CNT quer entender percepção de empresários do transporte rodoviário de cargas sobre o cenário econômico e suas perspectivas

CNT quer entender percepção de empresários do transporte rodoviário de cargas sobre o cenário econômico e suas perspectivas

Índice CNT de Confiança do Transportador amplia alcance e inicia nova coleta em seis estados

A CNT inicia, no próximo dia 28 de maio, uma nova coleta do Índice CNT de Confiança do Transportador Rodoviário de Cargas, que acompanha a percepção dos empresários do setor sobre o cenário econômico, o ambiente de negócios e as suas expectativas para os próximos seis meses.

Nesta edição, o levantamento amplia seu alcance. Além de Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo passam a participar da sondagem, fortalecendo a representatividade regional da pesquisa. As coletas serão realizadas até 14 de junho, em parceria com as federações estaduais do transporte, evidenciando a atuação conjunta da CNT e das entidades regionais na mobilização do empresariado e na geração de informações estratégicas para o setor de transporte e logística.

Com apenas seis perguntas objetivas, o questionário pode ser preenchido em menos de cinco minutos. Todas as informações são tratadas de forma confidencial e agregada, sem identificação individual das empresas participantes. Os resultados consolidados da pesquisa serão divulgados no dia 25 de junho.

O Índice CNT de Confiança do Transportador Rodoviário de Cargas é um importante instrumento de acompanhamento das expectativas do setor desde 2023, permitindo identificar tendências econômicas, avaliar o ambiente de negócios e subsidiar o planejamento das empresas transportadoras.

“Além de acompanhar o nível de confiança do empresariado, o levantamento ajuda a identificar tendências e desafios que impactam diretamente a atividade transportadora. A entrada de Minas Gerais e Espírito Santo amplia a abrangência da pesquisa e fortalece a leitura estadual, e agora em toda a região Sudeste, sobre o ambiente de negócios no transporte rodoviário de cargas”, afirma a diretora-executiva da CNT, Fernanda Rezende.

A articulação com os empresários conta com a parceria das seguintes federações:

• Santa Catarina – Fetrancesc

• Rio Grande do Sul – Fetransul

• Rio de Janeiro – Fetranscarga

• São Paulo – Fetcesp

• Minas Gerais – Fetcemg

• Espírito Santo – Fetransportes

Ineficiência logística amplia emissões no transporte

Ineficiência logística amplia emissões no transporte

Especialistas defendem que redução de desperdícios operacionais pode acelerar descarbonização e diminuir custos do setor

Enquanto o debate sobre descarbonização do transporte no Brasil segue concentrado em eletrificação e combustíveis alternativos, uma parcela relevante das emissões do setor continua ligada a problemas básicos de eficiência operacional. Caminhões rodando vazios, longas filas para carga e descarga, congestionamentos e rotas mal planejadas aumentam diariamente o consumo de diesel e os custos logísticos do país.

O tema ganhou espaço diante da avaliação de que parte da redução de emissões no transporte pesado pode ser alcançada imediatamente, sem depender exclusivamente de mudanças tecnológicas de longo prazo.

O modal rodoviário responde por cerca de 65% da movimentação de cargas no Brasil, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT). Ao mesmo tempo, o setor concentra a maior parte das emissões do transporte nacional, reflexo direto da dependência das rodovias e da baixa eficiência operacional do sistema.

Na prática, especialistas apontam que o desperdício começa antes mesmo de o veículo entrar em circulação. Tempo excessivo parado para carregamento, retorno sem carga, manutenção inadequada, pneus desregulados e uso ineficiente das rotas fazem com que caminhões consumam mais combustível para transportar menos carga.

Um dos principais gargalos apontados pelo setor é o chamado “empty miles” ou “frete-retorno”, quando caminhões circulam sem carga, sem gerar receita, mas consumindo combustível e ampliando emissões. Relatório mais recente da American Transportation Research Institute (ATRI) aponta que as viagens vazias representaram 16,7% da quilometragem total percorrida por transportadoras nos Estados Unidos em 2024, índice considerado um dos maiores fatores de desperdício operacional do transporte rodoviário, estimando emissões de cerca de 76 milhões de toneladas de CO₂ por ano.

