Norma define regras de pagamento, prazos, responsabilidades e parâmetros técnicos para operação do sistema free flow
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou a regulamentação do Sistema de Livre Passagem (free flow), modelo de cobrança de pedágio sem parada em praças físicas. A norma foi deliberada por unanimidade na 1029ª Reunião de Diretoria Colegiada (Redir), realizada no dia 26, e consolida diretrizes para a operação do sistema nas rodovias concedidas.
O processo foi relatado pelo diretor Felipe Queiroz e teve início com a Lei nº 14.157/2021. Segundo a ANTT, a regulamentação incorpora contribuições obtidas em consultas internas, reuniões participativas e na Audiência Pública nº 10/2024, que reuniu 167 manifestações de órgãos públicos, entidades do setor e agentes de mercado. O texto também passou por análise da Procuradoria Federal junto à ANTT (PF-ANTT).
A norma reúne e organiza instrumentos já existentes, como os Regulamentos de Concessões Rodoviárias (RCR 1, 2, 3 e 4), com o objetivo de padronizar conceitos e disciplinar a operação do sistema.
Entre os pontos definidos, está a forma de pagamento das tarifas. O usuário poderá quitar o pedágio antes, durante ou após a passagem pelo pórtico, por meio de canais presenciais autorizados, plataformas digitais, Pix, cartões de crédito e débito ou dispositivos eletrônicos. A adesão a serviços automáticos permanece opcional.
Os prazos de pagamento passam a ter parâmetros definidos. Não há incidência de encargos antes de 30 dias após a passagem. Após esse período, podem ser aplicados encargos administrativos, multa moratória, juros legais e penalidades previstas no Código de Trânsito Brasileiro em caso de inadimplência.
Para situações de cobrança indevida, a regulamentação prevê ressarcimento em dobro ao usuário no prazo de até sete dias corridos.
A norma estabelece a obrigatoriedade de divulgação de informações sobre localização dos pórticos, valores tarifários, formas de pagamento e canais de atendimento, além do registro e armazenamento do histórico das transações por cinco anos.
Também foram definidos requisitos mínimos de desempenho para o sistema. Os pórticos deverão operar com disponibilidade de 98% do tempo mensal, índice mínimo de leitura automática de placas de 95% e confiabilidade de 99% nas transações.
De acordo com a ANTT, esses parâmetros orientam a operação e buscam reduzir inconsistências na identificação de veículos, na classificação tarifária e na cobrança. A regulamentação também delimita as responsabilidades entre poder concedente, concessionárias e empresas autorizadas a operar meios de pagamento.
A prestação do serviço permanece sob responsabilidade das concessionárias, mesmo com a atuação de empresas autorizadas, que poderão oferecer soluções de pagamento e integração de sistemas.
A matriz de riscos definida na norma atribui às concessionárias eventuais falhas operacionais e tecnológicas. Situações relacionadas a fraudes por usuários têm tratamento específico, com exigência de comprovação para aplicação de penalidades.
O modelo também prevê critérios para tratamento de evasão e inadimplemento, além de mecanismos regulatórios para recomposição do equilíbrio econômico-financeiro dos contratos.
Crescimento das exportações de maior valor agregado fortalece o transporte rodoviário e impulsiona rotas do Mercosul, apesar de gargalos nas fronteiras
As exportações brasileiras realizadas por transporte rodoviário para a América do Sul somaram US$ 22,6 bilhões em 2025, o maior valor desde 2015, segundo dados do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS).
O resultado consolida um ciclo de recuperação iniciado em 2021, puxado principalmente pela intensificação das trocas regionais de bens industrializados e de maior valor agregado – segmentos nos quais o modal rodoviário é mais competitivo devido à flexibilidade, disponibilidade e menor tempo de trânsito.
Entre os principais destinos das exportações brasileiras, três são países do Mercosul: Argentina, com US$ 10,6 bilhões; Paraguai, com US$ 3,8 bilhões, e Uruguai, com cerca de US$ 2,3 bilhões. O Chile aparece na sequência, com US$ 3,6 bilhões.
De acordo com o levantamento do ILOS, a forte presença de países do Mercosul entre os principais parceiros comerciais reforça o papel do bloco na dinamização do transporte rodoviário internacional. A integração regional contribui para a redução da burocracia nos regimes de trânsito e para a eliminação de tarifas comerciais, favorecendo operações mais ágeis e competitivas.
O cenário indica que o transporte rodoviário segue como peça-chave na estratégia de exportação brasileira para mercados vizinhos, especialmente em cadeias industriais que exigem rapidez e previsibilidade nas entregas.
Na avaliação de Danilo Guedes, presidente da ABC Cargas, que faz rotas para países como o Chile e Peru, o avanço das exportações brasileiras tem impacto direto sobre o transporte rodoviário internacional, especialmente nas rotas do Mercosul. “Houve uma expansão do transporte, puxada principalmente pelo comércio exterior. O Brasil bateu recorde de exportações, com cerca de US$ 350 bilhões, com crescimento tanto em valor quanto em volume”, afirma.
Segundo o executivo, alguns corredores logísticos se destacaram nesse movimento. “O eixo de Foz do Iguaçu, principalmente na ligação com o Paraguai, concentrou um fluxo maior, impulsionado pela estrutura do porto seco na região. Na sequência, o eixo que liga Argentina e Chile, passando por Uruguaiana e São Borja, também apresentou crescimento relevante”, diz.
Gargalos na fronteira
Apesar do avanço, Guedes ressalta que ainda há gargalos importantes nas operações de fronteira. “Os principais problemas continuam sendo os processos aduaneiros e a falta de infraestrutura, especialmente a insuficiência de pátios para caminhões. Além disso, há um desafio de previsibilidade: muitas vezes não se sabe quanto tempo o veículo ficará parado, o que dificulta o planejamento logístico”, explica.
O executivo também destaca uma mudança no perfil das cargas transportadas. “Temos visto um aumento na exportação de produtos de maior valor agregado, como máquinas agrícolas, equipamentos com maior conteúdo tecnológico e bens duráveis, o que exige ainda mais eficiência no transporte”, afirma.
Para enfrentar esse cenário, as transportadoras vêm adotando novas estratégias. “Há três frentes principais: a adequação da frota às exigências do Mercosul, o investimento em tecnologia e rastreamento para garantir mais segurança e visibilidade, e o uso de dados e inteligência artificial para melhorar o planejamento e a previsibilidade das operações”, conclui.
Evento celebra 25 edições desde 1999 e reúne lideranças para debater os principais desafios e caminhos do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil
No dia 6 de maio de 2026, às 8h30, será realizada, em Brasília (DF), a 25ª edição do Seminário Brasileiro do Transporte Rodoviário de Cargas, no Auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados.
Consolidado como um dos mais importantes fóruns de discussão do setor, o Seminário chega à sua edição comemorativa de 25 realizações, marcando uma trajetória iniciada em 1999, sempre pautada pelo diálogo institucional e pela construção de soluções para o Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil.
A iniciativa é promovida pela Comissão de Viação e Transportes (CVT) da Câmara dos Deputados, em parceria com a NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, e conta com o apoio institucional do Sistema Transporte (CNT / SEST SENAT / ITL) e da FuMTran (Fundação Memória do Transporte).
Ao longo de sua história, o evento tem desempenhado papel fundamental na aproximação entre o setor produtivo e o poder público, contribuindo para o avanço de pautas estratégicas e para o fortalecimento do Transporte Rodoviário de Cargas como pilar do desenvolvimento econômico e social do país.
Nesta edição, os debates estarão centrados em temas de alta relevância para o setor, como a aplicação prática da Lei nº 14.599/2023, no que se refere a seguro de cargas – com foco na insegurança jurídica e nos conflitos interpretativos –, e a análise da Lei nº 13.703/2018, que institui a Política Nacional dos Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, abordando seus desafios regulatórios, entraves jurídicos e impactos no mercado.
Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, esta edição carrega um significado especial por simbolizar a continuidade e pertinência do Seminário ao longo de décadas.
“Celebrar a 25ª edição deste Seminário é reconhecer a força de um espaço que, desde 1999, promove o diálogo qualificado entre o setor e o poder público. Ao longo dessas edições, acompanhamos transformações importantes e contribuímos ativamente para o desenvolvimento do Transporte Rodoviário de Cargas. Ao trazer, para o centro de debates, temas sensíveis como o seguro de cargas e o piso mínimo de frete, esta edição ratifica nosso compromisso com a segurança jurídica, a previsibilidade e o equilíbrio nas relações do setor, além da construção de um ambiente cada vez mais eficiente, seguro e sustentável para a atividade” – enfatiza Rebuzzi.
