A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou, no Diário Oficial da União, a Portaria SUROC nº 3/2026, que atualiza os coeficientes do Piso Mínimo de Frete do Transporte Rodoviário de Cargas.
A revisão considera como referência o preço médio do diesel S10 de R$ 6,89 por litro, com base nos dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A atualização impacta diretamente os valores mínimos do frete por quilômetro rodado, que variam conforme o tipo de carga, número de eixos e características da operação de transporte.
A tabela de pisos mínimos faz parte da política estabelecida pela Lei nº 13.703/2018, que instituiu a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas e determina a publicação periódica dos coeficientes pela ANTT, com revisões sempre que há variações relevantes no preço do diesel.
Na primeira reunião ordinária de 2026, conselheiros analisaram resultados do ano passado e aprovaram as contas das instituições
O Sistema Transporte realizou, nessa quarta-feira (11), a primeira reunião ordinária de 2026 dos Conselhos Estatutários da CNT, do SEST SENAT e do ITL. O encontro ocorreu na sede da instituição, em Brasília, e reuniu o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa; o ex-presidente Clésio Andrade e os membros dos Conselhos das três instituições. Durante a reunião, foram apresentados os resultados de 2025 e projetos estratégicos para o ano em curso.
A abertura da reunião contou com palestra sobre split payment, conduzida pela presidente da Fin (Confederação Nacional das Instituições Financeiras), Cristiane Coelho. Ela apresentou os impactos da tecnologia para o setor financeiro e suas conexões com a logística e o transporte.
Em seguida, os trabalhos avançaram com a pauta apresentada pelos diretores, que destacaram resultados e iniciativas em andamento voltadas ao fortalecimento do setor.
CNT
Ao iniciar a apresentação sobre a CNT, o presidente Vander Costa destacou o lançamento da Agenda Institucional Transporte e Logística 2026 e ressaltou seu papel como instrumento de prestação de contas e de diálogo com o setor. “Essa publicação é uma ferramenta de trabalho para sabermos o que estamos fazendo e, ao mesmo tempo, uma prestação de contas para os transportadores. É a resposta do Sistema Transporte, com federações e sindicatos, mostrando o que está sendo feito e permitindo críticas sobre o que ainda precisa ser acompanhado”, afirmou.
O diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, apresentou um balanço da atuação política da Confederação em 2025, com destaque para a defesa dos interesses do transporte no Congresso Nacional e a articulação junto aos Três Poderes.
Das 187 propostas da Agenda Institucional do ano passado, 126 seguem em andamento, 25 foram atendidas, 13 foram atendidas parcialmente e 23 não foram atendidas, indicando avanços e desafios na interlocução com o Legislativo e o Executivo.
Entre os resultados da agenda legislativa, Valter destacou a retirada de 45 proposições consideradas negativas para o setor, a apresentação de 68 emendas, a elaboração de 35 notas técnicas e 36 sugestões de parecer. Também foram realizadas 100 reuniões institucionais e 104 mediações. Além disso, houve a participação em 11 audiências públicas com direito à fala.
“Muito do nosso esforço é trabalhar para evitar retrocessos. Às vezes, retirar um projeto da pauta dá mais trabalho do que defender uma proposição. Esse é um resultado importante da nossa atuação no Congresso”, afirmou.
Entre os temas acompanhados pela CNT, estão a regulamentação da reforma tributária, o novo licenciamento ambiental, medidas de combate ao roubo de cabos no transporte metroviário e o marco legal do transporte público. Valter também destacou a participação da Confederação na construção do Plano Nacional de Logística 2050, defendendo que a logística seja tratada como um projeto de Estado e não apenas de governo.
Outro tema abordado foi a mobilização em torno da jornada 6×1. Segundo ele, a CNT atua em conjunto com outras confederações para garantir que o debate ocorra de forma aprofundada. “A proposta não pode ser votada de forma acelerada, sem audiências públicas e discussão nas comissões. O melhor caminho é a negociação coletiva, setor por setor”, afirmou.
Valter também mencionou a atuação da CNT no Judiciário, incluindo o acompanhamento de temas sindicais e ações no STF (Supremo Tribunal Federal), além do lançamento do Mapa Sindical, que registrou mais de 500 acessos por federações e sindicatos. Outro destaque foram os Fóruns CNT de Debates, que, em 2025, trataram de temas como segurança pública e descarbonização do transporte.
A diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, detalhou os resultados técnicos da Confederação em 2025, ressaltando a produção de inteligência estratégica para o setor. Ao todo, foram 59 entregas entre estudos, análises e painéis.
Os destaques são a terceira edição do Atlas CNT do Transporte, que mapeou todo o Brasil, transformando infraestrutura em visão estratégica; a Pesquisa CNT de Rodovias, que completou 30 anos avaliando mais de 114 mil quilômetros de malha viária, e o lançamento do CNT Data, plataforma digital que integra indicadores estratégicos e moderniza o uso das bases de dados da Confederação com inteligência artificial e governança de dados.
“Nosso compromisso é transformar informação em inteligência estratégica, oferecendo ao setor de transporte ferramentas que orientem decisões e fortaleçam a competitividade nacional. Cada entrega da Diretoria Executiva tem o propósito claro de apoiar empresários, associações e federações na construção de um transporte mais moderno, integrado e sustentável para o Brasil”, enfatizou Rezende.
Fernanda também citou pesquisas de impacto, como o levantamento sobre os efeitos das enchentes no Rio Grande do Sul um ano após a tragédia, que apontou que 40% das empresas tiveram perdas superiores a R$ 1 milhão. Outro destaque foi o Índice de Confiança do Transportador, já utilizado pelo Banco Central como insumo para avaliar a conjuntura econômica e decisões sobre a taxa Selic.
A Diretoria destacou ainda a atuação na COP30, em que foram apresentados o Inventário de Emissões de Gases do Efeito Estufa do Setor de Transporte, evidenciando que veículos leves emitem mais gases de efeito estufa do que os pesados, e a Sondagem CNT de Resiliência Climática do Setor de Transporte, que mostra a vulnerabilidade e os riscos associados às mudanças do clima no setor.
SEST SENAT
Pelo SEST SENAT, o diretor executivo nacional interino, Vinicius Ladeira, apresentou os principais resultados de 2025. A instituição registrou 21 milhões de atendimentos, recorde histórico e crescimento de 24,6% em relação ao ano anterior, com expansão significativa nas áreas de saúde e educação. Também foi destacada a ampliação da rede, com sete unidades inauguradas e investimentos de R$ 191 milhões em infraestrutura.
“Nunca havíamos atingido esse patamar. Mais do que quantidade, esse resultado vem acompanhado de qualidade, medida pelo NPS de 94, que mostra a satisfação dos usuários com os serviços oferecidos”, afirmou.
Entre os projetos apresentados, estão iniciativas voltadas à saúde e à ampliação da oferta de cursos técnicos em áreas como logística e manutenção automotiva. Programas de capacitação, como a Escola de Motoristas Profissionais e o Motorista Série A, também tiveram expansão.
Na área de empregabilidade, o SEST SENAT promoveu 56 feiras Emprega Transporte, que resultaram em mais de 6 mil contratações. Além disso, projetos como o Jovem Aprendiz e a Aprendizagem Técnica formaram mais de 19 mil jovens em 2025.
Outro marco foi a autorização para que o SEST SENAT atue diretamente na formação de motoristas profissionais após mudanças na regulamentação da CNH (Carteira Nacional de Habilitação), o que permitirá ampliar a oferta de capacitação nas próprias unidades da Instituição.
Ladeira também destacou iniciativas nas áreas de esporte, cultura e sustentabilidade, como o programa Despoluir, que realizou mais de 434 mil avaliações veiculares, e a participação na COP30, em Belém (PA), consolidando o posicionamento do Sistema Transporte em temas ambientais e de transição energética.
ITL
A apresentação do ITL foi conduzida pelo diretor executivo, João Victor Mendes, que destacou os resultados alcançados em 2025 e os avanços previstos para o ano vigente.
Segundo ele, o ITL consolidou sua atuação na formação de gestores e executivos do transporte, com 14 turmas iniciadas e 14 concluídas, totalizando 551 matrículas e 551 profissionais formados. Ao todo, 231 empresas foram beneficiadas, com investimentos superiores a R$ 22 milhões em qualificação de lideranças. O índice de satisfação dos participantes com a formação oferecida atingiu 99,6%, e o NPS dos cursos foi de 96,6 pontos, indicador considerado de excelência.
O ITL também ampliou seu portfólio com três novos cursos executivos e uma nova certificação internacional, incluindo temas como sucessão em empresas familiares, gestão de ativos, ESG aplicado ao transporte multimodal e certificação internacional em inovação.
“Formação de líderes para a tomada de decisão é o nosso foco. Mais líderes formados significa maior qualidade percebida e empresas mais preparadas para enfrentar os desafios do setor”, afirmou.
Entre os destaques institucionais, estiveram a segunda edição da Rede Alumni do Transporte, que reuniu mais de 200 alunos e ex-alunos, e o Prêmio Inova Transporte, que reconheceu projetos aplicados à realidade do setor.
O Fórum ITL de Inovação também ganhou relevância ao discutir a transição energética e o impacto da inteligência artificial nas operações de transporte, acompanhado de workshops sobre descarbonização e integração da IA. No campo da diversidade, o evento “Mulheres no Transporte: trajetórias que inspiram” reuniu 231 executivas e promoveu visibilidade e protagonismo feminino em posições de liderança.
FuMTran
A FuMTran (Fundação Memória do Transporte Brasileiro) apresentou o relatório de atividades de 2025 sob a condução de seu presidente, Antonio Luiz Leite. Entre os resultados, destacam-se o acervo digital com mais de 16,9 mil itens indexados; o crescimento do canal no YouTube, que ultrapassou 49 mil visualizações, e o portal Memória do Transporte, que recebeu 92 mil visitantes no último ano.
A Fundação também avançou em projetos editoriais, com dois novos livros em andamento (“A História do Transporte na Amazônia” e “A Era das Máquinas”), ambos previstos para publicação em 2026. Outro marco foi a edição comemorativa dos 30 anos do projeto Pacífico, apresentada em novembro, que envolveu pesquisa, digitalização de acervo, produção de vídeo e exposição.
“Preservar não é apenas guardar o passado; é garantir permanência, dar continuidade e transformar experiência em referência. O transporte ajudou a transformar o Brasil, e aquilo que transforma o país não pode se perder no tempo”, afirmou Antonio Luiz.