Medidas simples de eficiência operacional, como direção econômica, roteirização inteligente, monitoramento da frota e redução do tempo parado, têm potencial para gerar economia significativa de combustível no transporte rodoviário. Ferramentas de consolidação de carga também vêm sendo utilizadas para reduzir viagens parcialmente vazias e aumentar a eficiência operacional.

Além disso, investimentos em telemetria e integração logística permitem identificar, em tempo real, excessos de marcha lenta, desvios de rota, acelerações bruscas e outros padrões de condução que aumentam o consumo de combustível.

A renovação da frota é apontada como um dos caminhos mais diretos para ganhos de eficiência e redução de emissões. Levantamento do Sindipeças referente a 2024 mostra que a proporção de caminhões com mais de 16 anos de uso passou de 22% para 32% da frota total entre 2015 e 2024, evidenciando um claro envelhecimento do parque nacional. Segundo a CNT, em 2024, cerca de 300 mil caminhões circulavam com mais de 20 anos de vida útil, enquadrados na fase P-4 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), com limites de emissão de material particulado até 15 vezes mais elevados do que os exigidos nos modelos da fase P-8 (Euro 6).

Para a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), um motor a diesel com 30 anos de uso polui 87% mais do que um equivalente Euro 6. Além da redução de poluentes, os caminhões modernos oferecem maior capacidade de carga por quilômetro rodado, permitindo transportar mais mercadoria com menos combustível, um ganho que impacta diretamente as emissões de CO₂ por tonelada transportada. Nesse contexto, o governo federal lançou, em janeiro de 2026, o programa Move Brasil, com linhas de crédito a juros reduzidos voltadas à substituição de caminhões com mais de 20 anos por modelos mais eficientes e menos poluentes.

A qualidade da infraestrutura rodoviária também compromete diretamente o consumo de combustível e as emissões do setor. A Pesquisa CNT de Rodovias 2025, que avaliou mais de 114 mil quilômetros de rodovias pavimentadas, estima que a má conservação do pavimento gerou um desperdício superior a 1,2 bilhão de litros de diesel no país em 2025, com emissão correspondente de 3,17 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, prejuízo de R$ 7,21 bilhões aos transportadores.

A pesquisa aponta ainda que o custo operacional do transporte aumenta, em média, 31,2% nas vias em condições inadequadas, reflexo direto de defeitos como trincamentos, afundamentos e perda de aderência superficial. Apesar de avanços recentes, a proporção de trechos classificados como ruins ou péssimos caiu de 26,6% para 19,1% entre 2024 e 2025. E 62% das rodovias brasileiras ainda apresentam algum tipo de problema estrutural, com impacto direto sobre emissões e competitividade logística.

Para José Eduardo Luzzi, presidente do Conselho de Administração do Instituto MBCBrasil, a discussão sobre descarbonização precisa incorporar medidas de aplicação imediata e alinhadas à realidade operacional brasileira.

“O Brasil discute tecnologias futuras enquanto ainda desperdiça combustível em operações ineficientes todos os dias. Existe redução de emissões disponível agora, com melhor planejamento logístico, menos ociosidade e uso mais eficiente da frota”, afirma. Segundo Luzzi, parte importante do desafio climático no transporte está ligada à baixa produtividade logística do país.

“Quando um caminhão passa horas parado, roda vazio no retorno ou enfrenta congestionamentos constantes, existe um custo econômico e ambiental ao mesmo tempo. Melhorar a eficiência operacional reduz consumo de diesel, corta emissões e aumenta competitividade sem exigir mudanças imediatas de infraestrutura ou substituição completa da frota”, diz.

O impacto econômico também preocupa o setor. Levantamento do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) aponta que os custos logísticos brasileiros representam cerca de 18% do Produto Interno Bruto (PIB), percentual acima da média internacional e considerado um dos entraves à competitividade da economia nacional.

Na avaliação do Instituto MBCBrasil, a descarbonização do transporte brasileiro não dependerá apenas da substituição tecnológica dos veículos, mas também da capacidade de reduzir desperdícios históricos da logística nacional. A combinação entre eficiência operacional, melhoria da infraestrutura, renovação gradual da frota e adoção de tecnologias de baixo carbono é vista como um dos caminhos para diminuir emissões e aumentar a competitividade do transporte no país.

