O INCTF mede a evolução de todos os custos da carga fracionada, incluindo transferência, coleta e distribuição, custos administração e de terminais (custos indiretos), gerenciamento de riscos e custo valor. Nesses custos não estão contemplados impostos, pedágios e margem de lucro.
Tenha na íntegra o simulador e histórico do índice, abaixo:
Atos formalizam a nova coordenação nacional da COMJOVEM, a nomeação para vice-presidência extraordinária e a reestruturação do conselho de ex-coordenadores
O presidente da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), Eduardo Rebuzzi, assinou atos de nomeação que oficializam mudanças importantes na estrutura da Comissão de Jovens Empresários e Executivos do Transporte Rodoviário de Cargas (COMJOVEM).
Por meio do Ato nº 221/2025, foi nomeada a nova Coordenação Nacional da COMJOVEM, com mandato de dois anos. Hudson Mateus Almeida Rabelo assume como coordenador nacional; Jéssica Caballero Lopes e Ítalo Marcos Grativol passam a exercer os cargos de vice-coordenadores.
Já o Ato nº 222/2025 nomeia Hudson Mateus Almeida Rabelo para o cargo de Vice-Presidente Extraordinário para Assuntos dos Jovens Empresários da NTC&Logística, reforçando a atuação institucional das lideranças jovens do setor.
O Ato nº 223/2025 promove a reestruturação do Conselho da COMJOVEM Nacional, alterando e ampliando o disposto no Ato nº 206/2024, que havia criado o então Conselho dos Ex-Coordenadores da COMJOVEM Nacional. Com a nova redação, o colegiado passa a se chamar Conselho de Ex-Coordenadores e Ex-Vice-Coordenadores da COMJOVEM Nacional, refletindo a ampliação de sua composição e de seu papel consultivo.
Estabelecido originalmente com o objetivo de reunir experiências e contribuições de lideranças anteriores da COMJOVEM, o Conselho mantém como integrantes os membros nomeados no ato anterior – Ana Carolina Ferreira Jarrouge, André Ferreira e Baldomero Taques Neto – e passa a incorporar também ex-vice-coordenadores nacionais, fortalecendo o alinhamento institucional e estratégico da Comissão.
Com a atualização promovida pelo Ato nº 223/2025, passam a integrar o Conselho de Ex-Coordenadores e Ex-Vice-Coordenadores da COMJOVEM Nacional o ex-coordenador nacional André Martinez de Simone e os ex-vice-coordenadores nacionais Alexandre Aires Ribeiro; Antonio Carlos Mulfato Ruyz; Antonio Tiburcio de Santana Neto; Geovani Antunes Serafim; Joyce Bessa; Priscila Zanette; Roberta Fiorot Pinhati; Roberto Mira Jr. e Tayguara Helou, consolidando um espaço ampliado de diálogo, memória institucional e apoio à atuação da COMJOVEM Nacional.
Os Atos entraram em vigor na data da sua assinatura e foram publicados no Portal da NTC&Logística em caráter permanente, podendo ser acessados clicando aqui.
Oportunidade de Recomposição Tarifária com a Eliminação da Defasagem de 10,88% no Frete Fracionado
O setor de Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) observa, nos últimos 12 meses, uma relativa estabilidade nos preços dos principais insumos operacionais. Esse cenário permitiu que a inflação do setor, medida pelo INCT-F da NTC&Logística, encerrasse o ano de 2025 na casa dos 5,13%.
Essa estabilidade momentânea representa uma oportunidade estratégica fundamental para que as empresas do setor recomponham seus preços e busquem a correção da defasagem histórica no frete de carga fracionada, que atualmente atinge o índice de 10,88% – resultado da inflação de 5,13% somada ao saldo de reajustes de anos anteriores não repassados.
Ignorar este momento coloca em risco a sustentabilidade das operações no longo prazo.
A necessidade de ajuste é reforçada pelos seguintes indicadores:
• Reajuste de mão de obra
Nos últimos anos, os reajustes salariais do setor situaram-se significativamente acima da inflação oficial. Em 2025, o índice foi da ordem de 7%, ampliando a pressão sobre a folha de pagamento, que representa o maior custo do setor.
IMPORTANTE: Ressalta-se que o setor vem enfrentando escassez de mão de obra, especialmente de motoristas, o que tem pressionado os custos necessários para atrair e reter profissionais para essa função.
• Inflação acumulada em 5 anos
Nos últimos 60 meses, o aumento do custo operacional acumulado atingiu 48,35%, pressionando severamente as margens das transportadoras e sendo a principal causa da defasagem tarifária.
• Reoneração da folha de salários
A primeira etapa da reoneração da folha de pagamento, iniciada em 01/01/2025, gerou impacto adicional imediato nos custos de mão de obra. A partir de 01/01/2026, a contribuição da empresa sobre a folha passa de 5% para 10%, elevando ainda mais esse impacto.
• Segurança e tecnologia
O crescimento das ameaças cibernéticas exige investimentos constantes em Prevenção e Segurança da Informação (PDSI), visando evitar prejuízos financeiros e transtornos operacionais.
É fundamental destacar que a ausência de uma recomposição tarifária imediata limita severamente a capacidade do setor de manter a qualidade dos serviços, realizar investimentos necessários em tecnologia, renovação de frota e itens de segurança. Sem o devido reajuste, a manutenção da qualidade e da excelência no atendimento – prioridades das empresas do setor – fica seriamente comprometida.
O TRC opera historicamente com margens reduzidas, o que torna inviável a absorção desses custos adicionais sem o repasse nos preços, sendo esse um dos principais pontos de preocupação dos empresários do setor.
Por se tratar de uma atividade estratégica e base para a economia nacional, a colaboração de todos os elos da cadeia logística é essencial para assegurar a continuidade dos serviços e atender à demanda de clientes e embarcadores com eficiência e segurança.
São Paulo, 12 de janeiro de 2026.
Coordenação das Câmaras Técnicas de Carga Fracionada (CTF) e de Produtos Farmacêuticos (CTFarma) da NTC&Logística
O ano de 2026 marca os 30 anos de atuação da Fundação Memória do Transporte (FuMTran), instituição criada em março de 1996 pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e dedicada à preservação da história e da identidade do transporte brasileiro. Ao longo desse ano simbólico, com a celebração oficial do aniversário em março, a Fundação consolida sua trajetória como referência nacional em memória, educação e cultura do transporte, com dois livros em fase final de produção que resgatam momentos decisivos do setor e a própria história da FuMTran.
Antonio Luiz Leite, presidente da FuMTran, destaca o significado do marco de três décadas de trabalho da fundação, que visa reconhecer momentos e profissionais fundamentais para a história do transporte brasileiro. “Celebrar 30 anos é reconhecer que a memória do transporte é um ativo estratégico para o setor e para o país. Conhecer o passado nos permite compreender os avanços, os desafios e as decisões que moldaram o transporte brasileiro ao longo do tempo, além de oferecer referências fundamentais para qualificar o debate, orientar escolhas e pensar o futuro de forma mais consistente e responsável”, afirma o executivo.
Desde a criação de seu museu virtual em 2021, a FuMTran reuniu, organizou e digitalizou cerca de 20 mil itens históricos, que abrangem todos os modais, incluindo o transporte de cargas, de passageiros, a infraestrutura e a logística. O trabalho resultou na preservação de documentos, imagens, vídeos e depoimentos que registram a contribuição de pessoas, empresas, entidades e iniciativas fundamentais para a integração territorial, o desenvolvimento econômico e a mobilidade no Brasil.
Ao longo de 2026, a FuMTran utilizará o marco dos 30 anos como plataforma de fortalecimento institucional e ampliação de alcance, com conteúdos especiais, publicações, eventos e o avanço de parcerias, como a aproximação com o Memorial da América Latina. “Esse ano inaugura uma nova etapa da Fundação, voltada ao fortalecimento institucional, à ampliação do acesso aos acervos e à construção de parcerias estratégicas. O objetivo é disponibilizar a memória do transporte como uma ferramenta viva, acessível e conectada aos desafios contemporâneos”, comentou o presidente.
Entre os projetos em destaque estão dois livros em fase avançada. “A Era das Máquinas – História dos Guindastes no Brasil”, que aborda a história e a evolução dos guindastes e seu papel na infraestrutura, no transporte e na logística do país, e “A História do Transporte na Amazônia”, que trata da evolução dos principais modais na região e dos desafios para a integração regional. Por fim, o “FuMTran Perspectiva” completa a iniciativa ao promover entrevistas com lideranças e especialistas, conectando memória histórica e reflexões sobre o futuro do setor.
Com a celebração oficial prevista para março e uma programação que se estenderá ao longo do ano, a Fundação Memória do Transporte reforça seu compromisso de ampliar o diálogo entre história, sociedade e setor produtivo. Para Antonio Luiz Leite, o marco dos 30 anos também aponta responsabilidades futuras. “Mais do que celebrar uma trajetória, a FuMTran assume o papel de preservar, organizar e compartilhar um patrimônio que pertence ao país. A memória do transporte ajuda a compreender quem somos, como nos desenvolvemos e quais caminhos podem ser construídos a partir desse legado”, conclui o presidente.
Para conferir o acervo completo da FuMTran, acesse os links:
O setor de transporte rodoviário viveu, em 2025, mais um ciclo desafiador e repleto de aprendizados. Em meio a incertezas econômicas, pressões regulatórias e debates intensos sobre infraestrutura e sustentabilidade, o que se viu foi um setor que, mais uma vez, manteve o país em movimento. Em um Brasil que ainda depende muito da malha rodoviária para escoar sua riqueza, o transporte de cargas segue muito importante para a nossa economia.
Foi com esse entendimento que a FETCESP manteve sua atuação firme e presente ao longo deste ano. Nosso trabalho teve como base o diálogo com os transportadores, a defesa de pautas estratégicas e a mobilização institucional em torno de temas que impactam diretamente a operação das empresas. Buscamos ser ponte entre o setor produtivo e o poder público, promovendo soluções práticas e antecipando os movimentos que vão moldar o futuro do transporte.
Entre as principais iniciativas, promovemos o Seminário Free Flow: A Nova Modalidade do Pedágio Eletrônico, que reuniu empresários, representantes de órgãos públicos e concessionárias de rodovias para debater os impactos e preparar o setor para essa nova tecnologia. Nosso objetivo foi orientar o transportador, esclarecer dúvidas e facilitar a adaptação operacional às novas regras de cobrança, garantindo segurança jurídica e previsibilidade.
Outro ponto alto da nossa atuação foi o diálogo direto com a ANTT, por meio de uma reunião com o diretor Guilherme Theo. A agenda permitiu alinhar percepções técnicas e regulatórias, além de apresentar preocupações reais do setor, como a necessidade de mais transparência, agilidade e equilíbrio nas decisões que afetam a operação diária das empresas de transporte.
Por meio do SEST SENAT, do qual tenho a honra de ser presidente regional, realizamos os Experience Days em diversas regiões do estado. Esses eventos reuniram transportadores, trabalhadores, prefeitos e lideranças locais, ampliando a integração entre o TRC e as comunidades. Foram oportunidades concretas de mostrar o impacto social e econômico do transporte, além de promover saúde, qualificação e valorização profissional.
No campo da sustentabilidade, demos um passo decisivo com o lançamento da Aliança Transporte Sustentável, em parceria com a FETPESP, FRESP e CNT. A iniciativa mobilizou 50 empresas, sendo 23 do TRC, para destacar boas práticas ambientais e incentivar a transição para modelos mais limpos, eficientes e responsáveis. Trata-se de um movimento que coloca o transporte como parte da solução climática, e não como vilão.
Essa mesma visão nos guiou para a 4ª edição do PremiAR – Transportando Um Mundo Verde, com 112 empresas inscritas e 49 premiadas. A premiação reconheceu iniciativas de destaque no âmbito do Programa Despoluir, evidenciando o esforço contínuo das transportadoras em reduzir impactos ambientais e investir em inovação com responsabilidade.
Levamos esse compromisso à esfera internacional com a participação da FETCESP na COP 30. Estar nesse espaço global de debate climático foi fundamental para reforçar que o setor está engajado na agenda da sustentabilidade e aberto ao diálogo construtivo. Nossa presença garantiu visibilidade ao TRC brasileiro e abriu portas para articulações futuras com foco em inovação, eficiência energética e políticas públicas mais equilibradas.
Na frente da digitalização, o Instituto FETCESP desempenhou um papel estratégico em 2025, com destaque para a ampliação dos serviços de Certificação Digital. A ferramenta tem facilitado o dia a dia de transportadoras e sindicatos, reduzindo burocracias, trazendo mais segurança aos processos e preparando o setor para as exigências do ambiente digital e regulatório.
Encerramos este ciclo com a certeza de que o trabalho coletivo faz a diferença. Agradeço a todos os empresários, sindicatos filiados, parceiros e lideranças que estiveram conosco ao longo do ano. Para 2026, a FETCESP reafirma seu compromisso com uma atuação ética, técnica e propositiva. Vamos seguir trabalhando para fortalecer o transporte rodoviário de cargas, garantindo mais representatividade, inovação, sustentabilidade e resultados para todos que fazem parte dessa engrenagem essencial do Brasil.
Caminhoneiros autônomos terão linha de financiamento exclusiva
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, lançou, nesta quinta-feira (8), o programa Move Brasil, que vai oferecer financiamento com taxas de juros mais baixas para empresas de transporte rodoviário de carga, cooperativas e caminhoneiros autônomos. O estímulo à renovação da frota deverá atender a critérios de sustentabilidade dos veículos e conteúdo local.
De acordo com o governo, o programa disponibilizará R$ 10 bilhões de crédito, entre recursos do Tesouro Nacional (R$ 6 bilhões) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável por operar todas as linhas de crédito do Move Brasil. Desse total, R$ 1 bilhão é reservado exclusivamente a caminhoneiros autônomos e cooperados.
Em dezembro, o governo já havia publicado Medida Provisória (MP) que autoriza a destinação de recursos para as linhas de crédito de renovação da frota de caminhões. Por portaria, o MDIC definiu os critérios de conteúdo local, sustentabilidade e reciclagem para concessão dos financiamentos. Já o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabeleceu as condições financeiras das operações, incluindo juros, prazos e carência, com vantagens especiais a quem entregar veículo antigo para desmonte.
“Isso é importante para o meio ambiente, para a saúde pública e para a economia, porque retira de circulação veículos antigos, que poluem mais, coloca nas rodovias veículos novos e mais seguros, e ajuda a segurar emprego e estimular a indústria e o comércio nacional”, afirmou Alckmin durante visita a uma concessionária de caminhões, em Brasília. O vice-presidente estava acompanhado do presidente e CEO da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Roberto Cortes.
De acordo com o Ministério da Fazenda, a medida não terá impacto fiscal primário, já que os financiamentos são reembolsáveis, não contam com garantia da União e têm risco de crédito assumido pelas instituições financeiras participantes. O valor máximo de financiamento é de R$ 50 milhões por beneficiário.
Segundo a regulamentação aprovada pelo CMN, o prazo de reembolso pode chegar a 60 meses; haverá carência de até seis meses para o pagamento da primeira parcela; não é permitida a capitalização de juros durante o período de carência; os pedidos de financiamento poderão ser protocolados até 30 de junho de 2026.
A fabricação do caminhão a ser adquirido deverá ser pelo menos de 2012 em diante. O programa prevê ainda condições mais favoráveis de juros para caminhões movidos a eletricidade ou biometano, que costumam ter custo mais elevado do que os modelos a diesel.
Sobre a concessão de vantagens para aqueles que encaminharem o veículo antigo para desmonte, o programa estabelece algumas regras, como veículo em condições de rodagem, possuir licenciamento regular relativo ao ano de 2024 ou posterior e ter data de emplacamento original superior a vinte anos. Também há regras para a baixa definitiva no órgão de trânsito e envio à empresa de desmontagem. O beneficiário do financiamento deverá se comprometer a entregar à instituição financeira, no prazo de até 180 dias, a certidão de baixa do registro do veículo e a nota fiscal de entrada na desmontadora.
O Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a adesão do Brasil à Convenção Aduaneira sobre o Transporte Internacional de Mercadorias ao Abrigo das Cadernetas TIR (Convenção TIR de 1975), administrada pela IRU – União Internacional de Transportes Rodoviários), consolidando um marco histórico para o Transporte Rodoviário de Cargas e para a integração do país às principais rotas do comércio internacional.
A ratificação da Convenção foi precedida por ampla e consistente tramitação no Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados aprovou, em 9 de outubro de 2025, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 655/2025, que contém o texto da Convenção. Posteriormente, em 26 de novembro de 2025, o Senado Federal também aprovou o PDL 655/2025, formalizando a adesão do Brasil a esse importante tratado internacional.
Com a aprovação pelas duas Casas Legislativas, o Congresso Nacional promulgou o Decreto Legislativo nº 267, de 1º de dezembro de 2025, e a ratificação foi formalizada com a assinatura da Carta de Ratificação pelo Presidente da República em 31 de dezembro de 2025, no Palácio do Planalto, em Brasília. O instrumento será depositado junto à Secretaria-Geral das Nações Unidas, conforme previsto no texto da Convenção, passo necessário para que o acordo entre em vigor para o Brasil.
A Convenção TIR é um dos mais relevantes instrumentos internacionais de facilitação do comércio. TIR, sigla para Transportes Internacionais Rodoviários, é o único sistema universal de trânsito aduaneiro atualmente em operação no mundo, proporcionando benefícios como maior segurança na cadeia logística, envio eletrônico antecipado de dados às aduanas, redução de barreiras burocráticas e garantia internacional dos tributos aduaneiros, por meio do uso das Cadernetas TIR, reconhecidas globalmente.
Um trabalho histórico liderado pela NTC&Logística
Pauta prioritária da gestão do presidente Eduardo Rebuzzi, que tem contado com a firme colaboração do vice-presidente extraordinário de Relações Internacionais, Danilo Guedes, a ratificação da Convenção TIR é resultado de um trabalho técnico, institucional e persistente da NTC&Logística, ao longo de décadas, com atuação junto aos poderes Executivo e Legislativo, órgãos governamentais e entidades internacionais – inclusive a própria IRU.
Essa trajetória internacional teve início em junho de 1970, quando a NTC&Logística foi admitida como associada da IRU durante congresso realizado pela entidade em Haia, na Holanda. Criada em 1948, com sede em Genebra, na Suíça, a IRU é uma organização de alcance global, com assento na Organização das Nações Unidas (ONU), que atua na defesa dos interesses dos operadores de transporte rodoviário e pelo fortalecimento do setor em mais de 100 países.
Desde então, a NTC&Logística, reconhecida como representante da IRU no Brasil, vem defendendo a implantação do sistema TIR no país, considerada estratégica para a modernização do Transporte Rodoviário de Cargas. Nos últimos anos, esse trabalho foi intensificado e consolidado como uma das principais pautas da atual gestão, culminando agora na ratificação da Convenção pelo Estado brasileiro.
Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, a conquista representa um divisor de águas para o setor. “A ratificação da Convenção TIR é uma conquista histórica para o Transporte Rodoviário de Cargas e para o Brasil. Trata-se de um trabalho construído ao longo de muitos anos, por diversas gestões da NTC&Logística, sempre com diálogo institucional, consistência técnica e visão de futuro. Esse avanço posiciona o país em um novo patamar de integração logística internacional, trazendo ganhos concretos de competitividade, eficiência e segurança para as empresas brasileiras”, destacou.
Rebuzzi também fez questão de agradecer a todos os envolvidos no processo. “Esse resultado é fruto de um esforço coletivo, que envolve dirigentes, técnicos, parceiros institucionais, o Governo Federal, o Congresso Nacional e as entidades internacionais. Nosso agradecimento especial à IRU, que sempre acreditou no potencial do Brasil integrado ao sistema TIR e apoiou essa construção ao longo de décadas”, completou.
Integração internacional e ganhos para o setor
O vice-presidente extraordinário de Relações Internacionais da NTC&Logística, Danilo Guedes, ressaltou que a ratificação da Convenção TIR representa um avanço estratégico para o país no cenário global. “A entrada do Brasil no sistema TIR significa mais agilidade nas fronteiras, redução de custos operacionais, maior previsibilidade e segurança jurídica para as operações de transporte internacional. É um momento extremamente relevante para o setor e para a economia brasileira”, afirmou.
Segundo Guedes, o resultado reforça a importância da atuação conjunta entre entidades representativas e o poder público. “Esse processo demonstra como o trabalho técnico, contínuo e bem articulado entre o setor privado, o Governo Federal e as organizações internacionais gera resultados estruturantes para o país. A NTC&Logística cumpre, mais uma vez, seu papel institucional em defesa do Transporte Rodoviário de Cargas”, acrescentou.
Próximos passos
Após o depósito da Carta de Ratificação junto à Organização das Nações Unidas, a Convenção TIR entrará em vigor para o Brasil no prazo previsto em seu texto. Posteriormente, será editado o Decreto Presidencial de Promulgação, que permitirá a incorporação definitiva da Convenção ao ordenamento jurídico brasileiro, viabilizando sua aplicação prática no País.
Com a ratificação da Convenção TIR, o Brasil dá um passo decisivo rumo à modernização do transporte internacional, fortalecendo o papel do Transporte Rodoviário de Cargas como elo fundamental da logística, do comércio exterior e do desenvolvimento econômico nacional.
A NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística) realizará a primeira edição do CONET&Intersindical 2026 nos dias 26 e 27 de fevereiro, no ROYAL TULIP BRASÍLIA ALVORADA, em Brasília (DF). O evento tem como entidade anfitriã a FENATAC – Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas e Logística, com o apoio dos Sindicatos filiados à entidade.
O CONET&Intersindical é dividido em duas etapas:
1. CONET: apresentação de pesquisas de mercado realizadas pelo Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas (DECOPE) da NTC&Logística, além de debates sobre custos e tarifas do setor;
2. Intersindical: discussão de temas relacionados ao desenvolvimento do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC).
O CONET&Intersindical consolidou-se como um dos eventos mais importantes do setor, reunindo os principais protagonistas do TRC, promovendo debates estratégicos, troca de experiências e oportunidades para o fortalecimento de parcerias.
Condições de Inscrição
l Inscrições realizadas até 31 de dezembro ➝ Desconto de 15% sobre os valores de sócio, não sócio e extra jantar.
l Inscrições realizadas até 31 de janeiro ➝ Desconto de 5% sobre os valores de sócio, não sócio e extra jantar.
l Inscrições realizadas de 1º a 19 de fevereiro ➝ Valores integrais, sem desconto.
As inscrições se encerram em 19 de fevereiro.
Hospedagem – Tarifas Especiais
Para a compra de hospedagem com tarifas especiais, utilize o PROMOCODE:
CONETNTCBSB
Canal de contato para reservas:
l Segunda a sexta-feira: das 9h às 18 horas
l Sábado: das 10h às 14 horas
l E-mail: df.reservas@goldentulip.com.br
l Telefone: (61) 3424-7018
Patrocine o evento e impulsione a sua marca.
Fale com Elisete Balarini pelo telefone/WhatsApp (11) 99404-9647 ou pelos e-mails assessoria@ntc.org.br e comercial@ntc.org.br
l NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística)
Entidade Anfitriã
l FENATAC (Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas e Logística)
Apoio
l Sindicatos filiados à FENATAC
Patrocinadores
l Geotab
l Road Card – Pamcard
Apoios Institucionais
l Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte; SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte; ITL – Instituto de Transporte e Logística)
A expectativa era um avanço de 0,2%, segundo pesquisa da Reuters, depois de alta de 0,1% em outubro
A produção industrial no Brasil ficou estagnada em novembro e frustrou a expectativa de um avanço, reforçando a percepção de que o setor apresentou pouco fôlego em 2025 em meio à política monetária restritiva e ao tarifaço dos Estados Unidos.
A expectativa de economistas para o resultado de novembro, divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), era um avanço de 0,2%, segundo pesquisa da Reuters, depois de alta de 0,1% em outubro.
Contra o mesmo mês do ano anterior, houve queda de 1,2%, ante expectativa de recuo de apenas 0,1%.
Assim, a produção industrial, que teve resultados próximos ou iguais a zero em quase todos os meses de 2025, ainda está 14,8% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.
“A indústria mantém uma estabilidade observada nos últimos meses e no ano de 2025, mas houve desempenho predominantemente negativo em novembro”, destacou o gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo.
A indústria brasileira vem apresentando um quadro de estagnação afetada principalmente pela taxa de juros elevada, embora o mercado de trabalho aquecido ajude a impulsionar a economia.
A taxa básica de juros Selic encerrou 2025 em 15% depois de o Banco Central tê-la mantido nesse patamar na última reunião do ano, em dezembro, sem sinalizar quando poderá iniciar um ciclo de cortes, reforçando que a manutenção desse nível por período bastante prolongado é a estratégia adequada para levar a inflação à meta.
“O resultado de novembro reafirma a tendência de desaceleração do setor industrial, que sofre de um problema duplo, a elevada taxa de juros e o tarifaço americano, que mesmo com diversos recuos, ainda mantém a sobretaxa de 50% em boa parte da produção industrial exportada aos EUA”, disse André Valério, economista sênior do Inter.
De acordo com o levantamento do IBGE sobre a indústria, em novembro 15 dos 25 ramos pesquisados mostraram recuo contra o mês anterior.
A principal influência negativa foi dada por indústrias extrativas, com retração de 2,6% na produção.
“A queda observada neste mês foi influenciada pela menor produção de óleos brutos de petróleo, gás natural e minérios de ferro”, afirmou Macedo.
Também apresentaram retração relevante os setores de veículos automotores; reboques e carrocerias (-1,6%); de produtos químicos (-1,2%); de produtos alimentícios (-0,5%) e de bebidas (-2,1%).
Entre as categorias econômicas, bens de consumo duráveis tiveram queda de 2,5% em novembro, enquanto a produção de bens intermediários caiu 0,6%.
Por outro lado, houve aumento de 0,7% entre bens de capital e de 0,6% nos bens de consumo semi e não duráveis.
Alta é puxada por seminovos e reflete a busca dos transportadores por alternativas ao crédito caro e ao elevado custo dos caminhões zero-quilômetro, segundo dados da Fenauto e da Senatran
O mercado brasileiro de caminhões usados encerrou 2025 em forte expansão e reforçou seu papel estratégico para o transporte rodoviário de cargas em um cenário marcado por juros elevados, crédito restrito e maior cautela nos investimentos. As transferências de caminhões cresceram 27,7% no acumulado do ano, totalizando 444,8 mil unidades, de acordo com dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), com base nos registros da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
O desempenho evidencia a relevância do mercado secundário em um momento em que a renovação da frota ocorre de forma mais gradual. O envelhecimento da frota nacional, a necessidade de recomposição da capacidade operacional e o alto custo dos veículos novos levaram transportadores a recorrerem com maior intensidade aos caminhões usados ao longo do ano, segundo análise da Fenauto. Mesmo com momentos de desaceleração da atividade econômica, o segmento manteve volumes elevados e crescimento consistente.
Seminovos lideram a expansão
O avanço do mercado foi puxado principalmente pelos seminovos, com até três anos de uso, cujas transferências aumentaram 40,3% em 2025. O movimento indica que empresas com maior capacidade financeira optaram por veículos mais novos, porém fora do mercado de zero-quilômetro, buscando um equilíbrio entre menor investimento inicial, confiabilidade mecânica e disponibilidade imediata.
Os chamados usados jovens, com idade entre quatro e oito anos, também apresentaram crescimento relevante, de 12,3%. Já os veículos maduros, entre nove e 12 anos de uso, tiveram desempenho praticamente estável, com leve alta de 0,5%, sinalizando um mercado mais próximo da saturação nessa faixa etária. Os caminhões com mais de 13 anos registraram crescimento de 21,0%, sustentados principalmente pela demanda de pequenos transportadores e caminhoneiros autônomos, mais sensíveis às condições de financiamento.
Volvo FH lidera mercado de usados
Entre os modelos mais negociados no mercado de caminhões usados, Volvo e Mercedes-Benz seguem dominando as transferências. O Volvo FH foi o modelo mais vendido em 2025, com 2.897 unidades, seguido pelo Ford Cargo, com 2.621, e pelo Mercedes-Benz Atego, que somou 1.668 transferências no ano.
Também figuram entre os modelos mais comercializados o Mercedes-Benz Axor, o Actros e caminhões clássicos como o Mercedes-Benz 1113, evidenciando a longevidade desses veículos na frota brasileira. A preferência por marcas tradicionais está associada à robustez mecânica, maior oferta de peças e ampla rede de serviços, fatores decisivos no mercado de segunda mão. Veja ranking completo mais abaixo.
Nordeste lidera crescimento regional
No recorte regional, o crescimento do mercado de caminhões usados foi liderado pelo Nordeste, com alta de 25,3% em 2025. O Centro-Oeste aparece na sequência, com avanço de 20,9%, impulsionado pela dinâmica do agronegócio e pela necessidade de transporte de longa distância. O Sul registrou crescimento de 14,6%, enquanto o Sudeste, maior mercado em volume absoluto, avançou 15,2% no acumulado do ano.
