos muito sucesso neste encontro. Presidi por muitos anos a Associação Brasileira de Supermercados e sei o quanto momentos como este são fundamentais para que, por meio do diálogo, possamos encontrar soluções para problemas que são comuns a todos. É esse espírito de construção coletiva que vejo aqui. Sejam muito bem-vindos a Brasília, aproveitem estes dias de troca de ideias e que o Brasil continue ganhando com a inteligência e a competência de cada um dos senhores.”
O governador do estado de Goiás, Ronaldo Caiado, deu início ao seu discurso ressaltando a importância estratégica do Transporte Rodoviário de Cargas para o funcionamento do país e pondo em relevo o papel da segurança pública como condição essencial para o desenvolvimento do setor. Em sua fala, o governador também reforçou sua pré-candidatura à Presidência da República, em 2026.
“É uma alegria estar aqui com vocês, representantes de um setor fundamental para o Brasil. O Transporte Rodoviário de Cargas é a estrutura que sustenta todas as outras estruturas: é ele que garante que o alimento chegue à mesa dos brasileiros, que o combustível abasteça os postos, que medicamentos e insumos essenciais estejam disponíveis. Todo cidadão que conhece minimamente o Brasil sabe da relevância desse setor. Quando assumi o governo de Goiás, encontrei um cenário de grave crise fiscal e de insegurança, que penalizava diretamente os transportadores, com roubos de cargas, veículos e combustível. Era preciso agir com firmeza. Sempre digo que só se comanda quem tem autoridade moral, e governar não é discurso, é atitude”, enfatizou o governador do estado.
Apresentações e palestras
Após a finalização oficial das falas de abertura, o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi; o vice-presidente da NTC&Logística, Antonio Luiz Leite, e o presidente da FENATAC, Paulo Afonso Lustosa seguiram na mesa para acompanhar o início do painel “Mercado e Tarifas”, que contou com a apresentação do engenheiro e assessor técnico da NTC&Logística, Lauro Valdivia. Na ocasião, o profissional trouxe a atualização detalhada da Pesquisa de Mercado do TRC 2025, a evolução dos principais custos operacionais do setor e a análise dos componentes tarifários, destacando que combustível, veículos e mão de obra representam 92% da estrutura de custos das transportadoras.
Também foram apresentados os índices setoriais INCTL – Índice Nacional de Custos de Transporte de Carga Lotação e o INCTF – Índice Nacional de Custos de Transporte de Carga Fracionada; o comparativo com indicadores econômicos nacionais; os dados sobre reajustes e defasagem média do frete, atualmente em 10,1%, além de informações sobre prazos de recebimento, impacto financeiro e dificuldades enfrentadas pelas empresas, como escassez de motoristas, reoneração da folha e limitações de mercado. O painel ainda contemplou a apresentação de novas ferramentas desenvolvidas pela entidade, como a Plataforma de Cálculo de Frete e o portal SIT, reforçando o compromisso da NTC&Logística em oferecer instrumentos técnicos para apoiar a gestão e a sustentabilidade das empresas de Transporte Rodoviário de Cargas.
Após a apresentação de Lauro Valdivia, o presidente Eduardo Rebuzzi fez a leitura do tradicional Comunicado do CONET – Fevereiro de 2026, que destaca os números apresentados e o posicionamento da entidade.
Em prosseguimento, o vice-presidente extraordinário de Inovação e Novos Negócios da NTC&Logística, André de Simone, conduziu o painel “Inovação e Novos Negócios”, e detalhou as diretrizes da Vice-Presidência de Inovação, com foco em governança, estratégia e plano de ação, destacando a missão de conectar pessoas, empresas associadas, tecnologia e oportunidades, tornando a inovação prática, acessível e contínua para o Transporte Rodoviário de Cargas. Por fim, o painel também abordou a criação de um ambiente permanente de inovação, com valorização das soluções desenvolvidas internamente pelas empresas, realização de visitas técnicas a polos tecnológicos no Brasil e no exterior, como o Vale do Silício, e a estruturação de projetos originados na COMJOVEM, preservando o legado e acelerando iniciativas com potencial de escala e impacto setorial, conforme apresentado nas diretrizes oficiais da Vice-Presidência.
O painel “Talks – Fornecedores da Cadeia Produtiva do TRC” reuniu, na sequência, importantes players do mercado para discutir perspectivas para 2026 e soluções aplicáveis à realidade das transportadoras. Com participação do presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi; do vice-presidente, Antonio Luiz Leite; do presidente da FENATAC, Paulo Afonso Lustosa, e coordenação técnica do engenheiro Lauro Valdivia, o debate contou com representantes da Geotab, Mercedes-Benz, Roadcard, Transpocred, TGID, Volkswagen Caminhões e Ônibus, e Wisevia.