A FuMTran também lançou a iniciativa Memória Viva do Transporte Brasileiro, que convida empresários e dirigentes a compartilhar materiais, fotografias e publicações para ampliar o acervo histórico.
Reuniões de Seções
Nessa terça e quarta-feira (10 e 11), ocorreram as Reuniões Ordinárias das Seções da CNT, momentos em que foram discutidas as prioridades para a atuação da Confederação em cada segmento do transporte.
Em pauta comum, todas as Seções contaram com atualizações sobre o trabalho institucional junto aos Três Poderes e acompanharam a apresentação da Sondagem CNT de Resiliência Climática; a divulgação do webinar Rota CNT do Conhecimento – realizado em parceria com o BNDES, sobre linhas de apoio do Banco para transportadores –, bem como a programação dos cursos ITL 2026, reforçando a atuação integrada do Sistema Transporte em temas relacionados à sustentabilidade, ao apoio financeiro e à qualificação profissional.
Na Seção I, do Transporte Rodoviário de Passageiros, os debates avançaram para projetos de lei e temas regulatórios, com destaque para o PL 8.085/2014, que trata da exclusividade do treinamento para a obtenção da CNH, e para o PL 2.239/2022, sobre justiça gratuita, considerado um avanço por trazer critérios mais claros e maior segurança jurídica. Também foram discutidas questões como o transporte por aplicativos, a obrigatoriedade de elevadores em ônibus e impactos trabalhistas de normativos.
A Seção II, do Transporte Rodoviário de Cargas, reuniu lideranças para tratar de temas estratégicos, como o seguro RC-V, o Piso Mínimo do Frete e o PL 6×1, além de atualizações sobre o Plano Nacional de Logística. O projeto que altera a jornada de trabalho recebeu atenção especial devido aos impactos diretos na jornada dos motoristas e na competitividade das empresas.
A Seção III, do Transporte Aquaviário de Cargas e de Passageiros, concentrou-se em questões regulatórias e setoriais relevantes. Entre os destaques, discutiu-se a transferência da tramitação dos ressarcimentos da Receita Federal para o Ministério de Portos e Aeroportos, além da demanda por cursos voltados para aquaviários em parceria com o SEST SENAT e a Fatec. Também foi debatida a ratificação da Convenção de Hong Kong, que estabelece regras internacionais para a reciclagem de navios.
Na reunião da Seção IV, do Transporte Ferroviário de Cargas e de Passageiros, o destaque foi a participação de Fernando Barbelli Feitosa, gerente de Regulação Ferroviária da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), que apresentou as Condições Gerais do Transporte Ferroviário e atualizações regulatórias relevantes para o setor.
A pauta também incluiu temas como a prorrogação antecipada dos contratos de concessões ferroviárias, a cobrança de IPTU sobre imóveis vinculados às concessões, incentivos e fontes de financiamento, e proposições legislativas de interesse do setor.
A Seção V, do Transporte Aéreo de Cargas e de Passageiros, discutiu pautas centrais para o futuro da aviação no Brasil, incluindo um estudo preliminar sobre os impactos financeiros da eventual extinção da escala 6×1, os efeitos da LC 224/2025 na majoração de tributos para empresas de lucro presumido e a contenção da alíquota do Imposto Seletivo.
A Seção VI, de Infraestrutura de Transporte e Logística, discutiu temas estruturantes, como a operacionalização da reforma tributária, segurança pública, a reforma do Código Civil e o marco legal dos portos secos.
A próxima reunião das Seções será nos dias 27 e 28 de maio de 2026. Dessa vez, o encontro será realizado em Manaus (AM), durante a TranspoAmazônia 2026. A Feira reúne representantes do setor transportador para debater soluções, apresentar inovações e incentivar novos negócios.
Programação inclui painéis, palestra e workshop em um dia inteiro de muito conhecimento e conexão
O Movimento Vez & Voz, realizará, no dia 26 de março, o Encontro Vez & Voz 2026 – Escolha Avançar, evento voltado para mulheres que atuam no Transporte Rodoviário de Cargas.
A iniciativa reunirá profissionais do setor para discutir temas como liderança feminina, inovação, equidade de gênero, papel das empresas no enfrentamento da violência contra a mulher e os desafios atuais no ambiente corporativo. A proposta do encontro é promover troca de experiências, fortalecer a presença feminina no setor e estimular a construção de ambientes de trabalho mais inclusivos.
A programação contará com a participação de lideranças e executivas do transporte, além de especialistas convidados. Entre os destaques, está a apresentação do Panorama da presença feminina no transporte, que trará dados atualizados sobre a participação das mulheres no setor e os avanços nas iniciativas de equidade nas empresas.
Outro tema abordado será o uso da Inteligência Artificial como ferramenta de apoio à liderança, com reflexões sobre como a tecnologia pode contribuir para ganhos de produtividade e tomada de decisão no ambiente corporativo.
O evento também terá painéis sobre ambientes de trabalho seguros e trajetórias femininas no transporte, reunindo executivas para compartilhar experiências e discutir desafios e oportunidades para as mulheres no setor.
Antes do encontro principal, será realizado um workshop exclusivo para lideranças femininas, voltado ao uso estratégico da Inteligência Artificial na gestão, que abordará aplicações práticas da tecnologia para análise de dados, organização de processos e aumento de produtividade nas empresas de transporte.
26/03/2026
Evento presencial – Rua Orlando Monteiro, 21 – Vila Maria – São Paulo/SP
08h30 – Workshop: E aí, como lidero com a IA? Produtividade inteligente para mulheres que decidem
13h30 – 5º Encontro Vez e Voz – Escolha Avançar
Confira a programação completa e inscreva-se no vezevoz.org .
O Encontro Vez & Voz 2026 conta com o incentivo da ABTLP – Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos; Ademicon Consórcio e Investimento, e Vega Seguros, além do apoio de empresas do setor Lourenço Transportes, Pelog, Transportes Borelli, Log10, Coopercarga e Setrans.
Expansão da cobertura móvel em mais de 1.800 quilômetros de rodovias federais concedidas fortalece segurança viária, aproxima serviços públicos e leva inclusão digital a comunidades que antes estavam desconectadas
Quem percorre uma rodovia federal concedida no Brasil pode não perceber imediatamente, mas uma mudança silenciosa começa a transformar a experiência de quem vive, trabalha ou simplesmente passa por esses corredores logísticos: a chegada da conectividade móvel.
A expansão da cobertura de telefonia e internet ao longo das rodovias concedidas já alcança mais de 1.800 quilômetros de rodovias federais concedidas em diferentes regiões do país. O avanço, acompanhado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a partir de informações apresentadas pelas concessionárias, vai além da infraestrutura de transporte e leva comunicação, segurança e inclusão digital para milhões de brasileiros.
Em muitos casos, o sinal que hoje permite uma ligação, o envio de uma mensagem ou o acesso à internet nas rodovias também chega às comunidades próximas, beneficiando escolas, unidades de saúde, propriedades rurais e pequenos municípios que antes conviviam com áreas sem cobertura. É a infraestrutura indo além e beneficiando a todos ao seu redor, é uma mudança que se reflete diretamente na vida das pessoas.
Mais segurança e atendimento mais rápido
A conectividade também reforça a segurança nas rodovias. Com comunicação contínua ao longo dos trechos, concessionárias conseguem identificar ocorrências com mais rapidez, acionar equipes de atendimento e coordenar serviços de emergência com maior eficiência. Na concessão Rio–São Paulo, administrada pela Motiva RioSP, a cobertura implantada nas rodovias BR-101 e BR-116 já alcança 803 quilômetros, atendendo 55 municípios e beneficiando cerca de 944 mil pessoas.
Entre março e dezembro de 2025, aproximadamente 220 mil atendimentos operacionais foram realizados com apoio da tecnologia LTE instalada ao longo do trecho, o que inclui apoio a usuários em situações de emergência, incidentes e necessidades de assistência na rodovia.
Outro exemplo vem da concessão Ecovias Rio Minas, que implantou rede de conectividade em 726,9 quilômetros de rodovias entre Minas Gerais e Rio de Janeiro. A estrutura atende 71 municípios e 144 distritos, alcançando uma população estimada em 5,1 milhões de pessoas. A rede também conecta 118 escolas públicas, 40 unidades de saúde e mais de 13 mil propriedades rurais, ampliando o acesso a serviços digitais e ferramentas de comunicação.
Na BR-381/MG, operada pela concessionária Nova 381, a conectividade 4G já cobre 100% dos cerca de 304 quilômetros do trecho concedido, que atravessa 21 municípios. O alcance da conectividade, no entanto, vai além da faixa da rodovia e já chega a 55 municípios, ampliando o acesso à comunicação em áreas urbanas e rurais da região. O projeto incluiu a implantação ou modernização de 76 torres de telecomunicação, reduzindo em 52% as áreas que antes não tinham sinal.
O impacto também chega ao Centro-Oeste e ao Norte do país. No sistema rodoviário administrado pela Ecovias do Araguaia, a cobertura 4G já se estende por 850,7 quilômetros ao longo do corredor Anápolis–Aliança do Tocantins, que inclui trechos das rodovias BR-153, BR-080 e BR-414. A rede atende 28 municípios e beneficia aproximadamente 900 mil pessoas, além de alcançar 88 escolas públicas, 31 unidades de saúde e milhares de propriedades rurais, fortalecendo atividades econômicas importantes para a região, como o agronegócio.
Rodovias mais inteligentes e conectadas
Os números refletem apenas parte de um movimento que tende a crescer. Outras concessões rodoviárias já estudam ou estruturam projetos semelhantes, o que deve ampliar significativamente a cobertura nos próximos anos. Para a ANTT, a expansão da conectividade representa um passo importante na modernização da infraestrutura rodoviária brasileira. A presença de redes digitais ao longo das estradas cria condições para o avanço de tecnologias, como sistemas inteligentes de tráfego, veículos conectados e novos serviços digitais ao usuário.
Ao mesmo tempo, abre portas para algo ainda mais importante: a inclusão digital de comunidades que historicamente ficaram à margem da conectividade.
Rodovias que conectam pessoas
A implantação de internet e telefonia móvel nas rodovias concedidas mostra que a infraestrutura de transportes vai muito além do asfalto. Quando uma estrada passa a ter sinal de celular, ela também passa a permitir que um caminhoneiro peça ajuda em uma emergência, que um morador rural acesse serviços digitais, que uma escola utilize recursos educacionais online ou que uma unidade de saúde se comunique com centros médicos maiores.
