Quais são as perspectivas para as commodities até o fim de 2022?

Foto: Shutterstock/Reprodução

As commodities agrícolas estão passando por um período de reequilíbrio que pode dar mais estabilidade ao mercado depois de uma série de turbulências, como a crise de contêineres, a pandemia de covid-19 e a guerra na Europa. As incertezas ainda continuam, entretanto os preços dos insumos começam a apresentar queda depois de um longo período de alta.

Clima e as commodities agrícolas

No Brasil, a chuva retornou para o Centro-Oeste e tem tido índices normais nas demais regiões produtoras, exceto nos Estados da Região Sul do Brasil. Isso tem aliviado o déficit hídrico, especialmente nas lavouras perenes do Sudeste, segundo indica o relatório Agro Mensal, elaborado pelo Itaú BBA.

No Paraná, o excesso de precipitação pode prejudicar a qualidade do trigo, mas favorece o plantio do milho de primeira safra. As geadas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina não prejudicaram as culturas de inverno.

Soja

O Brasil deve registrar mais um recorde, com 153,8 milhões de toneladas colhidas, resultado do crescimento da área plantada para 42,9 milhões de hectares, além da melhoria na produtividade. No entanto, o produtor deve ficar atento às influências do La Niña, que deve prejudicar as chuvas durante a safra em parte do Sul do Brasil, na Argentina e no Paraguai.

“O cenário de forte redução da taxa de crescimento da global em meio ao aumento da taxa de juros em vários países poderá impactar o crescimento da demanda pela oleaginosa no mundo”, escreveram os especialistas em agronegócio do Itaú BBA. A desaceleração da na China, contudo, pode reduzir a demanda global.

Milho

A perspectiva internacional para o milho envolve a redução das estimativas de produção nos Estados Unidos — prevista pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para 353 milhões de toneladas (uma redução de 7,5%) — e na União Europeia, com safra estimada em 56 milhões de toneladas (queda de 21%).

Porém, o Brasil ainda tem 37% do milho da safrinha para serem comercializados. Os produtores devem vender os grãos por um valor descolado do mercado internacional a fim de liberar espaço nos armazéns para a chegada da soja.

Boi

A oferta de carne bovina deve cair a partir de novembro, pressionando os preços. O valor do boi gordo vem caindo desde agosto, estreitando as margens projetadas dos animais. Isso deve desestimular o confinamento de animais para engorda, refletindo na disponibilidade de carne bovina até o fim de 2022.

“É razoável que vejamos uma certa recuperação dos preços da carne no mercado interno, em função do abastecimento para o fim do ano”, analisou o Itaú BBA. Os últimos meses do ano são o período de maior consumo e, em 2022, pode ser impulsionado pela realização da Copa do Mundo.

Fertilizantes

O preço dos fertilizantes recuaram em setembro, devido a um volume 22% menor do que o mesmo mês de 2021. As relações de troca melhoraram, ficando em um nível menor ao período anterior à guerra contra a Ucrânia. No entanto, esse alívio pode ser temporário para o agricultor brasileiro. A demanda pode aumentar até o fim do ano, com as negociações para o milho safrinha brasileiro e a abertura do leilão para a compra indiana. A antecipação de compras dos Estados Unidos e a reposição de estoques da União Europeia também podem elevar a procura por insumos no mercado internacional.

Fonte: Canal Agro Estadão

Agronegócio

%d blogueiros gostam disto: