Preço do diesel importado pelo Brasil sobe e atinge maior patamar em dois meses

Preço do diesel importado pelo Brasil sobe e atinge maior patamar em dois meses

Cotações voltaram a aumentar com queda das importações da Rússia e alta do barril

O preço de paridade de importação (PPI) do diesel atingiu a média de R$ 5,279 por litro na semana de 13 a 17 de julho, o maior patamar em dois meses. É uma alta de 13% em relação à semana anterior.

Já o litro da gasolina importada ficou, em média, a R$ 3,60, aumento de 8,65% na comparação semanal.

Os cálculos são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com base em informações da S&P Global Commodity Insights.

O aumento coincide com a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que elevou o preço do barril de petróleo no mercado internacional em julho, depois de um alívio em junho.

Na segunda-feira (20/7), o Brent para setembro encerrou em alta de 1,27% (US$ 1,12), a US$ 89,22 o barril.

O impacto é global: nos EUA, a gasolina também ficou mais cara e voltou a superar a marca de US$ 4 por galão. (Reuters/Valor)

Além disso, o Brasil também vive uma queda nas importações de diesel russo desde o mês passado.

Em junho, a compra de diesel da Rússia despencou, em meio à guerra com a Ucrânia. A infraestrutura russa vem sofrendo ataques, com diversos danos a refinarias e terminais de exportação.

O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, portanto a alta do combustível comprado no exterior tem impactos na inflação.

O aumento nos preços coincide também com o início do desmonte das subvenções adotadas pelo governo brasileiro para lidar com os impactos da guerra.

No início de julho, o governo deu fim ao cashback do diesel, de R$ 0,36 por litro. Portanto, agora permanece valendo apenas a subvenção de R$ 1,12.

NTC&Logística realiza primeira reunião do Comitê ESG e inicia construção da agenda estratégica para o setor

NTC&Logística realiza primeira reunião do Comitê ESG e inicia construção da agenda estratégica para o setor

Encontro reuniu empresas e entidades associadas interessadas em contribuir para o desenvolvimento de iniciativas ambientais, sociais e de governança no Transporte Rodoviário de Cargas

A NTC&Logística realizou, nesta segunda-feira (20), a primeira reunião oficial do seu Comitê ESG. O encontro, realizado de forma remota, marcou o início dos trabalhos do grupo e reuniu representantes de empresas e entidades associadas interessadas em contribuir para a construção de uma agenda estratégica voltada às práticas ambientais, sociais e de governança no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC).

A abertura da reunião foi conduzida pelo presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, e pela vice-presidente extraordinária da Pauta ESG, Joyce Bessa. Também acompanharam o encontro a assessora executiva da Presidência, Elisete Balarini, e o assessor de Comunicação e Imprensa da entidade, Rodrigo Bernardino.

Durante sua fala, Eduardo Rebuzzi destacou que a criação do Comitê ESG faz parte da estratégia da NTC&Logística de promover discussões técnicas sobre temas que impactam diretamente o presente e o futuro do setor. “A NTC&Logística tem buscado criar grupos técnicos capazes de aprofundar debates e construir soluções para os desafios do Transporte Rodoviário de Cargas. O Comitê ESG nasce com esse propósito, reunindo profissionais e empresas para discutir temas relevantes, compartilhar experiências e fortalecer uma agenda que já é estratégica para o desenvolvimento sustentável do setor.”

Na sequência, Joyce Bessa apresentou o histórico da atuação da entidade na pauta ESG e ressaltou a importância da participação ativa das empresas associadas na construção do grupo de trabalho. “O ESG é uma pauta que exige diálogo, conhecimento e construção coletiva. O Comitê será um espaço permanente para troca de experiências, desenvolvimento de projetos e identificação de oportunidades que contribuam para a evolução das empresas e do setor. A participação das associadas é fundamental para que possamos construir iniciativas alinhadas à realidade do Transporte Rodoviário de Cargas.”

Durante a reunião, os participantes tiveram a oportunidade de se apresentar, compartilhar suas experiências e expor como a pauta ESG vem sendo desenvolvida em suas organizações. Também foram apresentadas as diretrizes do Comitê, sua estrutura organizacional, os objetivos estratégicos, o calendário de atividades e as principais linhas de atuação para os próximos anos.

Os participantes conheceram ainda o histórico da atuação da NTC&Logística na pauta ESG, incluindo a criação da Vice-Presidência Extraordinária da Pauta ESG, a parceria com a Domani Global, a parceria com a Childhood Brasil, a participação na Coalizão do Transporte da CNT, as iniciativas de neutralização de carbono em eventos promovidos pela entidade e os projetos desenvolvidos pela COMJOVEM em todo o Brasil.

Entre os principais objetivos do Comitê, estão a promoção do diálogo permanente entre as empresas associadas, o compartilhamento de boas práticas, a construção de iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável do TRC e a identificação de tendências e desafios relacionados à agenda ESG. O grupo também atuará em temas ligados aos três pilares da sustentabilidade: ambiental, social e governança.

No campo ambiental, os debates estarão voltados para temas como descarbonização, eficiência energética e gestão de resíduos. Já na esfera social, o foco será a valorização das pessoas, a diversidade, a inclusão e a segurança viária. Em governança, os trabalhos buscarão fortalecer práticas relacionadas à ética, transparência, compliance, gestão de riscos e indicadores de desempenho.

O encontro também abriu espaço para um amplo debate sobre as prioridades do Comitê, os principais desafios enfrentados pelo setor e sugestões de atuação para os próximos encontros. Como encaminhamento, foram definidas as próximas etapas dos trabalhos, incluindo a formação de grupos temáticos, a estruturação dos canais de comunicação e a elaboração do cronograma de atividades para o segundo semestre de 2026.

A NTC&Logística informa que empresas e entidades associadas que ainda não manifestaram interesse em participar do Comitê ESG poderão integrar os trabalhos. Para isso, basta entrar em contato pelo e-mail presidencia@ntc.org.br e solicitar informações sobre a participação no grupo.

A próxima reunião do Comitê ESG da NTC&Logística está prevista para setembro, dando continuidade à construção de uma agenda colaborativa voltada ao fortalecimento da sustentabilidade, da governança e da responsabilidade social no Transporte Rodoviário de Cargas.

Últimas semanas para participar do 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte de Cargas, em São Paulo

Últimas semanas para participar do 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte de Cargas, em São Paulo

Evento promovido pela NTC&Logística aprofundará o debate sobre segurança pública, inteligência e ações integradas para o enfrentamento aos crimes contra o Transporte Rodoviário de Cargas

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) realizará, no dia 6 de agosto de 2026, em sua subsede, em São Paulo (SP), o 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). Consolidado no calendário institucional da entidade, o Encontro tem como objetivo ampliar o debate sobre os crimes que impactam a cadeia logística nacional, reunindo empresários, executivos, representantes de entidades do setor, autoridades públicas, forças de segurança e especialistas de diversas regiões do Brasil. As inscrições vão até dia 3 de agosto de 2026.

O evento contará com painéis temáticos, debates técnicos, apresentação de soluções tecnológicas e espaços de integração entre os setores público e privado, com foco na prevenção e no combate ao roubo, furto e receptação de cargas. A programação também abordará a atuação das organizações criminosas, os desafios enfrentados pelas empresas transportadoras e a construção de propostas voltadas ao fortalecimento da segurança no transporte rodoviário de cargas.

De acordo com o Diagnóstico Nacional do Roubo de Cargas, desenvolvido pela Assessoria de Segurança da NTC&Logística, foram registradas 8.570 ocorrências de roubo de cargas em 2025, uma redução de 16,7% em comparação com 2024. Apesar da queda dos registros, o impacto econômico permanece elevado. O prejuízo direto estimado é de aproximadamente R$ 900 milhões, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão quando considerados os efeitos indiretos, como o aumento dos custos operacionais, dos seguros e o reflexo no preço final dos produtos.

Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, os números demonstram que o trabalho conjunto entre o setor privado e o poder público vem produzindo resultados, mas também evidenciam que o enfrentamento ao crime precisa ser permanente. “A redução dos índices é um sinal importante, mas está longe de representar que o problema foi solucionado. O Transporte Rodoviário de Cargas continua sendo alvo da atuação de organizações criminosas altamente estruturadas, e o combate à receptação permanece como um dos principais desafios. Este Encontro Nacional reafirma o compromisso da NTC&Logística de reunir autoridades, especialistas e lideranças do setor para discutir soluções, compartilhar experiências e fortalecer uma agenda nacional de segurança para o transporte de cargas.”

O vice-presidente extraordinário de Segurança da NTC&Logística, Roberto Mira, destaca que a terceira edição amplia o papel do Encontro como espaço permanente de diálogo e cooperação. “Chegamos à terceira edição convictos de que a integração entre transportadores, órgãos de segurança, poder público e iniciativa privada é o caminho mais eficiente para enfrentar a criminalidade. O evento permitirá avaliar a evolução dos indicadores, conhecer novas tecnologias, discutir estratégias regionais e fortalecer a inteligência aplicada à proteção das operações logísticas. Segurança no transporte é um compromisso permanente e exige atuação coordenada de todos os envolvidos.”

Desde 1998, a NTC&Logística desenvolve, por meio de sua Assessoria de Segurança, ações permanentes voltadas ao enfrentamento dos crimes praticados contra o transporte rodoviário de cargas. Ao longo dessa trajetória, a entidade tem atuado na elaboração de estudos técnicos, propostas legislativas, diagnósticos nacionais, articulações institucionais e iniciativas que contribuem para o fortalecimento da segurança pública, da atividade transportadora e da cadeia logística brasileira.

As informações sobre a programação e as inscrições para o 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas estão disponíveis no Portal NTC&Logística, clicando aqui.

Associados da NTC&Logística têm inscrição gratuita. Para não associados, o valor da inscrição é de R$ 300,00.

Programação Preliminar

8h

Credenciamento

8h30 às 9h

Abertura

9h às 9h20

Segurança Logística, Crime Organizado e Mercados Ilícitos: Contextualização e Desafios para o Brasil

Palestrante: 

Dr. Waldomiro Milanesi

Delegado de Polícia e Especialista em Segurança

9h20 às 10h10

Impactos da Criminalidade sobre a Produção, a Circulação e o Desenvolvimento Econômico

Palestrante: 

Cassio Augusto Muniz Borges

Assessor Especial da Presidência da CNI – Confederação Nacional da Indústria

10h10 às 11h

Segurança Pública, Crime Organizado e os Desafios Contemporâneos do Estado Brasileiro

Palestrante: 

Dr. Lincoln Gakiya

Promotor de Justiça

GAECO – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado -Ministério Público do Estado de São Paulo

11h às 11h50

Diagnósticos e Tendências da Criminalidade no Brasil: Impactos sobre a Segurança Pública, a Economia e o Desenvolvimento Nacional

Palestrante: 

Renato Sérgio de Lima

Presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública – FBSP

11h50 às 12h40

Políticas Públicas de Segurança e Integração Institucional

Palestrante: 

Francisco Lucas Costa Veloso

Secretário Nacional de Segurança Pública – SENASP / MJSP

12h40 às 13h – Encerramento

•Síntese dos trabalhos desenvolvidos

•Considerações sobre a continuidade das ações da Aliança Nacional pela Segurança Logística

•Encerramento oficial do 3º Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas

Realização: 

  • Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística

Apoio Institucional

  • Sistema Transporte (CNT / SEST SENAT / ITL)
  • Fundação Memória do Transporte – FuMTran
Aprovação ambiental de caminhões chega a 98,3% em São Paulo

Aprovação ambiental de caminhões chega a 98,3% em São Paulo

Número de inspeções cresce 35% e reforça manutenção preventiva como aliada da eficiência operacional e da redução de emissões

Os caminhões avaliados pelo Programa Despoluir alcançaram índice de aprovação ambiental de 98,3% no Estado de São Paulo no primeiro semestre de 2026, indicando que a maior parte da frota inspecionada permaneceu dentro dos limites de emissão de poluentes.