ANTT registra mais de 37 mil multas em cinco dias; piso mínimo de frete lidera autuações

ANTT registra mais de 37 mil multas em cinco dias; piso mínimo de frete lidera autuações

Conforme dados publicados no Diário Oficial da União, maior volume de autuações foi registrado em 21 de maio; ao todo, foram mais de 15 mil autos de infração nesse único dia

O volume de multas aplicadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) voltou a chamar atenção nos últimos dias após a publicação, no Diário Oficial da União (DOU), de 37.473 autos de infração individuais entre 18 e 22 de maio.

Parte dos dados ganhou visibilidade após a empresa Rumo Brasil divulgar, nas redes sociais, um levantamento sobre as autuações publicadas no dia 21 de maio. Na data em questão, foram identificados mais de 15 mil autos de infração.

A partir disso, a MundoLogística ampliou a análise e consolidou os dados publicados entre os dias 18 e 22 de maio.

Os dados mostram que a fiscalização da Agência vem operando em uma escala significativamente maior do que a observada nos últimos anos, em meio à ampliação das regras de controle sobre operações de transporte rodoviário de cargas e à entrada em vigor de novas exigências relacionadas ao Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT).

O maior volume de autuações foi registrado na quinta-feira, 21 de maio, quando foram publicados 15.930 autos de infração em um único dia. Ao longo na semana, foram registradas 133 ocorrências na segunda-feira (18), número que saltou para 6.666 multas no dia seguinte (19). Na quarta-feira (20), o total chegou a 12.671 registros. Na sexta-feira (22), o número caiu para 2.073.

Entre as empresas com maior número de autuações no período, os volumes variam de 1.398 infrações, no caso da companhia mais autuada, até 53 registros entre as 50 empresas com maior quantidade de multas publicadas nos cinco dias analisados.

A empresa com maior número de autuações concentrou 1.398 registros no período, sendo 748 apenas no dia 21 de maio. A segunda companhia com mais infrações somou 1.247 autuações, das quais 559 foram publicadas no mesmo dia. Já a terceira empresa registrou 547 multas no período, com 357 concentradas em 21 de maio. A quarta colocada acumulou 524 autuações, sendo 149 apenas naquela quinta-feira.

PISO MÍNIMO LIDERA VOLUME DE AUTUAÇÕES

Embora as autuações envolvam diferentes tipos de infrações regulatórias monitoradas pela ANTT, o maior volume está concentrado no piso mínimo de frete.

Do total de 37.473 autuações registradas no período, 25.969 estavam relacionadas ao descumprimento do piso mínimo do frete, o equivalente a 69,3% dos registros publicados pela Agência nos cinco dias analisados.

Na sequência, aparecem autuações ligadas ao Vale-Pedágio, com 10.071 registros, além de infrações relacionadas ao Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), transporte de passageiros, evasão de balança, Pagamento Eletrônico de Frete (PEF) e transporte rodoviário de produtos perigosos.

Os dados também mostram concentração das autuações de piso mínimo em poucos dias específicos. Somente em 21 de maio foram publicados 11.416 autos relacionados ao PMF. No dia anterior (20), foram 10.088 registros. Já em 19 de maio, o número chegou a 2.898 autuações.

FISCALIZAÇÃO MUDA DE ESCALA

O aumento do volume ocorre em meio ao endurecimento das regras de fiscalização adotadas pelo Governo Federal e pela ANTT nos últimos meses.

Em março, o governo publicou a Medida Provisória nº 1.343/2026, que reforçou mecanismos de controle sobre o cumprimento do piso mínimo do frete e ampliou penalidades para casos de descumprimento.

Na sequência, a ANTT publicou as Resoluções nº 6.077/2026 e nº 6.078/2026, regulamentando a medida e estabelecendo um novo modelo operacional baseado na validação prévia das operações por meio do CIOT.

Em abril, a agência avançou com a publicação da Portaria SUROC nº 6/2026, que passou a impedir a geração do CIOT em operações com frete abaixo do piso mínimo. A norma entrou em vigor no último domingo (24).

A nova etapa da fiscalização prevê ainda integração entre CIOT, MDF-e e notas fiscais eletrônicas, ampliando a rastreabilidade das operações e a capacidade de verificação automática das informações registradas no transporte rodoviário de cargas.

NOVAS REGRAS AMPLIAM RASTREABILIDADE

Em março, durante o anúncio das novas medidas relacionadas ao piso mínimo do frete, o então ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que o número de autuações aplicadas pela ANTT havia passado de cerca de 300 por mês, antes do início do atual governo, para aproximadamente 6 mil em 2024, chegando naquele momento à marca de cerca de 40 mil autuações mensais.