Em outras palavras, as rodovias passam a conectar pessoas, serviços e oportunidades. É assim que a modernização da infraestrutura de transportes avança no Brasil, aproximando tecnologia, mobilidade e desenvolvimento social, sempre com um objetivo central: melhorar a vida de quem utiliza e de quem vive ao redor das estradas do país.
O INCT-FR mede a evolução de todos os custos da carga fracionada na operação rodoviária, sendo assim incluindo-se transferência, custos de administração e de terminais (custos indiretos), gerenciamento de riscos e custo valor. Nesses custos não estão contemplados impostos, pedágios e margem de lucro.
Tenha na íntegra o simulador e histórico do índice, abaixo:
O INCTF-OU mede a evolução de todos os custos da carga fracionada na operação urbana, incluindo coleta, distribuição, custos de administração e de terminais (custos indiretos), gerenciamento de riscos e custo valor. Nesses custos não estão contemplados impostos, pedágios e margem de lucro.
Tenha na íntegra o simulador e histórico do índice, abaixo:
A entidade foi representada na mesa-redonda que discutiu temas importantes para o setor
A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) participou do debate sobre o Corredor Bioceânico de Capricórnio durante o 11º Expo CIST – evento promovido pelo Clube Internacional de Seguros e Transportes –, realizado na quinta-feira, 12 de março de 2026, em Campinas (SP). Representando a entidade, o vice-presidente extraordinário de Relações Internacionais, Danilo Guedes, integrou a mesa-redonda dedicada ao tema e apresentou reflexões sobre os impactos da rota para a competitividade logística brasileira e para o Transporte Rodoviário de Cargas na América do Sul.
A mesa-redonda também contou com a participação de Renê Ellis Vanzulli, diretor-executivo do CIST; Letícia Monteiro, do Bioceânica News; Mayra Monteiro, diretora do CIST, e Mauricio Soria, prefeito de Iquique, no Chile, que contribuíram com diferentes perspectivas sobre os desafios e as oportunidades para o desenvolvimento do Corredor Bioceânico e o fortalecimento da integração logística entre os países da América do Sul.
Reconhecido como um dos principais encontros do segmento de seguros e transporte da América Latina, o Expo CIST reúne empresários, especialistas, autoridades públicas e lideranças do setor para discutir temas estratégicos ligados à mobilidade, à logística e à segurança no transporte.
Durante sua participação, Guedes abordou como o Brasil tem se posicionado diante de países que já possuem saídas mais consolidadas para o Oceano Pacífico, como Peru e Colômbia, além de destacar o papel do setor privado na consolidação da rota bioceânica e na construção de soluções que ampliem a integração logística entre os países da região.
O dirigente também ressaltou o papel das entidades representativas no avanço das discussões técnicas necessárias para o desenvolvimento do transporte internacional. Nesse contexto, mencionou o trabalho realizado pela NTC&Logística em conjunto com a União Internacional dos Transportes Rodoviários (IRU), especialmente nas iniciativas voltadas ao fortalecimento do transporte internacional de cargas e à implementação do Convênio TIR, instrumento que busca facilitar e tornar mais seguras as operações de transporte entre países, reduzindo burocracias e ampliando a eficiência logística.
Além disso, foram abordados temas relacionados à harmonização de normas entre os países envolvidos, incluindo regras sobre pesos e dimensões de veículos, exigências operacionais e aspectos ligados ao transporte internacional de caminhões novos, bem como os riscos operacionais envolvidos nessas operações.
Para Guedes, o debate sobre o Corredor Bioceânico é estratégico para ampliar as possibilidades logísticas do Brasil e fortalecer a integração regional. “O Corredor Bioceânico representa uma oportunidade importante para ampliar a competitividade logística brasileira e aproximar ainda mais os países da América do Sul. A participação do setor privado e das entidades representativas é essencial para avançarmos em temas como a harmonização de normas, a segurança das operações e a facilitação do transporte internacional”, destacou.
O debate reuniu representantes do setor para discutir caminhos que possam fortalecer a integração logística regional e ampliar as oportunidades para o transporte internacional de cargas na América do Sul.
Da esquerda para a direita: Renê Ellis Vanzulli, diretor-executivo do CIST; Letícia Monteiro, do Bioceânica News; Mayra Monteiro, diretora do CIST; Danilo Guedes, vice-presidente extraordinário de Relações Internacionais da NTC&Logística, e Mauricio Soria, prefeito de Iquique (Chile).
A primeira edição de 2026 do Seminário Itinerante da NTC&Logística ocorrerá no estado de Pernambuco, recepcionada pela Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Nordeste – FETRACAN, pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas, Entregas, Armazenagem e Logística do Estado de Pernambuco – SETCEPE e pelo Núcleo da COMJOVEM Recife, no dia 19 de março, às 8h30, no Complexo Industrial Portuário de Pernambuco (SUAPE), localizado no litoral sul, abrangendo os municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho. As inscrições antecipadas vão até o dia 17 de março.
Criado em 2004, o Seminário Itinerante tem o propósito de levar a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística a diversas regiões do país, promovendo capacitação técnica e oportunidades de negócios para empresários e executivos do setor de transporte de cargas e logística.
A programação contará com temas relevantes para o setor e que impactam diretamente as atividades das empresas. A organização do evento também conta com o apoio da COMJOVEM (Comissão de Jovens Empresários e Executivos do Transporte Rodoviário de Cargas da NTC&Logística).
Ratificando a missão da NTC&Logística de estar ao lado do transportador rodoviário de cargas, de Norte a Sul do Brasil, o Seminário Itinerante já percorreu diversos estados ao longo de mais de duas décadas.
Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, “a primeira edição do Seminário Itinerante de 2026, que ocorrerá no estado de Pernambuco, marca o início de um novo ciclo de encontros, reafirmando o compromisso da entidade de estar próxima do transportador rodoviário de cargas em todas as regiões do país. Abrir o calendário em um Estado estratégico para a logística do Nordeste reforça a importância do diálogo regional e da troca de experiências. Ao longo deste ano, o Seminário Itinerante passará por três cidades, promovendo encontros qualificados, debates relevantes e aprendizados práticos para empresários, executivos e lideranças do setor. Estamos confiantes de que o Seminário Itinerante em Pernambuco dará o tom de mais uma temporada de sucesso, contribuindo de forma efetiva para o fortalecimento do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil”.
O evento será realizado presencialmente, no Complexo Industrial Portuário de Pernambuco (SUAPE) – Rodovia Indonésia, S/N – Bairro: Distrito Industrial de Ipojuca – Suape Ipojuca – Pernambuco (PE). A participação é aberta a todos os empresários da região que contribuem para um Transporte Rodoviário de Cargas cada vez mais forte.
Nilson Gibson Sobrinho – Presidente da FETRACAN e Vice-Presidente Regional da NTC&Logística para os Estados de Alagoas e Pernambuco
Carlos Eduardo Salazar Maçães – Presidente do SETCEPE
Hudson Rabelo – Coordenador Nacional da COMJOVEM
Italo Grativol – Vice-Coordenador Nacional da COMJOVEM e Padrinho do Núcleo de Recife
Josemário Angelin – Coordenador da COMJOVEM Recife
Antônio Neto – Vice-Coordenador da COMJOVEM Recife e Membro do Conselho de Ex-Coordenadores da COMJOVEM
Boas-vindas institucionais
Apresentação COMJOVEM / NTC&Logística
Palestra: Mercado e Tarifa
Palestrante: Lauro Valdivia, Assessor Técnico da NTC&Logística
Conteúdo: Atualização do INCT (Índice Nacional de Custos do Transporte); Apresentação da Pesquisa de Mercado DECOPE 2026; Demonstração e Aplicações práticas da Plataforma de Cálculo de Frete
NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística
FETRACAN – Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Nordeste
SETCEPE – Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas, Entregas, Armazenagem e Logística do Estado de Pernambuco
Patrocínio
l FENATRAN
l Transpocred
Apoio Institucional
l Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte / SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte / ITL – Instituto de Transporte e Logística)
Documento reúne projetos e ações que impactam o transporte e a logística nacional
O Sistema Transporte lançou, nesta quarta-feira (11), a nova edição da Agenda Institucional Transporte e Logística. A publicação organiza os principais temas de interesse do setor e apresenta o posicionamento institucional sobre projetos em tramitação no Congresso Nacional, ações do Poder Executivo e decisões do Judiciário.
O documento é resultado de trabalho técnico realizado em conjunto com as entidades de base do Sistema Transporte e reúne pautas voltadas ao fortalecimento da mobilidade, da logística e da competitividade do país. “A Agenda organiza consensos e aponta caminhos para que o transporte esteja no centro dos grandes debates nacionais. Nesse cenário de avanços tecnológicos, muito se fala em inteligência artificial, mas ela não substituirá o relacionamento e a representação. A tecnologia evolui, mas o diálogo, a confiança e a presença continuam insubstituíveis”, afirma o diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza.
Poder Legislativo: 40 propostas prioritárias
A Agenda reúne 40 projetos considerados estratégicos para o setor. Entre eles, estão propostas como a renovação automática da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e o novo marco legal da Política Nacional de Mobilidade Urbana. O documento também destaca debates sobre tributação, reforma do Código Civil e regulamentação da geração de energia eólica offshore, temas que ampliam a inserção do transporte na agenda da transição energética.
Poder Executivo: entregas e desafios
Em 2025, o setor registrou avanços com concessões rodoviárias, novos marcos ferroviários, leilões portuários e aeroportuários e investimentos em mobilidade urbana limpa. Para 2026, a Agenda aponta quatro prioridades: ampliação das concessões, elaboração do Plano Nacional de Logística 2050, fortalecimento da segurança pública e regulamentação tributária. A CNT também defende maior autonomia para as agências reguladoras como forma de ampliar a segurança jurídica e a confiança dos investidores.
Poder Judiciário: segurança jurídica
A CNT atua como amicus curiae em 27 processos no TST (Tribunal Superior do Trabalho), que devem ser julgados em 2026. As ações envolvem temas como piso mínimo do frete, pejotização e validade de normas coletivas. O documento também destaca os IRRs (Incidentes de Recursos de Revista Repetitivos), mecanismos que uniformizam a jurisprudência trabalhista e contribuem para uma maior previsibilidade nas relações de trabalho.
