PMEs crescem 1,1% em setembro, com destaque para indústria e comércio

O IODE-PMEs (Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs) apresentou crescimento de 1,1% em setembro de 2022 nas atividades financeiras das PMEs, na comparação com o mesmo mês de 2021. Já na análise direta com agosto, o índice recuou 3,9%.

Segundo o levantamento, o período foi marcado pelo bom desempenho do setor industrial (+12,9% frente a setembro de 2021) e, em menor medida, do (+3,8%). Porém, no intervalo, o IODE-PMEs indica queda das movimentações financeiras reais nos setores agropecuário (-14,8%), serviços (-2,7%) e infraestrutura (-2,%).

O IODE-PMEs funciona como um termômetro econômico das empresas com faturamento de até R$50 milhões anuais, consistindo no monitoramento de 637 atividades econômicas que compõem cinco grandes setores: agropecuário, comércio, indústria, infraestrutura e serviços.

“O crescimento da movimentação financeira das PMEs do setor industrial nos últimos meses é sustentado pela retomada da demanda doméstica e pelo aumento da competitividade de alguns segmentos, em relação à similares importados. Tal movimento reflete a desvalorização do real frente ao dólar, quanto à complexidade trazida pela pandemia no abastecimento de algumas cadeias produtivas – fatores que abrem mercado para a operação de indústrias de pequeno e médio porte especialmente”, explica Felipe Beraldi, gerente de Indicadores e Estudos Econômicos da Omie, plataforma de gestão (ERP) na nuvem.

sazonais devem aquecer fim de ano

Os dados apontam ainda que, além do desaquecimento visto no mercado no decorrer do terceiro trimestre (apenas de 2,2%, avanço mais baixo comparado ao primeiro trimestre de 3,5%), o funcionamento de diversos segmentos deve ser afetado no final do ano pela ocorrência da Copa do Mundo, pois nos dias de jogos da seleção brasileira, espera-se uma interferência no funcionamento das empresas no último bimestre do ano.

Os setores mais afetados devem ser as atividades de serviços voltados para empresas (B2B – ‘Business to Business’) e indústrias. Ambos os segmentos mostraram um bom desempenho no período recente, o que pode restringir o comportamento do IODE-PMEs como um todo no final do ano. No entanto, a Copa do Mundo também deve estimular mercados específicos do varejo (eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo) e toda a cadeia de e serviços de produtos alimentícios e bebidas.

O final do ano também é marcado por sazonalidades do como a Black Friday e as compras relacionadas à celebração de Natal. Beraldi explica que esses períodos ocorrerão em um momento de redução parcial das pressões inflacionárias (como a queda dos preços de ), da ampliação do pagamento do Auxílio Brasil e o pagamento do 13º salário, ações que estimulam o consumo das famílias.

De toda forma, há elementos a curto prazo que devem restringir a evolução dos negócios das PMEs (especialmente do setor de comércio) nessa época. “Além da Copa do Mundo desviar a atenção dos consumidores, o elevado repasse de custos nos preços de bens finais, no decorrer do ano, e os níveis mais altos das taxas de juros devem restringir as vendas de diversos segmentos do varejo, a curto prazo”, ressalta o especialista.

Em linhas gerais, os empreendedores devem enfrentar um cenário econômico desafiador, com incertezas internas e externas, segundo a empresa. Cada vez mais ficarão evidentes no desempenho da atividade econômica os efeitos da subida de juros promovida pelo Banco Central ao longo deste ano.

“Altas taxas de juros encarecem a tomada de crédito, prejudicando a evolução do consumo, além dos investimentos na real. O empreendedor também vive com as incertezas da econômica, assim como olhar com atenção para a delicada situação fiscal do país. Esses serão fatores fundamentais para a melhora dos negócios no Brasil”, reforça Beraldi.

O ambiente internacional também deve se configurar como um empecilho na expansão da brasileira. Com o conflito armamentista entre a Rússia e a Ucrânia, os países desenvolvidos seguem procurando combater a elevada inflação e várias cadeias produtivas e ainda sentem impactos das restrições para controle da Covid-19.

O levantamento aponta que ainda há espaço para que as PMEs brasileiras sigam em crescimento no próximo ano. A pequena queda na inflação no país e o ritmo de recuperação do mercado de – via retomada da ocupação e evolução dos rendimentos reais – são fatores fundamentais para sustentar o crescimento do consumo das famílias.

“Vale ressaltar que a redução da inflação deverá abrir espaço para reversão da trajetória das taxas de juros no segundo semestre de 2023 e, consequentemente, favorecer o acesso ao crédito. Com isso, os micros e pequenos empreendedores tendem a manter o crescimento dos negócios, ainda que inseridos em um contexto macroeconômico bastante complexo e repleto de incertezas”, finaliza Beraldi.

Metodologia do IODE-PMEs

Compreendendo a relevância das PMEs no desempenho econômico do nosso país, a Omie desenvolveu o IODE-PMEs (Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs), que acompanha as atividades econômicas das pequenas e médias empresas brasileiras. A pesquisa da scale-up Omie é um tipo de apuração inédita entre as empresas do segmento, atuando como um termômetro econômico das empresas com faturamento de até R$ 50 milhões anuais, além de oferecer uma análise segmentada setorialmente do mercado de PMEs no Brasil.

Para elaborar os índices, a Omie analisa dados agregados e anonimizados de movimentações financeiras de contas a receber de mais de 100 mil clientes, cobrindo 637 CNAEs (de 1.332 subclasses existentes) – considerando filtros de representatividade estatística. Os dados são deflacionados com base nas aberturas do IGP-M (FGV), tendo como base o índice vigente no último mês de análise, com o objetivo de expurgar o efeito meramente inflacionário na série temporal, permitindo que se observe a evolução das movimentações financeiras em termos reais.

PMEs buscam crédito para capital de giro e reposição de estoque

Pesquisa realizada pela Nuvemshop revela que são quatro os principais motivos que levam as PMEs que vendem online a buscarem crédito: capital de giro (29%); aquisição e/ou reposição de estoque (26%); investimento em marketing (14%) e reforço ou amplição da estrutura do negócio (12%). Para 8% dos empreendedores, a tomada de crédito foi realizada para refinanciamento de dívidas.

Para Renato Burin, head do Nuvem Pago, meio de pagamento da Nuvemshop, o crédito bem usado investido no negócio é um grande impulsionador para o crescimento da empresa. “Em um período de pico de vendas, como a Black Friday que se aproxima, o lojista precisa se preparar e garantir que tenha estoque, portanto, o crédito é uma opção para essa ampliação. Investimento para aumento de produção, quando há fabricação própria, também é uma excelente estratégia, desde que haja um planejamento adequado para isso”, complementa.

Além disso, independentemente de ter ou não feito um empréstimo recentemente, 35% dos empreendedores afirmam que a probabilidade de precisar de dinheiro extra nos próximos 6 meses é alta ou muito alta.

Outra tendência apontada pela pesquisa é a digitalização dos serviços financeiros. Apesar de empreendedores ainda utilizarem canais tradicionais para pedir um empréstimo, como a solicitação presencial (26%), a maioria (68%) utilizou canais online, principalmente aplicativos, para pesquisar e contratar crédito.

“A busca por crédito em canais online mostra não só a digitalização, mas também uma tendência inclusiva e mais democrática, possibilitando uma pesquisa mais prática para os lojistas e um acesso facilitado por sites e aplicativos. Além disso, a experiência se torna mais agradável para o empreendedor, que não precisa se deslocar para resolver a questão”, comenta Burin.

Confira as dicas de Burin para aqueles que desejam buscar um novo crédito:

  1. Avalie a organização financeira da empresa. É preciso estar em crescimento e com as contas em dia para obter boas avaliações e melhores condições de crédito;
  2. Priorize ter um bom produto ou serviço e encantar seus clientes. Quanto melhor o desempenho do negócio, maior é a chance de obter o crédito e aplicá-lo com sucesso;
  3. Considere o pagamento do empréstimo em seu planejamento financeiro mensal, evitando atrasos e transtornos como multas e negativações;
  4. Evite pegar muito mais crédito do que precisa só porque foi aprovado, isso pode atrapalhar a gestão financeira.

A pesquisa sobre créditos foi realizada com uma amostra das pequenas e médias empresas brasileiras que fazem parte da base da Nuvem Shop, que conta com mais de 100 mil de lojistas na plataforma.

Fonte: E-commerce Brasil

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