Evento reuniu autoridades, especialistas e lideranças do setor para debater o combate ao roubo de cargas, ao crime organizado e o fortalecimento da segurança no transporte e logística no Brasil
A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) realizou, nesta quinta-feira (6), em sua subsede, em São Paulo (SP), o 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). O evento reuniu autoridades públicas, representantes do Sistema de Justiça Criminal, especialistas, pesquisadores, empresários e lideranças do setor para discutir os principais desafios relacionados ao enfrentamento do crime organizado, do roubo de cargas e dos impactos da criminalidade sobre a logística e a economia brasileira.
A abertura foi conduzida pelo presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, e pelo vice-presidente extraordinário de Segurança da entidade, Roberto Mira, que destacaram a importância da atuação conjunta entre o poder público e a iniciativa privada para fortalecer a segurança logística e ampliar a integração entre as instituições responsáveis pelo enfrentamento da criminalidade.
Em sua manifestação, Eduardo Rebuzzi ressaltou que o combate ao roubo de cargas passa necessariamente pelo enfrentamento à receptação, considerada um dos principais fatores que sustentam a atuação das organizações criminosas.
“O enfrentamento ao roubo de cargas passa, necessariamente, pelo combate à receptação. Enquanto houver mercado para produtos roubados, as organizações criminosas continuarão encontrando meios para financiar suas atividades e causar prejuízos às empresas, à economia e à sociedade. Precisamos fortalecer a integração entre as forças de segurança, o poder público e o setor produtivo para desarticular essa cadeia criminosa. A NTC&Logística seguirá contribuindo com estudos, propostas e ações que promovam uma logística mais segura para o Brasil”, afirmou o presidente.
Também durante a abertura, Roberto Mira salientou os avanços obtidos nos últimos anos no combate ao roubo de cargas, resultado da cooperação entre o setor transportador e os órgãos de segurança pública.
“Reduzimos o número de ocorrências de mais de 25 mil registros, em 2017, para cerca de 8,5 mil em 2025. Esse resultado demonstra que o trabalho conjunto entre o setor transportador e as forças de segurança gera resultados concretos. No entanto, ainda temos um longo caminho pela frente. Precisamos continuar atuando de forma integrada para combater o crime organizado, enfrentar a receptação e proteger as empresas, os motoristas e toda a sociedade”, destacou Roberto Mira.
Ao longo da programação, os participantes acompanharam palestras sobre segurança logística, crime organizado, impactos econômicos da criminalidade, produção de conhecimento, inteligência e políticas públicas. O primeiro painel foi conduzido pelo Dr. Waldomiro Milanesi, Delegado de Polícia e Especialista em Segurança, que expôs uma contextualização dos atos de interferência ilícita praticados contra os modais de transporte e os desafios enfrentados pelo setor.
Na sequência, Cassio Augusto Muniz Borges, Assessor Especial da Presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI), apresentou os impactos da criminalidade sobre a produção, a circulação de mercadorias e o desenvolvimento econômico, ressaltando os reflexos diretos do roubo de cargas sobre a competitividade das empresas e o chamado “Custo Brasil”.
Dando continuidade aos debates, o Dr. Lincoln Gakiya, Promotor de Justiça do Estado de São Paulo e integrante do GAECO – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, abordou a expansão e a sofisticação das organizações criminosas, destacando a necessidade de respostas institucionais permanentes e integradas para enfrentar a criminalidade organizada.
O panorama sobre os diagnósticos e as tendências da criminalidade no país foi explanado pelo Dr. Leonardo de Carvalho Silva, Pesquisador Sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que destacou a importância da produção de dados e de diagnósticos qualificados para subsidiar políticas públicas e estratégias voltadas ao fortalecimento da segurança pública e da segurança logística.
Encerrando o ciclo de palestras, Dr. André Gossain, Delegado de Polícia da Diretoria de Operações de Inteligência (Diopi/MJSP) e representante do Ministério da Justiça e Segurança Pública, enfatizou a importância da inteligência, da coordenação nacional e da integração institucional entre União, estados, órgãos de segurança e iniciativa privada no enfrentamento às organizações criminosas que atuam sobre os modais de transporte e as cadeias logísticas.
Durante o encerramento, a NTC&Logística reiterou que os debates e as propostas apresentadas durante o Encontro passam a integrar uma agenda permanente de articulação institucional, reafirmando o compromisso da entidade com o desenvolvimento de ações voltadas ao fortalecimento da segurança pública, da proteção da logística nacional e da integração entre os diversos atores envolvidos na prevenção e no combate à criminalidade.
O 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas foi promovido pela NTC&Logística, com apoio institucional do Sistema Transporte (CNT, SEST SENAT e ITL) e da Fundação Memória do Transporte (FuMTran), reforçando a importância da cooperação entre as entidades representativas do transporte e os órgãos públicos na construção de um ambiente mais seguro para o Transporte Rodoviário de Cargas.
Por Gil Menezes, assessora jurídica da NTC&Logística
Foi publicada, no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 6 de agosto de 2026, a Lei nº 15.485, de 5 de agosto de 2026, resultado da conversão do Projeto de Lei de Conversão nº 6/2026 (Medida Provisória nº 1.343/2026). A nova legislação altera a Lei nº 13.703/2018 (Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas); a Lei nº 10.666/2003; a Lei nº 11.442/2007; a Lei nº 13.103/2015 e o Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503/1997).
O Presidente da República sancionou a norma com vetos parciais, comunicados ao Congresso Nacional por meio da Mensagem nº 665/2026, fundamentados em razões de inconstitucionalidade e de contrariedade ao interesse público.
O que muda com a nova lei Atualização da metodologia do Piso Mínimo de Frete
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) poderá firmar acordo de cooperação técnica com a Infra S.A. para elaboração da planilha dos pisos mínimos de frete. A metodologia deverá considerar fatores como:
distância percorrida;
configuração e tipo de veículo;
tipo de carga;
custos fixos e variáveis;
insumos e combustíveis;
produtividade;
modalidades operacionais específicas (cargas frigorificadas, refrigeradas, pressurizadas, contêineres, entre outras);
critérios de isonomia entre eixos e capacidade de carga.
A atualização dos pisos deverá ser publicada pela ANTT até os dias 20 de janeiro e 20 de julho de cada ano, acompanhada da planilha de cálculo, memória de cálculo e respectivas fontes de dados. Caso a atualização não seja publicada dentro do prazo, os valores serão corrigidos automaticamente pelo IPCA.
Permanece também o reajuste extraordinário sempre que houver variação igual ou superior a 5% no preço dos combustíveis, devendo ser publicado em até três dias úteis.
Piso mínimo passa a ter natureza vinculativa
A lei reforça que os pisos mínimos estabelecidos pela ANTT possuem natureza vinculativa.
O descumprimento poderá sujeitar o infrator ao pagamento de indenização ao transportador de até duas vezes o valor do piso mínimo aplicável, sem prejuízo das sanções administrativas cabíveis.
Nova escala de penalidades
A legislação cria um sistema progressivo de penalidades para quem contratar ou subcontratar fretes abaixo do piso mínimo:
Suspensão cautelar do RNTRC de 5 a 30 dias, em caso de prática reiterada (mais de quatro autuações em seis meses);
Suspensão do RNTRC de 15 a 45 dias, em caso de reincidência (nova infração em até 12 meses);
Cancelamento do RNTRC por até 24 meses, em caso de contumácia (duas ou mais suspensões em 24 meses), podendo atingir sócios, administradores e empresas do mesmo grupo econômico;
Multa majorada, que poderá chegar a R$ 1 milhão em caso de reincidência.
As penalidades não se aplicam ao Transportador Autônomo de Cargas (TAC) quando atuar exclusivamente como transportador contratado.
Plataformas digitais também poderão ser responsabilizadas
Passa a ser expressamente punível quem anunciar, ofertar, publicar ou intermediar fretes com valores inferiores ao piso mínimo.
A responsabilização alcança plataformas digitais, aplicativos e agentes intermediadores, que poderão responder pelas mesmas sanções administrativas previstas na legislação.
CIOT passa a ser exigido em todas as operações
A nova lei mantém a exigência de registro prévio do CIOT para toda operação de transporte rodoviário remunerado de cargas.
O descumprimento poderá gerar multa de R$ 10.500,00.
Além disso:
o prazo para pagamento do frete ao transportador não poderá ultrapassar 30 dias úteis;
a antecipação de recebíveis ao TAC ou à ETC ficará limitada ao custo efetivo total correspondente a até 300% da taxa CDI.
Contribuição previdenciária do TAC
O Transportador Autônomo de Cargas, regularmente inscrito no RNTRC, poderá optar pelo recolhimento direto da contribuição previdenciária ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), como contribuinte individual, inclusive quando prestar serviços para pessoa jurídica.
Revalidação anual do RNTRC
O Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) passará a contar com revalidação anual, conforme regulamentação da ANTT.
O procedimento poderá ser realizado gratuitamente pelo próprio interessado, mediante reconhecimento facial por meio da plataforma gov.br.
Piso salarial do motorista
A lei estabelece que acordos e convenções coletivas deverão prever piso salarial para motoristas empregados em operações de longa distância, assim consideradas aquelas superiores a 24 horas fora da base operacional ou da residência do trabalhador.
Regras de transição
Enquanto não forem editados os atos regulamentares, permanecem válidos os registros, procedimentos e normas atualmente em vigor.
As novas penalidades de suspensão, cancelamento do RNTRC e multa majorada somente serão aplicadas aos fatos ocorridos após a regulamentação correspondente.
Os contratos em execução deverão ser adequados em até 90 dias, sendo vedada, em qualquer hipótese, a manutenção de contratação abaixo do piso mínimo.
Principais dispositivos vetados
A sanção presidencial trouxe diversos vetos, entre eles:
previsão de utilização da unidade de carga (tonelada, contêiner, volume etc.) na metodologia do piso mínimo;
novas obrigações para instituições de pagamento relacionadas ao controle da quitação do frete e retenção previdenciária;
obrigatoriedade de adiantamento mínimo de 70% do valor do frete;
atribuições da Infra S.A. na implementação da política nacional;
anistia de multas administrativas por descumprimento do piso mínimo;
alterações no Código de Trânsito Brasileiro envolvendo limites de peso por eixo, tacógrafos, transporte de veículos novos e utilização do registrador de velocidade como prova de infração;
anistia de multas relacionadas às manifestações e bloqueios ocorridos em 2022;
conversão em advertência de autuações por excesso de peso por eixo;
dispositivos que criavam a Política Nacional Permanente de Renovação da Frota (PNPR-Cargas);
prazo de 180 dias para regulamentação obrigatória pelo Poder Executivo.
Segundo a Mensagem nº 665/2026, os vetos foram fundamentados em razões de inconstitucionalidade, impacto fiscal, segurança viária, violação da separação dos Poderes e sobreposição a políticas públicas já existentes.
Os vetos ainda serão apreciados pelo Congresso Nacional, que poderá mantê-los ou derrubá-los em sessão conjunta, mediante maioria absoluta.
Acompanhamento da regulamentação
A NTC&Logística continuará acompanhando a regulamentação da Lei nº 15.485/2026 pela ANTT, especialmente no que diz respeito aos prazos de quitação do frete, à obrigatoriedade de registro do CIOT e aos demais atos regulamentares necessários para sua implementação, além da tramitação dos vetos no Congresso Nacional.
A entidade manterá o setor permanentemente informado sobre os próximos desdobramentos.
Fonte das informações usadas para o desenvolvimento do artigo: Diário Oficial da União, Edição 147, Seção 1, de 6 de agosto de 2026 — Lei nº 15.485/2026 e Mensagem nº 665/2026 (razões de veto).
Maior evento de transporte da América Latina acontece em novembro, no São Paulo Expo, e reunirá mais de 700 marcas do setor de transporte rodoviário de cargas e logística
A Fenatran abre, na próxima segunda-feira (10 de agosto), o credenciamento de visitantes para sua 25ª edição. O principal encontro do setor de Transporte Rodoviário de Cargas e logística da América Latina será realizado de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo, reunindo mais de 700 marcas expositoras.
A 25ª Fenatran marcará um novo recorde ao reunir, pela primeira vez, 13 fabricantes de caminhões, o maior número de montadoras já registrado na história do evento.
O credenciamento permanece gratuito se realizado antecipadamente até o dia 7 de novembro. A partir de domingo, 8 de novembro, o acesso passará a custar R$ 150. A iniciativa acompanha uma tendência consolidada entre grandes feiras internacionais de negócios.
“A cobrança na reta final busca elevar ainda mais a qualificação dos visitantes, garantindo um ambiente focado em negócios e na tomada de decisão. Como ainda faltam cerca de três meses para o evento, os profissionais e frotistas têm tempo de sobra para se planejarem e garantirem o acesso sem custos”, explica Thiago Braga Ferreira, gerente-executivo da Fenatran.
