Programação destacou IA como infraestrutura de negócio, manutenção preditiva, segurança baseada em dados e expansão do ecossistema tecnológico da Geotab
O segundo dia oficial do Geotab Connect 2026, realizado ontem, 11 de fevereiro, em Las Vegas (EUA), aprofundou a discussão sobre o papel da inteligência artificial como eixo estruturante da nova geração da telemática. A programação reforçou que o setor vive uma transição definitiva: a tecnologia deixou de ser apenas ferramenta operacional e passou a atuar como infraestrutura estratégica de inteligência para a gestão de frotas e para o Transporte Rodoviário de Cargas.
A palestra de abertura foi conduzida por Neil Cawse, CEO e fundador da Geotab, que apresentou uma visão clara sobre a evolução do setor. Segundo ele, a telemática entrou em uma nova fase estratégica impulsionada pela inteligência artificial. O debate deixou de ser sobre rastreamento e passou a ser sobre infraestrutura de inteligência operacional, combinando escala global, dados de alta qualidade e aplicação prática de IA nos desafios reais do transporte. Cawse destacou ainda que os próximos cinco anos deverão evoluir mais rapidamente que os últimos vinte e cinco, exigindo das empresas capacidade de adaptação organizacional e tecnológica.
A programação também evidenciou a telemática como infraestrutura de negócio, com integração direta aos sistemas corporativos, dados confiáveis e acionáveis, e suporte estratégico como diferenciais competitivos. A inteligência artificial foi apresentada como transformação estrutural – já executando tarefas reais dentro das organizações – e não apenas como tendência. Outro ponto de destaque foi o conceito de “gêmeo digital” (Digital Twin), permitindo análise contextual do comportamento do motorista, manutenção preditiva baseada em múltiplas variáveis e gestão de segurança com inteligência combinada entre sensores, vídeo e contexto operacional.
Na sequência, Mike Branch, vice-presidente de Dados e Análises da Geotab, trouxe uma abordagem prática sobre escalabilidade tecnológica. Utilizando a jornada de crescimento de uma frota como exemplo, demonstrou como a plataforma evolui da simplicidade operacional inicial para soluções avançadas de IA, vídeo, manutenção preditiva, roteirização inteligente e gestão de veículos elétricos. A mensagem central foi que sofisticação não pode significar complexidade, mas sim capacidade de crescimento estruturado com inteligência aplicada e resultados mensuráveis.
Também ganhou destaque a apresentação de Robin Kinsey, vice-presidente associada de Marketplace da Geotab, que aprofundou o papel do ecossistema como diferencial competitivo. Foi reforçado que nenhuma plataforma isolada resolve todos os desafios de uma frota moderna e que o marketplace, com centenas de integrações, funciona como mecanismo estratégico para adaptar a solução à realidade específica de cada operação. A ampliação do monitoramento de ativos não motorizados, navegação inteligente para veículos comerciais, gestão digital de sinistros e integração com múltiplos fornecedores foram alguns dos exemplos apresentados.
Ao longo do dia, também foram detalhadas evoluções no portfólio da Geotab, incluindo ampliação das capacidades de vídeo com visão computacional, treinamento preditivo automatizado para motoristas, rastreamento de trailers e contêineres, compartilhamento de dados em ambientes de nuvem como AWS, Google Cloud e Microsoft, além da integração com assistentes externos de inteligência artificial.
O evento recebe a comitiva da NTC&Logística, a convite da Geotab Brasil, formada por integrantes da COMJOVEM, membros da diretoria da entidade e empresários associados, que acompanham de perto os principais debates e conteúdos da programação, reforçando a importância da atualização estratégica do setor brasileiro
A Assessora Executiva da Presidência da NTC&Logística, Elisete Balarini, que acompanha o evento em Las Vegas, destacou a relevância do conteúdo apresentado: “Hoje, tivemos a oportunidade de acompanhar a abertura do Connect Geotab 2026 com o CEO da empresa, Neil Cawse, e conhecer inovações que mostram claramente para onde o transporte de cargas está caminhando. Como responsável pelas relações institucionais e comerciais da NTC&Logística com a Geotab, é impressionante ver o que já está sendo desenvolvido para apoiar as empresas e os motoristas. Também tivemos a oportunidade de visitar a feira com as marcas que fazem parte do ecossistema Geotab, reunindo empresas com muita tecnologia e inovação. Foi um dia de atualização não só sobre o presente, mas principalmente sobre o futuro do setor”.
O Geotab Connect 2026 se encerra hoje, 12 de fevereiro, consolidando-se como um dos principais fóruns globais de discussão sobre inteligência operacional, segurança baseada em dados, conectividade ampliada e integração total de sistemas, pilares que vêm moldando o futuro do Transporte Rodoviário de Cargas em escala mundial.