A edição de 2026 reafirma o empenho das entidades organizadoras em dar continuidade a esse legado, promovendo debates consistentes e alinhados às demandas do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil.
l Deputado Federal Hugo Motta – Presidente da Câmara dos Deputados (a confirmar)
l Deputado Federal Cláudio Cajado – Presidente da Comissão de Viação e Transportes
l Deputado Federal Gilberto Abramo – Autor do requerimento para realização da 25ª edição do Seminário
l Renan Filho – Ministro dos Transportes (a confirmar)
l Vander Costa – Presidente do Sistema Transporte (CNT / SEST SENAT / ITL)
l Eduardo F. Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
l Guilherme Theo Sampaio – Diretor-Geral da ANTT
10h00 às 11h00 | 1º Painel
Tema: Seguro no Transporte Rodoviário de Cargas: a aplicação da Lei nº 14.599/2023 na prática
Abordagem
Insegurança jurídica, conflitos interpretativos e seus reflexos para os transportadores
Presidente da Mesa
l Deputado Federal Cláudio Cajado – Presidente da Comissão de Viação e Transportes
Coordenação
l Eduardo F. Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
Palestrantes convidados
l Alessandro Serafin Octaviani Luis – Superintendente da SUSEP
l Marcos Aurélio Ribeiro – Diretor Jurídico da NTC&Logística
11h00 às 12h00 | 2º Painel
Tema: Lei nº 13.703/2018 – Institui a Política Nacional dos Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas
Abordagem
Entre a regulação e a realidade do Transporte Rodoviário de Cargas: análise das distorções interpretativas, entraves jurídicos e reflexos no mercado
Presidente da Mesa
l Deputado Federal Cláudio Cajado – Presidente da Comissão de Viação e Transportes
Coordenação
l Eduardo F. Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística
Participação a convite
l Luiz Fux – Ministro do Supremo Tribunal Federal (a confirmar)
Palestrantes convidados
l Guilherme Theo Sampaio – Diretor-Geral da ANTT
12h00 | Encerramento
Realização
● Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados
Apoio
● NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística
Apoio Institucional
● Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte / SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte / ITL – Instituto de Transporte e Logística)
Evento será realizado em Brasília, no dia 6 de maio, e reunirá especialistas para debater temas estratégicos das relações trabalhistas no Transporte Rodoviário de Cargas
O 5o Seminário Trabalhista do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) será realizado no próximo dia 6 de maio de 2026, a partir das 14 horas, no Auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, em Brasília. A iniciativa é organizada pela Comissão de Trabalho (CT) da Câmara, com apoio e sugestão da NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, além do apoio institucional do Sistema Transporte (CNT / SEST SENAT / ITL) e da FuMTran.
Promovendo um ambiente de troca de conhecimento, experiências e construção de propostas, o evento reunirá especialistas jurídicos, agentes públicos, lideranças do TRC e representantes do cenário político e do setor produtivo para discutir temas que afetam o Transporte Rodoviário de Cargas.
A programação contará com dois painéis. O primeiro abordará “A Inteligência Artificial nos julgamentos e as Provas Digitais”, destacando como as novas tecnologias estão transformando a análise de processos e a produção de provas no âmbito trabalhista. Já o segundo painel tratará da “Redução da Jornada de Trabalho”, com análise dos desdobramentos e consequências para a organização das operações e a produtividade do setor.
Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, o Seminário cumpre um papel essencial ao estimular discussões qualificadas sobre temas atuais e sensíveis ao setor.
“O Transporte Rodoviário de Cargas é diretamente impactado pela modernização tecnológica e pelas transformações referentes à organização do trabalho. É imprescindível promovermos debates especializados como os previstos na programação do 5o Seminário Trabalhista do Transporte Rodoviário de Cargas, tendo por focos a segurança jurídica, o equilíbrio nas relações trabalhistas e condições sustentáveis para a operação das empresas”, afirma Rebuzzi.
O evento é aberto ao público e se consolida como um importante espaço de atualização e reflexão sobre os desafios trabalhistas que acompanham a evolução do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil.
Membro da Comissão de Trabalho e Autor do requerimento para realização do Seminário
Ministro Luiz Marinho
Ministério do Trabalho e Emprego
Vander Francisco Costa
Presidente do Sistema Transporte (CNT / SEST SENAT / ITL)
Eduardo Ferreira Rebuzzi
Presidente da NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística
Valdir de Souza Pestana
Presidente da CNTTT – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres
14h30 às 16h30 – 1º Painel
Tema: A Inteligência Artificial nos julgamentos e as Provas Digitais
Presidente da Mesa
Deputado Federal Luiz Gastão
Membro da Comissão de Trabalho
Palestrante 1
Dra. Ana Paula Silva Campos Miskulin
Juíza do Trabalho do TRT/15ª Região
Palestrante 2
Dr. Otavio Torres Calvet
Juiz do Trabalho do TRT/1ª Região
Palestrante 3
Dr. Sérgio Schwartsman
Assessor Jurídico da FENABRAVE – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores e da FENACODIV – Federação Nacional dos Concessionários e Distribuidores de Veículos
16h00 às 18h30 – 2º Painel
Tema: Redução da Jornada de Trabalho
Presidente da Mesa
Deputado Federal Max Lemos, Presidente da Comissão de Trabalho
Palestrante 1
Deputado Federal Paulo Azi, Relator da PEC 221/2019 e da PEC 08/2025
Palestrante 2:
Dr. Alberto Nemer Neto, Advogado
Palestrante 3
Dr. Narciso Figueirôa Junio
Assessor Jurídico da NTC&Logística
Palestrante 4
Bob Everson Machado
Presidente do SINAIT – Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho
18h30 – Encerramento
Realização
● Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados
Apoio
● NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística
Apoio Institucional
● Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte / SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte / ITL – Instituto de Transporte e Logística)
Articulação com a CNA assegura solução equilibrada e adia debate formal para 2030
A CNT (Confederação Nacional do Transporte), em articulação com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), participou dos trabalhos da reunião do Conselho de Administração da OIT (Organização Internacional do Trabalho), realizada nessa quarta-feira (25), em Genebra, na Suíça. O debate tratou da possibilidade de criação de um novo normativo internacional voltado à cadeia produtiva.
Inicialmente, o governo brasileiro havia sinalizado apoio à elaboração de um instrumento vinculante (possivelmente, uma convenção internacional) que ampliaria a responsabilização das cadeias produtivas em caso de violações de direitos humanos. A proposta gerou preocupação em alguns setores diante do risco de aumento de obrigações regulatórias e impactos sobre a competitividade.
Nesse contexto, a CNT e a CNA defenderam uma abordagem mais equilibrada, alinhada aos princípios do diálogo social tripartite e à preservação do espaço regulatório nacional. As entidades argumentaram que a adoção de um instrumento vinculante seria precipitada e propuseram como alternativa um normativo de caráter não vinculante.
O esforço conjunto levou a uma mudança significativa da posição brasileira. O governo passou a apoiar uma solução normativa que não necessariamente seja vinculante e concordou com a postergação do início das discussões formais para 2030, evitando sobreposição com outras convenções em negociação no âmbito da OIT.
Segundo o gerente de Relações Trabalhistas e Sindicais da CNT, Frederico Melo, a construção de normas internacionais precisa respeitar as especificidades nacionais e garantir segurança jurídica aos setores produtivos. “O problema na cadeia produtiva está no desafio da governança, e não na ausência de regulamentação”, destacou.
Na avaliação da CNT, o resultado representa uma vitória institucional, visto que reduz riscos regulatórios, assegura maior previsibilidade e reforça a importância do diálogo social como caminho para soluções equilibradas no plano internacional.
A concessão da chamada Rota das Gerais, trecho de 735 quilômetros da BR-116/251/MG, recebeu três propostas na quinta-feira (26). As ofertas foram feitas pela EcoRodovias, pela Brasil Rodovias Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia Responsabilidade – Monte Rodovias e pelo Consórcio Atlas Rodovias, formado por YVY Capital Atlas Rodovias Fundo de Investimento em Participações em Infraestrutura e Pavidez Engenharia.
O leilão do projeto, o primeiro de rodovia federal em 2026, acontece na próxima terça-feira (31), na B3, em São Paulo.
Das três proponentes, a EcoRodovias é o player consolidado nas concessões rodoviárias federais. As outras duas aparecem como novidade nos ativos concedidos pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). A Monte Rodovias tem quatro concessões estaduais, com trechos na Bahia e em Pernambuco.
Já a YVY Capital é a gestora fundada pelo ex-ministro da Economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes, e o ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) Gustavo Montezano, que geriu o banco durante a gestão Bolsonaro.
Como mostrou a Agência iNFRA, a Rota das Gerais vai estrear um novo modelo de definição do peso da tarifa de pedágio por tipo de veículo. A metodologia do multiplicador de tarifa reduz o valor cobrado de veículos leves e amplia o peso tarifário sobre caminhões, sem alterar as estimativas de arrecadação com a concessão ao longo do contrato. A adaptação integra os esforços para superar as resistências ao sistema de pedágio sem cancelas, o free flow.
Secretário executivo do Ministério de Portos e Aeroportos participou de evento promovido pela revista Veja, que reuniu representantes do poder público e setor privado para discutir o fortalecimento do setor
O secretário executivo do Ministério de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, participou, nesta sexta-feira (27), do Fórum Infraestrutura – Uma Agenda para o Futuro, promovido pela revista Veja em São Paulo (SP). O evento foi a oportunidade de reunir setor público, iniciativa privada e imprensa para uma série de painéis que trataram dos avanços e desafios nacionais em áreas do setor logístico.
Durante o evento, Tomé Franca apresentou o painel “As perspectivas dos investimentos em portos e aeroportos” e abordou temas como a política de concessões adotada pela pasta, os investimentos realizados nos últimos anos e a necessidade de dotar áreas estratégicas do setor logístico de uma infraestrutura que esteja conectada à necessidade de integração entre modais.
“O nosso foco é tornar portos, aeroportos e hidrovias cada vez mais eficientes e estruturados para promover uma integração com rodovias e ferrovias, ajudando a reduzir o custo Brasil, conectando o país e tornando nossos transportes mais eficientes”, afirmou o secretário após apresentar os resultados alcançados nos últimos três anos pelo MPor. “Aumentamos o volume de investimentos de forma robusta, atraindo o capital privado ao garantir um ambiente de previsibilidade e segurança jurídica que é necessário para investidores interessados em contribuir com o desenvolvimento nacional, e nesse contexto o Tribunal de Contas da União tem um trabalho fundamental”, cravou.
O secretário assinalou que a criação da Secretaria Nacional de Hidrovias em 2024 ratificou a priorização dada pelo Governo Federal ao setor, fundamental para o transporte de cargas e passageiros em regiões como o Norte e o Centro-Oeste do Brasil. “Temos um potencial hidroviário considerável que está sendo estruturado também para dialogar com rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. A navegação marítima e de interior terá papel importante na integração entre estes modais”, declarou.
A implantação do programa AmpliAR, que possibilita a gestão de aeroportos regionais por concessionárias que já possuem contratos vigentes com a União, foi apontada pelo secretário como ação inovadora que favorece a conectividade e reforça a soberania nacional. “Na primeira etapa do programa, 13 aeroportos estratégicos foram arrematados, garantindo mais de R$ 700 milhões em investimentos que se traduzem em mais renda, emprego, conectividade e melhoria do serviço prestado à população. Até o final do ano teremos a segunda etapa com mais 15 aeroportos colocados em oferta pública”, assinalou.
No setor portuário, o secretário lembrou que está prevista a realização de leilões de portos como os de Porto Alegre (RS), Itajaí (SC), Fortaleza (CE), Itaqui (MA) e Salvador (BA). No primeiro trimestre deste ano, já foram realizados três leilões, e outros 15 estão previstos até o final de 2026, que garantirão mais de R$ 10 bilhões em investimentos. “No MPor, atuamos com foco no fortalecimento da estrutura portuária de norte a sul, cientes da importância do papel do Brasil no futuro do comércio internacional, para consolidar o nosso país como o principal hub logístico do hemisfério sul”, cravou.
O fórum debateu ainda as demandas do setor privado, a visão do agronegócio, financiamento de projetos, o papel dos governadores e do TCU no setor de infraestrutura. Também participaram do evento o governador do Ceará, Elmano de Freitas; de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o ministro do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas.
O mercado de galpões industriais e condomínios logísticos no Brasil atravessa um ciclo de crescimento acelerado, impulsionado por fatores econômicos e operacionais. Dados das consultorias Binswanger e Metro Quadrado mostram que a expansão já redesenha o mapa logístico nacional.
De acordo com o levantamento mais recente, Guarulhos lidera como principal polo logístico, com 481,8 mil m² de área, seguido por Cajamar (418,4 mil m²); Extrema (333,4 mil m²); Jundiaí (321,7 mil m²) e, empatados, Contagem e Betim, com 307,9 mil m² cada.
O eixo tradicional entre Guarulhos e Cajamar deixou de concentrar a maior parte das operações. A expansão logística agora inclui novos centros estratégicos, especialmente em Extrema, Jundiaí e Betim, ampliando os corredores de distribuição no país.
Essa mudança tem efeito direto sobre o transporte rodoviário de cargas, já que os custos com armazenagem e imóveis logísticos influenciam o valor do frete. Entre 2020 e 2025, o número de empreendimentos praticamente dobrou, refletindo a nova dinâmica do setor.
Pós-pandemia acelera interiorização e aproximação dos mercados
A reconfiguração da malha logística ganhou força após a pandemia, quando indústrias e empresas passaram a priorizar proximidade com grandes centros consumidores.
Nesse cenário, a localização dos centros de distribuição tornou-se um fator estratégico para transportadoras, impactando planejamento de rotas, custos operacionais, manutenção de frota e prospecção de clientes.
Segundo José Alberto Panzan, diretor da Anacirema Transportes e da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo, a expansão dos polos logísticos está transformando a operação das transportadoras.
“A competitividade deixou de ser apenas distância e capacidade de entrega. Hoje envolve inteligência logística, previsibilidade e gestão em tempo real”, afirma.
O executivo destaca que há uma pressão crescente por prazos menores, maior frequência de entregas e janelas operacionais mais rígidas, principalmente na distribuição urbana e regional.
Transporte rodoviário ganha papel ainda mais estratégico
Responsável por mais de 65% da movimentação de cargas no Brasil, o transporte rodoviário se torna ainda mais relevante com a expansão dos centros logísticos.
O setor é fundamental para conectar indústria, agronegócio, comércio e consumidor final, garantindo abastecimento e impulsionando o desenvolvimento regional. Além disso, polos logísticos próximos aos centros consumidores aumentam a eficiência operacional, reduzem o tempo de entrega e elevam a produtividade da frota.
A aproximação entre centros logísticos e mercados consumidores reduz o ciclo operacional das entregas, permitindo maior giro dos veículos e melhor aproveitamento da frota. Na prática, isso significa menos quilômetros improdutivos e mais entregas realizadas no mesmo período, aumentando a eficiência das transportadoras e contribuindo para maior estabilidade financeira das operações.
Encontro reuniu lideranças para discutir temas prioritários do Transporte Rodoviário de Cargas, com foco em custos operacionais, segurança, legislação e planejamento institucional
Foi realizada, nesta quinta-feira (26), de forma híbrida, a reunião da Diretoria da NTC&Logística, conduzida pelo presidente da entidade, Eduardo Rebuzzi, com a participação do vice-presidente Antonio Luiz Leite; do diretor financeiro, José Maria Gomes; dos conselheiros vitalícios Flávio Benatti e José Hélio Fernandes; membros da diretoria e representantes de entidades associadas de todo o País.
A pauta do encontro contemplou desde questões administrativas até análises aprofundadas do cenário econômico, político e operacional que afetam o setor.
Ao iniciar a reunião, o presidente Eduardo Rebuzzi teceu comentários sobre compromissos recentes em Brasília e em São Paulo, onde foram realizados encontros com focos centrais para o desenvolvimento do setor.
A agenda de eventos da entidade foi apresentada por Elisete Balarini, assessora executiva da Presidência, que pontuou os próximos encontros promovidos pela NTC&Logística, com ênfase nos fixados para o mês de maio, como o 16º Congresso Técnico Olhar Empresarial, no dia 5, além do 25º Seminário Brasileiro do Transporte Rodoviário de Cargas e do 5º Seminário Trabalhista do Transporte Rodoviário de Cargas, no dia 6.
Na oportunidade, a vice-presidente extraordinária da Pauta ESG, Joyce Bessa, destacou os resultados e o impacto da realização do primeiro evento carbono neutro promovido pela NTC&Logística, durante o Congresso NTC 2025 – XVIII Encontro Nacional da COMJOVEM. Entre os principais resultados da iniciativa, evidenciou-se a compensação das emissões de CO₂, com o plantio de aproximadamente 180 a 200 árvores, que serão mantidas por um período de 20 anos. Um evento carbono neutro é aquele que realiza o cálculo, a redução e a compensação das emissões de gases de efeito estufa (GEE) geradas durante sua realização, garantindo, assim, um impacto ambiental neutro.
O diretor financeiro, José Maria Gomes, e o coordenador operacional, Fernando Silva, conduziram a apresentação do status financeiro da entidade, com os dados de fechamento de janeiro de 2026, propiciando uma visão atualizada da saúde econômica da instituição.
O relato da Coordenação Nacional da COMJOVEM foi conduzido pelo coordenador nacional, Hudson Rabelo, que abordou a entrada de novos associados, os resultados do primeiro trimestre e a participação em reuniões e eventos, especialmente a primeira edição de 2026 do Seminário Itinerante, realizada em Recife, no dia 19 de março. Também foi feita menção ao mês dedicado às mulheres, com reconhecimento às lideranças femininas que atuam nas coordenações dos Núcleos da COMJOVEM em todo o Brasil.
O cenário internacional e seus reflexos no setor foram analisados pelo diretor jurídico, Dr. Marcos Aurélio Ribeiro; pela assessora jurídica, Dra. Gil Menezes, e pelo assessor técnico da entidade, engo Lauro Valdivia, com destaque para os impactos da guerra no Oriente Médio, a Medida Provisória nº 1343/2026, o piso mínimo de frete e o aumento do diesel, entre outros pontos.
As questões trabalhistas e regulatórias foram explanadas pelo assessor jurídico da NTC&Logística, Dr. Narciso Figueirôa Junior, que tratou da PEC da Redução de Jornada (Fim da Escala 6×1) e das alterações na NR-1, com base no Manual Interpretativo do Ministério do Trabalho e Emprego, além da realização do 5º Seminário Trabalhista do Transporte Rodoviário de Cargas.
O relato da área de segurança coube ao especialista em segurança e delegado de polícia, Waldomiro Milanesi, incluindo o relatório sobre roubo de cargas referente a 2025; a auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) no programa Carga Segura e iniciativas da Secretaria Nacional de Segurança Pública.
Encerrando os relatos, o vice-presidente extraordinário de Assuntos Políticos, José Hélio Fernandes, e a assessora de Relações Institucionais, Edmara Claudino, expuseram atualizações da área, salientando a atuação da entidade junto aos poderes públicos e pautas de interesse do setor.
O encontro foi finalizado com a abertura para outros assuntos, reforçando o compromisso da NTC&Logística em atuar de forma estratégica e integrada, acompanhando de perto os desafios e oportunidades do setor e promovendo o alinhamento entre suas lideranças em temas fundamentais para o desenvolvimento do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil.
A Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), em parceria com a Comissão de Transportes e Comunicação da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), realizou nesta quinta-feira, dia 26, o Simpósio “Abastecimento Urbano na Região Metropolitana”, no Auditório Franco Montoro da ALESP. A iniciativa, promovida em conjunto com o deputado estadual Capitão Telhada, com o apoio do presidente da Comissão de Transportes e Comunicações, deputado estadual Ricardo Madalena, reuniu lideranças do setor, autoridades públicas e especialistas para discutir os principais desafios logísticos nas grandes cidades.
Na abertura do Simpósio, foram convidados a subir ao palco o presidente da FETCESP, Carlos Panzan; o deputado estadual e presidente da Comissão de Transportes e Comunicações da ALESP, Ricardo Madalena; o deputado estadual Capitão Telhada, representando os demais parlamentares presentes; o subprefeito da cidade de São Paulo, região do Bairro da Lapa, Coronel Telhada; o vice-presidente de Transporte Rodoviário de Cargas da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Flávio Benatti, representando o presidente Vander Costa, e o vice-presidente da NTC&Logística e presidente da Fundação Memória do Transporte (FuMTran), Antonio Luiz Leite, representando o presidente Eduardo Rebuzzi.
Em sua fala inicial, o presidente da FETCESP destacou a importância da retomada do diálogo com o Governo do Estado e reforçou o papel estratégico do Transporte Rodoviário de Cargas para o abastecimento e a economia. “Essa oportunidade de interação com o governo é fundamental para avaliarmos avanços, mas também enfrentarmos problemas que ainda persistem, especialmente relacionados à infraestrutura e ao abastecimento”, afirmou. Panzan também chamou atenção para desafios estruturais, como a necessidade de maior segurança no setor e a regulamentação de legislações já existentes, além de reforçar o compromisso das transportadoras com a sociedade. “É preciso desmistificar que o transportador é o vilão. Somos uma atividade essencial. Durante a pandemia, não paramos e garantimos o abastecimento, inclusive com a distribuição gratuita de vacinas no estado de São Paulo”.
O presidente da Comissão de Transportes e Comunicações da ALESP, Ricardo Madalena, ao receber a palavra, reforçou a relevância do Simpósio para o debate sobre segurança e logística no Estado de São Paulo, além de reconhecer o protagonismo do setor no funcionamento da economia. “Esse é um tema essencial, porque estamos falando de segurança no trânsito e de quem garante o abastecimento da população. O transporte faz a diferença no dia a dia de todos nós”.
O subprefeito regional da Lapa, Coronel Telhada, ressaltou a importância da integração entre o setor de transporte e o poder público, destacando o Simpósio como um espaço de aprendizado e construção conjunta de soluções. “Nós viemos aqui para ouvir e aprender com quem vive essa realidade todos os dias. São profissionais que conhecem profundamente o setor e podem contribuir muito com esse debate”, afirmou. Telhada também chamou atenção para os desafios relacionados à segurança no transporte de cargas e defendeu maior união entre as instituições. “O enfrentamento desses problemas passa pela união do setor com o poder público. Só com diálogo e participação conseguimos avançar em soluções concretas”, concluiu.
Em seguida, o vice-presidente da CNT, Flávio Benatti, destacou a importância do diálogo institucional e relembrou o papel histórico do setor nas discussões estruturais da infraestrutura no país, como nos debates sobre os modelos de concessão de rodovias em São Paulo. “Na época, trouxemos para esta Casa uma discussão muito relevante sobre os modelos de privatização, e esse debate ajudou a construir caminhos que hoje são referência no Brasil, como o modelo de menor tarifa”, afirmou. Benatti também reforçou a contribuição estratégica do Transporte Rodoviário de Cargas para o desenvolvimento nacional. “É um setor que produz, gera riqueza e sustenta o abastecimento do país. Durante a pandemia, ficou evidente que, sem o transporte de cargas, não teríamos garantido a regularidade do abastecimento no Brasil”.
O vice-presidente da NTC&Logística e presidente da FuMTran, Antonio Luiz Leite, refletiu sobre a importância da atuação conjunta entre o setor de transporte e o Parlamento paulista na construção de avanços estruturais para o Estado. Ele relembrou também a participação ativa das entidades em momentos decisivos, como as concessões rodoviárias e a implantação do Rodoanel, ressaltando o protagonismo dos empresários nessas transformações. “Muitas das grandes decisões do transporte nasceram aqui nesta Casa e depois se estenderam para o Brasil. O setor sempre esteve presente, contribuindo e assumindo seu papel no desenvolvimento da infraestrutura”, afirmou. Também reforçou a necessidade de continuidade nas discussões e no alinhamento institucional para garantir novos avanços ao setor.
Por fim, o deputado Capitão Telhada destacou a importância do Simpósio como um espaço estratégico de debate para o setor de transporte, com potencial de gerar impactos concretos para a sociedade. “Tenho certeza de que o que será discutido hoje resultará em um conteúdo muito relevante, que vai auxiliar não só o Transporte Rodoviário de Cargas, mas também a sociedade paulista”, afirmou. O parlamentar também ressaltou a visibilidade do encontro, transmitido ao vivo pela TV ALESP, e a construção conjunta do evento entre entidades e representantes públicos, reforçando a expectativa de uma manhã produtiva e de avanço nas discussões.
Com o término das falas iniciais, o presidente da Braspress e vice-presidente da FETCESP, Urubatan Helou, subiu ao palco para realizar a palestra “Momento Atual do TRC – Transporte Rodoviário de Cargas”, abordando os desafios econômicos e estruturais enfrentados pelo setor e a importância da construção de soluções conjuntas entre poder público, empresas e sociedade.
Logo no início de sua fala, Helou propôs uma reflexão sobre o desenvolvimento nacional, apontando que, embora o Brasil tenha apresentado algumas melhorias, a sociedade vem sofrendo uma deterioração devido à perda de espaço comum e à piora contínua de infraestruturas essenciais, como a educacional e a social. Fazendo coro às falas anteriores sobre participação política, ele destacou: “A vida política não é a que acontece só nas câmaras municipais, nas assembleias legislativas ou no Congresso Nacional. A vida política acontece dentro de casa, no exercício familiar, em todas as áreas da sociedade brasileira”.
Apresentando um diagnóstico técnico desenvolvido com base em estudos nacionais e internacionais, o palestrante alertou que a atual situação compromete o futuro da nação. “Se a infraestrutura é frágil, toda a construção do edifício também é frágil, porque é através da infraestrutura que você forma os alicerces de um país”, ressaltou.
Seguindo a programação do evento, o assessor jurídico da FETCESP, SETCESP e NTC&Logística, Dr. Marcos Aurélio Ribeiro, subiu ao palco para apresentar o tema “Restrições de Circulação dos Veículos de Carga e Uniformização na Regulamentação na Região Metropolitana”, destacando os impactos da fragmentação normativa sobre a eficiência logística nas regiões metropolitanas. Em sua exposição, o especialista abordou a sobreposição de regras municipais, como Zonas de Máxima Restrição de Circulação (ZMRC), Vias Estruturais Restritas (VER), rodízios e diferentes critérios para veículos urbanos de carga (VUC), além da ausência de padronização entre municípios que integram uma mesma dinâmica econômica e territorial.
“Estamos falando de uma macro região que concentra a maior parte da população e da atividade econômica do Estado, mas que ainda opera com regras fragmentadas e, muitas vezes, incompatíveis entre si. O transporte de cargas é uma função pública de interesse comum e precisa ser tratado de forma integrada, com planejamento coordenado entre Estado e municípios, para garantir eficiência logística, reduzir custos e assegurar o abastecimento”, destacou.
Finalizando a programação técnica, o delegado de Polícia Waldomiro Pompiani Milanesi apresentou o tema “Segurança Pública e Cadeia Logística: cooperação institucional na proteção do transporte de cargas”, trazendo uma análise aprofundada sobre o roubo de cargas no Brasil e seus impactos além da esfera policial. Em sua exposição, o especialista destacou que o problema deve ser compreendido de forma sistêmica, como um fenômeno que envolve dimensões criminais, econômicas e logísticas, afetando diretamente o abastecimento, os custos operacionais e a previsibilidade das operações.
Milanesi também chamou atenção para a necessidade de evolução na forma como o tema é enfrentado no país, defendendo maior integração entre Estado e setor produtivo. Para ele, a falta de coordenação entre os agentes envolvidos compromete a eficiência das respostas e amplia os riscos na cadeia logística. “O roubo de carga não pode ser tratado como um evento isolado. Ele exige diagnóstico qualificado, integração entre inteligência, investigação e setor produtivo, além de ações estruturadas de prevenção. Sem cooperação efetiva, o Estado reage, mas não consegue governar o risco”, destacou, reforçando que segurança pública e abastecimento são temas indissociáveis e estratégicos para o funcionamento do país.
O simpósio contou ainda com um momento de debates entre os participantes, promovendo a troca de experiências e o alinhamento de propostas para aprimorar o abastecimento urbano na Região Metropolitana de São Paulo.
No II Encontro Técnico da Redecarga, a Polícia Civil das 27 unidades da Federação troca experiências e define estratégias para enfrentar organizações criminosas
São Luís, 24/3/2026 – Nos dias 25 e 26 de março, será realizado o II Encontro Técnico da Rede Nacional de Enfrentamento ao Roubo e Furto de Carga (Redecarga), em São Luís (MA). O evento reúne representantes da Polícia Civil dos 26 estados e do Distrito Federal e tem como objetivo fortalecer o combate às organizações criminosas por meio da integração entre unidades especializadas.
A Redecarga é uma iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e busca fortalecer a atuação integrada das forças de segurança no combate a um dos crimes que mais impactam a logística, a economia e a segurança pública no Brasil: os roubos e furtos de cargas.
Durante o encontro, os profissionais discutirão estratégias de repressão qualificada para desmantelar estruturas criminosas, com o apoio de diferentes órgãos de segurança pública.
Segundo o diretor de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi) da SENASP/MJSP, José Anchieta Nery Neto, a Redecarga é um instrumento tático de colaboração federativa no campo da segurança pública.
“Mais do que uma iniciativa operacional, a Redecarga representa uma estratégia de Estado, orientada para gerar impactos concretos na segurança pública brasileira, elevando o nível de cooperação, inteligência e eficiência das ações policiais em todo o País”, afirma.
Programação
As atividades do encontro incluem:
• Reuniões de alinhamento entre as unidades especializadas;
• Operações integradas com apoio de órgãos de segurança;
• Capacitações e treinamentos para profissionais de segurança;
• Intercâmbio de boas práticas entre os estados;
• Definição de protocolos de atuação padronizados;
• Palestras e oficinas sobre o enfrentamento ao crime organizado;
• Discussão sobre o uso da inteligência nas operações;
• Gerenciamento de risco no transporte de cargas;
• Análise do roubo de carga nas rodovias federais;
• Avaliação dos desafios que as forças de segurança deverão enfrentar nos próximos anos.
O Departamento de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro (DER-RJ) informou que começou, nessa terça-feira (24), a instalar novos radares nas rodovias RJ-104 (antiga Niterói-Manilha) e RJ-106 (Amaral Peixoto), que cortam vários municípios das regiões Metropolitana e dos Lagos.
Segundo o órgão, a medida faz parte de um processo de modernização do sistema de fiscalização eletrônica, com o objetivo de reforçar a segurança viária para motoristas e pedestres.
Ao todo, serão disponibilizados 390 equipamentos em rodovias estaduais. Os novos dispositivos vão substituir radares antigos em pontos já existentes e serão instalados em novos trechos considerados estratégicos.
Na RJ-104, em um trecho de cerca de 21 quilômetros, estão previstos 11 redutores de velocidade nos 2 sentidos da via, que corta Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.
Já na RJ-106, ao longo de aproximadamente 200 quilômetros, devem ser instalados 133 equipamentos, entre redutores de velocidade e controladores de avanço de sinal. A estrada passa por Niterói, São Gonçalo, Maricá, Saquarema, Araruama, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Casimiro de Abreu, Rio das Ostras e Macaé.
A relação completa com a localização dos radares será divulgada no site oficial do DER-RJ à medida que os equipamentos entrarem em operação. A previsão é que todo o sistema esteja funcionando até junho.
Reclamações de moradores
Moradores da região afirmam que a falta de radares, lombadas e passarelas ainda coloca pedestres em risco em diferentes pontos das rodovias.
O telespectador Roberto Carlos de Abreu relatou preocupação com um trecho da RJ-106, na altura do Km 9, em Várzea das Moças, onde fica o Colégio Estadual Souza Soares.
“Havia um radar de velocidade, mas foi retirado, colocando os alunos em risco”, disse.
Já o morador Marco Aurélio, de Rio do Ouro, em São Gonçalo, afirma que a retirada de radares aumentou o perigo na via, especialmente na altura do Km 6,5, na chamada Curva do Vento.
Ele diz que os veículos trafegam em alta velocidade e que pedestres precisam circular pela pista, o que eleva o risco de acidentes.
Segundo o DER-RJ, a escolha dos pontos de instalação leva em conta critérios técnicos, e os equipamentos serão ativados de forma gradual.
De acordo com o Ministério dos Transportes, aportes serão direcionados para fortalecimento de ferrovias, ampliação de rodovias e destravamento de obras paradas
O Ministério dos Transportes anunciou que Minas Gerais receberá mais de R$ 100 bilhões em investimentos em infraestrutura de transportes nos próximos anos. Os aportes serão direcionados para fortalecimento de ferrovias, ampliação de rodovias e destravamento de obras paradas.
De acordo com o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, o estado ganhou destaque na carteira de projetos da pasta, que investiu R$ 7 bilhões em rodovias e ferrovias nos últimos três anos, por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Na visão dele, esse movimento aconteceu devido à revisão de contratos e à mudança na modelagem dos projetos, com recuperação de recursos públicos, principalmente no setor ferroviário. “A estratégia permitiu recompor a capacidade de investimento e estruturar novas concessões no estado”, apontou.
As futuras movimentações do transporte mineiro foram apresentadas durante a terceira edição do Eloos Itatiaia – Ciclo Cidades e Infraestrutura. O evento aconteceu durante a última segunda-feira (23) e reuniu autoridades, especialistas e executivos para debater os desafios da infraestrutura no Brasil.
RODOVIAS MINEIRAS
Do valor previsto, R$ 62,5 bilhões serão direcionados para investimentos nas rodovias, sendo concedidas ou contratadas. De acordo com o Ministério, isso soma projetos já em execução e previsão de novos aportes ao longo dos próximos anos.
Para 2026, a pasta de transporte prevê 13 leilões de concessões rodoviárias. O primeiro deles está marcado ainda para o mês de março, com o lote BR-116/251/MG, conhecido como Rotas Gerais. O projeto contempla trechos das duas rodovias, conecta 24 municípios e prevê cerca de R$ 13 bilhões em investimentos.
OBRAS PARADAS EM MINAS GERAIS
O Ministério dos Transportes também ampliou a execução de obras em Minas Gerais. De acordo com a pasta, são mais de 300 obras em andamento, e o objetivo é a retomada de empreendimentos paralisados e a melhoria da malha rodoviária.
Entre esses projetos, está a concessão da BR-381/MG/SP (Fernão Dias), que prevê cerca de R$ 14 bilhões em investimentos para modernização, ampliação da capacidade e melhoria da segurança viária ao longo de 569 quilômetros da rodovia.
Segundo o ministério, projetos que enfrentavam entraves históricos também avançaram, como a BR-135, cuja execução ficou parada por cerca de duas décadas devido a questões de licenciamento ambiental.
INVESTIMENTOS EM FERROVIAS
Em relação as ferrovias, a carteira prevista chega a R$ 38 bilhões, com destaque para a ampliação da malha e a renovação de contratos, como a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), Estrada de Ferro Carajás e a Estrada de Ferro Vitória a Minas.
Santoro destacou que o Ministério dos Transportes reviu esses contratos e recuperou o dinheiro público, tudo dentro da legalidade. A iniciativa está trazendo para o sistema ferroviário cerca de R$ 35 bilhões, que vão alavancar a carteira de ferrovias. Para ele, a melhoria no ambiente econômico e regulatório tem contribuído para ampliar a participação do setor privado e garantir maior previsibilidade aos projetos.
O resultado desse cenário pode ser sentido no Brasil inteiro. Em números, quase um terço (31%) dos leilões federais de ferrovias, rodovias, portos e aeroportos desde a Lei das Concessões de 1995 foram realizados entre 2023 e 2025, segundo levantamento feito pelo Ministério de Transportes a pedido da Folha de S.Paulo.
Para 2026, a pasta lançou um pacote ferroviário com a Política Nacional de Outorgas Ferroviárias e a carteira de projetos 2026, que juntos representam a maior agenda de investimentos em trilhos já estruturada no país.
O plano do Ministério dos Transportes prevê oito leilões de ferrovias, que abrangem mais de nove mil quilômetros de extensão e devem atrair cerca de R$140 bilhões em investimentos, com projeção de R$ 600 bilhões injetados no sistema ferroviário.
Os projetos acompanham o crescimento do setor ferroviário. Foram 555,48 milhões de toneladas úteis (TU) de cargas escoadas pelos trilhos do país para abastecimento interno e comércio exterior. O número representa uma alta de 2,57% na comparação com 2024.
Presidente da Câmara afirmou que a pauta deve ter análise concluída antes na Comissão de Constituição e Justiça até o início do mês de abril. Hugo Motta cumpriu agenda na Paraíba na quarta-feira (25)
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), afirmou que o Projeto de Emenda à Constituição (PEC) sobre o fim da escala 6×1 deve ser votado pelo plenário da Câmara em maio deste ano. As declarações foram dadas pelo político em um evento em João Pessoa, na quarta-feira (25).
Antes de ir para a votação em plenário, a pauta foi encaminhada primeiramente para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara no início de fevereiro e, segundo Hugo Motta, deve ser analisada pela Comissão até o início de abril.
“A expectativa é que possamos concluir na CCJ a admissibilidade até o início do mês de abril. Em seguida, criaremos a comissão especial e aí, a partir do trabalho da comissão especial, nós temos a expectativa de levar o plenário até o mês de maio, que é o mês do trabalhador, porque entendemos que é possível sim se rediscutir a redução da jornada de trabalho, dando à classe trabalhadora um tempo a mais para o lazer, o convívio com a família, para cuidar da saúde, sem perder a produtividade do nosso país”, disse.
Sobre possíveis interferências políticas de lados opostos na tramitação da pauta, Hugo Motta afirmou que acredita que isso não deva acontecer, pois é um assunto “acima da disputa política”.
“Essa é uma matéria que está acima da disputa política que teremos neste ano. Os trabalhadores, que não precisam dizer a sua opção política em sua grande maioria, para não dizer na totalidade, defendem essa redução da jornada de trabalho. O que nós precisamos é ter muita sabedoria para ouvir também o setor produtivo, ouvir quem emprega e, com isso, termos uma proposta que traga sim o avanço e não represente nenhum retrocesso para o nosso país”, destacou.
Governo cogitou mandar novo projeto com urgência caso tema não avance
O ministro do Trabalho e do Emprego, Luiz Marinho, disse, no início de março, que o governo pode enviar um projeto de lei com urgência ao Congresso Nacional, se julgar que o tema não está caminhando com a “velocidade desejada” nos textos em análise pelo Legislativo.
Principal bandeira de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na economia, em sua busca por uma nova reeleição no fim deste ano, o projeto que reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais sofre resistência do setor produtivo. O principal argumento é que haverá aumento de custos, o que tende a ser repassado ao consumidor.
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a proposta de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode elevar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia. Isso equivale a um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos, diz a entidade.
De acordo com o ministro Luiz Marinho, o debate sobre a redução da jornada de trabalho é uma necessidade cobrada pela sociedade brasileira. Ele afirmou, porém, que já há empresas que vêm antecipando esse debate, reduzindo voluntariamente a jornada de seus trabalhadores.
Segundo ele, há necessidade de enquadramento das empresas que não desejam. “Aí é lei, não haverá um acordo coletivo que leve à redução da jornada máxima. A partir da jornada máxima, empresas podem fazer adequações para menos, mas não podem para mais” explicou.
Terras raras
Outro tema tratado por Hugo Motta na agenda em João Pessoa, nessa quarta-feira (25), foi a questão das terras raras e eventuais legislações que podem ser pensadas sobre isso. Conforme o presidente da Câmara dos Deputados, um relatório está sendo preparado para ser apresentado sobre terras raras pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania).
“Essa é uma matéria estratégica para o Brasil. O Brasil tem a segunda maior reserva de minerais críticos do mundo, de terras raras. Esse é um assunto que interessa nessa grande geopolítica mundial, porque é uma matéria-prima que está diretamente ligada às novas tecnologias, e o Brasil precisa, nessa aprovação, ter a condução de uma matéria que venha a ser estratégica do ponto de vista da geração de emprego, da geração de renda e não seja apenas um exportador de commodities nessa área”, disse.
Ainda na mesma entrevista à TV Paraíba, em Campina Grande, o presidente da Câmara afirmou que pretende retomar a discussão sobre a reforma política no segundo semestre, após o período da janela partidária, e defendeu que o Brasil precisa revisar o atual modelo eleitoral.
Segundo ele, a proposta busca fortalecer os partidos e melhorar a qualidade da representação política, com medidas como a adoção do voto distrital misto e a redução dos custos das eleições. O parlamentar também destacou avanços recentes, como a diminuição do número de partidos, e avaliou que há condições no Congresso para liderar esse debate, com foco nas eleições futuras, e não no pleito de 2026.
“Eu penso que nós já evoluímos, fizemos reformas recentemente que estão culminando com a diminuição da quantidade de partidos, que tem ajudado principalmente a termos aí uma condição de governabilidade e de administração do país mais facilitada, e isso tudo foi construído dentro do Congresso. Então nós temos sim a capacidade de fazer a discussão e liderar esse processo na perspectiva de uma reforma política, não para a eleição de 2026, óbvio, mas para as próximas eleições”, comentou Hugo Motta.
Outro ponto que Hugo Motta debateu em Campina Grande foi a alta no preço dos combustíveis. O presidente da Câmara afirmou que o Congresso mantém diálogo com o governo federal para conter os impactos da alta nos combustíveis e evitar prejuízos à economia, especialmente no setor de transporte.
Segundo ele, medidas recentes adotadas pelo Executivo buscam reduzir o custo do frete e prevenir o risco de desabastecimento de diesel, em meio aos reflexos de tensões internacionais. O parlamentar destacou que o Legislativo acompanha o tema de perto e se mantém disponível para colaborar, com o objetivo de evitar uma possível greve de caminhoneiros e minimizar os efeitos sobre o dia a dia da população.
“Nós estamos vigilantes, atentos e prontos para colaborar nesse diálogo para que se encontre uma solução acerca desse conflito que não depende de nós, mas que diretamente nos afeta, já que o Brasil tem uma dependência direta dos preços dos combustíveis para as atividades no país”, finalizou Hugo Motta em Campina Grande.
A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), entidade que há mais de duas décadas monitora e analisa o roubo de cargas no Brasil, divulgou seu levantamento anual sobre o tema. Referência nacional desde 1998, a entidade consolida dados e contribui ativamente para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à segurança no Transporte Rodoviário de Cargas.
De acordo com o estudo, em 2025 foram registradas 8.570 ocorrências, representando uma redução de 16,7% em relação a 2024.
Apesar da queda, o impacto financeiro permanece elevado. O prejuízo direto estimado chega a aproximadamente R$ 900 milhões, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão ao considerar os efeitos indiretos, como aumento de custos operacionais, seguros e impacto no preço final dos produtos.
Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, os dados reforçam a importância da continuidade das ações conjuntas, mas evidenciam que o problema ainda está longe de ser superado – ainda que haja avanços importantes no campo institucional e legislativo.
“A redução registrada ao longo dos últimos anos demonstra que o trabalho conjunto entre setor produtivo e poder público tem gerado resultados. Ao mesmo tempo, evoluímos em pautas importantes, fruto de um trabalho consistente de articulação e construção técnica. Um dos pontos centrais para reduzir o roubo de cargas é o combate à receptação, que sustenta economicamente esse tipo de crime. E vemos, agora, um avanço concreto nesse sentido com a sanção da Lei nº 15.358/2026, que institui o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil, fortalecendo o enfrentamento das estruturas criminosas e ampliando os mecanismos de punição e investigação. Essa é uma medida importante para dar mais segurança a quem atua dentro da legalidade. Ainda assim, o cenário segue preocupante e exige atenção permanente, com ações estruturadas e integradas em todo o país” – enfatiza Rebuzzi.
O levantamento mostra ainda que o crime segue concentrado em regiões estratégicas do país. O Sudeste responde por 86,8% das ocorrências, com destaque para Rio de Janeiro e São Paulo, que concentram a maior parte dos registros nacionais.
Além da concentração geográfica, o estudo aponta uma evolução no perfil das ações criminosas. As quadrilhas têm priorizado cargas de alta liquidez – como alimentos, combustíveis, medicamentos e eletrônicos – e adotado estratégias mais sofisticadas, como interceptações em movimento, abordagens durante entregas e atuação em áreas urbanas e corredores logísticos.
O vice-presidente extraordinário de Segurança da NTC&Logística, Roberto Mira, destaca que o cenário atual exige uma resposta ainda mais coordenada. “Mesmo com a redução no volume de ocorrências, o crime vem se tornando cada vez mais sofisticado. As organizações criminosas atuam de forma estruturada e com inteligência, o que exige do setor e das autoridades uma resposta igualmente integrada, com uso de tecnologia, informação e cooperação contínua.”
O roubo de cargas é um problema que ultrapassa a esfera criminal, impactando a competitividade do Transporte Rodoviário de Cargas, a previsibilidade logística e o custo Brasil. No levantamento, desafios estruturais, como a fragmentação de dados e a necessidade de maior integração entre os sistemas de segurança pública, também são evidenciados.
Nesse contexto, a entidade reafirma seu papel histórico e institucional no enfrentamento do problema, priorizando a produção de estudos, articulação com autoridades e promoção de iniciativas voltadas à segurança logística no país. “Nosso compromisso é seguir contribuindo com dados, inteligência e articulação institucional. O enfrentamento do roubo de cargas passa por uma visão sistêmica, que envolve toda a cadeia logística e, principalmente, o combate às estruturas que financiam essa atividade criminosa”, conclui Rebuzzi.
Após anos de articulação do setor, medida sancionada endurece regras contra receptação e reforça a segurança jurídica na logística
A sanção da Lei nº 15.358/2026, que institui o novo marco legal de combate ao crime organizado no Brasil, representa um avanço relevante para o setor produtivo e, especialmente, para o Transporte Rodoviário de Cargas. A nova legislação amplia o rigor no enfrentamento às organizações criminosas, com impacto direto na segurança logística e no combate à receptação de cargas roubadas.
A medida é resultado de uma construção institucional ao longo dos últimos anos, com participação ativa da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), em conjunto com a Confederação Nacional do Transporte (CNT) e demais entidades representativas do setor, atuando de forma consistente na defesa de um ambiente mais seguro, competitivo e equilibrado para as operações logísticas no país.
Entre os principais avanços da nova lei, está a previsão de suspensão da inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de estabelecimentos envolvidos com a receptação, além da possibilidade de declaração de inaptidão em casos de reincidência. A medida atinge diretamente a estrutura econômica que sustenta o roubo de cargas, um dos principais desafios enfrentados pelo setor.
Segundo Eduardo Rebuzzi, presidente da NTC&Logística, a sanção da lei consolida um trabalho de longo prazo conduzido pelas entidades representativas do transporte: “Essa é uma conquista construída com diálogo, articulação e consistência técnica ao longo dos anos. O principal ponto para reduzir o roubo de cargas é penalizar o receptador, e esse é um caminho que agora vemos avançar de forma concreta. A nova legislação atinge o elo econômico do crime e representa um avanço importante para proteger quem trabalha dentro da legalidade. O Transporte Rodoviário de Cargas precisa de segurança jurídica e operacional, e essa medida vai na direção correta”.
A nova legislação também fortalece a integração entre os órgãos de segurança pública e amplia os instrumentos de investigação e repressão, criando um ambiente mais favorável ao combate estruturado ao crime organizado e às práticas ilícitas que impactam diretamente a economia formal.
A NTC&Logística seguirá atuando, em conjunto com as demais entidades do setor, no acompanhamento da regulamentação e na defesa de novas medidas que contribuam para a redução do roubo de cargas, o fortalecimento da atividade transportadora e a promoção de um ambiente de negócios mais justo no Brasil.
Atuação em Genebra garante subsídios técnicos e apoio às pautas nacionais na 356ª Sessão do Conselho de Administração da OIT
Entre os dias 23 de março e 2 de abril, a CNT participa da 356ª Sessão do Conselho de Administração da OIT (Organização Internacional do Trabalho), em Genebra, na Suíça. A Confederação contribui com subsídios técnicos sobre a realidade dos empregadores e do mercado de trabalho brasileiro, apoiando a IOE (International Organisation of Employers) na defesa das prioridades do setor junto ao Conselho.
Segundo o gerente executivo de Relações Trabalhistas e Sindicais da CNT, Frederico Melo, “a CNT estará ao lado do secretariado do grupo de empregadores no Conselho, trabalhando para que as demandas do setor sejam incorporadas às deliberações. Além disso, buscaremos fortalecer a interlocução com o governo brasileiro e com os trabalhadores para que as particularidades nacionais sejam devidamente contempladas”, explica.
Durante duas semanas de reuniões presenciais, o Conselho de Administração da OIT discutirá temas centrais para o mundo do trabalho, como o combate ao assédio laboral; a transformação da OIT como ambiente multilateral mais eficaz; cortes orçamentários após a saída dos Estados Unidos como país contribuinte; estratégias de direitos humanos para o triênio 2026-2029; iniciativas para garantir trabalho decente nas cadeias de suprimentos, além da análise de países que descumprem normas internacionais, como Venezuela, Belarus, Bangladesh, Nicarágua e Arábia Saudita.
Gestão internacional
O Conselho de Administração é o órgão executivo da OIT e se reúne três vezes ao ano, para definir políticas, aprovar o programa e o orçamento, organizar a agenda da Conferência Internacional do Trabalho e eleger o diretor-geral.
Como parte da estrutura tripartite da OIT, a sessão reúne representantes de governos, empregadores e trabalhadores. A CNT atuará na defesa dos interesses das empresas brasileiras, buscando evitar retrocessos e garantindo visibilidade às pautas do setor.
Valor do preço do barril Brent, referência no mercado internacional, enfrenta forte oscilação, ora acima de US$ 100, ora abaixo, em função da guerra no Oriente Médio
A direção da Petrobras tem sinalizado ao governo que pode aguardar uma maior clareza e consolidação no preço do barril do petróleo antes de reajustar o valor dos combustíveis, especialmente do diesel, no mercado interno. A avaliação é que ainda há dúvidas sobre a tendência de consolidação da cotação internacional do petróleo.
O preço do barril Brent, referência no mercado internacional, enfrenta forte oscilação, ora acima de US$ 100, ora abaixo, em função da guerra no Oriente Médio. Mas um congelamento de preço por prazo indefinido, diante das incertezas em relação ao conflito, teria efeitos sobre a governança da empresa e prejudicaria os acionistas, dizem dirigentes da estatal. Procurada, a empresa não se manifestou.
A direção da Petrobras tem sinalizado ao governo que pode aguardar maior clareza e consolidação no preço do barril do petróleo antes de reajustar o valor dos combustíveis, especialmente do diesel, no mercado interno. A avaliação é que ainda há dúvidas sobre a tendência de consolidação da cotação internacional do petróleo.
O preço do barril Brent, referência no mercado internacional, enfrenta forte oscilação, ora acima de US$ 100, ora abaixo, em função da guerra no Oriente Médio. Mas um congelamento de preço por prazo indefinido, diante das incertezas em relação ao conflito, teria efeitos sobre a governança da empresa e prejudicaria os acionistas, dizem dirigentes da estatal. Procurada, a empresa não se manifestou.
Técnicos da Fazenda admitem não ser possível afirmar se as medidas serão suficientes e argumentam que novas providências poderão ser tomadas em caso de acirramento do conflito.
Publicações regulamentam o novo modelo do transporte de cargas no Brasil: CIOT obrigatório, integração nacional de dados e um sistema de sanções que atinge quem contrata, intermedeia e insiste em descumprir o piso mínimo
A regra mudou e mudou onde mais importa: no início da operação. Uma semana após o Governo Federal transformar em lei um pacote de medidas anunciado pelo Ministério dos Transportes e Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para garantir o cumprimento do piso mínimo do frete, a Agência entrega a engrenagem que faltava para fazer a norma funcionar na prática. As Resoluções nº 6.078/2026 e nº 6.077/2026, publicadas nesta quarta-feira (25/3) em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), traduzem a Medida Provisória nº 1.343/2026 em procedimento, sistema e consequência.
Não se trata de ajuste fino regulatório. Trata-se de uma mudança estrutural e, a partir de agora, o controle deixa de ser reativo, feito na estrada, e passa a ser preventivo, feito na contratação. E isso altera, de forma direta, o comportamento de todo o mercado. A Medida Provisória, publicada na semana passada, já havia estabelecido o novo eixo do modelo: obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT); bloqueio de fretes fora do piso mínimo ainda na origem; integração com o Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) e um regime mais rigoroso de penalidades, com multas que podem chegar a R$ 10 milhões. Coube à ANTT, em até sete dias, transformar esse desenho legal em regra operacional. A resposta veio antes do prazo e com precisão.
A primeira peça dessa regulamentação é a Resolução nº 6.078/2026, que reorganiza completamente a lógica do registro das operações de transporte. O CIOT deixa de ser um requisito acessório e passa a ser a própria condição de existência do frete. Toda operação, sem exceção, deve ser registrada previamente, com geração do código de forma gratuita. Não há mais espaço para regularizar depois.
O ponto central está no bloqueio automático. A resolução incorpora, de forma direta, o comando da Medida Provisória. Operações em desacordo com o piso mínimo simplesmente não geram CIOT. Isso significa que a irregularidade não chega à estrada. Ela é barrada no momento em que o contrato é estruturado.
A norma também consolida a integração entre o CIOT e o MDF-e, criando uma trilha única de informação que conecta contratação, documentação fiscal e fiscalização. Com isso, a atuação do Estado ganha escala, previsibilidade e inteligência. Não depende mais apenas da presença física em rodovias. Passa a operar com dados, em tempo real.
Outro avanço relevante está na definição clara de responsabilidades. Quando há contratação de transportador autônomo de cargas (TAC), o dever de emitir o CIOT é do contratante ou subcontratante. Nos demais casos, a obrigação recai sobre a empresa que efetivamente realiza o transporte. A regra elimina zonas cinzentas e fecha brechas que historicamente fragilizavam a fiscalização.
A resolução também atua em uma dimensão sensível da relação entre contratante e transportador: o pagamento. Ao vedar a imposição de contas por parte de quem contrata, a ANTT reforça a autonomia do transportador e reduz práticas que, na prática, comprometiam o recebimento do frete. É uma medida que dialoga diretamente com a realidade de quem está na ponta.
O descumprimento dessas obrigações passa a ter consequência objetiva: multa de R$ 10.500 por operação, aplicada tanto pela ausência de registro quanto por inconsistências, fraudes ou pela não vinculação do CIOT ao MDF-e. Sem registro correto, não há operação regular.
Se a Resolução nº 6.078 organiza o início da cadeia, a Resolução nº 6.077/2026 atua sobre o comportamento ao longo do tempo e é nesse ponto que o modelo ganha força.
A Medida Provisória já havia elevado o nível das penalidades, mas dependia de detalhamento para se tornar aplicável. A nova resolução cumpre esse papel ao estruturar um sistema progressivo, que começa com alerta, avança para sanções cautelares e pode chegar à exclusão do mercado em casos extremos.
O primeiro movimento é interromper a irregularidade. Transportadores que, de forma reiterada, caracterizada por mais de três autuações em seis meses, contratarem fretes abaixo do piso mínimo poderão ter o Registro Nacional do Transportador Rodoviário de Cargas (RNTRC) suspenso de forma cautelar, por períodos que variam de cinco a trinta dias. Trata-se de uma medida imediata, voltada a cessar a conduta antes mesmo do desfecho do processo administrativo.
Se a prática persiste e se confirma em decisão definitiva, o sistema avança. A reincidência leva a suspensões mais longas, que podem chegar a quarenta e cinco dias. E, no limite, uma nova reincidência dentro do período de referência pode resultar no cancelamento do registro, com impedimento de atuação por até dois anos. É a exclusão do mercado como resposta a um padrão reiterado de descumprimento.
O desenho regulatório, no entanto, não se limita ao transportador. Ele desloca o foco para quem efetivamente define as condições do frete: o contratante.
A resolução institui um modelo de responsabilização escalonada, com multas que variam de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação irregular. Antes disso, a ANTT estabelece um mecanismo formal de notificação de alerta, que informa o infrator sobre o histórico de descumprimentos e deixa explícitas as consequências de uma nova infração. A partir desse ponto, cada nova irregularidade eleva o patamar da penalidade, criando um ambiente de risco crescente para quem insiste em operar fora da regra.
Há ainda uma camada adicional de controle que acompanha a dinâmica atual do setor: o ambiente digital. Plataformas, aplicativos e intermediadores que ofertarem fretes abaixo do piso mínimo passam a ser alcançados pela regulação, com previsão de multa majorada em caso de reiteração. O recado é claro: a regra vale para toda a cadeia, independentemente do meio utilizado para contratar.
Em situações mais complexas, em que há indícios de estruturação para fraudar a norma, a resolução prevê a possibilidade de responsabilização de sócios e grupos econômicos, mediante decisão fundamentada. O objetivo é evitar que a irregularidade se esconda atrás de estruturas jurídicas.
Ao mesmo tempo, o modelo preserva o transportador autônomo de cargas (TAC) nas penalidades mais severas, como suspensão e cancelamento do registro. A lógica regulatória é proteger quem presta o serviço e concentrar a ação coercitiva em quem contrata e influencia o mercado.
Esse conjunto de medidas fecha o ciclo iniciado com o pacote anunciado pelo Governo Federal na semana passada. O que antes dependia de fiscalização pontual passa a operar como sistema integrado: a contratação é validada na origem, os dados são compartilhados entre órgãos, a fiscalização ganha escala e as sanções deixam de ser eventuais para se tornarem estruturadas.
O impacto é direto. Para o caminhoneiro, significa maior segurança de que o valor combinado será respeitado. Para as empresas que atuam dentro da lei, representa um ambiente de concorrência mais equilibrado. Para o país, é um avanço na organização de um setor que sustenta o abastecimento nacional.
“Nós estamos antecipando a regulamentação e entregando um modelo operacional completo, não apenas cumprindo a Medida Provisória. Estamos estabelecendo um novo padrão de atuação, mais preventiva, mais integrada e mais eficaz. A partir de agora, o frete irregular não é apenas punido. Ele deixa de acontecer”, disse o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio.
A movimentação de contêineres nos portos da região Sul do Brasil apresentou forte crescimento em janeiro de 2026, consolidando o dinamismo logístico e industrial da região. O volume de cargas conteinerizadas avançou 22,3% no período, alcançando 4,9 milhões de toneladas e representando mais de um terço de toda a carga movimentada no mês.
Os dados são do Estatístico Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, que apontam ainda uma movimentação total de 13,9 milhões de toneladas nos portos sulistas no período.
Crescimento dos contêineres impulsiona desempenho portuário
Apesar de uma leve variação no volume total em comparação com o mesmo período anterior, o desempenho positivo das cargas conteinerizadas foi determinante para sustentar os resultados da região.
Esse tipo de carga, que possui maior valor agregado, está diretamente ligado ao transporte de produtos industrializados, insumos e bens de consumo, refletindo o aquecimento da economia e a diversificação das cadeias produtivas.
Segundo o ministro Silvio Costa Filho, o crescimento indica maior integração do Brasil ao comércio internacional.
“O avanço das cargas conteinerizadas demonstra um país mais dinâmico, com maior circulação de produtos industrializados e integração às cadeias globais, resultado dos investimentos em infraestrutura portuária”, destacou.
Principais portos do Sul lideram movimentação
A região Sul concentra alguns dos principais complexos portuários do país, com destaque para o Porto de Paranaguá e o Porto de Itajaí.
Em janeiro, o Porto de Paranaguá liderou a movimentação entre os portos públicos, com 4,7 milhões de toneladas, seguido pelo Porto de Rio Grande, que registrou 1,9 milhão de toneladas.
Além dos portos públicos, terminais privados desempenham papel estratégico na logística regional, como o Porto Itapoá e a Portonave, ampliando a capacidade operacional e a competitividade.
Tipos de carga: petróleo e fertilizantes também se destacam
Além dos contêineres, outros segmentos relevantes contribuíram para o desempenho portuário da região.
O transporte de petróleo e derivados somou 2,5 milhões de toneladas, enquanto os fertilizantes atingiram 1,3 milhão de toneladas – insumos essenciais tanto para a indústria quanto para o agronegócio.
Mesmo com recuos pontuais em granéis sólidos e carga geral, a navegação de longo curso cresceu 7,2%, enquanto a cabotagem avançou 3,7%, evidenciando o fortalecimento das rotas marítimas e maior circulação de mercadorias.
Investimentos em infraestrutura ampliam capacidade logística
Os resultados positivos registrados no início de 2026 refletem um ciclo recente de investimentos em infraestrutura portuária na região Sul, voltado à modernização e aumento da eficiência.
No Porto de Paranaguá, a ampliação do calado e as ações contínuas de dragagem já permitem a operação de navios maiores e mais carregados, gerando ganhos de produtividade e redução de custos logísticos.
O terminal também registrou recentemente a maior operação de cevada já realizada em uma única embarcação, com 50 mil toneladas movimentadas.
Outro destaque é a concessão do canal de acesso ao porto, que prevê investimentos de R$ 1,23 bilhão ao longo de 25 anos, destinados à dragagem, manutenção e gestão da infraestrutura aquaviária. A iniciativa deve ampliar o calado para até 15,5 metros, aumentando a capacidade operacional.
Além disso, projetos estruturantes como o Moegão devem elevar em cerca de 60% a capacidade ferroviária do terminal, melhorando o escoamento de cargas.
Novos projetos devem impulsionar crescimento no Sul
No Rio Grande do Sul, o arrendamento do terminal POA26, no Porto de Porto Alegre, também deve contribuir para ampliar a movimentação e atrair novos investimentos.
A expectativa é de crescimento da capacidade operacional nos próximos anos, reforçando o papel estratégico da região Sul na logística nacional e no comércio exterior.
Logística portuária reforça competitividade do Brasil
O avanço das cargas conteinerizadas e os investimentos em infraestrutura indicam um cenário de fortalecimento da logística portuária brasileira.
Com maior eficiência, capacidade operacional e integração aos mercados globais, os portos da região Sul seguem ganhando relevância no escoamento da produção e no suporte ao crescimento econômico do país.
Houve um tempo em que ser motorista de caminhão era sinônimo de respeito. Mais do que simples conhecimento passado de pai para filho, era paixão, legado – diesel correndo nas veias.
Naquele tempo, a vida nas estradas despertava interesse até em quem não exercia a profissão. Você se lembra do programa Carga Pesada? E do Siga Bem Caminhoneiro, nas manhãs de domingo?
Hoje, o TRC perdeu espaço e relevância. Aos poucos, a imagem do caminhão deixou de representar progresso para se tornar, para muitos, apenas um obstáculo trânsito, só mais uma fonte de poluição na selva de pedras.
Enquanto o TRC perdeu espaço e prestígio, o Agro nunca foi tão POP. Você com certeza conhece a campanha publicitária. Eles conseguiram manter o Globo Rural no ar, viraram tema de novela das nove e ainda emplacaram um novo programa — já assistiu o Viver Sertanejo?
Em poucas décadas, o Brasil deixou de ser súdito de Sula Miranda, a eterna “Rainha dos Caminhoneiros”. Será que hoje a coroa pertence a Ana Castela? Talvez. Se considerarmos quem está ocupando espaços publicitários e lidera as paradas musicais.
Mas brincadeiras saudosistas à parte, o Agro tem um projeto. E o TRC?
Dados da CNT mostram que é o transporte que move o Brasil. Como resumiu a diretora executiva Fernanda Rezende: “tudo que é produzido precisa ser transportado.” O setor representa 7% dos trabalhadores formais, são mais de 253 mil empresas. Com o reforço de 733 mil autônomos, que juntos somam uma frota de 2,7 milhões de caminhões registrados no RNTRC (ANTT, 2025).
O termo Agro engloba o agronegócio, a agropolítica e a agro cultura que transformou o imaginário brasileiro nos últimos anos. Não de forma orgânica, mas objetivamente organizada em diversas frentes – de publicidade à eleição de representantes em Brasília. Como aponta a economista Alessandra Orofino, através da engenharia cultural o Agro conseguiu moldar valores e conquistar a opinião pública.
Missão cumprida: hoje é senso comum que o Agro é a locomotiva que move o Brasil. Quanto a TV e música, realmente não há dúvidas. Mas quando analisamos o PIB, esse discurso tende a ser superestimado. O que não impede, que o Agro alcance resultados bem concretos como plano safra cada vez maior, isenções na reforma tributária para citar alguns.
O TRC, pô sua vez, amarga o sonho não realizado de um plano para renovação de frota. Enfrenta restrições de circulação e até exames toxicológicos que reforçam a imagem de vilão do trânsito.
É hora de abandonar a passividade. Vejamos uma das maiores dores do setor atualmente – que já não é novidade: a dificuldade em contratar motoristas. Que a crise tende a se agravar, também não é novidade para ninguém. Mas o que estamos efetivamente fazendo a respeito desse problema? Nos falta um plano de ações de curto e longo prazo.
A boa notícia é que podemos aprender com o case de sucesso, que nos roubou o crédito de mover o Brasil. Porque, enquanto o Agro é POP, é nós caminhões que a economia realmente se movimenta, todos os dias.
O TRC pode aprender com o Agro que planejamento dá resultado. E que investir em engenharia cultural, pode ressignificar a importância de um setor para a sociedade. O mais fraco dos coaches, vai dizer que “para quem não sabe aonde vai, qualquer caminho serve”. Nós que somos especialistas em planejar rotas, não podemos continuar sem destino.
Nosso plano virá com a organização do setor, com ações direcionadas e pensadas a longo prazo. Temos nossas entidades representativas, precisamos ampliar a base de empresas associadas e expandir nossa voz. Hoje falamos apenas entre nós; está na hora de falar com a sociedade.
O TRC não pode mais ser visto apenas como problema. É hora de assumir, com orgulho, o papel que sempre foi nosso: motor do Brasil.