TranspoAmazônia 2026 destaca infraestrutura e logística como vetores do desenvolvimento regional

por | jun 2, 2026 | Notícias, Outros

Fonte: Agência CNT Transporte Atual (28/05/2026)
Divulgação
Chapéu: TRANSPOAMAZÔNIA

Programação desta quarta-feira no estande reuniu assinatura de acordo técnico, debates sobre ESG, empregabilidade, cooperativismo financeiro e os desafios da BR-319

O Sistema Transporte participou da TranspoAmazônia 2026 com uma programação voltada ao desenvolvimento regional, à sustentabilidade e à inovação no setor transportador. As atividades realizadas no estande institucional incluíram a assinatura de um acordo de cooperação técnica, palestras e debates sobre infraestrutura, mercado de trabalho, ESG e inteligência estratégica.

A abertura da programação foi marcada pela assinatura de um ACT (Acordo de Cooperação Técnica) entre o SEST SENAT e o Concultura (Conselho Municipal de Cultura), órgão vinculado à Prefeitura de Manaus. A parceria busca integrar ações de desenvolvimento social, promoção da qualidade de vida e valorização cultural na capital amazonense, ampliando o acesso da população a serviços institucionais básicos e especializados.

O acordo prevê desconto de 30% nos serviços oferecidos pelas Unidades Operacionais do SEST SENAT no Amazonas, incluindo atendimentos de saúde, atividades esportivas, lazer e cursos de qualificação profissional. A cooperação também incentiva a participação de artistas, grupos culturais e agentes cadastrados no Concultura em campanhas, eventos e ações promovidas pela entidade.

A assinatura contou com a presença do presidente do Conselho Regional Norte I (CRN I) do SEST SENAT e da Fetranorte (Federação das Empresas de Transportes Rodoviários da Região Norte), Francisco Saldanha Bezerra Junior; da diretora operacional da Unidade SEST SENAT Jorge Teixeira, Grece Melo; do gerente operacional da Unidade SEST SENAT Planalto, Welton Flexa, e da presidente do Concultura, Janayna Castro de Vasconcelos.

Cooperativismo financeiro e sustentabilidade econômica

O papel das finanças sustentáveis no transporte foi tema de painel conduzido por Carlos Eduardo Gomes, gerente de Expansão Nacional da Transpocred, cooperativa integrante do Sistema Ailos.

Durante a apresentação, foram destacadas as diferenças entre cooperativas de crédito e instituições bancárias tradicionais, com foco no desenvolvimento comunitário e em soluções financeiras voltadas aos cooperados.

Segundo os dados apresentados, o cooperativismo financeiro reúne mais de 24 milhões de cooperados no país e soma R$ 1 trilhão em ativos, com presença em mais de 3 mil municípios brasileiros. Em cerca de 500 cidades, as cooperativas representam a única instituição financeira disponível.

O painel também destacou a relevância econômica do setor transportador, responsável por movimentar R$ 700 bilhões do PIB nacional em 2025 e operar uma frota superior a 125 milhões de veículos.

ESG e sustentabilidade corporativa

A Braspress apresentou iniciativas voltadas à agenda ESG (ambiental, social e de governança), com destaque para o projeto-piloto de eletrificação da frota. Segundo a empresa, metade da frota da filial CCT já opera com veículos elétricos, reduzindo a emissão de 18 toneladas de CO2 por ano.

A transportadora também apresentou resultados obtidos com o uso de telemetria e do curso Motorista Eficiente, que proporcionaram melhora de 80% na condução técnica dos veículos e redução dos custos de manutenção.

Entre as iniciativas ambientais, a empresa destacou ainda o uso de energia renovável em 26 filiais, programas de gestão de resíduos, logística reversa de componentes automotivos e reúso da água utilizada na lavagem de frotas.

Na área social, foram apresentados programas como Rainhas do Volante, voltado à formação de mulheres motoristas; o Comitê de Diversidade; o CAMB (Centro de Apoio ao Motorista), e o Programa do Sono.

A Braspress também ressaltou a parceria com o Programa Despoluir, iniciativa ambiental do Sistema Transporte voltada à redução de emissões de poluentes. Segundo a empresa, as ações realizadas em 2025 resultaram na redução de 3.025 toneladas de CO2 e na diminuição do consumo anual de diesel, de 660 mil para 380 mil litros.

Empregabilidade no transporte

O mercado de trabalho no setor foi abordado em palestra conduzida por Wlliane Magna, analista administrativa da CNT.

Segundo dados apresentados pela gerente executiva de relacionamento corporativo do SEST SENAT, Jamile Antunes, o transporte está presente em mais de 5 mil municípios brasileiros e responde por 6% dos empregos formais do país, reunindo cerca de 2,9 milhões de trabalhadores.

Após registrar mais de 94 mil novos postos de trabalho em 2025, o setor acumula saldo positivo de 39.063 empregos formais em 2026. Durante a apresentação, também foi destacado o projeto Emprega Transporte, plataforma desenvolvida pelo SEST SENAT para conectar empresas e profissionais do setor.

Desafios da BR-319

A programação técnica abordou ainda os desafios de infraestrutura e sustentabilidade relacionados à BR-319, rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO).

O debate foi conduzido pelos engenheiros Alzira Miranda, Érika Pinheiro e Alan Ferreira, que destacaram os desafios técnicos e ambientais da recuperação da via, considerada a única ligação terrestre do Amazonas com o restante do país.

Segundo os especialistas, o chamado Trecho do Meio, com cerca de 756 quilômetros, concentra os principais gargalos da rodovia, incluindo problemas de drenagem, baixa capacidade de suporte do solo e deterioração causada pelo elevado volume de chuvas da região amazônica.

Os palestrantes também ressaltaram a necessidade de investimentos em pontes permanentes, conectividade, bases de atendimento e suporte médico emergencial.

A estimativa apresentada aponta necessidade de investimentos de R$ 8 bilhões para reconstrução e pavimentação da rodovia, com potencial de geração de 40 mil empregos diretos e impacto positivo para cerca de 3 milhões de habitantes.

No aspecto logístico, os estudos indicam possibilidade de redução de até 30% nos custos do frete, fortalecendo a competitividade do Distrito Industrial e da Zona Franca de Manaus.

Na área ambiental, os especialistas defenderam a realização de estudos rigorosos de impacto, além da adoção de medidas mitigadoras e monitoramento contínuo da região.