A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) deu início a uma nova edição da Pesquisa de Mercado do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), voltada às empresas transportadoras de todo o país. O levantamento tem como objetivo avaliar a situação econômica do setor ao longo de todo o ano de 2025, identificando os principais desafios enfrentados, além de oportunidades, tendências e indicadores que impactam diretamente o desenvolvimento e a sustentabilidade das operações.
O questionário poderá ser respondido até o dia 13 de fevereiro de 2026.
A coleta de informações será realizada por meio de um questionário objetivo e de fácil preenchimento, com perguntas de múltipla escolha, garantindo uma participação prática e acessível para as empresas. A colaboração do setor é essencial para que o estudo retrate com precisão a realidade do transporte de cargas no Brasil e forneça dados consistentes para a formulação de políticas públicas e estratégias empresariais.
Os resultados consolidados serão apresentados durante a primeira edição de 2026 do CONET&Intersindical (Conselho Nacional de Estudos em Transporte, Custos, Tarifas e Mercado), que será realizada no dia 26 de fevereiro, em Brasília (DF).
Parceria entre a NTC&Logística e a Domani Global oferece soluções práticas para atender às exigências da nova legislação climática e fortalecer a competitividade das transportadoras
As exigências ambientais impostas às empresas brasileiras avançaram de forma significativa nos últimos anos e, agora, passam a impactar diretamente o Transporte Rodoviário de Cargas. A criação do Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE), por meio da Lei nº15.042/2024, estabeleceu novas regras para a gestão e o reporte das emissões de gases de efeito estufa, tornando o tema parte integrante da governança e da estratégia empresarial.
Com a regulamentação, empresas que registram emissões superiores a 10 mil toneladas de CO₂ equivalente (CO₂e) por ano passam a ter a obrigação de elaborar e reportar seus inventários de emissões. Já aquelas que ultrapassam 25 mil toneladas anuais devem, adicionalmente, apresentar planos de mitigação e compensação, alinhados às diretrizes do mercado regulado de carbono no Brasil.
Esse novo ambiente regulatório exige organização, dados confiáveis e planejamento. Para apoiar as transportadoras nesse processo, a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) estabeleceu uma parceria com a Domani Global, empresa especializada em soluções ESG e gestão de emissões, com foco em oferecer apoio técnico, ferramentas digitais e condições acessíveis às empresas do setor.
O movimento acompanha uma tendência mais ampla do mercado. De acordo com a PwC Brasil (2024), 62% das grandes empresas brasileiras já contam com práticas ESG estruturadas, e essa exigência vem sendo gradualmente transferida para fornecedores e operadores logísticos. No transporte de cargas, atender a essas demandas deixou de ser um diferencial e passou a ser um fator decisivo para manutenção de contratos, acesso a financiamentos e competitividade no mercado.
A parceria entre a NTC&Logística e a Domani Global foi estruturada para atender empresas de todos os portes, respeitando a realidade operacional do transporte e oferecendo soluções escaláveis, que permitem avançar na agenda ESG de forma gradual, segura e financeiramente previsível.
Soluções disponíveis para empresas associadas à NTC&Logística
l Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) Mensuração das emissões nos escopos 1, 2 e 3, conforme padrões técnicos e exigências legais.
l Plataforma Domani SaaS – Sustainability as a Service Sistema digital para gestão ESG, monitoramento mensal e geração automática de relatórios.
l Diagnóstico ESG e Plano de Descarbonização Avaliação de riscos e oportunidades, com definição de estratégias para redução e compensação de emissões.
l Treinamentos e capacitações corporativas Formação técnica e estratégica para equipes operacionais, administrativas e comerciais, com certificação.
l Certificação e Selo Carbono Neutro Para empresas que realizarem a compensação de suas emissões por meio de projetos certificados.
l Atendimento especializado para o Transporte Rodoviário de Cargas Suporte técnico com foco nas particularidades operacionais e regulatórias do setor.
Os pacotes foram desenvolvidos para micro, pequenas, médias e grandes transportadoras, com condições diferenciadas para associadas da NTC&Logística, permitindo que a adequação às exigências ambientais ocorra de forma planejada, estruturada e alinhada às demandas do mercado.
Serviço
Domani Global – Sustentabilidade para o Transporte de Cargas
CNT monitora temas trabalhistas e regulatórios e reforça agenda que inclui marco do transporte público e segurança
O início dos trabalhos do Congresso Nacional em 2026 colocou em evidência propostas com potencial impacto sobre a atividade transportadora, especialmente na área trabalhista e regulatória. A mensagem do Poder Executivo e a definição de prioridades da Câmara dos Deputados e do Senado Federal indicam o direcionamento da agenda legislativa, enquanto a instalação das comissões permanentes abre caminho para a análise de matérias setoriais.
Entre os temas prioritários, estão possíveis mudanças na jornada de trabalho e a regulamentação das atividades mediadas por plataformas digitais, propostas que podem afetar diretamente a organização operacional, os custos de mão de obra e a dinâmica de prestação de serviços no transporte e na logística.
Diante desse cenário, a CNT (Confederação Nacional do Transporte) atua no monitoramento das discussões e defende que alterações regulatórias sejam construídas com base técnica e previsibilidade jurídica. Segundo o diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, a participação ativa no debate legislativo busca assegurar que as decisões considerem a realidade operacional do setor. “O transporte acompanha de perto a pauta do Congresso e contribui tecnicamente para que temas estratégicos avancem com segurança jurídica e equilíbrio regulatório. Nosso objetivo é garantir condições para que o setor continue competitivo e capaz de atender às demandas da sociedade”, afirmou.
A entidade sustenta que medidas relacionadas a relações de trabalho, obrigações normativas e encargos setoriais devem considerar os impactos sobre produtividade, competitividade e sustentabilidade das empresas transportadoras.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou a intenção de avançar na análise de temas trabalhistas e econômicos, enquanto o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), destacou a apreciação de projetos estruturantes nas áreas econômica e social como eixo do ano legislativo.
No plano institucional, a instalação das comissões permanentes marca o início da fase técnica da tramitação e concentra a atenção do setor transportador. Colegiados ligados à infraestrutura, desenvolvimento econômico e relações de trabalho passam a conduzir debates, audiências públicas e análise de proposições que tratam de regulação, investimentos e políticas públicas, definindo o ritmo de avanço das matérias.
Apesar dos gargalos macroeconômicos e tributários, lideranças do setor enxergam oportunidades em tecnologia, ESG e amadurecimento da gestão como caminhos de crescimento sustentável
O ano de 2026 começa com uma combinação de desafios econômicos e regulatórios que impactam diretamente o desempenho do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). Embora os indicadores econômicos indiquem estabilidade, com crescimento do PIB em torno de 1,8%, inflação estimada em 4,02%, o fim da desoneração da folha de pagamento, a transição para a reforma tributária e os custos crescentes com obrigações fiscais e operacionais impõem novos desafios ao setor.
A leitura feita pelas lideranças do setor reforça que esse cenário macroeconômico mais restritivo já começa a se refletir no dia a dia das transportadoras. Para a presidente executiva do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (SETCESP), Ana Jarrouge, os reflexos mais imediatos vêm da inadimplência recorde registrada em 2025, sobretudo nos atrasos no pagamento de fretes, o que pressiona o caixa das empresas logo nos primeiros meses do ano e nas adaptações tributárias que já vêm acontecendo. “Além das obrigações fixas, como IPVA, o primeiro trimestre é historicamente marcado por uma demanda mais baixa. Somado a isso, tivemos um 2025 com inadimplência recorde, os custos gerados pela adaptação aos novos sistemas tributários e a nova etapa da reoneração da folha, que deve gerar impacto acumulado de até 3% nos custos, segundo o DECOPE da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística)”, afirma.
O ambiente regulatório também segue pressionando. As multas aplicadas pela ANTT em relação ao piso mínimo do frete aumentaram, enquanto as incertezas sobre o seguro RC-V continuam afetando a operação, com dúvidas sobre critérios, fiscalização e disponibilidade de apólices no mercado. A PEC 22/2025, que trata da jornada e descanso dos motoristas profissionais, será outra pauta central em 2026, com as entidades buscando maior segurança jurídica para o setor.
“Será um ano que exigirá muito planejamento e conhecimento técnico. As empresas precisam acompanhar as atualizações legais, precificar com base em todos os impactos e promover uma recomposição tarifária que permita manter a saúde financeira e investir”, reforça Ana.
Na avaliação de Joyce Bessa, diretora de Estratégia e Gestão da TransJordano e vice-presidente extraordinária da Pauta ESG da NTC&Logística, 2026 exigirá um novo patamar de maturidade na gestão. “O fim da desoneração, a reforma tributária e a pressão por eficiência vão expor fragilidades operacionais. Empresas sem controle de custos, sem processos estruturados e sem dados confiáveis tendem a sofrer”, destaca.
A executiva reforça que a preparação deve começar agora, com simulações tributárias, revisão de contratos, investimento em tecnologia e formação de equipes capazes de lidar com um cenário mais exigente.
