Primeira reunião da Diretoria da NTC&Logística em 2026 debate prioridades estratégicas e agenda institucional do setor

Primeira reunião da Diretoria da NTC&Logística em 2026 debate prioridades estratégicas e agenda institucional do setor

Foi realizada, nesta quinta-feira (22), de forma presencial e híbrida, a primeira reunião da Diretoria da NTC&Logística em 2026, conduzida pelo presidente da entidade, Eduardo Rebuzzi, com a participação do vice-presidente Antonio Luiz Leite; do diretor financeiro, José Maria Gomes; dos conselheiros vitalícios Flávio Benatti, José Hélio Fernandes e Urubatan Helou, diretores e representantes de entidades associadas de todo o País.

A reunião marcou o início oficial da agenda institucional de 2026, com uma pauta ampla e estratégica, abordando temas econômicos, jurídicos, trabalhistas, institucionais e técnicos que impactam diretamente o dia a dia das empresas do setor.

Condução da pauta e principais temas debatidos

Na abertura dos trabalhos, o presidente Eduardo Rebuzzi fez uma análise do cenário para 2026, destacando desafios econômicos, regulatórios e institucionais, além das perspectivas de atuação da entidade ao longo do ano. Em sua fala, ressaltou a importância do planejamento, da união do setor e do desempenho institucional da NTC&Logística em defesa do Transporte Rodoviário de Cargas.

Na sequência, a assessora executiva da Presidência, Elisete Balarini, explanou os eventos institucionais da entidade, com destaque para a primeira edição do CONET & Intersindical de 2026, que será realizada nos dias 26 e 27 de fevereiro, no Royal Tulip Brasília Alvorada, em Brasília (DF). A explanação reforçou o papel estratégico dos eventos na integração das lideranças, no fortalecimento das entidades regionais e na construção de pautas nacionais convergentes.

O diretor financeiro, José Maria Gomes, destacou a gestão responsável dos recursos, a solidez financeira da entidade, o compromisso permanente com a transparência e a sustentabilidade institucional, ao concluir a prestação de contas da NTC&Logística referente ao fechamento de dezembro de 2025.

A Medida Provisória nº 1328/2025, voltada ao financiamento e à renovação da frota; os desdobramentos da Comissão Tripartite da Rodovia Presidente Dutra, especialmente quanto à implantação do sistema Free Flow; a Reforma Tributária, com foco no início da fase de transição, no ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) e no planejamento tributário foram os objetos de análise do diretor jurídico, Dr. Marcos Aurélio Ribeiro. Também foram abordados temas do Fórum do Transporte, incluindo PPDs (Pontos de Parada e Descanso) e Piso Mínimo de Frete.

A Coordenação Nacional da COMJOVEM apresentou o planejamento das ações para 2026, com explanação do coordenador nacional Hudson Rabelo e participação dos vice-coordenadores Jéssica Caballero Lopes e Ítalo Grativol, destacando projetos voltados à formação de lideranças, inovação, engajamento dos jovens empresários e fortalecimento institucional da Comissão.

A área de Relações Institucionais foi pontuada pela assessora Edmara Claudino e pelo vice-presidente extraordinário de Assuntos Políticos, José Hélio Fernandes, com atualizações sobre o Projeto de Lei que trata da vistoria veicular obrigatória, propondo alterações na Lei nº 9.503/97 (Código Nacional de Trânsito), além das articulações encetadas junto aos poderes Executivo e Legislativo, acompanhando pautas estratégicas de interesse do setor.

Os assuntos trabalhistas foram relatados pelo assessor jurídico, Dr. Narciso Figueirôa Junior: alterações na NR-1, que passam a ter caráter fiscalizatório a partir de 26 de maio de 2026; mudanças trazidas pela Portaria MTE nº 2.201/2025, que aprovou o Anexo V da NR-16, estabelecendo o pagamento do adicional de periculosidade para motociclistas; tramitação do PL nº 3.935/2008, que amplia gradualmente a licença-paternidade, e as principais decisões do STF, previstas para 2026, sobre trabalho em plataformas digitais, pejotização, contratação e grupo econômico, temas com impacto direto nas relações de trabalho do setor.

Reforçando a atuação técnica, institucional e jurídica da NTC&Logística na defesa do equilíbrio econômico do setor, a assessora jurídica, Dra. Gil Menezes, expôs a atualização do Piso Mínimo de Frete do Transporte Rodoviário de Cargas, por meio da Resolução 6076, de 19/01/2026, da ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres.

Os temas relativos ao DECOPE (Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas), da NTC&Logística, foram desenvolvidos pelo assessor técnico, engo Lauro Valdivia, dando ênfase aos comunicados da NTC sobre os seguintes pontos: (I) a segunda fase da reoneração da folha de pagamentos e (II) a defasagem no frete fracionado. Também foi salentada a pesquisa de mercado para o CONET. O relato do assessor Lauro Valdivia ratificou o papel estratégico da produção de dados técnicos como base para o posicionamento institucional da entidade.

O vice-presidente de Transporte e vice-presidente extraordinário de Segurança da NTC&Logística, Roberto Mira, teceu comentários sobre segurança pública e pontuou ações que vêm sendo vistas no que se refere ao roubo de cargas. Também ressaltou eixos orientativos que vão nortear o trabalho da área durante 2026 e que poderão guiar o setor nos próximos anos.

Ao final da reunião, o presidente Eduardo Rebuzzi fez uma avaliação do encontro, agradeceu o trabalho desenvolvido ao longo de 2025 e destacou a confiança no planejamento traçado para 2026. “Encerramos 2025 com entregas importantes, avanços institucionais e muito trabalho em defesa do Transporte Rodoviário de Cargas. Iniciamos 2026 com planejamento, união e confiança. Os desafios são grandes, mas temos uma Diretoria forte, entidades engajadas e uma equipe técnica altamente qualificada. Seguiremos firmes na construção de soluções, no diálogo institucional e na defesa permanente dos interesses do nosso setor.”

Fronteira Legal! ANTT e Receita Federal unem forças para destravar o transporte entre Brasil e Paraguai

Fronteira Legal! ANTT e Receita Federal unem forças para destravar o transporte entre Brasil e Paraguai

Parceria entre órgãos federais mira a regularização do transporte de cargas leves na fronteira entre as duas nações

Em um movimento estratégico para desatar um nó logístico histórico na Ponte da Amizade, o Diretor da ANTT, Severino Medeiros, e o Secretário Especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, reuniram-se nesta quarta-feira (21/1), em Brasília. O encontro marca o nascimento de uma parceria robusta entre as duas maiores forças de regulação e fiscalização do país, com o objetivo de retirar da “zona cinzenta” o transporte de cargas leves (até 8 toneladas) entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este. A articulação entre a Agência e o Ministério da Fazenda sinaliza que o Estado brasileiro não apenas reconhece a lacuna regulatória atual, mas está agindo com rapidez para oferecer uma estrutura jurídica sólida que substitua o improviso pela eficiência. Na reunião, também foi reforçada a importância da participação do setor privado no debate do tema.

O Diretor da ANTT, Severino Medeiros, destacou que a segurança jurídica é o combustível do desenvolvimento. Segundo o diretor, a criação de regras claras em conjunto com o Paraguai é fundamental para garantir a integridade dos transportadores e das mercadorias, acabando com a insegurança de quem opera na fronteira. Ao abrir diálogo com entidades do setor, o diretor posicionou a ANTT como uma facilitadora da logística internacional, buscando um modelo de operação que atenda às demandas reais do mercado sem abrir mão do controle rigoroso que a travessia exige.

A parceria entre a ANTT e a Receita Federal do Brasil simboliza a união da inteligência regulatória com a eficiência aduaneira. Ao estabelecer normas precisas para os caminhões de pequeno porte, as instituições não apenas combatem a irregularidade, mas potencializam a competitividade do Brasil no comércio com o Paraguai. O alinhamento institucional entre Medeiros e Barreirinhas garante que o controle de transporte e a fiscalização tributária caminhem juntos, eliminando gargalos burocráticos e promovendo uma operação segura que beneficia diretamente o desenvolvimento e a competitividade do comércio exterior.