Ao mesmo tempo, o número de avaliações ambientais realizadas cresceu cerca de 35% na comparação com o mesmo período do ano passado, refletindo o uso cada vez mais frequente da ferramenta pelas transportadoras para acompanhar as condições de seus veículos.

Levantamento da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (Fetcesp), responsável pela execução do programa no estado, mostra que foram realizadas 6.561 avaliações entre janeiro e junho deste ano, ante 4.853 no primeiro semestre de 2025.

Criado pelo Sistema Transporte – formado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), pelo SEST SENAT e pelo Instituto de Transporte e Logística (ITL) –, o Programa Despoluir realiza gratuitamente a medição da opacidade da fumaça emitida por veículos movidos a diesel, permitindo identificar falhas na combustão e na manutenção dos motores.

Embora o índice de aprovação tenha recuado ligeiramente em relação aos 99,2% registrados em 2025, o resultado permanece acima dos 97,9% observados em 2022, indicando que a conformidade ambiental da frota segue em patamar elevado.

Os dados também apontam melhora na qualidade das emissões. O índice médio de opacidade – que mede a densidade da fumaça expelida pelo escapamento – caiu de 0,233, em 2022, para 0,129, em 2025. No primeiro semestre deste ano, a média ficou em 0,157, permanecendo significativamente abaixo do nível registrado há quatro anos.

Segundo o presidente da Fetcesp, Carlos Panzan, as avaliações passaram a desempenhar um papel mais estratégico na gestão das frotas. “Observamos uma mudança importante no comportamento das transportadoras. As avaliações deixaram de ser utilizadas apenas para verificar o atendimento aos limites de emissão e passaram a funcionar como instrumento de acompanhamento da manutenção. Com o diagnóstico, é possível identificar antecipadamente problemas no sistema de injeção, nos filtros, na regulagem do motor e em outros componentes que afetam tanto as emissões quanto o desempenho do veículo.”

Na avaliação de Flávio Teixeira, coordenador do Programa Despoluir em São Paulo, os resultados refletem uma combinação entre renovação da frota, manutenção preventiva e maior conscientização das empresas sobre a importância do controle das emissões.

“Mesmo um veículo relativamente novo pode apresentar emissões acima do esperado quando existem falhas de manutenção. Da mesma forma, caminhões com mais tempo de uso podem permanecer dentro dos limites quando recebem acompanhamento adequado. Renovação, manutenção e conscientização precisam fazer parte de uma mesma estratégia de eficiência.”

Renovação da frota

Os caminhões avaliados apresentaram idade média entre sete e oito anos, indicando que parte das empresas vem renovando suas frotas, embora ainda exista um contingente relevante de veículos mais antigos em circulação.

Para a Fetcesp, os resultados demonstram avanços, mas também evidenciam a necessidade de ampliar políticas de renovação da frota voltadas principalmente para pequenas e médias transportadoras e transportadores autônomos, que enfrentam maiores dificuldades de acesso ao crédito diante do elevado custo dos veículos e das condições de financiamento.

ANTT aplicou quase R$ 1 bilhão em multas por descumprimento do piso mínimo do frete em 2026

ANTT aplicou quase R$ 1 bilhão em multas por descumprimento do piso mínimo do frete em 2026

Levantamento publicado pelo g1, com dados da ANTT, mostra que a Agência emitiu mais de 270 mil autos de infração até junho; fiscalização eletrônica explica aumento das autuações

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) já aplicou R$ 932,4 milhões em multas por descumprimento do piso mínimo do frete em 2026. Até 30 de junho, foram emitidos 270,4 mil autos de infração contra empresas que contrataram transporte abaixo dos valores estabelecidos pela tabela do frete. Os dados foram levantados e publicados pelo g1, a partir de informações fornecidas pela própria ANTT.

Segundo o levantamento, o valor das autuações registradas neste ano supera os montantes aplicados em todos os anos anteriores desde a criação da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, em 2018.

Naquele ano, quando a política foi instituída após a paralisação nacional dos caminhoneiros, a Agência aplicou R$ 69,3 mil em multas, distribuídas em apenas 31 autos de infração.

De acordo com a ANTT, o aumento das autuações está relacionado à ampliação da fiscalização eletrônica. A Agência ressaltou, porém, que os valores correspondem às autuações lavradas e que todos os autos passam por processo administrativo, com garantia do contraditório e da ampla defesa, podendo resultar na manutenção, alteração ou cancelamento das penalidades.

HISTÓRICO DAS MULTAS

Segundo os dados divulgados pelo g1, os valores aplicados pela ANTT por descumprimento do piso mínimo do frete foram:

• 2018: R$ 69,3 mil

• 2019: R$ 71,2 milhões

• 2020: R$ 4,1 milhões 

• 2021: R$ 14,5 milhões

• 2022: R$ 15,3 milhões 

• 2023: R$ 21,2 milhões

• 2024: R$ 20,8 milhões 

• 2025: R$ 221,9 milhões

• 2026 (até 30 de junho): R$ 932,4 milhões

MP E PENALIDADES

Os dados são divulgados em meio às mudanças promovidas pela Medida Provisória nº 1.343/2026, aprovada pelo Congresso Nacional e atualmente aguardando sanção presidencial.

O texto estabelece um novo escalonamento de penalidades para quem contratar fretes abaixo do piso mínimo, prevendo multas que podem chegar a R$ 1 milhão, além da suspensão temporária do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) e do cancelamento do registro em casos de reincidência grave.

Quatro medidas provisórias perdem validade em julho, duas sobre o diesel

Quatro medidas provisórias perdem validade em julho, duas sobre o diesel

Quatro Medidas Provisórias (MPs) perderam a validade no mês de julho, entre elas duas MPs destinadas a conter a alta dos combustíveis provocada pelos conflitos internacionais.

As MPs são editadas pelo governo federal e passam a valer imediatamente, mas precisam ser aprovadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado em até 120 dias para se tornarem definitivas. Quando esse prazo termina sem votação, a proposta perde a validade.

Quando uma MP perde eficácia, as relações jurídicas constituídas relativas ao período de sua vigência continuam sendo regidas por ela, a menos que o Congresso Nacional edite decreto legislativo alterando-as.

Preço do diesel

A MPV 1.340/2026, que buscava segurar o preço do combustível nas bombas e aliviar o bolso dos caminhoneiros frente às altas internacionais, deixou de valer em 10 de julho. O texto criava um imposto de 12% sobre a exportação de petróleo bruto e de 50% sobre o diesel vendido para fora do país. A intenção era usar a arrecadação para dar um desconto de 32 centavos por litro para os produtores e importadores de diesel no Brasil.

No entanto, uma resolução válida a partir do dia 10 de julho, editada pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão do Executivo, manteve a alíquota de 12% por mais 60 dias.

A MPV 1.344/2026, que valeu até 16 de julho, abria um crédito extraordinário de R$ 10 bilhões para o Ministério de Minas e Energia subsidiar o preço do diesel rodoviário e conter a inflação provocada por choques externos e guerras no Oriente Médio. Os recursos teriam origem no superávit financeiro do governo.

O texto chegou a ser aprovado sem mudanças pela Câmara dos Deputados, mas não houve tempo para votação no Senado. Na maioria dos casos de MPs de abertura de créditos, os recursos são gastos pelo Executivo antes do fim da vigência.

Na terça-feira (14), o Senado aprovou outra MP em favor dos caminhoneiros, a chamada “MP do Frete” (MP 1.343/2026), que alterou as regras de cálculo dos pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas.

Incentivo ao cacau

Outra proposta que caducou em 10 de julho foi a MPV 1.341/2026, cujo objetivo era proteger os agricultores nacionais de cacau, concentrados principalmente na Bahia e no Pará. A medida mudava as regras do chamado drawback, que é um incentivo fiscal para indústrias brasileiras, reduzindo de 24 para seis meses o prazo desse benefício sobre o cacau importado. A intenção era encarecer o produto do exterior e estimular a indústria a comprar dos trabalhadores brasileiros, mas, com a perda de validade, o prazo menor caiu.

A medida produziu efeitos de sua publicação, em 12 de março, até a perda da vigência, voltando a vigorar o prazo de 24 meses para utilização do regime de drawback.

Socorro a Minas Gerais

O socorro financeiro a desastres naturais também foi afetado com o fim da validade, em 16 de julho, da MPV 1.342/2026. Ela liberava um crédito extraordinário urgente de R$ 1,3 bilhão para diversos ministérios. O recurso foi destinado diretamente para socorrer municípios atingidos por temporais históricos devastadores em Minas Gerais, ajudando na construção de moradias, assistência social e linhas de crédito para desabrigados.

Na prática, o dinheiro que já foi usado durante os meses de vigência não será devolvido, mas a perda de validade interrompe novos repasses automáticos pelo texto original.

Tramitação

As Medidas Provisórias (MPs) são normas com força de lei editadas pelo presidente da República em situações de relevância e urgência. As Medidas Provisórias têm força de lei e começam a valer imediatamente (assim que são publicadas). Mas, para serem definitivamente transformadas em lei, precisam ser analisadas e aprovadas pelas duas Casas do Congresso (Câmara e Senado).

O prazo inicial de vigência de uma MP é de 60 dias e é prorrogado automaticamente por igual período, caso não tenha sua votação concluída no Congresso. Se não for apreciada em até 45 dias, contados da sua publicação, entra em regime de urgência, sobrestando todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando.

Fernanda Schwantes apresentará análise sobre o Índice CNT de Confiança no CONET&Intersindical 2026 em Ouro Preto (MG)

Fernanda Schwantes apresentará análise sobre o Índice CNT de Confiança no CONET&Intersindical 2026 em Ouro Preto (MG)

A palestrante trará um panorama das expectativas do setor e dos desafios econômicos que impactam o Transporte Rodoviário de Cargas

A segunda edição do CONET&Intersindical 2026, promovida pela NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, contará com uma palestra dedicada à análise das expectativas econômicas e empresariais para o setor de transporte. O encontro será realizado entre os dias 27 e 29 de agosto de 2026, no Hotel Vila Galé Ouro Preto (MG), tendo como entidade anfitriã a FETCEMG – Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais, com o apoio dos Sindicatos filiados.

A palestra sobre o Índice CNT de Confiança integra a programação do primeiro dia do evento e apresentará aos participantes uma visão sobre a percepção dos empresários do transporte em relação ao cenário econômico, aos investimentos, à atividade empresarial e às perspectivas para os próximos meses.

Em um ambiente marcado por desafios econômicos, transformações regulatórias e constantes mudanças no mercado, acompanhar os indicadores de confiança tornou-se uma importante ferramenta para compreender o comportamento do setor, antecipar tendências e apoiar a tomada de decisões das empresas.

Para conduzir essa análise, o CONET&Intersindical receberá Fernanda Schwantes, Gerente Executiva de Economia da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Doutora em Economia Aplicada pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), possui especialização em Relações Governamentais pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e em Gestão de Finanças pelo Instituto de Transporte e Logística (ITL), em parceria com o IBMEC.

Ao longo de sua trajetória profissional, atuou como economista na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) entre 2015 e 2022, período em que exerceu os cargos de Superintendente Técnica Adjunta e Assessora Técnica de Política Agrícola. Também foi professora do curso de Economia da Universidade Federal de Mato Grosso e dos cursos de graduação e pós-graduação da Faculdade CNA.

Desde 2022, está à frente da equipe de economistas da CNT, responsável pela elaboração de análises, estudos, pareceres e posicionamentos técnicos sobre temas estratégicos para o transporte e a logística, contribuindo para o fortalecimento da competitividade das empresas e para a melhoria do ambiente de negócios no país.

A palestra proporcionará aos participantes uma visão atualizada sobre as expectativas do setor de transporte e os fatores econômicos que influenciam a confiança dos empresários. Compreender esses indicadores é fundamental para avaliar tendências, identificar oportunidades e apoiar o planejamento estratégico das empresas em um cenário cada vez mais dinâmico e competitivo.

O CONET&Intersindical 2026 reunirá empresários, executivos, representantes de entidades, autoridades e especialistas de todo o país para promover conhecimento, relacionamento e debates sobre os principais desafios e oportunidades do setor, consolidando-se como um dos mais relevantes encontros do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil.

As inscrições para o evento estão abertas, clique aqui e faça parte do evento.

A Programação Preliminar está disponível abaixo e poderá sofrer ajustes até a realização do evento.

26 de agosto de 2026 | CONET&INTERSINDICAL

19h – Coquetel de Boas-Vindas | ESPAÇO EXPOSIÇÃO

Oferecido pela FETCEMG

27 de agosto de 2026 | CONET&INTERSINDICAL

10h – Credenciamento

10h30 | 12h – Abertura Oficial

12h | 13h – Almoço

27 de agosto de 2026 | CONET

13h30 | 14h – PAINEL: MERCADO E TARIFAS

  • Integrantes da Mesa:
  1. Eduardo Ferreira Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
  2. Antonio Luiz Leite – Vice-Presidente da NTC&Logística
  3. Gladstone Lobato  – Presidente da FETCEMG 

Palestrante: Engo Lauro Valdivia, Assessor Técnico da NTC&Logística

  • Atualização do INCT (Índice Nacional de Custos do Transporte)
  • Apresentação da Pesquisa de Mercado DECOPE – 1º semestre de 2026

14h | 15h ENCONTRO COM EMPRESÁRIOS DO TRC

  • Integrantes da Mesa:
  1. Eduardo Ferreira Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
  2. Antonio Luiz Leite – Vice-Presidente da NTC&Logística
  3. Gladstone Lobato  – Presidente da FETCEMG
  4. Engº Lauro Valdivia Neto – Assessor Técnico da NTC&Logística
  5. José Maria Gomes – Diretor Financeiro da NTC&Logística

Empresários confirmados:

  • Oswaldo Vieira Caixeta Junior, Sócio-Diretor da Transac Transporte e Presidente da ABTLP
  • Julio Eduardo Simões, Sócio-Diretor da Locar Guindastes e Transportes Intermodais e Presidente do SINDIPESA
  • Márcio Afonso de Moraes, CEO da Lenarge Transportes e Serviços Ltda

15h | 15h45 Palestra: REFORMA TRIBUTÁRIA

Palestrante: Reinaldo Lage Rodrigues de Araújo, Assessor Jurídico Tributário da FETCEMG

15h45 | 16h30 Palestra: ÍNDICE CNT DE CONFIANÇA

Palestrante: Fernanda Schwantes, Gerente-Executiva de Economia da CNT – Confederação Nacional do Transporte

16h30 | 17h – INVESTIMENTOS REALIZADOS E PROJETOS PARA O TRC

Palestrante convidado: INFRA S.A.

17h | 17h30 – Intervalo

17h30 | 18h15 TALKS FORNECEDORES DA CADEIA PRODUTIVA DO TRC

  • Integrantes da Mesa:
  1. Eduardo Ferreira Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
  2. Antonio Luiz Leite – Vice-Presidente da NTC&Logística
  3. Gladstone  Lobato – Presidente da FETCEMG 
  4. Engº Lauro Valdivia Neto – Assessor Técnico da NTC&Logística
  • GEOTAB
  • MERCEDES-BENZ
  • ROADCARD
  • TRANSPOCRED
  • VOLKSWAGEN CAMINHÕES E ÔNIBUS

18h15 | 19h45 – Palestra: CENÁRIO ECONÔMICO E PERSPECTIVAS PARA O TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS

  • Integrantes da Mesa:
  1. Eduardo Ferreira Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
  2. Antonio Luiz Leite – Vice-Presidente da NTC&Logística
  3. Gladstone Lobato  – Presidente da FETCEMG 

Palestrante: Rita Mundim

Economista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Especialista em Mercado de Capitais pela UFMG e em Ciências Contábeis pela Fundação Getúlio Vargas (FGV); Mestre em Administração pela FEAD-MG; Professora convidada da Fundação Dom Cabral desde 1990; Professora de Mercado de Capitais no IBMEC; Diretora da Aporte Educacional; Administradora de Carteiras autorizada pela CVM; Certificações ANBIMA: CFG e CGA; Comentarista econômica da Rádio Itatiaia; participações como comentarista na CNN Brasil; experiência em cenários econômicos, juros, inflação, mercado financeiro, cooperativismo e governança.

Jornalista e estrategista em comunicação corporativa, com atuação em cenários econômicos e empresariais. Atualmente, é uma das palestrantes mais requisitadas em eventos empresariais e do setor produtivo.

19h45 – Considerações Finais e Encerramento das atividades do dia

19h45 – Coquetel de Boas-Vindas | ESPAÇO EXPOSIÇÃO

Oferecido pela FETCEMG

28 de Agosto de 2026 | INTERSINDICAL

9h – Abertura da INTERSINDICAL

PALESTRA INAUGURAL: O NOVO CENÁRIO GEOPOLÍTICO MUNDIAL

Palestrante: Marcelo Suano

Cientista político, analista de risco político, professor universitário e comentarista brasileiro. Mestrado e Doutorado em Ciência Política pela USP (Universidade de São Paulo), com pesquisas ligadas ao pensamento político e militar brasileiro.

10h30 | 12h30 – AGENDA INSTITUCIONAL DA NTC&LOGÍSTICA

Tema : Principais pautas técnicas e institucionais em andamento no TRC.

  • Integrantes da Mesa:
  1. Eduardo Ferreira Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
  2. Antonio Luiz Leite – Vice-Presidente da NTC&Logística
  3. Gladstone Lobato – Presidente da FETCEMG
  4. José Maria Gomes – Diretor Financeiro da NTC&Logística
  5. Marcos Aurélio Ribeiro – Diretor Jurídico da NTC&Logística
  6. Narciso Figueirôa Junior Assessor Jurídico da NTC&Logística
  7. Gil Menezes Assessora Jurídica da NTC&Logística
  8. Edmara Claudino Assessora de Relações Institucionais da NTC&Logística
  9. Waldomiro Milanesi – Delegado e especialista em segurança
  10. Engº Lauro Valdivia Neto – Assessor Técnico da NTC&Logística
  • Conteúdo:

• Impactos da redução da jornada semanal no TRC

• Avaliação das negociações coletivas no TRC

• Demandas regulatórias junto à ANTT: CIOT; Piso minimo de frete

12h30 | 14h  – Almoço

14h | 15h – PALESTRA: REGULAMENTAÇÃO DO SETOR

Palestrante convidado: Guilherme Theo Sampaio – Diretor-Geral da ANTT

15h | 16h30 – PALESTRA: PESQUISAS ELEITORAIS E PROJEÇÕES PARA AS ELEIÇÕES DE 2026

Palestrante: Marcelo Costa Souza

Graduação em Estatística pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1999, e Mestrado em Estatística e Experimentação Agropecuária pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), em 2002. Foi professor das disciplinas de Bioestatística, Epidemiologia e Estatística Experimental para alunos de graduação e pós-graduação da Universidade José do Rosário Vellano (UNIFENAS), de 2002 a 2005. Desde 2006, atua como diretor da MDA PESQUISA. Tem vasta experiência na área de análise e interpretação de dados, modelagem e gerenciamento de bancos de dados complexos.

16h30 – CONSIDERAÇÕES FINAIS – ENCERRAMENTO

19h | 0h – JANTAR FESTIVO DE ENCERRAMENTO | ESPAÇO EXPOSIÇÃO

OFERECIDO PELO SETCEMG

29 de Agosto de 2026 | VISITA TÉCNICA 

9h | 12h Visita Técnica à Mineradora de Ferro – Região de ACURI

              Saída do ônibus do hotel Villa Galé às 8h e retorno às 12 horas

As inscrições para o evento estão abertas. Clique aqui e faça parte do evento.

As reservas de hospedagem também estão disponíveis. Garanta sua participação realizando a reserva no hotel do evento, clicando aqui.

Realização

NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística)

Entidade Anfitriã

FETCEMG – Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais

Apoio

Sindicatos filiados à FETCEMG

Patrocínio

l FENATRAN

l GEOTAB

l MERCEDES-BENZ

l ROADCARD

l TRANSPOCRED

Apoios Institucionais

Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte / SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte / ITL – Instituto de Transporte e Logística)

FuMTran (Fundação Memória do Transporte)

Apoio Logístico

Braspress

Artigo: A MP nº 1.343/2026 e as novas obrigações para o Transporte Rodoviário de Cargas

Artigo: A MP nº 1.343/2026 e as novas obrigações para o Transporte Rodoviário de Cargas

Por Narciso Figueirôa Junior, Assessor Jurídico da NTC&Logística

1. Introdução

A Medida Provisória nº 1.343/2026 foi originalmente editada para tratar do cadastramento das operações de transporte e do cumprimento da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

Durante sua tramitação no Congresso Nacional, contudo, o texto foi significativamente ampliado.

A matéria foi aprovada pela Câmara dos Deputados e, posteriormente, pelo Senado Federal, sob a forma do Projeto de Lei de Conversão nº 6/2026, sendo agora encaminhada à Presidência da República para sanção ou veto.

O texto aprovado altera diversas normas aplicáveis ao transporte rodoviário de cargas, entre elas as Leis nºs 13.703/2018, 11.442/2007 e 13.103/2015, além da Lei 9.503/1997 (CTB).