Segundo o ministro, até março, as multas aplicadas às empresas haviam somado R$ 419 milhões nos quatro meses anteriores.

Dados levantados pela ANTT a pedido do g1 mostram que, somente em 2026, a Agência já aplicou mais de R$ 354 milhões em multas relacionadas ao descumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas, com mais de 90 mil autuações registradas no período.

O volume representa alta de 33% em relação a todo o ano de 2025, quando cerca de 67 mil multas foram aplicadas. Em 2018, primeiro ano da série histórica, o valor total das multas aplicadas por esse tipo de infração foi de R$ 69 mil em todo o ano.

De acordo com a Agência, o aumento no número de autuações está relacionado ao uso mais intensivo da fiscalização eletrônica no setor.

A MundoLogística também solicitou à ANTT os valores atualizados referentes às multas aplicadas em abril deste ano, mas ainda não recebeu retorno da Agência até a publicação desta reportagem.

NTC&Logística participa da abertura da TranspoAmazônia 2026 em Manaus

NTC&Logística participa da abertura da TranspoAmazônia 2026 em Manaus

Evento reúne representantes de 65 países, lideranças do Transporte Rodoviário de Cargas, autoridades e empresários para discutir infraestrutura, integração logística e desenvolvimento da Amazônia

A abertura oficial da TranspoAmazônia 2026 – III Feira e Congresso Internacional de Transporte e Logística aconteceu nesta quarta-feira (27), no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus (AM), reunindo autoridades, empresários, lideranças do setor de Transporte Rodoviário de Cargas e logística de todo o Brasil, além de representantes internacionais de 65 países.

Da esquerda para a direita: Flávio Benatti; Carlos Panzan; Antonio Luiz Leite; Eduardo Rebuzzi; Irani Bertolini; José Maria Gomes e Arlan Rodrigues

Considerada a maior feira de logística da Região Norte e uma das principais do segmento no país, a TranspoAmazônia reúne 150 marcas nacionais e internacionais, com expectativa de movimentar mais de R$ 1 bilhão em negócios ao longo da programação, que segue até sexta-feira (29). O evento é promovido pela Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (FETRAMAZ).

Representando a NTC&Logística, participaram da solenidade de abertura o presidente da entidade, Eduardo Rebuzzi; o vice-presidente, Antonio Luiz Leite, e o diretor financeiro, José Maria Gomes, reforçando a presença institucional da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística em um momento estratégico para o fortalecimento da infraestrutura e da integração logística da Região Norte.

A mesa de abertura contou com a presença de Paulo Caleffi, secretário-geral da CIT; Eduardo Rebuzzi, presidente da NTC&Logística; Vander Costa, presidente do Sistema Transporte; Irani Bertolini, presidente da FETRAMAZ; Ricardo Mendes Lasmar, diretor-presidente da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados e Contratados do Estado do Amazonas (ARSEPAM), representando o Governo do Estado do Amazonas, e a secretária-executiva Thayrine Oliveira, representando o Ministério de Portos e Aeroportos.

Paralelamente à realização da TranspoAmazônia, Manaus também sediou importantes agendas voltadas à logística, à navegação e à infraestrutura da Amazônia. Entre elas, a visita do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao Estaleiro Beconal (Bertolini Construção Naval da Amazônia), considerado referência da indústria naval da região. Durante a agenda, foram anunciados investimentos federais superiores a R$ 7 bilhões voltados à expansão da navegação, da infraestrutura energética e da indústria naval no Amazonas.

Em seu discurso, o presidente Lula destacou a importância do fortalecimento da indústria nacional e dos investimentos em infraestrutura para geração de emprego e desenvolvimento regional. “O Brasil sabe produzir navios, barcaças e equipamentos. Quando a gente investe aqui, gera emprego, desenvolve tecnologia e fortalece a indústria nacional”, afirmou.

O presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, também ressaltou a importância da integração logística da Amazônia e da ampliação do debate sobre infraestrutura na região. “A logística faz parte da realidade da Amazônia. As hidrovias têm um peso enorme para a região e integrar melhor os modais é fundamental. Trazer esse debate para Manaus ajuda a dar mais visibilidade às necessidades de infraestrutura do Norte”, destacou.