Segundo a Fenauto, o desempenho mais acelerado fora do eixo Sudeste reflete a interiorização da atividade logística, o fortalecimento das cadeias agroindustriais e a expansão da demanda por transporte em regiões com menor acesso ao crédito formal.
Termômetro do transporte de cargas
Especialistas avaliam que o mercado de caminhões usados funciona como um termômetro da saúde do transporte rodoviário de cargas. Em períodos de maior incerteza econômica, o segmento tende a ganhar tração ao permitir a continuidade das operações sem comprometer excessivamente o caixa das empresas.
Com a perspectiva de manutenção dos juros em patamares elevados no curto prazo, a expectativa do setor é que o mercado de caminhões usados siga relevante em 2026, tanto como porta de entrada para novos transportadores quanto como alternativa para a renovação gradual da frota das empresas já estabelecidas.
De janeiro a dezembro, Paraná comercializou para fora US$ 23,6 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) levantados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). É o segundo melhor resultado da série iniciada em 2019, atrás apenas de 2023
Apesar de 2025 ter sido um ano desafiador no cenário internacional, as exportações paranaenses cresceram 1,2% na comparação com 2024. De janeiro a dezembro, foram comercializados US$ 23,6 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) levantados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). É o segundo melhor resultado da série iniciada em 2019, atrás apenas de 2023, quando foram US$ 25,3 bilhões enviados ao Exterior.
O ano de 2025 foi marcado por embargos sanitários à agropecuária brasileira após a ocorrência de casos de gripe aviária no Rio Grande do Sul, elevação de tarifas de importação pelos Estados Unidos e a queda das cotações internacionais de commodities. Mesmo assim, o Paraná superou o volume de mercadorias enviadas ao exterior em 2024, que alcançaram naquele ano US$ 23,3 bilhões.
O aumento de um ano para o outro pode ser atribuído à ampliação das vendas de cereais, carne suína e automóveis. No primeiro produto, o incremento na balança de exportações do Paraná foi de 106%, saltando de US$ 574 milhões em 2024 para US$ 1,2 bilhão em 2025. Os cereais responderam por 5% do total enviado ao mundo pelo Estado.
A venda de carne suína registrou um crescimento de 41,7%, passando de US$ 404 milhões para US$ 573 milhões, enquanto as exportações paranaenses de automóveis passaram de US$ 667 milhões para US$ 823 milhões. Juntos, eles representaram 5,9% das exportações paranaenses em 2025, crescimento de 1,3 ponto percentual em relação aos 4,6% de 2024.
De acordo com o diretor-presidente do Ipardes, Jorge Callado, os resultados comprovam a competência das empresas exportadoras paranaenses, superando as adversidades impostas no âmbito internacional. “Apoiadas pelo Governo do Estado, essas empresas não somente conseguiram, em muitos casos, ampliar participação em mercados tradicionais, como também estabeleceram novos negócios em países emergentes, o que explica o desempenho positivo observado em 2025”, analisou.
No topo dos produtos mais exportados pelo Paraná, em 2025, estão a soja em grão e a carne de frango. O primeiro chegou a US$ 4,6 bilhões e uma participação equivalente a ⅕ de tudo o que foi comercializado com o mercado internacional. Já o segundo item representou 15% de tudo que foi vendido ao exterior, alcançando US$ 3,5 bilhões.
Considerando que as importações estaduais de mercadorias produzidas no exterior atingiram US$ 20,2 bilhões, foi alcançado um superávit comercial de US$ 3,5 bilhões pelo Paraná em 2025. É o terceiro ano consecutivo de saldo comercial positivo. Os itens mais importados no Estado foram adubo e fertilizantes (US$ 3 bilhões), óleos e combustíveis (US$ 1,3 bilhão) e produtos químicos (US$ 1,3 bilhão).
DESTINOS – Em relação aos mercados que receberam os itens produzidos localmente, os principais aumentos foram do Irã, que registrou incremento de 66% em 2025, Argentina (50,5%) e Índia (24%). No caso do Irã, houve crescimento de US$ 496 milhões para US$ 823 milhões, ao passo que as exportações do Paraná para a Argentina subiram de US$ 1,2 bilhão para US$ 1,8 bilhão. As vendas para a Índia contabilizaram US$ 546 milhões no ano passado, ante US$ 440 milhões em 2024.
A China continua como principal parceiro comercial do Estado, chegando a US$ 5,3 bilhões e uma participação de 22,5% no total exportado em 2025. A Argentina é a segunda, com 7,7% de participação, e os Estados Unidos aparecem em terceiro lugar, com US$ 1,2 bilhão comercializado e 5,1% de representatividade na lista de parceiros comerciais do Paraná.
Confira AQUI o informativo do comércio exterior paranaense com dados de 2025 e 2024.
Enquanto pesados e leves encolhem sob o peso dos juros, o segmento intermediário cresce 32,5% impulsionado por e-commerce e distribuição de bebidas
Os caminhões pesados continuam sendo a “galinha dos ovos de ouro” das montadoras, mas em 2025 quem segurou o caixa das fabricantes foram os modelos médios. Em um ano de crédito restrito, o segmento intermediário não apenas resistiu à crise, como atingiu seu maior volume de vendas dos últimos dez anos.
Segundo dados da Anfavea, as vendas de caminhões médios somaram 11,7 mil unidades até novembro de 2025. O salto é de 69% quando comparado a 2015, quando o volume anual foi de apenas 6,9 mil unidades. Desde então, o mercado de médios nunca havia rompido o teto registrado agora.
O “pulo do gato” da logística urbana
Os caminhões médios (com PBT entre 10 e 15 toneladas) encontraram o cenário perfeito em 2025. Com a massificação do e-commerce, esses veículos se tornaram os favoritos para a operação de “última milha” (last mile). Eles combinam a capacidade de carga superior aos leves com a agilidade de manobra que os pesados não possuem nos centros urbanos.
Os números da ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico) explicam essa demanda: em 2024, o setor movimentou R$ 204,27 bilhões em mais de 414 milhões de pedidos. Essa montanha de pacotes pavimentou o caminho para os médios equipados com baú ou sider.
Eficiência operacional vs. juros altos
A disparidade entre as categorias em 2025 revela uma mudança na estratégia do frotista:
Pesados (queda de 20% sobre 2024): o alto valor de aquisição e a Selic elevada forçaram o transportador de commodities a esticar a vida útil da frota.
Médios (alta de 32,5%): surgiram como a alternativa econômica. No atual contexto de juros altos, tornou-se mais lógico investir em um caminhão médio do que operar vários veículos leves, gerando economia real de combustível e manutenção.
Leves (queda de 14%): perderam espaço para os médios, que transportam mais carga com custo operacional proporcionalmente menor.
Renovação de frota e o setor de bebidas
Para David Wong, consultor da Alvarez & Marsal, o fenômeno também é uma questão de ciclo. “A frota de médios estava mais envelhecida em comparação aos pesados, que foram renovados recentemente com a chegada do Euro 6. Era natural que esse movimento de troca ocorresse agora”, analisa.
O setor de distribuição de bebidas e as compras governamentais foram outros pilares desse crescimento. Márcio Querichelli, presidente da Iveco na América do Sul, destaca que grandes frotistas de bebidas – que historicamente utilizam modelos médios para o “porta a porta” urbano – foram às compras em 2025. “As prefeituras também deram ritmo aos negócios ao longo do ano”, completa o executivo.
O projeto de lei segue em análise na Câmara dos Deputados
A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou proposta que muda as regras de fiscalização de peso para caminhões de até 74 toneladas. Pelo texto, a verificação passará a ser feita apenas com base no peso bruto total do veículo.
Hoje, a fiscalização confere tanto o peso total quanto o peso distribuído por cada eixo (o conjunto que liga as rodas), e o excesso em qualquer um deles pode gerar multa. O objetivo do projeto é evitar que motoristas sejam punidos quando a carga se desloca durante o transporte, causando sobrepeso em um eixo específico mesmo que o peso total do caminhão esteja dentro do limite legal.
A proposta foi aprovada na forma de substitutivo do relator, deputado Zé Trovão (PL-SC), ao Projeto de Lei 2217/25, do deputado Toninho Wandscheer (PP-PR). Zé Trovão justificou a mudança argumentando que a maioria das balanças disponíveis em fazendas e pontos de embarque só consegue medir o peso total da carga.
Segundo o relator, a pesagem por eixo é realizada principalmente em postos de fiscalização, o que pode gerar multas consideradas indevidas. “Veículos pesados corretamente na origem podem sofrer desequilíbrio de carga durante o transporte, resultando em excesso de peso em eixo específico quando fiscalizados nas rodovias”, explicou Zé Trovão.
A redação original do projeto alterava a “Lei da Balança” de 1985; no entanto, essa lei foi revogada. Para corrigir o problema, o relator optou por fazer a alteração no Código de Trânsito Brasileiro.
O texto aprovado insere a regra de fiscalização pelo peso bruto total para veículos de até 74 toneladas e também inclui uma salvaguarda: se o limite de peso total for ultrapassado, a fiscalização por eixo será realizada e as multas poderão ser somadas.
Próximos passos
A proposta, que tramita em caráter conclusivo, seguirá agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.
Levantamento reúne informações sobre a remuneração de motoristas em diferentes regiões e segmentos do setor
A NTC&Logística, por meio do seu Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas (DECOPE), iniciou uma nova pesquisa, com foco na realidade salarial dos motoristas de caminhão que atuam no Transporte Rodoviário de Cargas, no segmento de carga fracionada.