Os interessados podem realizar o credenciamento acessando o site da Fenatran por meio do link, e preencher o formulário de inscrição. A credencial dá acesso aos pavilhões durante os cinco dias de evento, à programação de conteúdo e ao espaço dedicado aos test drives.
Experiências e conteúdo ampliados
Além das 13 montadoras de caminhões confirmadas, a Fenatran reunirá marcas de implementos rodoviários, intralogística e soluções voltadas para o last mile, segmento fundamental para a distribuição de cargas nos grandes centros urbanos.
A programação de conteúdo será ampliada e abordará temas estratégicos para o setor, como inovação, eficiência operacional e descarbonização do transporte. As palestras serão realizadas no Auditório Fenatran e incluem a Rota Fenatran, o Fórum Transporte Sustentável, o Frotas Conectadas, o Seminário da NTC e o Fórum de Mulheres no Transporte e Logística – iniciativa voltada a promover a inclusão e acelerar a chegada de mulheres aos cargos de liderança.
Na área externa, a Fenatran Experience terá sua estrutura ampliada para os testes de pista. Os visitantes habilitados poderão experimentar, ao volante, caminhões das marcas DAF, Foton, IVECO, Mercedes-Benz, Scania, Sany e Volkswagen Caminhões e Ônibus, com opções que vão dos comerciais leves aos extrapesados, em um circuito composto por retas e curvas.
“Nossa expectativa é realizar uma edição ainda mais completa, reunindo lançamentos, conteúdo qualificado e oportunidades de negócios em um único ambiente. A Fenatran se consolidou como um ponto de encontro estratégico para acompanhar as principais transformações do transporte rodoviário de cargas e da logística, além de fomentar conexões e impulsionar o desenvolvimento do setor”, conclui Thiago Braga Ferreira, gerente-executivo da Fenatran.
Serviço
25ª Fenatran – Feira Internacional do Transporte de Carga
Data: 9 a 13 de novembro de 2026
Local: São Paulo Expo – Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5.
Credenciamento gratuito: de 10 de agosto a 7 de novembro de 2026
Na publicação O Transporte Move o Brasil, a CNT apresenta propostas para fortalecer a infraestrutura de transporte, ampliar a competitividade e atrair novos investimentos para o país
O crescimento da economia brasileira passa, necessariamente, pela capacidade de o país tornar sua logística mais eficiente. No Brasil, reduzir custos de transporte, integrar as diferentes modalidades e garantir investimentos em infraestrutura significa aumentar a produtividade das empresas. Essa visão permeia os documentos O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País e o Plano CNT de Transporte e Logística 2026.
O Plano CNT aponta a necessidade de R$ 2,03 trilhões em investimentos para viabilizar 2.837 projetos com foco em integração nacional e de mobilidade urbana. Essa necessidade de investimentos equivale a 16% do PIB em 2025. Apesar disso, os investimentos federais em infraestrutura de transporte corresponderam, em média, a apenas 0,15% do PIB ao ano, entre 2015 e 2025. No ano passado, os aportes somaram R$ 16,67 bilhões, o equivalente a somente 0,13% do PIB, reforçando a urgência de se recompor o orçamento público federal e dos governos estaduais e municipais, e ampliar as fontes de financiamento, com ênfase na iniciativa privada.
Hoje, o transporte rodoviário responde por 65,8% da movimentação de cargas no Brasil, percentual superior ao observado em economias de dimensões semelhantes, como Estados Unidos (43%), China (35%) e Austrália (27%). Para a Confederação, esse percentual evidencia a necessidade de ampliar a integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, tornando a matriz de transporte mais equilibrada.
Nesse cenário, a CNT defende o direcionamento dos recursos obtidos pela União por meio de outorgas onerosas de serviços e infraestrutura de transporte para reinvestimento no próprio setor (aprovação da PEC da Infraestrutura). Além disso, a Confederação também propõe a aplicação de parte dos recursos oriundos da Cide-combustíveis para investimentos públicos federais em infraestrutura de transporte e o veto ao contingenciamento de recursos já autorizados pelo OGU (Orçamento-Geral da União).
Para a ampliação dos investimentos privados, a entidade considera imprescindível o fortalecimento do mercado de capitais, das concessões e das PPPs (parcerias público-privadas), aliado à segurança jurídica e à estabilidade regulatória. Em 2025, as emissões de debêntures incentivadas alcançaram R$ 177,97 bilhões. Desse total, R$ 62,12 bilhões foram destinados ao setor de transporte e logística, demonstrando o protagonismo da infraestrutura de transporte na atração de investimentos privados e o potencial desses instrumentos para financiar projetos estruturantes. A entidade ressalta que previsibilidade regulatória, segurança dos contratos e continuidade das políticas públicas são fatores condicionantes para ampliar os investimentos de longo prazo.
Planejamento de longo prazo
Os investimentos em infraestrutura também produzem efeitos que vão além das obras. Estudo da CNT mostra que cada R$ 1 investido pela iniciativa privada em rodovias pode gerar até R$ 4,77 no PIB do setor de transporte em até nove meses, enquanto o mesmo valor aplicado pelo poder público pode gerar até R$ 4,64 em um horizonte de até 18 meses. Os resultados demonstram o efeito multiplicador dos investimentos sobre a atividade econômica.
“Os países que mais crescem são aqueles que conseguem transformar infraestrutura em política de Estado. O Brasil precisa garantir planejamento de longo prazo, segurança jurídica e previsibilidade para investir, integrar as diferentes modalidades e criar um ambiente favorável ao capital privado. O transporte movimenta toda a economia e deve estar no centro da estratégia nacional de desenvolvimento”, afirma o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa.
Os estudos da CNT mostram, ainda, que o fortalecimento da infraestrutura amplia diretamente a capacidade produtiva do país. Apenas em 2025, foram movimentadas mais de 1,07 bilhão de toneladas em rodovias, sendo que 75% desse volume foram realizados pelas empresas do transporte rodoviário de cargas. Nas ferrovias, foram movimentadas mais de 554,5 milhões de toneladas úteis; nos portos, mais de 1,4 bilhão de toneladas de mercadorias (exportações e importações).
Além dos investimentos em obras físicas de infraestrutura de transporte, o setor possui outras demandas por investimentos e financiamentos para a melhoria da operação, ganhos de eficiência e ampliação da segurança. Essas demandas incluem a criação e a ampliação de linhas de crédito voltadas à renovação de frotas de caminhões, ônibus, navios, equipamentos de apoio à navegação, locomotivas e material rodante, e aeronaves; à modernização de polos logísticos e à melhoria da conectividade nas vias. O papel de instituições financeiras públicas, especialmente bancos de desenvolvimento, é estratégico tanto na estruturação quanto no financiamento desses projetos.
Para a Confederação Nacional do Transporte, ampliar essa capacidade por meio de investimentos significa reduzir custos para toda a cadeia produtiva, fortalecendo a competitividade das empresas brasileiras. Assim, criam-se as condições para um ciclo sustentável de crescimento econômico e geração de empregos.
Nicole Goulart integrou painel do Summit Mulheres nas Profissões ao lado de especialistas e lideranças do setor de infraestrutura, mobilidade e logística
A qualificação profissional, o fortalecimento da liderança feminina e a ampliação da presença das mulheres em áreas estratégicas estiveram no centro dos debates do Summit Mulheres nas Profissões, realizado na terça-feira (4), em São Paulo. Organizado pelo Grupo Mulheres do Brasil, um dos maiores movimentos suprapartidários da sociedade civil, o evento reuniu especialistas, executivas e lideranças de diferentes segmentos para discutir caminhos para ampliar a diversidade e preparar profissionais para as transformações do mercado de trabalho.
Representando o SEST SENAT, a diretora-executiva nacional, Nicole Goulart, foi uma das convidadas do painel “Construindo o Futuro: Carreira e Liderança para Mulheres que Atuam na Infraestrutura de Transporte e Logística”, que reuniu profissionais com atuação de destaque em diferentes áreas do setor, para debater os desafios e as oportunidades de ampliar a participação feminina em posições estratégicas.
Durante o painel, Nicole apresentou iniciativas desenvolvidas pelo SEST SENAT para ampliar a participação das mulheres no transporte, como programas voltados exclusivamente ao público feminino nas ferrovias, ações de desenvolvimento de lideranças e cursos de capacitação para o segmento aéreo. Segundo ela, essas iniciativas contribuem para romper estereótipos e ampliar o conhecimento sobre as diversas oportunidades profissionais existentes na infraestrutura e na logística.
Nicole também chamou atenção para a importância de desenvolver competências alinhadas às transformações do mercado, como liderança, inovação e capacidade de tomada de decisão. “Precisamos desenvolver novas habilidades porque o mercado também depende delas. Muitas vezes, existe um conceito antecipado de que determinados espaços não pertencem às mulheres, quando, na verdade, falta apenas mostrar que essas oportunidades existem e podem ser ocupadas por elas”, afirmou.
Ao encerrar sua participação, a diretora ressaltou que a ampliação da presença feminina em cargos de liderança também depende do fortalecimento da cidadania e da participação social.
“Se queremos um setor mais forte e com mais mulheres ocupando espaços de decisão, precisamos valorizar o nosso poder de escolha, participar das discussões e conhecer as propostas para o país. A transformação da sociedade começa quando cada pessoa compreende que pode fazer parte dela”, concluiu.
Além de Nicole Goulart, o painel contou com a participação de Dalva Domingos, sócia da Express Transportes Urgentes e mediadora do debate; Rosilda Prates, especialista em relações institucionais e governamentais, e Verena Pagano, executiva com atuação nas áreas de infraestrutura e logística. As painelistas defenderam o fortalecimento das redes de apoio entre mulheres, o investimento na formação de novas lideranças e a adoção de iniciativas que ampliem a diversidade e a inclusão nos setores de infraestrutura, mobilidade e logística.
Entidade afirma que proposta avançou nas discussões com o governo e defende financiamento nos moldes do Move Brasil para apoiar transportadores e indústria brasileira diante do avanço dos importados, principalmente chineses
A Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip) acredita que uma linha de crédito para aquisição de pneus nacionais pode ser implementada ainda em 2026. A proposta, segundo o presidente-executivo da entidade, Rodrigo Navarro, avançou nas conversas com diferentes áreas do governo federal e está sendo analisada como uma alternativa para apoiar a indústria brasileira diante do avanço das importações, principalmente de produtos vindos da China.
Em entrevista à Agência Transporte Moderno, Navarro afirmou que a ideia é utilizar estruturas já existentes, como linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ajustando condições como prazo de carência e taxa de juros para facilitar o acesso dos transportadores aos pneus produzidos no país.
A proposta seguiria uma lógica semelhante à adotada pelo Move Brasil, programa criado para estimular a renovação da frota de caminhões e ônibus, com financiamento em condições diferenciadas. “Você pega um pneu cadastrado no BNDES, dá uma carência, uma taxa de juros subsidiada pelo governo por determinado período e permite que o transportador compre esse pneu, rode, receba pelo trabalho e comece a pagar depois”, afirmou.
Para o executivo, a medida teria impacto positivo tanto para os fabricantes quanto para os transportadores. O pneu, segundo ele, é o segundo maior custo de uma operação de transporte rodoviário, atrás apenas do diesel. “Não estamos reinventando a roda. Os critérios já existem no cartão BNDES. O que precisa é ajustar prazo e taxa para que o transportador consiga acessar”, disse.
Medidas podem sair nos próximos meses
Navarro afirmou que a Anip tem expectativa de que as primeiras ações sejam adotadas ainda neste ano. Segundo ele, as conversas com o governo avançaram com diferentes ministérios, incluindo Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Fazenda, Meio Ambiente e Agricultura. “Eu estou trabalhando com isso. A minha expectativa é exatamente nos próximos dois meses, agosto e setembro”, afirmou.
Segundo o executivo, a entidade apresentou estudos e propostas ao governo e agora espera uma decisão. “Tudo o que a gente podia fazer do nosso lado já fizemos. Entregamos estudos, propusemos ideias. Agora é a hora de implementar”, disse.
Além da linha de financiamento, a Anip defende a retomada do licenciamento não automático para importações de pneus. A medida permitiria uma análise mais detalhada dos produtos que entram no país, especialmente em relação a preços, peso e cumprimento de normas ambientais.
Pneus de carga têm 73% de participação de importados
No segmento de pneus de carga, principal foco da indústria ligada ao transporte rodoviário, os produtos importados responderam por 73% do mercado de reposição entre janeiro e junho deste ano, enquanto a indústria nacional ficou com 27%.
Segundo a Anip, a maior parte desses pneus importados vem da China, país que ampliou sua presença no mercado brasileiro nos últimos anos. Considerando todo o mercado de reposição, os produtos estrangeiros representaram 71% das vendas no período, contra 29% dos fabricantes instalados no Brasil.