Irani Bertolini, presidente da FETRAMAZ e idealizador da TranspoAmazônia 2026, destacou a importância da feira para ampliar a visibilidade do potencial logístico e econômico da Região Norte, reforçando o papel estratégico da Amazônia para o desenvolvimento nacional.

“A TranspoAmazônia nasceu da necessidade de dar voz e vitrine ao setor na região, que, além da floresta, também é tecnologia, logística, indústria e sustentabilidade. Em todos os estados, temos muito a desenvolver e vamos reunir os principais players nacionais e internacionais para criar esta conexão com o empresariado local e mostrar onde podemos chegar juntos”, destacou Bertolini, um dos pioneiros no transporte de cargas para a Amazônia na década de 1970.

Durante o evento, o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, reforçou a importância da TranspoAmazônia para o desenvolvimento do Transporte Rodoviário de Cargas e para a construção de soluções integradas para a logística nacional.

“A TranspoAmazônia demonstra a força estratégica da Região Norte para o desenvolvimento do Brasil. Discutir infraestrutura, integração logística, sustentabilidade e investimentos é essencial para o presente e o futuro do Transporte Rodoviário de Cargas e de toda a cadeia produtiva. A NTC&Logística participa deste momento reafirmando seu compromisso com o desenvolvimento do setor e com a busca de soluções que contribuam para uma logística cada vez mais eficiente e integrada no país”, afirmou Rebuzzi.

Lançamento do livro “A História do Transporte na Amazônia”

Durante a programação oficial da TranspoAmazônia 2026, aconteceu também o lançamento do livro “A História do Transporte na Amazônia”, escrito por Etelvina Garcia e publicado pela Fundação Memória do Transporte (FuMTran). A obra resgata a trajetória do transporte na Região Amazônica, os desafios logísticos enfrentados ao longo das décadas e as soluções desenvolvidas para conectar uma das regiões mais estratégicas do país.

O projeto editorial, desenvolvido em parceria com a FETRAMAZ, destaca o impacto da logística no desenvolvimento econômico e social da Amazônia, além de apresentar reflexões sobre o futuro do transporte sustentável e da integração multimodal na região. A publicação também conecta a memória cultural amazônica aos debates globais sobre mobilidade, infraestrutura e desenvolvimento.

O presidente da Fundação Memória do Transporte (FuMTran) e vice-presidente da NTC&Logística, Antonio Luiz Leite, destacou a importância da obra para preservar a história do setor e valorizar o papel do transporte no desenvolvimento da Amazônia e do Brasil.

“Contar a história do transporte na Amazônia é preservar a memória de homens e mulheres que ajudaram a integrar uma das regiões mais desafiadoras e estratégicas do país. Esta obra reforça a importância da logística para o desenvolvimento regional e para a construção de um futuro mais conectado, sustentável e integrado para o Brasil”, afirmou.

42ª Assembleia Geral Ordinária da CIT

Outro importante destaque da programação foi a realização da 42ª Assembleia Geral Ordinária da Câmara Internacional de Logística e Transportes (CIT), realizada em Manaus, tendo como anfitriã a FETRAMAZ, entidade filiada à Câmara Internacional.

A Assembleia acontece concomitantemente à TranspoAmazônia 2026 e reúne representantes de diversos países para discutir temas estratégicos ligados ao comércio internacional; transporte ferroviário; inteligência artificial aplicada ao transporte; legislação do transporte de cargas; rotas bioceânicas; resiliência climática; descarbonização; transporte de produtos perigosos; escassez de motoristas e outros assuntos relevantes para o desenvolvimento da logística global.

O encontro também proporciona um ambiente de networking e geração de negócios entre representantes da cadeia multimodal do transporte e logística, ampliando conexões internacionais e oportunidades de investimentos para o setor.

Durante a programação da CIT, o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, realizou uma apresentação sobre os impactos da possível redução da escala 6×1 no Transporte Rodoviário de Cargas, abordando os desafios operacionais, econômicos e trabalhistas que poderão afetar diretamente o setor. Rebuzzi expôs um panorama das mudanças que vêm sendo debatidas no Brasil e a necessidade de um amplo diálogo entre empresas, trabalhadores e poder público para construção de soluções sustentáveis para o Transporte Rodoviário de Cargas.

A programação da TranspoAmazônia 2026 continua nesta quinta-feira (28) e segue até sexta-feira (29), reunindo empresários, autoridades, representantes de entidades, especialistas e profissionais do setor em uma agenda ampla de debates, troca de experiências, geração de negócios e discussões estratégicas voltadas ao fortalecimento da logística, da infraestrutura e do Transporte Rodoviário de Cargas na Região Amazônica e no Brasil.

Sistema Transporte defende multimodalidade, investimentos e segurança operacional em seminário do LIDE-MG

Sistema Transporte defende multimodalidade, investimentos e segurança operacional em seminário do LIDE-MG

Durante debate sobre infraestrutura e mobilidade, Vander Costa destacou a integração entre modais, os desafios logísticos de Minas Gerais e os impactos da proposta de redução da jornada de trabalho no transporte

O presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, participou, nesta segunda-feira (25), do seminário Cidades: Infraestrutura e Mobilidade, promovido pelo LIDE (Grupo de Líderes Empresariais) Minas Gerais, em Belo Horizonte (MG). Durante o painel Infraestrutura e Mobilidade Terrestre, o dirigente defendeu o fortalecimento da multimodalidade, a ampliação dos investimentos em infraestrutura e a análise dos impactos da proposta de redução da jornada de trabalho no setor transportador.

O encontro reuniu autoridades públicas, lideranças empresariais e especialistas para discutir os desafios da mobilidade urbana e da logística em Minas Gerais e no país.

Em sua participação, Vander Costa defendeu um modelo de transporte integrado, baseado na interdependência entre os diferentes modais. “O Brasil precisa tratar o transporte como uma prioridade estratégica de Estado. Não existe competição entre modais, existe complementaridade. Um sistema logístico eficiente depende da integração inteligente entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, com planejamento, investimento e visão de longo prazo”, afirmou.

Segundo o presidente do Sistema Transporte, a eficiência logística é fundamental para o crescimento econômico, a integração produtiva e a redução das desigualdades regionais. Nesse contexto, ele destacou a participação ativa da CNT na construção do PNL 2050 (Plano Nacional de Logística), iniciativa voltada ao planejamento de longo prazo da infraestrutura nacional, com foco na integração modal, na redução do custo Brasil e na diminuição das emissões de poluentes.

Ao abordar o cenário mineiro, Vander Costa ressaltou a relevância estratégica de Minas Gerais para a logística nacional. O estado concentra a maior malha rodoviária do país, com cerca de 272 mil quilômetros, o equivalente a 16% da malha nacional, mas ainda enfrenta desafios relacionados à capacidade, manutenção e modernização da infraestrutura.

Dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025 mostram que 37,9% dos trechos avaliados em Minas Gerais foram classificados como regulares, enquanto 27,5% apresentaram condições ruins ou péssimas, reforçando a necessidade de investimentos em recuperação e ações emergenciais na malha estadual. Segundo estimativas da CNT, seriam necessários R$ 15,8 bilhões em obras de recuperação e outros R$ 11,9 bilhões em intervenções emergenciais.

Outro tema debatido no painel foi o déficit de mão de obra qualificada no transporte e os possíveis impactos da proposta de redução da jornada semanal de trabalho. De acordo com dados apresentados durante o encontro, a diminuição da carga horária de 44 para 40 horas semanais demandaria cerca de 240 mil novas contratações e gerar impacto de R$ 11,88 bilhões no longo prazo.

“O transporte já convive com escassez de mão de obra e dificuldades de contratação, com 65,1% das empresas do setor enfrentando dificuldades para contratar motoristas. Por isso, mudanças na jornada de trabalho precisam considerar os impactos sobre a operação, os custos e a capacidade do setor de manter seus serviços”, afirmou Vander Costa.

O painel contou ainda com a participação do secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais, Pedro Bruno; do diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Guilherme Theo Sampaio; do presidente da ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), Marco Aurélio Barcelos; do vice-presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Emir Cadar, e da vice-presidente de Produtos da Wabtec, Daniela Rodrigues Ornelas.

Transporte farmacêutico aposta em nova fase de diálogo com a Anvisa em 2026

Transporte farmacêutico aposta em nova fase de diálogo com a Anvisa em 2026

O transporte farmacêutico iniciou 2026 com expectativa de maior aproximação junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). A avaliação é de Gylson Ribeiro, representante da Comissão de Transportes Farmacêuticos do SETCESP e vice-presidente extraordinário de Transporte de Produtos Farmacêuticos da NTC&Logística, que aponta a mudança na diretoria da Agência como um dos fatos mais relevantes para o segmento neste ano.

Segundo ele, a troca de quatro diretores da Anvisa, incluindo a presidência do órgão, abriu espaço para um relacionamento mais próximo com as entidades do transporte. Em abril, representantes da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC) participaram de uma reunião com a presidência da Agência para discutir demandas do setor.

De acordo com Ribeiro, o principal avanço percebido pelas transportadoras é a disposição da Anvisa em ouvir as dificuldades operacionais enfrentadas pelas empresas na aplicação das normas sanitárias. “A norma precisa ser economicamente viável e executável. O diálogo é fundamental para que ela funcione na prática”, afirmou.

A expectativa do setor, agora, é firmar um acordo de cooperação entre a Anvisa e as entidades representativas do transporte. A proposta prevê reuniões periódicas, criação de grupos técnicos conjuntos e maior alinhamento sobre interpretação das regras e processos de fiscalização.

Fiscalização e interpretação das normas seguem entre os principais desafios

Apesar do avanço no diálogo, o setor ainda enfrenta dificuldades relacionadas à interpretação das regulamentações sanitárias em diferentes regiões do país. Segundo Ribeiro, um dos principais desafios está na uniformização da fiscalização.

“O Brasil possui milhares de órgãos municipais ligados à vigilância sanitária, o que acaba gerando entendimentos distintos sobre uma mesma norma. Se o fiscal entende a regra de uma forma e a transportadora de outra, isso gera insegurança operacional”, explicou.

Entre os pontos que seguem em discussão, está a operação de cross-docking, prática comum no transporte rodoviário de cargas. Atualmente, a Anvisa entende que a armazenagem temporária durante a transferência de produtos entre veículos configura atividade de armazenagem, exigindo estrutura e documentação específicas.

Para o setor de transporte, porém, o processo faz parte da movimentação logística e não deveria receber o mesmo enquadramento de um centro de armazenagem convencional. A intenção das entidades é ampliar o diálogo técnico para revisar interpretações consideradas incompatíveis com a dinâmica operacional do transporte.

Última milha ainda gera preocupação no transporte farmacêutico

Outro tema que permanece no radar das transportadoras é a chamada última milha, especialmente nas entregas realizadas entre farmácias e consumidores finais.

Segundo Ribeiro, as exigências regulatórias aplicadas ao transporte especializado não são cobradas com o mesmo rigor nas operações realizadas por empresas de e-commerce e entregadores independentes. Para ele, isso cria uma assimetria competitiva e pode comprometer o controle de qualidade dos medicamentos.

“O produto farmacêutico exige cuidados específicos. Hoje, ainda existe uma abertura regulatória nessa etapa final da cadeia”, afirmou.

Mesmo diante desse cenário, o representante do SETCESP afirma que as transportadoras especializadas seguem investindo no cumprimento das normas sanitárias e em melhorias operacionais, especialmente no controle de temperatura e rastreabilidade dos produtos.

Tecnologia e soluções térmicas ganham espaço nas operações

A evolução tecnológica também tem ampliado as alternativas para o transporte farmacêutico. Segundo Ribeiro, o setor vem acompanhando o surgimento de novas soluções térmicas passivas e tecnologias voltadas ao monitoramento da cadeia fria. Essas inovações têm sido discutidas em encontros promovidos por entidades como Sindusfarma, Interfarma, ABOL e Abrafarma, que reúnem representantes da indústria, transporte, armazenagem e varejo farmacêutico.

Encontro NTC Farma em outubro

Como parte desse movimento de integração do setor, a NTC deve realizar, em 6 de outubro, a segunda edição do Encontro NTC Farma, no Palácio dos Transportes, em São Paulo. O evento reunirá representantes da indústria farmacêutica, operadores logísticos, transportadoras, armazenadoras, especialistas técnicos e entidades setoriais para debater regulamentação, tecnologia e boas práticas no transporte de medicamentos.

Para Ribeiro, iniciativas como essa ajudam a fortalecer o alinhamento entre os diferentes elos da cadeia e contribuem para a construção de normas mais aplicáveis à realidade operacional do setor.