Apesar dos desafios, o setor também enxerga oportunidades. Programas como o Move Brasil, voltado à renovação de frota com linhas de crédito atrativas, e a crescente adoção de tecnologias como telemetria, IA e analytics podem gerar ganhos de eficiência relevantes. A transição energética, com o uso de biometano e GNV, também tende a avançar, desde que bem planejada e tecnicamente adequada.
A valorização dos profissionais será outro ponto crítico. Com a entrada em vigor da nova NR-1 em maio, que amplia a responsabilidade das empresas sobre saúde mental e bem-estar, a gestão de pessoas ganhará mais relevância. “Ambientes hostis, insalubres e sem preparo das lideranças deixarão de ser tolerados. A cultura organizacional será decisiva para atrair e reter talentos”, pontua Jarrouge.
Joyce acrescenta que investir em bem-estar, segurança, treinamento e estrutura deixará de ser diferencial e passará a ser pré-requisito. “Crescer em 2026 exigirá coerência entre discurso e prática. Empresas que tratam segurança, governança, ESG e pessoas como parte do núcleo do negócio serão mais resilientes e atrativas no médio e longo prazo”, finaliza.
Publicação reúne análises da infraestrutura, dados atualizados de acidentes e recomendações práticas para reduzir riscos nas rodovias brasileiras
O calendário de 2026 será marcado por uma sequência de feriados prolongados, muitos deles concentrados em quintas, sextas e segundas-feiras, o que tende a impulsionar o volume de viagens rodoviárias em todo o país. Diante desse cenário, a CNT lança o Guia CNT de Segurança nas Rodovias Brasileiras 2026, publicação voltada a orientar motoristas e contribuir para um trânsito mais seguro durante férias e feriados prolongados.
O Guia reúne informações essenciais sobre fatores de risco, condições das vias e boas práticas de condução, reforçando a importância do planejamento prévio e da atenção redobrada ao volante. O material destaca que conhecer antecipadamente o trecho a ser percorrido – incluindo o estado do pavimento, a geometria da via e a sinalização existente – é fundamental para mitigar riscos e tornar a viagem mais segura.
Para apoiar esse planejamento, a CNT disponibiliza ferramentas como a Pesquisa CNT de Rodovias 2025 e o Painel CNT de Acidentes Rodoviários, que permitem avaliar a infraestrutura viária, mapear pontos críticos e identificar os melhores trajetos sob os critérios de segurança e conservação.
Retrato da Segurança Viária
A publicação também apresenta um retrato preocupante da segurança viária no país. Entre janeiro e dezembro de 2025, as rodovias federais brasileiras registraram 72.476 acidentes, que resultaram em 6.040 mortes e 83.490 pessoas feridas. Os dados indicam uma média aproximada de 199 acidentes e 16 óbitos por dia no período analisado, reforçando a necessidade de atenção redobrada por parte de todos os usuários das rodovias.
As colisões permanecem como o tipo de ocorrência mais frequente, com 44.755 registros (61,8% do total). Já a principal causa de mortes foi transitar na contramão, responsável por 958 óbitos (15,9%). O levantamento aponta ainda que a ausência de reação do condutor foi a causa mais recorrente de acidentes, com 11.456 ocorrências (15,8%). Os números evidenciam o impacto direto do comportamento dos motoristas na segurança viária e reforçam a importância da direção defensiva.
O estudo identifica a BR-101 como a rodovia federal com maior volume de acidentes, somando 13.006 ocorrências (17,9%), além de liderar também o número de mortes, com 760 óbitos (12,6%) no período analisado. O dado reforça a necessidade de atenção especial nos trechos com maior fluxo e histórico elevado de risco.
Recomendações Práticas
Além do diagnóstico, o Guia Viagem Segura 2026 apresenta orientações práticas para que motoristas reconheçam trechos perigosos, interpretem corretamente a sinalização e adotem condutas preventivas. Entre as recomendações, estão cuidados básicos com a manutenção preventiva do veículo, planejamento da viagem, respeito aos limites de velocidade e atenção redobrada à presença de usuários vulneráveis (pedestres, ciclistas e motociclistas).
Para a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, os dados reforçam que boa parte dos acidentes poderia ser evitada com atitudes simples. “Planejar o trajeto, revisar o veículo e respeitar a sinalização não são apenas recomendações: são ações que salvam vidas. Por isso reforçamos a importância da atenção contínua à via e da direção responsável. Nosso compromisso é oferecer informações que ajudem motoristas e transportadores a viajar com mais segurança e consciência”, explicou.