2. Nova metodologia do piso mínimo de frete

O projeto amplia os critérios que deverão ser considerados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT na definição dos pisos mínimos de frete.

A metodologia deverá refletir os custos operacionais totais do transporte, considerando, entre outros fatores: distância percorrida; configuração e capacidade do veículo; tipo e natureza da carga; combustíveis, pneus, manutenção e seguros; salários e encargos; tempo de carga e descarga; produtividade e eficiência logística; necessidade de equipamentos especiais; custos fixos e varáveis; indicadores de desempenho operacional, eficiência logística e produtividade; modalidades de contratação em frotas específicas, dedicadas ou fidelizadas e características de frotas dedicadas ou fidelizadas.

A ANTT poderá estabelecer pisos diferenciados conforme as peculiaridades de cada operação e firmar acordo de cooperação técnica com a Infra S.A., para desenvolvimento e elaboração de planilha com pisos mínimos de frete.

O texto também determina maior transparência na formação dos valores, com publicação da planilha e da memória de cálculo, e prevê reajuste quando houver variação igual ou superior a 5% no preço dos combustíveis utilizado na metodologia.

A ANTT deverá publicar, até os dias 20 de janeiro e 20 de julho de cada ano, a atualização dos pisos mínimos de frete, acompanhada da planilha de cálculo, podendo ser feitos aditivos com correções pontuais em até 30 dias após a publicação da atualização.

Não havendo a publicação da atualização dos pisos mínimos de frete pela ANTT, os valores poderão ser atualizados pelo IPCA ou por outro índice que o substitua.

A medida é positiva ao reconhecer que as operações de transporte possuem custos e características distintas. Por outro lado, exigirá regulamentação técnica detalhada e maior controle das empresas na identificação do piso aplicável a cada operação.

3. Penalidades mais rigorosas

O projeto cria um sistema progressivo de sanções contra quem contratar ou subcontratar transporte por valor inferior ao piso mínimo.

Fica estabelecido que os pisos mínimos de frete definidos pela ANTT são obrigatórios e a sua não observância acarreta ao infrator indenização ao transportador em valor de até 2 vezes o valor correspondente ao piso mínimo aplicável à operação, além de sanções administrativas.

Em caso de prática reiterada, na contratação ou subcontratação de serviços e transporte de cargas por valor inferior ao piso mínimo de frete, poderá ser aplicada suspensão cautelar do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC).

Considera-se prática reiterada a ocorrência de mais de 4 autuações em datas distintas, no período de 6 meses.

Havendo reincidência, a suspensão poderá variar de 15 a 45 dias. Considera-se reincidência a prática de nova infração no prazo de 12 meses, contado da decisão administrativa definitiva condenatória anterior.

Nos casos de contumácia, será possível o cancelamento do RNTRC e a proibição do exercício da atividade pelo prazo de até 24 meses. Considera-se contumácia a aplicação de 2 ou mais penalidade de suspensão, no prazo de 24 meses.

Também foi prevista multa majorada de até R$ 1 milhão para contratação ou subcontratação abaixo do piso mínimo, quando caracterizada a reincidência.

Essas medidas alteram substancialmente o risco regulatório das empresas.

A contratação abaixo do piso deixa de representar apenas uma possível diferença de frete ou indenização e passa a poder comprometer a própria continuidade da atividade empresarial.

4. Plataformas e ofertas de frete

A proibição de ofertar frete abaixo do piso mínimo será estendida às plataformas digitais, aplicativos, sistemas eletrônicos, intermediadores e demais responsáveis pela divulgação ou intermediação das operações.

O valor do frete deverá ser informado de forma clara e ostensiva, e as sanções previstas na MP 1347 aplicam-se, no que couber, às plataformas digitais, aos sistemas eletrônicos, aos aplicativos, aos agentes intermediadores e aos demais responsáveis pela publicação.

As plataformas deverão, portanto, desenvolver mecanismos capazes de impedir a publicação de ofertas incompatíveis com os pisos vigentes.

5. CIOT para todas as operações

Uma das principais alterações é a previsão de cadastramento prévio de toda operação de transporte rodoviário remunerado de cargas por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT).

O registro deverá conter informações sobre: contratante; contratado e subcontratado; carga; origem e destino; valor do frete; piso aplicável; forma e prazo de pagamento, e modalidade de recolhimento previdenciário.

Nas operações envolvendo TAC ou TAC equiparado, a responsabilidade continuará sendo do contratante, devendo realizá-la por intermédio de instituição de pagamento autorizada pelo Banco Central – Bacen e habilitada pela ANTT.

Nas demais operações, o registro ficará a cargo da empresa de transporte que efetivamente realizar o serviço.

O CIOT deverá ser vinculado ao MDF-e, e o descumprimento da obrigação poderá resultar em multa de R$ 10,5 mil, sem prejuízo da indenização devida ao transportador quando constatado o pagamento de valor inferior ao piso mínimo de frete.

A ampliação do CIOT exigirá novas regras para as instituições de pagamento, adaptação dos sistemas tecnológicos, dos contratos e dos procedimentos internos das transportadoras.

6. Novas regras para pagamento do frete

O prazo máximo para pagamento do frete será de 30 dias úteis, devendo constar no CIOT a forma e o prazo pactuados para quitação do frete.

Nas contratações de TAC e TAC equiparado, contudo, haverá regra específica, com o adiantamento mínimo de 70% no momento da contratação e o pagamento do saldo em até 3 dias úteis após a entrega da carga.

A antecipação de recebíveis será permitida, desde que o custo da operação não reduza o valor do frete abaixo do piso mínimo.

O adiantamento obrigatório de 70% poderá produzir impacto relevante no fluxo de caixa das empresas e exigirá revisão das práticas atualmente utilizadas nas contratações de transportadores autônomos.

7. Conversão de multas em advertência

As infrações administrativas relativas ao piso mínimo praticadas até a publicação da futura lei serão convertidas em advertência, vedada a aplicação de multa pecuniária, suspensão ou cancelamento do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC).

A medida alcançará processos administrativos em andamento, penalidades ainda não definitivamente constituídas e multas definitivamente constituídas que ainda não tenham sido pagas, e não haverá devolução das multas já quitadas.

A conversão também não se aplica às infrações cometidas após a publicação da futura lei, aos casos de fraude, dolo, simulação, uso de documento falso ou tentativa de impedir a fiscalização.

A conversão não prejudica eventual direito do transportador à cobrança de valores contratualmente devidos, de diferenças de frete ou de indenização decorrente do pagamento em valor inferior ao piso mínimo aplicável, quando cabível, na forma da legislação aplicável.

Para empresas que possuem processos administrativos em curso, essa disposição poderá representar redução importante do passivo regulatório.

8. Recolhimento previdenciário pelo TAC

O transportador autônomo de cargas (TAC) poderá optar pelo recolhimento direto de sua contribuição previdenciária.

Quando a opção estiver regularmente formalizada e comunicada, a empresa contratante ficará dispensada do desconto e do recolhimento da contribuição devida pelo TAC como contribuinte individual.

A contratante, contudo, continuará responsável por suas contribuições próprias e pelas obrigações acessórias.

A regularidade previdenciária do TAC será exigida para manutenção e revalidação de sua inscrição no RNTRC.

A medida poderá simplificar parte das contratações, mas dependerá de regulamentação e de integração segura entre os sistemas públicos.

9. Gerenciamento de riscos

O projeto atribui à ANTT competência para regulamentar e fiscalizar empresas que operem bancos de dados ou cadastros profissionais de motoristas.

Também proíbe a utilização, para impedir a contratação, de informações não relacionadas à operação de transporte provenientes de processos judiciais sem trânsito em julgado ou de processos administrativos sem decisão definitiva.

A regulamentação desse dispositivo deverá ser acompanhada com atenção, considerando seus reflexos sobre os programas de gerenciamento de riscos e as exigências das seguradoras.

10. Piso salarial dos motoristas de longa distância

O texto aprovado pela Câmara instituía piso salarial nacional de R$ 5 mil para o motorista de longa distância, e o Senado retirou a fixação desse valor.

A redação final determina apenas que os acordos e convenções coletivas instituam piso salarial para o motorista empregado que permaneça fora da base da empresa ou de sua residência por período superior a 24 horas.

A exclusão do valor nacional foi importante para o setor patronal, pois preservou a negociação coletiva quanto ao montante.

Ainda assim, a nova regra poderá gerar discussões sobre a necessidade de piso específico, sua relação com o piso geral da categoria e o enquadramento dos motoristas que realizam diferentes tipos de viagem.

11. Procargas e renovação da frota

O projeto amplia o Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas).

Entre as medidas previstas estão: renovação e modernização da frota; implantação de pontos de parada e descanso; capacitação profissional; inovação tecnológica; segurança viária; saúde ocupacional e fortalecimento das entidades representativas.

Também é criada uma política permanente de renovação da frota, com prioridade para transportadores autônomos e cooperativas.

A efetividade dessas medidas dependerá de regulamentação e da existência de recursos orçamentários.

12. Alterações no Código de Trânsito Brasileiro

O texto estabelece que veículos ou combinações com peso bruto total igual ou inferior a 74 toneladas serão fiscalizados, em regra, pelo peso bruto total ou peso bruto total combinado, exceto nas hipóteses específicas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

A fiscalização por eixo ocorrerá quando houver excesso no peso total ou nas situações específicas estabelecidas pelo Contran.

Também foram incluídas regras sobre verificação metrológica do tacógrafo, utilização de seus registros para comprovação de excesso de velocidade e transporte embarcado de veículos de carga novos.

13. Anulação das multas por participação em manifestações

O texto aprovado também prevê a anulação das multas aplicadas a transportadores de cargas e motoristas em razão da participação em manifestações, bloqueios ou atos correlatos ocorridos em 2022. A medida alcança penalidades impostas por decisões judiciais ou administrativas, inclusive multas já inscritas em dívida ativa, determinando ainda a suspensão das cobranças em andamento.

14. Do regime de transição para a implementação das novas obrigações

Outro ponto relevante é a criação de um amplo regime de transição para a implementação das novas obrigações. Até que sejam editados os regulamentos e concluídas as adaptações dos sistemas, permanecerão aplicáveis as normas, registros, autorizações, cadastros e procedimentos atualmente em vigor, desde que não contrariem a nova lei.

A ausência de regulamentação ou de integração tecnológica não poderá impedir a continuidade das operações de transporte. O Poder Executivo, a ANTT e os demais órgãos competentes terão, em regra, prazo de até 180 dias para regulamentar a matéria.

As novas obrigações que dependam de sistemas, integração tecnológica, adequação cadastral ou definição de procedimentos somente poderão ser exigidas após a regulamentação, devendo ser assegurado prazo de adaptação não inferior a 60 dias quando houver impacto operacional relevante.

Durante esse período, as infrações relacionadas apenas às novas obrigações acessórias, cadastrais ou tecnológicas deverão ser tratadas prioritariamente de forma orientativa, mediante notificação para regularização. Essa proteção, contudo, não se aplica aos casos de fraude, dolo, simulação, omissão deliberada, embaraço à fiscalização ou reincidência após a notificação.

Os contratos de transporte em execução deverão ser adaptados às novas regras no prazo de até 90 dias, preservadas as operações já concluídas e os direitos adquiridos. Em qualquer hipótese, permanece vedada a contratação, o registro ou o pagamento de frete abaixo do piso mínimo aplicável.

15. Tramitação a partir de agora

O texto aprovado pelo Congresso será submetido à Presidência da República. O Presidente poderá sancionar integralmente; vetar integralmente ou sancionar parte do texto e vetar dispositivos específicos.

Nos termos do artigo 66 da Constituição Federal, o veto somente poderá ser fundamentado em inconstitucionalidade ou contrariedade ao interesse público.

O veto parcial deverá abranger integralmente artigo, parágrafo, inciso ou alínea, não sendo possível excluir palavras ou expressões isoladas.

Se não houver manifestação presidencial no prazo constitucional de 15 dias úteis, ocorrerá sanção tácita.

Havendo veto, a matéria retornará ao Congresso Nacional, que poderá mantê-lo ou rejeitá-lo por maioria absoluta dos deputados e senadores.

Caso o veto seja derrubado, o dispositivo será promulgado e passará a integrar a lei.

16. Impactos para o setor

O texto aprovado contém medidas positivas, como maior transparência na formação do piso mínimo, revisão da fiscalização do peso por eixo, incentivo à renovação da frota e simplificação de alguns procedimentos relacionados ao RNTRC.

Entretanto, também cria obrigações e riscos relevantes, tais como: ampliação do CIOT; adaptação tecnológica; adiantamento de 70% ao TAC; fiscalização das plataformas digitais; multas de até R$ 1 milhão; suspensão e cancelamento do RNTRC; novas exigências previdenciárias e revisão de contratos e procedimentos internos.

Caso o texto seja sancionado, o cumprimento do piso mínimo passará a exigir uma estrutura permanente de controle e compliance.

As empresas deverão identificar corretamente cada operação, calcular o piso aplicável, registrar o CIOT, controlar o pagamento do frete, acompanhar as subcontratações e evitar ofertas ou contratações em desacordo com a tabela vigente.

17. Conclusão

A Medida Provisória nº 1.343/2026 foi transformada em um projeto muito mais amplo do que o texto originalmente editado.

Além da Política Nacional de Pisos Mínimos, o texto aprovado trata de questões regulatórias, previdenciárias, trabalhistas, operacionais e de trânsito com impacto direto sobre o transporte rodoviário de cargas.

A tramitação legislativa ainda não terminou, pois caberá, agora, à Presidência da República decidir pela sanção integral, pelo veto total ou pelo veto parcial.

Enquanto isso, as entidades representativas devem acompanhar a análise presidencial e avaliar os dispositivos que possam gerar impacto excessivo ou insegurança jurídica.

As empresas também devem iniciar a análise de seus contratos, sistemas e procedimentos, embora as alterações definitivas devam aguardar a sanção e a regulamentação.

Se aprovada em sua forma atual, a nova lei aumentará a formalização e a fiscalização das operações, mas também imporá custos e responsabilidades adicionais ao setor.

O desafio será assegurar o cumprimento da política do piso mínimo sem criar burocracia excessiva, desequilíbrio financeiro ou obstáculos à eficiência do transporte rodoviário de cargas brasileiro.

No Senado, CNT defende ajustes ao Estatuto do Aprendiz para adequar proposta à realidade do transporte

No Senado, CNT defende ajustes ao Estatuto do Aprendiz para adequar proposta à realidade do transporte

Confederação defendeu aperfeiçoamentos no texto para garantir segurança jurídica e ampliar a efetividade da aprendizagem profissional no setor

O Sistema Transporte defendeu, na terça-feira (14), ajustes ao Projeto de Lei nº 6.461/2019, que institui o Estatuto do Aprendiz, para garantir que a aprendizagem profissional seja efetiva e compatível com a realidade operacional do transporte brasileiro. As propostas foram apresentadas durante audiência pública promovida pela CAS (Comissão de Assuntos Sociais) do Senado Federal, que reuniu representantes do governo, do setor produtivo, do MPT (Ministério Público do Trabalho), de entidades formadoras e da sociedade civil.

Presidida pelo senador Laércio Oliveira (PP-SE), a audiência contou, ainda, com a participação de internautas e foi marcada pelo consenso entre os participantes quanto à importância da aprendizagem profissional como instrumento de inclusão social, qualificação da mão de obra e inserção de adolescentes e jovens no mercado de trabalho.

As contribuições apresentadas reforçaram a necessidade de aperfeiçoar o texto para construir uma legislação equilibrada, segura e aplicável às diferentes realidades dos setores econômicos.

Oriundo da Câmara dos Deputados, o PL nº 6.461/2019 consolida normas atualmente dispersas sobre aprendizagem profissional. A iniciativa estabelece regras para a contratação de jovens entre 14 e 24 anos, define direitos trabalhistas, disciplina a atuação das entidades formadoras e regulamenta aspectos como jornada, remuneração, férias e cumprimento das cotas pelas empresas.

Representando a CNT, o assessor de Relações Trabalhistas, Brunno Contarato, destacou que o transporte reconhece a aprendizagem como uma política pública essencial para o desenvolvimento social e econômico do país. Ressaltou, entretanto, que sua implementação deve considerar os limites técnicos e legais de determinadas atividades.

“O que buscamos é garantir viabilidade jurídica, pedagógica e técnica para que essa política produza resultados concretos”, afirmou.

Segundo Contarato, o projeto representa um avanço ao organizar a legislação e fortalecer a segurança jurídica. No entanto, o próprio texto reconhece que nem todas as ocupações são compatíveis com programas de aprendizagem, contexto que, segundo ele, também precisa ser considerada no transporte.

Especificidades do setor

A principal contribuição apresentada pela Confederação refere-se ao cálculo das cotas de aprendizagem. A entidade defende que sejam excluídas da base de cálculo as ocupações cujo exercício dependa de CNH (Carteira Nacional de Habilitação) profissional, idade mínima prevista em lei, cursos especializados obrigatórios, exame toxicológico, licenças ou autorizações específicas, além daquelas desenvolvidas em ambientes operacionais incompatíveis com a prática segura.

Em contrapartida, a CNT propõe fortalecer a aprendizagem em frentes plenamente compatíveis com a formação técnico-profissional, como rotinas administrativas, atendimento, tecnologia, logística interna, planejamento, almoxarifado, gestão documental e manutenção realizada em ambientes seguros.

A proposta considera a realidade do setor. Atualmente, cerca de 45% dos empregos no transporte estão diretamente ligados à condução de veículos, atribuições que exigem formação gradual, experiência prática e uma série de requisitos legais.

“Para um setor como o nosso, em que a maioria dos profissionais atua em vias públicas, não basta possuir uma CNH. É necessário cumprir cursos específicos, com elevada carga horária e avaliações rigorosas, exigências incompatíveis com o contrato de aprendizagem”, afirmou Contarato durante a audiência.

A CNT também chamou atenção para a escassez de mão de obra qualificada no transporte. Dados da Confederação mostram que 44,6% das empresas enfrentam dificuldades para preencher vagas, especialmente em funções operacionais.

“Se já faltam motoristas formados, habilitados e experientes, é irreal presumir a existência de aprendizes aptos a compor a base dessas atribuições”, resumiu o assessor.

Na avaliação da entidade, adequar o PL nº 6.461/2019 à dinâmica do transporte não significa reduzir a formação, mas direcioná-la para atividades nas quais ela possa cumprir seu objetivo de qualificar profissionais e ampliar oportunidades para os jovens.

“O setor de transporte quer cumprir a lei. Para isso, precisa de uma legislação calibrada à particularidade operacional das empresas brasileiras. Uma lei que preserve a aprendizagem onde ela é possível e garanta segurança jurídica para continuar gerando oportunidades reais de qualificação e emprego”, concluiu.

Projeto tem votação adiada na CAS

O PL nº 6.461/2019 entrou na pauta da CAS na quarta-feira (15), mas a votação foi adiada após pedido de vista apresentado pelos senadores Jaime Bagattoli (PL-RO) e Laércio Oliveira.

Os parlamentares defenderam que o relator da matéria, senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), avalie as emendas apresentadas e considere as contribuições do setor debatidas na audiência pública realizada no dia anterior.

Durante o período de vista, o relator poderá promover alterações em seu parecer para incorporar aperfeiçoamentos ao texto. O Congresso Nacional entra em recesso parlamentar em 17 de julho e retoma as atividades no início de agosto.

ICMS zero amplia oportunidades para transporte de cargas em Londrina

ICMS zero amplia oportunidades para transporte de cargas em Londrina

A prorrogação da isenção do ICMS para produtos, insumos e operações ligadas à atividade agropecuária até 31 de dezembro de 2026 deve ampliar os efeitos positivos sobre a cadeia produtiva do Paraná. A medida, mantida pelo Governo do Estado por meio do Decreto nº 13.158, contempla itens essenciais à produção agrícola e também abrange a prestação de serviço de transporte intermunicipal de cargas dentro do Paraná, contribuindo para reduzir custos em uma etapa estratégica do escoamento da produção.

O incentivo ocorre em um momento de forte relevância do agronegócio para a economia estadual e regional. Dados recentes do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral) mostram que as exportações do complexo soja somaram 6,72 milhões de toneladas nos primeiros cinco meses de 2026, alta de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em Londrina, o peso do setor também aparece na balança comercial: em 2025, o município exportou US$ 916,1 milhões, sendo que produtos do reino vegetal responderam por 69,7% desse total, enquanto produtos das indústrias alimentares representaram outros 22%, segundo dados do MDIC/Comex Stat.

Para Marcelo Aguiar, diretor regional da unidade de Londrina do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR Londrina), a manutenção do benefício tributário tende a gerar reflexos diretos sobre a logística regional. “A prorrogação da isenção do ICMS é uma medida bastante positiva para toda a cadeia do agronegócio. Quando produtores e indústrias contam com um ambiente tributário mais estável e previsível, eles ganham confiança para investir, ampliar a produção e movimentar mais negócios. E, naturalmente, tudo isso passa pelo transporte”, afirma.

Na avaliação do setor, Londrina ocupa posição estratégica dentro da malha logística paranaense por conectar cooperativas, agroindústrias, produtores rurais, centros de distribuição e corredores de exportação. Com a atividade agropecuária mais aquecida, a tendência é de crescimento da demanda por transporte rodoviário, armazenagem, distribuição e serviços logísticos, movimentando também empresas ligadas à manutenção de frota, tecnologia, segurança operacional e gestão de cargas.

“O agronegócio é uma cadeia totalmente interligada. Com cooperativas, agroindústrias e produtores rurais produzindo e comercializando mais, cresce também a demanda por armazenagem, transporte, distribuição e serviços logísticos. Isso impulsiona as transportadoras, gera novas oportunidades para operadores logísticos e movimenta diversos segmentos da economia regional”, destaca Aguiar.

Apesar do potencial positivo, o diretor regional do SETCEPAR Londrina ressalta que os ganhos tributários precisam ser acompanhados por avanços estruturais. “O transporte rodoviário está preparado para crescer e tem investido em tecnologia, rastreamento, gestão operacional, segurança e renovação de frota. Mas não basta haver mais caminhões disponíveis. É fundamental contar com rodovias em boas condições, acessos adequados, mão de obra qualificada e processos logísticos cada vez mais eficientes”, pontua.

Para que a prorrogação do ICMS zero se traduza em ganhos duradouros para a logística do Norte do Paraná, a região precisa avançar também em infraestrutura, qualificação profissional e eficiência operacional. O SETCEPAR Londrina avalia que a combinação entre incentivo econômico, melhoria dos corredores rodoviários e maior integração entre poder público e iniciativa privada será essencial para ampliar a competitividade regional.

Importações brasileiras em contêineres avançam 16% e impulsionam disputa entre gigantes da logística

Importações brasileiras em contêineres avançam 16% e impulsionam disputa entre gigantes da logística

Levantamento da Datamar mostra Allog na liderança das exportações e Asia Shipping no topo das importações entre janeiro e maio de 2026

O comércio exterior brasileiro em contêineres acelerou no acumulado de janeiro a maio de 2026, impulsionado principalmente pelo crescimento das importações. O volume movimentado por operadores de transporte internacional (OTIs, na sigla em inglês) chegou a 974,1 mil TEUs no período, alta de 16% em relação aos 839,5 mil TEUs registrados nos cinco primeiros meses de 2025, segundo levantamento da consultoria Datamar.

O avanço ampliou a disputa entre grandes empresas de logística internacional que atuam no país, em um mercado que reúne operadores globais e companhias brasileiras especializadas em agenciamento de cargas, transporte marítimo e soluções integradas para comércio exterior.

Nas exportações, o crescimento foi mais moderado. Os volumes movimentados por OTIs somaram 406,2 mil TEUs entre janeiro e maio de 2026, alta de 5,1% na comparação anual. O levantamento da Datamar considera os chamados Ocean Transportation Intermediaries (OTIs), empresas responsáveis pela organização do transporte marítimo internacional, incluindo contratação de espaço em navios, consolidação de cargas, coordenação logística e serviços associados.

A Allog Transportes Internacionais liderou o ranking de exportadores entre os OTIs que atuam no Brasil. A companhia movimentou 32,9 mil TEUs entre janeiro e maio de 2026, volume 69,1% superior ao registrado no mesmo período de 2025. A empresa alcançou participação de 8,1% do mercado.

Na segunda posição, ficou a ES Logistics, com 22,5 mil TEUs movimentados, crescimento de 3,1%. A Kuehne+Nagel ficou em terceiro lugar, com 20,4 mil TEUs, retração de 9,4% na comparação anual.

Entre os maiores avanços nas exportações brasileiras, a CSA do Brasil registrou crescimento de 96,5%, alcançando 8,3 mil TEUs. A Maersk também apresentou forte expansão, com alta de 109,2%, para 5,5 mil TEUs. Outro destaque foi a Scan Global Logistics, que aumentou em 242,4% o volume exportado, passando de 1,3 mil TEUs para 4,6 mil TEUs.

Importações concentram crescimento

O principal movimento do mercado brasileiro no período veio das importações. O volume movimentado pelos OTIs passou de 839,5 mil TEUs entre janeiro e maio de 2025 para 974,1 mil TEUs em igual intervalo de 2026.

A liderança ficou com a Asia Shipping, que movimentou 94,2 mil TEUs e manteve praticamente o mesmo patamar do ano anterior, com participação de 9,7%. A segunda posição ficou com a CTS Global Logistics Brazil, que apresentou forte expansão. A empresa saiu de 199 TEUs em 2025 para 36,8 mil TEUs em 2026, crescimento de 18.378,4%.

A Kuehne+Nagel permaneceu entre os principais operadores de importação, com 31 mil TEUs, apesar da queda de 1,9%. Já a ES Logistics ampliou em 42% o volume movimentado, chegando a 30,6 mil TEUs. A Scan Global Logistics também ganhou participação, com crescimento de 548% nas importações, para 26,6 mil TEUs.

Apesar da presença de grandes operadores, o mercado brasileiro de logística internacional continua pulverizado. Nas exportações, os 50 maiores OTIs responderam por 68,1% do volume movimentado entre janeiro e maio de 2026. Os demais operadores representaram 31,9% do mercado.

Nas importações, a concentração foi ainda menor. Os 50 maiores operadores responderam por 65,7% do total, enquanto outros participantes movimentaram 334,4 mil TEUs, equivalentes a 34,3%.

O cenário mostra uma disputa crescente por participação em um mercado influenciado pela evolução dos fluxos internacionais de mercadorias, especialmente importações de bens industrializados, componentes, máquinas e produtos de maior valor agregado.

América do Sul apresenta cenários diferentes

O levantamento da Datamar também acompanha Argentina, Paraguai e Uruguai. Na Argentina, as exportações em contêineres ficaram praticamente estáveis entre janeiro e maio de 2026, com movimentação de 48,6 mil TEUs, queda de 0,4% em relação ao mesmo período anterior. As importações recuaram 10,4%, para 162,8 mil TEUs.

Já no Paraguai e Uruguai, houve expansão dos fluxos. As exportações cresceram 28,6%, para 14,2 mil TEUs, enquanto as importações avançaram 23,6%, chegando a 70,4 mil TEUs. Segundo a Datamar, os rankings são elaborados a partir de múltiplas fontes de dados, que passam por processos de consolidação, cruzamento e ajustes pela equipe de inteligência da empresa.

Ranking dos principais OTIs no Brasil — janeiro a maio de 2026

Fonte: Datamar/DataLiner — ranking divulgado em 16 de julho de 2026

Regras mais rígidas para frete podem aumentar preço dos combustíveis

Regras mais rígidas para frete podem aumentar preço dos combustíveis

As novas regras para o transporte de cargas aprovadas pelo Congresso Nacional a partir da MP (Medida Provisória) 1.343, a chamada MP do Frete, devem implicar aumento no preço dos combustíveis na bomba, disseram fontes desse mercado à Agência iNFRA. O texto final, que aguarda sanção presidencial para conversão em lei, institui mecanismos que ampliam punições ao descumprimento dos pisos, ponto que sofreu maior resistência do setor, além de confirmar a atualização da tabela de fretes mínimos em caso de oscilação de 5% no preço do diesel usado pelos caminhões.

Criado por ocasião da greve dos caminhoneiros, o instrumento do frete mínimo já existe desde 2018, mas era desrespeitado em vários setores da economia. No setor de combustíveis, grandes empresas como Vibra e Raízen, que utilizam o transporte rodoviário para distribuírem os produtos, apareciam no topo da lista de empresas mais autuadas por essa prática, divulgada pelo governo em março. 

Agora aprovadas em definitivo, as medidas de ‘enforcement’ da nova legislação, mais do que a atualização do piso, devem forçar todo o setor a observar as regras, acarretando aumento nos custos logísticos, o que será repassado ao consumidor final.

Interior pesa

“Tudo isso vai ao preço final. A operação para postos em regiões metropolitanas já cobre o frete mínimo na maioria das vezes, e aí o impacto no preço será menor. Mas as operações para o interior, onde a ‘ginástica logística’ é maior e pesa mais, com volumes menores ou fracionados, podem sentir mais”, reconhece um interlocutor próximo a distribuidoras de combustíveis de médio e pequeno porte.

Na média nacional, diz uma fonte do setor, o custo logístico no preço final dos combustíveis, que inclui principalmente transporte – mas também outros serviços como tancagem, por exemplo – representa entre 80% e 85% da margem bruta da distribuição de combustíveis, podendo chegar a 90% ou mais no interior do Brasil, em estados como Mato Grosso, que ficam longe dos polos de refino. No Sudeste, que concentra refinarias e facilidades logísticas, é comum que esse custo fique abaixo da média do país.

Com margens líquidas apertadas, a depender da envergadura, essas empresas repassarão integralmente os custos com o frete mínimo e multas ligadas ao descumprimento ou, no caso de empresas menores, simplesmente deixarão de atender os pontos mais distantes e menos rentáveis da sua mancha de atuação.

Um aumento nas bombas, ainda que marginal, se somaria à inflação por efeito da guerra no Oriente Médio, por enquanto aplacada pelo pacote de subvenção a importadores.

Penalidades

O texto aprovado prevê a aplicação de multa de até R$ 1 milhão para reincidência de contratação de frete abaixo do piso. O valor foi decidido após forte atuação do setor de combustíveis, diz um executivo, uma vez que o conteúdo inicial da MP enviada pelo governo previa multas de até R$ 10 milhões.

Os agentes também atuaram por normas mais brandas na possibilidade de suspensão e cancelamento do RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas) – documento obrigatório. O cancelamento, sanção mais definitiva, foi alvo de pressões contrárias da indústria. 

O texto original vinculava o cancelamento do registro do transportador à simples reincidência de suspensão. Já o texto finalmente aprovado, mais brando, traz o conceito de “contumácia”, que exige dois ou mais processos de suspensão com decisão definitiva e mais uma nova suspensão, tudo dentro de um período de dois anos.

Frete de retorno e fracionado

As reclamações do setor produtivo e da cadeia de combustíveis sobre frete mínimo não são novas, se acumulando desde 2018, inclusive com uma série de ações do STF (Supremo Tribunal Federal). Mas com a ameaça mais clara das penalidades agora, devem ganhar maior tração.

As novas regras, dizem executivos de distribuidoras, reduzem muito o espaço para alguns modelos de frete ainda comuns no setor de combustíveis, com pagamento abaixo do mínimo em função de cargas fracionadas ou da lógica do “frete de retorno”. Nesse último caso, o preço mais baixo de uma viagem de ida ainda seria vantajoso para alguns transportadores porque é possível fazer o caminho de volta com outra carga. É comum nesse mercado a interiorização de volumes com origem fóssil e retorno de etanol e biodiesel. 

Já no “frete fracionado”, um caminhão que comportaria até 30 mil litros de combustível, por exemplo, pode carregar apenas um compartimento com 10 mil litros ou congregar operações com fretes abaixo do mínimo. “O CIOT [Código Identificador da Operação de Transporte] de 10 mil litros não atende o [frete] mínimo, porque é só um pedaço do total do caminhão”, diz. “Tem várias situações que não são cobertas pelo sistema. Isso vai bloquear o CIOT, e serão multas atrás de multas”, diz uma fonte.

Outra queixa do setor é a questão do CIOT em frete de retorno “vazio ou inexistente”, que ainda deverá ser endereçada pela ANTT, segundo um observador. Em alguns casos, como no transporte de QAV (querosene de aviação), por exemplo, o caminhão não pode transportar outros líquidos no retorno e, mesmo assim, transportadores emitiriam Ciot simbólico, invariavelmente abaixo do frete mínimo, o que gera multas.

“Para cargas especializadas, o retorno vazio, mesmo que negociado no preço, não deveria permitir geração de CIOT, porque não configura transporte”, reclama um executivo. Segundo ele, a ANTT já teria sinalizado que vai endereçar a questão, mas a leitura é que nada deve acontecer antes da eleição para não estressar a relação com os caminhoneiros. O outro lado da moeda, admite a fonte, é que agentes se aproveitem de um eventual mecanismo de excepcionalidade para embarcar produto ilegalmente nesses retornos vazios, driblando o frete.