Para Navarro, o cenário mostra que o avanço das importações deixou de ser um movimento pontual e passou a pressionar toda a cadeia produtiva nacional. A preocupação da entidade, segundo ele, não está apenas no aumento do volume importado, mas também em características dos produtos que entram no país, como preço declarado, peso e cumprimento de exigências ambientais.
Ele citou como exemplo dados oficiais que indicariam a entrada de pneus de carga com peso médio muito inferior ao esperado. “Você tem, de acordo com dados oficiais, pneu de carga trazido na média por 20 quilos. Que pneu de 20 quilos é esse, quando normalmente você tem pneus de 50, 60 quilos?”, questionou.
Segundo Navarro, a entidade pediu análises para verificar se existem distorções relacionadas a valores declarados, peso dos produtos ou eventuais problemas de conformidade.
Indústria cobra controle ambiental das importações
Outro ponto defendido pela Anip é o cumprimento das metas ambientais previstas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Navarro afirma que a entidade quer garantir que todos os pneus importados cumpram as mesmas exigências aplicadas aos fabricantes nacionais.
“O que a gente quer é que todos joguem o mesmo jogo. Não pode ter dumping, não pode ter falta de cumprimento de norma ambiental”, afirmou. Para ele, a discussão não envolve impedir a importação, mas garantir equilíbrio competitivo entre produtos nacionais e estrangeiros.
“Não estamos querendo brigar contra o importado. O que queremos é que ele entre dentro das regras”, disse.
Na avaliação da Anip, a pressão sobre a indústria já começa a afetar outros segmentos ligados ao setor, como produtores de borracha natural e empresas de reforma de pneus. Navarro destacou que o Brasil possui uma cadeia produtiva ampla e que a redução da produção nacional pode gerar efeitos em diferentes áreas.
“Se a indústria não vende, ela compra menos borracha. E isso afeta também o produtor rural”, afirmou. O executivo citou ainda um estudo apresentado recentemente, que apontou que pneus fabricados no Brasil possuem maior potencial de reforma do que produtos importados.
A análise, baseada em cerca de 700 mil pneus, indicou que os pneus nacionais seriam 16% mais reformáveis. Segundo Navarro, a entrada de pneus importados com preços muito baixos pode prejudicar um dos maiores mercados de reforma do mundo. “O pneu que poderia ser reformado uma, duas ou três vezes acaba indo direto para o meio ambiente”, afirmou.
Investimentos e empregos estão em risco
A Anip afirma que o setor reúne, atualmente, cerca de 35 mil empregos diretos e aproximadamente 500 mil indiretos. Nos últimos cinco anos, as empresas associadas investiram cerca de R$ 8 bilhões e possuem previsão de outros R$ 5 bilhões em investimentos para os próximos cinco anos.
Navarro alerta, porém, que a continuidade do cenário atual pode afetar decisões futuras das empresas. Segundo ele, algumas fabricantes já adotaram medidas como férias coletivas e ajustes de produção para adequar a capacidade instalada à demanda.
“Quando essas medidas paliativas não conseguem resolver, naturalmente vem redução de quadro e redução de linhas”, afirmou. O executivo citou também o risco de perda de investimentos no médio e longo prazo caso o ambiente de negócios continue desfavorável. “Você vai continuar investindo em um cenário que mostra que não vai mudar? Essa análise está sobre a mesa de todas as empresas”, disse.
Tarifaço aumenta preocupação da indústria
Além da concorrência dos importados no mercado brasileiro, a indústria também acompanha os impactos das medidas comerciais adotadas por outros países. Navarro citou que a Europa aplicou sobretaxa de 45,3% sobre pneus importados e que o México elevou tarifas para 35%.
No Brasil, segundo ele, a discussão ganhou força após o chamado tarifaço e seus impactos sobre exportações. Os Estados Unidos representam entre 35% e 37% das exportações brasileiras de pneus, segundo a entidade. “Precisamos ter uma indústria forte aqui dentro. Se não tiver indústria aqui, a preocupação com exportação perde sentido”, afirmou.
Para Navarro, mais importante do que uma medida isolada é uma sinalização de política industrial que dê segurança para as empresas continuarem investindo no país. Segundo ele, a entidade também solicitou uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, envolvendo representantes da indústria de pneus, trabalhadores do setor e produtores de borracha natural.
A expectativa da Anip é que medidas de curto prazo sejam anunciadas ainda em 2026. “Não existe uma bala de prata. São várias medidas que precisam ser tomadas. O que precisamos agora é de uma sinalização para mostrar que o Brasil quer fortalecer sua indústria”, afirmou.
Para o executivo, o momento é decisivo para evitar uma deterioração maior da cadeia produtiva. “Chegamos no limite. A gente entregou propostas, estudos e alternativas. Agora, precisamos que essas medidas sejam colocadas em prática”, concluiu.
Um dos principais encontros do transporte brasileiro, reuniu especialistas nacionais e internacionais para debater inovação e os desafios da liderança digital no setor
O presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, participou, nos dias 4 e 5 de agosto, em São Paulo, do SEST SENAT Summit 2026, evento promovido pelo Sistema Transporte (CNT / SEST SENAT / ITL), que reuniu mais de 350 executivos e gestores de cerca de 150 empresas transportadoras para discutir os principais temas que impactam o presente e o futuro da mobilidade, da logística e da gestão empresarial no Brasil.
O SEST SENAT Summit 2026 também contou com a participação das principais lideranças do Sistema Transporte, entre elas o presidente da CNT, Vander Costa; o vice-presidente de Transporte Rodoviário de Cargas da CNT, Flávio Benatti; a diretora-executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart; o diretor-adjunto nacional do SEST SENAT, Vinicius Ladeira; o diretor-executivo do ITL, João Victor Mendes; a diretora-adjunta do ITL, Eliana Costa; a diretora-executiva da CNT, Fernanda Rezende, e o diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, além de representantes de entidades que integram o Sistema Transporte.
Durante os dois dias de programação, especialistas brasileiros e internacionais compartilharam conhecimentos sobre inteligência artificial, transformação digital, geopolítica, inovação, liderança, gestão de pessoas, tecnologias emergentes e competitividade, proporcionando aos participantes uma visão ampla dos desafios e das oportunidades que moldam o futuro do transporte e da logística.
Entre os destaques da programação, estiveram o professor e especialista em estratégia e transformação digital Howard Yu; o diplomata e ex-presidente do Banco do BRICS, Marcos Troyjo; a especialista em liderança Verna Myers; o escritor e psicanalista Emanuel Aragão; o especialista em tecnologia Lucas Kubaski e a estrategista em negócios digitais Tay Dantas, que apresentaram análises e tendências voltadas à transformação dos negócios, ao desenvolvimento de lideranças e ao fortalecimento da competitividade das empresas.
Para o presidente da NTC&Logística, a realização de um evento dessa dimensão evidencia a importância do transporte para o desenvolvimento econômico do país e reforça o trabalho realizado pelo Sistema Transporte na formação de lideranças, na qualificação profissional e na preparação das empresas para os desafios de um mercado em constante transformação.
“O SEST SENAT Summit demonstra a força do setor de transporte, reunindo representantes de todos os seus modais em torno de temas estratégicos para o presente e o futuro da nossa atividade. É também uma demonstração da relevância do trabalho desenvolvido pelo Sistema Transporte, por meio da CNT, do SEST SENAT e do ITL, que seguem investindo na qualificação de empresários, executivos e lideranças, fortalecendo todo o setor. Além disso, tivemos a oportunidade de acompanhar palestras de grandes especialistas nacionais e internacionais, que compartilharam experiências, tendências e reflexões fundamentais para o desenvolvimento das empresas e para a evolução do transporte brasileiro”, destacou Eduardo Rebuzzi.
Da esquerda para a direita: Vinicius Ladeira; Eduardo Rebuzzi; Cinthia Ambra; Ana Jarrouge e Flávio Benatti
Com mais de 20 dias de interdição, cerca de 6,6 metros de neve acumulada e milhares de caminhões retidos, o Sistema Integrado Cristo Redentor enfrenta uma das maiores crises logísticas das últimas décadas, afetando diretamente o Transporte Rodoviário de Cargas na América do Sul
O prolongado fechamento do Sistema Integrado Cristo Redentor (Paso Los Libertadores), principal corredor rodoviário entre Chile e Argentina, tem provocado uma das mais graves crises logísticas da América do Sul dos últimos anos. Interditada desde meados de julho em razão das intensas nevascas, do elevado risco de avalanches e das condições extremas na Cordilheira dos Andes, a passagem já supera 20 dias consecutivos de fechamento, tornando-se o segundo maior período de interrupção da história do complexo fronteiriço, situação comparada pelas autoridades chilenas apenas aos grandes eventos climáticos registrados em 1997, quando a região também enfrentou acúmulos históricos de neve e longos períodos de isolamento.
Segundo informações das autoridades chilenas, o complexo fronteiriço já registra aproximadamente 6,6 metros de neve acumulada, volume considerado excepcional para a região. Equipes de Viabilidade, Defesa Civil e da Escola de Alta Montanha do Exército do Chile trabalham continuamente na remoção da neve, monitoramento das encostas e avaliação do risco de avalanches. Apesar dos esforços, a reabertura depende exclusivamente da garantia de condições seguras para o tráfego, e novas precipitações podem prolongar ainda mais a interrupção.
O impacto sobre o transporte internacional é expressivo. Estima-se que mais de dois mil caminhões permaneçam retidos, principalmente na província de Mendoza, na Argentina, aguardando a liberação da travessia. Entre eles estão centenas de veículos brasileiros que realizam operações de comércio exterior, transportando veículos, autopeças, alimentos, medicamentos, máquinas, equipamentos e produtos industrializados destinados ao mercado chileno. O corredor é considerado a principal ligação terrestre entre Chile e Argentina e um dos mais importantes do Corredor Bioceânico Central, sendo estratégico para a integração logística da América do Sul.
Além dos atrasos nas entregas, as transportadoras acumulam prejuízos decorrentes da permanência dos veículos parados, incluindo despesas com alimentação dos motoristas, combustível, hospedagem, reprogramação das operações e custos adicionais relacionados ao cumprimento dos contratos. Outro fator que preocupa o setor é o vencimento dos prazos dos regimes de trânsito aduaneiro, situação que foge completamente ao controle das empresas e pode gerar reflexos administrativos e financeiros para toda a cadeia logística internacional.
Mesmo quando a fronteira for reaberta, especialistas avaliam que o retorno à normalidade será gradual. O elevado número de caminhões represados exigirá uma operação coordenada entre Chile e Argentina para liberar o fluxo de veículos de forma segura, processo que poderá levar vários dias ou até semanas, desde que as condições meteorológicas permaneçam favoráveis e não ocorram novas tempestades de neve.
Para o vice-presidente extraordinário de Relações Internacionais da NTC&Logística, Danilo Guedes, o episódio evidencia a importância da cooperação entre os países e da construção de protocolos para situações excepcionais que afetam o comércio internacional.
“Estamos diante de uma situação absolutamente excepcional. O Sistema Cristo Redentor é um dos principais corredores logísticos da América do Sul e sua interrupção prolongada provoca impactos que vão muito além do atraso nas entregas. As transportadoras enfrentam aumento significativo dos custos operacionais, dificuldades relacionadas aos regimes aduaneiros e incertezas que afetam toda a cadeia de abastecimento. Sabemos que a segurança deve ser prioridade diante das condições climáticas extremas, mas esse cenário reforça a necessidade de uma atuação coordenada entre os governos, autoridades de fronteira e órgãos aduaneiros para minimizar os prejuízos e garantir maior previsibilidade ao transporte internacional de cargas. A integração logística entre os países depende não apenas de infraestrutura, mas também de mecanismos capazes de responder rapidamente a situações extraordinárias como esta.”
A NTC&Logística acompanha a evolução do cenário e reforça a importância da cooperação entre Brasil, Chile e Argentina para reduzir os impactos econômicos e operacionais sobre o Transporte Rodoviário de Cargas. Para a entidade, além da segurança dos motoristas e da retomada das operações, será fundamental a adoção de medidas excepcionais de coordenação entre os órgãos de fronteira e as autoridades aduaneiras, permitindo que o fluxo de cargas seja restabelecido com agilidade e previsibilidade, preservando a competitividade do comércio internacional e o abastecimento das cadeias produtivas da região.
A Fundação Memória do Transporte (FuMTran) realizará, no dia 18 de agosto, em São Paulo, um seminário dedicado à história do transporte na Amazônia e aos desafios atuais da infraestrutura e da logística brasileira. O encontro reunirá representantes do setor, empresários e convidados no auditório da sede da entidade e marcará o lançamento nacional da obra “A História da Amazônia”, que reúne um amplo levantamento histórico sobre a evolução dos transportes na região e analisa como os diferentes modais contribuíram para a integração territorial do Norte do país.