Durante o painel, os executivos apresentaram produtos, serviços e tecnologias voltados à redução de custos operacionais, aumento de eficiência e produtividade, melhoria da gestão, inovação tecnológica, segurança e sustentabilidade, reforçando a importância da integração entre transportadores e fornecedores estratégicos para enfrentar os desafios do próximo ano com maior competitividade.
Encontro com empresários e análise de cenário
O painel “Encontro com Empresários do TRC” reuniu Antonio Luis da Silva Júnior, CEO da Tora Transportes, do segmento de carga lotação; Marcelo Patrus, CEO da Patrus Transportes, do segmento de carga fracionada, e Oswaldo Vieira Caixeta Junior, CEO da Transac, do segmento de carga líquida e perigosa, com mediação do presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, e participação do vice-presidente, Antonio Luiz Leite; do diretor financeiro, José Maria Gomes, e do assessor técnico, Lauro Valdivia. O debate trouxe uma análise prática e segmentada da realidade operacional de diferentes nichos do transporte, abordando oscilações na demanda, comportamento dos embarcadores, aumento de custos fixos e variáveis, escassez de mão de obra e desafios na formação de preços.
Os empresários também discutiram os desafios que devem impactar o setor, como o roubo de cargas – e, agora, o roubo também de componentes de caminhões –, o Custo Brasil e a reforma tributária que vai atingir o planejamento de médio e longo prazo das empresas. As exposições evidenciaram a pressão sobre as margens, especialmente diante da defasagem do frete e do alongamento dos prazos de recebimento, reforçando que 2026 exigirá gestão rigorosa, disciplina financeira e posicionamento estratégico das empresas.
Encerrando a programação do dia, o jornalista Eric Klein, da CNBC Brasil, ministrou a palestra magna “Cenário Econômico e Perspectivas para o Transporte Rodoviário de Cargas”, compondo a mesa ao lado do presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi; do vice-presidente, Antonio Luiz Leite, e do presidente da FENATAC, Paulo Afonso Lustosa. Com sólida trajetória na cobertura de grandes acontecimentos nacionais e internacionais, Klein apresentou uma análise aprofundada do ambiente macroeconômico, abordando juros, inflação, política fiscal, câmbio, cenário internacional e os reflexos das tensões geopolíticas sobre cadeias produtivas e fluxos de investimento.
O palestrante destacou os impactos diretos das variáveis sobre consumo, crédito, atividade industrial e agronegócio, setores que influenciam diretamente a demanda por transporte, e alertou para a necessidade de planejamento estratégico diante de um ambiente de incertezas. “O setor de vocês é o grande propulsor da economia brasileira. Cerca de 65% de toda a carga transportada no país passa pelo transporte rodoviário. Vocês são o motor que faz o Brasil funcionar. Mas ninguém aqui quer ser um foguete que sobe e depois volta. O objetivo é crescer com consistência e sustentabilidade. Por isso, precisamos olhar para os principais drivers que vão impactar diretamente o setor neste ano: o preço do petróleo, o cenário eleitoral, a questão das tarifas, tanto tributárias quanto comerciais, e a segurança. Tivemos momentos recentes de forte pressão na demanda por frete, com variações expressivas que mostram o quanto o setor é sensível ao ambiente econômico. E segurança, hoje, não é diferencial, é obrigação, segurança da carga, da empresa e do profissional que está na estrada. Entender esses fatores é fundamental para transformar desafios em oportunidades e atravessar 2026 com estratégia e visão de longo prazo”.
Ao final, respondeu às perguntas dos empresários presentes, ampliando o debate sobre expectativas para 2026 e reforçando a importância de decisões baseadas em análise de contexto, leitura política e inteligência de mercado.
Com a finalização das atividades do primeiro dia, os empresários seguem em Brasília nesta sexta-feira, 27 de fevereiro, com a programação da INTERSINDICAL, dedicada a temas como infraestrutura, legislação trabalhista e reforma tributária.
A primeira edição do CONET&Intersindical de 2026 é uma realização da NTC&Logística, tendo a FENATAC como entidade anfitriã, com o apoio dos Sindicatos filiados.
Apoio institucional: Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte; SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte; ITL – Instituto de Transporte e Logística) e FuMTran (Fundação Memória do Transporte).