Para o Brasil e o Paraguai, a regularização desses caminhões leves vai transformar a dinâmica econômica da região, atraindo mais investimentos e profissionalizando o setor. Ao resolver essa questão histórica, a ANTT e a RFB aumentam a segurança nacional nas fronteiras e fortalecem os laços do Mercosul, garantindo que a integração entre as duas nações seja feita sob a luz da legalidade e da eficiência operacional. O avanço das negociações nas próximas semanas deve consolidar o marco de como parcerias entre órgãos federais podem modernizar a economia, a segurança e o desenvolvimento do Brasil e do Paraguai.

Infra S.A. abre consulta pública de 18 normativos ambientais com regras para grandes obras e licenciamento ambiental de empreendimentos de infraestrutura

Infra S.A. abre consulta pública de 18 normativos ambientais com regras para grandes obras e licenciamento ambiental de empreendimentos de infraestrutura

Medidas ampliam proteção à biodiversidade e reforçam segurança jurídica nos empreendimentos

Para elevar o padrão ambiental das grandes obras públicas de infraestrutura no país e consolidar um marco técnico unificado, a Infra S.A. abriu consulta pública para 18 normativos técnicos de gestão socioambiental que vão orientar todos os empreendimentos e licenciamentos ambientais conduzidos pela empresa.

Até o dia 12 de fevereiro é possível enviar sugestões, críticas e propostas de aperfeiçoamento para normas que abrangem temas como recuperação de áreas degradadas, controle de supressão vegetal, proteção de mananciais, educação ambiental e gestão de ruídos.

Entre os destaques, está a norma sobre passagens de fauna, que regulamenta critérios técnicos para a implantação de dispositivos que permitem que animais silvestres possam cruzar rodovias e ferrovias em segurança. O objetivo é minimizar os impactos dos empreendimentos de infraestrutura de transportes na vida silvestre, evitando o isolamento de populações animais e reduzindo atropelamentos.

De acordo com o diretor-presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, a relevância desta consulta pública responde tanto às exigências do licenciamento ambiental quanto à necessidade de uniformizar procedimentos em contratos, projetos executivos e fiscalização de obras em diferentes regiões do país, destaca.

“Em um portfólio que inclui projetos logísticos estratégicos como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO) e o trecho pernambucano da Ferrovia Nova Transnordestina, além das carteiras de concessões conduzida pelo Ministério dos Transportes e pelo Ministério de Portos e Aeroportos, as regras definidas nos normativos vão orientar estudos de impacto, estabelecer parâmetros para mitigar danos à biodiversidade e impor critérios de monitoramento mais rigorosos”.

Ainda segundo o diretor, a padronização facilitará auditorias, fiscalizações e a prestação de contas aos órgãos de controle, além de contribuir para maior transparência nas ações realizadas pela empresa.

Prazo e como contribuir

A consulta ocorre eletronicamente, por meio de formulário disponível no site da Infra S.A., pelo link: https://www.infrasa.gov.br/consultas-publicas/ 

A chamada pública é aberta a indivíduos, organizações não governamentais, associações empresariais e demais partes interessadas. Contribuições enviadas fora do prazo não serão consideradas no processo de consolidação das normas.

Cegonheiros enfrentam retração em 2025 e veem em 2026 esperança com crédito e feira do setor

Cegonheiros enfrentam retração em 2025 e veem em 2026 esperança com crédito e feira do setor

O ano de 2025 foi marcado por dificuldades para as empresas que realizam o transporte rodoviário de caminhões novos, refletindo a queda nas vendas do setor. De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o mercado encerrou o período com uma retração de 8,7%, totalizando 110.873 unidades comercializadas, contra 121.373 no ano anterior.

Segundo a entidade, a queda foi puxada principalmente pela menor demanda por caminhões extrapesados – categoria que historicamente responde por 45% a 50% dos licenciamentos, tornando o resultado ainda mais atípico.

Para Danilo Guedes, CEO da ABC Cargas, transportadora especializada nesse serviço há 28 anos, o período exigiu reposicionamento. “Empresas e autônomos que planejavam renovar suas frotas esbarraram em juros elevados, o que freou as vendas e reduziu nossa movimentação. Tivemos que buscar alternativas para superar esse cenário”, explica.

Perspectivas para 2026: crédito, feira e renovação inevitável

Apesar do tombo no ano passado, a expectativa para 2026 é de recuperação gradual, com apoio de melhorias no crédito e maior estabilidade econômica. Recentemente, o BNDES anunciou o programa Move Brasil, que disponibilizará R$ 10 bilhões em financiamentos com juros reduzidos para a compra de caminhões.

“Em algum momento, a renovação da frota se tornará inevitável, seja por questões operacionais, de eficiência ou por exigências legais”, avalia Guedes. Outro fator que deve estimular a retomada é a realização da Fenatran, principal feira do setor na América Latina, que reúne montadoras, fabricantes de implementos e empresas de logística.

“O evento tende a gerar um ambiente mais favorável às decisões de compra e impactar positivamente toda a cadeia, incluindo empresas como a nossa”, destaca o executivo.

Preparação para um novo ciclo

Com quase três décadas de atuação, a ABC Cargas tem se preparado para um possível reaquecimento do mercado. “Mesmo em 2025, trabalhamos na otimização operacional, no ajuste de processos e na manutenção de nossos padrões de serviço”, afirma Guedes.

Ele ressalta, no entanto, que 2026 exigirá atenção a variáveis externas, como o cenário global, mudanças regulatórias e a agenda ambiental – fatores que influenciarão as estratégias de montadoras e transportadores.

“O setor vive uma transformação constante. Estamos cautelosamente otimistas, mas cientes de que será um ano que demandará gestão ágil e capacidade de adaptação”, conclui.

Otimizações da Régis Bittencourt e da Via Brasil fortalecem investimentos em corredores logísticos estratégicos

Otimizações da Régis Bittencourt e da Via Brasil fortalecem investimentos em corredores logísticos estratégicos

Com aval unânime do TCU, Ministério dos Transportes avança na reestruturação das concessões das rodovias BR-116/SP/PR e BR-163/MT/PA

A otimização contratual proposta pelo Ministério dos Transportes para duas rodovias federais estratégicas, a Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR), administrada pela Arteris, e a Via Brasil (BR-163/MT/PA), operada pelo grupo Conasa, foi aprovada por unanimidade, nesta quarta-feira (21), pelo Tribunal de Contas da União (TCU). As concessões irão a novo leilão em 2026, com o objetivo de corrigir desequilíbrios econômico-financeiros, garantir a retomada de investimentos e assegurar a prestação de serviços adequados aos usuários.

“Hoje foi um dia muito importante para o setor de infraestrutura. Com essa aprovação, já são quatro leilões confirmados para o primeiro semestre de 2026. Trata-se de duas otimizações que permitem a retomada imediata de obras em corredores logísticos estratégicos”, afirmou a secretária nacional de Transporte Rodoviário, Viviane Esse.

A iniciativa integra uma série de repactuações de estradas concedidas no país, atendendo à necessidade de ajustar os contratos às condições econômicas, de modo a assegurar a funcionalidade e a modernização dos empreendimentos diante do elevado fluxo de veículos e dos investimentos exigidos.

Régis Bittencourt

Com 383 quilômetros de extensão, a BR-116/SP/PR atravessa 16 municípios e constitui um dos principais eixos logísticos entre as regiões Sul e Sudeste. O novo acordo prevê mais de R$ 11 bilhões em investimentos, com prazo de execução de 15 anos para a concessionária vencedora do certame.

Entre as intervenções previstas, estão mais de 90 quilômetros de iluminação em pontos críticos, cerca de 88 quilômetros de terceiras faixas, além de melhorias nos acessos, implantação de passarelas, ciclovias e passagens de fauna, contribuindo para mais segurança viária e fluidez do tráfego.

Via Brasil

A BR-163/MT/PA possui 1.009 quilômetros de extensão entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), passando por 13 municípios e impactando diretamente cerca de 600 mil pessoas. O trecho é estratégico para o escoamento da produção de grãos do Centro-Oeste aos portos do Arco Norte, desempenhando papel fundamental na logística nacional.

O novo contrato prevê R$ 15 bilhões em investimentos ao longo do período de concessão. Entre as obras programadas, estão 245 quilômetros de duplicações, implantação de faixas adicionais, vias marginais e melhorias nos acessos aos portos, ampliando a capacidade da rodovia e fortalecendo a competitividade do transporte rodoviário.

Presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi se reúne com a equipe da entidade em São Paulo para balanço de 2025 e projeções para 2026

Presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi se reúne com a equipe da entidade em São Paulo para balanço de 2025 e projeções para 2026

O presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, reuniu-se ontem, 21 de janeiro, na subsede da entidade, em São Paulo, com a Diretoria Executiva, formada pelo próprio presidente, pelo vice-presidente, Antonio Luiz Leite, e pelo diretor financeiro, José Maria Gomes, e com a equipe de assessores e colaboradores da entidade.

O encontro teve como objetivo promover um momento de alinhamento institucional, apresentar um balanço do trabalho desenvolvido ao longo de 2025 pela entidade e por todo o seu corpo técnico, bem como contextualizar o papel estratégico da NTC&Logística no cenário do Transporte Rodoviário de Cargas.

Durante a reunião, os participantes puderam avaliar suas atividades, compartilhar percepções sobre os trabalhos realizados e levar sugestões para conhecimento da Diretoria Executiva. Entre os pontos destacados, esteve a importância de fortalecer a comunicação institucional e ampliar a divulgação do trabalho desenvolvido pela Associação, como forma de dar maior visibilidade às ações da NTC&Logística, atrair novos associados e promover a conscientização de parceiros sobre o papel que a entidade ocupa no setor.

As contribuições, orientações e sugestões apresentadas durante o encontro serão analisadas e trabalhadas ao longo de 2026. Parte dessas ideias já passa a nortear as ações da entidade a partir de agora, contribuindo para o aprimoramento contínuo de suas estratégias e para o fortalecimento institucional nos próximos anos.

Da esquerda para a direita: José Maria Gomes; Eduardo Rebuzzi e Antonio Luiz Leite

Para o presidente Eduardo Rebuzzi, a reunião representou um momento fundamental de escuta, alinhamento e construção conjunta. “Foi um momento muito importante de troca, com a participação da Diretoria Executiva, dos nossos assessores e colaboradores, que são quem fazem a entidade acontecer no dia a dia. Temos boas expectativas para 2026, mesmo diante dos grandes desafios que teremos pela frente. Será um ano de agenda intensa, tanto no âmbito do setor quanto na agenda política do país, além de todas as atividades que já estão previstas”, destacou.

O presidente também agradeceu o empenho de todas as áreas da NTC&Logística e ressaltou a importância da parceria permanente com os associados, entidades, sindicatos e federações, bem como com todo o Sistema Transporte (CNT, SEST SENAT e ITL), reforçando que o trabalho conjunto é essencial para o fortalecimento da entidade e para a defesa dos interesses do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil.

O custo da logística no PIB brasileiro

O custo da logística no PIB brasileiro

Parte relevante do custo logístico está associado à formação recorrente de filas em pontos da infraestrutura, em especial nos acessos portuários e nas atracações de navios

Entre gargalos estruturais, fragmentação institucional e baixa integração de dados, o Brasil ainda paga caro para mover sua produção. Estudos setoriais recentes indicam que os custos logísticos no Brasil nos últimos anos se situam entre 15% e 18% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional — cerca de R$ 1,83 trilhões em 2024, de acordo com o Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS).

Esse percentual é significativamente superior ao observado em economias desenvolvidas, como a dos Estados Unidos, que se encontra em torno de 8% do PIB americano.

Análises publicadas pela MundoLogística e pelo ILOS apontam também que o patamar brasileiro é fortemente associado à dependência do modal rodoviário, à volatilidade dos preços de frete e até mesmo às condições de armazenagem que, por vezes, são incapazes de acompanhar a produção (como aconteceu em 2025, devido à super safra brasileira), forçando a venda a preços mais baixos, elevando a demanda por transporte emergencial e prejudicando a competitividade nacional.

Ainda que a infraestrutura física seja frequentemente apontada como o principal gargalo, estudos técnicos destacam a relevância crescente de fatores institucionais, informacionais e decisórios.

A fragmentação do planejamento logístico, aliada ao uso limitado de ferramentas analíticas e de simulação, reduz a eficiência sistêmica e amplia os custos indiretos ao longo de toda a cadeia. Assim, parte relevante do custo logístico brasileiro está associado à formação recorrente de filas em pontos críticos da infraestrutura, em especial nos acessos portuários e nas operações de atracação de navios.

Em 2025, conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 86,83% de tudo que foi exportado pelo Brasil (em US$ FOB) aconteceram por via marítima.

A ausência ou, ainda, o pouco uso de ferramentas de planejamento e otimização, tais quais modelos de alocação de berços, simulação de filas, análise preditiva das chegadas, revisão e otimização de layouts que considerem e adequem espaços para amortização interna dos fluxos, revisão de processos, condições de atendimento – entre outros – resultam em esperas elevadas, nas quedas de produtividade e produção, no aumento do consumo de combustível, em pagamentos de sobrestadias e na imobilização de ativos de alto valor.

Segundo o Valor Econômico e a Revista Ferroviária, em 2024 o Brasil teve um custo de US$ 2,3 bilhões – cerca de R$ 13 bilhões em conversão direta – com demurrage, ou seja, gastos com a sobrestadia de navios nos portos, causados principalmente por gargalos da infraestrutura. Esses custos, embora nem sempre visíveis de forma direta, acabam incorporados ao custo logístico agregado do país.

Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Plano Nacional de Logística (PNL), aproximadamente 62% da carga transportada no Brasil utiliza o modal rodoviário, enquanto o ferroviário responde por cerca de 19% e o aquaviário, incluindo hidrovias e cabotagem, por aproximadamente 15%. Essa predominância rodoviária implica em maiores custos unitários a cada tonelada movimentada por quilômetro, especialmente em longas distâncias, impactando diretamente o custo logístico agregado.

Diretrizes técnicas e simulações de cenário apresentadas no Plano Nacional de Logística (PNL 2025) indicam que um conjunto coordenado de intervenções estruturantes, incluindo o aumento da participação de modais de maior capacidade (como o ferroviário e o aquaviário), pode resultar em uma redução da ordem de 16% no custo total de transporte, o que equivale a cerca de 0,8% do PIB.

Esses ganhos decorrem não apenas dos menores custos unitários com frete, mas também da maior previsibilidade operacional, da redução de gargalos e da mitigação de congestionamentos nos principais corredores logísticos do país, através da aplicação de ferramentas computacionais e métodos analíticos específicos aplicados ao negócio.

A redução do custo logístico brasileiro depende menos de investimentos isolados e mais de decisões integradas, do uso intensivo de dados, da adoção de ferramentas de planejamento e reequilíbrio modal. Os próximos anos podem ser decisivos para transformar a logística em uma efetiva vantagem competitiva nacional.

ANIP registra forte queda nas vendas de pneus em 2025

ANIP registra forte queda nas vendas de pneus em 2025

O setor de pneus do Brasil encerrou 2025 com vendas menores em comparação a 2024. Foram comercializadas 37,7 milhões de unidades no ano, contra 40 milhões em 2024, uma redução de 5,8%. A produção também foi menor, com 2,3 milhões de pneus fabricados a menos, de acordo com a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP).

A queda foi influenciada principalmente pelo segmento de reposição, que recuou 7,5%, com 25,3 milhões de unidades vendidas — 2,1 milhões a menos que no ano anterior. As vendas para montadoras também diminuíram 2,1%, passando de 12,6 milhões para 12,4 milhões de unidades.

No segmento de pneus de passeio, que representa a maior parte do mercado, as vendas caíram 5,4%. A reposição recuou 7,2% e as vendas para montadoras, 1,8%.

No segmento de pneus de carga, as vendas totalizaram 6,1 milhões de unidades em 2025, contra 6,7 milhões em 2024, uma queda de 7,7%. As vendas de pneus nacionais para motocicletas, no mercado de reposição, recuaram 11,3% na comparação com 2024.

O presidente da ANIP, Rodrigo Navarro, atribui parte do resultado ao aumento das importações, principalmente da Ásia, que, segundo ele, entram no país a preços baixos e afetam a indústria nacional. Ele também mencionou que os processos contra práticas desleais de comércio são lentos e custosos.

A participação da indústria nacional no mercado doméstico caiu de 73% em 2020 para 41% em 2025, enquanto as importadas passaram de 27% para 59% no mesmo período.

Dezembro de 2025

Em dezembro de 2025, as vendas de pneus caíram 12,7% na comparação com novembro. A redução foi puxada pelo segmento de montadoras, que recuou 25%. O mercado de reposição registrou queda de 9,3%.

Na comparação com dezembro de 2024, a queda total foi de 13,1%, com recuo de 17,4% nas vendas para montadoras e de 12,1% na reposição.

Agro paulista exporta US$ 4,14 bilhões para a União Europeia em 2025

Agro paulista exporta US$ 4,14 bilhões para a União Europeia em 2025

Expectativa para 2026 é de crescimento acima dos 5% registrados nos últimos 12 meses a partir do acordo comercial Mercosul–União Europeia

A União Europeia se consolidou, em 2025, como o segundo maior destino das exportações do agronegócio paulista, movimentando US$ 4,14 bilhões e respondendo por 14,4% de todas as vendas externas do setor. O desempenho reforça a relevância do bloco europeu para São Paulo e projeta um cenário de ampliação do comércio exterior com a formalização do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.

“Os resultados dos embarques de 2025 são relevantes para o agronegócio paulista e se tornam ainda mais promissores diante da concretização do acordo comercial entre o Brasil e a União Europeia. Trata-se de um entendimento construído ao longo de mais de duas décadas, que inaugura uma nova configuração nas relações comerciais entre os dois blocos e cria oportunidades concretas para a ampliação das exportações de produtos como café, carnes e frutas”, destacou o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho.

Dados da última balança comercial indicam que, em 2025, as transações do agro paulista com a União Europeia cresceram 5% em relação ao ano anterior. O bloco europeu responde por 14,4% das exportações do setor, ficando atrás apenas da China, que concentra 23,9% do total embarcado.

Infraestrutura logística

Dentro desse fluxo comercial com o mercado europeu, os Países Baixos se destacam como uma importante porta de entrada dos produtos paulistas no continente, com papel relevante na logística de distribuição. Em 2025, mais de 1 milhão de toneladas de produtos do agro paulista foram exportadas para o país, movimentando aproximadamente US$ 1,3 bilhão.

Levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), aponta que os principais itens exportados para os Países Baixos foram suco (300 mil toneladas), celulose (236 mil toneladas) e o complexo sucroalcooleiro (143 mil toneladas). Esse desempenho também contribuiu para o superávit da balança comercial paulista do agronegócio, que alcançou US$ 23 bilhões em 2025.

Para o diretor da How2Go do Brasil, consultoria multinacional especializada em internacionalização de empresas, Marcelo Vitali, o mercado europeu tem papel central na demanda global por frutas brasileiras, com os Países Baixos exercendo função logística estratégica. “O Porto de Roterdã redistribui frutas paulistas para diversos mercados europeus, ampliando o alcance do exportador para países como Alemanha, Reino Unido, França e nações nórdicas. Além disso, é um mercado que valoriza a qualidade, o que permite ao produtor brasileiro agregar valor”, afirmou.

Diversas empresas e cooperativas paulistas utilizam esse corredor logístico para expandir sua presença internacional. Fundada em 2012, a Cooperativa Agroindustrial APPC, localizada em Pilar do Sul, no interior do estado, comercializa produtos como caqui Fuyu e Rama Forte, reconhecidos pela elevada qualidade, padronização, rastreabilidade e conformidade com rigorosos protocolos fitossanitários e de sustentabilidade.

Com atuação consolidada no comércio exterior, a APPC exporta sua produção para diferentes países. “No mercado europeu, especialmente nos Países Baixos, eles distribuem a nossa mercadoria para toda a Europa, o que amplia o alcance das frutas comercializadas pela cooperativa e reforça sua relevância na cadeia internacional de abastecimento”, destacou Jéssica Bastos, do setor de exportação da cooperativa.

A expectativa de avanço nas exportações também está associada à formalização do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, aprovado recentemente pelos países europeus, em reunião realizada no dia 9 de janeiro de 2025, em Bruxelas. A assinatura ocorreu no sábado (17/01), no Paraguai, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Cooperação entre São Paulo e os Países Baixos

Para fortalecer ainda mais as relações comerciais e estimular a inovação tecnológica no agro paulista, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento mantém diálogo permanente com o Consulado Geral dos Países Baixos em São Paulo, com foco na cooperação técnica e no intercâmbio de tecnologias.

O plano estratégico prevê a adaptação de soluções desenvolvidas no país europeu às condições brasileiras, além da realização de pesquisas conjuntas voltadas à superação de gargalos produtivos e à atração de investimentos.

“Em muitos casos, não é preciso criar algo do zero. Tecnologias e pesquisas desenvolvidas em outros países podem ser adaptadas às nossas condições, permitindo inovação mais rápida, eficiente e com resultados sob medida”, ressaltou o secretário executivo da SAA, Alberto Amorim.

A conselheira agrícola da Embaixada dos Países Baixos no Brasil, Inge Horstmeier, reforçou a importância de São Paulo para o mercado europeu. “O estado é estratégico por produzir derivados de soja, frutas cítricas, açúcar, café, carnes e matérias-primas para bioenergia. Os Países Baixos são um importante importador, com elevados padrões de qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade, valores essenciais tanto para a União Europeia quanto para o nosso país”, afirmou.

Porto de Rio Grande (RS) receberá R$ 24 bilhões para logística de exportação de celulose

Porto de Rio Grande (RS) receberá R$ 24 bilhões para logística de exportação de celulose

Projeto prevê novos terminais, renovação da frota marítima e reforço da infraestrutura de exportação no Sul do país

O Porto de Rio Grande (RS) deve ampliar a relevância na logística nacional de exportação de celulose, com investimentos estimados em R$ 24 bilhões voltados à implantação de infraestrutura portuária e à organização da cadeia de escoamento da produção. O anúncio foi feito na terça-feira (20), durante cerimônia realizada no terminal gaúcho, com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.

O evento marcou a assinatura do contrato de adesão do Terminal de Uso Privado (TUP) vinculado ao Projeto Natureza, da CMPC, no Porto de Rio Grande, além da formalização de contratos do Programa Mar Aberto, iniciativa voltada à renovação da frota de apoio marítimo. O empreendimento envolve a implantação de uma nova unidade industrial de celulose em Barra do Ribeiro (RS) e a estruturação da logística de exportação, integrando porto, hidrovias e transporte marítimo.

Os contratos do Programa Mar Aberto somam R$ 2,8 bilhões em investimentos, destinados à construção de embarcações, com impacto direto na logística marítima e na indústria naval brasileira.

Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo atua para reposicionar o Porto de Rio Grande como vetor de desenvolvimento econômico. “A gente quer criar todas as condições para que esse porto volte a funcionar com toda a força possível. Porto forte significa emprego, renda, indústria funcionando e comida chegando mais barata na mesa do povo. Quando o Estado investe, a economia cresce, o Brasil exporta mais e quem trabalha sente a diferença na vida real”, declarou.

INFRAESTRUTURA LOGÍSTICA E CAPACIDADE DE ESCOAMENTO

O Projeto Natureza deve impactar mais de 75 municípios no Rio Grande do Sul e gerar cerca de 12 mil postos de trabalho durante as obras, além de aproximadamente 1,5 mil empregos permanentes após a conclusão. Com a ampliação da produção, a expectativa é de um escoamento superior a 4,3 milhões de toneladas de celulose por ano, volume que motivou a implantação de dois novos Terminais de Uso Privado no estado, localizados em Rio Grande e Barra do Ribeiro, com investimentos estimados em R$ 1,4 bilhão.

No Porto de Rio Grande, o novo TUP terá capacidade para movimentar até 9 milhões de toneladas por ano a partir do 11º ano de operação, com infraestrutura de armazenagem para cerca de 194 mil toneladas e possibilidade de operação simultânea de dois navios. A operação do terminal deve gerar mais de 400 empregos diretos e cerca de 2,1 mil indiretos, além de aproximadamente 1,5 mil postos de trabalho durante a fase de construção. O contrato de adesão foi assinado em 7 de janeiro de 2026.