A programação contará com a presença do presidente da FuMTran, Antonio Luiz Leite; da historiadora e escritora Etelvina Garcia, autora do livro e de integrantes da equipe diretamente envolvida na pesquisa e na produção da publicação. Durante o evento, os participantes conhecerão os bastidores do projeto e acompanharão debates sobre a evolução dos diferentes modais na região amazônica, a integração territorial e os impactos do transporte sobre o desenvolvimento econômico e social do país.
O seminário pretende utilizar a trajetória do transporte amazônico como ponto de partida para uma reflexão sobre os gargalos atuais da infraestrutura brasileira. “Ao conhecer as soluções construídas ao longo da história para superar grandes distâncias, condições geográficas complexas e dificuldades de abastecimento, conseguimos compreender melhor os desafios que ainda permanecem. A memória do transporte não deve ser vista apenas como registro do passado, mas como uma fonte de conhecimento para pensar o desenvolvimento logístico do país”, afirma Antonio Luiz Leite.
Ao longo da programação, serão expostos fatos históricos relacionados à ocupação e ao desenvolvimento da região, aspectos econômicos e sociais, a contribuição de empreendedores e trabalhadores, e as soluções de mobilidade construídas diante das grandes distâncias e das características geográficas amazônicas. “Além de mostrarmos como ocorreu o processo de pesquisa e produção do livro, queremos relacionar essa trajetória aos desafios que ainda se apresentam para a logística da Amazônia e do Brasil. Conhecer o passado ajuda a compreender os desafios atuais e a construir discussões mais qualificadas sobre infraestrutura”, afirma Leite.
O encontro em São Paulo representa a segunda etapa de apresentação da obra, após o pré-lançamento realizado em 27 de maio, durante a TranspoAmazônia, em Manaus. Na ocasião, cerca de 600 exemplares foram distribuídos a empresários, instituições, apoiadores e participantes da maior feira de logística da região Norte. “Realizar a primeira apresentação em Manaus foi uma forma de reconhecer o protagonismo da região onde essa história foi construída. Agora, em São Paulo, ampliamos o debate para um público nacional e reunimos parceiros, patrocinadores e representantes do setor que também contribuíram para a realização do projeto”, destaca o presidente.
Para ampliar o acesso ao conteúdo, foram impressos 3 mil exemplares do livro, que, após o seminário, também serão destinados a bibliotecas públicas, CEUs de São Paulo, entidades nacionais do transporte e autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, nas esferas municipal, estadual e federal. “Esperamos que a publicação alcance diferentes públicos e desperte o mesmo reconhecimento que já observamos no pré-lançamento”, ressalta Leite.
Com o seminário, a FuMTran pretende fortalecer sua atuação na preservação e na divulgação da memória do transporte brasileiro, utilizando o conhecimento histórico como base para reflexões sobre o futuro da infraestrutura nacional. A expectativa é que o encontro estimule discussões qualificadas sobre os desafios logísticos da região Norte e contribua para a construção de soluções mais integradas, eficientes e adequadas às diferentes realidades do território brasileiro.
Integradas devem ser assinadas apenas no fim de 2027, com início das concessões em 2028
O Ministério dos Transportes confirmou o adiamento dos leilões das novas concessões de rodovias federais em Santa Catarina para 2027. A atualização foi apresentada durante as audiências públicas realizadas no mês passado, quando foi detalhada a modelagem do programa Rodovias Integradas de Santa Catarina, composto por dois lotes que abrangem importantes corredores viários do Estado.
A revisão do cronograma altera a previsão divulgada pelo governo federal no final de 2025. Na ocasião, a expectativa era que os leilões fossem realizados até novembro de 2026. No entanto, o calendário atualizado elimina a possibilidade de realização dos certames ainda neste ano. Durante as audiências públicas, a estimativa apresentada foi de que os leilões ocorram em setembro de 2027, com assinatura dos contratos em dezembro do mesmo ano. Com isso, as novas concessões devem entrar em vigor somente a partir de 2028.
Além dos dois novos lotes, Santa Catarina também aguardava definições sobre a repactuação das concessões da BR-101 Norte e da BR-116. No caso da BR-101 Norte, o Ministério dos Transportes informou que não houve acordo entre as partes, descartando a realização de um novo leilão para esse trecho.
Já em relação à BR-116, as negociações para otimização do contrato seguem em andamento. O processo depende de um entendimento entre o Ministério dos Transportes, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a concessionária responsável e o Tribunal de Contas da União (TCU). Caso haja consenso, o certame também deverá ocorrer apenas em 2027.
Os dois lotes das Rodovias Integradas de Santa Catarina preveem investimentos expressivos para ampliar a capacidade, a segurança e a qualidade da infraestrutura rodoviária federal no Estado.
O Lote 1 possui 515 quilômetros de extensão, abrangendo principalmente a BR-470, além de trechos das BRs-153 e 282. A previsão é de investimentos de aproximadamente R$ 6,4 bilhões ao longo do período de concessão.
Já o Lote 3 contempla 166 quilômetros, com segmentos das BRs-153, 282 e 480, concentrados na região Oeste catarinense. O volume estimado de investimentos é de R$ 2,7 bilhões.
Somados, os dois projetos representam cerca de R$ 9,1 bilhões em investimentos previstos para modernização da malha rodoviária federal de Santa Catarina, incluindo duplicações, terceiras faixas, melhorias operacionais e obras voltadas ao aumento da segurança e da fluidez no trânsito.
Com o adiamento dos leilões, as obras esperadas para os principais corredores logísticos catarinenses também terão seu cronograma postergado, mantendo a expectativa de início efetivo das novas concessões somente em 2028.
Levantamento inédito revela que 74% das empresas industriais investiram em máquinas e equipamentos novos no ano passado; no entanto, apenas 5% visavam automatizar a produção
A indústria brasileira segue investindo em máquinas e equipamentos novos, mas ainda dá os primeiros passos na modernização tecnológica do parque fabril. É o que mostra levantamento inédito divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (5).
A Sondagem Especial nº 105 mostra que cerca de três em cada quatro (74%) empresas industriais investiram em máquinas e equipamentos novos no ano passado. Embora em 2024 o percentual tenha sido maior – 77% –, as fábricas seguem priorizando a compra de bens de capital novos. Apenas 18% delas adquiriram máquinas e equipamentos usados em 2025, ante 16% no ano anterior.
A renovação do maquinário, contudo, não é acompanhada por um avanço tecnológico significativo. Entre as empresas que investiram em máquinas e equipamentos no ano passado, 72% delas visavam, principalmente, a mecanização, enquanto 9% tinham a robotização como alvo. Somente 5% das indústrias direcionaram seus investimentos para automatizar a produção, a partir de máquinas conectadas em rede, com capacidade de transmissão e processamento autônomo de dados.
“Os investimentos em máquinas e equipamentos que têm conexão com a internet, processamento em nuvens etc. continuam tímidos. A maior parte dos investimentos continua sendo para mecanizar a produção, mas isso não quer dizer que as empresas não busquem ganhos de produtividade. Mesmo na mecanização, uma empresa pode ganhar produtividade, ao incorporar máquinas e equipamentos mais eficientes ao processo produtivo”, avalia Rafael Sales, especialista em Políticas e Indústria da CNI.
Incertezas econômicas travam investimentos
O levantamento também mostra que a imprevisibilidade do ambiente macroeconômico segue como a principal restrição às decisões de investimento da indústria brasileira. Seis em cada dez empresas (61%) que compraram máquinas e equipamentos novos no último ano apontaram as incertezas econômicas como o maior obstáculo para os investimentos.
Na sequência do ranking de principais entraves aos investimentos em bens de capital, aparecem a queda das receitas das empresas (47%) e os entraves tributários (47%). Fecham a lista dos cinco maiores obstáculos as incertezas relativas a cada setor (46%) e à falta de mão de obra (43%).
Entre as empresas que adquiriram maquinário usado, as incertezas econômicas também foram o principal obstáculo: 66% delas apontaram a imprevisibilidade macroeconômica. A queda das receitas foi o segundo maior entrave (55%) mencionado, seguida por entraves tributários e incertezas setoriais, ambas com 53% das assinalações. O aumento dos custos dos insumos, citado por 52% dos empresários, também tem atrapalhado o investimento em máquinas e equipamentos usados.
De acordo com a pesquisa, as empresas, em geral, não têm uma preferência quanto à origem da principal máquina ou equipamento adquirido. Em 2024, 48% do maquinário comprado vieram do exterior, enquanto 47% foram fabricados nacionalmente. No ano seguinte, os percentuais se inverteram: 48% das máquinas e equipamentos eram nacionais, enquanto 47% vieram de fora.
Grandes empresas preferem maquinário novo, importado e investem mais em automatização
O perfil de investimento em máquinas e equipamentos mostra diferenças entre os portes de empresas. Segunda a pesquisa, 78% das grandes indústrias investiram em máquinas e equipamentos novos no ano passado, número que cai para 72% entre as médias e 66% entre as pequenas.
As empresas de grande porte também estão em estágio mais avançado quanto à adoção de tecnologias da Indústria 4.0. Entre as que investiram em máquinas e equipamentos em 2025, 7% visavam automatizar o processo produtivo. Nas médias e nas pequenas, apenas 4% e 2% tinham esse objetivo.
Em relação à origem do maquinário, as grandes empresas foram as únicas a preferir o importado em relação ao nacional no ano passado.
Nacionalidade das máquinas e equipamentos por porte de empresas
Grandes indústrias: 56% estrangeiro; 40% nacional;
“É preciso pensar em políticas industriais que ajudem as pequenas empresas a acessar crédito e tecnologias avançadas mais facilmente, acelerando o desenvolvimento produtivo. Em relação às grandes empresas, que estão mais maduras, é necessário prepará-las para competir internacionalmente. Dessa forma, é possível incentivar precisamente todas as etapas da cadeia”, aponta o economista.
Sobre a Sondagem Especial
Para captar os dados referentes ao ano de 2025, a CNI consultou 599 empresas entre 5 e 14 de janeiro de 2026. Os dados de 2024 foram coletados junto a 656 indústrias entre 7 e 20 de janeiro de 2025.
Evento será realizado em São Paulo, reunindo autoridades, especialistas e lideranças do setor para debater segurança pública, crime organizado, inteligência e os desafios do Transporte Rodoviário de Cargas
Termina hoje (5) o prazo para inscrições antecipadas no 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), promovido pela NTC&Logística. O evento será realizado amanhã, 6 de agosto, na subsede da entidade, em São Paulo (SP), reunindo autoridades públicas, especialistas em segurança, representantes do setor produtivo e lideranças do Transporte Rodoviário de Cargas, para discutir estratégias de enfrentamento à criminalidade e o fortalecimento da segurança logística no Brasil.
Entre os destaques da programação, está a participação de Francisco Lucas Costa Veloso, Secretário Nacional de Segurança Pública (SENASP/MJSP), que abordará as políticas públicas de segurança e a integração institucional entre os diversos órgãos responsáveis pelo combate ao crime organizado.
O Encontro também reunirá importantes nomes de referência nacional. Dr. Waldomiro Milanesi, Delegado de Polícia e Especialista em Segurança, abrirá o ciclo de palestras com uma análise sobre segurança logística, crime organizado e mercados ilícitos. Em seguida, Cassio Augusto Muniz Borges, Assessor Especial da Presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI), tratará dos impactos da criminalidade sobre a produção, a circulação de mercadorias e o desenvolvimento econômico.
A programação terá ainda a participação do Dr. Lincoln Gakiya, Promotor de Justiça, integrante do GAECO – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado de São Paulo, que discutirá os desafios contemporâneos do combate ao crime organizado, e de Leonardo Silva, Coordenador Temático (Estado e Crime Organizado) do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que apresentará um panorama sobre os impactos da criminalidade na segurança pública, na economia e no desenvolvimento nacional, completando um ciclo de debates conduzido por autoridades e especialistas de referência nacional.
Além das palestras, os participantes acompanharão debates técnicos e momentos de integração entre representantes do setor privado e do poder público, fortalecendo o diálogo e a construção de soluções conjuntas para o enfrentamento ao roubo, furto e receptação de cargas.
De acordo com o Diagnóstico Nacional do Roubo de Cargas, elaborado pela Assessoria de Segurança da NTC&Logística, o Brasil registrou 8.570 ocorrências de roubo de cargas em 2025, uma redução de 16,7% em comparação com 2024. Apesar da queda dos registros, o impacto econômico permanece elevado. O prejuízo direto estimado é de aproximadamente R$ 900 milhões, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão quando considerados os efeitos indiretos, como o aumento dos custos operacionais, dos seguros e o reflexo no preço final dos produtos.
Desde 1998, a NTC&Logística desenvolve, por meio de sua Assessoria de Segurança, ações permanentes voltadas ao enfrentamento dos crimes praticados contra o Transporte Rodoviário de Cargas. Ao longo dessa trajetória, a entidade tem atuado na elaboração de estudos técnicos, diagnósticos nacionais, propostas legislativas, articulações institucionais e iniciativas que contribuem para o fortalecimento da segurança pública, da atividade transportadora e da cadeia logística brasileira.
A participação dos associados da NTC&Logística é gratuita. Para os demais interessados, as inscrições antecipadas podem ser realizadas somente até hoje (5), por meio do portal da entidade, clicando aqui. Após esse prazo, as inscrições poderão ser feitas diretamente no credenciamento, no local do evento, conforme disponibilidade.
Programação
8h – Credenciamento
8h30 às 9h – Abertura
9h às 9h20 – Segurança Logística, Crime Organizado e Mercados Ilícitos: Contextualização e Desafios para o Brasil Palestrante: Dr. Waldomiro Milanesi Delegado de Polícia e Especialista em Segurança
9h20 às 10h10 – Impactos da Criminalidade sobre a Produção, a Circulação e o Desenvolvimento Econômico Palestrante: Cassio Augusto Muniz Borges Assessor Especial da Presidência da CNI – Confederação Nacional da Indústria
10h10 às 11h – Segurança Pública, Crime Organizado e os Desafios Contemporâneos do Estado Brasileiro Palestrante: Dr. Lincoln Gakiya Promotor de Justiça, integrante do GAECO – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – Ministério Público do Estado de São Paulo
11h às 11h50 – Diagnósticos e Tendências da Criminalidade no Brasil: Impactos sobre a Segurança Pública, a Economia e o Desenvolvimento Nacional Palestrante: Leonardo Silva Coordenador Presidente da área de Estado e Crime Organizado, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública – FBSP
11h50 às 12h40 – Políticas Públicas de Segurança e Integração Institucional Palestrante: Francisco Lucas Costa Veloso Secretário Nacional de Segurança Pública – SENASP / MJSP
12h40 às 13h – Encerramento
Realização Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística
Apoio Institucional Sistema Transporte (CNT / SEST SENAT / ITL) Fundação Memória do Transporte – FuMTran
Por: Dr. Marcos Aurélio Ribeiro, diretor jurídico da NTC&Logística
A reforma tributária entrou agora em sua fase de implementação prática, com a introdução gradual da obrigatoriedade da inclusão, nos documentos fiscais, da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), obrigando as empresas a enfrentarem o desafio de atualizar seus processos tecnológicos para cumprir as novas determinações da Receita Federal.
Em 2026, as empresas que cumprirem as novas exigências da reforma tributária, como informar corretamente os dados nos documentos fiscais, não precisarão pagar os novos tributos.
Para garantir uma transição segura, ato conjunto da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS (CGIBS) estabelece um cronograma para a inclusão dos novos campos do IBS e da CBS nos documentos fiscais eletrônicos (como NF-e, NFC-e e CT-e), já em vigor.
O Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026 organizou a obrigatoriedade de emissão dos documentos fiscais eletrônicos adaptados à Reforma Tributária em quatro lotes principais. O objetivo é permitir que os setores econômicos e os desenvolvedores adaptem seus sistemas de maneira escalonada.
Os novos tributos começam a ser destacados no formato de “alíquota-teste” (0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS).
1º Lote – Obrigatoriedade em 3 de agosto de 2026
Este é o bloco principal de documentos que movimentam o setor produtivo nacional.
NF-e (Modelo 55): Nota Fiscal Eletrônica (operações gerais de bens materiais e serviços).
NFC-e (Modelo 65): Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (comércio varejista).
Transportes: CT-e, CT-e OS, MDF-e, GTV-e (Guia de Transporte de Valores) e BP-e (exceto transporte aéreo e metropolitano).
Utilidades e outros: NF3-e (Energia Elétrica), NFS-e Via (Pedágios) e DC-e (Declaração de Conteúdo).
2º Lote – Obrigatoriedade em 1º de outubro de 2026
Focado em telecomunicações, importações expressas e no início das obrigações de serviços em geral.
NFS-e: Nota Fiscal de Serviços Eletrônica padrão (ISS), que não esteja sujeita a regras específicas.
NFCom: Nota Fiscal Fatura de Serviços de Comunicação Eletrônica.
DIR: Declaração de Importação de Remessa (remessas internacionais).
DeRE (1ª fase): Eventos de Tabela dos Contribuintes na Declaração de Regimes Específicos.
3º Lote – Obrigatoriedade em 1º de dezembro de 2026
Agrupa serviços complexos, plataformas de tecnologia, mercado imobiliário e utilidades específicas.
Plataformas digitais: NFS-e para serviços prestados ou intermediados por plataformas eletrônicas.
Mercado imobiliário: NF-e ABI (Alienação de Bens Imóveis) e NFS-e para locações, arrendamentos e taxas de condomínio.
Serviços de infraestrutura: NFAg (Água e Saneamento) e NFGas (Gás Canalizado).
Transporte aéreo e urbano: BP-e para transporte aéreo, metropolitano ou semiurbano.
Não contribuintes do ICMS: NF-e emitida por sujeitos passivos do IBS/CBS que não contribuem para o ICMS.
4º Lote – Obrigatoriedade em 1º de janeiro de 2027
Fase final da transição, dedicada aos regimes simplificados, comércio exterior definitivo e regimes especiais.
Simples Nacional: Início da obrigatoriedade para todos os optantes pelo Simples Nacional e pelo MEI.
Duimp: Declaração Única de Importação (registro definitivo de entrada de bens do exterior).
Tributação monofásica: Emissão de NF-e para produtos sujeitos ao regime monofásico (como combustíveis).
DeRE (3ª fase): Demais eventos da Declaração de Regimes Específicos.
No entanto, diante da realidade e da complexidade técnica dessa transição, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS adotaram uma postura de flexibilização neste primeiro momento.
Por meio do Ato Técnico Conjunto RFB/CGIBS nº 1, publicado em 31 de julho de 2026, foi formalizada a suspensão temporária da rejeição automática de notas fiscais que apresentem ausência ou inconsistência nos novos campos. Isso significa que, temporariamente, as empresas podem continuar operando enquanto ajustam seus sistemas de faturamento aos novos leiautes.
O que mudou com a flexibilização
Sem rejeição: documentos como NF-e, NFC-e e CT-e emitidos sem o preenchimento do IBS e da CBS não serão rejeitados automaticamente pelos sistemas autorizadores.
Período de adaptação: a medida funciona como um alívio operacional, concedendo mais tempo para a adequação dos sistemas das empresas no início da Reforma Tributária do Consumo.
Atenção à regra: a suspensão afeta apenas a rejeição sistêmica imediata. O cronograma oficial de obrigatoriedade por lotes previsto no Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026 continua em vigor para as próximas etapas.
Mesmo em relação às penalidades, foi adotado um modelo de caráter educativo para o período de testes.
Notificação prévia: empresas com irregularidades serão notificadas para corrigir os dados.
Prazo de regularização: o contribuinte terá até 60 dias para sanar o erro.
Cancelamento de multas: caso a correção seja feita dentro do prazo, a penalidade será anulada.
Apesar disso, será um erro adiar a adequação, pois se trata apenas de uma flexibilização temporária. Deixar a atualização dos sistemas, dos cadastros de produtos e dos processos internos para a última hora fatalmente resultará em custos adicionais elevados, sobrecarga das equipes de TI e maior exposição a erros quando as regras definitivas passarem a exigir validação rígida.
O cumprimento das medidas exigidas pela Receita Federal nesta fase requer ações urgentes, mesmo diante da ausência de punições imediatas. A implementação do IBS e da CBS no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) exige a atualização imediata dos sistemas de emissão de CT-e e MDF-e, apesar da flexibilização inicial da Receita Federal, que evita a rejeição automática de documentos até que seja imposta a obrigatoriedade definitiva. As transportadoras tributadas pelo Lucro Real e pelo Lucro Presumido devem adaptar seus sistemas de faturamento ao novo leiaute das tags XML do CT-e e do MDF-e.
As empresas que utilizarem esse período de transição para testar seus sistemas, treinar suas equipes e alinhar seus parâmetros tributários garantirão uma adaptação mais segura ao modelo do IVA (Imposto sobre Valor Agregado), consolidando sua regularidade fiscal até a implementação total do novo sistema tributário.
NTC&Logística e COMJOVEM convidam empresários, colaboradores, familiares e toda a sociedade a participarem da campanha até o fim de agosto e ajudarem a fortalecer os estoques dos hemocentros em todo o Brasil
A Campanha de Doação de Sangue COMJOVEM Salva Vidas 2026 entra em seu último mês de mobilização reforçando um convite a todo o setor do Transporte Rodoviário de Cargas e à sociedade: doar sangue é um gesto simples, seguro e capaz de salvar vidas.
Promovida pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística e pela COMJOVEM, a campanha acontece anualmente entre os meses de junho e agosto, período em que os hemocentros brasileiros costumam registrar uma redução no número de doadores em razão do inverno, das férias escolares e do aumento de doenças sazonais, fatores que impactam diretamente os estoques de sangue.
Desde sua criação, em 2017, a Campanha COMJOVEM Salva Vidas já contabiliza mais de 5 mil doações de sangue e mais de 300 inscrições no Cadastro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Os resultados demonstram a força da mobilização promovida pelos Núcleos da COMJOVEM e pelas entidades ligadas à NTC&Logística em todo o país.
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde reforçam a importância dessa conscientização. Em 2025, o Brasil registrou 831.518 bolsas de sangue coletadas apenas nos cinco primeiros meses do ano, enquanto o Governo Federal manteve campanhas para ampliar o número de doadores regulares e garantir estoques seguros em todas as regiões do país, especialmente durante o inverno, quando historicamente ocorre redução nas doações.
Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, a reta final da campanha representa uma oportunidade para ampliar ainda mais o alcance da iniciativa.
“A Campanha COMJOVEM Salva Vidas mostra, ano após ano, que o Transporte Rodoviário de Cargas também cumpre um importante papel social. Estamos na reta final da edição de 2026, mas ainda há tempo para que empresas, colaboradores, familiares e amigos participem dessa corrente de solidariedade. Cada doação pode representar esperança para quem aguarda um tratamento, uma cirurgia ou enfrenta uma emergência. Nosso convite é para que todos se mobilizem e ajudem a fortalecer os estoques dos hemocentros”, destaca Rebuzzi.
O coordenador nacional da COMJOVEM, Hudson Rabelo, reforça que a mobilização dos Núcleos é essencial para ampliar o impacto da campanha.
“A força da COMJOVEM está nas pessoas. Quando cada Núcleo mobiliza empresários, colaboradores, familiares e parceiros, conseguimos transformar uma boa ideia em um movimento nacional. Estamos no último mês da campanha e queremos alcançar ainda mais pessoas. Cada comprovante recebido representa muito mais do que um número: representa vidas que poderão ser salvas graças à solidariedade do nosso setor”, afirma.
A participação é simples. Basta procurar um hemocentro, realizar a doação e solicitar o comprovante emitido pela unidade.
Após a doação, os participantes devem encaminhar o comprovante aos Núcleos da COMJOVEM, sindicatos, federações ou associações vinculadas à NTC&Logística em sua região. Essas entidades são responsáveis por reunir os comprovantes e consolidar os resultados nacionais da campanha.
Além de doar sangue, a NTC&Logística e a COMJOVEM convidam todos os participantes a ampliarem essa corrente do bem, incentivando colegas de trabalho, familiares, amigos e parceiros a fazerem o mesmo. Quanto maior a mobilização, maior será o impacto da campanha e o número de vidas beneficiadas.
A Campanha COMJOVEM Salva Vidas 2026 segue até o dia 31 de agosto. Ainda há tempo para participar, fazer a diferença e contribuir para que os hemocentros brasileiros mantenham seus estoques abastecidos.
Agradecemos e contamos com você. Juntos, salvamos vidas!
Estudo de Materialidade do Setor Rodoviário aponta descarbonização e busca por eficiência energética como ações prioritárias
O setor transportador tem, na transição ambiental e na eficiência energética, alguns dos principais desafios para avançar em sua agenda ESG. É o que aponta o Estudo de Materialidade do Setor de Transporte Rodoviário, divulgado nesta terça-feira (4), em São Paulo, no primeiro dia do SEST SENAT Summit 2026.
O levantamento identifica prioridades comuns ao setor. No transporte rodoviário, essa leitura é especialmente importante diante da amplitude da agenda ESG e da diversidade de desafios que envolvem a atividade. O levantamento inédito oferece referências para orientar decisões e a construção de programas e indicadores.
Para chegar aos resultados, o Estudo partiu de uma lista de 30 temas potencialmente relevantes para o transporte, complementada pela análise de padrões ESG, do ambiente regulatório e de tendências relacionadas à atividade transportadora. Desses, 10 temas foram classificados como de alta relevância, com destaque para descarbonização e eficiência energética.