O levantamento tem como objetivo reunir informações atualizadas sobre os salários praticados em diferentes regiões e segmentos do setor, contribuindo para a elaboração de estudos técnicos e análises que orientem a atuação da Associação junto às empresas, entidades e autoridades públicas.
De acordo com o DECOPE, a participação das empresas é essencial para garantir a representatividade dos dados e aprimorar o entendimento sobre a estrutura de custos e remuneração no transporte de cargas. As informações obtidas permitirão identificar padrões, variações regionais e tendências que impactam diretamente a competitividade e a gestão das operações no setor.
Todas as respostas serão tratadas de forma confidencial, e os resultados consolidados serão divulgados posteriormente pela NTC&Logística em seus canais oficiais.
A pesquisa pode ser respondida de forma rápida e está disponível no link abaixo.
A nova minuta de contrato para o arrendamento no Porto de São Sebastião (SP) estabelece diretrizes expressas para a movimentação de contêineres no futuro terminal, chegando a 1,35 milhão de TEUs por ano. Os documentos, que estão em consulta pública até o dia 27 deste mês no site da ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), atendem a uma demanda do setor por uma ampliação do projeto para estimular a movimentação de carga conteinerizada em São Paulo.
Diferentemente dos documentos submetidos à consulta pública em 2024, que previam um terminal mais tímido, a versão atual traz metas objetivas e escalonadas de capacidade dinâmica para a movimentação de contêineres. Segundo os documentos, poderão ser movimentados 400 mil TEUs por ano na primeira etapa, 810 mil TEUs por ano na segunda etapa e 1,35 milhão de TEUs por ano na terceira etapa.
O novo projeto divide o cumprimento do contrato de arrendamento, com prazo de 35 anos, em fases. A primeira etapa corresponde aos cinco primeiros anos de contrato; a segunda, aos sete anos, e a terceira, aos nove anos. A partir desse período, a transição do arrendatário para a área pública torna-se definitiva ao longo dos 35 anos iniciais, com possibilidade de prorrogação contratual até o limite de 70 anos.
O arrendamento da área SSB01 está em discussão no governo federal há pelo menos cinco anos. A atratividade da área se apoia na localização do porto, próximo ao Porto de Santos (SP), o maior de contêineres do país, e na profundidade do canal de acesso do terminal, que ultrapassa 20 metros, permitindo a recepção de navios de grande porte.
Há na região uma demanda reprimida em razão de gargalos operacionais na movimentação de contêineres no Porto de Santos. Por isso, as empresas de navegação pediram um projeto mais robusto, como forma de buscar reduzir os gargalos futuros e otimizar a operação nessa região, a mais relevante da costa leste da América do Sul.
Após as críticas e contribuições ao material que foi colocado em consulta em 2024, o MPor (Ministério de Portos e Aeroportos) pediu que a Infra S.A. fizesse ajustes nos EVTEAs (Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental) do arrendamento. Em nota técnica sobre a nova modelagem, a pasta afirma que o Porto de Santos e o Porto de São Sebastião devem ser considerados complementares dentro da lógica da rede portuária nacional, descartando que o novo arrendamento vá competir com Santos.
“Enquanto Santos consolida seu papel como principal hub portuário do país, São Sebastião amplia a oferta para nichos específicos e operações multipropósito, reforçando o equilíbrio do sistema sem compor diretamente nem comprometer a relevância do complexo santista”, escreveu a área técnica.
Sobre o acréscimo da movimentação de carga conteinerizada na modelagem, o MPor argumentou que o Plano Mestre do porto, de 2018, condicionava sua viabilidade à conclusão das obras de expansão viária da Rodovia Nova Tamoios e Trechos de Contorno. Essas intervenções foram finalizadas em novembro de 2024. “Com isso, o porto se tornou uma alternativa logística estratégica para atração de carga conteinerizada”, afirmou.
O ministério cita ainda que o Complexo de Santos, apesar do crescimento constante, tem perdido participação de mercado para portos vizinhos (Paraná e Rio de Janeiro), indicando uma demanda não totalmente absorvida que São Sebastião pode capturar. “Entre 2020 e 2024, Santos registrou uma perda acumulada de 7,44% de sua participação no cluster regional, equivalente a 517.376 TEUs”, pontuou a área técnica.
O PDZ (Plano de Desenvolvimento e Zoneamento) de fevereiro de 2024 de São Sebastião reforçou esse potencial para os contêineres, destacando a localização privilegiada do porto próximo a polos industriais importantes no Vale do Paraíba, ABC Paulista, região metropolitana de Campinas, e sul de Minas Gerais. “O acesso terrestre eficiente, via Rodovia Tamoios e outros eixos rodoviários, permite o escoamento de cargas de alto valor agregado sem a necessidade de atravessar grandes centros urbanos”, observa.
Área expandida
Além do reforço à prioridade para cargas conteinerizadas, o novo modelo propõe a ampliação da área arrendada do Porto de São Sebastião de 261.941 metros quadrados (da modelagem de 2024) para 426.949 metros quadrados – chegando a esse valor a partir de um aumento paulatino que é dado ao longo das etapas de transição.
O aumento decorre também do acréscimo do número de berços incluídos no arrendamento. Em 2024, a expectativa era de dois berços, sendo um público e um de uso exclusivo do arrendamento. Já em 2025, o projeto detalha os berços 101, 102, 301 e 302, com funções, dimensões e cronograma de implantação definidos. Dois berços serão para granéis sólidos e os outros dois para contêineres. A previsão é de que o empreendimento movimente 3,45 milhões de toneladas anuais de granéis sólidos, número a ser atingido no 11º ano do contrato.
Investimentos
Com Capex do novo projeto estimado em R$ 3,8 bilhões, a nova consulta pública também detalha outros aspectos, como a liberação das áreas para o arrendamento. Em 2024, a ampliação da área não estava condicionada ao cumprimento prévio de investimentos. Em 2025, por sua vez, a liberação progressiva das áreas onshore e offshore passa a estar vinculada à conclusão integral das obrigações de cada etapa. O contrato atual também define com maior precisão as áreas onshore e offshore, discriminando os pátios 01, 02, 03, 04A e 04B, bem como a metragem correspondente em cada fase.
Outra exigência expressa ao futuro arrendatário é a realização da dragagem obrigatória até a cota de 14 metros de profundidade nos berços 101 e 102 do empreendimento, “com prazos definidos e condicionantes de licenciamento”. A exigência considera que o canal de acesso já possui profundidade suficiente para o tráfego de navios de grande porte.
Ajuste comemorado
A discussão envolvendo o Porto de São Sebastião acompanha o debate sobre o Tecon Santos 10, megaterminal de contêineres previsto para o Porto de Santos. Atualmente, o projeto passa por ajustes no edital após longa discussão nas esferas do governo federal e do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre o modelo do certame, que acabou definido com restrições às empresas que já operam no complexo portuário santista e aos armadores (donos de navios). A expectativa é que o certame seja realizado em março, embora empresas interessadas tenham sinalizado a possibilidade de judicialização para que o leilão ocorra sem restrições, o que pode atrasar o processo.
Segundo dados acumulados até outubro de 2025, o Porto de Santos movimentou cerca de 4,9 milhões de TEUs no ano, no período de janeiro a outubro, número que representa crescimento de 8,2% em relação a 2024, de acordo com a APS (Autoridade Portuária de Santos). As estatísticas reforçam o alerta de representantes do setor portuário de que, sem o Tecon Santos 10, a operação de contêineres no porto pode entrar em colapso.
A capacidade projetada de 1,35 milhão de TEUs para o Porto de São Sebastião nos primeiros nove anos de contrato, embora inferior à movimentação atual de Santos, é estrategicamente relevante. Ao representar cerca de 27,5% do volume hoje operado pelo Porto de Santos, o terminal de São Sebastião teria potencial para absorver parcela significativa da demanda reprimida do maior complexo portuário do país.
Complemento a Santos
Para o ex-presidente da CDSS (Companhia Docas de São Sebastião), Frederico Bussinger, se o primeiro modelo de arrendamento do SSB01 tivesse prosperado, “ia comprometer o futuro do porto”. Também na avaliação dele, o modelo de leilão do Tecon Santos 10, definido pelo TCU e acatado pelo governo, pode atrasar o certame do megaterminal de contêineres em Santos e, ao mesmo tempo, beneficiar o processo de arrendamento previsto para São Sebastião.
Ele defendeu que a movimentação de contêineres em São Sebastião não deve ser tratada como “complemento” ao Porto de Santos, mas como uma alternativa. “Não apresentam o SSB01 como a joia da coroa quando, na verdade, ele é a joia da coroa. No debate do Tecon Santos 10, foram apresentados outros portos como alternativa, mas o Porto de São Sebastião não foi mencionado. No Tecon, há ainda o risco de judicialização. Isso adiciona incerteza. Essa incerteza pode acabar agilizando o processo de São Sebastião. Se isso ocorrer, pode ser uma boa estratégia”, afirmou.
Enquanto reboques despencam 19,9%, puxados pela performance do agronegócio, carrocerias sobre chassis avançam 10,8% e sustentam o mercado. Veja ranking
O mercado doméstico de implementos rodoviários encerrou o ano de 2025 com um volume total de 149.206 unidades emplacadas, conforme dados consolidados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (ANFIR). O resultado representa uma retração de 6,28% quando comparado aos 159.203 produtos comercializados no ano anterior, refletindo um ano de desafios estruturais para a indústria. A análise desagregada dos dados, no entanto, revela uma cisão significativa no desempenho entre os dois grandes segmentos do setor: Reboques/Semirreboques e Carrocerias sobre Chassis.
De acordo com José Carlos Sprícigo, presidente da ANFIR, o período exigiu resiliência das empresas. “O ano de 2025 foi bastante desafiador para todas as empresas do setor que precisaram se organizar e mostrar toda a sua capacidade de resiliência“, afirmou.
O segmento de Reboques e Semirreboques foi o principal responsável pela contração do mercado total, registrando uma queda abrupta de 19,87% nas vendas. Em 2025, foram emplacadas 70.997 unidades, frente a 88.599 no ano anterior. A análise por família de produtos dentro deste segmento evidencia quedas vertiginosas em modelos intimamente ligados ao agronegócio e a commodities. O modelo Graneleiro/Carga Seca recuou 31,12%, saindo de 18.632 para 12.833 unidades. Na mesma linha, os Basculantes tiveram uma redução de 29,38%, com vendas caindo de 17.141 para 12.105 unidades. Outras categorias de peso também apresentaram fortes quedas, como Dolly (-32,51%), Tanque de Carbono (-45,11%) e Canavieiro (-29,46%).
Sprícigo atribuiu essa performance negativa diretamente à conjuntura do campo. “O desempenho do agronegócio no período contribuiu para essa situação por ter caminhado de forma lateral ao longo do ano, refletindo diretamente no nosso setor”, explicou. Algumas famílias isoladas apresentaram crescimento, como Baú Carga Geral (+18,66%) e Implementos Especiais (+28,77%), mas em volumes insuficientes para reverter a tendência geral de forte retração.
Em contrapartida, o segmento de Carrocerias sobre Chassis consolidou um vigoroso ciclo de recuperação, superando as expectativas do setor e atuando como um amortecedor parcial para a queda geral. O segmento anotou crescimento de 10,77% em 2025, com 78.209 unidades emplacadas contra 70.604 em 2024. “Mês após mês, fomos anotando crescimentos contínuos nas vendas dos produtos do setor”, destacou o presidente da ANFIR.
O crescimento foi amplo, abrangendo a maioria das famílias de produtos. Os modelos Baú Alumínio/Frigorífico, que representam o carro-chefe do segmento, cresceram 10,64%, passando de 30.062 para 33.262 unidades. Carrocerias Graneleiras/Carga Seca sobre chassis tiveram alta de 6,86% (17.172 unidades). Outras categorias com desempenho notável foram Baú Lonado (+46,47%, saindo de 340 para 498 unidades) e o grupo Outras/Diversas (+22,59%, de 9.326 para 11.433 unidades). Carrocerias Basculantes (+8,30%) e Tanques (+10,48%) também contribuíram para o resultado positivo.
Um dado que contrasta com a retração do mercado interno é o desempenho das Exportações. Embora os dados tenham sido consolidados apenas até outubro, o setor registrou um crescimento expressivo de 52,55% no período, saltando de 2.706 para 4.128 unidades exportadas. Esse movimento indica uma busca ativa por mercados externos pelas fabricantes nacionais como estratégia para compensar a fraqueza da demanda doméstica.
Empresas já informam CBS e IBS nas notas fiscais, mas cobrança efetiva só começa a partir de 2027
A reforma tributária começa a valer de forma gradual a partir deste ano. Desde 1º de janeiro, a maioria das empresas passou a emitir notas fiscais com a indicação dos novos impostos, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
A CBS substitui o PIS, a Cofins e o IPI, que são tributos federais. Já o IBS vai substituir o ICMS, dos estados, e o ISS, dos municípios.
Neste primeiro momento, o novo sistema funciona em fase de testes. As informações fiscais são registradas, mas ainda não há cobrança efetiva dos novos tributos.
O deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), relator da proposta que resultou na Emenda Constitucional 132, afirma que a reforma traz simplificação e mais transparência ao sistema tributário.
“Essa reforma vai impactar profundamente o país, porque traz a simplificação tributária, elimina a cumulatividade e aumenta a transparência. Hoje, o cidadão não sabe quanto paga de imposto”, afirmou.
A cobrança efetiva da CBS e do Imposto Seletivo – que incide sobre produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente – começa em 2027.
Já o IBS entra em fase de transição a partir de 2029, com a extinção total do ICMS e do ISS prevista para 2033.
O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), relator do grupo de trabalho da reforma tributária na Câmara, destacou que a medida foi regulamentada pela Lei Complementar 214/25, aprovada no ano passado.
“Estamos criando um novo sistema tributário que ajuda na reindustrialização do país e acaba com a guerra fiscal entre os estados, que prejudicou a sociedade brasileira”, disse.
Outra etapa da reforma foi relatada pelo deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE). O texto, aprovado pela Câmara e pelo Senado, ainda aguarda sanção presidencial.
Para Benevides, os efeitos completos da reforma, previstos para 2033, devem reduzir custos e gerar empregos.
“Isso vai significar uma diminuição do custo de produção e também um aumento do emprego na economia brasileira”, afirmou.
Entre as novidades da reforma, está o cashback tributário, que prevê a devolução de parte dos impostos a famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa.
Além disso, os produtos da cesta básica terão alíquota zero dos tributos sobre consumo.
Durante a tramitação da reforma, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), destacou o trabalho conjunto do Legislativo e do Executivo para construir um modelo com menos burocracia, mais agilidade e menor custo para o cidadão contribuinte.
A introdução do radar Doppler no Brasil promete transformar a fiscalização de velocidade nas estradas, alterando a forma como os motoristas se comportam ao longo das vias.
Este sistema não se limita a medir velocidades em pontos fixos, mas calcula a velocidade média ao longo de um trecho controlado, eliminando práticas como a de reduzir a velocidade apenas ao se aproximar de um radar.
Além do controle de velocidade, a inovação permite capturar outras práticas arriscadas, como o uso de celular ao volante e o avanço de sinal vermelho.
Essa tecnologia vem sendo instalada desde 2019 em diversas regiões do país, como Salvador (BA), Goiás (GO) e outros locais, sinalizando uma era de maior rigor na fiscalização.
Funcionamento do radar Doppler
O radar Doppler funciona através da instalação de dois dispositivos ao longo de um trecho rodoviário, geralmente separado por cerca de um quilômetro.
O primeiro radar registra o momento exato em que o veículo entra no trecho, enquanto o segundo calcula se o tempo gasto para completar o percurso está dentro do limite de velocidade permitido.
Se o tempo for menor que o estipulado, considera-se que houve excesso de velocidade, e a infração é registrada.
Essa abordagem tem como objetivo garantir um trânsito mais seguro, onde motoristas sejam constantemente alertados e obedientes às regras rodoviárias.
Desafios regulatórios
Apesar das vantagens, a regulamentação dos radares Doppler ainda enfrenta desafios burocráticos. O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) trabalha para regulamentar o uso desses equipamentos. A previsão é que o processo de regulamentação seja concluído em breve.
A expectativa é que, uma vez regulamentados, os radares Doppler se tornem padrão nas estradas brasileiras, proporcionando um controle de trânsito mais eficiente e diminuindo as infrações e acidentes.
A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) deu início a uma nova edição da Pesquisa de Mercado do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), voltada às empresas transportadoras de todo o país. O levantamento tem como objetivo avaliar a situação econômica do setor ao longo de todo o ano de 2025, identificando os principais desafios enfrentados, além de oportunidades, tendências e indicadores que impactam diretamente o desenvolvimento e a sustentabilidade das operações.
A coleta de informações será realizada por meio de um questionário objetivo e de fácil preenchimento, com perguntas de múltipla escolha, garantindo uma participação prática e acessível para as empresas. A colaboração do setor é essencial para que o estudo retrate com precisão a realidade do transporte de cargas no Brasil e forneça dados consistentes para a formulação de políticas públicas e estratégias empresariais.
Os resultados consolidados serão apresentados durante a primeira edição de 2026 do CONET&Intersindical (Conselho Nacional de Estudos em Transporte, Custos, Tarifas e Mercado), que será realizada no dia 26 de fevereiro, em Brasília (DF).
A NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística) realizará a primeira edição do CONET&Intersindical 2026 nos dias 26 e 27 de fevereiro, no ROYAL TULIP BRASÍLIA ALVORADA, em Brasília (DF). O evento tem como entidade anfitriã a FENATAC – Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas e Logística, com o apoio dos Sindicatos filiados à entidade.
O CONET&Intersindical é dividido em duas etapas:
CONET: apresentação de pesquisas de mercado realizadas pelo Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas (DECOPE) da NTC&Logística, além de debates sobre custos e tarifas do setor;
Intersindical: discussão de temas relacionados ao desenvolvimento do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). O CONET&Intersindical consolidou-se como um dos eventos mais importantes do setor, reunindo os principais protagonistas do TRC, promovendo debates estratégicos, troca de experiências e oportunidades para o fortalecimento de parcerias.
Condições de Inscrição
Inscrições realizadas até 31 de dezembro ➝ Desconto de 15% sobre os valores de sócio, não sócio e extra jantar.
Inscrições realizadas até 31 de janeiro ➝ Desconto de 5% sobre os valores de sócio, não sócio e extra jantar.
Inscrições realizadas de 1º a 19 de fevereiro ➝ Valores integrais, sem desconto. As inscrições se encerram em 19 de fevereiro.
Hospedagem – Tarifas Especiais
Para a compra de hospedagem com tarifas especiais, utilize o PROMOCODE: CONETNTCBSB Canal de contato para reservas: – Segunda a sexta-feira: das 9h às 18 horas – Sábado: das 10h às 14 horas – E-mail: df.reservas@goldentulip.com.br – Telefone: (61) 3424-7018
Realização l NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística)
Entidade Anfitriã l FENATAC (Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas e Logística)
Apoio l Sindicatos filiados à FENATAC
Apoios Institucionais l Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte; SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte; ITL – Instituto de Transporte e Logística) l FuMTran (Fundação Memória do Transporte)
Resultado mostra queda de 7,9% ao registrado no ano anterior
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 68,3 bilhões em 2025, segundo dados divulgados nesta terça-feira (6) pela Secretaria de Comércio Exterior do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
O resultado é uma queda de 7,9% frente ao registrado no ano anterior, quando o saldo foi de US$ 74,2 bilhões.
O valor é resultado de exportações que somaram US$ 348,7 bilhões e importações de US$ 280,4 bilhões. A corrente de comércio somou US$ 629,1 bilhões no ano, com crescimento de 4,9% na comparação com 2024.
Em 2025, as exportações cresceram 3,5%. As vendas foram impulsionadas pela agropecuária. As vendas de carne bovina registraram alta de 42,5% e as de café aumentaram 31,1%.
Do lado das importações, houve um aumento de 6,7% em relação a 2024.
Motores e máquinas ( 29,6%) e medicamentos, incluindo veterinários (24,8%) foram os itens que registraram a maior alta nas importações.
Fiscalização eletrônica começou nesta terça-feira (6) e inclui trechos estratégicos nos dois municípios
O DER-SP (Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo) iniciou, a partir da 0h desta terça-feira (6), a operação de cinco novos radares em rodovias estaduais não concedidas. Entre os pontos contemplados estão trechos localizados em São Bernardo e Ribeirão Pires, ampliando a fiscalização eletrônica no Grande ABC.
Com a ativação dos equipamentos, o número total de radares em funcionamento nas rodovias administradas pelo DER-SP chega a 565. A medida tem como objetivo reforçar a segurança viária, reduzir o excesso de velocidade e contribuir para a diminuição de acidentes.
Em Ribeirão Pires, o novo radar foi instalado no km 53,9 da SP-031 (Rodovia Índio Tibiriça), com limite de velocidade de 40 km/h nos dois sentidos da via. Já em São Bernardo, o equipamento passa a operar no km 37,522 da SP-148 (Rodovia Caminho do Mar), onde a velocidade máxima permitida é de 60 km/h, também em ambos os sentidos.
Segundo o DER-SP, todos os radares estão devidamente sinalizados e os limites de velocidade seguem critérios técnicos definidos para cada trecho. Motoristas que ultrapassarem a velocidade permitida estarão sujeitos à autuação.
Os equipamentos fazem parte do contrato do Edital nº 145/2023, que prevê a implantação de 649 radares ao longo de mais de 12 mil quilômetros de rodovias estaduais não concedidas. A escolha dos pontos leva em consideração fatores como histórico de acidentes, excesso de velocidade, características da via e áreas sensíveis, incluindo travessias de fauna.
A lista completa com a localização dos pontos de fiscalização está disponível no site do DER-SP, e o início da operação é divulgado oficialmente pelos canais do Governo do Estado, pela imprensa e no Diário Oficial.
Santa Catarina precisará investir R$ 57 bilhões entre 2026 e 2029 para que a infraestrutura de transportes consiga atender às demandas da indústria e sustentar o crescimento econômico do estado. A estimativa consta na Agenda Estratégica para Infraestrutura e Transporte, lançada pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc). O documento mapeia gargalos logísticos e define obras consideradas prioritárias pelo setor produtivo.
O estudo aponta que 75% desse volume de recursos deverá vir da iniciativa privada. Isso reforça, de acordo com a Fiesc, a dependência de concessões, parcerias público-privadas (PPPs) e investimentos empresariais para viabilizar projetos estruturantes. Para o presidente do órgão estadual, Gilberto Seleme, o montante necessário impõe um desafio adicional em um cenário de restrição fiscal, especialmente nos projetos que dependem de recursos federais.
Seleme afirma que a infraestrutura deixou de ser apenas um tema técnico e passou a impactar diretamente todos os setores econômicos. Na avaliação da entidade, sem um esforço conjunto envolvendo governo, parlamento, setor produtivo e sociedade, Santa Catarina corre o risco de perder competitividade. Além disso, pode reduzir investimentos e limitar a geração de emprego e renda.
Rodovias concentram a maior fatia dos investimentos em transportes previstos até 2029
O levantamento da Fiesc mostra que é no modal rodoviário que está a maior parte das necessidades de investimento na infraestrutura de transportes. Até 2029, as rodovias catarinenses devem demandar R$ 40,2 bilhões. O valor representa cerca de 70% do total estimado para a infraestrutura de transportes no estado.
Na sequência da análise aparecem os investimentos em ferrovias, com previsão de R$ 9,9 bilhões, seguidos pelo modal aquaviário, que exigirá R$ 4,89 bilhões, segundo o cálculo do segmento industrial catarinense. Os setores aeroviário e dutoviário são elencados com valores menores, de R$ 991,9 milhões e R$ 873,1 milhões, respectivamente.
A predominância das rodovias na projeção do setor reflete a estrutura logística catarinense, fortemente dependente do transporte terrestre para o escoamento da produção industrial e agropecuária. Mesmo com a relevância dos portos e aeroportos, a maior parte das cargas ainda circula pelas estradas.
Iniciativa privada responde por R$ 42,6 bilhões e lidera grandes projetos
Do total de R$ 57 bilhões projetados pela Fiesc, R$ 42,6 bilhões devem ser aportados pela iniciativa privada. O setor público responderá por cerca de R$ 14,3 bilhões, distribuídos entre as esferas federal, estadual e municipal.
Entre os investimentos privados previstos estão as ampliações dos portos de Navegantes e Itapoá, além de parcerias público-privadas, como a dragagem e o aprofundamento do canal de acesso à Baía da Babitonga. Também entram nessa conta os aportes em rodovias concedidas, como a BR-101 Norte e Sul e a BR-116.
Um dos principais exemplos desse modelo é a concessão da BR-101 no trecho Sul, operada pela Arteris. Em dezembro de 2023, a concessionária, responsável por um importante segmento do Corredor do Mercosul que liga Curitiba (PR) a Palhoça (SC), protocolou junto ao governo federal um pedido de otimização do contrato da Litoral Sul, com o objetivo de acelerar investimentos considerados estratégicos para os usuários e para a logística regional. A rota tem leilão de otimização previsto para o ano que vem.
De acordo com a Arteris Litoral Sul, desde o início da concessão, em 2008, a concessionária investiu R$ 3,9 bilhões no trecho, com a entrega de obras como os 50 quilômetros do Contorno Viário da Grande Florianópolis. Os aeroportos concessionados de Florianópolis e Jaguaruna também fazem parte desse pacote de investimentos liderados pelo setor privado, considerados estratégicos para a integração logística e o transporte de passageiros.
Indústria prioriza duplicações, manutenção e gargalos históricos
Entre as obras consideradas mais urgentes pela indústria catarinense estão a conclusão das duplicações nas BRs 470 e 280, além da adequação de capacidade das BRs 282 e 163. A finalização da BR-285 e a manutenção da malha federal existente também aparecem entre os destaques.
No setor portuário, a Fiesc aponta como prioritárias a segunda etapa da bacia de evolução e do canal de acesso ao complexo portuário de Itajaí, a recuperação e ampliação dos molhes de Imbituba e o aprofundamento do canal da Baía da Babitonga.
De acordo com a entidade, a previsibilidade na liberação dos recursos é tão importante quanto o volume investido. Obras com interrupções frequentes tendem a ficar mais caras, atrasar entregas e gerar impactos negativos para a logística e a economia, aponta a federação.
BR-470 avança em duplicação e reforça predominância como corredor logístico
Principal corredor logístico de Santa Catarina, a BR-470 é citada como prioritária pela Fiesc. A rodovia conecta as regiões oeste e meio-oeste ao litoral norte, onde estão localizados os portos de Itajaí e Navegantes e o aeroporto de Navegantes.
Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), a duplicação da rodovia alcançou 85% de execução, com 62 quilômetros duplicados e liberados ao tráfego. A obra abrange 73 quilômetros entre Navegantes e Indaial, divididos em quatro lotes, com investimento total de R$ 1,7 bilhão.
No último 16 de dezembro, foi entregue o Viaduto da Segalas, no km 45 da rodovia, em Gaspar. A obra recebeu R$ 17,5 milhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, e integra o conjunto de intervenções em andamento no Vale do Itajaí.
BR-282 segue como eixo vital, mas duplicação ainda é promessa
Paralela à BR-470, a BR-282 desempenha papel igualmente estratégico para a economia catarinense. A rodovia liga Florianópolis ao município de Paraíso, no extremo-oeste do estado, na fronteira com a Argentina, funcionando como um dos principais corredores de escoamento da produção industrial e agropecuária.
Com a BR-470, a via forma o eixo logístico que interliga o oeste, a região da serra e o litoral. É pela BR-282 que circula boa parte da riqueza produzida em Santa Catarina, incluindo carnes, grãos, insumos industriais e produtos manufaturados.
Apesar da relevância, a duplicação da rodovia permanece na fase de elaboração de projetos, sem previsão de início das obras. Em março, o governador Jorginho Mello (PL-SC) propôs ao governo federal a estadualização da BR-282, com a transferência da gestão e do orçamento de manutenção.
Em nota à Gazeta do Povo, em outubro, o Dnit informou que há 13 lotes de projetos de duplicação contratados entre Palhoça e São Miguel do Oeste, com investimento estimado em mais de R$ 3 bilhões após a aprovação dos projetos. De acordo com o departamento, 70% da rodovia está em boas condições de tráfego, com ações de conservação e recuperação em andamento.
Via Mar surge como vitrine de parceria público-privada no estado
O corredor viário, com 145 quilômetros de extensão, ligará Joinville ao contorno viário da Grande Florianópolis, com o objetivo de desafogar a BR-101 e melhorar o escoamento da produção e o fluxo turístico no litoral. A Via Mar está na fase de elaboração dos projetos executivos, divididos em cinco lotes.
Quatro deles tiveram ordens de serviço assinadas. O último, entre Itajaí e o contorno viário da capital, ainda está em elaboração e prevê a construção de um túnel duplo de 1,2 quilômetro, em Itapema. O modelo da PPP prevê que os estudos e projetos sejam pagos pelo governo estadual, enquanto a execução das obras e a operação da rodovia ficarão sob responsabilidade da iniciativa privada, que implantará e administrará as praças de pedágio.
Investimentos estaduais melhoram estradas, mas desafio permanece
Enquanto grandes projetos dependem de concessões e PPPs, os investimentos recentes do governo estadual resultaram em melhora nas condições da malha sob sua gestão. De acordo com o governo do estado, 84% dos 5,3 mil quilômetros pavimentados estão classificados como em estado ótimo ou bom.
Segundo a Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade catarinense, mais de R$ 5,15 bilhões vêm sendo investidos em obras estruturantes, conservação, manutenção e convênios com municípios desde 2023. Em 2025, os repasses aos municípios somaram quase R$ 858,8 milhões. As ações incluem nova pavimentação, reforço estrutural, drenagem, recuperação de taludes, correção de curvas e implantação de dispositivos de segurança viária, tanto em áreas urbanas quanto rurais.
Decretos publicados nesta terça-feira estabelecem penalidades desde multa de R$ 1,6 mil até a suspensão temporária ou a cassação do alvará
A Prefeitura de Pelotas publicou no Diário Oficial desta terça-feira (6) o decreto, assinado pelo prefeito Fernando Marroni (PT), regulamentando a lei que proíbe a utilização de veículos de tração animal para o transporte de materiais de construção. A lei 7.439, proposta pela vereadora Marisa Schwarzer (PSDB), foi aprovada pelos vereadores em julho de 2025 e dependia da regulamentação para entrar em vigor.
A medida proíbe empresas e lojas de material de construção de contratarem fretes realizados com veículos de tração animal ou permitirem a carga ou descarga dos materiais em seus estabelecimentos. De acordo com o decreto, o cumprimento da lei será fiscalizado por servidores da da Secretaria de Qualidade Ambiental, agentes de trânsito e guardas municipais.
O decreto também estipula punições a quem descumprir a lei, incluindo multa de R$ 810,75, apreensão do veículo e recolhimento do animal para avaliação veterinária, sem a possibilidade de devolução do cavalo.
Estabelecimentos que infringirem a lei poderão ser punidos desde multa de R$ 1,6 mil até a suspensão temporária ou a cassação do alvará em caso de reincidência.
Também nesta terça-feira, o governo publicou um segundo decreto regulamentando a lei de 2020 que prevê penalidades administrativas contra quem praticar maus-tratos a animais. A medida prevê a proibição de guarda de novos animais quando houver constatação de maus-tratos, além de proibir a devolução de animais resgatados quando os maus-tratos forem atestados por veterinário do município.
O secretário de Qualidade Ambiental Márcio Souza afirma que a pasta irá atuar a partir de denúncias e por fiscalização.
— Estamos mapeando todos os pontos de venda de materiais de construção e faremos uma fiscalização volante nesses locais, verificando a possibilidade de descumprimento da lei. Também utilizaremos drones, em alguns casos, para que possamos ter acesso aos pátios pelo alto — diz.
Segundo o secretário, a prefeitura tem a estrutura necessária para a fiscalização e o acolhimento aos animais vítimas de maus-tratos.
— Temos uma hospedaria que comporta até 28 animais. Lá temos veterinários e cuidadores, ração e toda a infraestrutura necessária para o acolhimento e recolhimento destes animais — explica.
Efeitos só serão sentidos no salário pago a partir de fevereiro
Em vigor desde 1º de janeiro, a nova tabela do Imposto de Renda (IR) 2026 traz mudanças relevantes para milhões de contribuintes.
A principal novidade é a isenção total para quem ganha até R$ 5 mil por mês e a redução gradual do imposto para rendas de até R$ 7.350.
A tabela tradicional do Imposto de Renda não foi alterada, continuando os valores em vigor em 2025. A diferença está nos redutores adicionais instituídos pela reforma do IR.
Para garantir o benefício a quem ganha até R$ 7.350, a Receita Federal criou novas tabelas de dedução a serem aplicadas simultaneamente com a tabela tradicional.
As alterações valem para os salários pagos a partir de janeiro, com impacto percebido a partir do pagamento de fevereiro. As mudanças se refletirão na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física de 2027, que considera os rendimentos de 2026.
A seguir, veja quem tem direito à isenção, como ficam as faixas mensais, as alíquotas e a tabela anual do IR.
Quem fica isento do Imposto de Renda em 2026?
Com a nova regra, passam a ficar totalmente isentos do IR:
trabalhadores com carteira assinada;
servidores públicos;
aposentados e pensionistas do INSS ou de regimes próprios;
desde que a renda mensal total não ultrapasse R$ 5 mil.
Quem tem mais de uma fonte de renda precisará complementar o imposto na declaração anual, mesmo que cada rendimento isolado seja inferior a R$ 5 mil.
Quem ganha até R$ 7.350 também paga menos imposto
Para rendas entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, há uma redução parcial e decrescente do imposto:
quanto mais próxima a renda estiver de R$ 5.000, maior o desconto;
quanto mais próxima de R$ 7.350, menor o benefício;
acima desse valor, não há redução.
A regra também se aplica ao 13º salário.
Tabela de isenção e redução do IR mensal: 2026
Rendimentos tributáveis mensais
Redução do imposto
Até R$ 5 mil
Até R$ 312,89, zerando o imposto
De R$ 5.000,01 a R$ 7.350
R$ 978,62 – (0,133145 × renda mensal), até zerar para quem ganha R$ 7.350
A partir de R$ 7.350,01
Sem redução
Fonte: Receita Federal
Tabela mensal do Imposto de Renda em 2026 Para rendas acima de R$ 7.350
Base de cálculo mensal
Alíquota
Dedução
Até R$ 2.428,80
Isento
–
De R$ 2.428,81 a R$ 2.826,65
7,5%
R$ 182,16
De R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05
15%
R$ 394,16
De R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68
22,5%
R$ 675,49
Acima de R$ 4.664,68
27,5%
R$ 908,73
Fonte: Receita Federal
O que muda na apuração anual do Imposto de Renda?
Além da tabela mensal, a Receita Federal também aplicará isenção e redução no cálculo anual do imposto:
isenção anual para quem ganhar até R$ 60 mil em 2026;
redução gradual do imposto para rendas entre R$ 60.000,01 e R$ 88,2 mil;
acima desse valor, não há desconto adicional.
O redutor anual é limitado ao imposto apurado, ou seja, não gera imposto negativo nem restituição automática extra.
Tabela anual de isenção e redução do IR (Declaração de 2027: ano-calendário 2026)
Rendimentos tributáveis anuais
Redução do imposto
Até R$ 60 mil
Até R$ 2.694,15, zerando o imposto
De R$ 60.000,01 a R$ 88.200
R$ 8.429,73 – (0,095575 × renda anual), até zerar para quem ganha R$ 88.200
A partir de R$ 88.200,01
Sem redução
Fonte: Receita Federal
Tabela anual do Imposto de Renda em 2026
Base de cálculo anual
Alíquota
Dedução
Até R$ 28.467,20
Isento
–
De R$ 28.467,21 a R$ 33.919,80
7,5%
R$ 2.135,04
De R$ 33.919,81 a R$ 45.012,60
15%
R$ 4.679,03
De R$ 45.012,61 a R$ 55.976,16
22,5%
R$ 8.054,97
Acima de R$ 55.976,16
27,5%
R$ 10.853,78
Fonte: Receita Federal
Imposto mínimo para alta renda
Para compensar a perda de arrecadação, a reforma cria o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM), voltado à alta renda:
Renda anual acima de R$ 600 mil (R$ 50 mil/mês): entra na regra Alíquota progressiva de até 10% Renda acima de R$ 1,2 milhão por ano: alíquota mínima efetiva de 10%
Estimativa do governo: cerca de 141 mil contribuintes serão afetados.
O que entra no cálculo do IRPFM?
salários;
lucros e dividendos;
rendimentos de aplicações financeiras tributáveis.
Em relação aos salários acima de R$ 50 mil por mês, essa fonte de renda gera desconto no IRPFM a pagar, mesmo incluída na base de cálculo. Isso porque o Imposto de Renda já foi descontado na fonte, com alíquota de 27,5%.
Ficam fora:
poupança, Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), fundos imobiliários, Fiagro e outros investimentos incentivados;
heranças e doações;
indenizações por doença grave;
ganhos de capital na venda de imóveis, exceto fora da bolsa;
aluguéis atrasados
valores recebidos acumuladamente, por meio de ações judiciais;
O imposto mínimo será apurado apenas a partir da declaração de 2027.
Tributação de dividendos
Outra novidade relevante é a tributação de dividendos na fonte:
10% de imposto retido sobre dividendos;
apenas quando superarem R$ 50 mil por mês;
valor pago por uma única empresa à pessoa física.
A maioria dos investidores não será afetada. A medida mira sócios e empresários que recebiam altos valores em dividendos, até então isentos.
O imposto retido poderá ser compensado na declaração anual.
Pontos de atenção e possíveis disputas
Dividendos relativos a lucros apurados até 2025 só permanecem isentos se a distribuição tiver sido aprovada até 31 de dezembro de 2025.
Especialistas alertam para possíveis questionamentos judiciais, por possível efeito retroativo da regra.
Quais deduções continuam valendo?
Nada muda nas principais deduções:
dependentes: R$ 189,59 por mês;
desconto simplificado mensal: até R$ 607,20;
educação: até R$ 3.561,50 por pessoa ao ano;
declaração anual: desconto simplificado de até R$ 17.640
Quantas pessoas serão beneficiadas?
Segundo o governo federal:
16 milhões de contribuintes devem ser beneficiados;
O custo estimado da medida é de R$ 31,2 bilhões, compensado pelas novas formas de tributação sobre alta renda: IRFPM e imposto sobre dividendos acima de R$ 50 mil mensais.