SEST SENAT: qualificação e inovação
A Agenda dedica um capítulo às ações estratégicas do SEST SENAT, com foco na qualificação de trabalhadores e na preparação do setor para novas tecnologias. Entre as prioridades, estão a ampliação da base de arrecadação, o acesso a dados da Receita Federal e a criação de cursos obrigatórios voltados à amarração de cargas e à condução de veículos por motoristas de aplicativo. Baixe aqui a versão digital da Agenda Institucional Transporte & Logística 2026.
Reajuste das mensalidades escolares teve impacto no IPCA
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou de 0,33% em janeiro para 0,7% em fevereiro, maior taxa desde fevereiro de 2025 (1,31%).
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A maior variação e impacto foram registrados no grupo Educação (5,21%), devido aos reajustes anuais das mensalidades de escolas e cursos. Junto com a alta no grupo Transportes, os dois grupos representaram aproximadamente 66% do resultado do mês.
No ano, o IPCA acumula alta de 1,03% e, nos últimos 12 meses, o índice ficou em 3,81%, abaixo dos 4,44% dos 12 meses imediatamente anteriores. A inflação oficial está dentro do limite máximo de tolerância da meta do governo.
O gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, explica que, embora mais alto que em meses anteriores, o resultado é o menor para um mês de fevereiro desde 2020 (0,25%).
“Em fevereiro do ano passado, no IPCA de 1,31%, houve uma pressão do grupo Habitação, em especial na energia elétrica, em função do fim do Bônus de Itaipu, o que não ocorreu no ano de 2026.”
“Ainda na comparação com o ano anterior, Educação acelerou ao registrar 5,21% em fevereiro de 2026 contra 4,7% de fevereiro de 2025”, acrescentou.
Segundo o IBGE, o grupo Educação respondeu por cerca de 44% do IPCA de fevereiro. A maior contribuição veio dos cursos regulares (6,2%), por conta dos reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo. As maiores variações foram nos subitens ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%).
O grupo Alimentação e Bebidas teve pequena variação na passagem de janeiro (0,23%) para fevereiro (0,26%). A alimentação no domicílio registrou variação de 0,23% frente a 0,10% do mês anterior, com influência das altas do açaí (25,29%), do feijão carioca (11,73%), do ovo de galinha (4,55%) e das carnes (0,58%).
Pelo lado das quedas, os destaques são as frutas (-2,78%), o óleo de soja (-2,62%), o arroz (-2,36%) e o café moído (-1,20%). Já a alimentação fora do domicílio (0,34%) desacelerou em relação ao mês anterior (0,55%). A refeição saiu de 0,66% em janeiro, para 0,49% em fevereiro, e o lanche passou de 0,27% para 0,15% no mesmo período.
Segundo o gerente da pesquisa, o grupo dos alimentos variou 0,26% em fevereiro, mostrando desaceleração na comparação com fevereiro de 2025, quando registrou influência da alta do ovo de galinha (15,39%) e do café moído (10,77%).
No índice atual, tais subitens desaceleraram para 4,55% (ovo de galinha) e -1,20% (café), oitavo mês seguido de retração nos preços deste subitem, que acumula 10,13% de variação nos últimos 12 meses.
“Além desses produtos, o arroz, importante na mesa dos brasileiros, já acumula queda de 27,86% em 12 meses, dada a boa oferta do cereal”, disse Gonçalves.
No grupo Transportes, chamou a atenção o aumento de 11,4% na passagem aérea. Também registraram altas o seguro voluntário de veículos (5,62%), o conserto de automóvel (1,22%) e o ônibus urbano (1,14%).
Nos combustíveis, o índice ficou em -0,47%, com quedas na gasolina (-0,61%) e no gás veicular (-3,10%), e altas no etanol (0,55%) e no óleo diesel (0,23%).
INPC
De acordo com o IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve alta de 0,56% em fevereiro, 0,17 ponto percentual acima do resultado observado em janeiro (0,39%).
No ano, o INPC acumula alta de 0,95% e, nos últimos 12 meses, o índice ficou em 3,36%, abaixo dos 4,30% dos 12 meses imediatamente anteriores. Em fevereiro de 2025, a taxa foi de 1,48%.
Os produtos alimentícios aceleraram de janeiro (0,14%) para fevereiro (0,26%). A variação dos não alimentícios passou de 0,47% em janeiro para 0,66% em fevereiro.
São José dos Campos, referência em inovação urbana e sustentabilidade, recebe fórum do PLI-SP 2050, com governo, especialistas e setor produtivo, para discutir infraestrutura, logística e competitividade regional
Reconhecida nacional e internacionalmente por suas iniciativas em inovação urbana e sustentabilidade, São José dos Campos (SP) sediou, nesta quinta-feira (12), o 8º Fórum Regional do Plano de Logística e Investimentos do Estado de São Paulo (PLI-SP 2050). A cidade tem se destacado na agenda ambiental e de gestão urbana – recentemente, recebeu o certificado do Programa Município VerdeAzul, com 93 pontos, a maior pontuação entre municípios do interior paulista com mais de 500 mil habitantes. O reconhecimento integra uma série de selos e certificações que reforçam o protagonismo do município na formulação e implementação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável.
A escolha de São José dos Campos como sede do encontro reflete a importância estratégica do Vale do Paraíba e Litoral Norte, território que reúne cerca de 2,5 milhões de habitantes em 39 municípios e ocupa posição central na articulação entre alguns dos principais corredores econômicos do país. Localizada entre a Região Metropolitana de São Paulo, o eixo São Paulo–Rio de Janeiro e o Litoral Norte, a região concentra polos industriais, tecnológicos e logísticos de grande dinamismo econômico, ao mesmo tempo em que abriga áreas de elevada relevância ambiental.
Nesse contexto, o PLI-SP 2050 integra o planejamento da infraestrutura de transportes a uma visão mais ampla de desenvolvimento sustentável. Alinhado às estratégias da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), o Plano busca orientar investimentos de longo prazo capazes de ampliar a eficiência logística, fortalecer a competitividade econômica e contribuir para a transição para uma economia de baixo carbono. A proposta é articular infraestrutura, inovação e planejamento territorial para orientar o desenvolvimento do estado nas próximas décadas.
“Planejar a logística de um território como o Vale do Paraíba exige olhar simultaneamente para competitividade, inovação e sustentabilidade. O PLI-SP 2050 foi concebido justamente para integrar esses elementos e transformar demandas regionais em decisões estratégicas de investimento para o futuro do estado”, destacou o subsecretário de Logística e Transportes da Semil, Denis Gerage Amorim.
O encontro em São José dos Campos integra um processo de escuta que já percorreu sete regiões do estado – Registro (ZEE 6); Sorocaba (ZEE 4); Ribeirão Preto (ZEE 1); Bauru (ZEE 2); Campinas (ZEE 5); São José do Rio Preto (ZEE 3) e Santos (ZEE 7) – onde vivem mais de 20 milhões de paulistas.
Integração entre inovação, logística e desenvolvimento regional
Durante o Fórum, foram apresentados dados e análises dos estudos técnicos do PLI-SP 2050 para a região da ZEE 9 – São José dos Campos, que possui um PIB estimado em aproximadamente R$ 157 bilhões, equivalente a cerca de 5,8% da economia paulista. A região concentra cerca de 747 mil empregos formais e abriga importantes polos industriais e tecnológicos, com destaque para cadeias produtivas ligadas à indústria aeroespacial, automotiva, tecnológica e de serviços especializados.
Os estudos indicam que o território exerce papel estratégico na articulação entre produção industrial, inovação tecnológica e logística regional, estruturado por corredores rodoviários que conectam o interior paulista, o Litoral Norte e o eixo econômico São Paulo–Rio de Janeiro, além de garantir integração com os principais sistemas portuários e logísticos do estado. Esse posicionamento reforça o papel do Vale do Paraíba como corredor logístico fundamental para o escoamento da produção industrial e para a integração econômica regional.
O diagnóstico elaborado pelo Plano também apresenta a caracterização do sistema de transportes da região, analisando a rede logística, os fluxos de cargas e passageiros, e as conexões com os principais corredores nacionais. Essas análises subsidiam a definição de estratégias para ampliar a eficiência logística, reduzir custos de transporte e fortalecer a competitividade econômica regional.
Planejamento de longo prazo e investimentos em infraestrutura
O PLI-SP 2050 integra o conjunto de iniciativas do Governo do Estado voltadas ao planejamento e à expansão da infraestrutura de transporte paulista, considerando eixos estratégicos como eficiência logística, integração modal, sustentabilidade ambiental e redução de custos de transporte. O Plano busca orientar decisões de investimento público e privado nas próximas décadas. Além dos estudos técnicos, o PLI-SP incorpora contribuições da sociedade por meio de um processo estruturado de participação social, que inclui fóruns regionais, entrevistas com empresas e especialistas, e um formulário de contribuição online.
Diálogo com o setor produtivo
Para o CIESP São José dos Campos, sediar o encontro reforça a importância da articulação entre planejamento público e setor produtivo no desenvolvimento regional. “A infraestrutura logística é um fator decisivo para a competitividade das empresas e para o desenvolvimento do Vale do Paraíba. Participar de um processo de planejamento como o PLI-SP 2050 permite que o setor produtivo contribua diretamente para a construção das soluções que a região precisa”, afirmou Alexandra Gioso, diretora do CIESP São José dos Campos.
A Prefeitura de São José dos Campos também destaca a importância da integração entre planejamento logístico, inovação e desenvolvimento econômico. “São José dos Campos tem uma forte vocação tecnológica e industrial. Iniciativas como o PLI-SP 2050 são fundamentais para alinhar infraestrutura, inovação e desenvolvimento regional, garantindo que o Vale do Paraíba continue sendo um dos principais polos econômicos e tecnológicos do país”, pontuou Mario Muniz, secretário de Inovação e Desenvolvimento Econômico de São José dos Campos.