Agenda conectada
Os resultados revelam uma agenda ESG conectada, que reúne questões ambientais, sociais e de governança. Além dos temas relacionados à transição ambiental, o Estudo destaca: saúde, segurança e qualidade de vida dos trabalhadores do transporte; formação, desenvolvimento e retenção de profissionais; gestão integrada; qualidade e segurança no atendimento aos usuários; governança corporativa; condições de trabalho dignas em toda a cadeia produtiva; relações governamentais, regulamentação e políticas públicas, e ética, integridade e compliance.
“A agenda ESG do transporte é ampla e envolve diferentes dimensões da atividade. A materialidade nos ajuda a olhar para esse conjunto de temas de forma estratégica, identificando as prioridades que são comuns ao setor e que podem orientar decisões e ações concretas. É um ponto de partida para transformar sustentabilidade em gestão e fortalecer a capacidade do setor de responder aos desafios do presente e do futuro”, afirma Nicole Goulart, diretora executiva nacional do SEST SENAT.
O estudo constitui um ponto de partida para que empresas, entidades e os demais atores do ecossistema do transporte compreendam seus impactos, reconheçam riscos e oportunidades, e avancem na construção de uma agenda de sustentabilidade conectada à gestão e à realidade do setor.
Projeto desenvolvido por executivos da especialização em Gestão de Negócios do ITL cria metodologia para apoiar transportadoras em recrutamento, capacitação e retenção de profissionais
A escassez de motoristas profissionais, um dos principais desafios enfrentados pelo transporte rodoviário brasileiro, motivou o desenvolvimento do Rotas de Inclusão, projeto que orienta transportadoras a recrutar, capacitar e reter imigrantes e refugiados para atuar como motoristas e profissionais de áreas operacionais. A iniciativa alia inclusão social à gestão estratégica de pessoas e oferece uma metodologia para ampliar a oferta de mão de obra qualificada no setor.
O projeto foi elaborado por executivos da 71ª turma da Especialização em Gestão de Negócios, curso integrante do Programa Avançado de Capacitação do Transporte, coordenado pelo ITL (Instituto de Transporte e Logística), promovido pelo SEST SENAT e ministrado pela FDC (Fundação Dom Cabral).
Participaram do desenvolvimento Jacqueline Queiroz, gerente de SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho) da Rodonaves; Carlos Lacerda, diretor executivo da Opção JCA; Bruno da Silva Santos, supervisor de Logística da LP Guizilim; Cibele Thais Telles, coordenadora de Controladoria da JCA, e Wagner Militani da Silva, gerente operacional da Suzantur.
Segundo Jacqueline Queiroz, muitos imigrantes e refugiados já ocupam funções operacionais nas empresas, mas a contratação costuma ocorrer de forma pouco estruturada.
“Falta um programa de acolhimento, capacitação e acompanhamento. Isso dificulta a retenção desses profissionais e limita o potencial de contribuição que eles podem oferecer ao setor”.
A partir dessa realidade, o grupo desenvolveu uma metodologia específica para o transporte urbano e rodoviário. “Identificamos a oportunidade de estruturar um programa voltado para esse público, em um momento em que o setor enfrenta uma escassez significativa de profissionais e pode se beneficiar diretamente dessa força de trabalho”.
O guia reúne orientações para recrutamento, regularização documental, capacitação técnica e linguística, integração cultural e acompanhamento dos profissionais, transformando iniciativas pontuais em uma política estruturada de gestão de pessoas.
Implementação
A metodologia proposta está organizada em quatro etapas: recrutamento e regularização documental; capacitação técnica, linguística e sensibilização das equipes; mentoria e integração cultural, e avaliação contínua por indicadores de desempenho.
O projeto prevê parcerias com organizações de acolhimento, instituições de formação de motoristas e órgãos públicos para apoiar a regularização documental e a qualificação dos candidatos.
O guia também disponibiliza ferramentas para facilitar sua implementação, como modelos de plano de ação (5W2H), checklists de conformidade legal, kits de integração e painéis de indicadores adaptáveis à realidade de cada transportadora.
Outro diferencial é a utilização do conceito de Retorno Social sobre o Investimento (SROI), que permite mensurar os impactos gerados para empresas, trabalhadores, famílias, comunidades e poder público. O material identifica riscos operacionais, como barreiras linguísticas e atrasos na regularização documental, propondo medidas para mitigá-los.
Para o diretor executivo do ITL, João Victor Mendes, o projeto representa o propósito da especialização de transformar desafios do setor em soluções aplicáveis.
“Nosso objetivo é conectar teoria e prática para gerar resultados concretos. O Rotas de Inclusão transforma conhecimento em uma metodologia capaz de ajudar as empresas a enfrentar a escassez de mão de obra, fortalecer sua competitividade e contribuir para um transporte mais eficiente”.
Desafio para o setor
A relevância da iniciativa é reforçada pelos dados da Confederação. Levantamento da entidade mostra que 65,1% das empresas apontam a função de motorista como a principal carência de mão de obra. Entre as transportadoras de cargas, 44,6% mantêm vagas abertas, e mais da metade possui cinco ou mais postos sem preenchimento. No transporte de passageiros, 53,4% também enfrentam dificuldades para contratar profissionais.
Responsável por 64,85% da matriz brasileira de transporte de cargas, o modal rodoviário concentra 44% da receita do setor, emprega cerca de 1,3 milhão de trabalhadores com vínculo formal e gerou 47.440 novos empregos em 2025, evidenciando que a demanda por motoristas continua crescendo em ritmo superior à oferta de profissionais qualificados.
Setor industrial encerra o segundo trimestre com forte desaceleração e queda maior do que o esperado
A indústria brasileira registrou, em junho, retração bem maior do que o esperado, encerrando o segundo trimestre com o segundo mês consecutivo de perdas depois de mostrar fôlego nos primeiros meses do ano.
Em junho, a produção teve queda de 1,8% em relação a maio. Os dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram ainda que, na comparação com o mesmo período do ano passado, houve alta de 1,7% na produção.
Os resultados ficaram bem aquém das expectativas em pesquisa da Reuters com analistas de retração de 0,8% no mês e de alta de 3,0% na base anual.
Com isso, o setor industrial brasileiro encerra o segundo trimestre com ganho de 0,3% sobre os três meses anteriores, mostrando forte desaceleração ante a alta de 1,4% no primeiro trimestre.
“O que pode ser dito é que há uma interrupção da trajetória ascendente da indústria. Há uma menor intensidade do setor industrial com espalhamento da queda”, avaliou o gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo.
“Temos aqueles fatores negativos de pé, como política monetária e inadimplência afetando o poder de consumo. Há também paralisações em plantas industriais, talvez numa tentativa de ajuste à demanda menor. Há uma clara redução de ritmo da indústria”, completou.
A indústria iniciou o ano com resultados positivos, mostrando resiliência diante, principalmente, de bons desempenhos da indústria extrativa e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis.
Mas analistas avaliam que o setor, agora, pode mostrar desaceleração sob os impactos da política monetária restritiva, com a taxa Selic em patamar elevado (atualmente em 14,25%). O Banco Central anuncia na quarta sua decisão de política monetária, com expectativas de corte de 0,25 ponto percentual nos juros.
“Os dados de atividade conjuntamente sugerem moderação do crescimento, o que, na nossa visão, contribui para o Copom continuar o ciclo de calibração da Selic. Esperamos novo corte de 25 pontos base amanhã e em todas as reuniões restantes desse ano, levando a Selic a 13,25% ao final de 2026”, disse André Valério, economista sênior do Inter.
Em junho, a principal influência negativa foi da produção de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com recuo de 5,9%. O grupo marcou, assim, o segundo mês seguido de queda na produção, acumulando no período perda de 11,8%.
“Foi uma parte importante, até porque responde por 15% da pesquisa. Esse segmento cresceu 16,5% em quatro meses, e agora as duas quedas eliminam parte dessa alta, mas ainda está positivo”, disse Macedo.
Segundo ele, as quedas ocorreram em álcool, gasolina e diesel, destacando que o processamento de cana-de-açúcar cai em maio e junho por conta de mais chuva.
Também pesaram de forma negativa produtos químicos (-4,3%); produtos alimentícios (-1,9%); produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-11,0%); confecção de artigos do vestuário e acessórios (-11,0%), e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-8,9%).
Entre as grandes categorias econômicas, a produção de bens de consumo semi e não duráveis caiu 4,1% em junho sobre maio, enquanto a de bens de consumo duráveis recuou 3,2%. Os setores produtores de bens de capital e de bens intermediários tiveram quedas de 1,1% cada.
Nova iniciativa busca fortalecer a gestão de pessoas no Transporte Rodoviário de Cargas, promovendo a troca de experiências, o desenvolvimento de boas práticas e a construção de soluções para os desafios do setor
A NTC&Logística está ampliando sua atuação em temas estratégicos para o desenvolvimento do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), com a criação do Comitê de Recursos Humanos, uma iniciativa voltada à integração dos profissionais responsáveis pela gestão de pessoas nas empresas e entidades associadas à entidade. Hoje (4), é o último dia para mostrar interesse em participar.
O novo Comitê nasce com o propósito de criar um ambiente permanente de diálogo, colaboração e construção coletiva, reunindo especialistas em Recursos Humanos para debater os principais desafios da área, compartilhar experiências, identificar tendências e desenvolver propostas que contribuam para o fortalecimento da gestão de pessoas no setor.
A iniciativa reforça o compromisso da NTC&Logística em apoiar o desenvolvimento do capital humano, reconhecendo que pessoas qualificadas, ambientes de trabalho saudáveis e práticas modernas de gestão são fatores essenciais para a competitividade, a sustentabilidade e o futuro do TRC.
Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, a criação do Comitê representa mais um passo importante na evolução institucional da entidade. “As pessoas são o maior patrimônio das organizações e, no Transporte Rodoviário de Cargas, investir na gestão de talentos tornou-se uma necessidade estratégica. Com a criação do Comitê de Recursos Humanos, queremos reunir profissionais que vivem os desafios do dia a dia para construir soluções, compartilhar conhecimento e fortalecer, de forma colaborativa, a gestão de pessoas em todo o setor. A participação das empresas e entidades associadas será fundamental para o sucesso dessa iniciativa”, destaca Rebuzzi.
Convite às empresas e entidades associadas
A NTC&Logística convida suas empresas e entidades associadas a indicarem o profissional responsável pela área de Recursos Humanos ou o colaborador que atue diretamente na gestão de pessoas, para integrar o Comitê.
Os participantes terão a oportunidade de:
contribuir para a construção de diretrizes e boas práticas para o setor;
acompanhar debates sobre os principais temas relacionados à gestão de pessoas;
compartilhar experiências com profissionais de diferentes regiões do país;
ampliar o relacionamento com especialistas e lideranças do Transporte Rodoviário de Cargas.
As indicações deverão ser realizadas por meio do formulário disponibilizado pela entidade, até o dia 14 de agosto, no link: https://forms.gle/dW7ys3SX5Y29GdLy7
A NTC&Logística reforça o convite para que suas empresas e entidades associadas participem dessa iniciativa e contribuam para o fortalecimento da gestão de pessoas no Transporte Rodoviário de Cargas, promovendo o desenvolvimento de práticas que atendam às demandas atuais e futuras do setor.
A NTC&Logística deu início a uma nova edição da Pesquisa de Mercado do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), com o objetivo de avaliar o cenário econômico do setor no primeiro semestre de 2026 e reunir informações estratégicas sobre os desafios, oportunidades e tendências que impactam as empresas transportadoras em todo o país.
O levantamento será realizado por meio de um questionário objetivo e de fácil preenchimento, composto por perguntas de múltipla escolha. A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre a realidade do transporte rodoviário de cargas, contribuindo para a elaboração de análises, estudos e ações voltadas ao fortalecimento do setor.
A participação das empresas é fundamental para garantir a representatividade dos dados coletados e permitir a construção de um panorama atualizado e confiável da atividade transportadora no Brasil. As informações obtidas também servirão de base para discussões institucionais e para o desenvolvimento de estratégias que atendam às demandas do segmento.
Os resultados consolidados da pesquisa serão apresentados durante a segunda edição de 2026 do CONET&Intersindical (Conselho Nacional de Estudos em Transporte, Custos, Tarifas e Mercado), que será realizada no dia 27 de agosto, em Ouro Preto (MG).
A NTC&Logística convida todas as empresas transportadoras a participarem da pesquisa e contribuírem para o fortalecimento da representação e do desenvolvimento do Transporte Rodoviário de Cargas.
Eletrificação, conectividade e novos serviços impulsionam a eficiência das operações de last mile
O crescimento do e-commerce e a demanda por entregas rápidas transformaram a logística urbana em um dos principais desafios do transporte de cargas. Com previsão de faturar R$ 379 bilhões e registrar cerca de 560 milhões de pedidos até 2030, segundo a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce, o setor exige operações cada vez mais ágeis e eficientes para as entregas de last mile, etapa que leva o produto do centro de distribuição ao consumidor final.