Tais modelos enfrentariam dificuldade na emissão do CIOT conforme as regras aprovadas no Congresso, pelas quais a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) poderá impedir a emissão do registro eletrônico que regulariza a operação de transporte de carga caso perceba que o frete está abaixo do piso. Sem o registro, a empresa que contratou o serviço estará sujeita a multas.

Lista do governo

Em março deste ano, o ministro dos Transportes, Renan Filho, divulgou uma lista com o nome das empresas que “mais descumpriram” o frete mínimo nos quatro meses anteriores. Na relação constavam Vibra e Raízen, duas das três distribuidoras de combustíveis que dominam esse mercado. 

À época, ambas as empresas afirmaram, por meio de nota, que não utilizam transporte autônomo, mas sim contratos com transportadoras de grande porte, e que a remuneração do frete segue modelos próprios compostos por parcelas fixas e variáveis. Sustentaram ainda que eventuais análises que consideram apenas parte dessa composição não refletem o valor real pago nas operações, podendo levar a interpretações distorcidas sobre os preços praticados.

Marcelo Suano analisará o novo cenário geopolítico mundial no CONET&Intersindical 2026, em Ouro Preto (MG)

Marcelo Suano analisará o novo cenário geopolítico mundial no CONET&Intersindical 2026, em Ouro Preto (MG)

Especialista em Política Internacional e Geopolítica participará da programação do evento, com reflexões sobre as transformações políticas globais e seus impactos no ambiente econômico e empresarial

A segunda edição do CONET&Intersindical 2026, promovida pela NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, contará com uma palestra dedicada à análise das transformações políticas internacionais e de seus possíveis reflexos sobre a economia, o ambiente de negócios e as cadeias produtivas.

O evento será realizado entre os dias 27 e 29 de agosto de 2026, no Hotel Vila Galé Ouro Preto (MG), tendo como entidade anfitriã a FETCEMG – Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais, com o apoio dos sindicatos filiados à federação.

A palestra “O Novo Cenário Geopolítico Mundial” integrará a programação da Intersindical e proporcionará aos participantes uma análise sobre os movimentos políticos e estratégicos que vêm redesenhando as relações entre os países e influenciando o comércio, os investimentos, as cadeias de suprimentos e o planejamento das empresas.

Em um contexto internacional marcado por disputas comerciais, conflitos regionais, mudanças nas alianças entre países e novas dinâmicas de poder, acompanhar os desdobramentos da geopolítica tornou-se fundamental para compreender os riscos e as oportunidades que podem afetar diferentes setores da economia.

Para conduzir esse debate, o CONET&Intersindical receberá Marcelo Suano, fundador e diretor de Projetos do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais, consultor especializado em Política Internacional e Geopolítica, além de comentarista em veículos como Revista Oeste e RecordNews. Com ampla experiência na análise de cenários nacionais e internacionais, o palestrante levará ao evento uma abordagem voltada à compreensão das transformações políticas globais e de suas consequências para o ambiente econômico e empresarial.

Marcelo Suano é Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), com especialização em Pensamento Político e Militar Brasileiro, e também é filósofo pela mesma universidade. Entre suas obras e artigos publicados, destacam-se os livros “Para inserir o Brasil no Reino da História – o Pensamento Político e Militar do Gen. Góes Monteiro” e “Como destruir um País – uma aventura socialista na Venezuela”.

A palestra proporcionará aos participantes uma visão ampliada sobre os fatores geopolíticos que influenciam a economia global e, consequentemente, o ambiente de negócios em que atuam as empresas do Transporte Rodoviário de Cargas. Compreender essas transformações tornou-se imperativo para o planejamento

estratégico e para a tomada de decisões em um mercado cada vez mais conectado aos movimentos internacionais.

O CONET&Intersindical 2026 reunirá empresários, executivos, representantes de entidades, autoridades e especialistas de todo o país para promover conhecimento, relacionamento e debates sobre os principais desafios e oportunidades do setor, consolidando-se como um dos mais relevantes encontros do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil.

As inscrições para o evento estão abertas, clique aqui e faça parte do evento.

A Programação Preliminar está disponível abaixo e poderá sofrer ajustes até a realização do evento.

26 de agosto de 2026 | CONET&INTERSINDICAL

19h – Coquetel de Boas-Vindas | ESPAÇO EXPOSIÇÃO Oferecido pela FETCEMG

27 de agosto de 2026 | CONET&INTERSINDICAL 10h – Credenciamento

10h30 | 12h – Abertura Oficial 12h | 13h – Almoço

27 de agosto de 2026 | CONET

13h30 | 14h – PAINEL: MERCADO E TARIFAS

  • Integrantes da Mesa:
    1. Eduardo Ferreira Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
    2. Antonio Luiz Leite – Vice-Presidente da NTC&Logística
    3. Gladstone Lobato – Presidente da FETCEMG

Palestrante: Engo Lauro Valdivia, Assessor Técnico da NTC&Logística

  • Atualização do INCT (Índice Nacional de Custos do Transporte)
  • Apresentação da Pesquisa de Mercado DECOPE – 1º semestre de 2026

14h | 15h – ENCONTRO COM EMPRESÁRIOS DO TRC

  • Integrantes da Mesa:
  1. Eduardo Ferreira Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
  2. Antonio Luiz Leite – Vice-Presidente da NTC&Logística
  3. Gladstone Lobato – Presidente da FETCEMG
  4. Engº Lauro Valdivia Neto – Assessor Técnico da NTC&Logística
  5. José Maria Gomes – Diretor Financeiro da NTC&Logística

Empresários confirmados:

  • Oswaldo Vieira Caixeta Junior, Sócio-Diretor da Transac Transporte e Presidente da ABTLP
  • Julio Eduardo Simões, Sócio-Diretor da Locar Guindastes e Transportes Intermodais e Presidente do SINDIPESA
  • Márcio Afonso de Moraes, CEO da Lenarge Transportes e Serviços Ltda

15h | 15h45 – Palestra: REFORMA TRIBUTÁRIA

Palestrante: Reinaldo Lage Rodrigues de Araújo, Assessor Jurídico Tributário da FETCEMG

15h45 | 16h30 – Palestra: ÍNDICE CNT DE CONFIANÇA

Palestrante: Fernanda Schwantes, Gerente-Executiva de Economia da CNT – Confederação Nacional do Transporte

16h30 | 17h – INVESTIMENTOS REALIZADOS E PROJETOS PARA O TRC

Palestrante convidado: INFRA S.A. 17h | 17h30 – Intervalo

17h30 | 18h15 – TALKS FORNECEDORES DA CADEIA PRODUTIVA DO TRC

  • Integrantes da Mesa:
  1. Eduardo Ferreira Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
  2. Antonio Luiz Leite – Vice-Presidente da NTC&Logística
  3. Gladstone Lobato – Presidente da FETCEMG
  4. Engº Lauro Valdivia Neto – Assessor Técnico da NTC&Logística
  • GEOTAB
  • MERCEDES-BENZ
  • ROADCARD
  • TRANSPOCRED
  • VOLKSWAGEN CAMINHÕES E ÔNIBUS

18h15 | 19h45 – Palestra: CENÁRIO ECONÔMICO E PERSPECTIVAS PARA O TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS

  • Integrantes da Mesa:
  1. Eduardo Ferreira Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
  2. Antonio Luiz Leite – Vice-Presidente da NTC&Logística
  3. Gladstone Lobato – Presidente da FETCEMG

Palestrante: Rita Mundim

Economista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Especialista em Mercado de Capitais pela UFMG e em Ciências Contábeis pela Fundação Getúlio Vargas (FGV); Mestre em Administração pela FEAD-MG; Professora convidada da Fundação Dom Cabral desde 1990; Professora de Mercado de Capitais no IBMEC; Diretora da Aporte Educacional; Administradora de Carteiras autorizada pela CVM; Certificações ANBIMA: CFG e CGA; Comentarista econômica da Rádio Itatiaia; participações como comentarista na CNN Brasil; experiência em cenários econômicos, juros, inflação, mercado financeiro, cooperativismo e governança.

Jornalista e estrategista em comunicação corporativa, com atuação em cenários econômicos e empresariais. Atualmente, é uma das palestrantes mais requisitadas em eventos empresariais e do setor produtivo.

19h45 – Considerações Finais e Encerramento das atividades do dia 19h45 – Coquetel de Boas-Vindas | ESPAÇO EXPOSIÇÃO

Oferecido pela FETCEMG

28 de Agosto de 2026 | INTERSINDICAL 9h – Abertura da INTERSINDICAL

PALESTRA INAUGURAL: O NOVO CENÁRIO GEOPOLÍTICO MUNDIAL

Palestrante: Marcelo Suano

Cientista político, analista de risco político, professor universitário e comentarista brasileiro. Mestrado e Doutorado em Ciência Política pela USP (Universidade de São Paulo), com pesquisas ligadas ao pensamento político e militar brasileiro.

10h30 | 12h30 – AGENDA INSTITUCIONAL DA NTC&LOGÍSTICA

Tema : Principais pautas técnicas e institucionais em andamento no TRC.

  • Integrantes da Mesa:
    1. Eduardo Ferreira Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
    2. Antonio Luiz Leite – Vice-Presidente da NTC&Logística
    3. Gladstone Lobato – Presidente da FETCEMG
    4. José Maria Gomes – Diretor Financeiro da NTC&Logística
    5. Marcos Aurélio Ribeiro – Diretor Jurídico da NTC&Logística
    6. Narciso Figueirôa Junior – Assessor Jurídico da NTC&Logística
    7. Gil Menezes – Assessora Jurídica da NTC&Logística
    8. Edmara Claudino – Assessora de Relações Institucionais da NTC&Logística
    9. Waldomiro Milanesi – Delegado e especialista em segurança
    10. Engº Lauro Valdivia Neto – Assessor Técnico da NTC&Logística
  • Conteúdo:
    • Impactos da redução da jornada semanal no TRC
    • Avaliação das negociações coletivas no TRC
    • Demandas regulatórias junto à ANTT: CIOT; Piso minimo de frete

12h30 | 14h – Almoço

14h | 15h – PALESTRA: REGULAMENTAÇÃO DO SETOR

Palestrante convidado: Guilherme Theo Sampaio – Diretor-Geral da ANTT

15h | 16h30 – PALESTRA: PESQUISAS ELEITORAIS E PROJEÇÕES PARA AS ELEIÇÕES DE 2026

Palestrante: Marcelo Costa Souza

Graduação em Estatística pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1999, e Mestrado em Estatística e Experimentação Agropecuária pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), em 2002. Foi professor das disciplinas de Bioestatística, Epidemiologia e Estatística Experimental para alunos de graduação e pós-graduação da Universidade José do Rosário Vellano (UNIFENAS), de 2002 a 2005. Desde 2006,

atua como diretor da MDA PESQUISA. Tem vasta experiência na área de análise e interpretação de dados, modelagem e gerenciamento de bancos de dados complexos.

16h30 – CONSIDERAÇÕES FINAIS – ENCERRAMENTO

19h | 0h – JANTAR FESTIVO DE ENCERRAMENTO | ESPAÇO EXPOSIÇÃO OFERECIDO PELO SETCEMG

29 de Agosto de 2026 | VISITA TÉCNICA

9h | 12h Visita Técnica à Mineradora de Ferro – Região de ACURI

Saída do ônibus do hotel Villa Galé às 8h e retorno às 12 horas

As inscrições para o evento estão abertas. Clique aqui e faça parte do evento.

As reservas de hospedagem também estão disponíveis. Garanta sua participação realizando a reserva no hotel do evento, clicando aqui.

Realização

l NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística)

Entidade Anfitriã

l FETCEMG – Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais

Apoio

l Sindicatos filiados à FETCEMG

Patrocínio

l FENATRAN l GEOTAB

l MERCEDES-BENZ l ROADCARD

l TRANSPOCRED

Apoios Institucionais

l Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte / SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte / ITL – Instituto de Transporte e Logística)

l FuMTran (Fundação Memória do Transporte)

Apoio Logístico

l Braspress

Túnel Santos-Guarujá avança com acordo para destravar aporte federal de R$ 2,6 bilhões

Túnel Santos-Guarujá avança com acordo para destravar aporte federal de R$ 2,6 bilhões

Termo firmado entre Autoridade Portuária de Santos e governo paulista cria modelo de governança exigido pelo TCU para liberação dos recursos da União

O projeto do túnel imerso entre Santos e Guarujá deu mais um passo para sair do papel. A Autoridade Portuária de Santos (APS) e o governo do Estado de São Paulo assinaram, nesta terça-feira (15), um Termo de Compromisso que estabelece as regras para a gestão do aporte de R$ 2,6 bilhões da União destinado à obra.

O acordo atende a uma exigência do Tribunal de Contas da União (TCU), que condicionou a liberação dos recursos federais à criação de um modelo de governança capaz de garantir transparência, controle e segurança jurídica sobre a aplicação do dinheiro público.

O documento foi assinado pelo presidente em exercício da APS, Júlio Cézar Alves de Oliveira, e pelo secretário de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo, Rafael Benini.

Os recursos sob responsabilidade da APS correspondem à metade do aporte público previsto no contrato de concessão do empreendimento. Pelo modelo definido, o dinheiro federal permanecerá depositado em uma conta vinculada (escrow account), sob titularidade da União, até que sejam cumpridas as condições para cada desembolso.

A transferência dos valores para o governo paulista ocorrerá apenas após a emissão de um relatório técnico e de uma manifestação formal aprovada pela própria Autoridade Portuária de Santos, mecanismo que busca assegurar que os pagamentos acompanhem o avanço físico da obra.

Além de regulamentar a liberação dos recursos, o termo cria o Comitê Técnico de Governança do Custeio Federal, órgão permanente responsável por acompanhar a execução do projeto.

O colegiado será composto por representantes da APS, da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) e da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). Também poderão participar representantes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e do Ministério de Portos e Aeroportos.

Segundo o acordo, o comitê terá como função coordenar a troca de informações entre os órgãos envolvidos, monitorar a execução físico-financeira da obra e acompanhar a gestão de riscos durante a implantação do túnel.

Considerado um dos principais projetos de infraestrutura logística do país, o Túnel Santos-Guarujá deverá substituir parte da travessia atualmente realizada por balsas, reduzindo o tempo de deslocamento entre as duas cidades e melhorando o acesso ao Porto de Santos, o maior da América Latina. O empreendimento será executado por meio de concessão com participação financeira dos governos federal e estadual.

PEC cria política nacional para apoiar transporte rodoviário profissional; o que muda?

PEC cria política nacional para apoiar transporte rodoviário profissional; o que muda?

Proposta pretende assegurar infraestrutura mínima para o cumprimento das normas de segurança viária e trabalhista; texto está em tramitação na Câmara dos Deputados

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 22/2025, em tramitação na Câmara dos Deputados, prevê a criação de uma Política Nacional de Apoio à Atividade de Transporte Rodoviário Profissional. O texto prevê que motoristas profissionais não sejam penalizados quando a falta de locais adequados de descanso impedir o cumprimento dos intervalos obrigatórios, além de flexibilizar o período de repouso em viagens de longa distância.

A PEC acrescenta os artigos 139 e 140 ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da Constituição Federal e estabelece que a política deverá ser criada pela União, em articulação com estados, o Distrito Federal, os municípios e o setor privado.

O objetivo é assegurar infraestrutura mínima para o cumprimento das normas de segurança viária e trabalhista para motoristas profissionais, tanto do transporte de cargas quanto de passageiros.

O QUE DIZ A PEC 22/2025?

A proposta define como infraestrutura mínima a existência de locais de repouso e descanso, dotados de condições adequadas de segurança, higiene e repouso para motoristas profissionais, empregados ou autônomos.

O texto também prevê que o Poder Executivo estabeleça critérios técnicos para classificar os trechos rodoviários, urbanos e rurais, de acordo com a suficiência dessa infraestrutura.

De acordo com a PEC, deverá ser publicado anualmente, pela União, um relatório oficial com o mapeamento da cobertura de locais de repouso e descanso destinados aos motoristas profissionais e a atualização da classificação dos trechos rodoviários. A proposta também estabelece que os pontos de repouso e descanso deverão ser reconhecidos pelos órgãos competentes.

MOTORISTA NÃO PODERÁ SER PENALIZADO

Pela proposta, o motorista em atividade de transporte rodoviário profissional não poderá ser penalizado quando a ausência de locais adequados de parada impedir o cumprimento dos intervalos obrigatórios. Para que isso aconteça, a falta de infraestrutura do ponto de descanso deve ser reconhecida pelo poder público.

Além disso, as penalidades decorrentes do descumprimento do tempo de descanso dos motoristas profissionais devem observar o grau de descumprimento.

DESCANSO FLEXIBILIZADO

Outro ponto relevante tratado pela proposta é a possibilidade de os motoristas profissionais que realizam viagens longas flexibilizarem o tempo de descanso. Atualmente, a Lei do Caminhoneiro prevê 11 horas de descanso por dia, das quais pelo menos oito devem ser cumpridas de forma ininterrupta entre duas jornadas de trabalho.

A PEC 22/2025 mantém essa exigência, mas estabelece que, em viagens de longa distância – aquelas com duração superior a 24 horas –, o período de descanso poderá ser fracionado enquanto as rodovias não tiverem pontos de parada suficientes. No entanto, esse fracionamento será condicionado à celebração de acordo ou convenção coletiva de trabalho.

Por fim, a proposta ainda estipula acúmulo de períodos de descanso semanal remunerado, limitado a quatro períodos consecutivos, desde que também exista previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho.

PRÓXIMAS ETAPAS DE TRAMITAÇÃO NA CÂMARA

A admissibilidade da proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados em junho de 2026. Segundo a Agência Câmara de Notícias, o relator da PEC 22/2025 na CCJ, deputado Zé Trovão (PL-SC), recomendou a aprovação da proposta.

Para ele, a legislação vigente estabelece parâmetros objetivos quanto à jornada de trabalho e aos períodos de descanso dos motoristas profissionais, com vistas à preservação da segurança viária e da saúde do trabalhador. “Todavia, a realidade das rodovias brasileiras evidencia a insuficiência de infraestrutura adequada para o cumprimento dessas exigências”, alertou.

Com a aprovação da admissibilidade, a PEC 22/2025 segue agora para análise de mérito por uma comissão especial, responsável por avaliar o conteúdo da proposta e propor alterações no texto original. De acordo com a Câmara dos Deputados, o colegiado tem o prazo de 40 sessões do Plenário para votar a proposta.

Após essa etapa, a PEC passará para o Plenário, onde precisará receber o apoio de pelo menos 308 deputados em dois turnos de votação.

Tacógrafo poderá ganhar novo peso na fiscalização de velocidade; entenda o que muda

Tacógrafo poderá ganhar novo peso na fiscalização de velocidade; entenda o que muda

Alteração aprovada pelo Congresso permite que os registros do equipamento passem a ser utilizados como elemento para comprovação de excesso de velocidade. Medida ainda depende de sanção presidencial

Uma das mudanças mais relevantes incluídas no Projeto de Lei de Conversão (PLV) nº 6/2026, que teve origem da Medida Provisória nº 1.343/2026, pode alterar a forma como se realiza a fiscalização dos veículos de carga no Brasil.

O texto aprovado pelo Congresso Nacional modifica o artigo 218 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para atribuir maior relevância aos registros produzidos pelo tacógrafo, permitindo que eles sejam utilizados como elemento para a caracterização da infração por excesso de velocidade.

Embora a proposta ainda aguarde sanção presidencial, a mudança já desperta atenção entre caminhoneiros, empresas transportadoras e especialistas em trânsito.

O que é o tacógrafo?

Conhecido popularmente como “caixa-preta” dos caminhões, o tacógrafo é um equipamento destinado ao registro contínuo de informações como velocidade desenvolvida pelo veículo, distância percorrida e tempo de direção.

Seu uso é obrigatório em diversas categorias de veículos, especialmente aqueles destinados ao transporte de cargas e passageiros.

Além de auxiliar no controle da jornada dos motoristas e nas investigações de sinistros, o equipamento passa por verificações metrológicas periódicas para garantir a confiabilidade dos dados registrados.

O que muda?

Até hoje, a fiscalização do excesso de velocidade ocorre principalmente por meio de radares, equipamentos medidores regulamentados e outras formas previstas na legislação.

Com a alteração aprovada pelo Congresso, os registros produzidos pelo tacógrafo passam a ganhar relevância como elemento para caracterização dessa infração.

De acordo com o especialista em trânsito Celso Alves Mariano, trata-se de uma mudança significativa para o transporte rodoviário de cargas.

“O tacógrafo deixa de ser apenas um equipamento destinado ao registro operacional e passa a assumir um papel mais relevante também na fiscalização de velocidade, o que poderá ampliar sua importância nas ações dos órgãos de trânsito.”

O que muda para caminhoneiros?

Na prática, cresce a importância de manter o equipamento funcionando corretamente, com a verificação metrológica em dia e sem qualquer irregularidade que comprometa a confiabilidade dos registros.

Especialistas também recomendam que empresas transportadoras reforcem os procedimentos internos de controle do equipamento, já que seus registros poderão ter consequências diretas na fiscalização.

Ainda haverá regulamentação?

Embora o texto tenha sido aprovado pelo Congresso, sua aplicação dependerá, em primeiro lugar, da sanção presidencial.

Além disso, especialistas avaliam que poderão ser necessários atos complementares para disciplinar a utilização prática dos registros do tacógrafo nas autuações. Ou seja, estabelecendo critérios técnicos, procedimentos de fiscalização e garantias quanto à confiabilidade das informações.

Até que essas definições ocorram, permanece a expectativa sobre como será a implementação da nova regra pelos órgãos responsáveis pela fiscalização do trânsito.

Independentemente da regulamentação futura, a alteração evidencia uma tendência de ampliar o uso das informações produzidas pelos equipamentos embarcados nos veículos de carga como ferramenta de fiscalização e de promoção da segurança viária.