Porto de São Sebastião reforça papel estratégico na logística paulista
Outro ativo logístico relevante para a região é o Porto de São Sebastião, que vem registrando crescimento consistente na movimentação de cargas e ampliando sua participação na logística paulista. Em janeiro de 2026, o terminal movimentou 133,7 mil toneladas, o melhor resultado da história para o mês, e a expectativa é que o volume anual possa chegar a 1,6 milhão de toneladas, consolidando o porto como alternativa estratégica no sistema portuário do estado. O terminal também tem se destacado em práticas de sustentabilidade e gestão ambiental, com reconhecimento recente no ranking ambiental da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
A infraestrutura de acesso ao porto também está sendo ampliada. As obras do novo acesso viário ao Porto de São Sebastião seguem em ritmo acelerado, com investimento de R$ 51,1 milhões e 92% de execução. O projeto permitirá o acesso direto de caminhões ao terminal sem passagem pelo centro da cidade, reduzindo o tráfego pesado na área urbana, melhorando a fluidez do trânsito e aumentando a segurança viária. A nova ligação também conectará diretamente o porto aos contornos de São Sebastião e Caraguatatuba, já gerou mais de 170 empregos diretos e tem entrega prevista até março de 2026, fortalecendo a eficiência operacional do terminal e impulsionando o desenvolvimento econômico sustentável da região. Além disso, estudos em andamento preveem o arrendamento de um novo terminal multipropósito, com investimentos estimados em cerca de R$ 2,5 bilhões, ampliando a capacidade operacional e a inserção do Litoral Norte nos corredores logísticos nacionais e internacionais.
SP Pra Toda Obra
Na região do Vale do Paraíba e Litoral Norte, o programa SP Pra Toda Obra já viabilizou importantes intervenções rodoviárias entre 2023 e 2025, fortalecendo a infraestrutura e a conectividade regional. No período, foram concluídas obras estaduais que somam R$ 431,8 milhões, além de intervenções municipais que totalizam R$ 272,6 milhões, contemplando serviços de recuperação funcional, pavimentação e melhorias viárias em municípios como Caçapava, Guaratinguetá, Pindamonhangaba, Taubaté e Cunha.
Atualmente, seguem em execução obras estaduais e municipais que somam cerca de R$ 204,3 milhões, sendo R$ 149,8 milhões em obras estaduais e R$ 54,5 milhões em intervenções municipais, com serviços de conservação, recuperação e pavimentação de trechos estratégicos da malha rodoviária. Além disso, estão previstos novos investimentos da ordem de R$ 403 milhões, destinados à contratação de obras de conservação, recuperação e intervenções estruturais que ampliarão a segurança viária e a eficiência logística da região.
Mudança na regulamentação do CNSP atende a um pleito apresentado pela NTC&Logística, em conjunto com a CNTA e a FENSEG, e estabelece que a cobertura obrigatória do seguro RC-V se aplica apenas quando o veículo estiver efetivamente em operação de transporte de cargas
A atuação institucional da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) resultou em mais um avanço relevante para o Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil. O Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) publicou, no dia 10 de março de 2026, a Resolução nº 488, que altera dispositivos da Resolução CNSP nº 478/2024, promovendo ajustes importantes na regulamentação do Seguro de Responsabilidade Civil de Veículo (RC-V).
A mudança atende a um pleito apresentado pela NTC&Logística, em conjunto com a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) e a Federação Nacional de Seguros Gerais (FENSEG), que vinham dialogando com as autoridades reguladoras sobre a necessidade de aprimorar a redação da norma, de modo a garantir maior alinhamento com a legislação que rege a atividade de transporte.
Entre as alterações aprovadas, destaca-se a revogação do inciso I do § 5º do artigo 4º da Resolução nº 478/2024, que previa que a cobertura do seguro RC-V não ficaria prejudicada mesmo quando o sinistro ocorresse em momento em que o veículo não estivesse realizando atividade de transporte de cargas.
Além da revogação desse dispositivo, a Resolução nº 488/2026 incluiu o § 4º-A no artigo 4º, estabelecendo que a cobertura do seguro RC-V se aplica somente aos eventos ocorridos durante o período em que o veículo estiver efetivamente realizando atividade de transporte de cargas, exceto nos casos em que houver previsão contratual específica em contrário.
A solicitação de revisão da norma havia sido formalizada pela NTC&Logística junto à Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), por meio de ofício encaminhado à autarquia, no qual a entidade apresentou fundamentos jurídicos e operacionais demonstrando que a redação anterior poderia ampliar indevidamente o escopo da cobertura obrigatória do seguro, gerando impactos adicionais para transportadores.
No documento, a entidade destacou que a Lei nº 11.442/2007, que regulamenta o Transporte Rodoviário de Cargas no país, delimita a responsabilidade do transportador ao período em que a atividade de transporte está efetivamente sendo realizada. Dessa forma, a extensão da cobertura obrigatória do RC-V para momentos em que o veículo estivesse fora da operação poderia ultrapassar os limites estabelecidos pela própria legislação.
Com a alteração aprovada pelo CNSP, a regulamentação passa a refletir com maior precisão a dinâmica da atividade transportadora, assegurando que a cobertura obrigatória esteja vinculada à operação de transporte.
Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, a decisão representa um importante reconhecimento do diálogo técnico estabelecido entre o setor produtivo e os órgãos reguladores.
“Essa atualização da norma é resultado de um trabalho institucional responsável e fundamentado, conduzido pela NTC&Logística em conjunto com entidades representativas do setor e com o mercado segurador. O objetivo sempre foi garantir segurança jurídica e equilíbrio regulatório, assegurando que a cobertura do seguro RC-V esteja alinhada à realidade da operação do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil”, destacou Rebuzzi.
A nova Resolução reforça que a cobertura obrigatória do RC-V está vinculada ao período em que o veículo esteja efetivamente envolvido na atividade de transporte, preservando, no entanto, a possibilidade de contratação de coberturas adicionais quando houver interesse das partes.
A Resolução CNSP nº 488, de 10 de março de 2026, entrou em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União.
Representantes do setor prestigiaram a inauguração da nova unidade da cooperativa na capital federal
O presidente da NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, Eduardo Rebuzzi, esteve nesta quarta-feira, 11 de março, na recém-inaugurada unidade da Transpocred – Cooperativa Ailos, em Brasília (DF). A nova estrutura está localizada no edifício Clésio Andrade, sede do Sistema Transporte (CNT, SEST SENAT e ITL), reforçando a presença da cooperativa na capital federal e sua proximidade com as entidades representativas do setor.
A unidade foi oficialmente inaugurada no dia 9 de março, em evento que reuniu representantes do Transporte Rodoviário de Cargas e convidados do setor. Na ocasião, foi realizado o painel “TRC em Movimento – Panorama Econômico”, com a participação da presidente da Transpocred, Roberta Caldas, do especialista em investimentos, Alessandro Griep, e do servidor da ANTT e pesquisador da Universidade de Brasília, Júlio Ramos Costa. O encontro também contou com um coquetel de inauguração para celebrar a chegada da cooperativa à capital do país.
Durante a visita às instalações, Eduardo Rebuzzi esteve acompanhado do vice-presidente de Transporte Rodoviário de Cargas da CNT, Flávio Benatti, e do vice-presidente regional da NTC&Logística para o Estado de Santa Catarina e presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina (FETRANSCESC), Dagnor Schneider. Os representantes foram recepcionados pela presidente da Transpocred, Roberta Caldas, que apresentou a nova unidade e destacou o compromisso da cooperativa com o desenvolvimento do transporte rodoviário de cargas.
A Transpocred integra o Sistema Ailos, um dos maiores sistemas cooperativos de crédito do Brasil, e possui forte atuação junto ao setor de transporte. A cooperativa oferece soluções financeiras voltadas às necessidades de transportadores e empresas do setor, contribuindo para ampliar o acesso a crédito, serviços financeiros e instrumentos que apoiam o crescimento sustentável das empresas do Transporte Rodoviário de Cargas.
Além disso, a Transpocred mantém uma relação próxima com entidades representativas do setor, entre elas a NTC&Logística, participando de eventos, iniciativas institucionais e ações que contribuem para o fortalecimento do transporte rodoviário de cargas e logística no Brasil.
Para o presidente da NTC&Logística, a presença da cooperativa em Brasília representa um passo importante para ampliar o diálogo institucional e fortalecer o setor.
“A chegada da Transpocred à capital federal é extremamente positiva para o setor de transporte rodoviário de cargas. Trata-se de uma cooperativa que conhece as necessidades dos transportadores e contribui de forma efetiva para o desenvolvimento das empresas e do próprio setor. A proximidade com as entidades e com o ambiente institucional em Brasília fortalece ainda mais essa atuação conjunta”, destacou Eduardo Rebuzzi.
No transporte rodoviário, parar faz parte da viagem. Nos pontos de parada, motoristas descansam e recuperam as energias para seguir estrada. Mas esses momentos também podem se transformar em oportunidades de aprendizado. E é exatamente essa a proposta do projeto Ponto de Parada, que faz parte do pacote de novidades do Transcares neste ano de 2026.
Gratuito, com edições mensais e mediado pela assessora jurídica Alessandra Lamberti, ele estreou em 30 de janeiro com o tema “Saúde mental no Transporte: onde começa o risco jurídico do empregador?”, escolhido em razão do avanço normativo sobre a gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Naquele dia, o diretor da Provider – Saúde e Segurança do Trabalho, Carlos Sad, foi o convidado para falar de riscos psicossociais e da nova NR-01. E em 27 de fevereiro aconteceu a segunda edição, que tratou de exames ocupacionais, ASO e passivo trabalhista. A especialista da vez foi a médica do Trabalho Izabel Marize Almeida.
“Ponto é Parada é um projeto de caráter orientativo, preventivo e institucional, sem análise de casos individuais, reforçando o papel do sindicato como agente de apoio técnico qualificado aos seus associados”, detalha Alessandra, que, ao longo do ano, receberá outros especialistas para falar sobre acidente de trabalho; direção segura e responsabilidade do empregador; gestão de atestados; assédio moral; álcool; drogas e exames toxicológicos, dentre outros temas.
Para o presidente do Transcares, Luiz Alberto Teixeira, esses novos projetos reforçam o compromisso da equipe com o maior profissionalismo do segmento e fortalecimento do associativismo.
“O Transcares já possui uma robusta lista de projetos e ações prioritárias conduzidas pela equipe. Esse é caso, por exemplo, do nosso podcast, do Almoço Executivo e do Fórum de Segurança, dentre muitos outros. Mas estamos sempre pensando em novidades porque o segmento e o mercado se mantêm em movimento. Nós precisamos acompanhá-los”.