O Desafio da Sustentabilidade no Transporte Rodoviário de Cargas, Setor Essencial para a Economia Nacional
A NTC&LOGÍSTICA torna pública a defasagem nos valores de frete praticados pelas empresas do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), com base na análise de custos realizada pelo DECOPE (Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas). O objetivo deste Comunicado é orientar o mercado e garantir a continuidade operacional de um setor vital para o desenvolvimento do Brasil.
O TRC encerrou o ano de 2025 sob forte pressão regulatória e operacional. Embora o volume de cargas tenha apresentado melhora para cerca de 40% das empresas, a rentabilidade foi impactada por três fatores críticos que exigem a recomposição imediata dos fretes:
Impacto dos Novos Custos com Seguros (Lei 14.599/23)
A obrigatoriedade dos seguros RCTR-C, RC-DC e RC-V transferiu custos e gestão de risco integralmente ao transportador. Para a cobertura desses custos, a prática de mercado pelas empresas é a adoção da cobrança da Taxa de Seguro Obrigatório (TSO).
Fim da Leniência no Piso Mínimo (Lei 13.703/18)
A implementação da fiscalização eletrônica (MDF-e/CIOT) pela ANTT encerrou o período de utilização de valores abaixo da tabela divulgada pela Agência, praticados por força da concorrência comercial. O cumprimento do piso é agora um requisito de conformidade inegociável na contratação de terceiros (TAC).
Perda de Produtividade e Custo Social
Decisões judiciais (ADI 5322) sobre tempos de espera e descanso reduziram a disponibilidade da frota, elevando o custo fixo por viagem. Somada a isso, a escassez de motoristas qualificados pressiona os investimentos em retenção e benefícios.
O Cenário da Defasagem Tarifária
Apesar da estabilidade dos custos operacionais observada em 2025, o setor enfrenta um cenário difícil. A dificuldade histórica em repassar a inflação acumulada do setor compromete a saúde financeira das transportadoras. Atualmente, segundo a pesquisa da NTC, o frete praticado apresenta uma defasagem média de 10,1% em relação aos custos reais apurados pela NTC.
Evolução dos Custos: Um Olhar Acumulado
O impacto nos custos é mais visível quando analisamos o médio prazo, no qual itens essenciais como veículos e mão de obra apresentam altas consideráveis.
Item de Custo
Acumulado (36 meses)
Caminhão
23,3%
Mão de Obra
20,2%
Combustível
-5,3%
No acumulado de 12 meses, enquanto o INCTL (Carga Lotação) atingiu 2,81%, o INCTF (Carga Fracionada) subiu 5,34%, superando o IPCA de 2025, que fechou em 4,44%.
Perspectivas e Desafios para 2026
O ano de 2026 inicia já com uma pressão inflacionária e novos desafios operacionais que exigem atenção imediata:
Custos Tributários: início da segunda fase da reoneração da folha de pagamento, elevando a carga tributária sobre o setor.
Custo Financeiro: a Selic permanece elevada em 15,0%, o custo de concessão de prazos aos clientes tornou-se oneroso e deve ser repassado, visto que não integra as planilhas referenciais de custo da NTC.
Componentes Tarifários: É vital a aplicação rigorosa do Frete-Valor, GRIS e TSO, para cobrir riscos e especificidades operacionais.
CONCLUSÃO
A sobrevivência das empresas de transporte e a manutenção da qualidade dos serviços dependem da recomposição imediata dos preços, eliminando a defasagem existente. É imprescindível o monitoramento constante das taxas adicionais e dos custos financeiros, além da cobrança correta de cubagem, para garantir a sustentabilidade do setor.
Encontro institucional apresentou a entidade ao parlamentar e tratou de pautas estratégicas do Transporte Rodoviário de Cargas, além da realização do V Seminário Trabalhista do TRC
A NTC&Logística participou de audiência institucional com o deputado federal Max Lemos, que assumirá a presidência da Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados. O encontro teve como objetivo apresentar formalmente a entidade ao parlamentar e estreitar o diálogo institucional em torno das pautas que impactam diretamente o Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil.
Representaram a NTC&Logística o vice-presidente extraordinário de Assuntos Políticos, José Hélio Fernandes; a assessora de Relações Institucionais, Edmara Claudino, e o assessor jurídico, Dr. Narciso Figueirôa Junior. Durante a reunião, foram apresentados o histórico de atuação da entidade, sua representatividade nacional e o trabalho técnico desenvolvido em defesa das empresas transportadoras.
Além da apresentação institucional, a comitiva tratou de projetos em tramitação no Congresso Nacional, com reflexos sobre as relações de trabalho no setor, reforçando a importância de um diálogo permanente e técnico junto à Comissão de Trabalho. Também esteve na pauta a realização do V Seminário Trabalhista do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), evento que reúne especialistas, parlamentares e lideranças do setor, para debater temas atuais e propor encaminhamentos consistentes para os desafios trabalhistas da atividade.
A audiência foi considerada estratégica pela entidade, sobretudo neste momento de início de gestão na Comissão. O encontro reforça o compromisso da NTC&Logística com a interlocução qualificada junto ao Poder Legislativo, buscando contribuir com informações técnicas, segurança jurídica e equilíbrio nas propostas que impactam o ambiente de negócios e as relações de trabalho no Transporte Rodoviário de Cargas.
Projeto segue para sanção presidencial e endurece penas para crimes contra a infraestrutura de transporte
A Câmara dos Deputados aprovou o PL nº 5.582/2025, conhecido como PL Antifacção, que institui o marco legal de combate ao crime organizado no Brasil e traz medidas relevantes para o setor de transporte. O texto contempla dois pontos estratégicos defendidos pela CNT: o agravamento das penas para crimes cometidos contra a infraestrutura de transporte e serviços públicos, e a suspensão temporária, com possibilidade de cancelamento, do CNPJ de empresas envolvidas na receptação e comercialização de cargas roubadas.
Para a Confederação, a proposta representa um avanço decisivo na proteção da atividade transportadora em um cenário de recorrentes ataques a ônibus e caminhões, em diversas regiões do país.
“A aprovação do PL Antifacção completa uma agenda histórica do setor. O dispositivo que prevê a suspensão do CNPJ de quem vende cargas roubadas é prioritário para nós e rompe um elo fundamental da cadeia criminosa. Ao mesmo tempo, o agravamento das penas para quem depreda a infraestrutura de transporte reforça a segurança de motoristas e passageiros, inclusive no transporte metroferroviário”, afirmou o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa.
Autor da emenda que prevê a suspensão do CNPJ de empresas envolvidas na receptação de cargas roubadas, o deputado federal Fernando Marangoni (UNIÃO/SP) destacou que o enfrentamento ao crime organizado exige a interrupção de sua base econômica.
“O crime organizado não sobrevive apenas pela ação dos criminosos, mas pela rede econômica que lava, esconde e comercializa produtos ilícitos. Ao suspendermos o CNPJ de empresas envolvidas na receptação de cargas roubadas, atingimos diretamente o coração financeiro dessas organizações e desmontamos a estrutura que sustenta o crime. Nosso objetivo é proteger o setor produtivo, a logística nacional e a economia formal, cortando o incentivo econômico que alimenta esse mercado ilegal. Sem compradores e sem empresas que financiem a receptação, não haverá crime”, afirmou.
Com o novo marco legal, o transporte rodoviário passa a contar com instrumentos mais robustos para enfrentar o crime organizado, ampliando a proteção à vida dos motoristas profissionais e assegurando a continuidade dos serviços essenciais de mobilidade e logística.
Próximos passos
Com a aprovação da redação final pela Câmara dos Deputados, o PL nº 5.582/2025 segue para a sanção presidencial. O presidente da República terá 15 dias úteis para sancionar ou vetar, total ou parcialmente, o texto. A expectativa é que, uma vez sancionada, a norma fortaleça o combate às organizações criminosas e amplie a segurança no transporte.
A Infra S.A. realiza um estudo para avaliar a utilização de um sistema internacional capaz de facilitar o transporte de mercadorias entre países, com redução de inspeções nas fronteiras. A iniciativa analisa a aplicação da Convenção TIR (Transporte Internacional Rodoviário) no Corredor Bioceânico de Capricórnio, rota rodoviária que conectará o Centro-Oeste brasileiro e os portos do Atlântico aos terminais portuários do Norte do Chile.
O trabalho conduzido pela estatal avalia os potenciais impactos da adoção do sistema na implantação do Corredor e foi solicitado pela União Internacional dos Transportes Rodoviários (IRU). De acordo com a Coordenadora de Projetos Especiais da Infra S.A., Elaine Radel, o objetivo é analisar como o Sistema TIR pode ser aplicado ao contexto do Corredor Bioceânico de Capricórnio, considerando as especificidades operacionais, regulatórias e institucionais dos países envolvidos.