Esse movimento também é impulsionado por regras mais rígidas para a circulação de veículos nas grandes cidades, pelos altos custos operacionais e pelas metas de descarbonização.
Na Fenatran, principal encontro do transporte rodoviário de cargas e logística da América Latina, serão apresentados os mais recentes lançamentos voltados a esse mercado. Entre os dias 9 e 13 de novembro, no São Paulo Expo, o evento reunirá veículos comerciais desenvolvidos para aumentar a produtividade das entregas e atender às novas exigências da distribuição urbana.
“Essas operações são estratégicas para a cadeia de suprimentos, e a Fenatran apresentará diversas novidades desenvolvidas especialmente para esse segmento, que desempenha um papel fundamental na movimentação de mercadorias”, explica Thiago Braga Ferreira, gerente executivo da Fenatran
Montadoras ampliam portfólio
Para atender às novas exigências das entregas nas cidades, as fabricantes ampliam seus portfólios com veículos de diferentes capacidades de carga, tecnologias alternativas de propulsão sustentável e voltadas ao aumento da eficiência operacional. O objetivo é oferecer opções mais versáteis, conectadas e adaptadas às diversas demandas do transporte urbano de mercadorias.
Nesse mercado, a IVECO destaca a linha Daily como sua principal aposta para as entregas. Disponível nas configurações chassi-cabine e furgão, a família contempla modelos de 3,5 a 7 toneladas, incluindo versões que podem ser conduzidas com CNH B. A marca também conta com alternativas voltadas à descarbonização, como o eDaily, 100% elétrico, e o conceito Daily Multifuel, capaz de operar com etanol, gás natural e biometano.
A Mercedes-Benz oferece, para as operações de distribuição, coletas e transferências de mercadorias, os modelos das linhas Accelo e Atego, que vão de 8 a 45,1 toneladas. A empresa também avança em sua estratégia de eletrificação do transporte de cargas com testes do eActros – caminhão 100% elétrico da marca – no Brasil.
A divisão de veículos comerciais Ford PRO acaba de anunciar, para o segundo semestre desse ano, o lançamento da nova Transit City, uma van elétrica com o tamanho e a configuração certos para rodar em zonas urbanas restritas. A novidade chega para complementar o portfólio da marca, que conta ainda com a Transit nas versões Chassi, Furgão, Minibus e Vidrada; Ranger XL Cabine Simples, Chassi Cabine e Cabine Dupla, com transmissão manual ou automática; Ranger XLS e E-Transit Furgão.
Já a Volkswagen Caminhões e Ônibus leva à Fenatran diferentes modelos do Delivery Express, além do e-Delivery, 100% elétrico, e versões da família Constellation voltados a operações urbanas e regionais.
“A principal tendência no segmento de last mile é o avanço da logística sustentável com veículos elétricos e modais leves. Também se destaca o uso crescente de tecnologia e inteligência artificial para otimização de rotas”, afirma Giulianno Nasi, gerente de Marketing de Produto da Volkswagen Caminhões e Ônibus.
Tecnologia embarcada transforma o last mile
Além das alternativas de propulsão sustentável, a conectividade e a gestão de dados vêm ampliando a eficiência das operações urbanas. Recursos como telemetria, monitoramento em tempo real e manutenção preditiva ajudam a otimizar rotas, reduzir custos operacionais e o consumo de combustível, aumentar a disponibilidade da frota e minimizar paradas para manutenção.
“Empresas que conseguem transformar dados em eficiência operacional tendem a ganhar competitividade e melhorar seus indicadores de desempenho”, afirma Marco Pacheco, diretor de Marketing da IVECO para a América Latina.
Atuação integrada para maior eficiência operacional
As montadoras também ampliam a oferta de serviços, como manutenção e gestão de frotas, reforçando estratégias para reduzir custos operacionais e maximizar a disponibilidade dos veículos. Esse modelo permite que os transportadores concentrem seus esforços na operação logística, enquanto a gestão dos ativos fica sob responsabilidade da fabricante.
Além disso, a locação vem se tornando uma alternativa para empresas que buscam novas formas de contratar e administrar suas frotas. “Existe espaço para esse modelo porque muitos clientes comerciais buscam flexibilidade financeira, previsibilidade de custos e menor imobilização de capital. Em operações urbanas, em que o veículo é uma ferramenta de trabalho e precisa estar sempre disponível, a locação pode ser uma solução interessante”, afirma Matias Guimil, gerente de Estratégia e Produto de Veículos Comerciais da Ford.
Segundo o vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil, Jefferson Ferrarez, a etapa de última milha pode representar até 65% do custo total do transporte, tornando qualquer ganho de eficiência um fator decisivo para a competitividade.
“O futuro do last mile no Brasil não será sustentado apenas por um veículo novo, mas por um ecossistema que combina caminhão, conectividade, manutenção inteligente e novos modelos operacionais”, afirma.
Da eletrificação à conectividade, as tecnologias voltadas a tornar o transporte de cargas mais eficiente estarão entre os destaques da Fenatran. A programação do evento contará ainda com uma edição do Frotas Conectadas, workshop que debate os desafios e as oportunidades da inovação aplicada ao transporte rodoviário de cargas e à gestão de operações.
Gladstone Lobato afirmou que logística é um dos principais elos da cadeia econômica e defendeu mais segurança jurídica para o transporte de cargas
O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de Minas Gerais (FETCEMG), Gladstone Lobato, destacou a importância do transporte para o desenvolvimento da indústria brasileira durante o Eloos Indústria, realizado nesta segunda-feira (3), em Belo Horizonte.
Segundo Gladstone, a discussão sobre o futuro da indústria passa diretamente pelo transporte, responsável por garantir que produtos e matérias-primas circulem pelo país. O evento reúne empresários, autoridades e especialistas para discutir desafios e oportunidades para o setor industrial.
“É um prazer estar aqui pela quarta vez no projeto Eloos. É um negócio diferente que está sendo feito em Minas Gerais. Essa discussão sobre a indústria é muito importante para podermos definir o futuro do setor no estado. O transporte é um dos elos dessa corrente. Sem o transporte, a indústria não entrega, o agronegócio também não entrega”, afirmou.
O presidente da FETCEMG ressaltou que a participação do setor no evento reforça a necessidade de aproximar transportadores e indústria para buscar soluções conjuntas.
“É muito bom estar aqui, entender o que está acontecendo com a indústria e poder participar da melhor maneira possível desse processo”, disse.
Desafios do transporte de cargas
Durante a entrevista, Gladstone Lobato também comentou os desafios enfrentados pelo transporte rodoviário de cargas no Brasil, entre eles a discussão sobre a medida provisória do frete.
Segundo ele, a falta de uma definição sobre o tema gera insegurança jurídica para o setor.
“A medida provisória do frete ainda é uma medida confusa, porque temos um processo que está com o ministro Luiz Fux, que ainda não decidiu se ela é constitucional ou não. Isso traz insegurança jurídica para o setor”, afirmou.
O presidente explicou que o chamado frete mínimo é, na prática, um valor relacionado ao custo da operação e não representa o preço final cobrado pelo transporte.
“As pessoas interpretam mal essa medida. Na realidade, é um custo mínimo. Em cima desse valor apresentado pela ANTT precisam ser considerados impostos, ganhos e outros fatores que envolvem o transporte”, explicou.
Para Gladstone, uma decisão sobre o tema é necessária para garantir mais previsibilidade às empresas e aos trabalhadores do setor.
“Estamos pedindo ao ministro Fux que resolva essa questão, que decida sobre a constitucionalidade ou não da lei do frete, para que possamos trabalhar com mais segurança”, afirmou.
Capacitação de trabalhadores
O presidente da FETCEMG também destacou investimentos voltados aos profissionais do transporte, principalmente por meio do Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SEST SENAT).
“Nós temos trabalhado muito com os nossos funcionários. Hoje, temos o SEST SENAT, levando saúde, treinamento e capacitação. Em Minas Gerais, são 27 unidades, passando para 28 neste ano e, no próximo ano, teremos mais duas unidades”, finalizou.
Evento reunirá autoridades nacionais, especialistas e lideranças do setor, em São Paulo, para discutir segurança pública, crime organizado e os desafios do TRC
A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística realizará, no próximo dia 6 de agosto de 2026, em sua subsede, em São Paulo (SP), o 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). Consolidado no calendário institucional da entidade, o evento reunirá autoridades públicas, especialistas em segurança, representantes do setor produtivo e lideranças do Transporte Rodoviário de Cargas para discutir um dos temas mais estratégicos para a logística brasileira: o enfrentamento à criminalidade e o fortalecimento da segurança nas operações de transporte.
Entre os destaques da programação, está a participação de Francisco Lucas Costa Veloso, secretário nacional de Segurança Pública (SENASP/MJSP), que encerrará o ciclo de palestras abordando as políticas públicas de segurança e a integração institucional entre os diversos órgãos responsáveis pelo enfrentamento ao crime organizado no Brasil.
Além do secretário nacional de Segurança Pública, o Encontro reunirá importantes autoridades e especialistas de referência nacional. Dr. Waldomiro Milanesi, delegado de Polícia Civil e especialista em segurança, abrirá a programação com uma análise sobre segurança logística, crime organizado e mercados ilícitos. Na sequência, Ricardo Alvarez Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria – CNI, discutirá os impactos da criminalidade sobre a produção, a circulação de mercadorias e o desenvolvimento econômico do país.
Também participarão Dr. Lincoln Gakiya, promotor de Justiça e integrante do GAECO – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado de São Paulo, que abordará os desafios contemporâneos do combate ao crime organizado, e Renato Sérgio de Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), responsável por apresentar um panorama atualizado da criminalidade no Brasil e seus reflexos sobre a segurança pública, a economia e o Transporte Rodoviário de Cargas.
Ao longo da programação, os participantes acompanharão debates técnicos, apresentação de soluções voltadas à segurança logística e momentos de integração entre o setor privado e os órgãos públicos, com foco na prevenção e no combate ao roubo, furto e receptação de cargas.
De acordo com o Diagnóstico Nacional do Roubo de Cargas, desenvolvido pela Assessoria de Segurança da NTC&Logística, foram registradas 8.570 ocorrências de roubo de cargas em 2025, uma redução de 16,7% em comparação com 2024. Apesar da queda dos registros, o impacto econômico permanece elevado. O prejuízo direto estimado é de aproximadamente R$ 900 milhões, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão quando considerados os efeitos indiretos, como o aumento dos custos operacionais, dos seguros e o reflexo no preço final dos produtos.
Desde 1998, a NTC&Logística desenvolve, por meio de sua Assessoria de Segurança, ações permanentes voltadas ao enfrentamento dos crimes praticados contra o Transporte Rodoviário de Cargas. Ao longo dessa trajetória, a entidade tem atuado na elaboração de estudos técnicos, diagnósticos nacionais, propostas legislativas, articulações institucionais e iniciativas que contribuem para o fortalecimento da segurança pública, da atividade transportadora e da cadeia logística brasileira.
As inscrições para o 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas continuam abertas, clique aqui e participe.
Programação
8h – Credenciamento
8h30 às 9h – Abertura
9h às 9h20 – Segurança Logística, Crime Organizado e Mercados Ilícitos: Contextualização e Desafios para o Brasil Palestrante: Dr. Waldomiro Milanesi Delegado de Polícia e Especialista em Segurança
9h20 às 10h10 – Impactos da Criminalidade sobre a Produção, a Circulação e o Desenvolvimento Econômico Palestrante: Cassio Augusto Muniz Borges Assessor Especial da Presidência da CNI – Confederação Nacional da Indústria
10h10 às 11h – Segurança Pública, Crime Organizado e os Desafios Contemporâneos do Estado Brasileiro Palestrante: Dr. Lincoln Gakiya Promotor de Justiça, integrante do GAECO – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado -Ministério Público do Estado de São Paulo
11h às 11h50 – Diagnósticos e Tendências da Criminalidade no Brasil: Impactos sobre a Segurança Pública, a Economia e o Desenvolvimento Nacional Palestrante: Renato Sérgio de Lima Presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública – FBSP
11h50 às 12h40 – Políticas Públicas de Segurança e Integração Institucional Palestrante: Francisco Lucas Costa Veloso Secretário Nacional de Segurança Pública – SENASP / MJSP
12h40 às 13h – Encerramento
Realização Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística
Apoio Institucional Sistema Transporte (CNT / SEST SENAT / ITL) Fundação Memória do Transporte – FuMTran
Ato divulga o cronograma de obrigatoriedade de emissão dos documentos fiscais e de publicação dos leiautes
Receita Federal e o CGIBS (Comitê Gestor do IBS) informam que foi aprovado o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4, de 30 de julho de 2026, em cumprimento ao art. 112 do Decreto nº 12.955/2026 (Regulamento da CBS) e da Resolução CGIBS nº 06/2026 (Regulamento do IBS).
Esse ato divulga o cronograma de obrigatoriedade de emissão dos documentos fiscais e de publicação dos leiautes nos termos a seguir descritos.
As datas previstas para publicação dos leiautes representam a expectativa de entrega e serão referência para o planejamento dos contribuintes e desenvolvedores. Excepcionalmente, em função de necessidades técnicas ou operacionais supervenientes, poderá haver ajuste pontual em determinadas datas, sem prejuízo do compromisso da Receita Federal e do CGIBS com a implementação tempestiva da Reforma Tributária do Consumo. O calendário considera a especificidade dos diversos setores econômicos envolvidos, a necessidade de adequação dos sistemas emissores e a realização de testes prévios pelos contribuintes.
DF-e
Especificidade
Início da obrigatoriedade
Publicação dos leiautes
Bilhete de Passagem Eletrônico – BP-e
Transporte de passageiros, exceto transportes aéreo, urbano, semiurbano e metropolitano
03/08/2026
Já publicado
Conhecimento de Transporte Eletrônico – CT-e
Transporte de carga intermunicipal e interestadual
03/08/2026
Já publicado
Conhecimento de Transporte Eletrônico Para Outros Serviços – CT-e OS
Transporte de pessoas por agência de viagem ou transportadoras, transporte de valores e excesso de bagagem
03/08/2026
Já publicado
Declaração de Conteúdo Eletrônica – DC-e
Bens transportados sem a obrigação de emissão de outro documento fiscal
03/08/2026
Já publicado
Guia de Transporte de Valores Eletrônica – GTV-e
Transporte de valores intermunicipal e interestadua
03/08/2026
Já publicado
Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais – MDF-e
Controle do transporte de cargas, reunindo informações dos documentos fiscais da operação ou do transporte próprio
03/08/2026
Já publicado
Nota Fiscal de Energia Elétrica Eletrônica – NF3e
Fornecimento de energia elétrica ao consumidor
03/08/2026
Já publicado
Nota Fiscal Eletrônica – NF-e
Fornecimento de bens materiais e outros fornecimentos específicos
03/08/2026
Já publicado
Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica – NFC-e
Fornecimento de bens no comércio varejista
03/08/2026
Já publicado
Nota Fiscal de Serviço Eletrônica de Exploração de Via – NFS-e Via
Cobrança de pedágio pela utilização de vias
03/08/2026
Já publicado
Nota Fiscal de Serviços Eletrônica – NFS-e, exceto serviços específicos
Prestação de serviços em geral sem obrigatoriedade específica, sujeitos ao ISS
01/10/2026
Já publicado
Nota Fiscal Fatura de Serviços de Comunicação Eletrônica – NFCom
Prestação de serviços de Comunicação
01/10/2026
Já publicado
Declaração de Importação de Remessa (DIR)
Declaração para registro da entrada de encomendas internacionais
01/10/2026
03/08/2026
Declaração de Regimes Específicos – DeRE 1ª Fase
Eventos de Tabela dos Contribuintes
01/10/2026
Já publicado
Declaração de Regimes Específicos – DeRE 2ª Fase
Eventos Periódicos Mensais
15/11/2026
Já publicado
Bilhete de Passagem Eletrônico – BP-e
Transporte semiurbano, metropolitano ou aéreo de passageiros
01/12/2026
Já publicado
Nota Fiscal Eletrônica de Alienação de Bens Imóveis – NF-e ABI
Alienação de imóveis
01/12/2026
01/09/2026
Nota Fiscal de Água e Saneamento Eletrônica – NFAg
Abastecimento de água e esgotamento sanitário
01/12/2026
Já disponibilizado
Nota Fiscal Eletrônica do Gás – NFGas
Distribuição de gás canalizado ao consumidor
01/12/2026
Já publicado
Nota Fiscal de Serviços Eletrônica – NFS-e para Plataformas
Serviços promovidos pelas plataformas digitais e serviços intermediados em hipóteses específicas
01/12/2026
01/09/2026
Nota Fiscal Eletrônica – NF-e – Sujeito passivo do IBS e da CBS não contribuinte do ICMS
Fornecimentos sujeitos ao IBS e à CBS, movimentações de bens materiais ou devoluções de operações
01/12/2026
01/09/2026
NFS-e para fornecimento de serviços também sujeitos ao ISS, enquadrados nos subitens 1.03, 1.05, 1.09 e 16.01 da LC 116
01/12/2026
Já publicado
NFS-e para fornecimentos de bens imateriais não enquadrados na lista de serviços e não sujeitos ao ICMS
01/12/2026
Já publicado
NFS-e na cobrança de taxas e demais valores condominiais pelo condomínio edilício, bem como outras receitas do condomínio
01/12/2026
01/10/2026
NFS-e nas locações de bens móveis e nas locações, cessões onerosas e arrendamentos de bens imóveis
01/12/2026
Já publicado
Documentos fiscais para contribuintes do Simples Nacional (NF-e, NFC-e, CT-e, NFS-e e outros)
01/01/2027
01/09/2026
Declaração Única de Importação (Duimp)
Declaração eletrônica para registro e controle das operações de importação
01/01/2027
03/11/2026
Nota Fiscal Eletrônica – NF-e na Importação
Documento fiscal emitido pelo importador para nacionalizar e registrar a entrada de produtos estrangeiros
01/01/2027
Já publicado
Declaração de Regimes Específicos – DeRE 3ª Fase
Demais eventos não enquadrados nas fases anteriores
01/01/2027
01/09/2026
Nota Fiscal Eletrônica – NFe – Tributação Monofásica
Fornecimentos de combustíveis sujeitos à tributação monofásica
01/01/2027
Já publicado
O calendário considera a especificidade dos diversos setores econômicos envolvidos, a necessidade de adequação dos sistemas emissores e a realização de testes prévios pelos contribuintes. Ainda na primeira quinzena de agosto será divulgado o cronograma de disponibilização dos ambientes para emissão dos documentos fiscais.
O Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4, de 2026, prevê ainda a edição de um programa de conformidade para o ano de 2026, com caráter orientador da implantação. Este programa será destinado aos contribuintes que demonstrem conduta cooperativa no cumprimento das suas obrigações acessórias, pela concessão de prazo adicional para a regularização.
Preferência por veículos seminovos evidencia a cautela de transportadoras e autônomos diante do elevado custo dos modelos zero-quilômetro
O financiamento de caminhões e ônibus encerrou o primeiro semestre de 2026 com o melhor desempenho desde 2018, impulsionado pela demanda por veículos usados. Dados da Trillia, unidade de dados e analytics da B3, analisados pela Agência Transporte Moderno, mostram que o segmento de pesados somou 144.105 operações entre janeiro e junho, crescimento de 5,3% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 136.893 unidades financiadas. O resultado representa o maior volume para um primeiro semestre em oito anos.
A análise da série histórica mostra que o mercado vem recuperando fôlego após a pandemia. Em 2018, haviam sido financiados 131.516 caminhões e ônibus no primeiro semestre. O volume subiu para 139.623 em 2019, caiu para 108.194 em 2020, período marcado pelos efeitos da Covid-19, voltou a crescer para 132.859 em 2021, recuou para 122.905 em 2022 e retomou a trajetória de alta em 2023, com 128.450 operações. Em 2024, o mercado alcançou 141.305 financiamentos, recorde até então, agora superado pelo desempenho de 2026.
O principal motor desse crescimento foi o mercado de usados. As operações de crédito para caminhões e ônibus seminovos passaram de 77.889 para 85.130 unidades, alta de 9,3% em relação ao primeiro semestre do ano passado. Já os financiamentos de veículos novos permaneceram praticamente estáveis, passando de 59.004 para 58.975 unidades.
Na prática, os usados responderam por todo o avanço do mercado de pesados no semestre. Enquanto o segmento de novos perdeu participação, os seminovos passaram a representar cerca de 59% de todas as operações de financiamento envolvendo caminhões e ônibus.
Caminhões novos e os preços elevados
O comportamento do mercado reflete um cenário ainda desafiador para a renovação de frota. Mesmo com expectativa de redução gradual dos juros ao longo do ano, o custo de aquisição de caminhões zero-quilômetro continua elevado, levando transportadoras e caminhoneiros autônomos a optarem por veículos usados, que exigem menor desembolso inicial e parcelas mais acessíveis.
O desempenho dos pesados ficou abaixo da média do mercado de financiamento de veículos como um todo. No primeiro semestre, foram financiadas 3,78 milhões de unidades entre automóveis, comerciais leves, motocicletas, caminhões e ônibus, crescimento de 10,9% sobre igual período de 2025 e o melhor resultado para um primeiro semestre desde 2008.
Segundo a Trillia, a expansão do crédito tem sido favorecida pelo uso crescente de dados e ferramentas de análise de risco pelas instituições financeiras, permitindo uma concessão de crédito mais eficiente. No caso dos veículos pesados, porém, o comportamento dos financiamentos mostra que a preferência do mercado ainda está concentrada nos usados, evidenciando uma postura mais conservadora dos compradores diante do elevado custo dos modelos novos.
Sistema de pedágio eletrônico entra em operação em 1º de agosto na Anchieta-Imigrantes e promete reduzir paradas, aumentar previsibilidade das viagens e mudar rotina do transporte de cargas
A implantação do sistema de pedágio eletrônico free flow no sistema Anchieta-Imigrantes, prevista para entrar em operação em 1º de agosto, deve alterar a dinâmica de um dos corredores logísticos mais importantes do país. A tecnologia substituirá as atuais praças de cobrança por pórticos eletrônicos e promete eliminar as paradas obrigatórias no principal acesso rodoviário ao Porto de Santos.
Para o transporte de cargas, especialmente de veículos zero-quilômetro, a mudança pode representar ganhos operacionais com redução de filas, menor tempo de viagem e maior previsibilidade no cumprimento dos horários de entrega. O corredor entre São Paulo e a Baixada Santista é utilizado diariamente por uma ampla variedade de operações logísticas ligadas ao maior porto do país.
Os novos pórticos farão a identificação automática dos veículos em movimento. A cobrança para automóveis será realizada na descida e na subida da serra. No caso dos caminhões, o cálculo continuará considerando a quantidade de eixos apoiados no pavimento, mantendo a possibilidade de redução do valor pago pelos veículos que retornam vazios.
Para o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), entidade que representa mais de 5 mil profissionais especializados no transporte de veículos zero-quilômetro, o principal impacto do novo modelo está na eliminação de um gargalo histórico da operação.
“Quem trabalha com logística sabe que o problema nunca foi apenas o valor do pedágio, mas o tempo perdido para atravessá-lo. Cada fila interrompe o ritmo da viagem, aumenta o consumo de combustível e dificulta o cumprimento dos horários programados de entrega”, afirma o presidente do Sinaceg, José Ronaldo Marques da Silva, conhecido como Boizinho.
Segundo ele, a retirada das praças físicas pode melhorar o planejamento das operações e reduzir custos ao longo da cadeia de transporte.
“Quando essa parada deixa de existir, a operação ganha previsibilidade, melhora o planejamento das viagens e reduz custos ao longo de toda a cadeia do transporte de veículos”, diz.
Novo modelo exige adaptação dos transportadores
Além de eliminar as interrupções nas praças de pedágio, o sistema free flow muda a relação entre usuários e concessionárias. Motoristas que utilizam tags eletrônicas continuarão com o pagamento automático. Já aqueles sem dispositivo precisarão consultar os débitos em uma plataforma do Governo de São Paulo e realizar o pagamento dentro do prazo estabelecido.
A mudança também amplia o uso de tecnologia na fiscalização. Os pórticos passarão a integrar o programa Muralha Paulista, com compartilhamento de informações com a Polícia Militar Rodoviária para reforçar o monitoramento das rodovias.
Para o diretor regional do Sinaceg, Márcio Galdino, a implantação do sistema representa uma mudança operacional que exigirá adaptação dos profissionais que trabalham nas estradas.
“O motorista deixa de interagir com a praça de pedágio e passa a administrar uma viagem conectada. A tecnologia precisa simplificar a rotina de quem vive na estrada. Se o acesso às informações de cobrança for rápido e transparente, os benefícios aparecerão naturalmente na operação”, afirma.
A expectativa do setor de transporte é que a nova tecnologia contribua para tornar o corredor Anchieta-Imigrantes mais eficiente, reduzindo interrupções em uma rota estratégica para o abastecimento do mercado interno e para o escoamento de cargas pelo Porto de Santos.
Com a adoção do free flow, o sistema passa a acompanhar uma tendência já adotada em outros países, na qual a cobrança deixa de depender de paradas físicas e passa a ser integrada ao fluxo normal dos veículos.