Durante seminário em Brasília, a Confederação destacou que o setor já enfrenta escassez de profissionais em diferentes modais de transporte
A discussão sobre mudanças na jornada de trabalho precisa considerar os impactos reais em setores essenciais da economia e na disponibilidade de profissionais qualificados. Esse foi o principal alerta feito pela gerente executiva governamental da CNT, Danielle Bernardes, durante o seminário “Modernização da Jornada de Trabalho”, realizado nessa terça-feira (10), em Brasília.
Ao participar do debate, ela destacou que propostas como a alteração da escala 6×1 ou a redução da jornada precisam ser analisadas com base em dados técnicos e nas especificidades de cada atividade econômica.
Segundo Danielle Bernardes, o setor de transporte já enfrenta escassez significativa de trabalhadores, o que exige atenção especial na discussão sobre eventuais mudanças nas condições de trabalho. “Se alterarmos a escala atual ou reduzirmos a jornada, será necessário ampliar o número de profissionais. Em um setor que já enfrenta falta de mão de obra, isso precisa ser analisado com muito cuidado”, afirmou.
A representante da CNT lembrou que o transporte é uma atividade essencial para o funcionamento da economia e da sociedade, responsável por movimentar cargas, pessoas, insumos e serviços.
Durante sua participação, Danielle explicou que o transporte opera, de forma contínua, em diferentes modais, cada um com características próprias de funcionamento. “Cada modal tem realidades específicas de trabalho que precisam ser consideradas nesse debate”, afirmou, ao chamar a atenção para a escassez de profissionais em funções como motoristas, mecânicos de manutenção e trabalhadores especializados nas atividades dos transportes aéreo e aquaviário.
Dados de pesquisas da CNT reforçam esse cenário. No transporte rodoviário de cargas, por exemplo, 65,1% das empresas relatam dificuldade para contratar motoristas profissionais. No transporte de passageiros, 53,4% das empresas enfrentam desafios semelhantes. No setor aquaviário, projeções da Marinha indicam que o Brasil pode enfrentar a falta de mais de 2 mil profissionais até 2030.
O debate integrou a programação do seminário Modernização da Jornada de Trabalho, promovido pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo. O encontro reuniu parlamentares e representantes de entidades empresariais, que apresentaram os desafios específicos de seus setores diante das discussões sobre jornada e organização do trabalho, abordando impactos na indústria, no agronegócio e na produtividade da economia.
Além da CNT, participaram do painel o consultor da FIEP (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) Thiago Xavier; o vice-presidente da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), Antônio Vilela; os assessores jurídicos da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) Rodrigo Hugueney e Rodrigo Costa, e o especialista em Políticas e Indústria da CNI (Confederação Nacional da Indústria) Pablo Rolim.
O debate foi mediado pelo deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ), que destacou a importância do diálogo entre o Parlamento e os diversos setores produtivos para o aprimoramento das propostas em discussão. Segundo ele, iniciativas como a do seminário contribuem para ampliar a compreensão sobre os impactos das mudanças e levar as reflexões aos debates público e legislativo.
CNT defende debate técnico
A CNT acompanha com atenção o debate sobre a possível mudança na jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. A entidade ressalta que o setor produtivo está aberto ao diálogo, mas defende que qualquer alteração seja conduzida com responsabilidade, previsibilidade e compromisso com o funcionamento da economia e da sociedade.
Por se tratar de uma atividade essencial e contínua, o transporte opera 24 horas por dia e garante o deslocamento de pessoas, mercadorias e serviços fundamentais, como alimentos, medicamentos, insumos industriais e bens de consumo. Nesse contexto, mudanças na jornada que não considerem as particularidades do setor podem ampliar a escassez de profissionais, elevar custos e impactar diretamente a oferta de serviços à população.
A CNT avalia que a negociação coletiva é o instrumento mais adequado para tratar da jornada de trabalho, pois permite ajustar as condições às necessidades específicas de cada setor, região e empresa, garantindo equilíbrio, segurança jurídica e respeito às características das atividades econômicas.
Negociações lideradas pela ANTT buscam dar segurança jurídica, reduzir burocracia e organizar a atividade entre Foz do Iguaçu e cidades do Alto Paraná
Brasília recebeu, na manhã de terça-feira (10/3), um encontro estratégico entre autoridades do Brasil e do Paraguai para avançar na construção de um acordo voltado à regularização do transporte internacional de pequenas cargas na região de fronteira. A reunião ocorreu na sede da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e marcou um novo passo nas tratativas que buscam dar mais segurança jurídica, previsibilidade e eficiência a uma atividade essencial para a economia local.
Na prática, o acordo em negociação pretende organizar o transporte realizado por veículos de pequeno porte que, diariamente, cruzam a fronteira levando mercadorias entre Foz do Iguaçu (PR) e as cidades paraguaias de Ciudad del Este, Hernandarias e Presidente Franco, no departamento de Alto Paraná, uma das regiões comerciais mais dinâmicas da América do Sul.
A agenda reuniu representantes de diferentes instituições responsáveis pela gestão do transporte e do comércio internacional. Pela ANTT, participaram Cálicles Mânica, coordenador-geral da Coordenação de Gestão Internacional; André Dolci Maia, coordenador de Protocolo de Representação; Janaína dos Santos, especialista em Regulação; Aeon Thiago Theiss, coordenador substituto da Superintendência de Transporte Rodoviário de Cargas (SUROC), Hugo Leonardo Rodrigues, superintendente de Fiscalização de Serviços de Transporte Rodoviário de Cargas e Passageiros (SUFIS), e Suelen Soares da Costa, assistente técnica da SUFIS.
O governo brasileiro também esteve representado por Adriano Botelho, conselheiro do Ministério das Relações Exteriores; Gabriela de Souza, terceira-secretária do Itamaraty, e pelos auditores-fiscais da Receita Federal Antonio Marcio de Oliveira Aguiar e Frederico Faber.
A delegação paraguaia contou com Luis R. Bianchi Fanego, diretor-geral de Comercio Exterior do Ministerio de Relaciones Exteriores do Paraguai; Juan Francisco Olmedo Florentín, gerente-geral de Aduanas; Guillermo Molinas, coordenador interino de Gestão Operativa da DNIT-PY; José Torres Vysokolan e Carlos Domingo Quintana, também da DNIT-PY, além de Alicia Bonzisez, primeira-secretária da Embaixada do Paraguai no Brasil.
Regras mais claras para quem transporta
Um dos avanços mais relevantes da reunião foi a definição do tipo de veículo que poderá operar no transporte internacional de pequenas cargas. O entendimento entre as delegações estabelece que a atividade será restrita a veículos da categoria N2, com peso bruto total entre 3,5 e 12 toneladas. Veículos da categoria N1, de menor porte, ficarão fora do acordo.
A definição busca garantir segurança operacional, padronização e maior controle das operações, sem comprometer a viabilidade econômica dos transportadores que atuam na região.
Outro ponto mantido nas negociações é o modelo de licenciamento já utilizado no transporte internacional. O transportador continuará precisando de duas autorizações: a Licença Originária, emitida pelo país de registro da empresa, e a Licença Complementar, concedida pelo país onde a operação ocorrerá.
Brasil e Paraguai também assumiram o compromisso de tornar mais ágil o processo de emissão dessas licenças, medida considerada fundamental para facilitar a formalização do setor.
Transição para adaptação do setor
Para viabilizar a implementação do acordo sem impactar negativamente os pequenos operadores, o Brasil apresentou uma proposta de transição gradual na exigência de frota mínima.
Durante o primeiro ano de vigência, será permitida a operação com três veículos, sendo um próprio e dois arrendados. A partir do segundo ano, a exigência passará para quatro veículos, mantendo-se a proporção de um veículo próprio e três arrendados.
A proposta foi bem recebida pela delegação paraguaia por permitir uma adaptação progressiva dos transportadores ao novo modelo regulatório.
Seguro internacional e documentação
As delegações também discutiram as exigências de seguro para o transporte internacional. O Paraguai apresentou um panorama do mercado local, informando que, atualmente, apenas uma seguradora oferece apólices voltadas a esse segmento.
O Brasil reiterou a obrigatoriedade do seguro internacional Carta Azul, previsto no Acordo sobre Transporte Internacional Terrestre (ATIT), instrumento que garante cobertura de responsabilidade civil em operações transfronteiriças.
Outro ponto central do debate foi a documentação exigida para o transporte das cargas. A delegação paraguaia sugeriu a criação de um documento simplificado durante o período de transição, alegando que os custos de emissão de documentos oficiais no Brasil podem dificultar a atuação de pequenos transportadores.
A posição brasileira foi firme ao manter a exigência da documentação oficial do Mercosul, especialmente o MIC-DTA, documento que integra os sistemas de controle aduaneiro e permite o acompanhamento das operações pelas autoridades dos dois países.
Segundo os representantes brasileiros, esses instrumentos são essenciais para garantir transparência, rastreabilidade e segurança jurídica nas operações de transporte internacional.
Próxima etapa das negociações
Ao final do encontro, as delegações reconheceram os avanços obtidos e reforçaram o compromisso de manter o diálogo técnico para superar os pontos ainda em discussão. Como próximo passo, foi sugerida a realização de uma nova reunião de acompanhamento em 18 de março, em Foz do Iguaçu, aproveitando a presença de autoridades brasileiras e paraguaias na região.
Para a ANTT, o avanço das tratativas representa um passo importante para organizar uma atividade que faz parte da rotina econômica da fronteira. A construção do acordo busca equilibrar formalização, segurança e viabilidade econômica, criando um ambiente mais estável para quem vive do transporte de mercadorias entre os dois países.
Mais do que regras, o que está em jogo é o fortalecimento de uma atividade que conecta pessoas, sustenta negócios locais e impulsiona o desenvolvimento regional. Porque, no transporte, cada carga movimentada também carrega trabalho, renda e oportunidades de um lado ao outro da fronteira.
Um levantamento da Associação Brasileira de Operadores Logísticos aponta que 68% dos ‘OLs’ (Operadores Logísticos) aumentaram aportes, com foco em softwares, modernização de infraestrutura e aquisição de máquinas e equipamentos. A avaliação da Abol é que os operadores logísticos preservaram o ritmo de aportes e expandiram o volume aplicado no setor, mesmo em um contexto de custos elevados. Os dados são do mais recente perfil dos operadores logísticos da Associação, que também indica que 23% mantiveram o mesmo nível e apenas 10% registraram retração.
De acordo com a Abol, o avanço é ainda mais significativo entre as companhias de grande porte (faturamento acima de R$ 600 milhões), das quais 82% reforçaram os investimentos. Entre as organizações de médio porte (faturamento entre R$ 100 milhões e R$ 600 milhões), 67% reportaram crescimento, enquanto, no grupo de pequeno porte (até R$ 100 milhões), 57% também elevaram os valores destinados à atividade.