“A expectativa é que as conclusões subsidiem decisões futuras e contribuam para o aprimoramento da integração logística regional, especialmente no eixo que conecta o Brasil aos portos do Oceano Pacífico”, destaca.
Carga selada
Na prática, o TIR funciona como um sistema de trânsito aduaneiro internacional que permite que a carga seja selada no país de origem e siga viagem por diferentes territórios com um único documento reconhecido internacionalmente. Assim, reduzem-se as inspeções físicas nas fronteiras, diminuem-se atrasos e custos logísticos, e aumenta-se a segurança e a previsibilidade das operações.
Seminário
A adoção da Convenção TIR será tema do seminário “O sistema TIR como catalisador para integração e competitividade no Corredor Bioceânico”, que será realizado no dia 5 de março, em Campo Grande (MS).
O evento reunirá autoridades, especialistas e representantes dos setores público e privado para discutir os benefícios da implementação do sistema global de trânsito aduaneiro no contexto do Corredor. Entre os principais impactos esperados, estão a conexão da Rota Bioceânica de Capricórnio a mercados consolidados da Ásia e da Europa, a facilitação do comércio entre os países envolvidos e os mercados globais, além do aumento dos fluxos de comércio internacional com mais segurança, eficiência e previsibilidade.
A programação abordará também a ampliação da conectividade com rotas internacionais, a facilitação do comércio entre os países participantes e o fortalecimento do transporte rodoviário internacional.
Indústria apoia emendas à MP 1.328 para que o piso mínimo deixe de ser obrigatório e que infrações sejam anuladas
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) vai defender, junto ao Poder Legislativo, a alteração da norma que fixa o tabelamento obrigatório do frete rodoviário. A Diretoria da CNI aprovou, nesta semana, o apoio institucional às emendas que modificam a Medida Provisória 1.328/2025, com o objetivo de tornar o piso mínimo referencial e a anular as infrações aplicadas a empresas e caminhoneiros pelo descumprimento da tabela.
Editada em dezembro do ano passado, a MP 1.328/25 autoriza a destinação de até R$ 6 bilhões para a criação de linhas de financiamento para a aquisição de caminhões novos ou seminovos, com foco na renovação da frota de transporte de cargas. A medida, que ainda será votada pelo Congresso Nacional, recebeu emendas que atribuem caráter referencial aos pisos mínimos do frete, de modo que possam servir como parâmetro orientador na celebração de contratos de transporte.
O presidente do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra) da CNI, Alex Dias Carvalho, que também preside a Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), alertou que a quantidade de infrações vem aumentando substancialmente em razão do descumprimento do piso mínimo. Segundo ele, o valor é inviável, especialmente nos fretes de retorno para produtos de baixo valor agregado.
Alex Carvalho observou que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou nota técnica em julho de 2025 para que fossem intensificadas as fiscalizações. Desde então, as multas têm aumentado. Até o começo de fevereiro de 2026, o número de autuações já havia crescido 44% em relação a todo o ano passado.
“Trabalhamos para que essa tabela deixe de ser obrigatória e passe a ser referencial. Esse é um problema que está se alastrando e precisamos resolver o quanto antes”, enfatizou o presidente do Coinfra.
O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, afirmou que a instituição tem manifestado preocupação com os desdobramentos da política nacional de pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas, diante de equívocos em sua concepção e da ausência de critérios técnicos que considerem a realidade operacional do setor produtivo.
Muniz observou que a CNI tem participado de audiências públicas promovidas pela ANTT e intensificado sua interlocução com o Ministério dos Transportes e a Casa Civil, em articulação com federações, associações e empresas industriais. A atuação também tem alcançado os poderes Legislativo e Judiciário, com o objetivo de propor correções, aprimorar o marco regulatório e defender maior coerência e segurança jurídica ao setor produtivo.
“A forma como vem sendo aplicada a cobrança do piso mínimo do frete rodoviário tem provocado distorções e aumentado os custos das operações industriais, especialmente para produtos de baixo valor agregado. A CNI tem levado essa preocupação ao Ministério dos Transportes, à Casa Civil, ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF), defendendo ajustes que considerem o frete de retorno e assegurem regras equilibradas e previsíveis para a competitividade da indústria”, destacou Roberto Muniz.
CNI propôs ação no SFT contra o tabelamento em 2018
Considerando que a política de piso mínimo – instituída pela Lei nº 13.703/2018 – afeta diretamente a livre iniciativa e a livre concorrência, a CNI protocolou a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5.964 no STF, em 2018, questionando a constitucionalidade da medida. O Supremo, no entanto, até hoje não colocou a ação em julgamento.
Com o cenário recente de intensificação da fiscalização, a CNI voltou a reforçar junto ao relator da ADI, ministro Luiz Fux, o pedido de celeridade ao julgamento do processo. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) propôs ação semelhante, reforçando a manifestação contrária ao piso mínimo obrigatório do frete rodoviário.
Além disso, junto ao Poder Executivo, a CNI participou ativamente das discussões conduzidas pela ANTT sobre a revisão dos parâmetros técnicos da tabela de frete rodoviário, por meio do envio de contribuições para o aperfeiçoamento da metodologia de cálculo do piso mínimo do frete de cargas. Essa é uma alternativa enquanto o tabelamento não se torna referencial.
Em dezembro, o tabelamento do frete foi tema de debate em reunião do Coinfra na CNI. Na ocasião, o diretor de Relações Institucionais da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Valter Luís de Souza, defendeu uma união do setor produtivo contra o modelo de tabelamento. “Temos que juntar a força da indústria, da agricultura e do transporte para que essa lei seja considerada inconstitucional pelo Supremo”, enfatizou. “Se há uma coisa que precisa ter livre mercado é o frete. Tabelar frete é inconstitucional”, reforçou o diretor da CNT.
Já o assessor jurídico da CNA, Rodrigo Kaufmann, destacou que uma possibilidade a ser buscada é a negociação direta com o Poder Judiciário. “O Supremo tem demonstrado uma certa aptidão para soluções consensuais. Nos parece que, nesse caso, há uma solução jurídica muito clara, mas CNI, CNA e CNT podem se unir para levar uma proposta ao núcleo de solução consensual de conflitos do Supremo. É preciso ressaltar os efeitos ruins que essa política de tabelamento de frete vem causando ao país”, alertou.
Para o presidente-executivo da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT), Luís Baldez, o tabelamento obrigatório distorce a concorrência de mercado, impede a negociação e aumenta os preços finais dos produtos. “O tabelamento não tem nenhum benefício, só traz distorções para a economia”, criticou. “Defendemos que a tabela seja referencial, como um parâmetro para as negociações, mas não uma imposição legal”, completou Baldez.
O Desafio da Sustentabilidade no Transporte Rodoviário de Cargas, Setor Essencial para a Economia Nacional
A NTC&LOGÍSTICA torna pública a defasagem nos valores de frete praticados pelas empresas do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), com base na análise de custos realizada pelo DECOPE (Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas). O objetivo deste Comunicado é orientar o mercado e garantir a continuidade operacional de um setor vital para o desenvolvimento do Brasil.
O TRC encerrou o ano de 2025 sob forte pressão regulatória e operacional. Embora o volume de cargas tenha apresentado melhora para cerca de 40% das empresas, a rentabilidade foi impactada por três fatores críticos que exigem a recomposição imediata dos fretes:
Impacto dos Novos Custos com Seguros (Lei 14.599/23)
A obrigatoriedade dos seguros RCTR-C, RC-DC e RC-V transferiu custos e gestão de risco integralmente ao transportador. Para a cobertura desses custos, a prática de mercado pelas empresas é a adoção da cobrança da Taxa de Seguro Obrigatório (TSO).
Fim da Leniência no Piso Mínimo (Lei 13.703/18)
A implementação da fiscalização eletrônica (MDF-e/CIOT) pela ANTT encerrou o período de utilização de valores abaixo da tabela divulgada pela Agência, praticados por força da concorrência comercial. O cumprimento do piso é agora um requisito de conformidade inegociável na contratação de terceiros (TAC).
Perda de Produtividade e Custo Social
Decisões judiciais (ADI 5322) sobre tempos de espera e descanso reduziram a disponibilidade da frota, elevando o custo fixo por viagem. Somada a isso, a escassez de motoristas qualificados pressiona os investimentos em retenção e benefícios.
O Cenário da Defasagem Tarifária
Apesar da estabilidade dos custos operacionais observada em 2025, o setor enfrenta um cenário difícil. A dificuldade histórica em repassar a inflação acumulada do setor compromete a saúde financeira das transportadoras. Atualmente, segundo a pesquisa da NTC, o frete praticado apresenta uma defasagem média de 10,1% em relação aos custos reais apurados pela NTC.
Evolução dos Custos: Um Olhar Acumulado
O impacto nos custos é mais visível quando analisamos o médio prazo, no qual itens essenciais como veículos e mão de obra apresentam altas consideráveis.
Item de Custo
Acumulado
(36 meses)
Caminhão
23,3%
Mão de Obra
20,2%
Combustível
-5,3%
No acumulado de 12 meses, enquanto o INCTL (Carga Lotação) atingiu 2,81%, o INCTF (Carga Fracionada) subiu 5,34%, superando o IPCA de 2025, que fechou em 4,44%.
Perspectivas e Desafios para 2026
O ano de 2026 inicia já com uma pressão inflacionária e novos desafios operacionais que exigem atenção imediata:
Custos Tributários: início da segunda fase da reoneração da folha de pagamento, elevando a carga tributária sobre o setor.
Custo Financeiro: a Selic permanece elevada em 15,0%, o custo de concessão de prazos aos clientes tornou-se oneroso e deve ser repassado, visto que não integra as planilhas referenciais de custo da NTC.
Componentes Tarifários: É vital a aplicação rigorosa do Frete-Valor, GRIS e TSO, para cobrir riscos e especificidades operacionais.
CONCLUSÃO
A sobrevivência das empresas de transporte e a manutenção da qualidade dos serviços dependem da recomposição imediata dos preços, eliminando a defasagem existente. É imprescindível o monitoramento constante das taxas adicionais e dos custos financeiros, além da cobrança correta de cubagem, para garantir a sustentabilidade do setor.
A NTC&Logística realizou ontem, dia 25 de fevereiro, em Brasília (DF), na sede da entidade, o III Encontro Nacional de Coordenadores da COMJOVEM – Comissão de Jovens Empresários e Executivos do Transporte Rodoviário de Cargas. O evento reuniu coordenadores e vice-coordenadores de 22 Núcleos da Comissão, assessores da entidade e lideranças do Sistema Transporte, com o objetivo de fortalecer o associativismo, alinhar diretrizes estratégicas e ampliar a atuação institucional da nova geração do setor.
A abertura institucional contou com a participação do presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, e da Coordenação Nacional da COMJOVEM, formada pelo coordenador nacional, Hudson Rabelo, e os vice-coordenadores nacionais, Jéssica Caballero e Italo Grativol.
Em sua fala inicial, Hudson, em conjunto com Jéssica e Italo, destacou o propósito do evento. “Realizamos este Encontro de Coordenadores com um objetivo muito claro: fortalecer a união da nossa rede. É o momento de aproximar ainda mais os Núcleos da COMJOVEM dos sindicatos, das federações e da NTC&Logística, garantindo alinhamento, integração e uma atuação cada vez mais produtiva e estratégica. A presença de cada um de vocês reforça esse compromisso coletivo.”
O presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, recebeu a palavra e reforçou a importância estratégica do III Encontro Nacional de Coordenadores como espaço de integração e fortalecimento institucional, destacando o simbolismo da sede do Sistema Transporte como a casa das entidades que representam e defendem o setor em âmbito nacional. “Onde estamos hoje é a casa do Sistema Transporte, o espaço que representa a força institucional do nosso setor. Este Encontro consolida a conexão entre a nova geração de lideranças e as entidades que compõem o sistema associativo. O futuro do Transporte Rodoviário de Cargas depende da união, da participação ativa e do compromisso de cada coordenador com a construção coletiva do setor.”
Flávio Benatti, patrono da COMJOVEM, deixou uma mensagem para os participantes do encontro, refletindo sobre a relevância do associativismo para a sustentabilidade do setor. “É por meio de entidades fortes e representativas que conseguimos atuar em Brasília, acompanhar projetos de lei e defender os interesses do Transporte Rodoviário de Cargas. Por isso, é fundamental ampliar o quadro de associados e fortalecer a NTC&Logística, garantindo estrutura e legitimidade para continuar trabalhando em benefício das empresas.”
Dando sequência à programação do evento, Eduardo Rebuzzi apresentou a palestra “Associativismo na Prática: O Papel da NTC&Logística no Fortalecimento do Setor”, e trouxe uma visão estruturada do sistema associativo do Transporte Rodoviário de Cargas, ratificando que nenhuma empresa transforma o setor isoladamente. Ao detalhar o funcionamento integrado entre sindicatos, federações, NTC&Logística e Confederação Nacional do Transporte (CNT), o presidente evidenciou que a representatividade política, a defesa jurídica, a produção técnica e a articulação institucional são resultados diretos da atuação coletiva.
Durante a apresentação, foram destacados avanços conquistados pelo setor por meio do associativismo, como marcos regulatórios, atuação no Congresso Nacional, participação em grupos técnicos e defesa jurídica em instâncias superiores. A mensagem central foi clara: a união setorial é o instrumento mais eficaz para enfrentar riscos regulatórios, pressões de custos e desafios estruturais.
A palestra seguinte – “Representar, Conectar e Transformar: O Papel das Entidades no Transporte Rodoviário de Cargas” – coube ao diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Luís de Souza, que convidou os técnicos do Sistema Transporte (CNT / SEST SENAT / ITL), Andrea Cavalcanti, gerente executiva do Poder Legislativo; Frederico Toledo Melo, gerente executivo de Relações Trabalhistas, e Danielle Bernardes, gerente executiva governamental, para apresentarem em conjunto a estrutura do Sistema Transporte e o peso institucional do TRC na CNT.
Foram abordados temas como propostas legislativas em tramitação, regulamentações trabalhistas, agenda institucional e desafios relacionados à segurança jurídica, tributação e infraestrutura. A exposição reforçou que a presença organizada do setor nos espaços de decisão é condição indispensável para a competitividade e sustentabilidade das empresas transportadoras.
Em sua fala de finalização, Valter de Souza enfatizou que o transporte é um setor estratégico para o Brasil e que sua força está na organização e na representação institucional. “A CNT, em conjunto com a NTC&Logística, federações e sindicatos, atua diariamente no Legislativo, no Executivo e no Judiciário para defender as empresas, acompanhar projetos de lei, influenciar regulações e garantir segurança jurídica e competitividade. Vivemos um ambiente de mudanças constantes, e só conseguiremos enfrentar desafios regulatórios, trabalhistas e estruturais com união, preparo técnico e participação ativa das lideranças. O futuro do Transporte Rodoviário de Cargas depende do nosso engajamento coletivo, da apropriação da Agenda Institucional e do fortalecimento permanente das entidades que representam o setor.”
Em prosseguimento, o coordenador nacional, Hudson Rabelo e os vice-coordenadores nacionais Jéssica Caballero e Italo Grativol voltaram ao palco para apresentar o painel “A Força da COMJOVEM: Pertencimento, Integração e Conexão”, expondo dados atualizados da Comissão, que hoje reúne mais de 600 integrantes, representando mais de 420 empresas, operando mais de 60 mil veículos e empregando mais de 100 mil pessoas.
Além dos números, foram discutidos desafios históricos na relação entre Núcleos e entidades representativas, como alinhamento institucional, devolutivas, engajamento e percepção de valor. Também foi promovido um momento de reflexão estratégica sobre o papel do coordenador como agente de integração, articulador institucional e multiplicador de conhecimento dentro de sua base regional.
Em suas falas, o coordenador e os vice-coordenadores reforçaram que o papel da COMJOVEM vai além da integração social: trata-se de um laboratório de inovação, formação de lideranças e preparação para a sucessão familiar nas empresas do setor, com identidade clara e alinhamento nacional.
A programação contemplou ainda a palestra “Comunicação, Imagem e Eventos como Estratégia Institucional”, conduzida por Elisete Balarini e Rodrigo Bernardino, que abordaram a agenda de eventos da entidade, a importância do posicionamento institucional, da coerência de imagem e da profissionalização da comunicação nos Núcleos, como ferramenta de fortalecimento das entidades.
Encerrando o ciclo de conteúdos, o assessor de comunicação da Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas & Logística (FENATAC), Humberto Junqueira, expôs reflexões sobre polarização e cenário político brasileiro, destacando os impactos do ambiente político na formulação de narrativas e decisões que afetam o setor.
A exposição destacou a necessidade de visão crítica, equilíbrio e preparo técnico das lideranças diante de contextos polarizados e da influência dos algoritmos na formação de opinião.
No encerramento, a assessora nacional da COMJOVEM, Isabela Cristina Costa, apresentou a síntese dos debates e os encaminhamentos para 2026, destacando três pilares estratégicos consolidados ao longo do encontro: fortalecimento do associativismo, identidade e protagonismo jovem, e comunicação com visão política.
Ao final do encontro, todas as entidades responsáveis por Núcleos da Comissão em suas bases e que estiveram presentes no evento receberam um troféu da NTC&Logística por sua representatividade e participação no evento.
O III Encontro Nacional de Coordenadores da COMJOVEM foi uma realização da NTC&Logística, por meio da Coordenação Nacional da COMJOVEM, e contou com o apoio institucional do Sistema Transporte (CNT / SEST SENAT / ITL), da Fundação Memória do Transporte (FuMTran) e apoio Logístico da Braspress.