As frentes prioritárias, segundo a Associação, evidenciam a busca por eficiência, atualização estrutural e maior competitividade. Em 2024, 83% dos OLs direcionaram verbas para softwares, percentual superior ao registrado em 2022 (80%). A modernização de instalações e infraestrutura segue entre os principais destinos de capital, com 78% das empresas atuando nessa linha.
A compra de novas máquinas e equipamentos foi mencionada por 69% dos respondentes, enquanto 57% aplicaram recursos na ampliação ou renovação de frota (veículos, implementos, embarcações e vagões). Outros 55% destinaram valores à aquisição de ativos como caixas, pallets e mobiliário. Já a incorporação de terrenos ou novas unidades foi citada por 33% dos participantes.
A Abol destacou ainda que os números demonstram que, mesmo em um ambiente desafiador, o segmento mantém postura estratégica, direcionando recursos tanto para a transformação digital quanto para o fortalecimento da base física das operações. A associação salientou que a combinação entre tecnologia e capacidade operacional sustenta a expansão das atividades e o atendimento a cadeias produtivas cada vez mais complexas.
O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento preparatório para acompanhar a instalação de dezenas de novos radares nas rodovias federais de Santa Catarina. A medida ocorre após a divulgação de informações sobre o início da operação de mais de 80 equipamentos nos próximos meses.
Segundo o procurador da República Carlos Augusto de Amorim Dutra, o objetivo é verificar a regularidade técnica dos equipamentos e a transparência nos critérios utilizados para a definição dos locais de fiscalização.
Com o ato, foram expedidos ofícios ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), solicitando detalhes sobre o número exato e a localização dos dispositivos. O MPF busca esclarecer se a Polícia Rodoviária Federal (PRF) participou ativamente dos estudos de viabilidade e de “criticidade” – termo técnico que define os locais com maior risco de acidentes –, e que, portanto, justificariam a presença de um radar.
Em resposta à reportagem da Gazeta do Povo, o Dnit informou que o plano de fiscalização eletrônica é mais abrangente do que o inicialmente previsto pela procuradoria. Segundo a autarquia, o novo contrato, assinado em novembro de 2025, prevê a instalação escalonada de 201 pontos de fiscalização, totalizando 321 faixas de trânsito monitoradas em solo catarinense.
“Atualmente, 80 pontos (129 faixas) se encontram em fase de elaboração dos estudos técnicos pela empresa contratada, enquanto outros 47 pontos (72 faixas) já se encontram em fase de instalação dos dispositivos”, informou o Dnit.
Como a autorização para as instalações foi emitida ao longo de janeiro, a previsão do órgão é que os primeiros equipamentos comecem a operar efetivamente no mês que vem. No caso dos trechos das rodovias federais operados por concessionários, como na BR-101 e 116, a responsabilidade de instalar, operar e monitorar o funcionamento dos radares será das empresas.
Mais de 40 mil quilômetros de rodovias ficaram sem monitoramento em 2025
A instalação massiva de novos radares marca o fim de um período de carência na fiscalização eletrônica das rodovias federais catarinenses. Em agosto de 2025, o Brasil enfrentou um cenário em que mais de 40 mil quilômetros de estradas sob gestão federal ficaram sem monitoramento de velocidade, devido ao término de contratos e restrições de verba pública – a Justiça mandou o governo federal religar os equipamentos.
Em Santa Catarina, o impacto foi visível em rodovias estratégicas como as BR-101, 470 e 282, onde radares foram desativados ou removidos no início do ano, gerando lacunas na vigilância de trechos historicamente perigosos.
O Dnit ressalta que a presença física do equipamento não é o único balizador para o comportamento do condutor. “A sinalização de regulamentação permanece válida e deve ser rigorosamente respeitada, independentemente da presença ou não de equipamentos de fiscalização eletrônica em operação”, orientou em nota.
Para garantir o acesso à informação, o Departamento informa que os usuários podem consultar a localização e o estágio de operação de cada radar por meio do Portal de Multas do Dnit. Na plataforma, são disponibilizados os estudos técnicos que fundamentam a escolha de cada ponto de monitoramento.
Período de homologação do sistema tem início em 10 de março e permitirá o intercâmbio automatizado de dados entre seguradoras e o RNTRC; verificação passará a valer para inscrição e manutenção do registro dos transportadores a partir de julho de 2026
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) anunciou o início do processo de integração nacional para verificação automática dos seguros obrigatórios no Transporte Rodoviário de Cargas, iniciativa que permitirá o intercâmbio automatizado de informações entre as seguradoras e o sistema do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC). A medida tem sido acompanhada de perto pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), que vem atuando nas discussões com a Agência e com os demais órgãos envolvidos para garantir que a implementação ocorra com segurança jurídica e adequada adaptação para as empresas do setor.
O período de homologação do sistema tem início em 10 de março de 2026 e seguirá até 30 de junho de 2026. Durante essa fase, as seguradoras poderão realizar testes de integração, envio e validação das informações, garantindo a correta comunicação entre os sistemas e a qualidade dos dados transmitidos. A verificação automatizada passará a valer a partir de 1º de julho de 2026, sendo considerada para fins de inscrição e manutenção do registro dos transportadores no RNTRC.
A iniciativa decorre da implementação das disposições da Lei nº 14.599/2023, que estabeleceu a obrigatoriedade de contratação, pelos transportadores rodoviários de cargas, dos seguintes seguros:
Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga (RCTR-C);
Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário por Desaparecimento de Carga (RC-DC);
Responsabilidade Civil de Veículo (RC-V).
A operacionalização desses seguros vem sendo conduzida pela ANTT, em conjunto com o mercado segurador e com a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), que também vem promovendo adequações regulatórias para implementação do novo marco legal.
Nos termos da Portaria SUROC nº 27, de 7 de agosto de 2025, as sociedades seguradoras deverão encaminhar automaticamente à ANTT as informações relativas à comprovação da contratação dos seguros obrigatórios por meio de webservice integrado ao sistema do RNTRC.
Durante o período de homologação, entre março e junho de 2026, a atuação da Agência terá caráter educativo e orientativo, podendo ocorrer ações de fiscalização voltadas à conscientização do setor quanto à obrigatoriedade de contratação dos seguros e à futura verificação automatizada dessas informações.
A partir de 1º de julho de 2026, o sistema entrará em ambiente de produção, com integração efetiva ao RNTRC. Nessa etapa, será iniciada a verificação automática da contratação dos seguros obrigatórios, que passará a ser considerada para fins de inscrição no registro e manutenção da regularidade dos transportadores no sistema.
A definição dessa data leva em consideração que o ramo de seguro RC-V foi instituído pela regulamentação da SUSEP com vigência desde 1º de julho de 2025, permitindo ao mercado segurador estruturar os novos produtos e garantindo que as apólices contratadas completem seu ciclo anual antes do início da verificação automatizada.
Atuação da NTC&Logística
A NTC&Logística tem acompanhado ativamente o processo de implementação das novas regras e mantém diálogo constante com a ANTT e demais órgãos reguladores sobre os impactos operacionais e regulatórios da medida para as empresas do setor.
Em fevereiro de 2026, a entidade encaminhou manifestação à Agência solicitando a prorrogação do início da fiscalização com aplicação de penalidades, defendendo a adoção de um período adicional de transição regulatória que permita ajustes operacionais e maior clareza em pontos relevantes da regulamentação, especialmente no que se refere ao seguro RC-V.
No documento, a entidade também destacou que a suspensão do RNTRC como medida administrativa poderia gerar impactos relevantes na continuidade das operações de transporte, com reflexos nos custos operacionais das empresas e no atendimento à cadeia produtiva e ao abastecimento da sociedade.
Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, o avanço na implementação do novo modelo de verificação representa um passo importante para a organização do mercado, desde que o processo ocorra com diálogo e equilíbrio regulatório.
“A modernização dos mecanismos de verificação dos seguros obrigatórios é uma medida importante para dar mais transparência e segurança às operações do Transporte Rodoviário de Cargas. No entanto, é fundamental que esse processo ocorra com diálogo permanente com o setor, garantindo tempo adequado de adaptação para as empresas e evitando impactos desproporcionais na operação e no abastecimento do país”, destacou Rebuzzi.
A ANTT informou que divulgará oportunamente novas orientações técnicas sobre o processo de implementação, incluindo especificações do webservice, cronograma detalhado de implantação e procedimentos de validação e homologação.
Diante das incertezas no mercado internacional de energia e dos possíveis reflexos no fornecimento de combustíveis no Brasil, a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) iniciou um levantamento para monitorar as condições de abastecimento de diesel nas empresas do Transporte Rodoviário de Cargas.
A iniciativa é conduzida pelo Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas (DECOPE) da entidade e tem como objetivo acompanhar, em tempo real, a situação enfrentada pelas transportadoras em relação ao abastecimento de suas frotas, identificando eventuais dificuldades e variações nas diferentes regiões do país.
Para viabilizar o monitoramento, a NTC&Logística disponibilizou um questionário simples e objetivo, composto por apenas quatro perguntas de múltipla escolha, que pode ser respondido rapidamente pelas empresas do setor.
As informações coletadas permitirão à entidade consolidar um panorama nacional sobre o abastecimento de diesel, contribuindo para a identificação de possíveis gargalos e riscos de alterações no funcionamento da cadeia de suprimentos.
Com os dados obtidos, a NTC&Logística poderá orientar suas ações institucionais e dialogar com autoridades e agentes do mercado sempre que necessário, levando informações atualizadas sobre a realidade enfrentada pelas transportadoras.
A entidade reforça a importância da participação das empresas no levantamento, destacando que a colaboração do setor é fundamental para ampliar a representatividade das informações e garantir um diagnóstico mais preciso da situação em todo o território nacional.
Participação dos investimentos no PIB segue em patamar historicamente baixo no Brasil; em 2025, índice ficou em 16,8%
O PIB (Produto Interno Bruto) do setor de transporte, armazenagem e correio alcançou R$ 395,67 bilhões em 2025, registrando crescimento de 2,1% em relação a 2024. No mesmo período, a economia brasileira avançou 2,3%, totalizando R$ 12,74 trilhões no ano.
De acordo com análise do Radar CNT do Transporte – PIB Brasil 2025, divulgada nesta semana pela CNT, o crescimento da economia foi impulsionado principalmente pela agropecuária, que avançou 11,7%; pela indústria extrativa (8,6%) e pelos serviços de informação e comunicação (6,5%). Já os investimentos na economia brasileira cresceram apenas 2,9%.
Para a gerente executiva de Economia da CNT, Fernanda Schwantes, o resultado é modesto diante dos desafios do país para ampliar a participação dos investimentos na geração de riqueza. Segundo ela, elevar o nível de investimentos é essencial para sustentar o crescimento econômico no longo prazo.
A participação dos investimentos no PIB brasileiro é historicamente baixa. Entre 1996 e 2025, a média foi de 17,9%. Em 2025, porém, esse indicador ficou em apenas 16,8%, patamar próximo ao registrado em 2020, quando a economia brasileira foi fortemente impactada pelas restrições impostas pela pandemia.
“Um país que investe pouco convive com infraestrutura precária e menor capacidade de inovação. Isso se reflete em baixa produtividade, agravamento de problemas sociais, comprometimento da geração futura de renda e perda de competitividade em relação aos concorrentes internacionais”, ressalta Schwantes.
A CNT defende que o avanço dos investimentos privados ocorra de forma complementar à atuação do Estado. Nesse contexto, o poder público mantém papel essencial na estruturação de projetos, no planejamento estratégico e na viabilização de empreendimentos com menor atratividade econômica imediata, contribuindo para ampliar o volume total de investimentos e sustentar o desenvolvimento de longo prazo.
Na “Série Especial de Economia – Investimentos em Transporte: impactos dos investimentos em rodovias sobre o desempenho do setor transportador”, a CNT demonstrou que cada R$ 1 aplicado pelo setor privado em infraestrutura rodoviária pode gerar até R$ 4,77 no PIB do transporte em até nove meses, evidenciando o efeito multiplicador da infraestrutura sobre a atividade econômica.
Na prática, isso significa redução do custo do frete, maior agilidade no transporte de mercadorias e diminuição do custo para levar alimentos, combustíveis e produtos industriais até consumidores e empresas. Rodovias mais eficientes permitem que caminhões transportem cargas em menos tempo e com menor consumo de combustível. Para alcançar efeito semelhante, os investimentos realizados pela União levam cerca de 18 meses.
No curto prazo, os impactos também aparecem rapidamente. Segundo a análise, a cada R$ 1 investido pelo setor privado em rodovias, o PIB do transporte cresce R$ 2,58 no mesmo trimestre em que o investimento é realizado. No caso dos investimentos públicos federais, o impacto imediato é menor: R$ 0,61 para cada real investido.
Apesar da relevância econômica e social do setor de transporte e logística, o investimento federal em infraestrutura de transporte ainda representa parcela reduzida da economia. Em 2025, os investimentos da União nas infraestruturas de todas as modalidades somaram R$ 16,67 bilhões – o equivalente a cerca de 0,13% do PIB –, segundo levantamento da CNT.
O valor não inclui investimentos realizados por concessionárias, estados e municípios, que atualmente não dispõem de uma base nacional consolidada de dados.
Novo serviço disponível no Gov.br substitui cartas físicas, reduz burocracia e garante economia para transportadores e empresas
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) está ampliando a digitalização de seus serviços e criando um incentivo direto para transportadores e empresas regularizarem suas pendências com mais rapidez e economia. A partir de agora, quem optar por receber notificações eletrônicas de multas e débitos da ANTT poderá obter desconto de até 40% no valor total da multa, desde que abra mão da apresentação de defesa ou recurso administrativo.
A adesão é voluntária, simples e totalmente digital, podendo ser feita pela Área do Autuado da ANTT, integrada ao ambiente do Gov.br. A iniciativa faz parte da estratégia da Agência de modernizar a comunicação com o setor regulado, reduzir custos operacionais com correspondências físicas e tornar o processo mais rápido, seguro e transparente.
Mais agilidade e menos burocracia
No modelo tradicional, as notificações são enviadas pelos Correios, o que pode gerar atrasos, extravios ou demora no recebimento da comunicação oficial. Com a notificação eletrônica, as comunicações passam a ser disponibilizadas diretamente no ambiente digital do usuário (Área do autuado), em tempo real, permitindo acompanhar multas, débitos e processos administrativos com mais rapidez.
Além da economia financeira, o sistema oferece consulta digital de multas e processos administrativos, emissão de boletos atualizados, acompanhamento de solicitações, acesso à íntegra de processos eletrônicos e relatórios completos de autuações, tudo em um único ambiente digital.
Desconto vale para multas de transporte
O benefício de 40% de desconto é válido para multas aplicadas pela ANTT no transporte de cargas e passageiros, desde que o autuado concorde com a adesão eletrônica e opte pelo pagamento antecipado. A regra não se aplica às infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Além disso, essa adesão é reversível, e o usuário pode cancelar a qualquer momento e voltar a receber as notificações em formato físico pelos Correios, como ocorre atualmente.
Como aderir à notificação eletrônica da ANTT
O processo é simples e pode ser feito em poucos minutos.
1️. Acesse a Área do Autuado da ANTT
Clique aqui
2. Faça seu cadastro
Informe CPF ou CNPJ, e-mail válido e crie uma senha.
3. Entre no sistema
Acesse com seus dados cadastrados.
4. Ative a Notificação Eletrônica
No menu principal, selecione “Notificação Eletrônica” e confirme a adesão.
Onde consultar suas notificações
Após aderir ao sistema, as notificações poderão ser acessadas em dois canais oficiais:
Caixa Postal do Gov.br
caixapostal.sistema.gov.br
Área do Autuado da ANTT
appweb1.antt.gov.br/spmi
Transformação digital no transporte
Com a iniciativa, a ANTT reforça o compromisso com a modernização dos serviços públicos, redução de custos administrativos e maior eficiência na relação com transportadores, empresas e cidadãos.
Ao mesmo tempo, o modelo estimula a regularização de pendências com descontos significativos e processos mais rápidos, alinhando a Agência às melhores práticas de governo digital.
Desempenho fraco do setor de caminhões pressiona empregos, apesar de leve reação na produção em fevereiro, segundo a Anfavea
A indústria brasileira de caminhões fechou 180 vagas de trabalho no início de 2026, em meio ao desempenho mais fraco do segmento. Os dados foram divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
De acordo com o presidente da entidade, Igor Calvet, o mercado de veículos pesados enfrenta um começo de ano mais desafiador, marcado por queda nas vendas, nas exportações e na produção em relação ao mesmo período de 2025.
Segundo o executivo, o segmento de caminhões é especialmente sensível às condições de crédito e ao ritmo da atividade econômica, fatores que influenciam diretamente as decisões de renovação de frota por transportadoras e caminhoneiros.
Mesmo nesse cenário, a produção apresentou uma reação em fevereiro. Para Calvet, o avanço pode estar relacionado aos primeiros efeitos do programa Move Brasil, que já liberou R$ 4,2 bilhões em crédito para financiamento de veículos.
Assim, as montadoras produziram 7,8 mil caminhões em fevereiro, volume 14,5% superior ao registrado em janeiro, quando haviam sido fabricados 6,8 mil veículos.
Apesar da melhora na comparação mensal, o resultado ainda está bem abaixo do observado no ano passado. Em fevereiro de 2025, foram produzidos 12 mil caminhões, o que representa queda de 34,9% na comparação anual.
No acumulado do primeiro bimestre, a produção somou 14,6 mil unidades, frente a 20 mil caminhões no mesmo período de 2025, retração de 27%.
Vendas e exportações pressionadas
Do lado da demanda, o mercado também segue enfraquecido. Os emplacamentos de caminhões totalizaram 6,7 mil unidades em fevereiro, avanço de 3,3% sobre janeiro, quando foram licenciados 6,4 mil veículos. Na comparação com fevereiro do ano passado, porém, houve queda de 25,7%.
No acumulado de janeiro e fevereiro, as vendas somaram 13,1 mil caminhões, contra 18,4 mil unidades no mesmo período de 2025, o que representa retração de 28,7%.
As exportações também permanecem em patamar baixo. Em fevereiro, foram embarcados 1,2 mil caminhões, alta de 5,7% em relação a janeiro, quando as vendas externas haviam somado 1,1 mil unidades.
Na comparação anual, no entanto, a queda foi expressiva: 49,4% frente a fevereiro de 2025. No acumulado do primeiro bimestre, as exportações totalizaram 2,3 mil caminhões, ante 3,3 mil unidades no mesmo período do ano passado, retração de 31,6%.
Segundo Calvet, a forte redução nas exportações para a Argentina tem pesado sobre o desempenho do setor. “Causa preocupação a retração expressiva nas exportações para a Argentina, mercado que nos ajudou muito nos resultados positivos de 2025”, afirmou o presidente da Anfavea.
Renovação de frota é aposta para estimular o mercado
Apesar do início de ano ainda fraco, a indústria aposta no programa Move Brasil para estimular a demanda ao longo de 2026. A iniciativa do governo federal busca facilitar o financiamento para a aquisição de caminhões novos e seminovos. Até o momento, o programa já liberou R$ 4,2 bilhões em crédito, de um total de R$ 10 bilhões disponíveis.
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou recentemente que o governo trabalha para transformar o programa em uma política permanente de renovação da frota.
A proposta prevê a criação de dois fundos – um ligado ao Ministério dos Transportes e outro, em negociação com a Petrobras – para garantir recursos destinados à equalização das taxas de juros nos financiamentos.
Segundo o ministro, o custo do crédito ainda é o principal entrave para a renovação da frota de caminhões no país, já que financiamentos de bens de alto valor continuam sensíveis a taxas de juros elevadas.
O INCTF mede a evolução de todos os custos da carga fracionada, incluindo transferência, coleta e distribuição, custos administração e de terminais (custos indiretos), gerenciamento de riscos e custo valor. Nesses custos não estão contemplados impostos, pedágios e margem de lucro.
Tenha na íntegra o simulador e histórico do índice, abaixo:
O INCTL reflete a variação dos custos do transporte rodoviário de cargas fechadas ou lotações, ou seja, ele mede a evolução de todos os custos da carga completa, incluindo a transferência, a administração (custos indiretos), gerenciamento de riscos e custo valor. Ele, assim como o INCTF, também não contempla impostos e margem de lucro na sua apuração.
Tenha na íntegra o simulador e histórico do índice, abaixo: